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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

1936/39 , brasileiros na guerra civil da Espanha

brasileiros que lutaram na guerra civil da Espanha


Um importante depoimento de nossa participação


“Excluído do Exército brasileiro por ter participado do movimento de 35, a condenação de oito anos de prisão, o encontrou no exílio, em Buenos Aires, de malas prontas para a Espanha, como voluntário das famosas Brigadas Internacionais. Sua participação na grande luta desamparada do povo espanhol contra o nazi-fascismo foi destada e intensa. Quando da vitória de Hitler e Mussoluni, ele comandava uma brigada, a ‘Lincoln’, que se compunha de 5 mil homens de 30 nacionalidades. Internado na França com milhares de ex-combatentes republicanos espanhóis, José Gay da Cunha, mal curado dos ferimentos recebidos em ação e exausto da travessia dos Pirineus, feita a pé, sobre a neve, foi nomeado delegado de 20 mil companheiros recolhidos ao campo de Gurs, junto às autoridades francesas. Este livro, escrito em estilo tocante pela objetividade, fere diretamente as questões cruciais do drama espanhol…” (trecho do texto de apresentação do livro editado pela Globo,1946)
* José Gay da Cunha nasceu em Porto Alege em 1910.
* Este é um exemplar raro, mas que com alguma sorte, lá pelas tantas, é possível encontrar em um sebo, livraria de usados.







Dezesseis brasileiros (dois civis e 14 militares) lutaram na Guerra Civil Espanhola (1936/1939). São eles os militares: Alberto Bomílcar Besouchet, Apolonio de Carvalho, Carlos da Costa Leite, David Capistrano da Costa, Delcy Silveira, Dinarco Reis, Eneas Jorge de Andrade, Hermenegildo de Assis Brasil, Homero de Castro Jobim, Joaquim Silveira dos Santos, José Gay da Cunha, José Correa de Sá, Nelson de Souza lves, Nemo Canabarro Lucas: e os civis: Roberto Morena e Eny Silveira

Morte de legalista no fronte de Córdoba em 5 de setembro de 1936 em foto de Robert Capa.
                                 Fonte: pontodevista

OTAN atira urânio empobrecido sobre populações enquanto faz provocações

Urânio empobrecido destrói o futuro genético de afegãos
31/01/2012 08:24
A munição radioativa produzida nos Estados Unidos usaram no Afeganistão afetar negativamente a saúde das pessoas e mutilar o futuro genético do país.
Dr. Mohammad Daud Miraki, autor do Afeganistão Depois de Democracia: A História Não Contada através de imagens fotográficas , nesta segunda-feira em Cabul, capital do Afeganistão, os EUA cometeram crimes horríveis contra o povo afegão TV Press, relatórios.
Miraki de acordo, EUA urânio empobrecido usado no Afeganistão, que faz com que os afegãos bebês nascidos com deformidades graves, danos genéticos, defeitos de nascimento, câncer, diabetes, danos no sistema imunológico e outros problemas endêmicos e saúde.
Miraki chamado de "genocídio" o uso desta substância no país asiático, e acrescentou que isso dá uma idéia da gravidade da vida sob ocupação dos EUA.
Em seu livro, testemunhas viram pessoas morrem de forma estranha e também mencionou o caso de várias aves no elenco árvores.
Miraki disse que o governo dos EUA continua a usar, desde o final de 2001, uma enorme quantidade de armas de urânio empobrecido no Afeganistão.
De acordo com o Miraki livro, a guerra dos EUA no Afeganistão, que começou em 2001, sob o pretexto de estabelecer a democracia é uma "mentira". Ele também acusa o governo de Washington de trair o povo afegão. sg / nl / msf

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Chefes de clãs e tribos da Síria apoiam a defesa do país

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Escrito por Camila Carduz
lunes, 30 de enero de 2012
Imagen activa30 de enero de 2012, 08:42Damasco, 30 jan (Prensa Latina) Os chefes de clãs e tribos da Síria reunidos em assembleia hoje em Raqqa, no norte do país, ratificaram que, junto ao povo, enfrentarão o que qualificaram de conspiração estrangeira e expressaram apoio ao governo.

Em declarações à televisão, o xeique Saleh Al-Nuemi, principal organizador desse fórum, afirmou que estas comunidades, que no geral habitam zonas rurais particularmente no norte do país, estão conscientes da necessidade de defender a unidade nacional.

Esta assembleia de sábios e figuras respeitáveis em Raqqa, capital da província homônima, não é a primeira de seu tipo, pois já foi realizada uma similar em Daraa em março de 2011.

Al-Nuemi indicou que os clãs nesse momento jogaram um papel reconciliador em acalmar a situação nessa cidade como sempre fizeram no passado.

O diretor de Assuntos e Cultos Islâmicos de Raqqa, xeique Abdullah Saleh, advertiu que com a campanha antisíria está sendo atacada toda a nação árabe e islâmica. Qualificou de sem precedente a fustigação midiática baseada em mentiras e falsidades, ofensiva - denunciou - na qual alguns canais que dizem ser religiosos inclusive utilizam e manipulam "fatwas" (decretos islâmicos) nos quais chamam ao derramamento de sangue sírio.

Citada pela agência de notícias SANA, a escritora Najah Ibrahim assegurou que este país nunca conheceu divisão, racismo ou sectarismo ao longo de sua história, e chamou os intelectuais a enfrentar a crise imposta ao país desde o exterior.

Meios sírios difundem hoje que a Conferência de Partidos Árabes que se desenvolveu no fim de semana passado em Amman, Jordânia, condenou à Liga Árabe por se "colocar ao lado dos inimigos da Nação para atacar a Síria e ignorar a realidade apresentada pelo relatório da missão observadora".

"Vemos as resoluções da Liga Árabe como um alento aos grupos armados terroristas que perpetram crimes na Síria contra a população civil e destroem a infraestrutura", sublinhou em uma declaração a Secretaria Geral da Conferência.

Com essa negativa postura, a Liga Árabe é cúmplice do derramamento de sangue e destruição, e serve aos centros de interesses que querem internacionalizar a crise, denunciou o fórum.

rmh/mh/cc

sábado, 28 de janeiro de 2012

Emir Sader fala de $ , mídia e seus "heróis"....

O mundo do dinheiro e seus heróis



Até um certo momento os ricos ou escondiam sua riqueza ou tratavam de passar despercebidos, como se não ficasse bem exibir riqueza em sociedades pobres e desiguais. Ou até também para escapar da Receita.

De repente, o mundo neoliberal - esse em que tudo vale pelo preço que tem, em que tudo tem preço, em que tudo se vende, tudo se compra – passou a exibir a riqueza como atestado de competência. Nos EUA se deixou de falar de pobres, para falar de “fracassados”. Numa sociedade que se jacta de dar oportunidade para todos, numa “sociedade livre, aberta”, quem nao deu certo economicamente, é por incompetência ou por preguiça.

Ser rico é ter dado certo, é demonstrar capacidade para resolver problemas, ter criatividade, se dar bem na vida, etc., etc. Até um certo momento as biografias que se publicavam eram de grandes personagens da historia universal – governantes, lideres populares, gênios musicais, detentores de grandes saberes. A partir do neoliberalismo as biografias de maior sucesso passaram as ser as dos milhardários, que supostamente ensinam o caminho das pedras para os até ali menos afortunados.

Todos dizem que nasceram pobres, subiram na vida graças à tenacidade, à criatividade, ao trabalho duro, ao espirito de sacrifício. Tiveram tropeços, mas nao desistiram, leram algum guru de auto-ajuda que os fez aumentarem sua auto estima, acreditarem mais em si mesmos, recomeçarem do zero, até chegarem ao sucesso indiscutível.

Seus livros se transformam em best-sellers, vendem rapidamente – até que vários deles caem em desgraça, porque flagrados em algum escândalo -, eles viajam o mundo dando entrevistas e vendendo seu saber que, se fosse seguido por seus leitores, produziria um mundo de ricos e de pessoas realizadas e felizes como eles.

Quem vai publicar um livro de um “fracassado”? Só mesmo se fosse para que as pessoas soubessem quais os caminhos errados, aqueles que nao deveriam seguir, se querem ser ricos, bonitos e felizes. O mundo do trabalho, da fábrica, do sindicato, dos movimentos de bairro, das comunidades – mundo marginal e marginalizado.

Programas de televisão exaltam os ricos, os bem sucedidos, as mulheres que exibem sua elegância, sua falta de pudor de gastar milhões na Daslu e nas viagens a Nova York e a Paris. Ninguém quer ver gente feia, pobre, desamparada, que só frequenta os noticiários policiais e de calamidades naturais. As telenovelas tem como cenários os luxuosos apartamentos da zona sul do Rio e dos jardins de Sáo Paulo, com belas mulheres e homens que não trabalham, no máximo administram empresas de sucesso. Os pobres giram em torno deles – empregadas domésticas, entregadores de pizza, donos de botecos -, sempre como coadjuvantes do mundo dos ricos, que propõem o tipo de vida que as pessoas deveriam ter, se quiserem ser ricos, bonitos, felizes.

Esse mundo fictício esconde os verdadeiros mecanismos que geram a riqueza e a pobreza, os meios sociais – os bancos por um lado, as fábricas por outro – em que se geram a riqueza e a fortuna, a especulação e a expropriação do trabalho alheio. Em que estão os vilões e os heróis das nossas sociedades.

Obama: Um populismo perigoso

Nota dos Editores

 


Os Editores

27.Jan.12 :: Editores


O discurso de Obama sobre o Estado da União foi uma peça oratória populista e farisaica, semeada de promessas e ameaças.
Os grandes media dos EUA coincidiram na conclusão de que o Presidente aproveitou a data para dar início à sua campanha para a reeleição. Dirigiu-se sobretudo a dezenas de milhões de compatriotas que perderam as suas casas e empregos e se mostram desiludidos com a política que desenvolveu na Casa Branca. Recorrendo à sua brilhante retórica, retomou compromissos não concretizados, atribuindo ao Congresso e a circunstâncias imprevistas o seu incumprimento.
Garantiu que insistirá no combate à desigualdade numa sociedade em que os milionários pagam menos impostos que os assalariados. Omitiu que nada fez para impor «sacrifícios» aos ricos e que o Congresso os favoreceu durante o seu mandato. Voltou a acenar com a perspectiva de milhões de empregos, como consequência da recuperação económica, consciente de que mentia porque a crise persiste e a taxa de crescimento caiu. A decisão de aumentar a produção interna de petróleo e gás foi anunciada como iniciativa progressista, quando na realidade essa possibilidade é transitória e terá um efeito devastador na degradação do ambiente.
No tocante à política externa, o discurso foi triunfalista e ameaçador. Ao contrário das promessas eleitorais anteriores, a sua acção representa não apenas a continuidade mas em certos aspectos até o agravamento das políticas imperiais de Bush. O Presidente reafirmou que os EUA, sob a sua direcção, manterão a actual estratégia de dominação planetária. Não se limitou a justificar as guerras de agressão imperiais. Ao declarar enfaticamente que relativamente ao Irão «todas as opções estão sobre a mesa» ficou clara a disposição em atacar aquele país se não se submeter às exigências de Washington.
É significativo que na véspera um exército de 12000 homens tenha desembarcado na Líbia para controlar áreas petrolíferas, em iniciativa unilateral, enquanto um comando de tropas de elite empreendia uma «acção especial» na Somália contra uma guerrilha local.
Os factos confirmam que os EUA praticam hoje rotineiramente o terrorismo de estado como componente da sua estratégia imperial.
Com total aprovação do presidente Barack Obama.
Não surpreende que os órgãos de comunicação social portugueses ditos de «referência» tenham derramado elogios sobre o seu perigoso discurso.
OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

1945:Soviéticos libertam Auschwitz. Viva todos os povos e Stálin!

A 27 de Janeiro de 1945

Soviéticos libertaram «Fábrica da Morte»
Em Auschwitz chegou-se a aniquilar 6 mil seres humanos por dia



Assinala-se amanhã 67 anos sobre a libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho, o mais conhecido dos campos de extermínio construídos pelos nazis. Horrorizados com o cenário que encontraram, os soviéticos denominaram o complexo de «Fábrica da Morte».






A libertação de Auschwitz pelos soviéticos vindos da frente ucraniana ocorreu na tarde do dia 27 de Janeiro de 1945. Sete a oito mil prisioneiros permaneciam no campo, os últimos de um total de pelo menos um milhão e trezentos mil que, entre 1940 e 1945, ali foram assassinados. Escassos foram os que sobreviveram às câmaras de gás, aos fornos crematórios, ao trabalho escravo, às torturas, ao arbítrio sádico dos biltres, à inanição, ao frio, às doenças, às experiências macrabas nas quais seres humanos eram usados como cobaias.



Sendo o maior entre uma extensa rede de campos espalhados pela Europa, Auschwitz era um complexo de três campos.


No início da campanha militar destinada a impor uma nova ordem mundial que perdurasse mil anos, as autoridades do III Reich mandaram construir Auschwitz I com o objectivo de encarcerar opositores políticos. Os primeiros ocupantes, em Maio de 1940, foram alemães e polacos transferidos dos campos de concentração de Sachsenhausen, na Alemanha, e de Lodz, na Polónia.



Judeus, militantes comunistas, sindicalistas e antifascistas, democratas e intelectuais, homossexuais, ciganos, deficientes, testemunhas de Jeová, doentes psiquiátricos e indivíduos com comportamentos que fugissem ao ideal-tipo do homem ariano, eram todos inimigos do regime criminoso liderado por Adolf Hitler. Dachau, Sachenhausen ou Buchenwald foram dos primeiros campos construídos pela canalha nazi.



No início de 1942, começou a funcionar Auschwitz II (Auschwitz-Birkenau), uma ampliação do primeiro campo. Em Outubro de 1942 entrou em funcionamento o Auschwitz III, que mais tarde seria renomeado de Monowitz. Este último campo era vocacionado para a exploração extrema da mão-de-obra escrava.



«Solução final»





Estrategicamente colocado no centro da Europa, Aschwitz-Birkenau foi o campo que mais prisioneiros exterminou, sobretudo judeus (quase um milhão num total de 2,7 milhões de semitas mortos em todos os campos de extermínio, e num total de seis milhões liquidados pelos nazis).



O assassínio nas câmaras de gás foi instituído no final de 1941. Os testes com Zyklon-B, usado para combater pragas, foram efectuados com sucesso em soviéticos e polacos. A partir de então, em Auschwitz-Birkenau e noutros campos semelhantes, aquele era o principal instrumento de extermínio.



Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, os líderes nazis discutiram em detalhe a «Operação Reinhardt» ou «solução final» da questão judaica, como diziam. Adolf Eichmann administrou o holocausto organizado com minúcia. Reinhardt Heydrich respondia pela coordenação geral.



A Auschwitz-Birkenau chegava uma linha de comboio cuja circulação era ininterrupta. Vagões apinhados descarregavam vítimas a toda a hora e de todos os pontos da Europa ocupada e das ramificações nazis nos regimes vassalos e aliados. Na Croácia fascista funcionava um outro campo de extermínio, em Jasenovac.



Entre a chegada a Auschwitz-Birkenau e a entrada nas câmaras de gás, após selecção dos aptos e inaptos para o trabalho escravo, podiam passar apenas duas horas.



A «Fábrica da Morte» chegou a aniquilar seis mil seres humanos por dia. Quando os fornos crematórios não carbonizavam os milhares de cadáveres com celeridade, os corpos eram empilhados e queimados ao ar livre.


Horror multiplicado





Nos últimos meses de 1944, face ao imparável avanço do Exército Vermelho, os nazis mandaram destruir as câmaras de gás e crematórios de Auschwitz-Birkenau. A ocultação das provas dos crimes cometidos não conheceu limites, e em Janeiro de 1945 tudo servia para matar prisioneiros.



A 17 desse mesmo mês foi dada ordem de evacuação dos três campos de Auschwitz. Mais de 60 mil prisioneiros foram obrigados a marchar dia e noite. Milhares sucumbiram pelo caminho ou foram abatidos. Noutros campos de concentração, trabalho e extermínio evacuados antes da chegada das tropas aliadas, centenas de milhares de prisioneiros foram igualmente obrigados a percorrer quilómetros nas famosas «Marchas da Morte».



Para além de Auschwitz-Birkenau, a Alemanha nazi instalou outros seis campos dedicados quase exclusivamente ou definitivamente ao genocídio. Em Chelmo, Maly Trostenets, Majdanek, Treblinka, Bełżec ou Sobibór executou-se milhões de inimigos do III Reich.






Experiências cruéis e bizarras







Tal como noutros campos de concentração e extermínio, também em Auschwitz-Birkenau o poder nazi ordenou experiências cruéis e bizarras em seres humanos. No Bloco 10 do campo, Joseph Mengele, responsável pela triagem dos prisioneiros enviados para extermínio ou para trabalho escravo, ficou conhecido como o «anjo da morte».



Usando seres humanos como cobaias, Mengele testou a esterilização em mulheres, injectou substâncias para mudar a cor dos olhos a crianças e bebés, amputou e feriu para apurar métodos de estancamento de hemorragias, coleccionou milhares de órgãos após cirurgias violentas e vivissecações, uniu gémeos para tentar criar siameses, injectou substâncias várias para «tratar» o nanismo, o síndroma de Down ou a homosexualidade.



Nos campos de Dachau, Sachsenhausen e Buchenwald, homens eram mergulhados em tanques de água para testar os efeitos da hipotermia ou sujeitos a compressão e descompressão, agonizando enquanto os carrascos tiravam notas. Eram infectados com tifo, peste, lepra, cólera, ou sujeitos a inalação de produtos tóxicos.



As práticas não eram marginais ou iniciativa de um punhado de sádicos, mas financiadas e acompanhadas com interesse e fascínio pelos máximos responsáveis do III Reich. Foram publicados artigos e criados institutos. As ossadas de judeus, ciganos, mestiços ou deficientes eram enviadas para Berlim para demonstração da superioridade da raça ariana. Empresas sustentáculo do poder nazi, como a IG Farben (Bayer), compravam seres humanos para os usar nos laboratórios.





Grande capital lucrou








No complexo de Auschwitz, o campo de Monowitz funcionava fundamentalmente como pólo de trabalho forçado. Deutsche- Ausrüstungs-Werk – DAW (empresa de armamento das SS), IG Farben-Bayer (que era também a fornecedora do gás Ziklon-B) ou Krupp foram algumas das empresas que ali instalaram unidades alimentadas pela mão-de-obra escrava. A abundância colmatava a exclusão semanal dos inaptos e doentes, imediatamente sentenciados à morte. A esperança média de vida dos prisioneiros sujeitos a jornadas brutais em condições inumanas rondava os três meses.



Em Auschwitz-Birkenau foram fundados quase 40 subcampos onde milhares de pessoas produziam produtos agrícolas e industriais; eram enviados para a extracção de carvão ou pedra. Em Dachau, que administrava mais de 30 outros grandes campos de trabalho, em Buchenwald, que administrava mais de 80 estruturas, ou em Sachsenhausen, donde eram geridos 60 campos de trabalho espalhados por toda a Alemanha, a consigna era igualmente fazer lucrar o capital à custa da escravatura.



Nos latifúndios germânicos e nas casas dos senhores do III Reich e militantes nazis, milhares de eslavos foram explorados até à exaustão. Quando morriam, compravam-se outros escravos.





Cúmplices na impunidade







Derrotada a besta, muitos dos criminosos foram capturados, julgados e sentenciados. Muitos mais furtaram-se à justiça. Não poucos escaparam porque, aniquilado o imperialismo alemão, o alvo voltava a ser a URSS.



Contra o primeiro Estado de operários e camponeses, a reacção mundial havia atiçado as hordas nazi-fascistas, que foram derrotadas e empurradas até ao seu covil, em Berlim, pelos heróicos soviéticos que sabiam estar a defender a pátria de todo o proletariado.



Logo após a capitulação do regime hitleriano, os EUA, através da «Operação Paperclip», empenharam-se na caça dos especialistas nazis, particularmente os envolvidos na máquina militar e de inteligência.



O responsável pelo programa de foguetes da Alemanha hitleriana e membro do Partido Nazi, Wernher von Braun, é um dos quase dois mil cientistas e técnicos resgatados. A posterior carreira de sucesso de von Braun no programa espacial norte-americano não é caso isolado.



No rol de colaboradores das fugas de criminosos nazis, destaca-se ainda a neutral Suíça, a Argentina e o Vaticano do papa Pio XII (que enquanto cardeal obrigou os bispos católicos alemães a jurar fidelidade a Hitler).



Através de um complexo processo de recriação de identidades e emissão de passaportes, centenas de nazis deram o salto para as pampas sul-americanas do fascista Juan Perón, e daí para outros territórios da América Latina. Joseph Mengele, o «anjo da morte de Auschwitz» foi um deles.






Revoltas e resistência







Em Auschwitz, à semelhança do que acontecia noutros campos de concentração e de extermínio, funcionavam orquestras compostas por prisioneiros, cuja finalidade era não deixar entediar os algozes e pacificar as multidões que chegavam nos comboios com terminal na morte ou os prisioneiros enviados em cacho para o trabalho escravo.



Mas face ao horror nazi, não havia pacificação possível, e apesar da brutal repressão e da morte certa, e não raras vezes, eclodiram revoltas nos campos.



Em Auschwitz centenas de prisioneiros ter-se-ão rebelado em 1944. Mataram guardas e fizeram explodir um dos edifícios onde funcionavam as câmaras de gás e os fornos crematórios, usando granadas trazidas de uma fábrica de armamento onde trabalhavam.



Calcula-se que cerca de 700 prisioneiros tenham tentado fugir de Auschwitz. Menos de metade terão tido êxito.



Um dos casos de resistência e revolta passou-se no campo de Buchenwald e chegou até nós escrito por Bruno Apitz, comunista alemão que transpôs no romance «Nu entre Lobos», editado recentemente pela Avante!, a experiência vivida por si e por muitos dos seus camaradas.



Em Buchenwald foi assassinado Ernst Thaelmann, presidente do Partido Comunista Alemão, revolucionário tenaz que os nazis nunca conseguiram quebrar durante os 11 anos passados nos cárceres do III Reich, a exemplo de milhares de outros que resistiram à barbárie nas condições mais extremas e perante os maiores obstáculos, conservando a centelha de vida e esperança donde germina o futuro.




Tarrafal






Identificando-se com os métodos, partilhando a ideologia e servindo os mesmos interesses de classe do regime nazi, a ditadura fascista de Salazar criou o Campo de Concentração do Tarrafal. A 29 de Outubro de 1936 chegaram ao «Campo da Morte Lenta», inspirado nos congéneres nazis, os primeiros 152 de um total de 340 antifascistas que ao longo dos anos para lá foram deportados (comunistas, sobretudo).

No total, os presos do Tarrafal cumpriram mais de dois mil anos de pena, a maioria sem ter comparecido a qualquer julgamento.



Tal como nos campos nazis, também no Tarrafal quem chegava vinha «para morrer», como dizia o seu director, Manuel dos Reis. 32 morreram mesmo, sucumbindo aos maus-tratos, aos trabalhos forçados, à biliosa, entre os quais o secretário-geral do PCP, Bento Golçalves.






O Mafarrico Vermelho


Três nações e o mesmo problema: a Vale do Rio Doce

 


Três nações e o mesmo problema: a ValeVersão para impressãoEnviar por E-mail
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Consumo e meio natural
Quinta, 05 Janeiro 2012 02:59
040112_Vale-3Brasil de Fato - [Márcio Zonta] Moçambicanos, brasileiros e canadenses se reúnem para discutir impactos.

Enquanto os impactos da mineradora Vale espalham-se, trabalhadores canadenses, moçambicanos e brasileiros reúnem-se para enfrentar as ações predatórias da transnacional nos três países.
A comitiva que contava com cerca de 30 pessoas, entre sindicalistas, membros de movimentos sociais e políticos das três nações iniciaram as reuniões em Guararema, interior de São Paulo, na Escola Nacional Florestan Fernandes, partindo na seqüência, para São Luis com desfecho no interior do Maranhão.
"Num primeiro momento foi mais de reunião, de análise de conjuntura entre os movimentos presentes", relata o moçambicano Fabião Bernardo Manançia, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção Civil, Madeira e Minas de Moçambique –SINTICIM, que participou do encontro realizado entre os dias 22 de novembro a 2 de dezembro.
Na capital Maranhense, visitaram o complexo do Porto de Itaqui, onde é escoado para outros países o minério de Carajás, com navios capacitados para carregar até 400 mil toneladas do produto, aproximadamente três vezes mais que as 160 mil carregadas pelas embarcações comuns.
No entanto, com investimentos de 2,35 bilhões de dólares numa frota de 19 dos maiores cargueiros do mundo feito pela mineradora visando o mercado asiático, sobretudo a China, vem sofrendo um boicote da Associação de Proprietários de Navios da China – COSCO (China Ocean Shipping Company), estatal que é uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo.
"A Vale está tentando controlar o mercado de frete, assim como fez com o preço do minério de ferro", disse à revista Bloomberg o vice-presidente da COSCO, Zhang Shouguo, em entrevista concedia em agosto.
Acostumada a burlar as regras ambientais, principalmente no Brasil, na China, outro entrave que pode afogar os grandes investimentos feito na frota naval pela empresa é o fato de no país asiático em nenhum porto seja possível receber navios com mais de 300 mil toneladas.
Espanto
De São Luis, os membros do encontro tripartite: Moçambique, Canadá, Brasil embarcaram no trem de passageiros que faz o trajeto da Estrada de Ferro de Carajás tendo como destino a cidade de Açailândia, no sul maranhense.
Um dos municípios mais emblemáticos da cadeia de produção do aço, onde as comunidades são impactadas por diversas formas. "Açailândia condensa em uma só área vários tipos de situações que comprometem o bem estar da população: mineração, desflorestamento, monocultura de eucalipto, poluição provocada pelas siderúrgicas e carvoarias, trabalho escravo, miséria, desnutrição e exploração sexual infantil", relata o padre Dário Bosi, um dos coordenadores da Rede Justiça nos Trilhos.
Cenário que levou muitos visitantes ao espanto. "Realmente estou muito preocupado, assombrado, e com medo de que isso possa acontecer em Moçambique", disse Manançia depois visitar o assentamento Califórnia, cercado por uma carvoaria e vasta plantação de eucalipto, e o bairro do Piquiá, onde cerca de 300 famílias sofrem com a poluição da água, do solo e ar provocados pelas cinco siderúrgicas instaladas no inicio da década de 1980.
O espanto do moçambicano não é exagero. Uma equipe formada pelo Centro de Referências em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Maranhão, e do Núcleo de Estudos em Medicina Tropical da Pré-Amazônia, realizou um estudo no bairro abrangendo 55% dos domicílios. Segundo o relatório das equipes, o estado geral dos entrevistados era de regular para bom em 86,6% e com sinais de precariedade em 13,4%, ou seja, indivíduos que manifestavam falta de ar, estavam acamados ou eram possuidores de alguma doença degenerativa (diabetes, hipertensão arterial, doença de Parkinson ou doença cardiovascular).
Chama-se a atenção que 63,3% afirmou ter tido alguma doença anteriormente e 41,1% têm alguma destas doenças atualmente. Quanto a manifestações orgânicas "as queixas recaíram sobre os pulmões e a pele", revela o estudo. Ainda foi constatado que as manifestações ligadas ao aparelho respiratório (tosse, falta de ar e chiado no peito) foram queixas encontradas em todas as faixas etárias, inclusive com boa intensidade em menores de 9 anos de idade, além da cefaléia, encontrada em 61,2% dos moradores, que segundo a equipe médica "é um sintoma não comum em crianças dessa idade".
As manifestações de alergia, acometendo as vias aéreas superiores e olhos (coriza e lacrimejamento) foram encontrados em 61,2% dos pacientes.
A visita se estendeu até o município vizinho de Bom Jesus das Selvas, onde, segundo o último censo realizado, 2010, mais de 50% da população vive com menos de setenta reais por mês. Assim numa cidade com aproximadamente 23 mil habitantes chegaram de uma hora para outra mais 3 mil homens para trabalhar na duplicação dos trilhos. O resultado os membros do encontro puderam escutar das comunidades, "em Bom Jesus das Selvas, está havendo um surto de gravidez entre as adolescentes, e a exploração sexual de menores está à vista de todo mundo. Basta andar de noite pelas festas e poderão ver os funcionários da Odebrecht saindo com essas meninas", revela um assistente social da cidade que prefere não revelar seu nome.
Na opinião de Maria Aparecida Silva, que coordena um grupo de jovens na comunidade, isso realmente acontece, pois "aqui a vulnerabilidade social devido à pobreza é muito grande, essas crianças, adolescentes saem com esse homens, funcionários da Odebrecht, em troca de quase nada, apenas roupas novas, sandálias, ou alguns trocados" observa.
Minas
Minas Gerais, onde a mineradora completa 70 anos de exploração no próximo ano continua sendo o principal pólo mineral do Brasil, com cerca de 65% de extração de minério no país.
Não diferente das cidades maranhenses, os municípios mineiros impactados pela mineração, também sofrem com as investidas da empresa. "Em Mariana, a Vale está em processo de abertura da mina 'Delrey', dentro da cidade, toda a população é contra, pois vão destruir a cidade", denuncia Efraim Gomes de Moura, assessor político do Sindicato Metabase Itabira e do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sindsepmi).
Outro projeto da mineradora pode afetar o abastecimento da capital, Belo Horizonte, "a Vale pretende explorar a extração de minério na Serra da Gandarela, que é rica em fauna e flora e abastece hoje parte da água de BH", diz Moura.
Moura lembra que no centro da cidade de Itabira, que teve a primeira mina aberta pela Vale em 1942, as pessoas sofrem com a poeira, abastecimento de água e se tornou uma cidade mono industrial, pois a escassez da água impossibilita outra atividade que não seja a mineração.
O sindicalista relata ainda que na cidade de Congonhas, na comunidade do Pires, devido à escassez de água "precisa ser abastecida todo dia com um caminhão enchendo as caixas das casas e entregando garrafas de água mineral, além da comunidade estar as margens da BR 040 que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte, onde o tráfego nesse perímetro tem muitas carretas carregadas de minério atropelando muito pessoas, são constantes as mortes de crianças, idosos, mulheres e homens".
Os três países
Moçambicanos, canadenses e brasileiros reconhecem que os impactos nas comunidades são os mesmos, no entanto, os estágios da mineração ganham contornos diferentes nas três nações.
"No Canadá a mineração é algo que já está consolidado", diz a sindicalista Judith Marchall. Por isso as relações com a Vale no país são um pouco diferentes, "Não sei se a Vale faria com tanta facilidade assim, suas obras de expansão da mineração no Canadá, como faz hoje no Brasil, sem levar em conta as condicionais ambientais e sociais. Ela até faz suas obras, mas o governo canadense é mais rígido, sobretudo, com questões ambientais, ainda que haja bastante remoções de comunidades também", explica o canadense Lorraine Michael.
A Vale lançou um plano de investimento no inicio de 2011, que poderá ultrapassar dez milhões de dólares em cinco anos para elevar em cem mil toneladas anuais sua produção de cobre em solo canadense.
No Brasil, o programa de Carajás se intensifica na região norte e nordeste com a duplicação da Estrada de ferro de Carajás, possibilitando nos próximos anos com a abertura da nova mina S11D, na fl oresta Nacional de Carajás no sul paraense, o escoamento de 220 milhões de toneladas de minério por ano. Estima-se um investimento de R$ 19,9 bilhões. Em Minas Gerais, no mais recente projeto da empresa para expandir a mineração no município de Congonhas, estaria desembolsando 12 milhões de dólares, o que poderia sumir com a Serra dos Mascates, tombada por ser patrimônio histórico. "Grande parte desses recursos são públicos, advindos do PAC e BNDES", lembra Moura.
Entretanto, Moçambique é hoje, entre os três países, o território mais cobiçado pela Vale. Recentemente a mineradora adquiriu 51% das ações da Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Norte S.A – SDCN. Uma extensão ferroviária de 912 quilômetros entre o interior de Moçambique e o porto de Nascala, no mesmo país.
A aquisição é estratégica na visão do sindicalista moçambicano Manançia, "pois possibilita a empresa uma alternativa de transporte para enviar a produção do cobre para outros mercados pelo oceano, assim como também vai aproveitar para transportar outras cargas do eixo Zâmbia-Malauí-Moçambique". O corredor logístico de Nascala receberá investimentos de 4,444 bilhões de dólares.
Segundo o sindicalista, o distrito moçambicano de Tete será um dos mais impactados, "hoje a mineração lá é em pequena escala, mas o projeto que foi finalizado recentemente pela Vale, de carvão greenfi eld passa a escoar de 6 para onze milhões de toneladas, com perspectiva de duplicação de 22 milhões de toneladas", relata Manançia.
Embora a Vale propague seus investimentos monstruosos como forma de progresso em Moçambique, Manançia alerta, "já estamos sofrendo os problemas desse processo de expansão dos projetos da mineradora em nosso país, pois as pessoas estão sendo tiradas de suas terras boas para plantio e próxima às cidades para territórios distantes", conclui.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Prédio desaba no Rio e ha vítimas.

Prédio desaba parcialmente na Rua 13 de Maio no centro do Rio


25/01/2012 - 21h23
Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Um prédio de 18 andares na Rua 13 de Maio, esquina de Avenida Rio Branco, no centro da capital fluminense, desabou parcialmente esta noite. De acordo com os bombeiros do Quartel Central, houve uma explosão seguida do desabamento parcial do prédio perto da Cinelândia, área considerada histórica do centro do Rio. No seu entorno ficam o Theatro Municipal, o Quartel Central da Polícia Militar e a Câmara Municipal do Rio.
Equipes da Defesa Civil Municipal, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar estão trabalhando no isolamento da área e na procura de possíveis vítimas. Vários carros que estavam estacionados na Rua 13 de Maio ficaram cobertos de poeira, devido aos escombros. Os bombeiros confirmaram também que há um forte cheiro de gás na região.
No saguão do prédio funcionava uma agência do Banco Itaú e uma padaria. Nas proximidades também ficam o tradicional Bar Amarelinho, que reúne políticos, artistas e jornalistas há décadas.
A Defesa Civil municipal confirmou há pouco que há feridos, mas não soube precisar a gravidade das vítimas.
Edição: Aécio Amado

Irão: O que está por detrás do embargo Europeu




      Anna Malm*
25.Jan.12 :: Outros autores

Os caminhos da agressão à Síria passam através do Líbano. Os caminhos que estrategicamente agridem o Irão passam através da Síria. Os caminhos que agridem ou afectam estrategicamente a Rússia e a China passam através da Síria e do Irão.


Não são só as vastas reservas de energia e recursos naturais do Irão que atiçam a cobiça dos dirigentes dos países economicamente impotentes da União Europeia assim como do líder deles todos, os Estados Unidos. Sabemos que foi sempre essa cobiça, de mãos dadas com a debilidade económica, que esteve por detrás das guerras ilegais dos últimos vinte anos, a mais recente das quais a da Líbia.
Agora temos que os caminhos que levam a Moscovo e a Pequim passam por Teerão, capitais localizadas respectivamente na Rússia, China e Irão. O que se tem passado em relação às atitudes agressivas ocidentais dos últimos anos em relação à Síria e ao Irão insere-se também num quadro de considerações políticas geo-estratégicas mais amplas. [1]
No estudo apresentado em [1] considera-se que os caminhos que levam a Moscovo e a Pequim passam por Teerão do mesmo modo que os caminhos que levam à Teerão passam por Damasco na Síria, Bagdad no Iraque e Beirute no Líbano.
Destaca-se que os Estados Unidos querem controlar o Irão por razões políticas e económicas bem como para satisfazer as suas próprias necessidades de energia. E querem também poder controlar a forma de pagamento das exportações do petróleo do país. Querem que o pagamento das exportações de petróleo do Irão seja feito em dólares.
E isso para que o uso global e permanente do dólar nas transações internacionais seja mantido e não posto em causa, como tem sido nos últimos tempos. Deve lembrar-se que o uso do dólar como moeda de pagamento internacional é uma das duas pernas em que o controlo americano sobre o mundo se sustenta, apesar de tudo. Digo apesar de tudo porque o dólar não tem valor nenhum por si mesmo. Poderia e deveria ser trocado por sistemas de pagamento mais condizentes com a realidade de 2012 e não condizentes com a realidade de 1945, como é o caso. A outra perna em que se sustenta o poder americano sobre o mundo é a força militar.
Controlando o Irão através de um regime de fantoches posto no poder através de uma guerra dirigida pelos Estados Unidos e executada pelos seus aliados (como foi o caso na Líbia e como estão ameaçando fazer na Síria) Washington também estaria a pôr uma corda no pescoço da China.
Essa corda iria ser apertada ou afrouxada de acordo com os interesses norte americanos, dando-lhes o controle da segurança energética da China. Se a China não se comportasse de acordo com os interesses americanos lá estariam eles a asfixiá-la através do estrangulamento do fornecimento do petróleo. Estrangulamento esse que seria garantido pelos fantoches estabelecidos no Irão à custa do sangue de muitos milhares e milhares de inocentes no Irão e no Oriente Médio, assim como à custa de uma desestabilização económica no mundo inteiro, se não de uma catástrofe global.
É um facto do conhecimento geral que a ameaça de guerra aberta hoje visível é uma continuação dos acontecimentos desencadeados por acções encobertas há já uns anos. Essas acções encobertas incluem serviços de informação específica, ataques e vírus cibernéticos, grupos militares secretos, espiões, assassinos, agentes de provocação e sabotadores agindo contra o Irão em favor dos interesses ocidentais.
O sequestro e assassínio de cientistas iranianos e de comandantes militares é do conhecimento público. Sabe-se de diplomatas iranianos sequestrados no Iraque e de iranianos visitando a Arábia Saudita e a Turquia que foram detidos e sequestrados. Sabe-se de oficiais sírios, assim como de vários palestinos e representantes do Hezbollah que também foram assassinados. Destaque-se que foram assassinados e não detidos e colocados perante um tribunal de justiça.
Pressupõe-se que Israel tenha atacado o Líbano não só para exterminar ou pelo menos enfraquecer o Hezbollah, mas também para atingir estrategicamente a Síria. Como já foi dito anteriormente, os caminhos que agridem a Síria passam através do Líbano. Os caminhos que estrategicamente atingem o Irão passam através da Síria. Os caminhos que agridem ou afectam estrategicamente a Rússia e a China passam através da Síria e do Irão.
A Síria é o apoio e o eixo do bloco da resistência contra os abusos ocidentais na região. Essa resistência é apoiada pelo Irão. Há já cinco ou seis anos que os Estados Unidos, acompanhados pelos seus “irmãos de armas” locais tentam desligar a Síria do Irão. Essa tentativa vinha sido feita através de esforços para seduzir a Síria. Uma vez que a Síria não se deixou seduzir pelas ofertas ocidentais, as tentativas de sedução transformaram-se em ameaças e em preparativos para a guerra.
Combater a Síria é combater o Irão. Esse é um ponto central a ser tido em conta no contexto actual. A balança do poder e da influência política hoje na região pende a favor do Irão, mas nada enfraqueceria mais o Irão do que a perda da Síria.
Há aqui cenários potencialmente devastadores. Iria o Irã manter-se passivo frente a um ataque à Síria, ataque esse liderado pelos interesses ocidentais? Podemos pressupor que não. Os Estados Unidos não desejam que esse potencial cenário se concretize. O que eles querem é atacar a Síria e depois atacar o Irão, não atacar os dois juntos. Seria demasiado até mesmo para os EUA-UE-OTAN. Isto já para não se mencionar a cadeia de acontecimentos imprevisíveis que uma tal acção desencadearia.
A marcha para uma guerra total e devastadora prossegue enquanto os Estados Unidos intensificam a guerra política e económica, da qual a decisão de embargo da União Europeia é apenas um passo mais. É uma marcha fúnebre dirigida por loucos falidos e letalmente armados.
REFERÊNCIAS E NOTAS:
[1] Mahdi Darius Nazemroaya é sociólogo e autor consagrado especializado em questões do Oriente Médio e da Ásia Central. Tendo estudado e analisado extensamente a situação actual, argumentou no sentido núcleo das ideias que aqui retransmitimos. Originalmente o núcleo sequencial de ideias e conclusões aqui apresentadas foi publicado em “News”- “Obama´s Secret Letter to Tehran: Is the war against Iran on hold?”, em www.strategic-culture.org - Strategic Culture Foundation, Moscovo.
*De Estocolmo para o Irã News, em www.iranews.com.br

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sol: Erupção e tempestades geomagnéticas hoje.

O que se passa no espaço
Fotos metálica do sol pelo renomado fotógrafo Greg Piepol reunir o melhor da arte e da ciência. Comprar uma ou um conjunto todo. Eles fazem um presente estelar.
Fotos metálica do Sol
IMPACTO CME: Como esperado, o campo magnético da Terra um hit CME sobre 24 de janeiro a aproximadamente 1500 UT (10:00 EST). Tempestades geomagnéticas são prováveis ​​nas próximas horas. Se está escuro onde você mora, vá lá fora e olhar para auroras.
Em Lofoton, Noruega, a chegada do CME é produzido um surto de correntes de terra fora do laboratório de Rob Stammes:
"O CME esperado chegou e apareceu na minha instrumentos às 15h10 UTC - uma onda de choque fantástico seguido por uma tempestade magnética", diz Stammes. "Isso pode ser um dia feliz para muitos observadores aurora." Aurora alertas: texto , voz ..
Janeiro 2012 Aurora Galeria
[ janeiros anteriores: 2010 , 2009 , 2008 , 2007 , 2005 , 2004 ]
QUASE-X FLARE E CME: Em 23 de janeiro em torno de 0.359 UT, grande mancha solar 1402 entrou em erupção, produzindo um surto de longa duração M9-class solar. A explosão do M9-ranking coloca no limiar de ser um flare-X, o tipo mais poderoso. Solar Dynamics Observatory da NASA capturou o flash reflexo ultravioleta extrema:
O Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) e naves espaciais da NASA STEREO-B detectou um CME emergindo rapidamente do local da explosão: filme . Analistas no Laboratório de Clima Espacial Goddard dizem que a ponta de a CME vai chegar à Terra em 24 de janeiro às 14:18 UT (+ / - 7 horas) . Sua faixa previsão animado mostra que Marte está na linha de fogo, também, o CME vai bater o Planeta Vermelho durante a hora tardia de 25 de janeiro.
Este é um relativamente substancial e em rápido movimento (2200 km / s) CME. Espaçonave em geosynchronous, órbitas polares e outros passando pelo anel da Terra atual e regiões auroral poderia ser afetada pela chegada da nuvem. Além disso, as tempestades geomagnéticas fortes são possíveis, assim os observadores de alta latitude céu deve estar alerta para auroras. alertas de tempestade magnética: texto , voz .

domingo, 22 de janeiro de 2012

A História se repete: Exploradores e provocadores de guerras (X) contra povos trabalhadores.

SE OS EUA ATACAREM O IRÃ, A SOBREVIVÊNCIA DO SER HUMANO PODE ESTAR EM PERIGO




Miguel Giribets (especial para ARGENPRESS.info)


A ofensiva mediática: como nós levar a acreditar que um país nós ameaça com bombas atômicas que não tem

Nos últimos anos, não param as declarações de dirigentes ocidentais demonizando o Irã. É o caso de Tony Blair em 2006: “É importante que enviemos um sinal de força” contra um regime que “virou as costas para a diplomacia” e que está “exportando terrorismo” e “desprezando as suas obrigações internacionais” (1); o Departamento de Estado dos EUA afirmava, no mesmo ano: “O Irã é o mais ativo dos estados que apóiam o terrorismo, junto com a Coréia do Norte, Líbia, Sudão, Síria e Cuba”. Robert Gates, secretário de Defesa, disse, em 2008, que “O Irã está determinado a adquirir armas nucleares”. Relembrando as declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em 2011, há poucas semanas, no sentido em que “falta pouco tempo” para que o Irã obtenha armas nucleares.

Também se refere aos planos “expansionistas” iranianos, de mãos dadas com os xiitas do Hezbollah no Líbano e dos xiitas do Iraque e da Síria.

Em 2006, a CNN tergiversou uma declaração do presidente iraniano dizendo que eles estavam desenvolvendo armas nucleares; o Irã respondeu proibindo a entrada dos jornalistas da CNN no país por alguns dias.

Também foram tergiversadas as palavras do presidente iraniano, Ahmadinejad, no sentido de que ele iria varrer Israel do mapa. A frase que ele disse foi: “Nosso querido Imã (referindo-se a Khomeini) disse que o regime de ocupação devia ser varrido do mapa” (2), que o que declarou é que o que deve desaparecer é um regime e não um país.

No Ocidente, a pretendida negação do holocausto, por parte de Ahmadinejad, criou muita controvérsia. A tradução literal das palavras que ele pronunciou foi: “Alguns tem criado um mito sobre o holocausto e o elevam ainda mais alto que a própria fé na religião e nos profetas”. O dicionário da Real Academia diz que mistificar (criar um mito) é “cercar de extraordinária estima certas teorias, pessoas, eventos, etc”. Evidentemente, acusar alguém de criar um mito, não é o mesmo que negar o acontecimento que gera o mito. (2)

Em 2006, o National Post de Toronto (Canadá), publicou que se criariam símbolos para os diferentes grupos da população no Irã, incluindo judeus, da mesma forma como fizeram os nazistas.

Por causa das eleições gerais de 2009, os EUA colocaram em funcionamento o mecanismo do golpe de Estado, embora o resultado da votação fosse o seguinte: Mahmoud Ahmadinejad, 63,3% dos votos (24,5 milhões), Hossein Mousavi, 34,2% (3,2 milhões); comparecimento às urnas de mais de 80%.

Muitas vezes já vimos que, quando a eleição não favorece o imperialismo, nossos “democratas” se esgoelam chamando-as de fraude, de lideranças populistas que enganam o povo, etc. Foi o que aconteceu no Irã em 2009: Mousavi, líder da oposição, convocou manifestações contra a “fraude” eleitoral, provocando um nível de violência (queima de carros e edifícios públicos, confrontos com a polícia...) para justificar o assalto do poder. Sabe-se que uma das fontes de financiamento destes movimentos, além da CIA é claro, era Amir Jahanchahi, o último ministro de Economia do Xá, desde Londres.

“O que é surpreendente na condenação ocidental dos resultados das eleições através de fraude é que não há sequer indícios ou provas como resultado da observação feita antes ou uma semana após a recontagem. Durante toda a campanha, não houve nenhuma acusação crível (ou até mesmo duvidosa) de manipulação de votos”. (3)

Há poucos meses, o regime iraniano foi acusado de uma tentativa de assassinato do embaixador da Arábia Saudita nos EUA. Ali Akbar Javanfekr, porta-voz do presidente iraniano, declarou que “o governo dos EUA está ocupado na fabricação de um novo cenário e, a história tem mostrado, que tanto o governo dos EUA como a CIA, tem muita experiência na fabricação de cenários semelhante... Penso que seu objetivo é atingir o público norteamericano. Querem distrair as mentes do público dos graves problemas internos que enfrentam e atemorizá-lo com problemas fabricados fora do país” (4). “O ex-agente da CIA, Robert Baer, geralmente consultado pela mídia dos EUA, ridiculariza, no Time Magazine, o grotesco cenário da “conspiração iraniana”. Como pode a administração de Obama querer nos fazer crer que uma tropa de elite como a Força Al-quods poderia colocar uma operação sigilosa nas mãos de um vendedor de carros usados e de uma organização criminosa mexicana? Tudo isso é mais bem parecido com as mentiras em que os Mujahedeen e-Khalq se especializaram e nas que Washington costuma embarcar alegremente”. (5)

Destaque-se como se brinca com a linguagem segundo os interesse do momento. “Quando, há alguns anos, a construção de usinas nucleares era objeto de enfrentamento entre os governos europeus e as organizações ambientais, a mídia cunhou o termo “nuclear” no lugar de “atômica” com o objetivo de que o público não associasse esse tipo de energia com a bomba atômica, de tão infame lembrança. Agora, quando se trata do Irã, volta a se usar o termo banido de “atômico”. (2)


Os países ocidentais realizam ações terroristas no Irá

Os atentados e ações terroristas no Irã, vem ocorrendo sem interrupção ano após ano.
De 2006 podemos destacar um sequestro de oito soldados pela “Organização de Soldados de Deus para os Mujahideen sunitas”, dependente da CIA; a morte de oito pessoas em um atentado com bomba que era dirigido ao presidente do país, organizado por 17 oficiais britânicos e 140 árabes iranianos separatistas (a presença britânica no Iraque é uma excelente base de operações no Irã), o que faz com que os mortos na região se elevem para 18 em poucos meses; 21 civis morrem metralhados em uma estrada; mais 12 civis morrem em circunstâncias semelhantes.

Em 2007 aconteceu o seqüestro do segundo secretário da embaixada do Irã no Iraque por agentes dos EUA; a morte de oito Guardas da Revolução em um atentado perto da fronteira com o Paquistão; enfrentamentos armados no noroeste; tiros dados contra o consulado iraniano em Basra (Iraque) pelas tropas britânicas, que cercaram o prédio e abriram fogo; violação do espaço aéreo iraniano por dois aviões dos EUA em Khuzestão (região petrolífera ao sudoeste do país); 15 soldados britânicos foram presos por ações de espionagem em águas iranianas; liberação de um diplomata seqüestrado dois meses antes que afirma ter sido torturado pela CIA (seus pés foram perfurados com furadeira e apresenta fraturas no nariz e pescoço, além de lesões importantes nas costas, hemorragia nos órgãos digestivos e machucados nas orelhas).

Do ano de 2008 podemos ressaltar que nove pessoas são mortas em atentado a bomba em uma mesquita da cidade de Shiraz. Em 2010, 33 mortos em atentados suicidas com bombas em Zahedan, no SE, na fronteira com o Paquistão; outros 20 mortos em Mahabad, na maioria mulheres e crianças; vem a público a noticia de que o ex-vice ministro do Interior, Ali Reza Asgari, morreu em uma prisão israelense (fora sequestrado em 2007).

Em 2011 houve a derrubada de um avião espião não-tripulado dos EUA próximo às instalações nucleares de Fordo; 15 pessoas foram mortas na explosão de um depósito de munições em Teerã.


O assassinato de cientistas iranianos é política oficial dos EUA e Israel

“Não me lembro de outro momento na história em que o assassinato de cientistas tivesse se tornado política oficial de um grupo de potências equipadas com armas nucleares”, disse Fidel Castro há alguns meses. Mas é mesmo: os EUA e Israel estão assassinando os cientistas envolvidos no programa nuclear iraniano.

Em 2010, morre o professor de física da Universidade de Teerã, Masoud Ali Mohammadi, em atentado a bomba colocada em sua motocicleta. Poucas semanas depois, é revelado que o cientista Shahram Amiri fugiu depois de uma viagem a Meca, ajudado pela CIA. Dois meses depois, Shahram Amiri reaparece aparece dizendo que escapou de seus captores da CIA na Virgínia, diz que lhe ofereceram 50 milhões de dólares para desertar para os EUA e mentir sobre o programa nuclear iraniano. Acontece que ele não é um cientista nuclear e não sabe nada sobre as pesquisas sobre energia nuclear em seu país. Esclarece que agentes israelenses participaram dos interrogatórios.

Em setembro de 2010, o Irã confirmou que um total de 30.000 computadores do setor industrial foram infectados com o vírus conhecido como Stuxnet. Este ataque cibernético afeta seriamente o desenvolvimento da pesquisa nuclear, pois quase 20% das centrífugas nucleares do Irã ficam imprestáveis. Testes prévios com este vírus já tinham sido feitos nas instalações nucleares israelense de Dimona.

Em novembro de 2010, o cientista nuclear iraniano Majid Shahriari morreu e o cientista Fereydun Abbasi ficou ferido em Teerã após atentados a bomba colocadas em seus carros. Ambos eram professores na Universidade de Teerã. O Mossad reconheceu a autoria dos ataques.

Em julho de 2011, o cientista Darioush Rezaie morre a tiros. Os terroristas também atiraram em sua esposa. Ele não estava ligado ao programa nuclear do país. O governo culpa os Estados Unidos e Israel pelo assassinato.

A cereja do bolo de toda essa trama foi colocada pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), quando, recentemente, divulgou os nomes de uma grande quantidade de cientistas iranianos relacionados com a pesquisa nuclear. O governo diz que agora são alvo fácil para os terroristas israelenses e norteamericanos.


Um governo pró EUA em Teerã é absolutamente necessário para manter a hegemonia imperialista

O Irã produz 5,2% do petróleo mundial, é o quarto maior produtor do mundo. Sua receita do petróleo são cerca de 35 bilhões de euros (dados de 2005).

A reserva de petróleo iraniano é a segunda maior do mundo: 11,1% das reservas conhecidas assim com o gás natural iraniano que representa 15,3% das reservas mundiais.

Uma parte importante da indústria do petróleo ainda está em mãos privadas. A intenção do governo de Ahmadinejad é nacionalizá-la, “colocar os últimos elos da cadeia da nacionalização da indústria petrolífera”, segundo manifestou recentemente, pois “a maior parte das receitas de petróleo do país ainda vão para os bolsos estrangeiros”. Segundo com o chefe de Estado iraniano, apenas um terço das receitas do petróleo permanece no Irã, enquanto o restante “vão parar nos bolsos daqueles que saquearam os recursos petrolíferos do país”. (6)

O Irã se estende desde a região do Mar Cáspio, ao norte, até o Golfo Pérsico e o estreito de Hormuz, no sul. São áreas com um alto valor estratégico. O Mar Cáspio é um dos maiores produtores de petróleo e gás; um Irã dominado pelos EUA facilitaria o trânsito dessas matérias primas para o Japão e Europa. Pelo estreito de Hormuz passam, por dia, 40% do petróleo mundial. “Se estabelecer o controle sobre o Irã, Washington teria também o controle militar da costa oriental do Golfo e da costa sul do Mar Cáspio, das suas reservas de petróleo e gás, consideradas ambas como as segundas em importância no mundo. Os EUA já tem o controle militar de parte da bacia do Cáspio e do corredor que permite a comunicação dessa região com o Oceano Índico (Afeganistão e Paquistão). A maior parte do Golfo (Arábia Saudita e Iraque) também já está sob controle militar dos EUA. Ao final desta operação, Washington seria senhor e mestre das mais importantes áreas de exploração de hidrocarbonetos e das principais reservas ainda por explorar”. (7)

As relações comerciais com a Rússia são muito importantes e destaca o papel russo no desenvolvimento do programa nuclear civil. Com a China mantém-se o acordo de compra de gás iraniano por 25 anos, assim como o apoio no desenvolvimento do campo de gás de Yadavaran; 13,6% do petróleo importado pela China é iraniano, o que representa 25% das exportações de petróleo do Irã. Também existem grandes acordos comerciais com a Índia e Japão.

Outra das dores de cabeça dos EUA é que, em 2010, o Irã e o Paquistão firmaram um acordo para a construção de um gasoduto. A parte iraniana já estava pronta em 2011. “Mais preocupante para os EUA é que o gasoduto possa se estender para a Índia. O tratado de 2008 dos EUA com a Índia, apoiando seu programa nuclear, pretende evitar que este país se ligue a este gasoduto” (8). Não só isso: o gasoduto poderia chegar à China a partir do próprio Paquistão.

Está claro que os EUA precisam controlar o Irã como condição sine qua non para manter a hegemonia imperialista no mundo e, especialmente, a supremacia sobre a China.


O Irã e o dólar

O Irã quer fazer as suas vendas de petróleo em moedas que não seja o dólar. Embora a quantidade de dólares que circulam pelo mundo já não reflete qualquer riqueza real – pois os EUA botaram para funcionar “a máquina de imprimir dinheiro” sempre que necessitaram nos últimos 40 anos – a maioria das transações econômicas no comércio mundial são feitas em dólares; esta é a única “força” que resta para essa moeda. Se em algum momento o dólar deixasse de ser a moeda de referência para o comércio internacional, a economia mundial entraria em colapso. E não está em perigo só o dólar como moeda, mas também uma série de operações especulativas; quase as totalidades das bolsas de futuros de petróleo têm a sua sede em Nova York e Londres, e ambas as praças trabalham em dólar. Nestas bolsas ocorrem aumentos do preço do petróleo para beneficiar um punhado de especuladores.

O Irã aceita euros em suas vendas de petróleo desde 2003. Esta é uma das principais causas da crise EUA-Irã. Lembramos que Sadam Hussein quis fazer o mesmo com o petróleo do Iraque em 2000 e depois aconteceu o que aconteceu.

Desde 2008 o Irã está deixando de vender petróleo em dólares e passou a negociar em euros e yuans. Digamos que, por outro lado, esta medida permitiu-lhe ganhar, em um ano, sete bilhões de dólares. Desde 2006, o Irã está transferindo suas reservas em divisas de bancos europeus para bancos asiáticos.


O Irã não tem nem fabrica armas nucleares

Embora a propaganda ocidental tenta esconder, o Irã é talvez o país que mais tem sido controlado pela supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). E mais, “em 2003, uma proposta razoável para esse fim foi a de Mohamed El Baradei, diretor da AIEA: que toda a produção de material que pudesse ser destinado a armas permaneceria sob controle internacional, com “mecanismos de controle para que os potenciais usuários possam obter suprimentos”. Esse seria o primeiro passo em sua proposta para implementar completamente a Resolução da ONU em 1993 sobre um Tratado de Redução de Materiais de Fissão (Fissban, em Inglês: Fissile Material Cutoff Treaty).

Até o momento, a proposta de El Baradei foi aceite, como pude entender, por um único Estado: O Irã, que o fez em fevereiro, por meio de Ali Larijani, chefe dos negociadores nucleares de Teerã. A administração Bush rejeita um Fissban verificável e está praticamente sozinha. Em novembro de 2004, o Comitê de Desarmamento da ONU votou a favor de um Fissban verificável. A votação foi de 147 contra um (EUA), com duas abstenções: Israel e Grã-Bretanha. Em 2005, uma nova votação na Assembléia Geral da ONU foi de 179 contra dois, com Israel e Grã-Bretanha novamente se abstendo. Aos Estados Unidos juntou-se Palau. (9)

Três países não assinaram o Tratado de Não Proliferação (TNP): Índia, Paquistão e Israel. Todos os três são potências militares nucleares (o Irã não é); os três conseguiram isso com a ajuda dos EUA, nenhum dos três representa “perigo” algum para a comunidade internacional (o Irã é um perigo). Concretamente, Israel possui entre 200 a 300 armas nucleares e não permite nenhuma inspeção da AIEA; além disso, Israel viola a resolução do Conselho de Segurança de 1991 para que todo o Oriente Médio fosse zona livre de armas nucleares e de destruição em massa.

Há poucos meses, o Irã anunciou que tinha um orçamento de 250 milhões dólares para pesquisas nucleares com fins pacíficos. Por sua vez, os EUA tem 81 bilhões de dólares, não só para pesquisa, mas também para incrementar o seu arsenal nuclear, que atualmente é de 5.000 bombas nucleares.

A forma iraniana de compreender o Islã é contraria as armas nucleares. “O aiatolá Khomeini e seus sucessores condenaram a fabricação, armazenamento e uso de armas nucleares, e até mesmo a ameaça de recorrer a elas, como atos contrários aos valores religiosos da fé islâmica. Segundo eles, o uso de armas de destruição em massa que matam indiscriminadamente civis e militares, partidários e opositores de um governo, é moralmente inaceitável. Tal proibição ganhou força de lei através da promulgação do decreto emitido pelo Guia Supremo da Revolução, o aiatolá Khamenei, em 09 de agosto de 2005. (10)

“Durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988), Saddam Hussein ordenou disparar mísseis não-guiados contra cidades iranianas. O exército iraniano respondeu fazendo o mesmo... Até que a intervenção do Imã Khomeini, que ordenou a suspensão de lançamento de mísseis iranianos, invocando o princípio exposta acima, e proibiu qualquer lançamento indiscriminado de mísseis contra as cidades inimigas. O Irã escolheu sofrer uma guerra de longa duração antes de vencê-la usando armas que matam indiscriminadamente”. (10)

Em 2006, o Irã retomou seu programa de pesquisa nuclear, que havia sido interrompido em 2003 por pressão internacional. O suporte técnico russo é importante, tanto em pessoal como na construção de usinas de energia nuclear como a de Busher, que tem um custo de quase um bilhão de euros. “O projeto nuclear iraniano é baseado em três aspectos principais: construção de reatores nucleares, produção de combustível nuclear e desenvolver através desta forma de energia a medicina, indústria e agricultura. Existem mais de 430 reatores nucleares para produção de energia elétrica no mundo e produzem 16% de eletricidade”. (11)

O enriquecimento de urânio iraniano é feito a 3,5%. Para uso militar é necessário enriquecê-lo a 80-90%; como vemos, os “perigos” de que o Irã esteja construindo a bomba atômica são simplesmente uma grande mentira.

Desde 2006, os norteamericanos têm conseguido várias condenações contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU e medidas de boicote internacional contra esse país, o que tem prejudicado seriamente sua economia (proibição de venda de bens e tecnologia, congelamento de ativos...). O relatório da AIEA que facilitou a condenação pelo Conselho de Segurança da ONU naquele ano contém frases antologia como: “Apesar de a Agência não ter visto qualquer desvio de material nuclear para armas atômicas ou outros artefatos explosivos nucleares, não é possível neste momento concluir que não há material ou atividades nucleares não declaradas no Irã”. (12)

A realidade é que um relatório de 2006 do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, assinala que os EUA não tem nenhuma informação real do programa nuclear iraniano, não há evidências. Outro relatório de 2006 da AIEA ao Conselho de Segurança afirma que não há evidências de que o programa nuclear do Irã tenha como objetivo a fabricação de armas nucleares.O mesmo volta a ser dito em 2008, quando um relatório da NIE (National Intelligence Estimate) dos EUA reconhece que o Irã não tem programa nuclear armamentista algum, pelo menos desde 2003. Em 2010, Ali Asghar Soltanieh, embaixador permanente do Irã na AIEA, relembra que, após oito anos de inspeções, não há evidência alguma de construção de armas atômicas. Um total de 16 agências de inteligência dos EUA (incluindo a CIA) manifestam-se nesse sentido em dois Estudos Nacionais de Inteligência.

Como Mohamed El Baradei, diretor da AIEA, não defendia exatamente as tese dos EUA, as potências ocidentais forçaram sua demissão.

Um relatório dos EUA de 2006, apresentado perante uma comissão parlamentar, continha tantas mentiras que a própria AIEA teve de protestar, e isso não foi bem recebido em Washington. Recentemente, Baradei, livre de compromissos, colocou as cartas na mesa: “Os norteamericanos e os europeus retiveram importantes documentos e informações. Não estavam interessados em compromisso com o governo de Teerã, mas na mudança de regime por quaisquer meios”. (13)

El Baradei foi substituído pelo japonês Amano, um cãozinho fiel do império. Segundo o Wikileaks, através de documentos da embaixada dos EUA em Viena, Amano prometeu lealdade aos Estados Unidos. A partir de 2010-2011 as teses da AIEA estão em perfeita harmonia com os interesses ocidentais.

Primeiro relatório Amano é datado de fevereiro de 2010. Em novembro de 2011, um relatório da AIEA assinala, sem provas conhecidas, que o Irã “tem realizado atividades relacionadas com o desenvolvimento de um artefato nuclear explosivo” com “possíveis dimensões militares”. É um relatório falso: “Especialistas e analistas de todo o mundo têm questionado o relatório, alegando que o mesmo é baseado em informações procedentes de alguns serviços secretos de países nada próximos ao regime de Teerã.

Além disso, algumas fotografias apresentadas são do início desta década, ou se faz referencia a um programa sobre mísseis que o Irã abandonou há anos, ou tenta-se vincular o programa nuclear com um especialista ucraniano que trabalhou no país nos anos noventa. Como essas fontes informam, a maior parte do relatório refere-se a atividades anteriores a 2003, tornando obvio o que a própria inteligência dos EUA reconheceu em 2007, que o programa nuclear iraniano tem “sido pacífico desde 2003” e ocultando intencionalmente a colaboração que o governo iraniano vem mantendo com a agência citada. (14)

Nos Estados Unidos ventila-se que as pesquisas que permitirão que o Irã obtenha armas atômicas são chefiadas por um proeminente cientista russo que, uma vez identificado como Vyacheslav Danilenko, é uma das mentes mais importantes do mundo na produção de... nanodiamantes; nada que tenha a ver com energia nuclear.

E, para completar, em dezembro passado, o Tribunal de Manhattan chegou a sabia conclusão de que o Irã estava por trás dos atentados de 11 de setembro.

O Irã novamente solicitou à AIEA para enviar um grupo de técnicos ao país para inspecionar suas pesquisas nucleares. Não houve resposta. O representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse que, após oito anos de inspeções e centenas de visitas não planejadas, não há sequer uma prova de que o Irã esteja produzindo bombas atômicas. Neste sentido também se manifestou o ex-secretário geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Hans Blix.

É tão difícil saber se o Irã está desenvolvendo armas nucleares? Primeiramente, se o estivesse fazendo, estaria desviando o urânio para esses fins; mas o relatório da AIEA nega, pois os movimentos de urânio deixam um rastro facilmente detectável com contadores Geiger. Depois, há meios técnicos (contadores e medidores de radioatividade) para medir níveis de radioatividade; mas todas as investigações neste sentido revelam que o Irã enriquece urânio para fins pacíficos. E ainda, “temos uma capacidade incrível para encontrar dutos de ventilação desde o ar, desde o espaço, por satélites. Se você está construindo uma instalação subterrânea, tem que ter ventilação. Tem que ter ar limpo. Para eliminar o ar contaminado e trocá-lo por ar fresco... Entretanto nada, nada foi encontrado”. (15)


EUA: armando seus aliados na região até os dentes

As manobras militares ocidentais simulando um ataque ao Irã ainda são comuns. Em 2004, forças dos EUA e britânicas realizaram manobras em Fort Belvoir, na Virgínia; em 2006 as manobras das tropas dos EUA foram diante das costas do Irã; em 2007, mais uma vez ao largo da costa iraniana, com o maior contingente de forças navais jamais utilizadas pelos EUA: vários porta-aviões, 200 aviões de combate e 10 mil soldados; em 2008 foram os israelenses que realizaram manobras no Mediterrâneo; em 2009, novamente os israelenses fizeram exercícios militares em Gibraltar; também em 2009, foram realizados os maiores exercícios militares jamais realizados no mundo, pelos EUA e Israel, com armamento de última geração. Para 2012 estão programadas grandes manobras.

O maior perigo de guerra até agora ocorreu no verão de 2010, quando uma grande frota dos EUA se posicionou no Golfo Pérsico, ao largo da costa iraniana, para monitorar navios que entravam e saiam do Irã, com base em acordos da ONU.

Os EUA estão armando até os dentes os países “amigos” da região. Em 2008, prometeu ao Egito ajuda militar de 13 bilhões de dólares, 30 bilhões a Israel e 20 bilhões para a Arábia Saudita. “Por sua vez, transferências de armas em larga escala têm sido realizadas sob a bandeira dos EUA como “ajuda militar” a países selecionados, incluindo cinco bilhões de dólares em um acordo de armas com a Índia, destinado a melhorar a capacidade da Índia contra a China. (Huge US-India Arms Deal to Contain China, Global Times, 13 de Julho de 2010)”. (16)

Também em 2008, Israel decidiu comprar 25 caças F-35 dos EUA, por 15,2 bilhões de dólares; assim garante a superioridade aérea sobre qualquer outro país do Oriente Médio. Além disso, a Arábia Saudita cedeu um corretor em seu espaço aéreo para que aviões israelenses bombardeiem o Irã. (fonte: The Times).

“Os EUA estão armando os estados do Golfo (Bahrain, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos), com o sistema antimísseis terra-ar Patriot Advanced Capability-3 e o Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), bem como com o míssil padrão interceptador Marc-3 instalados em navios de guerra da classe Aegis no Golfo Pérsico” (16). “Em 11 de novembro [de 2011] o The Wall Street Journal revelou que a Casa Branca fornecerá aos Emirados Árabes Unidos (UAE) “milhares de bombas avançadas “antibunker” e outras munições, como parte de um esforço dos EUA para criar uma coalizão regional para se contrapor ao Irã” (17). Em 2010, foi assinado o maior contrato de venda de armas da História, num montante de 60 bilhões de dólares, os EUA estão vendendo aviões, navios e tecnologia militar à Arábia Saudita.


Rumo à Terceira Guerra Mundial?

Os planos de ataque ao Irã são anteriores ao ataque contra o Iraque; assim o afirmou o analista de inteligência Willian Arkin no Washington Post.

Em agosto de 2010, o Almirante Mile Mullen, chefe da Junta de Chefes de Estado Maior da FFAA dos EUA, assegurou que este plano existia: “Sim, já o temos...atacar o Irã é uma opção importante e está bem compreendida”.

Apenas 24 horas depois no jornal The Washington Times (...), Rowan Scarborough disse: “Os mísseis serão disparados de navios, submarinos e bombardeiros B-2, para eliminar as defesas aéreas e as instalações nucleares. O B-2 jogarão toneladas de bombas, incluindo bombas que penetram instalações subterrâneas em locais fortificados e enterradas onde se suspeita que Teerã esteja enriquecendo urânio para ativar suas armas e onde trabalham nas ogivas” (18). O uso de bombardeiros B-2 não é por acaso, pois são os únicos que podem transportar ogivas nucleares. O The New Yorker deixa claro que os planos dos EUA contemplam um ataque ao Irã com armas nucleares.


A crise econômica do capitalismo está deixando o sistema mais agressivo

Hoje, a política internacional dos Estados Unidos é feita a canhonaços; a “guerra fria”, que dominou o cenário mundial nas últimas décadas, está muito longe. Os EUA somente podem manter manu militari seus interesses econômicos e estratégicos para que o sistema capitalista não afunde e para não perdem a liderança sobre seus concorrentes europeus e asiáticos. Uma das razões para a retirada das tropas no Iraque e no Afeganistão pode ser a necessidade de concentrar tropas para um ataque ao Irã.

A guerra contra o Irã não é um evento isolado, mas há cinco anos faz parte de um plano de guerra para fortalecer a presença americana, especialmente diante da China. “[A campanha] de um plano de cinco anos [inclui]...num total de sete países, começando com o Iraque, em seguida Síria, Líbano, Líbia, Irã, Somália e Sudão” (19). A atual ofensiva do Ocidente, dos países do Golfo e da Turquia contra a Síria tenta deixar o Irã sem aliados no Oriente Médio. Isto significa que depois da Síria, o próximo passo do imperialismo será atacar o Irã.

O exército iraniano tem um milhão de soldados, incluindo a Guarda Revolucionária que é de 500.000; as autoridades iranianas prevêem a mobilização de 20 milhões de reservistas (população total: 71 milhões de habitantes). Não podemos prever o resultado de uma guerra contra o Irã, mas com certeza podemos dizer que os EUA estão diante do exército mais numeroso e melhor armado que jamais enfrentaram.

Os aviões e helicópteros de combate iranianos são semelhantes em desempenho aos norteamericanos F-5E e F-14, além disso, o Irã está adquirindo caças-bombardeiros russos e outros equipamentos militares de última geração. O míssil Shahab-3 pode carregar ogivas nucleares e atingir Israel e bases dos EUA em todo o Oriente Médio. Em recentes manobras militares foram testados mísseis de médio e longo alcance, que podem atingir alvos difíceis de detectar.

A derrubada de um avião espião norteamericano de última geração em dezembro passado, é um sinal de que a tecnologia iraniana não deve nada à dos EUA. O avião não foi abatido com um míssil, mas através do uso de informática: os iranianos controlaram o software do avião espião e o fizeram pousar com segurança. Além disso, essas aeronaves possuem sistema de autodestruição que foi neutralizado pelos iranianos. Lembrando que os iranianos já tinham conseguido interceptar outras vezes até seis aviões de espionagem, sendo alguns israelenses.

Foi repetido diversas vezes nos meios de comunicação ocidentais que os planos de agressão dos EUA contemplam a destruição de 10.000 alvos em poucas horas. Esta lista inclui alvos civis, como indica a revista Military Review (do exército dos EUA) em julho de 2010: “Este tipo de ação militar é semelhante às sanções: provoca danos com a finalidade de mudar condutas, através de meios mais poderosos" (20). As palavras de John Pike, analista militar que dirige a empresa Global Security, no Washington Times em 2010, não deixam duvidas: “Muitos desses lugares têm anexos alojamentos para os trabalhadores. Bombardeam-se as casas, matam-se os trabalhadores e se fará retroceder o programa em, pelo menos, uma geração”. (21)

Os EUA usaria mini-bombas atômicas, mas que são seis vezes mais potentes que a de Hiroshima. O cúmulo do cinismo é que, para o Ocidente, estas bombas são humanitárias, enquanto que as armas nucleares iranianas – que não existem – são terrorismo puro e simples. O uso de armas nucleares é “justificado” porque muitos alvos são subterrâneos e só podem ser destruídos com estas armas.

Os perigos de uma guerra global são claros. Por um lado, morreriam centenas de técnicos russos que estão trabalhando nas instalações nucleares iranianas, com o que a Rússia não poderia ficar de braços cruzados. Na opinião de Michel Chossudovsky “se o Irã for alvo de um ataque aéreo ‘ preventivo’ das Forças Aliadas, toda a região, desde o Mediterrâneo Oriental à fronteira ocidental da China com o Afeganistão e o Paquistão, poderia explodir, o que, potencialmente, conduz a um cenário de uma Terceira Guerra Mundial. A guerra também se estendem para o Líbano e a Síria. É muito improvável que os ataques, se implementados, fiquem limitados às instalações nucleares do Irã, como afirmam as declarações oficiais dos EUA e da OTAN. O mais provável é um ataque aéreo a infraestruturas militares, civis, sistemas de transporte, fabricas e edifícios públicos”.(22)

“A questão da chuva radioativa e da contaminação, casualmente ignorada pelos analistas militares dos EUA e da OTAN, seria devastadora, afetando uma vasta área do Oriente Médio (inclusive Israel) e a região da Ásia Central” (19). Para citar um exemplo: Há alguns anos a Birmânia mudou sua capital de Rangum para Pyinmana, pois eles acreditam que nesta localidade o efeito da radiação nuclear provocado por um ataque ao Irã seria menor.

A radiação e o inverno nuclear poderiam ter consequências insuportáveis para o ser humano. Claramente falando: a sobrevivência da raça humana estaria em jogo se os EUA atacassem o Irã.

Seria catastrófico para a economia mundial. O estreito de Ormuz pode ser fechado em poucos minutos, com isso 40% da produção mundial de petróleo estaria bloqueada. O petróleo poderia alcançar preços exorbitantes.

Ray McGovern e Elizabeth Murray, ex-analistas da CIA, manifestaram-se recentemente sobre as consequências de um ataque ao Irã. Dizem que poderia acabar com a economia mundial e que somente beneficiaria aos comerciantes de armas.

Nos últimos tempos vem tomando corpo a possibilidade de que o inicio do ataque ao Irã seja feito por Israel. Desta forma, os meios de comunicação ocidentais poderiam dizer que os EUA e a OTAN entram numa guerra contra o Irã para dar respaldo ao seu aliado israelense. Neste sentido temos observado na mídia, já há algum tempo, declarações como as de Shaul Mofaz, Ministro de Defesa israelense: “Se o Irã continuar com seu programa de desenvolvimento da bomba atômica, o atacaremos. As sanções não são eficazes...Um ataque ao Irã para deter seus preparativos nucleares será inevitável”. (23)