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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Peronista Alberto Fernández vence Macri com folga nas eleições primárias argentinas


Candidato, que concorre com a ex-presidenta Cristina Kirchner em sua chapa como vice, obteve cerca de 47% dos votos contra 32% do atual presidente

O peronista Alberto Fernández vota neste domingo nas primárias.
O peronista Alberto Fernández vota neste domingo nas primárias.AGUSTIN MARCARIAN (REUTERS)
O peronista Alberto Fernández, que concorre à presidência da Argentina com a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner em sua chapa como vice, ganhou as eleições primárias neste domingo. Com quase 90% das urnas apuradas, Fernández vencia por 47% dos votos, enquanto que o presidente Mauricio Macri levava 32% da preferência. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 27 de outubro.
Macri reconheceu a derrota: "Hoje tivemos uma eleição ruim". Caso esses resultados se repitam nas eleições, Fernández será o novo presidente argentino. De acordo com a reforma constitucional de 1995, caso algum candidato consiga 45% dos votos ou 40% dos votos com 10 pontos de vantagem sobre o segundo lugar, não há necessidade de segundo turno. "Estamos contentes, alegres e otimistas que muitos argentinos compreendam que as coisas devem mudar na República Argentina", disse Kirchner em mensagem gravada em vídeo.

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“Estas eleições definem os próximos 30 anos”, chegou a dizer Macri horas antes, no momento de votar. Quiçá não tantos anos e não nas primárias, que, por falta de concorrência interna nos partidos, se converteram em um simples ensaio geral das eleições de outubro, mas certamente este processo eleitoral representa uma grande transcendência para o futuro da Argentina. Duas opções muito diferentes e radicalmente opostas disputam o poder.
O peronismo manteve sua desconfiança sobre o sistema de contagem da empresa Startmatic, contratada pelo Governo. “Criamos nosso próprio centro de contagem porque nos gera muitas dúvidas o modo como se contratou esta empresa”, disse Alberto Fernández ao votar em seu colégio eleitoral. Para elevar o nível de garantia, a candidatura de Alberto e Cristina Kirchner conseguiu que, de última hora, a juíza eleitoral María Servini proibisse a difusão de resultados parciais até que estivessem escrutados ao menos 10% dos votos da cidade e província de Buenos Aires e das províncias de Córdoba e Santa Fé. Queriam evitar que acontecesse como em 2017, quando se interrompeu à meia-noite uma contagem que, naquele momento, favorecia o macrismo. Depois, ao se carregar os dados das zonas mais populosas do país, ficou nítido que os resultados eram favoráveis a Kirchner.
Durante a jornada eleitoral não se registraram problemas relevantes. Em Buenos Aires, que tem o maior peso eleitoral, havia um esplêndido sol de inverno. O candidato kirchnerista ao governo da província, Axel Kicillof, expressou também sua confiança de que os argentinos não fossem dormir “achando que ganhou um, quando ganhou o outro” e sugeriu que o governismo macrista desfrutava de vantagens. “Foi uma campanha muito desigual, nota-se em tudo, mas caminhamos e escutando as pessoas, fizemos nossa proposta, demos uma palavra de fôlego”, declarou. Kicillof afirmou ter percorrido 80.000 quilômetros em seu esforço por convencer o eleitorado bonaerense. A batalha de Kicillof contra María Eugenia Vidal, a atual governadora, é crucial para o resultado: geralmente, quem ganha em Buenos Aires obtém a vitória.
Abundaram as dúvidas sobre a necessidade de umas primárias quando, como nesta ocasião, os grandes blocos partidários já têm decididos seus candidatos. “Talvez fosse necessário fazer menos eleições”, comentou o aspirante macrista à vice-presidência, o peronista  Miguel Ángel Pichetto, que votou em Rio Negro. “É uma eleição meio esquisita pelo fato de ser uma primária e não ter concorrência”, assinalou a vice-presidenta Gabriela Michetti, ausente das listas eleitorais. As Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASO) foram estabelecidas em 2011 e são muito discutidas; quiçá em 2019 sejam celebradas pela última vez, se depois das eleições gerais de outubro chegarem a um consenso para aboli-las, algo que parece relativamente provável.
A ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, desta vez aspirante à vice-presidência por trás de Alberto Fernández, antigo chefe de gabinete de Néstor Kirchner e dela também, votou em Rio Galegos, capital de Santa Cruz, o feudo patagônico dos Kirchner. Alicia Kirchner, irmã do falecido Néstor Kirchner e cunhada de Cristina Fernández, tenta nestas eleições revalidar seu cargo de governadora. A carismática e polêmica ex-presidenta, com numerosas ações judiciais pendentes por corrupção, não permitiu que a imprensa a fotografasse no momento de depositar a cédula na urna: só uma câmera própria pôde captar esse momento, e depois a própria candidata escolheu as imagens que deviam ser distribuídas.
Os colégios eleitorais fecharam às 18h00, com uma participação próxima ao 75%. O voto nas primárias é obrigatório, mas as multas aos não comparecem não são proibitivas: 50 pesos, cerca de cinco reais.

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sábado, 4 de agosto de 2018

Duas tendências convergentes – Rumo à implosão económica e à explosão social


por Jorge Beinstein [*]
Cartaz em manifestação com a foto de Macri.Para onde vai a Argentina? Sua evolução é assinalada por duas tendências convergentes que em 2018 foram ganhando velocidade:   por um lado, a marcha rumo à implosão económica e, por outro, a rota não menos veloz rumo à explosão social.

Não é seguro que cada uma delas, ou ambas em conjunto, cheguem ao ponto de uma ruptura que mude radicalmente o panorama nacional. Entretanto, o seu desenvolvimento começa a sobredeterminar o comportamento dos círculos dirigentes.

Por um lado a economia vai entrando numa recessão pilotada pelo FMI, sem nenhuma possibilidade de recuperação pelo menos no curto e médio prazo. A sucessão de ajustes exigida pelo Fundo diminuirá cada vez mais o mercado interno (que já vinha declinando desde a chegada de Macri), destruindo o tecido produtivo e empobrecendo o grosso da população. Essa dinâmica conduz inevitavelmente à implosão económica, para um momento no qual se desmoronam o conjunto do aparelho produtivo (só algumas poucas ilhas poderiam chegar a salvar-se), extensas redes comerciais e uma multidão de serviços.

Õ teoricamente expectável nessas situações é que o tecido social e sua trama cultural se desintegrem ao ritmo da recessão até finalmente entrar em colapso. Entretanto, no caso argentino está a desenvolver-se um fenómeno pouco frequente que não seguiria a rota estabelecida pela teoria: enquanto a economia declina rumo à implosão, a partir da base da sociedade foram-se gerando formas de acção não só de resistência como também ofensivas que vão mais além das reivindicações económicas. Trata-se de uma tendência que se vai ampliando e que aponta para uma grande explosão popular, um possível tsunami social que ameaça submergir a trama institucional e mediática que sustenta o sistema.

De qualquer modo, não é inevitável que se produzam finalmente a implosão nem a explosão. Diversos factores podem atrasá-las de maneira significativa ou inclusive diluí-las em processos de degradação de grande amplitude. A recessão por exemplo poderia chegar a encontrar um horizonte de "equilíbrio" sob a forma de uma "economia de baixa intensidade" com um mercado interno comprimido, altas percentagens de desemprego, subemprego, pobreza e indigência e pequenos pólos de altos rendimentos. Em coincidência com isso as resistências e rebeliões sociais agora presentes poderiam chegar a declinar, golpeadas pela crise económica, a manipulação mediática e a repressão.

Ainda que esse cenário de "paz de cemitério", ilusão sinistra da elite dominante, se contraponha à dinâmica financeira, saqueadora, desestabilizante, da referida elite, componente periférica de um processo parasitário global que a sobredetermina. E também se contraponha o visível potencial criativo das forças populares avalizado por toda a sua história. Sem ir mais longe, recordemos a revolta de 2001 antecedida por uma prolongada degradação neoliberal e os grandes massacres da ditadura militar.

O caminho da implosão 

Em Dezembro de 2015 a equipe governante considerava que a situação económica lhe permitiria realizar gigantescas transferências de rendimentos sem que o barco se afundasse. Não reparou (ou subestimou) que por baixo dessa realidade existiam fragilidades que se haviam agravado nos últimos anos: os preços internacionais das matérias-primas haviam sofrido um choque depressivo em 2014, o que ensombrava o futuro do comércio externo. E a ampliação do mercado interno, impulsionado pelo governo anterior mediante subidas suaves dos salários reais acompanhadas por reduções sucessivas do desemprego, começava a tocar o tecto. Para continuar pela via do mercado interno teria sido necessário, mais cedo do que tarde, por em andamento uma estratégia drástica de desconcentração de rendimentos acompanhada pelo controle estatal de áreas chaves como as do comércio externo e do sistema financeiro e assim impulsionar um processo de desenvolvimento produtivo rápido. Alternativa oposta à dinâmica concreta e às aspirações da alta burguesia (parasitária, transnacionalizada) que apontavam para a realização de um grande saqueio de recursos estatais e privados.

Assim, com a vitória de Macri, produziram-se mega transferências para os grandes grupos económicos através de isenções e reduções tributárias que aumentaram o défice orçamental. Estes factos, somados à libertação das importações geradora de um enorme défice comercial e às desvalorizações do peso, provocaram concentração de rendimentos, inflação e arrefecimento económico. A avalanche de défices foi coberta com dívidas em dólares ao que se acrescentou um insólito casino especulativo em pesos convertíveis em dólares a altíssimas taxas de juro (a orgia das Lebacs [NR] ).

No segundo ano do seu mandato o governo procurou amortecer a recessão com obras públicas financiadas com mais dívidas, dólares que além disso serviam para tapar buracos orçamentais e comerciais e para aceitar as fugas de capitais resultantes das diversas rapinas e da retracção dos investimentos produtivos. A bolha de dívidas não podia continuar a crescer indefinidamente e a festa acabou em 2018 quando assomou o fantasma da insolvência e o governo desesperado pediu auxílio ao FMI. Este, como não podia deixar de ser, impôs-lhe um plano de ajuste que vai afundando a economia na depressão.

O governo costuma lançar a culpa do descalabro financeiro à subida "inesperada" das taxas de juro nos Estados Unidos que provocaram uma espécie de efeito aspirador sobre os capitais periféricos. A crise o endividamento acelerado argentino era inevitável, talvez a subida das taxas norte-americanas a tenha antecipado um pouco – mas não muito. O globo das Lebacs tinha um limite físico marcado pelas reservas líquidas do Banco Central, claramente inferiores ao montante dolarizado desses papéis. A isso há que somar os pagamentos exigidos pela dívida pública directa em dólares numa conjuntura caracterizada por um forte défice do comércio exterior e uma fuga de capitais persistente. Isso já era visível em 2017 e a situação foi-se agravando nos primeiros meses de 2018. O poder de fogo debilitado do Banco Central perante possíveis turbulências ficou a nu e os credores começaram a cheirar cenários de insolvência.

A pergunta a ser feita é o que tinham dentro das suas cabeças Macri e os integrantes da sua equipe económica, entre fins de 2017 e princípios de 2018, perante a iminência do desenlace. Alguns analistas supõem que se tratou uma avaliação errónea (ou de má informação) do comportamento dos grupos financeiros empenhados na rapina especulativa, coisa difícil de aceitar uma vez que aqueles que pilotavam o negócio dentro do governo faziam parte desses grupos. O mistério aumenta quando constatamos que a subida das taxas de juros nos Estados Unidos era completamente previsível pois fazia parte da estratégia monetária anunciada muito tempo antes pelas autoridades desse país. A explicação mais razoável é que a mega operação financeira montada pelo governo converteu-se numa armadilha da qual não pôde (e não pode) sair. A convergência de interesses que a sobredetermina constitui um super poder saqueador cuja dinâmica ultrapassa os actores governamentais. De qualquer modo, a psicologia de Macri, nutrida pela brutalidade curto-prazista dos negócios mafiosos [1] , adapta-se comodamente a essa louca fuga para a frente.

Os crápulas transparentes 

Enquanto isso a impopularidade do governo cresce dia a dia e os protestos sociais multiplicam-se. A Argentina encaminha-se a passo rápido para uma crise de governabilidade provavelmente muito superior à de 2001, alentada pelo ruir económico em curso.

A alternativa repressiva não deve ser descartada. O carácter aventureiro do macrismo, sua raiz lumpen-burguesa, o núcleo duro social neofascista que o cerca, podem dar pé a uma tentativa desesperada desse tipo impulsionada pela viabilidade declinante de um Plano B sob controle oficialista em torno da hipotética candidatura de Maria Eugenia Vidal, a qual vai perdendo peso arrastada pela impopularidade do presidente. A isso acrescentam-se não poucos méritos próprios – como o escândalo recente devido ao descobrimento da utilização de fundos negros nas suas campanhas eleitorais.

Uma peça importante tanto na instalação como no funcionamento posterior do governo foi e continua a ser o opoficialismo, mistura gelatinosa de dirigentes políticos e sindicais, onde predomina a direita peronista mas povoada também por não poucos gorilas soltos, que costumam combinar "críticas sensatas" ao oficialismo, uma ou outra rebeldia de pouca monta e uma obsequência prática. À medida que a crise se agrava vão surgindo desse lado toda classe de opções, algumas fantasiosas e outras mais realistas, destinadas a preservar os interesses dominantes. Elas vão desde a ampliação do gabinete presidencial numa espécie de governo de "unidade nacional" até à formação de uma variante eleitoral leopardista [NR]que substituiria Macri em 2019 (ou antes).

Como parte do show não podiam faltar as declarações de Eduardo Duhalde que, depois de vaticinar que "o próximo presidente... vai ser Roberto Lavagna" e de elogiá-lo a seguir, acrescentava que "o acordo com o FMI ajuda a sair (da crise) apesar de a maioria dos argentinos estar contra essa medida" [2] . O rosto de empregado de pompas fúnebres de Lavagna encaixa bastante bem com o destino fundo-monetarista que Duhalde assinala para a Argentina. Contudo, não é nada evidente que perante a tormenta que se avizinha essa alternativa ou outra parecida funcionem .

O caminho da explosão 

Ao contrário das danças nas cúpulas, desde o começo do governo macrista vèem-se desdobrando uma ampla variedade de protestos populares. Como o correr dos meses não só foram ganhando carácter maciço como também autonomia. Esta não é total pois surge como uma espécie de fenómeno complexo que inclui desde manifestações sociais independentes dos dirigentes políticos e sindicais, onde se torna visível o carácter auto-convocatório, até chegar àquelas enquadradas por dirigentes, sobretudo sindicais, passando por outras que acompanham os dirigentes orgânicos ultrapassando-os em certos casos e em colocando-os em situações incómodas.

Trata-se de uma sucessão interminável de mobilizações populares de todo tipo, muitas delas gigantescas, na maior parte pacíficas mas com alguns rebentos de radicalização (exemplo: os protesto de 18 de Dezembro de 2017 frente ao Congresso) preocupantes para oficialistas e upoficialistas pois fazem-lhes temer revoltas de grande magnitude num futuro não muito longínquo. À medida que a crise se vá aprofundando esse cenário será cada vez mais provável. A onda pode continuar a crescer até engendrar uma explosão social de dimensão oceânica, muito mais devastadora que o furacão de 2001.

A intoxicação mediática não pôde arrefecê-la, mas o seu rendimento manipulador é decrescente. As repressões pontuais tornaram-se ineficazes, não geraram temor e sim indignação. De qualquer modo, desde o primeiro dia e de modo sistemático o governo tem formado uma espécie de polícia militar integrando forças convencionais (polícias, gendarmeria, etc), treinando-as com assessoria norteamericana-israelense, dotando-as de armamento adequado. A última novidade foi a decisão de incorporar as Forças Armadas a tarefas de repressão interna. Mas nada assegura ao governo a utilização eficaz desse engendro perante uma revolta popular em grande escala.

A blindagem mediática está a enferrujar-se e a blindagem militar-policial tem um destino incerto. Enquanto isso o governo continua a fazer mais (muito mais) do mesmo: continua com a sua estratégia de controle mediático total atacando agora os últimos (e já marginais) redutos críticos e desenvolvendo o aparelho repressivo convencido da iminência de explosões sociais. Ele não sabe quando se verificará uma nova corrida cambial, nem qual será o ritmo do afundamento económico (os últimos dados comparativos, Maio 2017 – Maio 2018 mostram, segundo dados oficiais, uma queda do Produto Interno Bruto da ordem dos 5,8%). Tão pouco sabe quando nem como se exprimirá a bronca popular no que resta do ano, mas enfrenta esses e outros perigos acentuando sua dinâmica ditatorial. A Argentina entrou em Terra Incognita. 
30/Julho/2018

Notas
1. Jorge Beinstein, "Macri, orígenes e instalación de una dictadura mafiosa", a descarregar em
resistir.info/livros/beinstein_macri_mafia.pdf
2. Declaraciones de Eduardo Duhalde a Radio Cooperativa, "Duhalde pide las PASO en el PJ: "El que quiera presentarse tiene que ir", El Destape, www.eldestapeweb.com/...
NR

[1] LEBACS: Letras do Banco Central. títulos de curtíssimo prazo que constituem o principal meio de financiamento do governo argentino.
[2] Leopardismo: De Il gattopardo , livro de Lampedusa em que o príncipe Tommasi diz a famosa frase "É preciso mudar alguma coisa para que fique tudo na mesma". 


[*] Economista.

O original encontra-se em beinstein.lahaine.org/b2-img/Beinstein_dostendencias_26Julio2018.pdf 


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Venezuela condena a "repressão e ataque neoliberal" na Argentina

  • As forças de segurança acusam os manifestantes em Buenos Aires, capital da Argentina, 18 de dezembro de 2017.
Publicado: terça - feira, 19 de dezembro de 2017 2:40 PM
Atualizado: terça - feira, 19 de dezembro de 2017 às 16:53
A Venezuela condenou os atos de violência e a repressão exercida pelo governo argentino contra os manifestantes.
"Este é o governo de [Mauricio] Macri (presidente argentino): repressão e violação massiva de direitos humanos, contratempos neoliberais, governo das oligarquias atrás das costas do povo" , escreveu o presidente na sua conta no Twitter nesta segunda-feira. da Assembléia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Na segunda-feira, as forças de segurança argentinas encarregadas dos manifestantes se reuniram em frente ao Congresso argentino em protesto contra a reforma da lei que impulsiona o governo de Buenos Aires a reduzir os salários e aumentar a idade da reforma.
Da mesma forma, o vice-presidente de Assuntos Internacionais do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Adán Chávez, condenou a repressão e expressou sua preocupação com a situação que a Argentina está passando no momento.
Também expressou solidariedade com o povo argentino, disse ele, enfrenta uma "ofensiva neoliberal" conservador tentando minar seus direitos e eliminar ganhos sociais, o resultado dos processos de transformação política e social na América Latina nos últimos anos.

"A cidade de San Martín chegou às ruas para dizer não às manobras realizadas pelos setores conservador e neoliberais da Argentina, através das quais procura impor reformas regressivas em termos de pensões", afirmou.
Na manhã desta terça-feira, o Congresso da Argentina votou, com 127 votos a favor e 117 contra - além de 2 abstenções -, para implementar as controvertidas reformas promovidas pelo governo de Buenos Aires, medidas que nos últimos dias causaram fortes manifestações Na Argentina.
Nos seus dois anos no poder, o governo Macri enfrentou protestos contínuos na rejeição de suas medidas controversas, como  demissões em massa de trabalhadores , aumentos nas taxas de serviço público e uma  taxa de inflação de cerca de  40%.
hgn / anz / ftn / rba

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Cristina Fernandes/ Argentina presidente da complexidade alerta global

Argentina presidente da complexidade alerta globalPDFImpressãoO email
  
Cristina FernandezBuenos Aires, 09 de julho (Prensa Latina) presidente da Argentina, Cristina Fernandez, disse hoje que o mundo está passando por momentos difíceis em que os países industrializados estão tentando mover sua crise financeira e económica nos países em desenvolvimento.

O presidente se referiu a este tema em um discurso para marcar o aniversário 199 da Declaração de Independência da Argentina em uma cerimônia pública em San Miguel de Tucuman, que foi transmitido pela TV nacional.
 Argentina nunca foi, como hoje, de modo integrado no mundo, nunca cresceu tanto do produto interno bruto, disse antes de alertar a coisa importante manter em mente "é que o mundo está passando por um momento difícil." "Eles querem mover a crise dos países centrais para os países periféricos.
reindustrialise o país foi estratégica para evitar ser subordinada à exportação de alvo de matéria-prima ", disse ele, destacando o referendo na Grécia, onde o povo grego disse não às políticas de ajuste.
O presidente também se referiu às políticas neoliberais aplicadas nos Argentina durante a década de 1990 que endividados do país e que os argentinos estavam com medo."Era verdade que os argentinos estavam com medo", disse ele e salientou que "o mais importante destes 12 anos é que nós mostramos que não era verdade que ele podia fazer o que tinha que fazer para livrar o país e fazê-la produzir, estudar, educar, construir casas.
" Ele acrescentou que nos últimos anos foi alcançado que os aposentados podem ter um pagamento decente e estudantes de renda. . "Tudo o que disse que não poderia ser feito e, entretanto, em dívida para com o país", ele descreveu Então eu disse: "Podemos dizer que este projecto deu a independência ao país e honrou o legado daqueles que tanto lutaram para a independência real e soberania ".
O presidente revisou as políticas soberanas implantados nos últimos 13 anos e salientou que "este projecto está incluído para os 40 milhões de argentinos". Nesse sentido, ressaltou que "a inclusão ea independência é a igualdade." Ele expressou que "no século XXI é discutir a soberania dos povos e Estados" e advertiu que "não haverá tentativas de retornar às políticas neoliberais ".
Então ele rever uma série de realizações desde Nestor Kirchner assumiu o cargo em 2003, disse que, apesar de "muito mais a fazer neste projeto." No entanto, disse que estava confiante de que "homens e mulheres que fazem parte da este espaço "(a Frente para a Vitória) será responsável por o que resta a ser feito.
Antes do evento público, Cristina Fernandez fez uma homenagem aos heróis de 1816 na Casa Histórica de Tucumán onde foi assinado 199 anos atrás, a Declaração de Independência. mgt / mh

















domingo, 12 de abril de 2015

Cristina Fernandez de Kirchner: "Cuba está aqui porque ele lutou por mais de 60 anos com uma dignidade sem precedentes"


11 de abril de 2015 | +
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Presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner
O presidente da Nação Argentina, Cristina Fernández de Kirchner , destacou , entre outras questões, de luta e dignidade que tem caracterizado o povo cubano para conseguir sua participação, pela primeira vez em uma Cúpula das Américas . "Estamos muito clara, Cuba é aqui, porque ele lutou por mais de 60 anos com uma dignidade sem precedentes, com um povo que sofreu e ainda sofre muitas dificuldades, que essas pessoas não eram liderados por líderes que traíram sua luta ", disse ele.
Falando na Sétima Cúpula das Américas, também aludiu à necessidade de sinceridade como sujeito, que irá participar de discussões sobre o capital próprio, prosperidade e igualdade estão incluídos em todos os encontros e fóruns internacionais.
"Sem sinceridade vamos resolver os problemas, podemos descobri-los, mas que não pode chegar à raiz dos problemas sem sinceridade", disse ele durante sua participação na sessão plenária da reunião presidencial.
Neste sentido, ele apelou para uma maior abertura na discussão de questões como a luta contra o tráfico de drogas, onde os países desenvolvidos são os principais consumidores de drogas no mundo.
"Os países que consomem mais drogas deve abordar este problema. Financiamento, onde esses recursos (de drogas) são lavados. Não sejamos cínicos, milhares e milhares de milhões de dólares são lavados em bancos e os paraísos fiscais em países desenvolvidos. Drogas e dinheiro os países desenvolvidos com os mortos e as armas pobres permanecerá ", disse ele.
Durante seu discurso, ele também felicitou o Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos para abordar o processo de paz com a guerrilha no país.
Referindo-se ao decreto intervencionista dos Estados Unidos (EUA), salientou que é improvável que a principal potência do mundo considera uma ameaça qualquer nação neste continente.  "É inacreditável, quase beirando o ridículo, não só que a Venezuela é uma ameaça, mas qualquer país do nosso continente pode ser uma ameaça para a maior potência do mundo, além da idéia se tem sobre a América não podemos deixar de reconhecer que ele é o maior poder militar, econômico, financeiro e científico com um orçamento de 640 000 milhão de dólares (em gastos militares). "
Ele também negou que o Reino Unido é considerado uma ameaça pela Argentina para reivindicar a soberania sobre o território de Las Malvinas; enquanto estressado como coincidiu tanto as declarações de caráter imperial.
(Com informações da AVN)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Julio C. Gambina / A dívida argentina e o debate internacional

A dívida argentina e o debate internacional

Julio C. Gambina*
20.Mar.15 :: Outros autores
O clamor que se levanta é pela investigação e auditoria da dívida pública, na Argentina e no mundo. A questão da dívida pública adquiriu carácter global, afecta as relações globais e a economia mundial. A investigação impõe ao mesmo tempo suspender os pagamentos e repensar a forma de agir em relação à dívida. É uma conclusão que vai para além das pressões dos abutres, dos especuladores de todo tipo e dos poderes judiciais locais e externos. É um tema de soberania popular.


Surge um novo episódio na disputa entre os fundos abutres e o juiz de Nova York Thomas Griesa contra a Argentina. Neste caso afecta o Banco Citi na Argentina, que as autoridades argentinas poderiam sancionar na sequência das disposições do juiz estado-unidense, que não permitem cancelar os pagamentos de dívidas realizados pela Argentina segundo a legislação local. Embora o Citibank tenha interposto recurso da medida, o resultado final é incerto e os afectados são vários.
O conflito acerca da dívida soberana ultrapassa e caso argentino e, por solicitação da Argentina, as Nações Unidas assumiram por voto maioritário a questão, e desde Setembro passado uma comissão discute uma resolução de carácter global sobre a dívida soberana. Essa Comissão é presidida pela Bolívia, e a partir dela vem sendo articulada uma série de iniciativas para definir uma posição conjunta dos governos da região.
Juntamente com essa iniciativa oficial liderada pelo governo plurinacional da Bolívia, surge da Argentina a iniciativa da convocação de uma Conferência Internacional que discuta a dívida pública na sua relação com a soberania popular sobre os bens comuns e a dominação face à ordem capitalista.
As dificuldades em que a Argentina se encontra são importantes, para além do debate sobre o desendividamento e a aspiração governamental de captar nova dívida no mercado mundial, o que inclui definir o stock de dívida que o país acusa.
A dívida pública é um mecanismo essencial na construção da ordem capitalista. Trata-se de uma afirmação válida para qualquer época, como o demonstra o papel desempenhado na origem da ordem capitalista global, e na Argentina desde o empréstimo da Baring Brothers inglesa, que hipotecou a Argentina por 80 anos entre o século XIX e começos do século XX e, mais contemporaneamente, desde a ilegal, ilegítima, impagável e odiosa dívida assumida nos tempos da ditadura genocida (1976-1983). É certo que desde Setembro passado existe legislação, que decide criar uma comissão de investigação sobre a dívida assumida desde os tempos ditatoriais até finais de 2014, mas como é já costume o Congresso demora-se em cumprir com essa e outras investigações decididas por lei.
O problema não afecta apenas a Argentina. É tema de discussão na Grécia e em Espanha. Os gregos, com o novo governo de Syriza, debatem o que fazer, e uma das possibilidades que emana do Parlamento é de avançar com uma Auditoria da gigantesca dívida pública assumida desde o início da crise em 2008 para acudir à banca europeia, comprometida pelos incumprimentos da dívida. Em Espanha o debate processa-se perante o eventual acesso ao governo do partido PODEMOS, rompendo o bipartidismo que emergiu com a queda do franquismo. A discussão na Grécia ou em Espanha sobre o que fazer com a dívida transcende os grupos políticos mencionados e estende-se a um complexo tecido social e político popular da esquerda social e política. Em rigor, o tema da dívida é preocupação em diversos países da Europa, no Japão - com a maior percentagem da dívida sobre o seu PIB - e claramente nos EUA, a maior dívida do mundo em termos absolutos, que compromete 100% do seu PIB.
Durante muitos anos temos explicado o carácter condicionante da dívida para afirmar a dependência dos países do sul do mundo. Inclusivamente, nos anos oitenta do século passado, Fidel Castro promoveu a partir de Cuba a formação de um Clube de Devedores para enfrentar a estratégia do Clube de Credores presidido por el FMI. Apesar da campanha popular nesse sentido, os novos governos surgidos de processos constitucionais na Nossa América não assumiram o desafio e cada um enfrentou o problema por seu lado, com políticas nacionais, subestimando o agir conjunto e integrado que o movimento popular desses anos promovia.
Agora o tema é mais amplo. O problema não se situa apenas no Sul do Mundo e em Nossa América, e afecta as relações globais e a economia mundial. Uma das suas facetas é a guerra monetária, que encontra o dólar em crescimento contra a depreciação de outras moedas, caso do euro e do real, este de grande importância nas relações bilaterais com vários países de fluido comércio na região latino-americana.
É devido a esta amplitude do problema que o debate sobre a dívida adquire carácter global e se manifesta no debate suscitado institucionalmente nas Nações Unidas sob a coordenação do governo de Evo Morales, do mesmo modo que na discussão popular que irá realizar-se entre 22 e 24 de Abril próximos em Buenos Aires.
A data escolhida para o conclave de Abril associa-se à morte de Alejandro Olmos, que levou à Justiça a fraude da dívida da Ditadura genocida e que obteve uma sentença condenatória, demonstrando meses antes da sua desaparição 477 casos de fraude. Não é questão menor que num ano de eleições a política veicule também a discussão de temas essenciais da vida económica e política do país que afectam a qualidade de vida da população.
O clamor é pela investigação e auditoria da dívida pública, na Argentina e no mundo. No país já não é apenas uma consigna de algum sector mas o mandato de uma legislação até agora incumprida. A investigação impõe ao mesmo tempo suspender os pagamentos e repensar a forma de agir em relação à dívida. É uma conclusão que vai para além das pressões dos abutres, dos especuladores de todo tipo e dos poderes judiciais locais e externos. É um tema de soberania popular.
Buenos Aires, 14 de Março de 2015
________________________________________
* Doutor em Ciências Sociais da UBA. Professor titular de Economia Política, Universidade Nacional de Rosario. Presidente da Fundação de Investigações Sociais e Políticas, FISYP. Director do Instituto de Estudos e Formação da CTA Autónoma, IEF-CTA.
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