quarta-feira, 19 de setembro de 2018

EUA: O século de guerras perdidas

EUA: O século de guerras perdidas

por James Petras

Apesar de ter o maior orçamento militar do mundo, cinco vezes maior do que os seis países seguintes, o maior número de bases militares no mundo – mais de 180 – e o complexo industrial militar mais caro, os EUA não conseguiram ganhar uma única guerra no século XXI.
Neste artigo, vamos enumerar as guerras e analisar porque é que, apesar da poderosa base material para guerras, elas acabaram em fracassos.

As guerras perdidas 

Os EUA têm estado envolvidos em múltiplas guerras e golpes desde o início do século XXI. Incluem o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria, a Somália, a Palestina, a Venezuela e a Ucrânia. Para além disso, os serviços secretos de Washington têm financiado cinco grupos terroristas no Paquistão, na China, na Rússia, na Sérvia e na Nicarágua.

Os EUA têm invadido países, declarado vitórias e, subsequentemente, enfrentado resistência e guerra prolongada o que tem exigido uma enorme presença militar americana apenas para proteger as guarnições dos postos avançados.

Os EUA têm sofrido centenas de milhares de baixas – soldados mortos, estropiados e desequilibrados. Quanto mais gasta o Pentágono, maiores as perdas e subsequentes retiradas.

Quanto mais numerosos são os regimes vassalos, maior é a corrupção e a incompetência.

Todos os regimes sujeitos à tutela dos EUA têm fracassado em cumprir os objetivos pretendidos pelos seus conselheiros militares norte-americanos.

Quanto mais é gasto no recrutamento de exércitos mercenários, maior é a taxa de deserção e a transferência de armas para os adversários dos EUA.

O êxito em começar guerras e o fracasso em terminá-las 

Os EUA invadiram o Afeganistão, tomaram a capital (Cabul), derrotaram o exército regular… e depois passaram os vinte anos seguintes atolados em guerras irregulares perdidas.

As vitórias iniciais prepararam o terreno para as derrotas futuras. Os bombardeamentos empurraram milhões de camponeses e agricultores, pequenos comerciantes e artesãos para as milícias locais. Os invasores foram derrotados pelas forças do nacionalismo e da religião, ligadas às famílias e às comunidades. Os rebeldes indígenas recolheram armas e dólares em muitas das aldeias, cidades e províncias.

Resultados semelhantes repetiram-se no Iraque e na Líbia. Os EUA invadiram, derrotaram os exércitos regulares, ocuparam a capital e impuseram os seus clientes – que prepararam o terreno para guerras de longa duração, a grande escala, com os exércitos rebeldes locais.

Quanto mais frequentes os bombardeamentos ocidentais, maior a oposição para forçar a retirada do exército por procuração.

A Somália tem sido bombardeada com frequência. Forças Especiais recrutaram, treinaram e armaram soldados fantoches locais, apoiados por exércitos mercenários africanos, mas têm-se mantido refugiados na capital, Mogadíscio, rodeados e atacados por rebeldes islâmicos, fracamente armados, mas fortemente motivados e disciplinados.

A era das guerras imperialistas 

A Síria está na mira de um exército mercenário financiado e armado pelos EUA. No início, avançaram, desenraizaram milhões, destruíram cidades e lares e apoderaram-se de território. Tudo isso impressionou os senhores da guerra dos EUA-UE. Depois de o exército sírio ter unido a população, com os seus aliados russos, libaneses (Hezbollah) e iranianos, Damasco expulsou os mercenários.

Decorridos quase dez anos, os curdos separatistas, juntamente com terroristas islâmicos e outras forças de aluguer, retiraram-se e mantêm um último reduto ao longo das fronteiras norte – os derradeiros bastiões das forças de aluguer ocidentais.

O golpe da Ucrânia em 2014 foi financiado e dirigido pelos EUA e pela UE. Tomaram a capital (Kiev) mas não conseguiram conquistar a Ucrânia do Leste e a Crimeia. A corrupção entre os cleptocratas sob o domínioa norte-americano devastou o país – mais de três milhões fugiram para a Polónia, para a Rússia e outros países em busca de subsistência. A guerra continua, os clientes corruptos dos EUA estão desacreditados e vão sofrer uma derrota eleitoral, a não ser que viciem as eleições.

Os levantamentos encomendados na Venezuela e na Nicarágua foram financiados pela National Endowment for Democracy (NED) dos EUA. Arruinaram a economia, mas perderam a guerra na rua.

Conclusão 

As guerras não são ganhas só pelas armas. Na verdade, os pesados bombardeamentos e as prolongadas ocupações militares aumentam a resistência popular, em última análise levam a retiradas e derrotas.

As grandes e pequenas guerras dos EUA no século XXI não têm conseguido incorporar os países visados ao seu império.

Ocupações imperialistas não são vitórias militares. Apenas alteram a natureza da guerra, os protagonistas da resistência, o âmbito e a profundidade da luta nacional.

Os EUA têm tido êxito a derrotar exércitos regulares, como aconteceu na Líbia, Iraque, Somália e Ucrânia. Mas a conquista ficou limitada no tempo e no espaço. Surgiram novos movimentos de resistência armada, liderados por antigos oficiais, ativistas religiosos e ativistas de base…

As guerras imperialistas chacinaram milhões, destruíram as relações tradicionais da família, do local de trabalho e dos vizinhos e puseram em marcha uma nova constelação de líderes anti-imperialistas e combatentes em milícias.

As forças imperialistas decapitaram líderes instituídos e dizimaram os seus apoiantes. Assaltaram e pilharam antigos tesouros. A resistência reagiu recrutando milhares de voluntários desenraizados que serviram de bombas humanas, desafiando mísseis e drones.

As forças imperialistas dos EUA não têm ligações à terra ocupada e à população. São "estranhos" que trabalham à hora; procuram sobreviver, garantir promoções e ir-se embora com um bónus e uma dispensa honrosa.

Em contraste, os combatentes da resistência estão ali para ficar. À medida que avançam, visam e abatem os representantes imperialistas e os mercenários. Denunciam os governantes corruptos que negam à população as condições elementares de existência – emprego, água potável, eletricidade, etc.

Os vassalos imperialistas não comparecem a casamentos, dias sagrados nem funerais, ao contrário dos combatentes da resistência. A presença destes últimos assinala um juramento de lealdade para com os mortos. A resistência circula livremente nas cidades, vilas e aldeias, com a proteção da população local; e à noite, dominam o terreno inimigo, protegidos pelo seu povo, que lhes passa informações e logística.

A inspiração, a solidariedade e as armas ligeiras podem mais do que um conflito com drones, mísseis e metralhadoras em helicópteros.

Até os soldados mercenários, treinados pelas Forças Especiais, desertam e traem os seus amos imperialistas. Os avanços imperialistas temporários só servem para as forças da resistência se reagruparem e contra-atacarem. Consideram a rendição como uma traição à sua forma de vida tradicional, como a submissão à bota das forças da ocupação ocidental e aos seus funcionários corruptos.

O Afeganistão é um bom exemplo de uma "guerra imperialista perdida". Depois de vinte anos de guerra e de mil milhões de dólares de despesas militares, dezenas de milhares de baixas, os Talibãs controlam a maior parte do campo e das cidades; entram e conquistam capitais provinciais e bombardeiam Cabul. Assumirão controlo total, no dia em que os EUA se retirarem.

As derrotas militares dos EUA são o produto de um erro fatal: os planeadores imperialistas não podem substituir com êxito a população indígena por governantes colonialistas e comparsas locais.

As guerras não se ganham com armas de alta tecnologia, dirigidas por funcionários ausentes, divorciados da população; não partilham do seu sentido de paz e justiça.

A população explorada, imbuída de um espírito de resistência comunitária e de abnegação, tem demonstrado maior coesão do que soldados em rotação, ansiosos para regressar a casa e soldados mercenários com sinais de dólar nos olhos.

As lições de guerras perdidas ainda não foram aprendidas por aqueles que pregam o poder do complexo militar-industrial, que fabrica, vende e lucra com as armas, mas têm falta da massa humana com menos armas mas com maior convicção, que tem demonstrado a sua capacidade de derrotar exércitos imperialistas.

A bandeira dos EUA mantém-se desfraldada em Washington, mas está bem dobrada nos gabinetes das embaixadas em Cabul, Trípoli, Damasco e noutras zonas de batalhas perdidas. 
Ver também: 
  • A supremacia militar perdida dos EUA

    O original encontra-se em www.globalresearch.ca/the-us-the-century-of-lost-wars/5653844 .
    Tradução de Margarida Ferreira. 


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • segunda-feira, 17 de setembro de 2018

    Unidade Popular: contra os banqueiros, Boulos para presidente!




    Unidade Popular: contra os banqueiros, Boulos para presidente!

    O partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP), após realizar debates em todos os seus diretórios estaduais, decidiu apoiar a candidatura do companheiro Guilherme Boulos (PSOL) para presidente da República.
    Guilherme Boulos é uma importante liderança popular e o candidato a presidente que mais se identifica com a luta dos explorados e oprimidos do Brasil. Como militante do movimento sem-teto, representa a luta das famílias pobres contra a especulação imobiliária, contra as injustiças do sistema capitalista e a cruel e desumana concentração da riqueza nas mãos de uma ínfima minoria.
    De fato, em nosso país, apenas seis pessoas possuem a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres da população. Resultado dessa injustiça, a imensa maioria dos brasileiros vive na pobreza. São 27 milhões de trabalhadores desempregados ou subempregados; mais de seis milhões de famílias que não têm onde morar e outros milhões de camponeses que não possuem terra para plantar. A saúde pública está sendo sucateada. Diariamente aumentam as mortes por falta de atendimento nos hospitais e muitas doenças que haviam sido erradicadas matam nossas crianças. Os cortes de verbas realizados pelo corrupto Governo Temer destroem a educação, ao mesmo tempo que direitos dos trabalhadores são roubados e os únicos empregos criados são precários e com baixos salários. Por todo o país, cresce a violência e assassinatos da população negra e LGBT. A cada ano, aumentam o feminicídio, os estupros e a violência contra as mulheres.
    Basta! Este país precisa mudar. E não são os partidos políticos que jogaram nosso país na crise, que defendem a continuidade do capitalismo, a volta da ditadura militar ou que querem seguir governando com a grande burguesia nacional e o capital estrangeiro que farão essa mudança. A transformação só acontecerá com a união e a luta dos trabalhadores e de todos os oprimidos pelo poder popular e pelo socialismo. O Brasil precisa de um governo do povo e para o povo, um governo que tenha coragem de por fim ao uso dos recursos públicos para pagar os astronômicos juros da infame dívida pública e engordar os banqueiros.
    O partido Unidade Popular apoia Boulos para presidente porque considera que a investigação das criminosas privatizações ocorridas nos últimos 30 anos, em especial na década de 1990, são fundamentais, para tirar nosso país da crise. Para a UP, esta candidatura é a única com disposição de adotar a taxação das grandes fortunas e revogar as medidas de lesa-pátria do governo golpista de Michel Temer, dentre elas a Reforma Trabalhista e a PEC do congelamento dos investimentos sociais e a entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro. Na realidade, enquanto essas injustiças continuarem, nossa luta não cessará.
    Ressaltamos também o importante compromisso assumido pelo companheiro Guilherme Boulos e pelos companheiros da direção do PSOL de reconhecer e apoiar a luta pelo direito democrático da Unidade Popular de obter o registro eleitoral junto ao TSE.
    Por tudo isso, convocamos todos os militantes a ocuparem as ruas apresentando ao povo nossas propostas para mudar o Brasil e eleger Boulos presidente, derrotando os candidatos que direta ou indiretamente defendem a burguesia, o agronegócio, e a exploração que realizam da classe operária e do povo e a continuidade dos privilégios para os ricos.
    Contribuiremos com nossa luta e nossas ideias para que as eleições sejam, acima de tudo, um momento de acúmulo de forças e de construção de unidade da esquerda revolucionária para enfrentar os desafios da luta de classes em nosso país.
    Pelo poder Popular! Pelo socialismo!
    Executiva Nacional da UP
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    domingo, 16 de setembro de 2018

    Socialismo igualitário não existe no marxismo

    Socialismo igualitário não existe no marxismo

    Posted: 25.5.10 by Glauber Ataide in Marcadores: 
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    Um dos mitos mais difundidos sobre o socialismo é que neste sistema "todos são iguais", no sentido de que todos recebem a mesma quantia de produtos por seu trabalho, seja ele qual for. Um suposto "igualitarismo" salarial. Alguns mitos, ainda mais exagerados, dizem que ninguém é dono de sua própria casa, que todos dormem debaixo de um enorme galpão comunitário compartilhando um enorme cobertor, etc.

    Este "igualitarismo" salarial soa estranho a muita gente que pensa ser "injusto" que o mérito e o esforço pessoal não sejam levados em consideração. Que uma pessoa que não trabalhe, trabalhe mal ou não se esforce tenha a mesma recompensa que uma pessoa esforçada.

    Reproduzo abaixo um trecho de uma entrevista de Stálin ao autor alemão Emil Ludwig, de 1932, na qual o dirigente soviético é confrontado com a questão do "igualitarismo" salarial e esclare um pouco sobre o que o socialismo marxista realmente diz sobre isso.

    [...]

    Ludwig: Sou muito grato por esta sua afirmação. Permita-me fazer a seguinte pergunta: o senhor fala de “igualamento salarial”, dando à expressão uma conotação distintamente irônica em relação ao igualamento geral. Mas, com certeza, o igualamento geral é um ideal socialista.

    Stálin: O tipo de socialismo no qual todos receberiam o mesmo pagamento, a mesma quantidade de carne e a mesma quantidade de pão, vestiriam as mesmas roupas e receberiam os mesmos artigos nas mesmas quantidades – tal socialismo é desconhecido para o marxismo.

    Tudo que o marxismo diz é que até que as classes tenham sido finalmente abolidas e até que o trabalho tenha sido transformado de um meio de subsistência na necessidade básica do homem, no trabalho voluntário pela sociedade, as pessoas serão pagas por seu esforço de acordo com o trabalho executado. “De cada um de acordo com sua habilidade, para cada um de acordo com seu trabalho.” Esta é a fórmula marxista do socialismo, a fórmula para o primeiro estágio do comunismo, o primeiro estágio da sociedade comunista.

    Apenas no mais alto estágio do comunismo, apenas em sua fase mais desenvolvida, é que cada um, trabalhando de acordo com a sua habilidade, será recompensado por seu trabalho de acordo com suas necessidades. “De cada um de acordo com sua habilidade, para cada um de acordo com suas necessidades.”

    Está muito claro que as necessidades das pessoas variam e continuarão variando sob o socialismo. O socialismo nunca negou que as pessoas sejam diferentes em seus gostos, e na quantidade e qualidade de suas necessidades. Leia como Marx criticou Stirner por sua inclinação em direção ao igualitarismo; leia a crítica de Marx ao Gotha Programme de 1875; leia os trabalhos subseqüentes de Marx, Engels e Lênin, e você verá quão agudamente eles atacam o igualitarismo. O igualitarismo deve sua origem ao tipo de mentalidade camponesa individual, à psicologia de compartilhar e compartilhar igualmente, à psicologia do “comunismo” primitivo camponês. Igualitarismo não tem nada em comum com o marxismo socialista. Apenas as pessoas sem qualquer familiaridade com o marxismo podem ter a idéia primitiva de que os bolcheviques russos desejam juntar toda a riqueza e então dividi-la igualmente. Essa é a idéia de pessoas que não têm nada em comum com o marxismo. É assim que tais pessoas como os “comunistas” primitivos da época de Cromwell e da Revolução Francesa imaginaram o comunismo para si próprios. Mas o marxismo e os bolcheviques russos não têm nada em comum com tais “comunistas” igualitaristas.


    sábado, 15 de setembro de 2018

    sexta-feira, 14 de setembro de 2018

    “Pobre não sabe fazer nada”, diz milionário Bolsonaro




    “Pobre não sabe fazer nada”, diz milionário Bolsonaro

    Quem é Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo Partido Social Liberal (PSL)? Em sua propaganda, ele se apresenta como um homem honesto, que defende o melhor para os brasileiros e para o Brasil. Será isso verdade?
    Ao registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro declarou ter um patrimônio de R$ 2,3 milhões. Na declaração, ele afirma que é dono de cinco imóveis, três veículos e possui ações, aplicações bancárias e poupança. Mas, como um capitão do Exército reformado conseguiu essa fortuna? Bolsonaro se tornou um milionário após ingressar na política burguesa. De fato, em 1988, Bolsonaro possuía apenas um Fiat Panorama, uma moto e dois pequenos lotes em Resende, interior do Rio de Janeiro. De lá para cá, tornou-se rico. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o patrimônio de Bolsonaro é muito maior do que o declarado por ele ao TSE. A avaliação real de seus cinco imóveis é de R$ 8 milhões. Duas dessas casas ficam num dos locais mais valorizados no Rio de Janeiro: a Barra da Tijuca. Uma delas vale R$ 1,06 milhão e a outra R$ 2,23 milhões, conforme a cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).
    Vendo que a política burguesa trouxe tantos benefícios pessoais, Bolsonaro patrocinou o ingresso de três filhos nesta carreira: Eduardo Bolsonaro é deputado federal por São Paulo; Carlos Bolsonaro é vereador no Rio; e Flávio Bolsonaro, deputado estadual também no Rio. Juntos, ainda segundo a Folha, Bolsonaro e filhos têm mais imóveis que muitas imobiliárias: um total de 13 imóveis avaliados em R$ 16,5 milhões, a maioria deles em áreas supervalorizadas como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca. No período em que o candidato conseguiu essa fortuna, o povo brasileiro não teve a mesma sorte: 52 milhões de brasileiros vivem na pobreza e falta trabalho para 27 milhões de trabalhadores.
    Sobra dinheiro e faltam escrúpulos ao Sr. Bolsonaro. Apesar de ser dono de um imóvel em Brasília, ele e seu filho Eduardo recebem dos cofres públicos, cada um, R$ 6.167,00 de auxílio-moradia, ou seja, mais de R$ 12 mil no total. Quer dizer, recebem auxílio para morar em Brasília, mesmo tendo casa própria na Capital. Somente de auxílio-moradia Bolsonaro e seu filho já embolsaram um total de R$ 730 mil. Enquanto isso, o Brasil tem, pelo menos, sete milhões de famílias sem casa para morar, conforme censo de 2010, número que só cresceu em quase uma década.
    Mas não ficam aí as maracutaias do deputado. Reportagem da Folha de São Paulo divulgou que o candidato do PSL tem, pelo menos, uma funcionária fantasma em seu gabinete. Trata-se de Walderice Santos da Conceição, que, embora seja vendedora de açaí na praia de Angra dos Reis, onde o parlamentar tem uma imensa casa, recebia salário da Câmara dos Deputados. Após a denúncia do jornal, a servidora fantasma Wal foi demitida.
    Defensor do estupro e da tortura
    Além de ter construído junto com seus filhos um patrimônio milionário com a política, Bolsonaro também é conhecido como homofóbico e defensor do estupro. Em 9 de dezembro de 2014, no plenário da Câmara dos Deputados, declarou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia. No mesmo dia, postou em sua página oficial no YouTube um vídeo intitulado “Bolsonaro escova Maria do Rosário”. No dia seguinte, concedeu entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, em que reafirmou o que havia dito na Câmara. “Ela não merece ser estuprada porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”.
    Por essa ofensa a todas as mulheres brasileiras e ao nosso povo, Bolsonaro foi condenado três vezes pela Justiça: a primeira, em 2015, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), para pagar indenização de R$ 10 mil à deputada por danos morais; a segunda, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e finalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Por dia, ocorrem 135 estupros de mulheres no Brasil, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Se um homem com esse tipo de mentalidade chegar à Presidência da República, o que irá acontecer?
    Apoiador do golpe que fez Michel Temer se tornar presidente, Bolsonaro também é conhecido por defender a tortura e os torturadores. Em vídeo de 1999, disse: “Sou a favor da tortura”. Em abril de 2016, defendeu e homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Departamento de Operações de Informação (DOI-Codi), órgão responsável pelas torturas em São Paulo durante a ditadura militar (1964-1985). O coronel Ustra foi, inclusive, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por torturar a família Teles. Amelinha Teles, uma das torturadas pelo coronel, relatou o que aconteceu com ela, seu marido, Cesar Teles, e seus filhos: “Eu fui espancada pelo coronel Ustra ainda no pátio do Doi-Codi. Ele me deu um safanão com as costas da mão, me jogando no chão, e gritando ‘sua terrorista’. Depois, ele levou meus filhos para uma sala, onde eu me encontrava na cadeira do dragão, nua, vomitada, urinada! Levar meus filhos para dentro da sala? O que é isso? Para mim, foi a pior tortura que eu passei. Meus filhos tinham cinco e quatro anos”, relatou Amelinha. A cadeira do dragão era um instrumento de tortura utilizado na ditadura, em que a pessoa era colocada sentada e tinha os pulsos amarrados aos braços da cadeira. Com fios elétricos atados em diversas partes do corpo, a pessoa era submetida a sessões de choques. Amelinha também contou que viu seu marido sendo torturado na unidade do DOI-Codi pelos agentes da ditadura na frente do coronel Ustra, que ordenou que a agarrassem e a arrastassem para uma sala de tortura”.
    Basta de racismo e de ricos no poder!
    Não bastasse, no ano passado, em palestra no clube Hebraica do Rio de Janeiro, o candidato Bolsonaro expressou seu pensamento sobre os negros. Disse ele na ocasião: “Eu fui em um (ato) quilombola em Eldorado Paulista. O afrodescendente mais leve pesava sete arrobas”. Em abril, a procuradora geral da República, Raquel Dodge, denunciou Bolsonaro por racismo: “Esta manifestação, inaceitável, alinha-se ao regime da escravidão, em que negros eram tratados como mera mercadoria, e à ideia de desigualdade entre seres humanos, o que é absolutamente refutado pela Constituição brasileira e por todos os tratados e convenções internacionais de que o Brasil é signatário”. Para a procuradora, o político se referiu a essas pessoas como se fossem animais, ao utilizar a palavra arroba.
    Além disso, Bolsonaro não tem nenhuma preocupação com os trabalhadores nem com os pobres.  Além de apoiar o Governo Temer, ele e os demais deputados representantes da burguesia aprovaram um dos maiores crimes cometidos pelo Congresso Nacional contra os trabalhadores: a reforma trabalhista, que estabeleceu a jornada intermitente, o parcelamento das férias, eliminou dezenas de direitos dos trabalhadores e permitiu que os patrões paguem salários mais baixos e imponham mais horas de trabalho, enfim, aumente a exploração dos capitalistas sobre a classe operária unicamente para crescer os lucros da burguesia.
    Antes, o deputado já tinha votado duas vezes contra as trabalhadoras domésticas terem direito à carteira assinada, além de ter aprovado a PEC 241, que corta verbas da saúde, da educação e congela o salário dos funcionários públicos. Porém, embora considere que os trabalhadores devam receber baixos salários, o mesmo ele não pensa para si: todo mês, Bolsonaro ganha dois salários: R$ 33.700,00, como parlamentar, e mais R$ 5.600,00, do Exército.
    O candidato do PSL também é contrário a aumentar as verbas para a educação pública. Sua proposta é cortar as verbas das universidades públicas, como afirmou em entrevista à Rede Globo: “Vamos tirar mais recursos do ensino superior e jogar mais no fundamental”. Na mesma entrevista, incentivou a violência como proposta para a segurança pública: “O policial resolve o problema se matar 10, 15 ou 20 com 10 ou 30 tiros cada um; ele tem que ser condecorado, e não processado”.
    Quando era vereador do Rio de Janeiro, Bolsonaro fez um discurso na Câmara Municipal dizendo que “pobre não sabe fazer nada” e que os maus políticos vão desparecer quando “se acabarem os pobres e os miseráveis”.
    Pois, nós, Sr. Bolsonaro, pensamos exatamente o contrário: os pobres e miseráveis vão acabar quando varrerem os políticos milionários como o sr. e assumirem o poder em nosso país!
     Lula Falcão é membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário e diretor de A Verdade.
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