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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Vera Malaguti: A barbárie do capital e suas táticas de perpetuação



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por João Castro
A dominação imperialista em nosso país “além de desmanchar o Estado previdenciário, investe no Estado penal. Aquele pessoal que deixa de ser assistido socialmente, passa a ser assistido na prisão”. Essa é a opinião de Vera Malaguti Batista, socióloga, doutora em Medicina Social pelo Instituto de Medicina Social (UERJ) e secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia (ICC)1. Numa entrevista à AND, ela falou de criminalidade, segurança pública, sistema penal, meios de comunicação, entre outros temas, sempre com uma visão crítica a respeito do que ela chama de “barbárie”, principalmente em termos da violência e criminalização da pobreza.
Há quem diga que a civilização ocidental vive um momento de progresso e civilidade frente ao passado vergonhoso de guerras, epidemias e ignorância. Ainda podemos ouvir as vozes insistentes dos arautos do livre mercado argumentando que o mundo globalizado traz em si “coisas boas” como “cidadania”, “direitos humanos”, “liberdade”. Todos estes termos são, na verdade, usados pelo imperialismo para por em prática o seu contrário: exploração, espoliação, escravização e opressão de uma parcela cada vez maior da população dos países semi-coloniais, como o Brasil.
Criminalidade: mal maior?
A criminalidade não deve ser defendida, sob qualquer pretexto. Contudo, nota-se que ela vem sendo tendenciosamente apresentada como sendo “a grande violência”, ou o aspecto principal desta. Os discursos — tanto de direita quanto da esquerda oportunista — socam com vigor a superfície do problema, não chegando sequer a dar um leve sopro na face da profunda violência cometida pelo sistema capitalista contra o povo.
— Esse é o assunto principal da gente — conta Vera Malaguti — O neoliberalismo, além de desmanchar o Estado previdenciário (o welfare state), investe no Estado penal. Aquele pessoal que deixa de ser assistido socialmente, passa a ser assistido na prisão. O neoliberalismo cria a violência e cria a criminalização da pobreza. O cara resolve ser camelô, por exemplo, porque não tem emprego. Um problema social do trabalho que o discurso neoliberal — incorporado, por exemplo, pelo César Maia — vai dizer que é “crime organizado”.
Ela prossegue:
— A gente diz que essa fase do capitalismo é extremamente violenta. E principalmente na periferia do capitalismo produz violência, barbárie e criminalização. Então você pega o menino que está soltando foguete e classifica como “traficante”. A partir daí, ele vai passar por um processo de brutalização que, no final, ele realmente torna-se uma “pessoa irrecuperável”.
Toda a criminalização da pobreza gera miséria para as massas e lucros para as classes dominantes. Segundo Vera, o medo produzido pela indústria do crime permite a comercialização de uma enorme gama de produtos: sistemas de escuta, radares para automóveis, alarmes para as mansões dos magnatas... Acuada, a classe média endossa a repressão aos pobres. E o sistema se aproveita disso — e vem se aproveitando há séculos — para combater os movimentos populares. Vera comenta:
— Na periferia do capitalismo — com toda a herança da escravidão, com a reforma agrária que nunca foi feita, com pouquíssimo Estado previdenciário — a precariedade do trabalho é maior. Tudo numa perspectiva de criminalizar tudo. Criminalizam, por exemplo, o movimento dos sem-teto: seus integrantes recebem depois algum rótulo, como o de “traficantes”. Uma coisa que tem que ficar claro é o seguinte: não é que a pobreza produza criminalidade; a pobreza é criminalizada. A estratégia de sobrevivência do pobre é criminalizada. Quer dizer: tudo é crime, menos entregar para o FMI o superávit primário da nação inteira. O medo mantém o controle social truculento mantendo a classe média com medo, para que ela não reflita sobre as razões.
Em sua análise, Vera não deixa de enfatizar o caráter de classe da repressão do Estado: — No meu livro 2, eu pego alguns processos de adolescentes envolvidos com droga e mostro que o problema em si não é a droga, é o tipo de adolescente. Se um menino de classe média for pego com a mesma quantidade de um da favela, vai ter um destino e um discurso. O problema é o menino. Poderiam dizer: “Estamos com problema de drogas. Então, vamos investir muito em saúde pública”. Mas não... Uma guerra é que vai criar uma disciplina do medo, a polícia vai matar mais pobres e a classe média vai aplaudir. Vai criar uma estrutura de campo de concentração na periferia. A periferia hoje tem toque de recolher. A maneira de ela se movimentar lembra um campo de concentração. Sobre a questão das drogas, ela continua:
— Estou trabalhando com o tema “drogas” há dez anos e estou notando que as bocas (locais de venda de droga) estão empobrecidas, porque não tem muito mais aquela coisa de ir no morro comprar droga. Hoje há toda a rede de “estica” que leva em casa.
Os ardis do monopólio dos meios de comunicação
Podem-se ler (ou ver), todos os dias, notícias sobre crimes, assassinatos, seqüestros. No monopólio dos meios de comunicação, toda a culpa pelos tormentos sofridos pela população recai sobre a tal criminalidade. O pânico, institucionalizado, prepara o terreno para um “clima de guerra”: moeda legitimadora da ação repressiva.
— A televisão hoje é a grande protagonista da questão penal — argumenta Vera — É só olhar o Jornal Nacional. Os meios de comunicação pautam a polícia hoje. Eles criam a demanda por repressão e a legitimação dos excessos. Você apresenta, por exemplo, três matérias com o Fernandinho Beira-Mar e depois entra na favela matando dez pessoas. De vez em quando, tem de botar um colarinho branco na fogueira para legitimar o sistema penal. Em São Paulo, eu vi que estavam fazendo cerca de mil prisões semanais. Como o sistema penal vai dar conta disso? A mídia é fundamental para manter esse consenso.
A situação carcerária é outro ponto fundamental para os estudos do ICC. De acordo com Vera Malaguti, o Estado penal serve de depósito de parte da massa desassistida pelo desmonte do estado previdenciário. Aqueles que se levantam contra todo o sistema de exploração são devidamente criminalizados.
— É o conceito de barbárie — diz Vera — A produção de barbárie vai fazer [Hernán] Cortéz e a conquista da América parecerem brincadeira. Com esse negócio de Estado penal, a ascensão da população penal é impressionante. E, além disso, você cria a lei de crimes hediondos, que sempre acaba caindo sobre as populações mais pobres. A prisão é uma máquina de diferenciar ilegalidades: ilegalidade dos pobres vai para a prisão, ilegalidade dos ricos vai para a terapia, penas alternativas... Criou-se uma superpopulação penitenciária e tudo quanto é direito para os presos as pessoas acham absurdo. As pessoas tem uma visão de prisão como sendo quase uma masmorra inquisitorial. Aí vai se criando dentro da prisão um ambiente debarbarização.
O vazio discurso da falsa esquerda
De acordo com Vera, a recente conjuntura eleitoral — com a eleição de Luís Inácio, principalmente — trouxe à tona uma unidade de discurso nas plataformas penais dos candidatos da direita e da esquerda oportunista. Como sempre, ninguém ousou ir mais fundo no problema da violência, identificando a exploração capitalista como grande causa de nossos males. Em alguns dos governos desta “esquerda”, a despeito de todo discurso de “respeito aos direitos humanos”, matou-se muito, conforme aludiu Vera Malaguti:
— A polícia está matando 1200 garotos por ano, no Rio de Janeiro. No governo Benedita [da Silva] passou de 450 para 900. E com a entrada de Garotinho e Rosinha, explodiu para 1200. Ninguém diz: “Temos de mudar o modelo econômico”. Pelo contrário, isso serve para todo mundo ficar dizendo: “Não tem polícia”, “A polícia é corrupta”. E não tem conversa: nesse atual modelo, vai aumentar a insegurança, a barbárie.
Ela continua:
— Escrevi um artigo chamado A estrela da morte, que saiu no Jornal do Brasil. Eu falava do PT, do final do governo de Benedita. E tinha o Luis Carlos Soares, com todo aquele discurso sociológico, delegacia legal... E a polícia estava matando mais do que nos tempos do general Newton Cerqueira! Aí vem o discurso da “impunidade”, que a gente chama da “esquerda punitiva”: “Ah, o problema é impunidade”. Como se num capitalismo desses pudesse haver justiça social no sistema penal. Aí você vê um monte de “xerifes” surgindo: Denise Frossard, deputada mais votada no Rio de Janeiro, por exemplo.
E Vera fala de outros “xerifes”, tão espetacularizados quanto aqueles produzidos pelo cinema ianque: — O poder mais assustador para mim que está surgindo é a santificação do Ministério Público. Eu até pergunto para os juristas de onde vem a “unção” do Ministério Público: estudou na mesma faculdade do delegado, do defensor público, do juiz... É um pouco a coisa de a gente reproduzir os esteriótipos inquisitoriais de nossas matrizes ibéricas, de olhar o crime com um olhar moral. Não é assim: “O criminoso é quem eu determinei na lei”. E ponto. Não que o criminoso seja mal. No entanto, hoje quem combate o crime é o portador da virtude no discurso moral. Outro dia eu vi na TV uma promotora de arma na mão. É a nova polícia! Prestem atenção no Ministério Público. Há uma disputa pelo poder de polícia.
E falando de xerifes e de cinema... Não é de surpreender que as elites, também em questão de segurança, espelhem-se no modelo ianques.
— Há cada vez mais a coisa espetacular, o policial vai com a televisão, bota aquele gorro. Tudo baseado no modelo americano. Nossa política criminal de drogas segue o modelo ianque. Na Europa é diferente, no Irã é diferente... No Afeganistão, os Talibãs tinham acabado com a produção de ópio; com a invasão do USA, ela voltou. Há uma produção cultural para sacralizar o FBI. E eles investem muito em trocas de informação.
Viva Rio, “direitos humanos”, “cidadania”...
Embaladas pelo discurso dos meios de comunicação, a classe média pede paz quando sente a violência morder seus calcanhares. Enquanto matarem somente os “favelados”, tudo bem. Mas quando meninos ou meninas bem nascidos sofrem uma violência, organizam passeatas, clamam pelo desarmamento, ouriçam suas ONGs. E tudo continua na mesma.
— Movimentos como o Viva Rio, para mim, não têm nenhuma eficácia no combate à violência — critica Vera— Talvez só pelo fato de que algumas ONGs vão ganhar um monte de dinheiro, que vai estar ligado a um sistema de publicidade que também vai ganhar muito dinheiro... Igual à campanha de Paz: cada vez que as elites fazem passeata pela paz, pode esperar que se vai matar no morro. A paz no Iraque que me interessa, por exemplo, é quando as milícias ganharem dos USA. Não haverá paz para a classe média numa sociedade de classes nessa fase violentíssima do capitalismo.
A secretária do ICC se mostra bastante crítica diante da banalização de conceitos como “direitos humanos” e “cidadania”.
— Agora tudo é cidadania (eu chamo de “ciladania”). Cachorro fazer cocô na rua é cidadania! Cidadania, para mim, é protagonismo, poder. Tem um livro de um italiano que destrói esse conceito do direito liberal. Direito é força. Ele pega uma correspondência entre o jurista Karl Schmidt (que depois virou nazista) e Walter Benjamin. Eles diziam que direito é poder. Já a luta pelos direitos humanos na América Latina era uma coisa que tinha a ver com o momento da ditadura. Hoje em dia você tem uma proliferação de discursos sobre direitos humanos, mas quanto mais se fala disso mais se mata. É um paradoxo do âmago do liberalismo. O discurso dos direitos humanos escorre pelas mãos porque o sistema é barbárie.

1 Vera Malaguti Batista fala um pouco do ICC: “É um instituto para pensar na “questão criminal”. Foi feito quando a gente saiu do segundo governo Brizola, em 1994, que foi um momento muito emblemático. Nós fomos derrotados pela “questão criminal”, mas também era muito importante neutralizar aquela força política que era o Brizola. Foi o ano que o conservadorismo entrou no Rio de Janeiro. Aí a gente resolveu parar para pensar. Presidido pelo Nilo Batista, temos um mestrado na Universidade Cândido Mendes, uma linha de publicações e promovemos seminários”.
2 BATISTA, Vera Malaguti. Difíceis ganhos fáceis: Drogas e Juventude Pobre no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Revan, s/d.
http://www.anovademocracia.com.br/no-22/729-a-barbarie-do-capital-e-suas-taticas-de-perpetuacao

Economia para pagar juros sobe 25% em janeiro (e que vão p bancos!)



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Economia para pagar juros sobe 25% em janeiro


O Globo

Superávit alcança R$ 26 bi, o maior da história para o mês

Graças a um forte aumento na arrecadação, o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 26,1 bilhões em janeiro. O resultado representa um aumento de 25,5% em relação ao mesmo período no ano passado, quando o primário foi de R$ 20,8 bilhões. Foi a maior economia de recursos para o pagamento de juros da dívida pública já obtida no primeiro mês de um ano.
- Foi o melhor janeiro da história. Tivemos uma arrecadação importante que mostra a solidez das contas brasileiras - afirmou ontem o secretário do Tesouro, Arno Augustin.
Segundo relatório divulgado pelo Ministério da Fazenda, as receitas do Governo Central somaram R$ 101,8 bilhões e cresceram 17,3% em relação a janeiro de 2012. No primeiro mês do ano, a arrecadação foi turbinada pela decisão das empresas de anteciparem o pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) relativo a lucros obtidos em 2012. Isso resultou numa receita de R$ 7,5 bilhões.
Já as despesas também subiram, mas num ritmo menor. De acordo com o relatório, atingiram R$ 75,6 bilhões, o que representa um aumento de 14,5% sobre 2012. Os gastos com pessoal e encargos sociais cresceram 2,4%. Os desembolsos com custeio subiram 26,6%. Já o pagamento de investimentos cresceu 24,7% em janeiro e atingiu R$ 9,6 bilhões. Considerando apenas os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o investimento subiu 73,4%, somando R$ 5,7 bilhões.
O resultado primário de janeiro corresponde a 24,1% do esforço fiscal previsto para o Governo Central este ano, que é de R$ 108,1 bilhões, ou 2,15% do Produto Interno Bruto (PIB). Já a meta do setor público consolidado, que inclui Governo Central, estados e municípios, é de R$ 155,9 bilhões, ou 3,1% do PIB. Mas a equipe econômica já admitiu que fará um primário menor para estimular o crescimento.

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Primeiro satélite dedicado a vigiar asteroides é lançado

 
NOTÍCIAS - 26 de fevereiro de 2013 - 11:29
Primeiro satélite dedicado a vigiar asteroides é lançado
O primeiro telescópio espacial especificamente dedicado à busca de asteroides foi lançado nesta segunda (25) com sucesso.

O satélite vai procurar asteroides próximos ao Sol, em um ângulo de aproximadamente 45º, que é difícil para telescópios no solo.
Do tamanho de uma mala grande e batizado de NEOSSat (Satélite de Vigilância de Objetos Próximos à Terra, na sigla em inglês), o aparelho foi desenvolvido pela Agência Espacial do Canadá e custou cerca de R$ 50 milhões.

O satélite circulará a Terra cada cem minutos e será posicionado a 800 km do planeta. Por sua localização, ele conseguirá vasculhar uma área bem próxima ao Sol, até cerca de 45º. Essa região é de difícil observação pelos telescópios terrestres, que atualmente fazem o grosso do monitoramento.

Uma outra vantagem é que, diferentemente dos em solo, o espacial vai operar o dia inteiro. Os de solo só funcionam durante a noite.

Além dos bólidos, o satélite canadense também vai prestar atenção ao lixo espacial --como resto de satélites e foguetes. O objetivo é evitar que eles colidam com algum satélite operacional.

O dispositivo tirará centenas de imagens por dia, que serão enviadas para pesquisadores no Canadá. São eles que vão determinar se o asteroide é novo ou já catalogado, além de sua trajetória e o potencial risco de colisão.

Os criadores do satélite deixam claro, no entanto, que o objetivo não é apenas encontrar bólidos que possam ser perigosos. Eles querem entender melhor do que são feitos e como se comportam asteroides que ficam inteiramente, ou durante boa parte do tempo, na órbita da Terra.

Isso poderia contribuir para futuras pesquisas científicas ou para a mineração.

O dispositivo conseguirá identificar asteroides entre 50 milhões e 100 milhões de quilômetros de distância.

O telescópio foi elaborado para achar grandes objetos, com mais de algumas centenas de diâmetro. Asteroides pequenos, como o de 17 metros que explodiu sobre a Rússia há pouco mais de uma semana, não serão detectados pelo aparelho.

Na opinião de Scott Hubbard, professor da universidade Stanford e um dos diretores da Fundação B612, ONG que reúne cientistas e astronautas e alerta para o perigo da colisão de asteroides, o grande problema hoje são os pequenos objetos.

"A Nasa está fazendo um bom trabalho de monitoramento e localização dos grandes asteroides. O que falta mesmo é prestar atenção aos pequenos corpos", disse Hubbard à Folha.

Sua fundação pretende construir e lançar um satélite bem maior que o canadense, batizado de Sentinela, para identificar também esses objetos menores.

Segundo o cientista, o ideal é localizar os asteroides com muito tempo de antecedência, para que haja tempo para decidir o que fazer.

Umas das possibilidades deverá ser testada em 2022 por americanos e europeus para desviar o asteroide Didymos. Trata-se de um sistema binário com um objeto menor que orbita o maior. O objetivo dos cientistas é lançar o menor sobre o maior, alterando o sistema e desviando sua trajetória.

Fonte: Folha

A Palestina vai ao Oscar. E é detida no aeroporto!

A Palestina vai ao Oscar. E é detida no aeroporto! ImprimirPDF
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A Palestina vai ao Oscar. E é detida no aeroporto!
O filme palestino ‘5 Broken Cameras’ é um dos indicados ao Oscar de melhor documentário estrangeiro. Mas seu diretor, Emad Burnat, a esposa Soraya e o filho Gibril foram detidos na terça (19) ao desembarcarem no aeroporto de Los Angeles, onde participariam da premiação. Acabaram levados para uma área fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório.
Baby Siqueira Abrão
Emad Burnat, diretor de ‘5 Broken Cameras’ [5 câmeras quebradas], filme indicado ao Oscar de melhor documentário estrangeiro, foi detido na noite de 19 de fevereiro ao desembarcar no aeroporto de Los Angeles, Califórnia, para participar da festa do cinema de Hollywood. Ele, a esposa Soraya e o filho Gibril, de 8 anos – que também participam do filme –, foram levados para uma área fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório. Segundo as autoridades de imigração, Emad não tinha em seu poder o “convite apropriado para o Oscar”, seja lá o que isso for.
Emad enviou uma mensagem, pelo celular, a Michael Moore, o polêmico documentarista de ‘Tiros em Colombine’, ‘Fahrenheit 11 de setembro’ (filme que questiona a versão oficial do atentado ao World Trade Center) e um dos diretores da Academia de Hollywood. Moore denunciou a detenção a seus 1,4 milhão de seguidores no Twitter e acionou o pessoal da Academia, que por sua vez contatou advogados para cuidar do caso. “Pedi a Emad que repetisse meu nome várias vezes aos oficiais da imigração e que lhes desse meus números de telefone”, disse Moore. “Parece que eles não conseguiam entender como um palestino podia ter sido indicado ao Oscar”, completou, irônico.
Moore também deixou claro que faria o que estivesse a seu alcance para impedir a deportação que ameaçava a família Burnat. E foi bem-sucedido, porque uma hora e meia depois eles foram libertados. “Mas só poderão ficar em Los Angeles uma semana, até o Oscar”, esclareceu Moore. E, de novo com ironia, acrescentou: “Bem-vindos aos Estados Unidos!”
Para Emad, a detenção não é nenhuma novidade. “Quando se vive sob ocupação militar, sem nenhum direito, esse é um acontecimento diário”, declarou. O filme ‘5 Broken Cameras’ é o resultado de sete anos de trabalho de Emad, que comprou a primeira câmera quando Gibril nasceu e passou a registrar tudo o que acontecia em sua vila natal, Bil’in, na Cisjordânia sob ocupação militar de Israel. Ajudado pelo israelense Guy Davidi, que esteve ao lado da resistência de Bil’in desde os primeiros dias, foi responsável pelo pós-roteiro de ‘5 Broken Cameras’ e figura como codiretor, Emad fez um documento fundamental para a compreensão, pelo público externo, do cotidiano palestino sob ocupação. O título do filme faz referência às cinco câmeras que o exército israelense inutilizou ao atingi-las com tiros. Numa dessas ocasiões o equipamento salvou a vida do diretor – a câmera deteve a bala atirada na direção da cabeça de Emad.
Cineasta por acaso – e por necessidade
Emad Burnat nunca pensou em se tornar cineasta. Foi a necessidade de registrar a ocupação – para proteger os vizinhos, pois os soldados, receosos de um dia enfrentar o Tribunal Penal Internacional, evitam agir com muita violência diante das câmeras –, de mostrar ao mundo, pela internet, a realidade na Palestina, até poucos anos atrás oculta pela narrativa sionista, e de ter provas para apresentar aos tribunais de Israel, aos quais o exército conta histórias implausíveis mas levadas a sério, que levaram Emad a filmar.
Ele comprou sua primeira câmera em 2005, ano do nascimento de Gibril, para gravar seu crescimento e a vida em família. Mas era impossível limitar-se a temas domésticos numa vida sob ocupação militar. As incursões noturnas dos soldados, os ataques aos moradores durante as manifestações não violentas, as prisões, as invasões dos colonos, a construção do primeiro muro e seu desmantelamento em 2011, bem como a execução do segundo muro, tudo era muito impactante no cotidiano de Bil’in e merecia ser registrado.
Essa opinião era compartilha por Guy Davidi, professor de cinema, que em 2005 passou a ir com frequência à vila palestina e chegou a morar lá por alguns meses, para sentir como era viver sob ocupação. Guy produziu alguns curtas sobre Bil’in, onde filmou, entre 2005 e 2008, ‘Interrupted streams’ [‘Fluxos interrompidos’], sobre o confisco das fontes de água palestinas por Israel. Muitas vezes Emad e Guy filmavam juntos as manifestações, os ataques dos soldados, as detenções. Corriam os mesmos riscos. Tornaram-se amigos.
Foi ao longo desses anos que Emad começou a pensar em reunir seu material num longa-metragem sobre a resistência em Bil’in. Estimulado pela família, pelos amigos e por Guy, ele conseguiu tocar o projeto. Só não esperava o sucesso que se seguiu ao lançamento. Cineasta por intuição, Emad ganhou o respeito e a admiração de seus pares ao redor do mundo.
Referência ao Brasil e vários prêmios
Uma das cinco câmeras quebradas exibe um adesivo da bandeira brasileira, símbolo também presente na porta da casa da família Burnat, em Bil’in – um modo de demonstrar o carinho que eles sentem por nosso país. Soraya, esposa de Emad, é palestina criada no Brasil. O casal e os filhos mais velhos falam um português impecável e sem sotaque.
‘5 Broken Cameras’ é o primeiro filme palestino a concorrer a um Oscar. Além de muito elogiado pela crítica, vem tendo uma trajetória de sucesso em todo o mundo. Em 2012, foi indicado para o ‘Asian Pacific Screen Award’ e ganhou o prêmio de melhor documentário no ‘Jerusalem Film Festival’; o de melhor diretor de documentário no Sundance (também foi indicado para o Grande Prêmio do Júri desse festival), nos Estados Unidos, e o Busan Cinephile, do Busan International Film Festival, da Coreia. Em 2011 recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio Especial do Público no International Documentary Film Festival Amsterdam (IDFA), na Holanda. A. O. Scott, crítico de ‘The New York Times’, considerou-o uma “comovente e rigorosa obra de arte”.
Ele tem razão. No documentário, com sensibilidade, Emad funde sua vida e a de sua família com a história da ocupação de Bil’in. É uma história comum à maioria dos milhões de palestinos que nasceram nos hoje dezenas de vilarejos – eram mais de 500 antes que os sionistas os tomassem à força, nos anos 1940 – que circundam as 11 cidades da Cisjordânia, compondo as regiões distritais daquela parte do Estado da Palestina.
Com texto de Guy Davidi, e narrado por Emad, o filme nos conduz pelas belas paisagens de Bil’in, mostrando a chegada dos agrimensores israelenses para a medição das terras que seriam confiscadas; as reuniões entre os moradores e o pessoal do grupo Anarquistas Contra o Muro, de Israel, que conseguiu o mapa com o traçado do muro e se uniu aos bilainenses para boicotá-lo; os primeiros enfrentamentos com o exército israelense; as prisões, a progressão dos desafios e da violência, a consolidação da resistência, o apoio internacional à luta não violenta de Bil’in.
Há cenas geniais, como a do grupo de moradores que barra o avanço dos soldados na área urbana da vila com instrumentos de percussão improvisados, numa “bateria” ruidosa e criativa. Há também cenas difíceis, em que Emad se vê obrigado a filmar a prisão dos irmãos e de um vizinho, um menino, e cenas trágicas, como o assassinato de Bassem Abu-Rahmah, o Fil, até aquele momento um dos líderes da resistência e um dos protagonistas do filme. A sequência é dolorosa, embora o público seja poupado das tomadas mais dramáticas.
O documentário leva o público a participar do cotidiano de Bil’in e a vivenciar um pouco do que significa estar submetido a uma ocupação militar. Trata-se de documento histórico, denúncia viva dos abusos cometidos pelo exército sionista. Por isso mesmo, a cena em que o pequeno Gibril, mal se sustentando em seus primeiros passos, oferece um ramo de oliveira a um dos soldados israelenses – que o aceita, com um sorriso culpado e sem jeito – surpreende e enternece. Num momento assim não há como deixar de questionar o mal que os sionistas têm feito aos seres humanos que vivem de um lado e de outro do muro. Não fossem eles, provavelmente palestinos de todas as religiões teriam continuado a conviver em harmonia na Palestina histórica. Os inimigos e a discórdia vieram de fora. Será possível neutralizá-los e resgatar a antiga harmonia, dessa vez juntando ao antigo grupo os cidadãos de Israel, como propõem palestinos e israelenses que defendem a existência de um único Estado, democrático e secular, com direitos iguais para todos?

O impacto nos jovens de Israel
É difícil responder a essa indagação sem levar em conta as alianças do sionismo e seu papel decisivo nas finanças internacionais, na indústria bélica e na tecnologia nuclear. O movimento praticamente domina os setores estratégicos sobre os quais se desenrola o teatro do mundo. É ele que cuida do caixa, do lucro, da produção e do roteiro do espetáculo. Por isso, o combate não se restringe à ação dos sionistas na Palestina. Eles se espalham cada vez mais, controlando governos, territórios e ramos de atividades nos cinco continentes.
Mas é em Israel que seu controle se estende a toda a sociedade. Lá, o sistema educacional garante apoio e submissão aos princípios sionistas nesta e nas futuras gerações. Assim, quem nasce em Israel aprende, desde a infância, que os palestinos são “árabes que vivem em território israelense” – e inimigos. A maior parte dos livros didáticos faz pouca referência à Palestina – nos mapas, por exemplo, Cisjordânia e Gaza são mostradas como território de Israel – e a sua história. A grande maioria dos jovens israelenses não sabe que seu país ocupa outro, e tem de seu exército uma visão heroica e romântica, fabricada pela propaganda sionista.
Contribui para essa ilusão um programa muito comum nos feriados e nos fins de semana em Israel: os pais costumam levar os filhos pequenos a locais onde são expostos equipamentos de guerra, que as crianças podem experimentar, e veículos nos quais elas entram e fingem controlar. Tudo sob o olhar complacente da família e diante das explicações de jovens soldadas e soldados. Para entender como essa indústria da violência funciona, assista ao vídeo produzido pelo israelense Itamar Rose: http://youtu.be/Qp67KehlVGU.
Não é de admirar, portanto, que as crianças de Israel desenvolvam a ideia de que a solução de seus problemas – ou daquilo que lhes é ensinado como “problema” – passa pela via militar. Foi para desfazer essa crença que Guy Davidi decidiu mostrar ‘5 Broken Cameras’ a um grupo de jovens em Israel e filmar suas reações. Suas expressões, durante a exibição do documentário, dizem muito sobre a revelação de como é a vida dos palestinos: indicam surpresa, choque, consternação, revolta, compaixão.
Diante dessa experiência, Davidi resolveu elaborar um projeto maior: levar ‘5 Broken Cameras’ ao público israelense em sessões que permitam reflexões e debates sobre a ocupação, a violência imposta aos palestinos de maneira direta e aos israelenses de modo indireto, o dia a dia dos cidadãos dos dois lados do muro, o próprio muro, o questionamento ao papel do exército e à ideologia dos soldados – que, como eu mesma pude comprovar nas muitas conversas que travei com eles, têm dos palestinos e dos árabes uma imagem deturpada, assimilada em uma existência inteira de educação dirigida e controlada. Conheça a surpreendente experiência de Guy Davidi com os jovens israelenses: http://youtu.be/i1wEszQYEzg.
Será que a arte pode promover compreensão e tolerância, aproximando duas populações separadas pela agenda bélica e expansionista das autoridades sionistas? Será que a mudança necessária pode começar da base de ambas as sociedades, as únicas instâncias portadoras de legitimidade para isso? É uma aposta ousada, a dos diretores de ‘5 Broken Cameras’. Aguardemos os resultados.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21650&boletim_id=1543&componente_id=26357

Campos dos Goytacazes/RJ: Rastros da história

 

 

Rastros da história

Registros que possuem parte da história da Baixada Campista podem se perder com a força do tempo que destrói livros em que estão contidas informações de nascimento, casamento e óbito dos séculos XVIII e XIX. Essa é a preocupação do padre Antônio Marcelo que está há um ano à frente da Paróquia de São Gonçalo, em Goitacazes.
Segundo ele, a Capela de São Gonçalo foi fundada em 1722 por um devoto cujo nome se perdeu na história. Ela foi transformada em paróquia em 1763. Até o século XIX, os registros que hoje são chamados civis eram feitos por meio da Igreja Católica, quando estado e religião andavam lado a lado. Conforme explicação do padre Antônio Marcelo, os re-gistros de batismo, naquela época, eram feitos poucos dias após o nascimento da criança.
— Então, essas anotações eram uma espécie de representação do registro de nascimento. Assim também acontecia com a cerimônia de casamento. Em caso de óbito, o registro nos livros se fazia através dos pedidos de oração dos fiéis — disse.
Guardados em um armário trancado com cadeado estes livros que contam a formação da história de Goita-cazes. São dezenas deles. Alguns em estado avançado de deterioração. O padre adiantou que quer a ajuda de algum órgão que disponha de uma equipe técnica com conhecimento sobre a preservação de documentos históricos.
— Além de perdas históricas, esses documentos antigos podem ocultar bactérias que causam diversos danos à saúde humana — disse o padre. Segundo o secretário de Cultura de Campos, a preservação dos livros de registros é relevante em função de conter a própria história da Baixada Campista, cujo portal de entrada é Goitacazes.
— Temos conhecimento de que outros acervos de outras igrejas estão, igualmente, carecendo da intervenção técnica para recuperá-los devidamente — disse Orávio, acrescentando que a secretaria de Cultura pode, diante de uma solicitação, encaminhá-los ao Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho para ser examinado por especialistas.
“Temos (e pouca gente sabe) um sistema de recuperação de documentos de primeira linha. De repente, podemos até mesmo examinar os documentos na própria igreja. Queremos que o padre Antônio Marcelo saiba que estamos à sua disposição. Afinal, o caso é de interesse da sociedade estudiosa do país”, finalizou.
Com esses documentos é possível compreender um pouco mais das relações sociais travadas durante os períodos colonial e imperial. Mesmo com a independência do Brasil, a constituição de 1824 conferiu à Igreja Católica o título de religião oficial do Império. Com isso, ela continuou a exercer influência no campo social e político. Apenas com a instituição do republicanismo, os registros passaram à responsabilidade do Estado.
Conforme estudo desenvolvido pela pesquisadora Rulian Emmerick, “de extrema importância naquele momento foi a secularização do casamento, do registro civil, dos cemitérios, o término da educação pública confessional etc. Tal fato significou o fim da separação entre cidadãos católicos e os que não professavam a fé católica, portanto, não-cidadãos, pois os atos jurídicos pelos quais os indivíduos passavam ou deixavam existir eram juridicamente controlados pela Igreja Católica”.
Talita Barros

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Gécia/Frente M. dos Trabalhadores: 70 cidades em manifestações!

Magnífica mobilização de greve da PAME em Atenas: passeatas em mais de 70 cidades ImprimirPDF
imagemRizospastis.gr
A mobilização da greve militante de massas da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) enviou uma mensagem retumbante sobre a escalada de lutas para os acordos coletivos de trabalho e contra a linha política anti-popular, na quarta-feira, 20 de fevereiro em mais de 70 cidades do país, no âmbito da greve geral de 24h.
A manifestação de greve da PAME no centro de Atenas foi magnífica, da qual participou a delegação dos bloqueios dos camponeses, com a bandeira da Frente Militante de Todos os Camponeses (PASY) e dois tratores.
Também participaram das manifestações da PAME e PASY a Frente Antimonopolista Grega dos autônomos, lojistas e pequenos varejistas (PASEVE), a Frente de Luta dos Estudantes (MAS) e a Federação das Mulheres Gregas (OGE).
Houve uma manifestação de greve massiva na Tessalônica, enquanto em Piraeus a marcha terminou no porto, onde os marinheiros grevistas aboliram na prática a proibição de greve e mobilização, fazendo piquetes nas rampas dos navios.
Discursos nas manifestações da greve
Giorgos Perros, membro do secretariado executivo da PAME, falando na manifestação de greve da Frente em Omonia, saudou as mobilizações dos agricultores militantes e caracterizou a batalha para a assinatura de acordos de negociação nacional e sectorial como sendo o grande confronto, salientando a necessidade de que a discussão seja iniciada de forma mais decisiva em todos os locais de trabalho. Ele convocou para uma escalada de lutas, denunciando a violência estatal e advertindo as multinacionais, o governo e seus apoiadores para que não se atrevam a prosseguir com seus planos de proibir o direito de greve.
Joaquin Romero, vice-presidente da FSM [Federação Sindical Mundial] e presidente da Federação dos Metalúrgicos da Colômbia, um representante dos agricultores do bloqueio Nikaia, bem como um representante da PASEVE, enviaram saudações à manifestação de greve.
Em seguida houve uma grande marcha pelas ruas centrais de Atenas, que terminou em frente ao Parlamento.
Declarações da Secretária Geral do Comitê Central do KKE, Aleka Papariga, na manifestação de greve da PAME
Uma grande delegação do KKE, liderada por Aleka Papariga, SG do CC do KKE, participou da manifestação nos marcos da greve da PAME. Nas declarações que fez em Omonia, ela sublinhou que: "o povo que trabalha e que sofre deve tomar uma decisão, a fim de descobrir a sua força e avançar combativamente rumo à ruptura e à superação, até o fim. Caso contrário, será colocado contra a parede".
Ela fez observações sobre o ataque contra o sindicalista do PAME na região de Lavrio por membros do fascista “Aurora Dourada”: “O Aurora Dourada é o esquadrão de ataque nazista do sistema. E, neste sentido, está a serviço de todos aqueles que desejam manter esta linha política e avançar contra o povo. Denunciamos o ataque contra o dirigente sindical da PAME na região de Lavrio, um assalto que não é, naturalmente, um caso singular e o povo deve de uma vez por todas ensinar uma lição ao Aurora Dourada. Deve isolá-los socialmente, de modo que não possam ser encontrados entre os trabalhadores ou junto a eles sem que sejam intensamente denunciados e isolados politicamente".
OS AGRICULTORES
Os agricultores no bloqueio Nikaia (perto da cidade de Larisa) simbolicamente fecharam ali a estrada nacional, que liga norte e sul da Grécia, juntamente com milhares de trabalhadores após as manifestações de greve nas quatro cidades mais próximas (Larisa, Karditsa, Trikala e Volos) .
Poderosas forças policiais em Kileler tentaram impedir a passagem de 6 carros com trabalhadores em greve que se dirigiam para o bloqueio, mas, após os intensos protestos dos grevistas, abriram a estrada.
As magníficas manifestações de greve que chegaram aos bloqueios criados pela luta dos agricultores responderam à intransigência e autoritarismo do governo, tal como foi sublinhado pela Secretaria Nacional da PASY. Eles destacaram que os pequenos e médios agricultores estão mais fortes porque têm como aliados a classe operária e outras camadas populares, destacando que a luta vai continuar, assumirá muitas formas e prosseguirá.
Os agricultores que continuam a luta coordenada para a sua sobrevivência por 4 semanas estão reforçando seus bloqueios em todo o país e hoje participaram das manifestações de greve em muitas cidades.
KKE: uma resposta inegavelmente retumbante para o governo
O KKE salientou que a grande participação nas manifestações da PAME foi inegavelmente uma resposta contundente ao governo de coalizão e para todos aqueles que buscam colocar a classe trabalhadora de joelhos, que procuram acorrentar o povo com mentiras, intimidação e autoritarismo.
Além disso, destacou que a participação dos marinheiros na greve, desafiando a proibição de mobilização civil, as grandes manifestações conjuntas de trabalhadores, de pobres e médios agricultores e os bloqueios dos produtores mostram que os trabalhadores e os setores populares devem prosseguir na luta, ainda mais decisivamente, a fim de repelir a repressão, a fim de formar uma aliança do povo militante contra o inimigo comum: os monopólios, a UE.
O KKE salienta que não deve haver um só momento de descanso. As bárbaras medidas anti-populares e a repressão, a operação para enganar e capturar o povo vão aumentar. A batalha vai se tornar ainda mais difícil. Por esse motivo, a participação dos trabalhadores, dos desempregados e dos jovens na luta, na organização da luta, sobretudo nos locais de trabalho, nos bairros populares e nos vilarejos, agora deve se tornar mais dinâmica, mais decisiva e consciente .
A classe trabalhadora não utilizou ainda o grande poder que reside na sua organização de classe, em sua consciência política e ideológica - salienta o KKE. A participação em massa nas manifestações da PAME mostrou que há forças poderosas que podem dar um impulso para a recomposição do movimento dos trabalhadores, para a criação de um movimento operário forte e emancipado, com orientação classista, que será capaz de impedir os planos reacionários do governo, da UE e do capital, capaz de liderar a grande aliança social que irá pôr fim à exploração e libertar as pessoas do poder e da opressão dos monopólios.
PAME e PASY
A PAME diz em sua declaração que há uma necessidade de intensificar a atividade para a assinatura de um Acordo Coletivo de Trabalho Nacional, contra a pilhagem fiscal, para proteção dos desempregados, para a satisfação das demandas dos agricultores. A PASY sublinha que os pequenos e médios agricultores são mais poderosos porque eles têm a classe operária e as outras camadas populares como seus aliados.
Mensagens de solidariedade de todo o mundo
Mensagens de saudação de muitos sindicatos e organizações de trabalhadores foram lidos na manifestação. De acordo com o Rizospastis, órgão do CC do KKE, na véspera e no dia da greve a Seção de Relações Internacionais do CC do KKE recebeu mensagens de solidariedade às lutas dos trabalhadores na Grécia, aos sindicatos que são ligados à PAME e ao partido da classe operária, o KKE – vindas dos seguintes 31 partidos comunistas e operários:
Communist Party of Azerbaijan
Communist Party of Albania
Algerian Party for Democracy and Socialism
Communist Party of Australia
Workers’ Party of Belgium
Brazilian Communist Party
Communist Party of Brazil
Union of Revolutionary Communists of France
Unified Communist Party of Georgia
Communist Party in Denmark
Workers’ Party of Ireland
Communist Party of the People’s of Spain
Communist Party of Canada
New Communist Party of the Netherlands
Socialist Workers’ Party of Croatia
Socialist Party of Latvia
Communist Party of the Workers in Belarus
Socialist People’s Front of Lithuania
Communist Party of Mexico
Workers’ Party of Bangladesh
Democratic Progressive Tribune of Bahrain
Communist Party of Pakistan
Peruvian Communist Party
Russian Communist Workers’ Party
Communist Party of the Soviet Union
New Communist Party of Yugoslavia
Party of Communists of Serbia
Communist Party of Syria
Communist Party of Tajikistan
Communist Party of Bohemia-Moravia
Communist Party of the Philippines (1930)
Tradução; PCB (Partido Comunista Brasileiro)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Raúl Castro é reeleito e diz que novo mandato será o último como presidente de Cuba

 

 

Raúl Castro é reeleito e diz que novo mandato será o último como presidente de Cuba

Atual presidente está no poder desde 2006, quando assumiu no lugar de seu irmão, Fidel, afastado por motivos de saúde

Agência Efe

Raúl Castro como o novo presidente da Assembleia Nacional, Esteban Lazo


A Assembleia Nacional ratificou neste domingo (24/02) o general Raúl Castro como presidente de Cuba para um segundo mandato de cinco anos, que será o seu último à frente do país. "Independentemente da data em que se aperfeiçoe a Constituição, este será o último mandato", afirmou Raúl.

O atual presidente foi nomeado formalmente em fevereiro de 2008, dois anos após ter assumido de forma interina a direção do país ao substituir seu irmão, Fidel Castro, quando este adoeceu e delegou o poder. Fidel também compareceu ao evento de hoje.

“O programa atualizado da revolução deve sempre refletir a opinião da população. Não deixaremos nenhum cidadão desamparado. Nos propomos a manter o enfrentamento a ilegalidades contra o nosso sistema social”, afirmou Raúl Castro após a confirmação de seu novo mandato.

 
Em seu discurso, o presidente também enviou mensagens a outros presidentes latino-americanos. Desejou pronta recuperação ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se recupera da quarta cirurgia contra um câncer na região pélvica, realizada em Havana. Chávez retornou a Caracas na última segunda-feira (18).

O mandatário cubano ainda parabenizou o equatoriano Rafael Correa pela reeleição conquistada na semana passada.

O parlamento cubano também designou hoje o restante dos 31 membros do Conselho de Estado, entre eles, o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz Canel, e outros cinco vice-presidentes e um secretário. Além disso, os deputados elegeram Esteban Lazo como novo titular da Assembleia.

(*) com informações da Telesur

África do Sul:Partido Comunista é criticado por não defender direito dos operários na África do Sul

*pensarnetuno: (Neoliberalismo, $ & mutações....)

 

Partido Comunista é criticado por não defender direito dos operários na África do Sul

Aliança com o governista ANC também é motivo de questionamento pela imprensa do país e por parte dos simpatizantes







Fundado em 1922 por mineiros brancos que pediam melhores condições de trabalho, o Partido Comunista Sul-Africano (SACP, na sigla em inglês) tem sido alvo de críticas pelo silêncio mantido durante as importantes tensões trabalhistas que assolam o país.

Em 2012, quando 34 mineiros foram mortos durante protesto nas minas de Marikana por reivindicar melhores condições de trabalho, o SACP surpreendeu ao emitir nota oficial pedindo a prisão dos dirigentes sindicais que supostamente comandavam a greve, acusando-os de terem semeado a anarquia. Em janeiro deste ano, a única posição tomada pelo Partido Comunista frente à greve dos agricultores por aumento salarial foi apoiar o fim dos protestos, como pedido pelo Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), o partido majoritário do país.

Para críticos locais, as ações tímidas do SACP se explicam pela preocupação em manter uma relação estreita com o ANC. O Congresso Nacional Africano, no poder desde 1994, formou o que é conhecida como Aliança Tripla, uma coligação com o Partido Comunista e com o Congresso dos Sindicatos Sul-Africano (COSATU, na sigla em inglês). O acordo parece estar funcionando - os dois partidos minoritários agem com cautela frente ao governo e o ANC oferece cargos de poder para sua base aliada.

As criticas ao Partido Comunista, no entanto, são ainda mais contundentes. No ano passado, Zwelinzima Vavi, secretário geral da COSATU, negou uma posição lucrativa no governo sul-africano afirmando preferir se concentrar em seu trabalho no sindicato. O secretário-geral do SACP, Blade Nzimande, por sua vez, aceitou o convite para se tornar ministro da educação superior da África do Sul. O membro do Comitê Geral do Partido Comunista Gwede Mantashe também se afastou do cargo para focar em sua função como secretário-geral do ANC. Mantashe era o maior critico do próprio partido em 2009, quando afirmou que seus colegas deveriam “confrontar o ANC e não se tornar pseudo comunistas”. Hoje, Mantashe é o principal defensor público do presidente Jacob Zuma.

Divulgação
Para a analista política Verashni Pillay, o SACP deveria defender os direitos de pobres, marginalizados e, principalmente, dos operários. “A classe trabalhadora está precisando de um herói, alguém que defenda seus direitos. Em vez de fazer esse papel, o Partido Comunista se comporta com o que pra mim é pura passividade”.

[Juventude comunista está de acordo com decisões do partido]

Juventude comunista apoia partido

O porta-voz da Liga Jovem do Partido Comunista (YCLSA, na sigla em inglês), Khaya Xaba ,afirma que a mídia sul-africana é seletiva em sua cobertura. “Eles não nos dão voz quando estamos fazendo algo produtivo para o país, somente publicam nosso nome se existe alguma disputa política envolvida”, afirma completando que os jornalistas sempre encontram “desculpas estúpidas para ridicularizar a aliança do partido com COSATU e ANC”.

Xaba também defendeu as visões da Liga, e argumentou que se uma fatia maior dos lucros gerados no setor privado for voltada para os operários e suas famílias, as tensões trabalhistas do país devem diminuir. “Nós não acreditamos na nacionalização das minas como uma solução, por exemplo, mas sim em maiores lucros voltados para os mineradores e para a comunidade local”, falou.

Opera Mundi publica com exclusividade os textos do blog "Por dentro dos Brics", em que quatro jornalistas brasileiros trazem as novidades dos países emergentes direto de Rússia, Índia, China e África do Sul. Confira mais em www.osbrics.com e @osbrics no Twitter

Partido Comunista da Índia, a luta contra as privatizações

 

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013



Partido Comunista da Índia, a luta contra as privatizações


Fundado em 1925 como consequência da revolução bolchevique na Rússia, o Partido Comunista da Índia (CPI, na sigla em inglês) sempre teve uma política voltada prioritariamente para a distribuição de terras. Nas últimas duas décadas, porém, aliados com outras forças de esquerda, os comunistas têm tentado frear uma onda de privatização no país.

Entre 1947 e 1990, a Índia teve a sua economia planificada, com licenças de negócios dadas a poucas pessoas. A autorização para abrir um negócio no país era chamada “Licença Raj”, uma brincadeira com o termo “Raj britânico”, que se refere ao domínio britânico no país. Pelo menos 80 agências governamentais avaliavam a solicitação antes da abertura de uma empresa privada no país. Caso fosse aprovada, a empresa ainda teria sua produção regulada pelo governo.

Em 1990, no entanto, o primeiro-ministro P.V. Narasimba iniciou uma série de reformas que incluem a privatização de instituições do Estado e a abertura da Índia ao mercado global.

“Até a década de 1990, todas as políticas econômicas do país eram, até certo ponto, socialistas, apesar de ser um socialismo muito diferente do russo, por exemplo”, explica o secretário do CPI do estado de Uttar Pradesh ao Opera Mundi, Dr. Gerish.

“Agora eles estão convidando grandes corporações, industriais estrangeiros, privatizando o setor público. Nos últimos 20 anos, a nossa luta tem sido contra esta política”, argumenta.

História do partido

A primeira batalha enfrentada pelo CPI foi participar do processo de independência da Índia, finalizado em 1947. A partir de então, o partido tem defendido a implementação de uma “Índia socialista”. “Durante a luta pela independência lutamos contra o feudalismo, a monarquia e o latifúndio. Depois da independência, conseguimos pressionar o governo a abolir o latifúndio em 1949”, conta Dr. Gerish.

A plataforma política do CPI contribuiu para que o partido conquistasse, por meio de alianças de esquerda, o governo de três estados: Kerala, Bengala Ocidental e Tripura.

Durante mais de trinta anos, a coligação Left Front (Frente de Esquerda) ganhou consecutivamente as eleições em Bengala Ocidental apoiando-se na sua agenda de reforma rural. Quando a assumiu o poder nesse Estado, em 1977, começou a implementar o seu programa de redistribuição de terra para pequenos camponeses e a descentralizar o poder através da criação de assembleias governativas participativas locais, as gram panchayats.

“Foram cometidos vários erros da parte do governo. Tínhamos uma política clara contra a aquisição de terras dos agricultores por parte do governo. A administração comprava por um preço muito baixo para depois as vender a indústrias. O governo pode comprar terras dos agricultores apenas para fins governamentais, não para companhias privadas, colonizadores e industriais. Os agricultores ficaram com raiva. Houve também casos de corrupção e outros erros”, admite Dr. Gerish.

Há outras sobre as razões por trás dessa derrota eleitoral. Alguns especialistas citam a hostilidade do partido contra a indústria e o investimento privado, resultando em um alegado colapso da economia local e a migração de um grande número de pessoas para outros estados da Índia à procura de emprego. Outros falam ainda que a perda de popularidade se deve a um discurso que continua colocando os Estados Unidos como inimigos.

Dissidentes

Após a independência da Índia em 1947, o Partido Comunista vivenciou uma série de debates que levaram ao surgimento de facções internas. O caso mais famoso é o da criação do Partido Comunista Marxista da Índia [CPI(M), em inglês], que se insurgiu contra uma postura mais conservadora (que alguns até chamaram de direita) do Partido Comunista tradicional. Para o CPI(M), o CPI deixou de lutar pela revolução popular e começou a operar de maneira consonante a um sistema parlamentar.

O CPI(M) foi fundado em 1964 com o apoio majoritariamente de trabalhadores rurais, cidadãos de castas consideradas inferiores e camponeses. Na base da sua ideologia, o CPI(M) “tenta aplicar independentemente os princípios Marxistas-Leninistas às condições de vida indianas e desenvolver estratégias para uma revolução democrática popular, que transformará as vidas dos indianos”.

Em entrevista ao Opera Mundi, o secretário do CPI(M) em Uttar Pradesh, Arun Mehta, assegura que, independentemente das derrotas eleitorais, a esquerda constitui ainda uma dos importantes formações políticas na Índia.

“Representamos muitas das preocupações das pessoas - o direito à segurança alimentar, combate à corrupção, igualdade de gênero e sensibilização e mobilização de pessoas em grandes números. Estar entre as pessoas e guia-las em lutas contra os ataques das classes dominantes à sua subsistência é nosso principal objetivo”. E conclui: “Isto assume um significado ainda maior hoje em dia, quando o impacto da crise econômica global está sendo muito sentida no nosso país”.

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Partido Comunista da Turquia: Declaração conjunta do Encontro Anti-OTAN em Istambul



Partido Comunista da Turquia: Declaração conjunta do Encontro Anti-OTAN em Istambul ImprimirPDF
imagem2.bp.blogspot
Istambul, 2-3 de Fevereiro de 2013
Após comparecerem ao encontro “Luta contra a barbárie perpetrada pela OTAN no Oriente Médio e no Norte da África” nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2013 em Istambul, os partidos comunistas e de trabalhadores redigiram a seguinte declaração conjunta e o chamado a todas as forças progressistas que lutam pela paz e pela justiça a assiná-la e divulgá-la.
Os imperialistas costumavam contar a mentira despudorada de que a OTAN existia para a defesa contra a chamada “ameaça” soviética. Entretanto, em seguida à dissolução do Bloco Socialista a notória missão da OTAN não chegou ao fim. Ao contrário, esta máquina de guerra do imperialismo se expandiu em termos de membros e de área de operação, e hoje promove uma corrida armamentista e gastos militares crescentes, bem como investe em novas armas e em sua rede planetária de bases militares. Envolvida em numerosas operações militares em uma vasta extensão geográfica que se estende do Afeganistão à Líbia, a OTAN é hoje ameaça maior do que nunca à paz em todo o mundo. Como partidos comunistas e de trabalhadores lutando em países-membro da OTAN, declaramos que uma luta sem tréguas contra a OTAN não é apenas essencial, mas uma necessidade urgente em todo lugar mais do que nunca.
Os EUA desempenham hoje o papel central tanto na OTAN quanto no quadro mais geral do sistema global imperialista, como sua principal potência. O comando da OTAN é formado sobre a base da força (político-militar e econômica) que a classe burguesa de cada Estado-membro tem. A única soberania na OTAN é a soberania do capital supervisionado pelas forças imperialistas de EUA e Europa. Nós declaramos que a luta por direitos sociais, econômicos, democráticos e nacionais e pela emancipação dos povos e contra a OTAN é inseparável da luta contra o capitalismo.
Desde a sua fundação, a OTAN vem conduzindo operações encobertas contra movimentos revolucionários, organizações da classe trabalhadora e setores progressistas. A organização clandestina da OTAN, informalmente conhecida como “Operação Gládio”, esteve por trás de numerosas operações secretas incluindo bombardeios, assassinatos políticos, técnicas de subversão etc. Somando-se a estas operações secretas, a OTAN promove propaganda aberta dos interesses imperialistas através de manipulação da mídia, financiamento a ONGs e programas de pesquisas em universidades etc. Condenamos todas as tentativas de ingerência da OTAN, desde as operações encobertas até as atividades de relações públicas sob qualquer forma, pois todas são dirigidas por profundo antagonismo à classe trabalhadora e aos povos e suas organizações progressistas ao redor do mundo, bem como por um ferrenho anticomunismo.
A OTAN, os EUA e a UE, três “postos avançados do capitalismo e do imperialismo”, trabalham de maneira coordenada para assegurar o poder do capital de diferentes maneiras e por diferentes meios. A variação nos métodos e nos instrumentos não muda o fato de que todos eles servem ao mesmo sistema, o imperialismo, que se encontra em completa contradição com os interesses dos povos. A estrutura militar da UE está articulada à OTAN. Declaramos, portanto, que uma verdadeira luta contra a OTAN implica na rejeição resoluta de todas as outras organizações e alianças imperialistas.
A OTAN expandiu sua área de intervenção a partir do início dos anos 1990. Na Cúpula de Roma, em 1992, e na de Washington, em 1999, a OTAN aprovou novas orientações a autorizando a intervir em armas ao redor do mundo. Pretextos como o combate ao terrorismo ou a defesa da democracia vêm sendo usados para legitimar a expansão das agressões da OTAN em novos territórios. A guerra bárbara contra a Iugoslávia, a invasão sangrenta do Afeganistão são exemplos das consequências práticas das novas diretrizes. No mesmo contexto, a OTAN desenvolveu novos programas como a Parceria para a Paz destinada a ganhar novos países parceiros. Declaramos que estamos determinados a lutar contra todas as formas de expansão da OTAN, contra seu intervencionismo e suas agressões, por sua dissolução e pelo direito soberano de cada povo decidir sobre o desengajamento e a retirada da OTAN e das alianças imperialistas.
Em um contexto internacional marcado pelo aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, pela intensificação da exploração dos trabalhadores e dos povos, por crescentes ameaças antidemocráticas e ataques à soberania, a vida demonstra que a guerra e a agressão continuam a ser instrumentos da estratégia imperialista de dominação econômica e geoestratégica.
Mas a escalada do imperialismo encontra a resistência de povos que, através das mais diversas formas de luta, corajosamente confrontam as agressões, invasões e guerras que o imperialismo impõe.
A luta dos povos pela paz tem recebido muitos golpes das classes dominantes das grandes potências imperialistas, que buscam sobrepujar, através da força e da violência, as profundas contradições e crises que seu sistema engendra.
Expressamos nossa solidariedade aos povos que resistem à ocupação, agressão e interferência imperialista, nomeadamente no Oriente Médio e na África. Reafirmamos nosso compromisso com o fortalecimento e crescimento do movimento pela paz e contra a OTAN, pelo desenvolvimento de uma frente anti-imperialista, contra a agressividade imperialista e as guerras, contra o chamado “escudo antimísseis”, as bases militares estrangeiras, contra a participação de forças militares de nossos países nas agressões imperialistas contra outros países e pessoas.
Recentemente a OTAN se tornou a ferramenta imperialista para derrubar governos no Oriente Médio e no Norte da África, substituindo-os por outros que servissem melhor aos interesses do imperialismo. O bárbaro derramamento de sangue na Líbia, que resultou no linchamento de Muammar Gaddafi e na abertura da Líbia à pilhagem imperialista, tem agora seu devido lugar como uma página desprezível na história da humanidade. A atual intervenção militar francesa no Mali, com participação e aprovação de diversos outros membros da OTAN, representa linha de continuidade com a guerra de agressão contra a Líbia.
A OTAN vem lutando para que o mesmo cenário sangrento se estabeleça na Síria. Os imperialistas e seus Estados-cliente na região armaram, financiaram e apoiaram a oposição armada desde o início da crise. A OTAN está preparada para intervir diretamente a partir do momento em que seus mercenários se mostraram incapazes de derrotar o regime na Síria. A implantação dos mísseis Patriot na fronteira entre Turquia e Síria representa ameaça real à paz e à soberania de todos os povos na região. A Turquia, mediante esta ação, tornou-se uma ameaça real não à Síria mas ao Iran, que é constantemente intimidado pelos imperialistas. Quanto a isto, condenamos toda forma de ação da OTAN contra Síria e Irã. Declaramos que é apenas o povo da Síria que tem o direito de determinar o futuro sírio. Em completa solidariedade com o povo da Síria, também declaramos que continuaremos a lutar contra todos os planos imperialistas para a região.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Julián Assange defende aumento massivo de meios de comunicação

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Em entrevista à Carta Maior, Julián Assange defende aumento massivo de meios de comunicação







O fundador de Wikileaks, Julian Assange, recebeu a Carta Maior em um escritório especial que a embaixada do Equador no Reino Unido preparou para que ele converse com a imprensa no momento da publicação no Brasil de seu novo livro “Cyberpunks. A Liberdade e o futuro da internet”. Veste uma camiseta da seleção brasileira, com o número sete e seu nome nas costas: a desenvoltura futebolística combina com seu bom bom humor. O cabelo branco e a pele quase translúcida lhe dá um ar de albino insone, mas os mais de seis meses encerrado nos confins da embaixada e o mais que incerto futuro ante à decisão do governo britânico de não conceder-lhe o salvo-conduto que permitiria que viajasse ao Equador, não parecem pesar muito.

É certo que ele em uma aparentemente merecida fama de recluso e que em seu pequeno quarto na embaixada deve fazer o mesmo que fazia a maior parte do tempo em sua vida livre: ficar grudado em seu computador e na internet. É difícil imaginar a vida de Julian Assange sem a tela do monitor e o ciberespaço. Por isso o livro que começa a ser vendido este mês no Brasil, publicado pela editorial Boitempo, contem algo tão inesperado como a camiseta brasileira: uma visão particularmente cética e mesmo negativa sobre o impacto da internet.
Você fala em seu livro da internet como uma possível ameaça para a civilização. Muitos pensam que a internet é uma arma para o progresso humano que produziu, entre outras coisas, Wikileaks. Sua interpretação não é um pouco pessimista?
Assange:Não resta dúvida que a internet deu poder às pessoas que não o tinham ao possibilitar o acesso a todo tipo de informação em nível global. Mas, ao mesmo tempo, há um contrapeso a isso, um poder que usa a internet para acumular informação sobre nós todos e utilizá-la em benefício dos governos e das grandes corporações. Hoje não se sabe qual destas forças vai se impor. Nossas sociedades estão tão intimamente fundidas pela internet que ela se tornou um sistema nervoso de nossa civilização, que atravessa desde as corporações até os governos, desde os casais até os jornalistas e os ativistas. De modo que uma enfermidade que ataque esse sistema nervoso afeta a civilização como um todo.

Neste sistema nervoso há vários aparatos do Estado, principalmente, mas não unicamente, dos Estados Unidos, que operam para controlar todo esse conhecimento que a internet fornece à população. Este é um problema que ocorre simultaneamente com todos nós. E se parece, neste sentido, aos problemas da guerra fria.
Você é muito crítico do Google e do Facebook que muita gente considera como maravilhosas ferramentas para o conhecimento ou as relações sociais. Para essas pessoas, em sua experiência cotidiana, não importa a manipulação que possa ser feita na internet.
Assange:Não importa porque esta manipulação da informação está oculta. Creio que nos últimos seis meses isso está mudando. Em parte por causa de Wikileaks e pela repressão que estamos sofrendo, mas também pelo jornalismo e pela investigação que está sendo feita. O Google é excelente para obter conhecimento, mas também está fornecendo conhecimento sobre os usuários. Ele sabe tudo o que você buscou há dois anos. Cada página de internet está registrada, cada visita ao gmail também. Há quem diga que isso não importa porque a única coisa que eles querem é vender anúncios. Esse não é o problema. O problema é que o Google é uma empresa sediada nos Estados Unidos sujeita à influência de grupos poderosos. Google passa informação ao governo de maneira rotineira. Informação que é usada para outros propósitos que não o conhecimento. É algo que nós, no Wikileaks, sofremos em primeira mão e que vem ocorrendo com muita gente.
Mas nas vezes em que não faz, esses usos podem ser terríveis, aterrorizadores, como está ocorrendo atualmente nos Estados Unidos. É preciso levar em conta que o que chamamos de quatro cavaleiros do apocalipse – a pornografia infantil, o terrorismo, as drogas e a lavagem de dinheiro – são usados para justificar um sistema de vigilância massivo da mesma maneira que usaram armas de destruição em massa para justificar a invasão do Iraque. Não se trata de uma vigilância seletiva de pessoas que estão cometendo um delito. Há uma gravação permanente de todo mundo. Isso é uma ameaça diferente de tudo o que já vivemos antes, algo que nem Goerge Orwell foi capaz de imaginar em “1984”.No Ocidente, falou-se muito da revolução do Twitter para explicar a primavera árabe. Esse não é um exemplo perfeito do potencial revolucionário da internet?
Assange:A primavera árabe se deveu à ação das pessoas e dos ativistas, desde a Irmandade Muçulmana até outros grupos organizados. A internet ajudou o pan-arabismo da rebelião com pessoas de diferentes países aprendendo umas com as outras. Também ajudou a que Wikileaks difundisse os documentos que deram mais ímpeto ao movimento. Mas se você olha para os manuais dos grupos que coordenavam os protestos, na primeira e última página, recomendavam que não se usasse Twitter e Facebook. Para as forças de segurança as mensagens no Twitter e no Facebook são um documento probatório de fácil acesso para prender pessoas.O que pode se fazer então?
Assange:A primeira coisa é ter consciência do problema. Uma vez que tenhamos consciência disso, não nos comunicaremos da mesma maneira por intermédio desses meios. Há uma questão de soberania que os governos da América Latina deveriam levar em conta. As comunicações que vão da América latina para a Europa ou a Ásia passam pelos Estados Unidos. De maneira que os governos deveriam insistir que os governos deveriam insistir para que essas comunicações sejam fortemente criptografadas. Os indivíduos deveriam fazer a mesma coisa. E isso não é fácil.De que maneira um governo democrático ou um congresso pode contribuir para preservar o segredo das comunicações pela internet?Assange:Para começar, garantindo a neutralidade do serviço. Do mesmo modo que ocorre com a eletricidade, não se pode negar o fornecimento com base em razões políticas. Com a internet não deveria existir essa possibilidade de controlar o serviço. O conhecimento é essencial em uma sociedade. Não há sociedade, não há constituição, não há regulação sem conhecimento. Em segundo lugar, é preciso negar às grandes potências e superpoderes o acesso à informação de outros países. Na Argentina ou no Brasil a penetração do Google e do Facebook é total. Se os parlamentos na América latina conseguirem introduzir uma lei que consagre a criptografia da informação, isso será fundamental.Temos falado da revolução do Twitter, mas em termos de meios mais tradicionais, como a imprensa escrita ou a televisão, vemos que há um crescente debate mundial sobre seu lugar em nossa sociedade. O questionamento ao poder de grandes corporações midiáticas como o grupo Murdoch ou Berlusconi na Itália e as leis e projetos na Argentina ou Equador para conseguir uma maior diversidade midiática mostram um debate muito intenso a respeito. O que você pensa sobre essas iniciativas?Assange:Nós vimos em nossa própria luta como o grupo Murdoch ou o grupo Bonnier na Suécia distorceram deliberadamente a informação que forneceram sobre nossas atividades porque suas organizações têm um interesse particular no caso. Então temos, por um lado, a censura em nível do Estado e, por outro, o abuso de poder de grupos midiáticos. É um fato que os meios de comunicação usam sua presença para alavancar seus interesses econômicos e políticos. Por exemplo, “The Australian”, que é o principal periódico de Murdoch na Austrália, vem sofrendo perdas há mais de 25 anos. Como isso é possível? Por que ele segue mantendo esse veículo. Porque ele é utilizado como uma arma para atingir o governo para que este ceda em determinadas políticas importantes para o grupo Murdoch.

O presidente Rafael Correa faz uma distinção entre a “liberdade de extorsão”e a “liberdade de expressão”. Eu não colocaria exatamente assim, mas temos visto que o abuso que grandes corporações midiáticas fazem de seu poder de mercado é um problema. Nos meios de comunicação, a transparência, a responsabilidade informativa e a diversidade são cruciais. Uma das maneiras de lidar com isso é abrir o jogo para que haja um incremento massivo de meios de comunicação no mercado.
Tradução: Katarina Peixoto