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sexta-feira, 26 de março de 2021

Política econômica de Bolsonaro faz inflação disparar

Política econômica de Bolsonaro faz inflação disparar 24 de março de 2021 Categoria: Brasil, Últimas Notícias permalink Tagged under: Carestia, Cesta básica, crise, economia, inflação, Pandemia Share this on WhatsApp ShareShare CARESTIA. Cartazes espalhados pelo Brasil denunciam o aumento do custo de vida (Foto: Divulgação) Na cidade de São Paulo, o percentual de comprometimento da renda chega a 62,85%. O pacote de arroz de cinco quilos, que há dois anos custava em torno de R$ 12,00, em janeiro estava sendo vendido por R$ 24,02, de acordo com o Procon-SP. Por Igor Barradas | Redação Rio BRASIL – Nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, o poder de compra do trabalhador brasileiro despencou. Desde que o ex-capitão assumiu a presidência, o preço da cesta básica de alimentos subiu 32,56%. Como sempre, os maiores atingidos são os mais pobres: para eles, a inflação nesse período foi de 7%, o dobro da taxa sentida pelos mais ricos, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Na cidade de São Paulo, o percentual de comprometimento da renda chega a 62,85%. O pacote de arroz de cinco quilos, que há dois anos custava em torno de R$ 12,00, em janeiro estava sendo vendido por R$ 24,02, de acordo com o Procon-SP. Atualmente, o brasileiro gasta em média mais da metade (54,23%) do salário mínimo líquido para comprar a cesta básica. “Bolso Família” Enquanto os brasileiros enfrentam cada vez mais dificuldades para colocar comida na mesa, o filho “zero um” do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), comprou recentemente uma mansão em Brasília no valor de quase R$6 milhões. A suspeita é de que parte do dinheiro utilizado para a transação seja proveniente das chamadas “rachadinhas” promovidas pelo senador, com ajuda do seu comparsa Fabrício Queiroz. A verdade é que quando Bolsonaro afirma ser um defensor da família, ele se refere exclusivamente à sua própria família. Senão, vejamos: enquanto as famílias brasileiras ficam sem auxílio, sem emprego e sem vacina, os filhos do presidente se enriquecem com os esquemas de rachadinhas, dezenas de transações imobiliárias suspeitas e fazendo lobby dentro do governo em benefício de empresas amigas, sem falar dos 89 mil depositados pelo Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, até hoje não explicados. Se valendo do cargo que ocupa, Bolsonaro e seus generais ainda esbanjam o nosso dinheiro com compras surreais: R$ 15 milhões com leite condensado, R$ 2,2 milhões com chicletes, R$ 32,7 milhões com pizzas e refrigerantes e R$ 6 milhões com frutos do mar. É urgente pôr fim a essa farra bancada com a fome da população. Tirar Bolsonaro da presidência já é um primeiro passo, que deve ser seguido pelo congelamento dos preços dos produtos e serviços essenciais, o fim da atual política econômica e da submissão do país ao capital financeiro e o controle popular sobre a economia brasileira. Print Friendly, PDF & Email ShareShare Share this on WhatsApp classic-editor-remember:

quarta-feira, 24 de março de 2021

Atividade física deve ser incentivada entre o povo

Atividade física deve ser incentivada entre o povo 20 de março de 2021 Categoria: Opinião, Últimas Notícias permalink Share this on WhatsApp ShareShare EXCLUSÃO – Os poucos espaços e eventos gratuitos desincentivam a prática esportiva regular pelo povo mais pobre (Foto: Reprodução) Vitor Zack e Karen Almeida SÃO PAULO – Na sociedade capitalista o sedentarismo é tratado com normalidade e muitas vezes é comum que hábitos nocivos à saúde física e mental sejam mais promovidos e incentivados do que aqueles que trazem benefícios ao ser humano. Exemplo claro disso é o consumo de bebidas alcoólicas: a juventude tem mais fácil acesso à um bar que à um centro cultural ou esportivo e os meios de comunicação promovem a ideia de que a recompensa pelo trabalho duro, o alívio para um problema ou a comemoração de uma conquista estão sempre relacionados ao uso de álcool. Enquanto alguns capitalistas como Jorge Paulo Lemman, dono da Ambev e homem mais rico do Brasil, enriquecem vendendo hábitos que geram uma sensação passageira de felicidade, os trabalhadores adoecem física e mentalmente. Um estudo publicado em 2019 pelo Ministério da Saúde apontou que apenas 4 em cada 10 brasileiros praticam atividade física regularmente e esse número é ainda menor para pessoas com baixa escolaridade e renda. A verdade é que faltam espaços esportivos e atividades culturais gratuitas, com fácil acesso e vagas suficientes para todos, sendo os espaços privados muitas vezes a única opção para quem busca esse tipo de atividade. Ao longo dos últimos anos ocorreram diversos cortes na área do esporte e lazer: em 2018, Temer cortou R$25,7 milhões do Programa Bolsa Atleta, deixando milhares de atletas sem renda; Bolsonaro, logo em seu primeiro ano de mandato, rebaixou os Ministérios do esporte e da cultura à secretarias e, como de costume em seu governo, colocou generais não capacitados para o comando; em 2020 o orçamento federal para o esporte caiu de R$431 milhões para R$221 milhões, deixando diversos atletas desempregados e fechando diversos clubes, times e espaços de recreação. De fato não é do interesse dos capitalistas que os trabalhadores tenham acesso à cultura, esporte e lazer sem que isso esteja submetido à sua sede de lucros. Para a garantia de acesso a espaços culturais e esportivos para todos seria necessária uma sociedade onde os interesses do povo estivessem em primeiro lugar, ou seja, uma sociedade socialista. Benefícios da Atividade Física A prática regular de atividade física é essencial para o bem-estar e a qualidade de vida do ser humano, pois previne diversas doenças físicas, auxilia na boa manutenção do corpo e ajuda a prevenir e tratar doenças mentais, como depressão e ansiedade. Diversos estudos comprovam que a atividade física pode tratar quadros de depressão leve e moderada tão bem quanto medicamentos antidepressivos, além de não ter nenhum efeito colateral e de poder, quando transformada em hábito, impedir o retorno da doença. Estudos também apontam que quadros de ansiedade podem ter seus sintomas amenizados com a prática de atividade física de intensidade moderada (cerca de 150 minutos por semana). De fato a atividade física promove diversas reações no cérebro como redução de inflamações, crescimento neural, alívio de tensão corporal e sentimento de bem estar, desde que sejam feitas atividades prazerosas e em intensidade adequada. Com a profunda crise de saúde em que vive nosso país a atividade física se torna ainda mais importante, pois previne as comorbidades que podem agravar um quadro de infecção pela Covid-19, por exemplo. Para aqueles e aquelas que dedicam suas vidas à luta popular e pelos direitos dos trabalhadores, a atividade física é especialmente importante. Devido a correria do dia a dia vários militantes não se alimentam adequadamente e não praticam atividades físicas, o que em muitos casos leva ao adoecimento e ao mar estar físico e psicológico, atrapalhando não apenas o indivíduo mas toda a luta coletiva. Um estilo de vida saudável é fundamental, pois a luta por uma sociedade melhor é mais eficiente quando a mente e o corpo estão sãos. Bertold Brecht diz em um de seus poemas sobre o Partido que: “Nós somos ele. Você, eu, vocês – nós todos. Ele veste sua roupa, camarada, e pensa com a sua cabeça Onde moro é a casa dele, e quando você é atacado ele luta.” Se as organizações revolucionárias do Brasil andam com as pernas de seus militantes é fundamental que essas pernas consigam subir os morros e favelas, se lutam com seus braços, é preciso que eles consigam erguer cada vez mais alto a bandeira vermelha e se pensam com suas cabeças, é preciso que elas estejam em condições de propagandear as ideias do socialismo, de planejar as lutas e de organizar mais e mais pessoas. Para um revolucionário, combater os vícios impostos pela burguesia e estabelecer uma nova postura frente à vida é uma necessidade. Um comunista precisa estar preparado para enfrentar os desafios da luta e atento aos ataques que o sistema pode oferecer. A prática de exercícios físicos precisa ser um hábito sério por parte dos militantes, pois além de trazer benefícios para a saúde física e mental, garante melhores condições para o crescimento das organizações, para o aumento das lutas e para o combate, através do exemplo, do uso de drogas, do uso excessivo dos celulares ou de outros vícios pelos trabalhadores. Stalin dizia que os quadros são o maior tesouro do Partido. Portanto, cuidar dos quadros é cuidar do Partido. Print Friendly, PDF & Email ShareShare Share this on WhatsApp classic-editor-remember: block-editor Deixe uma resposta O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com * Comentário

sábado, 6 de março de 2021

PM-RJ prende camelô por criticar armamento da Guarda Municipal

PM-RJ prende camelô por criticar armamento da Guarda Municipal 4 de março de 2021 Categoria: Trabalhador Unido, Últimas Notícias permalink Tagged under: Criminalização, Desemprego, Polícia Militar, repressão, Rio de Janeiro Share this on WhatsApp ShareShare REPRESSÃO. Momento em que policial militar prende André Constantine por criticar a violência da PM-RJ (Foto: Reprodução) O camelô André Constantine foi detido arbitrariamente por um policial militar ao criticar a violência da PM-RJ e da Guarda Municipal contra os trabalhadores ambulantes. Por Igor Barradas | Redação Rio RIO DE JANEIRO – O ato contra o armamento da Guarda Municipal no Rio de Janeiro, realizado nesta quinta-feira (4), na Cinelândia, foi marcado pela prisão do militante e camelô André Constantine, encaminhado à 5ª DP depois de denunciar a atuação truculenta da Polícia Militar contra os trabalhadores informais. André foi detido arbitrariamente quando criticava a associação da PM com o crime organizado na cidade. Em sua fala, afirmou que a polícia militar “caça preto e favelado todos os dias”. Policiais militares que estavam próximo do local foram em direção ao camelô, tomaram de forma violenta o microfone de sua mão e o arrastaram até a viatura. Veja vídeo: O também camelô Vinícius Benevides, da Unidade Popular (UP), esteve presente no momento da prisão e relatou o ocorrido: “Estávamos em um ato pacífico contra o armamento da Guarda Municipal. Quando André tomou posse da palavra, fazendo sua exclamação lícita, exercendo seu direito à liberdade de expressão, foi arbitrariamente preso pela PM. O policial não aguentou ouvir as verdades na cara e prendeu o jovem arbitrariamente. Claramente um abuso de poder”. André Constantine e a camiseta que tanto incomodou a polícia do Rio (Foto: Reprodução) Militarização da cidade O prefeito Eduardo Paes (DEM-RJ) encaminhou a proposta de armar a Guarda Municipal do Rio com o argumento de que “os agentes da GM atuam mais na proteção de praças e jardins”, mas sabe-se que um dos principais objetivos é reprimir os trabalhadores informais que trabalham nas ruas. Hoje, mesmo sem armamento, a Guarda Municipal agride, humilha e trata com violência esses trabalhadores e a população de rua. São inúmeros os casos de camelôs que têm suas mercadorias apreendidas pela Guarda ilegalmente. No final da tarde, André Constantine foi liberado graças à ação dos movimentos sociais e de uma imensa rede de ativistas e advogados que se mobilizaram por sua liberdade. Print Friendly, PDF & Email ShareShare Share this on WhatsApp classic-editor-remember: block-editor Deixe uma resposta O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com * Comentário Nome * E-mail * Site

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

STF libera privatizações de estatais

 


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Trabalhador da Casa da Moeda

No último dia 05 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu legalidade às intenções do Governo Bolsonaro para privatizar sete empresas estatais: Casa da Moeda, Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Dataprev, Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), Empresa Gestora de Ativos (Emgea) e o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S/A (Ceitec).

Esta movimentação faz parte da estratégia do ministro da Economia Paulo Guedes, representante oficial dos banqueiros no Governo, para acabar com o serviço público, tudo amparado pela Lei do Programa Nacional de Desestatização (PND). Agora basta um simples decreto presidencial para incluir qualquer empresa estatal no PND.

Segundo nota do Sindicato Nacional dos Moedeiros (entidade que representa os trabalhadores da Casa da Moeda), “o posicionamento da maioria dos ministros pode desencadear uma avalanche de privatizações de empresas estatais, que foram criadas por lei específica e necessitariam de outra lei específica para decretar o seu fim. A sinalização do STF é um perigo para a soberania do país”.

A Casa da Moeda foi incluída oficialmente no PND em outubro de 2019, após a publicação do Decreto 10054/19, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ainda segundo o Sindicato, “a Casa da Moeda vem sendo sucateada desde 2016, com a gestão do Governo Temer, que foi o primeiro a anunciar o interesse em privatizar a empresa. Ainda em 2016, o presidente apresentou a MP745/16, que se converteu na Lei 13.146/17 e passou a prever a quebra do monopólio da Casa da Moeda na fabricação de moedas e papel moeda”.

Os ataques à Casa da Moeda continuaram no Governo Bolsonaro, que apresentou a MP 902/19 – que previa o fim da exclusividade da Casa na produção de papel moeda, passaportes e selos postais e fiscais –, prontamente rejeitada após a mobilização do Sindicato e dos moedeiros em defesa da soberania da empresa.

Redação

A Verdade


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Forças Armadas e Bolsonaro são obstáculos à vacinação do povo

 


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FORA BOLSONARO – Maioria dos brasileiros são contra Bolsonaro e a favor da vacinação (Foto: Reprodução/Rafaela Felicciano)

Bolsonaro e Forças Armadas derrubaram dois médicos do Ministério da Saúde para colocar um general que comprasse cloroquina, boicotasse a vacinação e usasse seu suposto conhecimento de logística para privatizar o SUS.
Redação Nacional
Jornal A Verdade

RECIFE (PE) – Mais de 60 países já estão vacinando suas populações contra a Covid-19. Mesmo países menos desenvolvidos como o Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e Seicheles já iniciaram a vacinação até de crianças.

Mas nosso país, o Brasil, não tem insumos para fabricar a vacina contra a Covid-19 porque Bolsonaro e seus filhos vivem atacando a China e planejaram, com Donald Trump, o bilionário golpista dos EUA, proibir a Huawei de implantar a rede 5G no Brasil. Esse governo militar do ex-capitão, em vez de investir no Instituto Butantã e na Fiocruz para desenvolverem tecnologia e produzirem a vacina, preferiu usar bilhões dos cofres públicos para fabricar no laboratório do Exército milhões de comprimidos de cloroquina.  No total, o Brasil gastou R$ 250 milhões em cloroquina, um remédio eficiente para a malária, mas totalmente ineficaz para a Covid-19.

Em consequência, os quartéis do Exército estão  abarrotados de cloroquina, mas nenhum posto de saúde ou hospital do SUS tem vacina. Pior: centenas de pessoas estão morrendo nos hospitais superlotados por falta de oxigênio nos estados do Amazonas e Pará, faltam leitos para internar brasileiros com coronavírus em vários outros hospitais e, segundo os médicos, se continuar crescendo a taxa de contaminação no país faltarão também respiradores.

Conclusão: as Forças Armadas e Bolsonaro são os maiores obstáculos à vacinação do povo brasileiro. Para esconder essa realidade e continuar mentindo para o povo, o governo Bolsonaro declarou que os militares e as Forças Armadas são obstáculos ao socialismo e são quem decide se o Brasil vive numa democracia ou ditadura. Duas mentiras que não se sustentam em pé. As Forças Armadas sempre quiseram implantar uma ditadura militar no Brasil e sempre defenderam a ditadura da burguesia sobre os trabalhadores. Foram mais de sete golpes militares que realizaram no Brasil, e, em todas as vezes, foram derrotados pelo povo brasileiro, comandado por heróis como Manoel Lisboa, Carlos Lamarca, Carlos Marighella, Olga Benario, Sônia Angel, entre outros.

As Forças Armadas também planejaram com os EUA derrubar o governo da Venezuela, mas hoje, o que vemos? O governo de Nicolas Maduro, na  Venezuela, salvando vidas no Amazonas, enviando caminhões com cilindros de oxigênio, enquanto Bolsonaro manda a ABIN ficar defendendo seu filho envolvido no escândalo das rachadinhas.

Essas mesmas Forças Armadas também derrubaram dois médicos do Ministério da Saúde para colocar um general que comprasse cloroquina, boicotasse a vacinação e usasse seu suposto conhecimento de logística para privatizar o SUS.

O fato é que o povo brasileiro é o verdadeiro obstáculo à ditadura militar e à destruição do Brasil que Bolsonaro e sua família estão realizando. Fora Bolsonaro! Impeachment já! Pelo poder popular!

 

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

No coração da Amazônia, a cidade de Manaus não consegue atender as vítimas do coronavírus

 


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Os mais de 2 milhões de habitantes da cidade de Manaus, no norte do Brasil, vivem um verdadeiro clima de terror frente aos efeitos do coronavírus na população; faltam oxigênio e leitos em quase todo sistema de saúde.

 

Manaus já havia sido uma das regiões brasileiras mais castigadas pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus no primeiro semestre de 2020. Mas agora, frente ao crescimento do que parece ser uma segunda onda do vírus, sem que os efeitos da primeira onda fossem abrandados, a região parece viver um colapso do sistema de saúde que não dá mais conta de atender a crescente quantidade de infectados.

Localizada no norte do Brasil, no meio da floresta Amazônica e no encontro entre os  rios Negro e Amazonas, Manaus é uma das grandes cidades periféricas do país. São mais de 2 milhões de habitantes que vivem do polo industrial da zona franca, do setor de serviços e de atividades extrativas e de agricultura. Apesar dos altos índices de pobreza entre a população, Manaus é uma das municipalidades que mais responde pela produção nacional de riquezas, sendo o 6° maior PIB do país (2018) e o terceiro município com maior produção industrial, atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Toda essa riqueza não serviu, no entanto, para defender o povo manauara dos efeitos da pandemia. Se no primeiro semestre de 2020 a cidade de Manaus foi uma das mais afetadas, sendo o poder público obrigado a abrir covas comuns nos cemitérios como única forma de poder enterrar os mortos, agora em 2021 o serviço público de saúde entrou em colapso. Já os ricos da região, políticos e donos de empresas, seguem sendo tratados em hospitais caríssimos do sudeste do país e transportados de avião frente à primeira necessidade.

Segundo Jesem Orellana, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Amazonas, o oxigênio acabou e os hospitais se transformaram em verdadeiras câmaras de asfixia para os doentes. “Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, devem ficar com sequelas cerebrais permanentes”, declarou. Durante toda a semana, profissionais de saúde atuando na linha de frente dos hospitais denunciaram a situação através de vídeos e mensagens nas redes sociais.

 

O governo Bolsonaro virou as costas para o povo de Manaus

   

    Muita coisa pode ser dita sobre a situação atual em Manaus, o que não se pode dizer, no entanto, é que os governos foram surpreendidos com o crescimento da transmissão do vírus e da gravidade dos doentes. Dois fatores se conjugaram para formar o desastre atual: um governo regional fraco (governador Wilson Miranda, do Partido Social Cristão – PSC) e incapaz de tomar medidas para proteger a população; e um governo federal fascista (Bolsonaro), que através de seus deputados e apoiadores trabalharam para boicotar as medidas sanitárias e viraram as costas para o povo de Manaus no momento de maior gravidade.

Já no mês de dezembro, era evidente o aumento exponencial da quantidade de infectados e o colapso do sistema de saúde era iminente. O governo do Estado chegou a anunciar medidas de distanciamento social mais restritivas, mas essas foram sistematicamente boicotadas com apoio dos deputados federais fascistas da base de apoio de Bolsonaro, como seu filho, Eduardo Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, que mobilizaram comerciantes e empresários e comemoram a abertura do comércio, pressionando o governador e propagando notícias falsas.

O Ministério da Saúde, por outro lado, nada fez como preparação para o aumento dos casos na região. Não mobilizou estoques de equipamentos, oxigênio, profissionais de saúde ou leitos, apenas continuou fazendo propaganda do medicamento hidroxicloroquina como a salvação para todos os males da Covid19. Registra-se que o governo comprou e mantém em estoque, parte desse já próximo a data de vencimento, milhões de caixas deste medicamento comprovadamente ineficaz para a maioria dos pacientes com sintomas graves causados pelo novo coronavírus.

O descaso é de tamanha proporção que pode ser classificado como crime contra a população de Manaus, sendo o governo de Bolsonaro diretamente responsável pelas mortes e, também, pelas milhares de vítimas que sofrerão as sequelas da contaminação pelo vírus nos próximos anos. Trata-se, também, de um grande ataque contra os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente no município, especialmente as enfermeiras, técnicas e pessoal de atendimento que está sendo obrigado a jornadas de trabalho desumanas, a trabalhar sem recursos mínimos e sofrendo uma enorme exposição à carga viral que coloca a vida de todos eles em risco, cotidianamente.

A verdade é que o governo fascista de Jair Bolsonaro tem verdadeiro desprezo pelo povo da região amazônica, a grande maioria de origem indígena e cabocla. Bolsonaro só consegue ver a região sob a ótica dos seus amigos milionários e generais militares que frequentam o território, ou seja, a Amazônia é para eles apenas fonte de extração de superlucros e matéria-prima, dinheiro que será gasto em festa de luxo e compras milionárias em São Paulo ou em Miami.

Já são dois anos de governo sem nenhum projeto de desenvolvimento sustentável para a região, de geração de emprego e renda através da preservação da floresta e dos rios e de investimento em saúde, educação e moradia para a sofrida população da região metropolitana de Manaus.

É irônico que bem no meio da floresta amazônica, região que é conhecida como o pulmão do mundo pela capacidade de geração de oxigênio e de absorção do gás carbônico da atmosfera, reduzindo o aquecimento global, os doentes estão morrendo exatamente pela falta de oxigênio para respirar. A abundância de recursos pode rapidamente se transformar em carência, se o objetivo é o lucro e não a vida das pessoas.

Sandino Patriota, São Paulo

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