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sábado, 26 de setembro de 2020

A greve dos Correios contra retirada de direitos

 


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GILSON VIEIRA – “Queremos nossos direitos!”. (Foto: Julia Ew/Jornal A Verdade)

Júlia Andrade Ew

FLORIANÓPOLIS (SC) – Com origem na empresa Correio-Mor, fundada em 1663, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), fundada em 1969 e mais conhecida como Correios, é uma empresa pública federal que executa o sistema de envio e entrega de correspondências no Brasil, além da distribuição de encomendas em todo o território nacional, entre outras inúmeras funções. Os Correios empregam 109 mil pessoas, sem contar os terceirizados, e é a única empresa a estar presente em todos os municípios do país.

Essa empresa pública tão importante para nosso país vem sofrendo duros ataques. Em maio do ano passado, Jair Bolsonaro aplicou um Plano de Desligamento Voluntário (PDV), pensado para diminuir o quadro de funcionários em mais de 7 mil servidores. Esses PDVs ocorrem há anos, mas suas consequências se intensificam na atualidade, com o fechamento de inúmeras agências país afora, ausência de novos concursos e sobrecarga de trabalho para os funcionários. O presidente atual dos Correios, general Floriano Peixoto Vieira Neto, mais um dos inúmeros militares em cargos de prestígio escolhidos pelo governo federal. A empresa, que em 2019 apresentou o faturamento R$ 19,1 bilhões, tendo um lucro R$ 102,1 milhões (o que a caracteriza como superavitária), corre risco de ser privatizada.

Iniciada no dia 17/08, às 22h00, a greve dos trabalhadores dos Correios já é a maior greve da história da categoria no Brasil. De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), foram retiradas 70 cláusulas com direitos dos trabalhadores, como 30% do adicional de risco, vale-alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio-creche, indenização de morte, auxílio para filhos com necessidades especiais, pagamento de adicional noturno e horas extras. Durante uma atividade de greve da categoria em Florianópolis, o jornal A Verdade entrevistou Gilson Vieira, secretário-geral do Sindicato dos Correios de Santa Catarina.

⁂

Por que os trabalhadores dos Correios estão em greve? Eu falo em nome de toda a direção e de toda a categoria, mas não em nome da empresa, porque essa é capitaneada por um general. Nossa luta neste ano não é por aumento de salário, é bom a população saber disso. Nossa greve é porque nosso acordo coletivo tem 79 cláusulas e o general que comanda a empresa quer cortar 70. Quer acabar com a folha de pagamento! A população tem que entender que acabar com os trabalhadores dos Correios, fazer eles trabalharem que nem gado a troco de nada, é visando à privatização dos Correios. E a privatização dos Correios significa aumentar a desigualdade social, é ter menos dinheiro indo pro governo, porque os Correios e os trabalhadores dos Correios não pegam dinheiro com a União, muito pelo contrário. A empresa dos Correios é superavitária, ela repassa dinheiro pro governo, e esse dinheiro deve ir pra educação, segurança e tantos outros projetos sociais, apesar de que esse governo está tirando dinheiro da educação, da segurança, etc., pra dar para os militares, como a gente sabe.

Por que vocês vêm afirmando que a greve não é por privilégios? Chamaram uma campanha salarial no meio da pandemia. A luta desta greve, no meio de uma pandemia, é para que não haja a supressão de 70 cláusulas do nosso acordo coletivo, é pra manter pelo menos nossos benefícios e nossos direitos, conquistados há 30, 35 anos. Não é por privilégio! Cinquenta reais pra vale-cultura e R$1.200 pra vale-alimentação não é privilégio! O salário de um trabalhador dos Correios chega hoje de R$ 1.900 a no máximo R$ 2.200, não passa disso, tanto o carteiro, quanto um atendente, um OTT (Operador de Triagem e Transbordo). Claro, os burocratas que controlam a empresa têm um salário enorme porque são indicados, a velha farra de cargos que havia nos outros governos, que esse governo criticava. Mas a gente, que ganha salários baixíssimos, acredita que privilégio é benefício de gabinete de 100 mil, é auxílio moradia de 20 mil, é vale-paletó, é ajuda de celular, isso é privilégio!

E o que essa luta tem a ver com a conjuntura nacional? Bolsonaro fala que tem que enxugar a folha com o funcionalismo pra salvar a população brasileira da fome. Isso é uma grande mentira! A população tem que entender que os R$ 600 que ganha do auxílio emergencial não é nada “dado” pelo governo nem é obra divina: é dinheiro de impostos, é dinheiro da própria população que está sangrando há tantos anos! O governo quer fazer uma reforma tributária e não tributar as grandes fortunas. Dava pra ter salvo os empregos, mas infelizmente nós estamos com um governo que quer acabar com os Correios, a Petrobras, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil. Queremos passar para a população que privatizar os Correios é mais desigualdade social, é menos soberania nacional, é mais gringo nos explorando, é os ricos ficando mais ricos e os pobres ficando mais pobres. Privilégio é os bilionários ficarem mais ricos durante a pandemia! Vai dizer que é privilégio o trabalhador querer manter o seu salário? Não mesmo! Milhares de carteiros não têm casa própria, têm carteiros com condição de vida muito ruim, é a única categoria que está de porta em porta todos os dias, e nem na pandemia se furtou de estar ali, à mercê do vírus, trabalhando.

Para concluir, que mensagem você deixaria para os leitores do Jornal A Verdade? Em nome da categoria, a mensagem que eu deixo para os militantes da UP e leitores do jornal A Verdade é que a categoria dos Correios sofre todas as mazelas e opressões dessa sociedade, vindas desse governo e de todos os outros que nunca governaram pros trabalhadores, sempre pra banqueiros, empresários, bilionários, latifundiários, agronegócio, nunca pro povo. A gente sofre na pele isso e estamos na mesma trincheira! Carteiros, atendentes e OTTs, 80% de nós pagam aluguel, vivem muito mal, como qualquer trabalhador. Queremos todos a mesma coisa: o fim desse governo, o fim desse regime, e queremos de fato construir um Estado mais igualitário, com mais igualdade social, com acesso à renda, à comida, e que de fato o trabalho de quem constrói o mundo seja compensado de maneira honesta, porque nós construímos tudo no mundo, mas quem fica com o lucro é o patrão! Então é isso, queremos construir um Estado socialista para que os trabalhadores de fato comandem o Estado do povo para o povo, não para os patrões!

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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Campos:Rodoviários em greve

Rodoviários da empresa São Salvador em greve JHONATTAN REIS 12/12/2016 14:50 Michelle RichaA empresa esteve sob intervenção da Prefeitura de julho até novembro/Michelle RichaComeçou, às 0h desta segunda (12), a greve por tempo indeterminado dos rodoviários da empresa São Salvador. De acordo com o sindicato dos rodoviários, a motivação é o atraso de salários e benefícios. Até o momento, só teriam sido pagos aos trabalhadores 60% do salário de outubro e estariam em atraso os vencimentos de novembro e a primeira parcela do 13°. A empresa esteve sob intervenção da Prefeitura de julho até novembro. Segundo o vice-presidente do sindicato, David Lopes, havia um acordo para os outros 45% do salário de outubro deveria ter sido pago há duas semanas. Ele apontou que são cerca de 250 trabalhadores na situação. "Notificaremos o consórcio para que as outras empresas integrantes dêem suporte às linhas sob responsabilidade da São Salvador" (IMTT)O diretor da São Salvador, José Renato Abdu Neme, informou que a empresa começaria a pagar, nesta segunda, os 45% restantes do salário de outubro. “Os outros pagamentos vão depender do repasse do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT)”, disse. Já o IMTT informou, em nota, que vai “notificar o consórcio para que as outras empresas integrantes dêem suporte às linhas sob responsabilidade da São Salvador”. Intervenção - A empresa São Salvador faz parte do Consórcio União, que também é composto pelas empresas Turisguá, Cordeiro e Siqueira. Todas passaram por intervenção da Prefeitura desde julho, tendo como justificativa os diversos problemas denunciados pela população sobre a prestação do serviço. Membro da junta interventora, o advogado Maurício Costa, na ocasião do anúncio do fim da intervenção, disse que os serviços teriam sido restabelecidos, ante a ausência de novas reclamações dos usuários. Comentar ÚLTIMAS NOTÍCIAS

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Entregadores de aplicativos realizam vitoriosa greve no país


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MANIFESTAÇÃO – Ontem (01), a capital paulista ficou marcada pela greve dos entregadores que percorreu todo o país. (Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade)
Victor Farias
BRASIL – Em busca por melhor remuneração, fim dos bloqueios, EPI’s e contra a precarização do trabalho, os entregadores por aplicativos decidiram paralisar suas atividades no primeiro de julho. Essa é a primeira mobilização nacional e foi registrada em diversos estados do Brasil, evidenciando as necessidades da categoria que tem atuado de forma intensa no período de isolamento social.
Manifestações do mesmo tipo também ocorreram no Chile e na Argentina.
O “Breque nos apps”, nome que identificou o movimento, teve grande adesão dos entregadores e representou um duro golpe nas pretensões liberais de precarização do trabalho por meio da tecnologia.
O Jornal A Verdade esteve presente na cobertura das mobilizações nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Aracaju, Salvador, Teresina, Maceió, Goiânia e São Paulo. Os atos conseguiram demonstrar a força da união dos trabalhadores em luta e agregaram grande parte da categoria.
“A gente está mostrando pra eles que não estamos alienados aos aplicativos. Eles têm feito o que querem da gente, mas não vamos mais aceitar isso. É muito importante estar participando dessa luta na linha de frente e ver o olhar de esperança de cada motoqueiro. Hoje já saímos vitoriosos estivemos com mais de duzentos trabalhadores na rua, e a luta não vai parar”, avaliou Vanessa Barbosa entregadora e integrante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) de Minas Gerais.
MINAS GERAIS – Ato em Belo Horizonte chegou até a Assembleia Legislativa do Estado com muita agitação entre os entregadores. (Foto: Jornal A Verdade)
O dia de luta histórico teve início pela manhã e continuaram ao longo da tarde. São Paulo foi a cidade com maior número de pontos de concentração durante a manhã. Pela tarde, os manifestantes ocuparam em grande número as três faixas da Avenida Paulista e seguiram com motos, bicicletas e patinetes pelas principais praças e avenidas até a Zona Sul da Capital. Ao longo do percurso, transmitido ao vivo pelo A Verdade, novos entregadores aumentaram ainda mais o movimento.
Nas cidades do Alto Tietê, como Mogi das Cruzes, os entregadores e entregadoras também fizeram greve e saíram em manifestação pela Rodovia Henrique Eroles exigindo melhores condições de trabalho.
“No começo era bom, mas logo eles diminuíram as taxas. Outra coisa é que se nós não ‘trazer’, comida não comemos. Já teve dia que se meu companheiro não dividisse a marmita dele comigo, eu ficaria com fome”, disse um entregador anônimo presente no protesto em São Paulo.
FORA BOLSONARO – Em São Paulo, entregadores não deixaram de exigir a saída do presidente fascista. (Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade)
No Rio de Janeiro, a mobilização foi registrada em Niterói e no Centro da Capital. Na cidade do Rio, o cortejo seguiu do Centro à Zona Sul. Os trabalhadores chamaram atenção para a criação de bases de apoio em cada região e a disponibilidade de banheiros durante a jornada de trabalho.
“A nossa manifestação é para todo mundo, […] está muito ruim para trabalhar, estamos pegando corrida muito longa e recebendo muito pouco. Então, uma das reivindicações são essas: a gente quer um aplicativo melhor – a gente quer trabalhar, não estamos reclamando para parar de trabalhar –, mas a gente também quer segurança, quer um pagamento digno pelo [nosso] trabalho.”, relatou Lucas, entregador na cidade de Niterói.
RIO DE JANEIRO – Concentração de entregadores de aplicativo marco o início da manifestação na cidade. (Foto: Jornal A Verdade)
Em Porto Alegre, os trabalhadores se concentraram na Praça da Alfândega, Centro Histórico da capital gaúcha. Com suas mochilas térmicas e palavras de ordem, os trabalhadores denunciam jornadas de mais 15h de trabalho para conseguir em média R$100 ao dia.
Em Maceió, centenas de entregadores se concentraram em frente a um dos principais shoppings da cidade e percorreram as principais ruas com motos e bicicletas para chamar atenção aos problemas. Em uma das paradas, um empresário do ramo de entregas implorou para que os trabalhadores voltassem aos seus postos, mostrando assim o quanto esses profissionais fazem falta para o funcionamento da economia.
“Ninguém tem ajuda dessas empresas e a gente dá o sangue pra isso. E se reclamar ainda é bloqueado ou perde as corridas. A gente vale nada pra elas não”, afirmou um entregador que também preferiu não se identificar.
RIO GRANDE DO SUL – Mochilas térmicas expostas com cartazes e panfletos durante a concentração marcaram todo o país. (Foto: Jornal A Verdade)
As capitais Goiânia e Belo Horizonte também tiveram representantes da categoria mostrando como é danosa a situação desse ofício que prova o quanto sofre um trabalhador sem direitos e garantias. A concentração goiana foi no Parque Vaca Brava e seguiu até a Praça Cívica.
Na capital mineira, a ação foi em frente à Assembleia Legislativa e seguiu em cortejo pelas principais.
O Jornal A Verdade registrou em sua cobertura um dos entregadores presentes na manifestação de Goiânia mostrou a perna machucada de um acidente recente e se queixou que as empresas não mantêm nenhuma assistência o que fez ficar horas aguardando atendimento médico por conta própria. Esses descasos se acumulam em todo país.
Apesar de não haver registros de incidentes por parte dos motoboys, em Aracajú o movimento sofreu repressão policial que tentou deslegitimar o movimento que tomou as ruas da Capital Sergipana. Prova da dedicação e resistência dos lutadores.

Precarização

Com o isolamento social, os pedidos por aplicativos dispararam, transformando-se em alternativa para funcionamento de bares e restaurantes.
Apesar disso, toda essa demanda não representou melhorias e ganhos para a categoria. Os índices de acidentes e mortes cresceram em até 50%, como na cidade de São Paulo.
NOSSAS VIDAS VALEM MAIS QUE O LUCRO DELES – Entregador denuncia as más condições de trabalho que, muitas vezes, matam diversos colegas de trabalho. (Foto: Kessis Soares/Jornal A Verdade)
Fora isso, esses trabalhadores estão sujeitos ao crime, a contaminação e ainda não possuem qualquer vínculo ou garantias de trabalho digno com as empresas que são avaliadas em bilhões.
Cansados do descaso das empresas bilionárias, os entregadores denunciam que tem assumido todos os custos com equipamentos de proteção e trabalho.
“O desemprego e a crise causadas pelos ricos abrem espaços para que esse tipo de trabalho precário seja a única opção para a juventude e os trabalhadores pobres. Ao mesmo tempo, os aplicativos são empresas bilionárias que lucram muito com a superexploração dos nossos”, afirmou Isis Mustafá diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militante da Unidade Popular Pelo Socialismo (UP) que acompanhou as manifestações em São Paulo.
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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Entregadores de aplicativos protestam em todo o País.

Entregadores de aplicativos protestam em todo o País. 

Créditos: EBC
CRÉDITOS: EBC

Trabalhadores exigem melhores condições de trabalho, como aumento de valores, e proteção durante a pandemia do coronavírus

A paralisação dos entregadores de aplicativos tem repercussão em várias localidades do País nesta quarta-feira 1. Os trabalhadores interromperam as entregas diárias, ainda mais frequentes em tempos de pandemia, para lutar por melhores condições de trabalho.
O rendimento desses trabalhadores, que já vinha caindo com a popularização de plataformas como UberEats, Rappi, Ifood e Loggi, encolheu ainda mais durante a pandemia do coronavírus, de acordo com relatos.
Entre as pautas de reivindicação estão o aumento da tarifa mínima por entrega – que em média é de R$ 5 -, o aumento do valor por quilometragem – os entregadores dizem receber por volta de R$ 2 por 6 km rodados – e o fim dos bloqueios praticados pelas plataformas, que faz com que eles trabalhem muito mais.
 
Também não ficam de fora a exigência por materiais de proteção contra a covid-19 – há relatos de que os entregadores não recebem álcool em gel ou máscara pelas empresas – e ainda não têm direito a um afastamento remunerado, em caso de doença. Os entregadores também brigam para conquistar um seguro para casos de roubos e acidentes.
Confira as manifestações pelo País.
São Paulo

No Jaguaré, em SP, o #BrequeDosApps fechou o galpão! pic.twitter.com/8a7LrafRxO
— Treta no Trampo (@tretanotrampo) July 1, 2020
Belo Horizonte/MG
Rapaziada, vocês não tem noção de como #BrequeDosApps em BH está loko! pic.twitter.com/Z7bUaJOYMN
— Treta no Trampo (@tretanotrampo) July 1, 2020

Recife
São Luís/MA
Brasília

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