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sábado, 7 de abril de 2018

Prisão de Lula visa a aprofundar golpe contra trabalhadores



A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) vem a público convocar a resistência popular em defesa da democracia violada e para impedir a ilegal e injusta prisão do ex-presidente Lula. É preciso resistir porque esta prisão sem provas e decida por um STF chantageado e pressionado pelas Forças Armadas (as mesmas que, em 1964, impuseram ao nosso país uma ditadura militar fascista) representa um aprofundamento do golpe contra os trabalhadores e a soberania nacional.
Consideramos que o único caminho a seguir é o da luta popular, sem depositar nenhuma ilusão com as atuais instituições e sabendo que tanto o Congresso Nacional quanto STF e as Forças Armadas não merecem nenhuma confiança, pois são, em essência, defensores da “ordem” a favor da grande burguesia, do imperialismo e da exploração da classe trabalhadora.
Por isso, nossa resistência deve ocupar as ruas e exigir imediatamente a prisão de Temer e de sua quadrilha a serviço dos banqueiros e dos monopólios estrangeiros e nacionais. Acreditamos que a única maneira de barrar esse golpe é através da formação de uma grande Frente Popular contra o avanço do fascismo e pela convocação e realização imediata de uma grande Greve Geral pela revogação da reforma trabalhista e de todas as medidas antipopulares aprovadas por Temer.
Por fim, convocamos toda a militância da UP e os movimentos a ela ligados para ocuparmos as ruas em defesa das liberdades democráticas, contra o fascismo e pelo fim do golpe contra os direitos do povo brasileiro.
Nossa resistência agora é fundamental para barrar os golpistas, abrindo caminho para o fortalecimento da Unidade Popular e da luta pelo poder popular e pelo socialismo.
Executiva Nacional da UP, 6 de abril de 2018
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Cadastrar, revisar e levar aos cartórios as fichas da UP



Cadastrar, revisar e levar aos cartórios as fichas da UP

A Unidade Popular (UP) chega a 2018 ultrapassando a barreira das 500 mil assinaturas de apoio coletadas em todo o país e com a importante soma de 200 mil fichas no Sistema no TSE na internet.
Mais do que nunca, agora é fundamental distribuir corretamente nossas forças para dar conta das várias tarefas e não deixar nenhum militante ocioso ou jogar muito peso numa determinada direção e subestimar outras.
Já está bastante claro para todos que entre as tarefas ligadas diretamente à campanha da UP (fora questões políticas, de finanças, de agitação, etc.) estão as de coletar as assinaturas, cadastrar as fichas no Sistema do TSE na internet e depois levá-las aos cartórios.
Porém, ainda estamos deixando em segundo plano uma das mais importantes etapas deste processo: a revisão e o envio dos lotes de apoiamentos.
Isso exige tempo e dedicação de um grupo destacado de militantes e é uma etapa que não pode esperar ou ser queimada. Se não a fizermos, não podemos entregar as fichas nos cartórios. E se não a fizermos bem, estaremos anulando várias assinaturas coletadas com muito esforço porque o Sistema identifica imediatamente erros como zona eleitoral incorreta, eleitor filiado, títulos cancelados. Sem falar que, uma vez nas mãos dos funcionários dos cartórios, cada ficha será analisada e novos erros podem ser apontados, como eleitores cadastrados com títulos de outras pessoas.
Agrupar as fichas cadastradas por zona e por ordem alfabética; comparar as fichas com a lista gerada pelo Sistema; observar com atenção o que está escrito nas fichas e fazer as devidas correções; etc.; não são tarefas simples e exigem organização, olhar cuidadoso e tempo. Ou seja: nossos coordenadores estaduais e militantes com mais domínio do Sistema devem assumir esta tarefa e é preciso considerá-la no planejamento da campanha, pois ela requer tempo, pessoas e infraestrutura (computadores, impressoras, tinta, papel, etc.). Só assim, vamos, de fato, cumprir integralmente nossas metas e reduzir os percentuais de perdas de fichas no Sistema, que ainda giram em torno de 30%.
Não podemos deixar o trabalho pela metade! Não podemos cair na ilusão de que basta cadastrar as fichas e daí nosso problema estará resolvido!
Coletar as assinaturas, cadastrar milhares delas no Sistema e não enviar os lotes aos cartórios significa impor à UP uma derrota, pois o Tribunal Superior Eleitoral vai considerar nosso pedido de registro baseado exclusivamente na quantidade de apoiamentos aptos no Sistema, e não nas fichas que tivermos guardadas em nossas sedes e casas ou mesmo nas fichas cadastradas no Sistema, mas que não forem entregues em cada cartório.
Vale lembrar ainda que, em outubro deste ano, haverá eleições no Brasil e que os cartórios terão uma demanda muito maior de trabalho até lá. Assim, é indispensável que nossos coordenadores, ao se dirigirem aos cartórios para protocolar as fichas, conversem com as chefias de cada zona e estabeleçam relações entre a UP e os funcionários, de modo a ganhar a simpatia destes trabalhadores, servidores públicos, para o nosso projeto.
Chegou a hora decisiva de aprimorar nosso trabalho e de jogar todas as nossas forças para a legalização da UP! Unidade Popular, um partido para lutar!
Rafael Freire, dirigente da UP na Paraíba
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Esperança dentro do trem


Esperança dentro do trem

Andar de trem ressalta muitos sentimentos. Lembro-me ainda de quando era criança e pegava o trem com minha mãe e meus irmãos. Tudo acontecia dentro do trem.
Como criança, queríamos, sempre, tudo o que passava vendendo. Não entendíamos sobre o valor das coisas e, sobretudo, os doces que passavam vendendo, aos nossos olhos, eram maravilhosos. E realmente eram…
Sem delongas, olhávamos um para o outro, querendo tudo o que passava. Nossa mamãe, destituída de quase tudo, olhava para nós, e pelo seu olhar sabíamos que não era possível comprar. Tinha dias que era possível comprar algo, mas, na maioria das vezes, nada podíamos comprar.
O balanço do trem me dizia muita coisa. É esse vaivém que nos remete às turbulências da vida. E, de vez em quando, à calmaria depois das grandes tempestades.
Eu, particularmente, gostava de ir contando todas as estações. Uma forma mágica de me esquecer dos doces e ficar no mundo de cada bairro que, vagarosamente, ia passando.
Gosto do mundo da lua desde sempre, na maioria das vezes, de um mundo revisitado apenas por aqueles que gostam de pensar, pensar, pensar…
Um dia desses, já adulta, dentro do trem, percebi que um menino chorava muito e fazia pirraça, pois queria comprar um livro de mágica. Logo, remeti à minha infância e lembrei que naquela época não se vendiam livros de mágica. Ainda bem, porque não sei qual seria a minha atitude se vendesse um desses. O menino continuava num berreiro só e a mãe, não sei por que, cochichava ao pé do ouvido desse garoto que, talvez pela pequena idade, não compreendia que não era possível ter um livro lindo daqueles.
Fiquei observando aquela cena e tive que me manter em silêncio e logo tomar uma atitude, uma vez em que sempre estou no ímpeto de vagarosos lampejos de memórias. Fazer o bem é sempre uma experiência sem pormenores.
Ontem, eis que estou dentro do trem mais uma vez, e me deparo com um grupo de jovens, todos para mim desconhecidos, mas quando se luta pela causa torna-se de imediato um rosto conhecido. Esses jovens abriram a boca como quem tem fome de mudança e de justiça e começaram a discursar sobre o caos em que vive o nosso país. Um discurso bem arrojado porque sabem o que querem dizer.
Levantavam inúmeras bandeiras, por compreenderem que falavam em nome das juventudes que foram, que são e que ainda estão por vir: causa de mudança, quando nós adultos, muitas das vezes não temos muito em que ou em quem acreditar.
Essa lateralidade de tempos verbais, muito me encanta; quando se pensa unilateralmente pouco se ganha, mas quando se pensa universalmente, a luta é grande, traz fadiga, porém nunca esmorece. São incansáveis!
Em meio ao caos, à baderna, tudo se refaz, pelas mãos e pela sabedoria dos que não têm medo e que acreditam no que fazem. Falavam sobre várias situações limites vividas por tantos brasileiros, desde a reforma agrária e urbana, reforma política e social até a erradicação da fome, do extermínio do povo negro e pobre.
São jovens, e pulsa dentro deles a esperança, assim como na minha infância, quando não sabia o significado dessa palavra, mas que enquanto jovem ressoou inúmeras vezes dentro de mim, que sonhava um dia não mais comprar todos os doces dentro do trem, mas comprar aquele doce que me trouxesse esperança de um amanhecer melhor, mais justo, mais fraterno para todos. De um dia poder comprar o doce, seja qual fosse, para as minhas filhas.
E hoje, ao andar novamente pelo trem, fico a observar os vendedores ambulantes proibidos, que caminham de vagão em vagão, lutando pelo pão de cada dia e sabe lá mais o que. Isso não importa. Mera casualidade de um efeito que há de vir.
E se me perguntarem se hoje posso comprar os doces para as minhas filhas, não tem resposta. Simplesmente deixo para você pensar que dentro do trem acontece tanta coisa, inúmeros afetos e desafetos, que prefiro contemplar e dizer que nunca devemos permitir que calem os nossos desejos, os nossos sonhos, as nossas vozes.
Não pestanejei: tirei uma foto com eles e, de repente, de desconhecidos passaram a ser conhecidos. Juventude: minha causa, minha dedicação, minha missão, onde está o meu coração.
Suzete Trindade é usuária de trem no Rio de Janeiro e encontrou uma equipe da Unidade Popular pelo Socialismo no seu vagão recolhendo assinaturas para a legalização do partido
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