sábado, 24 de fevereiro de 2018

Frente unida contra Ancara

Frente unida contra Ancara

Síria: YPG entrega os bairros em Aleppo às forças do governo. Convento de combate de bombardeio de Turquia para Afrin

Por Nick Brauns
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Um caminhão queimado do comboio de ajuda para Afrin após o bombardeio pelas tropas turcas
O governo sírio enviou mais milícias voluntárias para Afrin, no noroeste do país. Com base num acordo entre Damasco e o curda unidades folk e mulher defesa YPG / y pj eles vão ajudar a defender as fronteiras dos cinco semanas em turco pelo exército e mercenários do "Exército Livre Sírio" (FSA) atacou cantões autónomos. No centro da cidade de Afrin, a chegada das "Forças de Defesa Nacional" foi celebrada com entusiasmo. Os manifestantes mantiveram imagens do presidente sírio Bashar Al-Assad e do pensador turco do movimento da liberdade curda, Abdullah Ocalan.
Também no distrito habitacional predominantemente curdo, Sheikh Maksud, no leste de Aleppo, vieram na quinta-feira forças governamentais. "Devido ao silêncio das potências mundiais em relação aos ataques bárbaros em Afrin, temos deduzidas todas as unidades da YPG e y pj da região Aleppo e se mudou para Afrin para ajudar na defesa de Canton," o comandante YPG justificou a transferência de uma vez 2011 sob seu domínio de controle para as tropas do governo.
Destemido pela nova aliança, o exército turco continuou seus ataques aéreos e terrestres contra Afrin. Durante o bombardeio de uma dúzia de veículos comboio auxiliar a 15 quilômetros a sudeste da cidade de Afrin, um civil foi morto e uma dúzia de outros gravemente feridos na noite de sexta-feira. As forças turcas lançaram fotografias aéreas do ataque na sexta-feira, afirmando que era um "comboio terrorista" do PKK, o YPG e o Estado islâmico.
Hora de olhar para outra imagem
A forma como os civis fazem supostos lutadores é ilustrada, entretanto, pela brigada da FSA »Mehmet the Conqueror«. Em uma foto, um aldeão vestido de civil é identificado como seqüestrado pela FSA, em outro ela é retratada como um lutador YPJ capturado em roupas militares.
Enquanto o governo turco afirma que nem um único civil foi morto, o conselho de saúde de Afrin avalia o número de mortes civis em 176 nos primeiros 34 dias da guerra.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Bolhas, acções e crashes

Bolhas, acções e crashes


por Prabhat Patnaik [*]
'.O que está a acontecer na economia dos EUA constitui uma lição objectiva acerca do funcionamento do capitalismo neoliberal. O capitalismo anterior à Primeira Guerra Mundial, o qual assistira ao longo boom victoriano e eduardiano, havia confiado a dinâmica do sistema à organização colonial. Os bens produzidos pela Grã-Bretanha eram vendidos a economias coloniais e semi-coloniais (provocando ali a "desindustrialização") e bens de valor ainda maior eram extraídos destas economias (constituindo a diferença a "drenagem do excedente") a fim de serem exportados – parcialmente contra importações britânicas e parcialmente a crédito – para o "Novo Mundo", isto é, para as regiões temperadas de povoamento branco, para as quais a Grã-Bretanha e não as colónias eram contadas como credoras.

Quando este esquema subjacente ao Longo Boom do "longo século XIX" esgotou o seu potencial, após a Primeira Guerra Mundial, todo o sistema foi afligido pela Grande Depressão. Um novo esquema era necessário ao sistema. Isto acabou por se verificar e proporcionou a base para outro longo boom, só no período pós Segunda Guerra Mundial quando a despesa do Estado começou a ser utilizada para estimular a economia.

Dar ao Estado este papel, o de gastar directamente para gerar emprego, minava a legitimidade social do capitalismo e portanto era anátema para o capital financeiro – pois mostrava que com o Estado a mimar capitalistas a fim de manter os seus "espíritos animais" para sustentar o nível de actividade e de emprego estes eram bastante desnecessários. Mas o capitalismo do pós guerra, confrontado com uma ameaça à sua existência devido à difusão do socialismo, era obrigado a aceitá-lo.

Com a nova centralização do capital, que levou ao longo do tempo à globalização da finança, a oposição do capital financeiro à intervenção do Estado nesta forma tornou-se muito mais eficaz. O Estado afinal de contas era um Estado- nação ao passo que o capital agora se tornara internacional,de modo que se qualquer Estado ignorasse as vontades da finança provocaria uma fuga de capitais da sua jurisdição e, portanto, uma crise financeira para si mesmo. Consequentemente, sob o regime neoliberal que acabou por existir na era da globalização, o controle de défices orçamentais e a abstenção da tributação de capitalistas tornou-se a ordem do dia.

Estes regimes neoliberais, destituídos das escoras anteriores que haviam sustentado o capitalismo, dependeram essencialmente de "bolhas" nos preços de activos para os seus booms e o único meio pelo qual estes podiam ser estimulados era através de baixas taxas de juro. A política monetária tornou-se o único instrumento disponível para o Estado a fim de promover o nível de actividade, uma vez que uma política orçamental intervencionista ficou descartada sob o neoliberalismo. Assim, estimular bolhas, ao invés de quaisquer grandes investimentos directos, tornou-se o modus operandida política monetária.

Contudo, este facto óbvio nunca é aceite "oficialmente". Porta-vozes políticos e economistas"mainstream" repetem a torto e a direito a vetusta teoria de que taxas de juro baixas conduzem ao aumento do investimento. Mas na realidade o seu efeito principal é através da formação de bolhas, as quais por sua vez estimulam a despesa, incluindo despesa de investimento, e dessa forma aumentam a actividade e o emprego.

Quando a "bolha dotcom" dos anos noventa (o boom do mercado de acções que disparou nas costas de companhias de TI) entrou em colapso nos EUA, o então presidente do Federal Reserve Board (equivalente ao Banco Central) Alan Greenspan, reduziu a taxa de juro. Ele iniciou dessa forma uma nova bolha, a "bolha habitacional", pela qual foi muito criticado mais tarde, depois de esta ter entrado em colapso no ano de 2008.

Mas esta crítica, ainda que reflectida por muitos economistas progressistas, obscurece o ponto central:    ela passa por alto o viés do sistema (nomeadamente, a sua confiança em bolhas) considerando-o como mera irresponsabilidade de um indivíduo chamado Greenspan (por ter estimulado uma bolha). E esta crítica, naturalmente, surge só depois de a bolha ter estourado.

Todas as bolhas, pela sua própria natureza, implicam necessariamente a concessão de empréstimos [tipo] "sub-prime", isto é, empréstimos de instituições financeiras a pessoas que em "tempos normais" (ou seja, na ausência da bolha) não seriam consideradas com capacidade creditícia. Isto acontece porque as bolhas incham artificialmente os preços dos activos contra os quais são feitos os empréstimos, de modo que os possuidores de tais activos, mesmo que normalmente não fossem considerados como merecedores de crédito, ficam aptos ao crédito por causa da bolha.

Agora, se tal concessão de empréstimos é restringida porque a falta de credibilidade do tomador em "tempos normais" passa subitamente a ser tomada em consideração durante uma bolha, então a própria bolha entra em colapso, o que provoca um crash nos preços dos activos. Isto não só trunca o boom da economia real como realmente gera uma recessão. Portanto, sob o regime neoliberal, para manter o boom em andamento a bolha tem de ser mantida, razão pela qual crédito barato tem de ser injectado no sistema – apesar do facto de ele assumir a forma de concessão de empréstimos [tipo] sub-prime.

Seja como for, todas as bolhas acabam por entrar em colapso, não importa quanto e por quanto tempo o crédito barato seja disponibilizado. E quando o fazem, o crash que se segue reflecte a força da bolha:    quanto mais forte a bolha maior o crash. A culpa pelo crash é então atribuída à política monetária que estimulara a bolha, sem qualquer reconhecimento de que esta mesma política monetária havia em primeiro lugar causado um boom da economia real, através da bolha.

O que aconteceu após o estouro da bolha habitacional e da recessão que provocou é uma repetição do mesmo cenário. O Federal Reserve Board mais uma vez fez cair a taxa de juro quase a zero numa tentativa de ressuscitar a economia. O argumento era de que geraria despesa, especialmente despesa de investimento; mas o investimento foi muito pouco afectado por isso. De facto ele ainda continua lerdo nos EUA.

O que uma taxa baixa da taxa de juro fez foi começar uma nova bolha do mercado de acções, não tão pronunciada como as bolhas "dotcom" ou a habitacional, mas uma espécie de bolha no entanto. E isto por sua vez começou alguma recuperação na economia real dos EUA através do estímulo à despesa de consumo e, com isso, da economia mundial.

Esta recuperação, que foi celebrada pelo FMI e recentemente também na cimeira de Davos, tem sido realmente extremamente anémica. Em grande parte isto decorre do facto de a taxa de desemprego nos EUA ter descido para 4,1 por cento e ter assim permanecido durante quatro meses consecutivos (incluindo Janeiro de 2018), o que está abaixo do nível de Janeiro de 2008 (5 por cento). O que está a falhar nisto é a queda verificada no rácio emprego-população e também na taxa de participação da força de trabalho, a qual mede a proporção da população em idade de trabalhar que está ou realmente empregada ou à procura de trabalho. Em suma, mesmo no presente momento um número significativo de pessoas em idade de trabalhar não estão à procura de trabalho nos EUA, porque, na maior parte, não têm esperança de encontrá-lo. Na verdade, se assumirmos a taxa de participação da força de trabalho de Janeiro de 2008 realmente obtida em Janeiro de 2018, então a taxa de desemprego neste último mês seria de 6,1 por cento, a qual é ainda mais elevada do que a de Janeiro de 2008.

Significativamente, mesmo esta recuperação parcial, a qual não trouxe a economia estado-unidense para a posição em que estava em Janeiro de 2008, ou seja, quando começou a crise, está agora a ser truncada através de um colapso do boom do mercado de acções. Este colapso começou nos EUA no princípio de Fevereiro e propagou-se imediatamente por todo o mundo, incluindo a Índia. Ainda que possa parecer que o colapso foi travado posteriormente, como os factores que o dispararam não deixaram de existir pode-se esperar na melhor das hipóteses um deslizamento tipo para-arranca(stop-go) com tendência baixista no mercado de acções nestes próximos dias.

O factor primário mencionado como explicação para o colapso do boom do mercado de acções é a expectativa generalizada de uma ascensão das taxas de juro nos EUA. Esta expectativa por sua vez é atribuída não apenas à exigência dos republicanos de taxas de juro mais altas como também ao receio de um ressuscitar da inflação no rastro desta mesma anémica recuperação. (Quando ocorre inflação, os bancos centrais tipicamente elevam as taxas de juro a fim de controlá-la). Uma ascensão nas taxas de juros é provável que fure a bolha do mercado de acções e é o temor de que isto aconteça que está a deixar os especuladores nervosos e a provocar um colapso bolsista, mesmo antes de alguma coisa ter realmente acontecido.

A razão porque os especuladores dos EUA estão nervosos não é assunto em que precisemos deter-nos. O que é importante para nós é a fragilidade total de qualquer recuperação baseada na bolha. Na verdade, a crise estrutural do capitalismo neoliberal consiste no facto de que nele os booms não têm a espécie de fundamento "real" que costumavam ter nas fases anteriores do capitalismo.

Previsivelmente, o período de baixas taxas de juro começou agora a ser criticado por ter provocado a bolha do mercado de acções cujo colapso está a começar. Mas nunca é mencionado, mesmo depois, que foi precisamente esta bolha que causou a recuperação, ainda que anémica, realmente verificada.

O que a actual experiência dos EUA mostra não é só o papel das bolhas na sustentação do nível de actividade sob um regime neoliberal e, portanto, o facto de as vidas de milhões de pessoas estar dependente dos caprichos de um grupo de especuladores, mas também o carácter completamente evanescente e de curta duração dos booms neste período. 
18/Fevereiro/2018

Ver também: 
  • Crise:   algumas perguntas e respostas

    [*] Economista, indiano, ver Wikipedia

    O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2018/0218_pd/bubbles-stocks-and-crashes . Tradução de JF. 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

    Manchas de Netuno.....

    s mistérios da mancha escura de Netuno

    Netuno, o oitavo e mais distante planeta a partir do Sol, foi visitado pela primeira e última vez, pela sonda Voyager 2 da NASA em 1989. Desde então, o Telescópio Espacial Hubble, tem tentado entender a miríade de mistérios que cercam esse majestoso planeta frio, incluindo, decifrar por que esse planeta possui os ventos mais rápidos do Sistema Solar, e o que existe no seu núcleo.
    Essas novas imagens do Hubble revelam um desses mistérios, a famosa mancha escura, ou vórtice escuro da atmosfera de Netuno. Esse raro vórtice é um sistema atmosférico de alta pressão normalmente acompanhado por nuvens mais brilhantes. Essa mancha escura em particular é denominada de SDS-2015 (Southern Dark Spot descoberta em 2015), e é somente a quinta já observada em Netuno. Embora ela pareça menor do que as manchas escuras previamente observadas, observações da SDS-2015 feitas de 2015 a 2017 revelaram que a mancha já foi grande o suficiente para englobar toda a China, e desde então, vem rapidamente diminuindo de tamanho.
    Cada uma das 5 manchas escuras de Netuno curiosamente são diferentes, mas todas apareceram e desapareceram dentro de poucos anos, o que é oposto à Grande Mancha Vermelha de Júpiter, que está ali no planeta a séculos. Nuvens brilhantes se formam ao longo das manchas escuras, quando o fluxo do ar ambiente é perturbado e tem um movimento ascendente sobre a mancha, fazendo com que os gases congelem em cristais de gelo de metano.
    Só o Hubble possui o poder suficiente, atualmente para fazer imagens das manchas escuras de Netuno, e produzir imagens espetaculares como essas, essas visões feitas no decorrer de 2 anos, utilizaram a Wide Field Camera 3 do Hubble, ou a WFC3.

    segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

    Hidráulica na Coreia do Norte Parte 2: Irrigar os campos – uma luta de duas décadas

    Hidráulica na Coreia do Norte
    Parte 2: Irrigar os campos – uma luta de duas décadas


    por Kim Soobok
    Campo de arroz na RDPC.Continuação da Parte 1 

    Durante a ocupação da Coreia pelo Japão (1910-1945), o governo colonial retirava todo o arroz da Coreia em benefício do Japão, deixando quase nada para os coreanos. Ter arroz com caldo de carne naquela época era um luxo pelo qual toda a gente ansiava. Assim, imediatamente após a libertação, o aumento da produção de arroz tornou-se a principal prioridade agrícola da Coreia do Norte.

    Segundo Jo Byeong-heon, sul-coreano perito em assuntos norte-coreanos, a Coreia do Norte construiu 40 mil quilómetros de canais de irrigação, bem como cerca de 1700 reservatórios e 25 mil estações de bombagem no período a seguir à libertação. No princípio da década de 1960, o país construiu mais 50 mil estações de bombagem nas áreas agrícolas e irrigou completamente toda a sua agricultura.

    De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Coreia do Norte sistematicamente produziu 3,5 a 4,3 milhões de toneladas de cereais por ano durante a década de 1960, bem como 5 a 6,5 milhões de toneladas nas décadas de 1970 e 1980. Esse número ascendeu firmemente para as 9 milhões de toneladas/ano em 1993, mas decaiu para 2,6 milhões em 1996, na altura da Marcha Árdua.

    Quando a alta súbita nas importações de combustíveis e a escassez de electricidade no princípio da década de 1990 paralisaram as estações de bombagem e a água já não podia chegar às terras agrícolas, a Coreia do Norte procurou respostas na ciência. Ela precisava de meios de irrigar sua agricultura sem depender da electricidade e chegou a uma ideia simples mas radical. A ideia baseou-se no princípio da gravidade. Oitenta por cento da terra da Coreia do Norte é constituída por montanhas e terras altas onde a água da chuva se acumula naturalmente. Assim, os seus cientistas consideraram: se se puder conduzir a água dos cumes das montanhas para que fluam até as áreas agrícolas, já não serão mais precisas as estações de bombagem que consomem tanta electricidade.

    Assim, a Coreia do Norte começou a construir barragens em cotas altas, nas montanhas, e escavou centenas de quilómetros de canais a fim de conduzir a água para as planícies. Sem combustíveis para alimentar equipamento pesado, a construção, sobretudo em terreno montanhoso acidentado, foi toda feita por trabalho humano. Unidades voluntárias de dezenas de milhares de trabalhadores, agricultores, jovens e mulheres das províncias e cidades de todo o país vieram participar juntos neste projecto massivo de construção.

    A construção principiou em 1999 e um novo projecto de canal foi completado em média a cada três anos. Transportar betão e equipamentos por centenas de quilómetros para o local da construção através de estradas más e com tempo inclemente não foi uma façanha fácil. E alimentar, vestir e abrigar dezenas de milhares de voluntários exigiu um nível de organização notável.

    As equipes de construção, sobretudo jovens, aguentaram condições penosas nas montanhas, onde as temperaturas facilmente caem para 40º Celsius negativos nos meses mais frios do inverno. Elas cavaram túneis, centímetro a centímetro, para conduzir a água através das montanhas. Empurraram vagonetas cheias de entulho e rochas através de caminhos longos e estreitos, muitas vezes em subida, e transportaram materiais pesados com água até à cintura. Um vídeo norte-coreano de locais de construção recentes mostra pessoas que parecem sólidas e bem equipadas, mas em vídeos anteriores a maior parte dos trabalhadores parecia esquelética e estava de mãos nuas. Muito longe das suas famílias, eles cuidavam-se uns aos outros quando ficavam doentes.
    O Estado cuidou dos filhos dos homens e mulheres que se voluntariaram para a construção dos canais nos seus muitos infantários por todo o país e nos centros de cuidados infantis próximos dos estaleiros de construção. Também estabeleceu áreas de descanso e recreação para os tempos livres das equipes de trabalho. Canções dedicadas à construção de canais descreviam-nos como heróis nacionais e o governo central homenageou aqueles que morreram a trabalhar nos canais como mártires revolucionários, concedendo as mais altas honras às suas famílias.

    Se realmente entendermos o que custou ao povo da Coreia do Norte construir os "canais de fluxo natural" sob as mais amargas condições durante a Marcha Árdua, então entenderemos a resiliência que hoje fortalece a sociedade norte-coreana.

    Eis alguns dos canais que a Coreia do Norte completou nas últimas décadas ou que estão actualmente em construção:

    Canal Gaechon-Lago Taesong 

    A construção do canal Gaechon-Lago Taesong começou em Novembro de 1999 e foi completada em Outubro de 2002. Ele estende-se por 100 milhas [160,9 km] e consiste de 90 canais em túnel e 21 reservatórios (ver Figura 1).

    Milhares de trabalhadores voluntários construíram uma barragem maciça em Daegak-ri na Cidade de Gaechon e escavaram canais através de Sunchon, Pyongwon, Daedong e Jeungsan até o Lago Taesong na Cidade Nampo. A barragem em Daegak-ri eleva o nível da água do Rio Daedong e, deste modo, a água pode fluir naturalmente para várias regiões na Província Pyongan Sul, a jusante, através de canais feitos pelo homem, sem a utilização de energia eléctrica
    Figura 1, As áreas irrigadas são destacadas em amarelo.
    O canal irriga 245 mil acres [99.147 hectares]. A província já não precisa das 380 estações de bombagem e 530 bombas de água que utilizava anteriormente e pode portanto poupar 60 megawatts-hora de electricidade por ano. O canal também proporciona água potável e ajuda a província a cumprir seus objectivos gerais de gestão da água, incluindo a prevenção de inundações na bacia do Rio Jaeryong. A província também construiu numerosas pequenas e médias hidroeléctricas ao longo do canal.

    Canal Baekma-Cholsan 

    O canal Baekma-Cholsan é constituído por uma barragem em Baekma no Município Pihyun, Sinuiju e 174 milhas [280 km] de canais (ver Figura 1). A construção começou em Maio de 2003 e foi completada em Maio de 2005. O canal irriga aproximadamente 112 mil acres [45.325 hectares] e aumentou a produção anual de cereais em 100 mil toneladas por ano.

    Canal Rio Chongchon-Pyongan Sul 

    A construção começou em Fevereiro de 2016 e ainda está em curso. Ele começa no Lago Yeonpung, bem conhecido como área de repouso para os cientistas do país, próximo da Cidade de Gaechon, 65 milhas [105 km] a norte de Pyongyang. Ele conduzirá a água da região superior do Rio Chongchon para regiões não alcançadas pelo canal Gaechon-Lago Taesong: Gaechon, Sonam, Dokchon, etc (ver figura 1).

    Canal Mirubol 

    A região Mirubol costumava bombar água do Rio Namgang, um afluente do Rio Daedong, e do Rio Ryesong. Mas dizem que a terra nesta região era tão estéril que os seus aldeões estavam sempre a adiar o seu cultivo. Assim, o lugar é chamado Mirubol, o que significa "adiar". Isso agora mudou com a construção do Canal Mirubol, uma formidável conduta de 137 milhas [220 km] construída para redireccionar o caudal das cabeceiras do lendário Rio Rimjin e criar canais em túnel através das vastas e escarpadas Montanhas Ahobiryong. Ele conduz a água do Reservatório Risang, de onde flui para várias regiões a fim de irrigar 63 mil acres [25.495 ha] em três municípios – Goksan, Singye e Suan (ver Figura 2). Foram eliminadas 80 das 106 bombas de água anteriormente usadas para irrigar a região e assim o canal poupa 27 MWh de electricidade por ano.
    Figura 2, Canal Mirubol.
    Canal 1 a Sul da Província Hwanghae 

    O canal começa no Lago Jangsu e flui através de Haeju, Gangryong e Byoksong, acabando então em Ongjin (ver figura 3). A construção começou em Janeiro de 2012 e foi completada em Novembro de 2016. O canal estende-se por 76 milhas [122 km] e consiste de 30 túneis de água e mais de 400 estruturas, tais como pontes de condutas subterrâneas. Irriga mais de 24 mil acres [9.712 ha].
    Figura 3, Canais 1 e 2 a Sul da Província Hwanghae.
    Canal 2 a Sul da Província Hwanghae 

    Actualmente em construção, o Canal 2 a Sul da Província Hwanghae começa em Cheongdan e acabará em Yonan (ver Figura 3).

    Outros projectos de gestão da água 

    Os veios de água subterrâneos escoam entre camadas de rocha. A Academia Nacional de Ciências da Coreia do Norte desenvolveu um aparelho que pode detectar veios de água a 300 metros abaixo do solo. Graças à localização destas fontes de água profundas a Coreia do Norte construiu centenas de cisternas por todo o país a fim de armazenar água para a prevenção de secas.

    Cientistas norte-coreanos também desenvolveram métodos agrícolas que consomem menos água. Exemplo: utilizando canteiros secos para arroz; plantando menos plantas mas com maiores espaços entre sementes – o que realmente rende mais grãos; e transformando arrozais (paddies) onde a água é inacessível em campos para culturas de sequeiro. Além da gestão da água, a Coreia do Norte está também a reorganizar explorações agrícolas com o objectivo de mecanizar a agricultura.

    Graças a estes esforços, a Coreia do Norte recuperou-se decididamente da sua crise alimentar da década de 1990 e está a progredir ano a ano rumo ao seu objectivo da auto-suficiência alimentar. O país agora voltou sua atenção para a melhoria da qualidade da dieta popular através da diversificação de fontes de proteína, vegetais frescos e lacticínios.

    Na parte 3 apresentarei o progresso da Coreia do Norte na produção de fertilizantes e a sua correlação directa com o aumento da produção alimentar. 
    07/Fevereiro/2018

    A seguir, Parte 3: Enriquecer o solo – Produzir para além da subsistência

    O original encontra-se em www.zoominkorea.org/... 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

    Protestos contra a reforma da Previdência

    Manifestantes fazem atos pelo país contra a reforma da Previdência

    Em vários estados houve paralisação no transporte. Em São Paulo e Aracaju, professores também aderiram à mobilização.

    Por G1, São Paulo
     
    Três cidades da Região Metropolitana de São Paulo amanhecem sem ônibus
    Manifestantes realizam protestos nesta segunda-feira (19) contra a reforma da Previdência. A mobilização foi convocada por centrais sindicais. Em vários estados houve paralisação no transporte no início da manhã e algumas escolas ficaram sem aula.
    Em São Paulo, três cidades da Região Metropolitana amanheceram sem ônibus: Santo André, São Bernardo do Campo e Guarulhos. Também em Guarulhos, manifestantes bloquearam um trecho da Via Dutra.
    Via Dutra está bloqueada do km 212 ao km 214, na altura de Guarulhos, no sentido São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo)Via Dutra está bloqueada do km 212 ao km 214, na altura de Guarulhos, no sentido São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo)
    Via Dutra está bloqueada do km 212 ao km 214, na altura de Guarulhos, no sentido São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo)
    Os professores da rede municipal de São Paulo também aderiram à paralisação e algumas escolas estão sem aula. Em Aracaju, 75 escolas da rede municipal não funcionaram, e 32 mil alunos ficaram sem aula.
    A votação da reforma da Previdência na Câmara estava prevista para esta semana, mas com a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, o Congressso não pode votar nenhuma alteração na Constituição.
    Por se tratar de emenda à Constituição, o texto exige ao menos 308 votos (de um total de 513 deputados).
    Também há registro de manifestações nos seguintes estados:
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