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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Debate sobre regulamentação da mineração no Brasil


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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Comitê é criado para debater regulamentação da mineração no Brasil

Brasil de Fato

Prática movimenta mais de 1,5 bilhão de toneladas de minérios por ano no país; intenção é abrir o debate sobre a formulação do código para a população

Serra Pelada - Anos 80



Jorge Wamburg

Agência Brasil



Um documento com os sete desafios mínimos que devem ancorar o debate público sobre o novo Código Mineral Brasileiro é a base para o lançamento do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração, que acontece nesta quarta-feira (29), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília (DF), com a participação de mais de 30 organizações e movimentos sociais que trabalham com o tema.

Antes do lançamento do Comitê, as entidades se reuniram para um debate sobre o novo código, que, segundo elas, está sendo construído, até o momento, a portas fechadas pelo governo.

A mineração movimenta mais de 1,5 bilhão de toneladas de minérios por ano no país e a intenção do movimento é abrir o debate sobre a formulação do código para a população. Segundo o movimento, os sete desafios a serem enfrentados nesse sentido são os seguintes:

1 – Garantir democracia e transparência na formulação e aplicação da política mineral brasileira;

2 – Garantir o direito de consulta, consentimento e veto das comunidades locais afetadas pelas atividades mineradoras;

3 – Respeitar taxas e ritmos de extração;

4 – Delimitar e respeitar áreas livres de mineração;

5 – Controlar os danos ambientais e garantir planos de fechamento de minas com contingenciamento de recursos;

6 – Respeitar e proteger os direitos dos trabalhadores;

7 – Garantir que a mineração em terras indígenas respeite a Convenção 169 da OIT e esteja subordinada à aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas.

Entre as entidades que participam do movimento, figuram o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Justiça nos Trilhos.

Atílio Boron :A classe trabalhadora contra Evo? Duas visões contrárias

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Atilio Boron
24.5.2013
Por estes dias, o periódico digital Rebelión publicou duas notas a propósito do áspero conflito entre os mineiros e o governo de Evo Morales, na Bolívia. Li críticas duríssimas contra Evo, que visaram apenas desqualificá-lo completamente. Isto não é novidade, porém a revitalizada virulência destes ataques me preocupa muito. Por isso, me pareceu importante publicar neste blog as duas campanhas, para que vocês tirem suas próprias conclusões.
Respeitando a ordem cronológica segue primeiro o artigo de Rebeca Peralta Mariñelarena e, depois, o mais recente de Guillermo Almeyra.
Porém, não quis somente limitar-me a compartilhar estas duas visões contrárias. Meu parecer, que também submeto à crítica de meus leitores, é o seguinte: Se Evo fosse esse promotor do capitalismo, como alguns o acusam, a grande incógnita que não consigo elucidar é por que o imperialismo quer acabar com seu governo? Por que os Estados Unidos quiseram dividir a Bolívia em duas em 2008 e não só derrubar Evo? Por que estes dois objetivos da Casa Branca permanecem sendo perseguidos, até o dia de hoje, se o presidente boliviano não tem uma gota de anti-capitalismo e anti-imperialismo?
Outra incógnita: a classe trabalhadora (no caso da Bolívia, os mineiros) nunca se equivoca? É possível pensar que, talvez, os mineiros tenham se deixado levar por seus interesses econômico-corporativos (recordar Gramsci neste ponto) e pressionaram por uma reivindicação irresponsável ou impossível de satisfazer?
Cuidado com o tema da “infalibilidade trabalhadora”! Se não, como explicar a adesão majoritária da classe trabalhadora argentina ao peronismo? Ou a questão é que na Argentina se erra ao apoiar governos burgueses, que não têm no horizonte o socialismo, enquanto na Bolívia, em contrapartida, jamais erram em suas opções políticas?
O tema da repressão policial é grave e se Evo deu a ordem merece toda a nossa crítica. Porém, não esqueçamos que, por décadas, as polícias – e não só na Bolívia – vem sendo adestradas, organizadas e equipadas por diversas agências do governo dos Estados Unidos, entre elas a USAID (que Evo acaba de tirar do país). Não descartaria que a polícia tivesse atuado por sua conta e risco. Ao fim e ao cabo, fazem poucos meses se amotinaram contra ele. Quem estaria disposto a descartar uma operação armada pelo império para desprestigiar Evo? Enfim, são, tão somente, alguns apontamentos que me parecem ajudar a fazermos uma caracterização menos maniqueísta da situação, onde Evo = a maldade e os mineiros = a pureza de uma classe inerentemente revolucionária.
A história real não se apresenta em termos tão simplistas. Um homem que mudou de forma definitiva e irreversível a história da Bolívia e que governa com o apoio majoritário de seu povo – e contra a feroz oposição da direita e do imperialismo – merece um trato um pouco mais respeitoso de seus críticos esquerdistas, sobretudo daqueles que nunca conseguiram deixar uma folha duradoura na história de seus países.
Na Bolívia, em contrapartida, Evo se alça com um alcance histórico extraordinário: nunca mais um indígena poderá voltar a ser (mal) tratado, depreciado e explorado como antes. Entre nós, não seria nada mal termos um Evo como presidente na Argentina, ainda que fosse por um tempinho!
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Pepe Escobar :Enquanto Assad fala, a Rússia age


Presidente sírio perdeu chance de falar mais claramente sobre os planos dos vizinhos interessados na guerra

Bashar al Assad falou com exclusividade ao jornal argentino Clarín (há uma imensa diáspora síria na Argentina, bem como no Brasil).

Vendo através da névoa da histeria ocidental, fez algumas observações valiosas. A história mostra que sim, que o regime aceitou por várias vezes falar com a oposição; mas a gama de grupos “rebeldes”, sem uma liderança crível e unificada, sempre se negou. Portanto, não existe um caminho para o cessar-fogo que possa finalmente ser acordado em uma reunião, como a próxima conferência de Estados Unidos e Rússia em Genebra.

Assad tem alguma razão quando diz: “Nós não podemos discutir nem um mapa com um grupo de pessoas se não sabemos quem elas são”.

Bem, a estas alturas, qualquer um que observe a tragédia síria sabe quem eles são, em sua maioria. Sabe-se que o Exército de Canibais Sírios Não-livres, perdão, o ELS (Exército Livre da Síria) é uma coleção heterogênea de senhores da guerra, gângsters e oportunistas de todo tipo cruzados com jihadistas de linha dura, do tipo da Jabhat al Nusra (mas também com outros grupos vinculados à Al Qaeda ou inspirados nela).

Sana/Agência Efe (18/05)

O presidente sírio Bashar Al-Assad (direita), em entrevista a jornalistas argentinos em Damasco

A Reuters demorou meses para finalmente admitir que os jihadistas dominam o show sobre o solo [1]. Um comandante “rebelde” inclusive se queixou à Reuters: “A Nusra agora é dos Nusras. Uma parte que segue a agenda da Al Qaeda de uma grande nação islâmica e outra que é síria, com uma agenda nacional para nos ajudar a combater o Assad”. O que não disse é que o grupo realmente efetivo está vinculado à Al Qaeda.

A Síria é agora o Inferno das Milícias; muito parecido com o Iraque em meados dos anos 2000 e muito parecido com o “livre” Estado fracassado líbio. Essa “afeganistanização/somalização” é uma consequência direta da interferência do eixo OTAN/CCG (Conselho de Cooperação do Golfo)/Israel [2]. Portanto, Assad tem razão quando diz que o Ocidente está avivando o fogo e que só está interessado na mudança de regime, seja qual for o custo.

O que Assad não disse

Não se pode dizer que o Assad seja exatamente um político brilhante, uma vez que desperdiçou uma excelente oportunidade para explicar à opinião pública ocidental, mesmo que brevemente, porque as petromonarquias do CCG, Arábia Saudita e Catar, além da Turquia, estão interessados em incendiar a Síria. Poderia ter dito que o Catar quer entregar a Síria à Irmandade Muçulmana, e a Arábia Saudita sonha com uma colônia que seja um “cripto-emirado-colônia”. Poderia ter dito que ambos estão aterrorizados com os xiitas do Golfo Pérsico, que abrigam ideais legítimos da Primavera Árabe.

Poderia ter apontado o fracasso absoluto da política exterior turca de “zero problemas com os nossos vizinhos”: em um dia, há a tríade de colaboração Ancara-Damasco-Bagdá e, no dia seguinte, Ancara quer uma mudança de regime em Damasco e antagoniza Bagdá. E, acima de tudo, a Turquia se atrapalha ao ver que os curdos se sentem alentados desde o norte do Iraque até o norte da Síria.

Poderia ter detalhado como o Reino Unido e a França, dentro da OTAN – para não mencionar os Estados Unidos –, assim como seus petromonarcas marionetes, estão utilizando a desintegração da Síria para prejudicar o Irã, e nenhum desses atores que os abastecem com armas e muito dinheiro estão interessados com os sofrimentos do “povo sírio”. A única coisa que importa são seus objetivos estratégicos.


Enquanto Bashar al Assad falava, a Rússia agia. O presidente Vladimir Putin – perfeitamente consciente de que as conversas de Genebra estão sendo desencaminhadas por diversos atores, inclusive antes de terem início – enviou barcos da marinha russa ao leste do Mediterrâneo e ofereceu à Síria uma quantidade de ultramodernos mísseis terra-mar Yajhont, além de vários mísseis antiaéreos S-300, o equivalente russo do norte-americano Patriot. Vale lembrar que a Síria já tem os mísseis antiaéreos russos SA-17.

Agora, qualquer um de vocês, membros da gangue OTAN-CCG – inclusive, deixando de lado a ONU –, tratem de lançar uma operação mini “Choque e Pavor” contra Damasco. Ou tratem de implementar uma zona aérea de exclusão. Do ponto de vista militar, o Catar e a Casa de Saud são uma piada. Os britânicos e franceses estão seriamente tentados, mas não têm os meios – ou estômago. Washington, por sua vez, tem os meios, mas não o estômago. Putin sabia, com toda certeza, que o Pentágono entenderia claramente o seu recado.

O “Dutostão”

Assad também poderia ter falado – e de que mais? – do “dutostão”. Bastariam a ele dois minutos para explicar o significado do acordo do gasoduto Irã-Iraque-Síria, de 10 bilhões de dólares, firmado em julho de 2012. Esse nó crucial do “dutostão” exportará gás desde o campo de Pars do Sul, no Irã (o maior do mundo, compartilhado com o Catar), através do Iraque em direção à Síria, com uma possível extensão ao Líbano, com clientes confirmados na Europa ocidental. É o que os chineses chamam de uma situação “ganha-ganha”.

Mas não para – adivinhem! – o Catar e a Turquia. O Catar sonha com um gasoduto rival, desde seu campo Norte (contíguo ao campo de Pars do Sul, no Irã), passando pela Arábia Saudita, Jordânia, Síria e, finalmente, Turquia (que se mostra como o centro privilegiado de trânsito de energia entre oriente e ocidente). O destino final, mais uma vez: Europa ocidental.

Como em tudo o que tem relação com o “dutostão”, o ponto crucial do jogo é deixar de lado o Irã e a Rússia. É o que faz o gasoduto do Catar, freneticamente poiado pelos Estados Unidos. Mas no caso do gasoduto Irã-Iraque-Síria, a rota de exportação não pode ter origem em outro lugar senão em Tartus, o porto sírio no leste Mediterrâneo que abriga a marinha russa. Obviamente, a russa Gazprom faria parte de todo esse processo, desde o investimento até a distribuição.

Agência Efe (21/05)

Representantes da oposição síria reunidos em Madri pedindo a renúnica de Al Assad e a formação de um "governo transitório"

Que não restem dúvidas: o “dutostão” – novamente obrigado a contornar Rússia e Irã – explica muitas coisas sobre a destruição da Síria.

O estratagema de petróleo da UE para a Al Qaeda

Enquanto isso, o verdadeiro exército sírio – respaldado pelo Hezbollah – está metodicamente recuperando Al Qusayr do controle “rebelde”. Seu próximo passo será olhar em direção ao leste, onde a Jabhat al Nusra está se beneficiando alegremente de outra intromissão típica da União Europeia: a decisão de impor sanções petroleiras contra a Síria [3].

O blogueiro do Syria Comment Joshua Landis já tirou as conclusões necessárias: “Quem quer que se apodere do petróleo, da água e da agricultura, terá em suas mãos os sunitas sírios. No momento, quem faz isso é a Al Nusra. O fato de a Europa abrir o mercado ao petróleo impôs essa situação. Daí a conclusão lógica dessa loucura: de que a Europa está financiando a Al Qaeda”. Chamemos isso de estratagema petroleiro da União Europeia para a Al Qaeda.

O sudoeste da Ásia – o que o Ocidente chama de Oriente Médio – continuará sendo um campo privilegiado de irracionalidade. Tal como estão as coisas na Síria, em vez de uma zona aérea de exclusão, o que se deveria implementar, na realidade, é um “todos voam pela paz”, e cada qual, com seu vizinho, deveria estar envolvido: Estados Unidos, Rússia, União Europeia e também Hezbollah, Israel e, por certo, Irã, como destacou com entusiasmo o Ministro de Relações Exteriores russo Sergei Lavrov [4].

Muito além da obsessão ocidental pela mudança de regime, o que a já problemática conferência de Genebra poderia produzir é um acordo segundo a Constituição Síria – que, a propósito, é absolutamente legítima, tendo sido adotada em 2012 por uma maioria de votos do verdadeiro e sofredor “povo sírio”. Isso, inclusive, poderia significar que o Assad não é o candidato a presidente nas eleições programadas para 2014. Mudança de regime, sim. Mas por meios pacíficos. A OTAN, o CCG e Israel permitirão que isso ocorra? Não.

Notas:
[1] Insight: a síria Nusra é eclipsada pela israelense Al-Qaeda, Reuters, 17 de maio de 2013.
[2] Organização do Tratado do Atlântico Norte-Conselho de Cooperação do Golfo-Israel.
[3] Decisão da União Europeia de levantar sanções ao petróleo sírio impulsiona grupos jihadistas, Guardian, 19 de maio de 2013.
[4] Rússia diz que Irã deve fazer parte das conversas na Síria, Reuters, 16 de maio de 2013.

Pepe Escobar é autor de “Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War” (Globalistão: como o mundo globalizado está se dissolvendo na guerra líquida, Nimble Books, 2007) e de “Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge” (Red Zona Blues: um relato de Bagdá durante o surto). Seu livro mais recente é “Obama does Globalistan” (Obama faz Globalistão, Nimble Books, 2009). Contato: pepeasia@yahoo.com

Fonte: Asia Times

Vem aí a 8ª CONVENÇÃO ESTADUAL RJ DE SOLIDARIEDADE A CUBA!!!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vem aí a 8ª CONVENÇÃO ESTADUAL RJ DE SOLIDARIEDADE A CUBA!!!

ACJM-RJ



19/05/2013 18:35

Companheiros(as)!
Nos dias 7 e 8 de junho será realizada a 8ª Convenção Estadual RJ de Solidariedade a Cuba.
Venha discutir e conhecer os exemplos, desafios e perspectivas do país.  E ainda profundar os laços de amizade e solidariedade com a Ilha que tanto bem faz ao mundo.

Palestras, debates e apresentações culturais.


Leia mais: http://josemartirj.webnode.com/news/vem-ai-a-8%c2%aa-conven%c3%a7%c3%a3o-estadual-rj-de-solidariedade-a-cuba%21%21%21-/

Empresa do vice-Presidente de Angola vende participação em bloco petrolífero a empresa do Estado (!)

Sonagol compra 15% de bloco petrolífero da Nazaki, uma sociedade detida por Manuel Vicente e por dois generais.




Manuel Vicente foi presidente da Sonangol até 2012
A empresa estatal angolana Sonangol vai comprar parte da participação que a Nazaki, sociedade do vice-Presidente do país, Manuel Vicente, e de outros altos dirigentes, tem num bloco de exploração petrolífera.
A notícia foi dada pela agência Bloomberg, que consultou o decreto legal que autoriza a operação, datado de 28 de Fevereiro. A aquisição de 15% do bloco 21-09 será feita pela Sonangol Pesquisa e Produção, subsidiária do grupo Sonangol.
A Nazaki Oil & Gaz é detida, em partes iguais, para além de Manuel Vicente, por Manuel Helder Vieira Dias, conhecido como Kopelipa, ministro de Estado da Casa Militar do Presidente José Eduardo dos Santos, e pelo general Leopoldino Fragoso do Nascimento, consultor de Kopelipa.
A transacção dará à Sonangol 35% do bloco. A maior quota pertence à Cobalt International Energy, com 40%. A Nazaki conservará 15% e os restantes 10% são da Alper Oil Ltda, uma empresa em que, segundo o site Maka Angola, dirigido pelo activista Rafael Marques, Manuel Vicente também tem interesses através de terceiros.
O vice-Presidente de Angola foi até ao ano passado presidente da Sonangol. A sua participação na Nazaki foi, segundo a Lusa, confirmada pelo próprio Manuel Vicente numa entrevista ao Financial Times, em 2012.
A compra de metade da participação da Nazaki no bloco 21-09 deverá contribuir para que a Sonangol alcance a meta de produção de dois milhões de barris por dia até 2017, um crescimento de mais de 10%.
A operação no bloco é assegurada pela Cobalt International Energy, que em Março anunciou que os testes tinham sido “excepcionais” e que a produção devia arrancar em 2016.
A Cobalt, com sede em Houston, Estados Unidos, é, segundo a Bloomberg, detida, entre outros, pelo Goldman Sachs, First Reserve, Riverstone Holdings, Carlyle Group e KERN Partners. As ligações da Nazaki a dirigentes angolanos motivaram uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e da U.S. Securites and Exchange Comission, equivalente à comissão de valores mobiliários, à Cobalt, em 2011, recorda a Bloomberg.
A Bloomberg noticiou também que existe outro decreto que autoriza a compra de 15% do bloco 15-06 à Total SA, mostrando que a Sonangol está a dar corpo à estratégia de investir mais de oito mil milhões de dólares na exploração de petróleo na próxima década.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo em África a seguir à Nigéria.
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  Nota do blog pensarnetuno:

   O MPLA de bussines capitalistas de hoje não tem a substância e nem o objetivo popular que tinha antes, com Agostinho Neto. Até onde irá a paciência do povo angolano com isso não sabemos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

LIT, junto com ONGs pró-imperialistas, pede que Obama forneça armas pesadas aos “rebeldes” na Síria....!


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A LIT acaba de elaborar um “balanço” – escandaloso – dos três anos do conflito na Síria. Com todas as letras se coloca ao lado dos “rebeldes”, armados pelas potências imperialistas e Israel, contra o governo de Assad. Até aí nenhuma surpresa! O que chama atenção é que os morenistas reclamam abertamente do suposto “tímido” apoio da Casa Branca aos mercenários sírios! Os ataques do enclave sionista nos arredores de Damasco, o fornecimento de armas via Turquia pela OTAN e os atos terroristas contra o território sírio não bastam! Como o povo sírio não se dobrou aos ditames do imperialismo, a LIT junto com várias ONGs pró-imperialistas (ver cartaz), está organizando para 31 de maio um “Dia Global de Solidariedade com a Revolução Síria”, cujo eixo é reivindicar dos EUA, da União Europeia e seus tà ­teres mais armas pesadas para os “rebeldes amantes da democracia”: “É necessário exigir de todos os governos do mundo, começando por aqueles países da região que são parte da revolução, como Egito, Tunísia e Líbia, que rompam relações diplomáticas e comerciais com a ditadura de Assad e que enviem aviões, tanques e armas pesadas, medicamentos, alimentos e todo tipo de apoio material para as milícias rebeldes, para que estas possam derrotar e acabar com este regime que oprime o povo sírio” (Cercar a Revolução Síria com solidariedade ativa - Suplemento Correio Internacional, 22/05). Trata-se de um verdadeiro chamado à intervenção militar na Síria em socorro aos “rebeldes” não só pelos exércitos controlados pelo Pentágono no Oriente Médio e Norte da África (Egito, Líbia e Tunísia), mas pelo próprio imperialismo, já que “todos os governos do mundo” obviamente inclui EUA, Israel, França, Inglaterra e Itália!!!
Ao mesmo tempo em que conclama o imperialismo agredir a Síria ainda com mais intensidade, a LIT ataca violentamente o Hezbollah, assim como denuncia o apoio dos governos da Venezuela e Irã ao governo de Assad, também alvos da ofensiva neocolonialista da Casa Branca. Segundo os morenistas, “A contraofensiva do regime, que parecia esgotado e amargurava uma série de derrotas pontuais, baseia-se em um elemento novo e de muita importância política e militar: a entrada de forma aberta e contundente dos combatentes do Hezbollah, a partido-milícia xiita libanês, no campo militar da ditadura síria. Desta forma, o Hezbollah, que conseguiu uma importante autoridade e admiração de milhares de ativistas em todo o mundo por ter derrotado a invasão de Israel ao Líbano em 2006, na guerra civil síria está cumprindo um papel literalmente contrarrevolucionário, colocando toda sua autoridade pol ítica e seu poder militar a serviço da sustentação da ditadura da família Assad. Este elemento leva-nos a reafirmar uma conclusão: a esta altura da guerra civil, a ditadura mantém-se no poder fundamentalmente devido ao apoio externo que recebe, como é sabido, não só do Hezbollah, mas também do regime teocrático e reacionário do Irã, que lhe proporciona mísseis e especialistas militares; da Rússia, que lhe provê armas modernas e dispositivos antiaéreos, além de todo o trabalho diplomático e o peso de sua base naval em Tartus; e de países como a Venezuela governada pelo chavismo, que lhe fornece uma parte do combustível utilizado pela aviação do regime para bombardear os rebeldes e a população civil”. Como se observa, trata-se de uma política de completo alinhamento político e militar destes revisionistas canalhas aos planos belicistas do Pentágono, sem meias palavras. O ataque da LIT ao Hezbollah, assim como ao Irã e a Venezuela, enquanto os mo renistas chamam os EUA e Israel a apoiarem os mercenários sírios, é uma prova contundente de que estamos diante de uma força política corrompida política e materialmente que se passou de malas e bagagens para o terreno da contrarrevolução!
Não por acaso, o artigo da LIT declara que “O processo na Síria é principal confronto da revolução e da contrarrevolução mundial hoje” e prognostica: “Nestes momentos em que o regime de Assad empreende uma brutal contraofensiva com a colaboração do Hezbollah e com armas e assessores militares do Irã e da Rússia, baseada em ações genocidas contra o povo sírio, como os massacres atrozes e o uso de gases tóxicos, reiteramos que não existe tarefa mais urgente do que envolver com todo o apoio e solidariedade ativa a causa da revolução síria. Trata-se do principal confronto, atualmente, da revolução e da contrarrevolução mundial. Uma vitória ou uma derrota na Síria teriam impactos muito fortes na região do Oriente Médio e no mundo” (Suplemento Correio Internacional, 22/05). De fato, uma vitória do imperial ismo na Síria após destruição da Líbia pela OTAN, que depois do assassinato de Kadaffi encontra-se totalmente sob o controle das transnacionais do petróleo, consolida uma etapa de aberta ofensiva imperialista mundial contra os povos que se aprofunda desde a queda do Muro de Berlim e da liquidação da URSS. Nesse sentido, os planos de Obama contra a Síria e o Irã fazem parte de uma estratégia global para a transição em 2016 para uma gestão republicana com traços cada vez mais fascistas.
Como nos ensinou Trotsky, em meio a uma guerra é necessário tomar posição clara. A LIT encontra-se no campo do imperialismo, os revolucionários leninistas se postam incondicionalmente no terreno das nações oprimidas atacadas, em frente única com os governos burgueses e as forças populares que o apoiam, como o Hezbollah, mas com total independência política diante deles. Até o momento não ocorreu uma intervenção imperialista direta porque os EUA temem que esta ação desestabilize o conjunto da região em um conflito de grandes proporções que saia do seu controle, com uma nova guerra civil no Líbano, na Palestina e o maior envolvimento do Irã no conflito. O Pentágono vem optando justamente por aumentar a ajuda militar aos “rebeldes”, como clama a LIT, para desestabilizar “internamente” o governo Assad que con ta com forte apoio popular. Porém, os recentes ataques de Israel provam que uma agressão militar direta de modo algum está descartada. A “conferência de paz” marcada para junho visa justamente pressionar ainda mais a Rússia e a China a rifarem Assad. O regime de Damasco, pela sua própria natureza de classe, insiste em confiar em seus aliados capitalistas “russos e chineses”, um grave equívoco político e militar que pode enfraquecer terrivelmente a resistência nacional a ofensiva brutal do imperialismo que se avizinha. O proletariado mundial deve permanecer alerta à nova guerra de rapina que o imperialismo prepara, e assim como ocorreu no Vietnã desencadear a mais ampla solidariedade com os povos e nações atacadas pela besta imperial, denunciando como uma ação pró-imperialista o “Dia Global de Solidariedade com a Revolução Síria” marcado para 31 de maio, organizado pela LIT em conjunto com ONGs. O amargo exemplo da desastrosa derrota sofrida na Líbia onde a quase totalidade da “esquerda” postou-se no campo da contrarrevolução não deve se repetir, sob pena de enfrentarmos o pior retrocesso histórico desde a ascensão do nazismo.
A LIT clama para que o imperialismo seja ainda mais duro em suas medidas contra a Síria. Em sua “denúncia” de por que Obama e a OTAN supostamente estariam protelando um ataque militar a Síria, o PSTU cinicamente alega que “Em síntese, o imperialismo, impossibilitado de intervir militarmente, faz um jogo no qual, por um lado se localiza do lado da oposição ao regime, sobretudo da moderada Coalizão Nacional Síria, mas condicionando até sua autoridade, bem como não está disposto a armar os rebeldes para derrubar Assad e, por outro, também não pode permitir um esmagamento militar dos rebeldes pela ditadura. Um equilíbrio difícil que aponta a um desgaste geral para forçar uma saída negociada. Para isso, valeu-se da força militar de seu enclave dentro da região, Israel, para demonstrar a Assad e sua guarda pretoriana que a melhor solução ao conflito seria seguir o caminho que os Estados Unidos e seus aliados estão traçando: um acordo por cima para evitar um triunfo revolucionário das massas sírias” (Suplemento Correio Internacional, 22/05). Desta forma, esses falsários pró-OTAN chegam ao delírio de afirmar que o governo nazi-sionista de Israel sustenta o regime de Assad para deter o avanço da “revolução árabe”, justamente quando o Mossad financia os “rebeldes” para debilitar a oligarquia síria devido a seu apoio militar ao Hezbollah, visando substituí-la por um marionete aliado e submisso integralmente a seus ditames! A LIT cinicamente ainda lamenta a suposta timidez das grandes potências capitalistas no tratamento ao governo sírio, reclamando “em que pese algumas declarações formais contra a violenta repressão, a ONU e os países imperialistas, especialmente os EUA, silenciam diante deste verdadeiro ‘banho de sangue’”. Para a LIT, não basta conden ações formais, pressões diplomáticas, sanções econômicas, ataques terroristas que geram terríveis consequências ao povo sírio, é preciso agir, ou seja, intervir já militarmente “contra a ditadura Assad”, assim como fizeram a ONU e a OTAN na Líbia.
Em oposição à farsesca “revolução árabe” difundida pela esquerda pró-OTAN, é evidente que os EUA estão concentrando sua ofensiva “diplomática” neste momento contra a Síria, mas seu alvo belicoso principal está mesmo focado no Irã. Porém, para ter sucesso em sua investida contra o regime dos Aiatolás, depende da neutralização dos adversários militares de Israel em toda região, como Assad. Colocando o governo burguês de Assad na defensiva, sob o pretexto da violação dos direitos humanos contra uma oposição nazi-sionista, o imperialismo ianque e seus “sócios” buscam isolar o Irã de possíveis aliados, em sua próxima aventura guerreirista! Está colocado frente à escalada política e militar do imperialismo em apoio aos “rebeldes” made in CIA na Síria, assim como fez na Líbia, combater para que a luta dos povos do Oriente Médio não sirva para o imperialismo debilitar os regimes que têm fricções com a Casa Branca (Irã e Síria), ou mesmo como cínico pretexto para justificar intervenções militares “humanitárias” como a que ocorreu na Líbia. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes, postarem-se em frente única com os governos das nações atacadas ou ameaçadas pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre os países semicoloniais da região, desmascarando vigorosamente aqueles que se fingindo de “esquerda” avalizam a sanha neocolonialista de Obama e seus sócios.
Fonte: Blog da LBI

Desmascarados! Presos na Turquia terroristas sírios portadores de gás sarin

Presos na Turquia radicais sírios portadores de gás sarin PDF Imprimir E-Mail
Ancara, 30 mai (Prensa Latina) As autoridades turcas detiveram dois membros da organização radical islâmica síria frente al Nusra, que portavam dois quilogramas de gás sarin, informou hoje a imprensa local.
Os presos pretendiam empregar essa mortífera substância, considerada desde 1991 pela ONU como um arma de destruição em massa, neste mesmo fim de semana, destaca o jornal Zaman.

De acordo com o jornal Taref, os implicados propunham-se a realizar um ataque terrorista como parte das ações violentas praticadas por grupos armados contra o governo sírio, nas quais a maioria das vítimas são civis.

A frente al Nusra que opera na Síria reconheceu no último dia 10 de abril seus vínculos com a rede Al Qaeda, responsabilizada com vários dos atentados à bomba dos últimos meses no estado do Oriente Médio.

A ex-juíza do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia Carla del Ponte reconheceu que existem elementos para confirmar a utilização do gás sarin pelos grupos armados radicais sírios.

Após o duplo atentado do último dia 11 na localidade de Reyhanli, fronteiriça com a Síria, com um saldo de 53 mortos, as autoridades turcas reforçaram as medidas de segurança que permitiram as mencionadas detenções.

Damasco nega as acusações de algumas nações ocidentais e da oposição síria sobre o suposto uso de armas químicas e, pelo contrário, mostra evidências do uso de substâncias químicas proibidas pelos grupos violentos radicais.

O governo sírio denúncia também a cumplicidade de Turquia na preparação de grupos armados que depois operam no estado levantino.

ls/to/es
 

John Pilger: Vindo do Iraque, um trágico apelo ao processo dos criminosos de guerra


por John Pilger
Munição com 302 gramas de urânio empobrecido. A poeira do Iraque invade as longas estradas que são os dedos do deserto. Ela entra pelos olhos, nariz e garganta; rodopia em mercados e pátios escolares, contaminando crianças a chutarem uma bola; e transporta, segundo o Dr. Jawad Al-Ali, "as sementes da nossa morte". Um especialista em câncer reputado internacionalmente que trabalha no Sadr Teaching Hospital, em Bassorá, o Dr. Ali disse-me isso em 1999 – e hoje a sua advertência é irrefutável. "Antes da Guerra do Golfo", disse ele, "tínhamos dois ou três pacientes de câncer por mês. Agora temos 30 s 35 a morrerem a cada mês. Nossos estudos indicam que 40 a 49 por cento da população nesta área contrairá câncer: num período de tempo de cinco anos para começar, a seguir pouco mais. Isso é quase a metade da população. A maior parte da minha própria família contraiu e nós não temos historial da doença. Aqui é como em Chernobil; os efeitos genéticos são novos para nós; os cogumelos crescem enormemente; mesmo as uvas no meu jardim sofreram mutações e não podem ser comidas".

Ao longo do corredor, a Dra. Ginan Ghalib Hassen, uma pediatra, mantém uma colecção de fotos das crianças que estava tentar a salvar. Muitas têm neuroplastoma. "Antes da guerra, em dois anos vimos apenas um caso deste tumor inabitual", disse ela. "Agora temos muitos casos, sobretudo sem historial familiar. Estudei o que aconteceu em Hiroshima. O aumento súbito de malformações congénitas é o mesmo".

Entre os médicos que entrevistei havia pouca dúvida de que as munições de urânio empobrecido (depleted uranium, DU) utilizadas pelos americanos e britânicos na Guerra do Golfo fossem a causa. Um médico militar dos EUA designado para limpar o campo de batalha da Guerra do Golfo ao longo da fronteira no Kuwait afirmou: "Cada rajada disparada por um ataque de avião A-10 Warthog transportava mais de 4.500 gramas de urânio sólido. Bem mais de 300 toneladas de DU foram utilizadas. Foi uma forma de guerra nuclear".

Embora a ligação com o câncer seja sempre difícil de provar absolutamente, os médicos iraquianos argumentam que "a epidemia fala por si mesma". O oncologista britânico Karol Sikora, chefe do programa de câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 1990, escreveu no British Medical Journal: "Equipamentos de radioterapia, drogas de quimioterapia e analgésicos são sistematicamente bloqueados pelos conselheiros dos Estados Unidos e Grã-Bretanha [no Comité de Sanções ao Iraque]". Ele acrescentou: "Disseram-nos especificamente [por parte da OMS] para não falar acerca de todo o assunto do Iraque. A OMS não é uma organização que goste de se envolver em política".

Recentemente, Hans von Sponeck, o antigo assistente do secretário-geral das Nações Unidas e alto responsável humanitário da ONU no Iraque, escreveu-me: "O governo dos EUA procurou impedir a OMS de inspecionar áreas no Sul do Iraque onde foi utilizado urânio empobrecido e provocou graves perigos de saúde e ambientais".

Hoje, relata a OMS, o resultado de um estudo fundamental efectuado em conjunto com o Ministério da Saúde do Iraque foi "adiado". Cobrindo 10.800 famílias, ele contém "evidência incriminatória", diz um responsável do ministério e, segundo um dos seus investigadores, permanece "top secret". O relatório diz que defeitos de nascimento ascenderam até uma "crise" por toda a sociedade iraquiana onde DU e outros metais pesados tóxicos foram utilizados pelos estado-unidenses e britânicos. Catorze anos depois de soar o alarme, o Dr. Jawad Al-Ali relata "fenomenais" casos de câncer múltiplo em famílias inteiras.

O Iraque já não é notícia. Na semana passada, a morte de 57 iraquianos num dia foi um não acontecimento em comparação com o assassínio de um soldados britânico em Londres. Mas as duas atrocidades estão conectadas. O seu emblema pode ser um dispendioso novo filme de "The Great Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. Dois dos principais personagens, como escreveu Fitzgerald, "destroem coisas e criatura e retiram-se de volta para o refúgio do seu dinheiro ou para a sua ampla indiferença... e deixam outras pessoas limparem a sujeira".

A "sujeira" deixada por George Bush e Tony Blair no Iraque é uma guerra sectária, as bombas de 7/7 e agora um homem a agitar um sangrento cutelo de carne em Woolwich. Bush retirou-se para a sua "biblioteca e museu presidencial" Mickey Mouse e Tony Blair para as suas viagens de gralha e o seu dinheiro.

A sua "sujeira" é um crime de proporções monstruosas, escreveu Von Sponeck, referindo-se à estimativa do Ministério de Assuntos Sociais iraquiano de 4,5 milhões de crianças que perderam ambos os pais. "Isto significa que uma horrenda proporção de 14,5 por cento da população do Iraque é constituída por órfãos", escreveu. "Estima-se que um milhão da famílias são dirigida por mulheres, a maior parte delas viúva". A violência doméstica e o abuso de crianças são certamente questões urgentes na Grã-Bretanha; no Iraque a catástrofe inflamada ela Grã-Bretanha trouxe violência e abuso a milhões de lares.

No seu livro "Telegramas do lado escuro" ("'Dispatches from the Dark Side"), Gareth Peirce, a grande advogada britânica de direitos humanos, aplica a regra da lei a Blair, ao seu propagandista Alastair Campbel e ao seu gabinete de ministros coniventes. Para Blair, escreveu ela, "seres humanos que se presume possuírem pontos de vista [islâmicos] deviam ser incapacitados por quaisquer meios possíveis e permanentemente... na linguagem de Blair um "vírus" a ser "eliminado" e exigindo "uma miríade de intervenções [sic] profunda nos assuntos de outras nações". O próprio conceito de guerra sofreu mutação para "nossos valores versus os seus". E ainda assim, afirma Peirce, "as séries de emails, comunicados internos do governo, não revelam dissenção".

Para o secretário dos Negócios Estrangeiros Jack Straw, enviar cidadãos britânicos inocentes para Guantanamo era "o melhor meio de cumprir nosso objectivo contra o terrorismo". Estes crimes, sua iniquidade a par com o de Woolwich, aguardam processo. Mas quem os exigirá? No teatro kabuki da política de Westminster, a violência distante dos "nossos valores" não tem interesse. Será que nós os restantes também viraremos as costas?
27/Maio/2013
Ver também:


  • Association des Victimes civiles et militaires de la guerre du Golfe

    O original encontra-se em http://johnpilger.com/articles/from-iraq-a-tragic-reminder


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quarta-feira, 29 de maio de 2013

    Rio das Ostras/RJ : Jazz & Blues

    Jazz & Blues

    Quem gosta de boa música tem hoje um encontro marcado no 11º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. O evento será aberto a partir das 17h na Praça José Pereira Câmara, no Centro, que este ano receberá pela primeira vez um show do Festival. E quem inicia a programação é uma das principais big bands de Universidades da América, a BYU Synthesis, que esteve em Campos na noite de ontem e se apresentou no Centro de Convenções da Uenf.
    BYU Synthesis teve origem na School of Music da Brigham Young University (BYU) em Provo, Utah, sendo considerada uma das maiores instituições de ensino superior dos estados Unidos, com mais de 30 mil estudantes de todos os cantos do país e de 120 nações estrangeiras. O grupo apresenta arranjos inovadores e variados do jazz, música latina, blues e swing clássico e já produziu 10 discos, tocando também para audiências na Europa Oriental e Ocidental, Escandinávia, Rússia, Japão e China.
    Já na Área de Eventos de Costazul, que recebeu um cenário especial baseado na famosa cidade do Jazz, Nova Orleans, quem abre as atrações do palco principal, às 20h, é a Orquestra Kuarup, da Fundação Rio das Ostras de Cultura, formada por músicos locais, sob a regência do maestro Nando Carneiro. Em seguida, a Big Band 190, uma das formações musicais existentes na companhia independente de músicos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, se apresenta levando ao público uma seleção diferenciada. Logo após, Lancaster traz para a décima primeira edição do Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras, um estilo que engloba várias vertentes com toques latinos e de soul music. Encerrando o primeiro dia, o guitarrista John Primer & The Real Deal Blues Band.
    E amanhã, dia 30 de maio, às 14h na Lagoa de Iriry, tem apresentação do guitarrista John Primer & The Real Deal Blues Band. Já no palco da Tartaruga, às 17h, tem o vencedor de três Grammy’s, Stanley Clarke, em seu primeiro show acompanhado por sua banda no Brasil. E a noite promete, com as apresentações na Cidade do Jazz, na Área de Eventos de Costazul, a partir das 20h, com shows da Big band BYU Synthesis, dos brasileiros Diego Figueiredo, Léo Gandelman e Charlie Hunter, e o tão esperado Tributo a Celso Blues Boys.
    Serão ao todo cinco dias de muita música e uma programação diversificada, reunindo artistas de grande importância no cenário nacional e internacional. Durante o festival, que promete reunir cerca de 25 mil pessoas por dia, haverá também apresentação de duas bandas Dixie Square Jazz, que percorrerão os principais pontos de Rio das Ostras, executando standards do jazz para divulgar o evento. As apresentações resgatam uma tradição musical apreciada por músicos do estilo musical por permitir maior facilidade no improviso.

                                           Fonte: Folha da Manhã
    29/05/2013 09:34

    ONG britânica é vítima das sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba


    Departamento do Tesouro confiscou fundos da Cuba Solidarity Campaign destinados à compra de livros sobre o embargo


    "The Economic War against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade" foi publicado pela Montly Review Press, editora localizada em Nova York, em abril de 2013 (1). O livro apresenta uma perspectiva histórica e jurídica das sanções econômicas que os Estados Unidos impõem a Cuba desde 1960 e avalia particularmente seu impacto em campos como a saúde, que afetam gravemente as parcelas mais vulneráveis da população cubana já que impedem que a ilha tenha acesso aos medicamentos e a equipamentos médicos fabricados no território estadunidense.

    A obra ressalta o caráter anacrônico, cruel e ineficaz de um estado de sítio que data da Guerra Fria, que atinge de modo indiscriminado todos os setores da sociedade – a começar pelos mais frágeis – e que tem sido incapaz de alcançar seu objetivo, ou seja, a derrocada do governo cubano. Do mesmo modo, lembra que as sanções contra Cuba são repudiadas pela imensa maioria da comunidade internacional, com 188 países que votaram pela 21ª vez consecutiva em 2012 contra o embargo econômico, comercial e financeiro. Por outro lado, 67% da opinião pública estadunidense deseja uma normalização das relações com Cuba, uma vez que os norte-americanos não entendem porque podem viajar para a China, o Vietnã ou a Coreia do Norte, mas não para a maior ilha do Caribe.

    Carlos Latuff/Opera Mundi


    Um capítulo completo trata do caráter extraterritorial das sanções econômicas, as quais violam o direito internacional. De fato, uma legislação nacional não pode ser aplicada em um país terceiro. Por exemplo, a lei francesa não pode ser aplicada na Alemanha e a lei brasileira não pode ser aplicada na Argentina. Pois bem, a lei sobre as sanções econômicas se aplica a todos os países do mundo e um escritório especial do Departamento do Tesouro, o Ofac (Office of  Foreign Assets Control), se encarrega dela.


    Em abril de 2013, a ONG britânica CSC (Cuba Solidarity Campaign) decidiu comprar 100 exemplares do livro The Economic War Against Cuba e pediu ao seu banco inglês, Co-operative, para pagar a fatura através de uma transferência para a conta da Montly Review Press no banco Chase.

    Contudo, a transação não pôde ser realizada. De fato, a Ofac decidiu bloquear os fundos e exigiu à ONG britânica que explicasse em detalhe suas relações com Cuba. Rob Miller, diretor da CSC, expressou seu assombro: “Está se usando uma legislação extraterritorial sobre as sanções econômicas contra Cuba para impedir a venda de um livro no Reino Unido que expõe o alcance do bloqueio contra Cuba [...]. O caráter ridículo do bloqueio estadunidense é ilustrado mais uma vez com este caso, quando tentam impedir que os leitores britânicos de lerem um livro publicado por uma editora norte-americana”.

    É claro que essa não é a primeira vez que os Estados Unidos aplicam de modo extraterritorial as sanções contra Cuba. Para citar um exemplo, se a empresa alemã Mercedes deseja exportar seus carros aos Estados Unidos, tem de demonstrar ao Departamento do Tesouro que seus carros não contêm nem um grama de níquel cubano. Do mesmo modo, se um confeiteiro francês deseja vender seus produtos no mercado estadunidense, tem de demonstrar que não contêm nem um só grama de açúcar cubano. Assim, não apenas as sanções econômicas contra Cuba constituem o principal freio para o desenvolvimento do país, elas também representam um obstáculo para as relações comerciais da ilha com o resto do mundo. Algumas vezes com consequências insólitas.

    Notas de Rodapé:
    (1) The Economic War against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013.

    (*) Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade. Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr /Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel 

    Ministério do Trabalho multa 25 empresas no Porto do Açu, de Eike

    terça-feira, 28 de maio de 2013

    Ministério do Trabalho multa 25 empresas no Porto do Açu, de Eike

    Clipping MP



    Autor(es): Mariana Durão
    O Estado de S. Paulo - 28/05/2013



    Punição. Fiscalização, que resultou em 252 autos de infração, constatou irregularidades como falta de segurança para os trabalhadores, más condições sanitárias dos alojamentos e até atraso no pagamento de salários; o valor da multa não foi divulgado


    O  Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) multou 25 empresas que atuam na construção do Porto do Açu, empreendimento da LLX no Norte fluminense. Foram registrados 252 autos de infração em decorrência de irregularidades detectadas durante uma fiscalização que foi encerrada na última sexta-feira. A operação no empreendimento do grupo EBX, de Eike Batista, envolveu uma força-tarefa de Brasília, Rio de Janeiro e Campos dos Goytacazes e levou duas semanas.

    A falta mais grave foi detectada no transporte de blocos de concreto que servirão como base para o quebra-mar do Açu. Moldada em altomar, a estrutura deveria ser removida ate o porto por um rebocador. A remoção, entretanto, estava sendo feita por uma espécie de retroescavadeira e pondo em risco a segurança de 40 trabalhadores.

    A obra ficará parada até que sejam cumpridas as exigências de segurança do Ministério, informou o gerente regional do MTE em Campos dos Goytacazes, José Pessanha. Os autos de infração, que resultam em multas às empresas responsáveis, punem irregularidades como a falta de equipamentos adequados de segurança do trabalho, contratação de operários sem exame admissional, excesso de horas trabalhadas, más condições sanitárias dos alojamentos e até atrasos no pagamento de salários. O valor total das multas não foi divulgado. As empresas autuadas têm até o dia 3 de junho para recorrer.

    A LLX informou em nota que considera a vistoria do Ministério do Trabalho no Porto do Açu uma ação rotineira em grandes empreendimentos de infraes-trutura. A empresa afirma que cumpre a legislação trabalhista e exige o mesmo de seus parceiros. Sobre  a interdição nas obras do quebra-mar, a LLX diz que já tomou as providências cabíveis. A empresa diz que "a interdição é pontual, em uma única tarefa, e que não interfere no cronograma de obras do empreendimento, que tem início de operação previsto para este ano".

    Atualmente, 172 empresas atuam no Complexo Industrial do Superporto do Açu - 47 diretamente e 125, indiretamente. Todas elas, segundo Pessanha, serão fiscalizadas.

    Denúncias. A operação do ministério foi iniciada após denúncias sobre as más condições de trabalho no Complexo Industrial do Açu, que já teve 8 mil tiabalhadores contratados. A ação do MTE não incluiu as obras do estaleiro da OSX, mas ocorre em meio a uma série de idemissões recém anunciadas na empresa, braço de construcão naval da EBX.

    O estaleiro, localizado dentro do complexo, empregava até o início do ano, direta e indiretamente, cerca de 3 mil pessoas em suas obras. Nos últimos meses, entretanto, já foram demitidos pelo menos 800  funcionários. A OSX confirmaI apenas a dispensa de 315 dos 575  contratados diretos. Em resposta enviada a um questionamento do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a companhia informou que "com o ajuste da equipe de colaboradores da OSX, serviços de apoio e terceirizados também passam
    por adequações".

    Nas contas do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário no Estado do Rio de Janeiro, porém, são mais de 1 mil demitidos. Na tarde de ontem, foi realizada uma audiência no Ministério Público do Trabalho em São João da Barra, com empresas contratadas e subcontratadas para a construção do estaleiro. De acordo com o presidente do sindicato, José Carlos Eulálio, outras 700 demissões graduais estão previstas na unidade de construção naval da OSX.

    No dia 17, a OSX divulgou um comunicado informando alterações em seu plano de negócios. A empresa terá um aumento de capital de US$ 120 milhões a partir do exercício parcial de uma opção de venda do controlador Eike Batista. Outros US$ 380 milhões ficam disponíveis para exercício até março de 2014.

    A companhia dará prioridade a projetos geradores de caixa da unidade de "leasing" e à conclusão da obra da fase inicial do estaleiro para atender a atual carteira de encomendas. Segundo o comunicado, a retomada de futuras fases de construção do estaleiro se dará de acordo com a "confirmação de novas perspectivas quanto a demanda da clientela e correspondente equacionamento econômico-financeiro".

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    terça-feira, 28 de maio de 2013

    Cabo Anselmo e infiltrações:Justiceiros do IRA ou ira dos justiceiros?

    Justiceiros do IRA ou ira dos justiceiros?

    29.05.2013 | Fonte de informações:

    Pravda.ru

     
    Justiceiros do IRA ou ira dos justiceiros?. 18283.jpeg

    Por Fernando Soares Campos

    Em 2005 escrevi artigo expondo as minhas impressões a respeito do caso "Cabo Anselmo" (Cabo Anselmo e os Neogolpistas). Revelei que não acreditava que o referido militar da Marinha de Guerra do Brasil "tornou-se" um "traidor" dos movimentos armados que se opunham ao golpe militar de 1964, somente após seu retorno do exílio, em 1970. Defendo a tese de que, desde o início de sua participação junto aos movimentos sindicais e estudantis, Cabo Anselmo era um elemento a serviço do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha). Portanto, a meu ver, não houve a "virada", a "mudança de lado", conforme muitos defendem; mas, sim, a infiltração de um agente das forças repressoras.


    Entre minhas observações, registrei:
    "Há quem acredite que Cabo Anselmo mudou de lado quando voltou do exílio (Uruguai e Cuba) em 1970. Engano. Na verdade, ele era um agente infiltrado nos movimentos populares que precederam o golpe militar. Sua primeira prisão, em 64, no momento da investida dos militares contra um governo legal e democraticamente constituído, não passou de um jogo de cena dos serviços de informação. E sua fuga da cadeia não foi senão mais uma etapa desse jogo. Veja que eu cheguei a bordo do Submarino Bahia em janeiro de 1969, e, naquela ocasião, os mais antigos já o tratavam como traidor (à boca pequeníssima, claro). Também a sua prisão pela equipe do delegado Sérgio Fleury (não se sabe como ocorreu), pouco tempo depois de sua volta do "exílio", foi, sem dúvida, mais uma armação dos aparelhos repressores, a fim de legitimá-lo como membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e viabilizar a continuação de seu papel como delator."

    Assassinato do marinheiro inglês
    Outra história que considero mal contada é a do assassinato do marinheiro inglês David A. Cuthberg, ocorrido em 5 de fevereiro de 1972. A autoria do atentado foi atribuída a grupos de esquerda que agiam na clandestinidade, movimentos de resistência ao regime militar: ALN, VAR-Palmares e PCBR.

    Na época, em cima dos fatos, o jornal O Globo assim manifestou-se:
    "Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo. cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos."
    * * *
    No site da ONG Grupo Terrorismo Nunca Mais (TERNUMA), o qual informa ter como patrono o ex-presidente general Emílio Garrastazu Médici, encontra-se a relação dos supostos autores do atentado que vitimou o marinheiro David A. Cuthberg:

    "A ação criminosa, tachada como "justiçamento", foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas:
    • Flávio Augusto Neves Leão Salles("Rogério", "Bibico") - ALN, que fez os disparos com a metralhadora.
    • Antônio Carlos Nogueira Cabral("Chico", "Alfredo") - ALN.
    • Aurora Maria Nascimento Furtado("Márcia", "Rita") - ALN.
    • Adair Gonçalves Reis("Elber", "Leônidas", "Sorriso") - ALN.
    • Lígia Maria Salgado da Nóbrega("Ana", "Célia", "Cecília") - VAR PALMARES, que jogou dentro do táxi os panfletos que falavam em vingança contra os "Imperialistas Ingleses".
    • Hélio Silva ("Anastácio", "Nadinho") - VAR-PALMARES.

    • Carlos Alberto Salles("Soldado") - VAR-PALMARES.
    • Getúlio de Oliveira Cabral("Gogó", "Soares", "Gustavo") - PCBR.
    "Liberado da faina do navio H.M.S.Triumph, o marinheiro inglês David A. Cuthberg, de 19 anos, acompanhado de seu colega Paul Stoud, tomou, na Praça Mauá, o táxi dirigido por Antonio Melo, que os levaria para conhecer a mundialmente famosa praia de Copacabana. Eles não sabiam que, desde a chegada na praça, estavam sendo observados por oito terroristas, dissimulados dentro de dois carros.

    "Na esquina da Avenida Rio Branco com Visconde de Inhaúma, à porta do Hotel São Francisco, um dos veículos emparelhou com o táxi e David foi atingido por uma rajada de metralhadora, disparada por Flávio Augusto Neves Leão de Salles. Imediatamente, Lígia Maria Salgado da Nóbrega jogou para dentro do táxi panfletos que falavam em vingança contra os ingleses por terem massacrado os irlandeses do norte. O "Comando da Frente" acabou com o sonho de David em conhecer Copacabana, 'justificando plenamente' seu ato pela solidariedade à luta do IRA contra os ingleses."
    * * *
    Naquela época, eu era um frequentador das boates da Praça Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro. Lembro-me do vaivém dos marinheiros ingleses nos bares e cabarés da área. Eram os mais arruaceiros marujos que conheci: brigavam entre si, subiam nas mesas, vomitavam, importunavam as mulheres, mijavam nos salões e gritavam muito. Geralmente eram vistos em grupos de cinco ou seis transitando entre a Cinelândia e a Praça Mauá. Cheguei a pensar que, a qualquer momento, um deles poderia tornar-se vítima dos cafetões que dão cobertura às suas protegidas. Creio que os gigolôs devem ter tido vontade de atacá-los, mas certamente não se atreveriam a tanto.

    Também não acredito que oito "subversivos" procurados pela repressão fizessem plantão na Praça Mauá "dissimulados dentro de dois carros" e ainda realizassem um ato terrorista a uns 100 metros dali.

    Quem conhece a Praça Mauá e a frequentou nos anos 70 sabe que aquele era o local menos apropriado para um grupo de "oito terroristas" efetuar um atentado desses. Além da mais temida delegacia de polícia do Rio de Janeiro, existem no local instalações da Marinha de Guerra. A área fervilhava de agentes do DOI/CODI, do CENIMAR, policiais civis e militares. Por que escolheriam um ambiente desses quando os marinheiros ingleses poderiam ser encontrados facilmente (andavam fardados) em várias regiões, da Zona Sul ao Centro da cidade? Por que teriam necessidade de ficar se expondo num lugar daqueles? (A área de estacionamento da Praça Mauá é relativamente pequena e geralmente era ocupada por viaturas da própria polícia.)

    "Lígia Maria Salgado da Nóbrega jogou para dentro do táxi panfletos que falavam em vingança (...) 'justificando plenamente' seu ato pela solidariedade à luta do IRA contra os ingleses."

    Deixar registrado uma justificativa para atos dessa natureza era, na época, uma prática dos esquadrões da morte. Os grupos de extermínio costumavam colocar ao lado de suas vítimas cartazes informando que estes foram executados por serem "ladrões", "estupradores", "assassinos" ou atuarem em qualquer outra atividade criminosa.

    Parece que até hoje prevalece a versão oficial, que nunca me convenceu, por isso andei pesquisando a respeito do caso e encontrei essas matérias. Porém, sobre os acusados, só tive notícias de quatro deles: Antônio Carlos Nogueira Cabral, Getúlio de Oliveira Cabral, Aurora Maria Nascimento Furtado e Lígia Maria Salgado Nóbrega.

    Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
    Morto aos 23 anos.
    Estudante de Medicina na Universidade de São Paulo, era Presidente do Centro Acadêmico Osvaldo Cruz.
    Segundo versão oficial, Antônio Carlos teria morrido, aos 25 anos, no Rio de Janeiro, em tiroteio ao resistir à prisão, na casa em que morava. Mas, segundo a vizinhança, não houve tiroteio algum. Associado a isto existe o fato de que seu caixão foi entregue à família lacrado e com ordens expressas de não abri-lo. O enterro de Antônio Carlos contou, ainda, com a presença ostensiva de policiais.
    O corpo de Antônio Carlos entrou no IML pela guia n° 05 do DOPS, como desconhecido, morto ao reagir à prisão. Foi identificado por sua irmã, Maria Elizabeth Nanni, em 18 de abril de 1972 e entregue à família no dia 19.

    A necrópsia foi assinada pelos Drs. Olympio Pereira da Silva e Jorge Nunes Amorim.
    O óbito teve como declarante Álvaro Silva e também confirma a versão oficial de que foi morto em "aparelho subversivo" ao reagir à prisão. Entretanto, as fotos da perícia de local (n° 293/72), obtidas no Instituto Carlos Éboli/RJ, mostram escoriações nas mãos, no tórax e no rosto, faces e testa. Algumas são descritas na necrópsia, outras não.
    Não se encontrou registro de ocorrência em delegacia policial.
    Relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica falam que teria morrido no dia 12 de abril de 1972, às 5:25 h na Rua Zizi, 115, Lins de Vasconcelos, após intenso tiroteio ao resistir à ordem de prisão.

    (*1942 +1972) Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR).

    Nasceu em 4 de abril de 1942, em Espera Feliz, Minas Gerais. Filho de Manoel D'Oliveira e Lindrosina Cabral de Souza.
    Estudou o 1º grau na Escola Darcy Vargas, em Caxias (RJ), onde sua família passou a residir.
    Casou-se com Maria de Lourdes, com quem teve dois filhos.
    Ainda muito jovem iniciou sua militância na União da Juventude Comunista. Mais tarde incorporou-se ao Centro Pró-Melhoramentos de Caxias.
    Filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos onde participou das lutas de sua categoria profissional.
    Foi dirigente regional do PCB e, posteriormente, dirigente nacional do PCBR.

    Escriturário da Fábrica Nacional de Motores (FNM).
    Morto sob torturas no dia 29 de dezembro de 1972, aos 31 anos, no DOI/CODI-RJ. Getúlio foi uma das vítimas do massacre que também vitimou Fernando Augusto da Fonseca, José Silton Pinheiro e José Bartolomeu Rodrigues de Souza.

    Os Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica dizem que "faleceu dia 29 de dezembro de 1972, no Rio de Janeiro em tiroteio com agentes de segurança..."

    O relatório da Anistia Internacional diz que ele foi morto e colocado em um carro incendiado - sendo seu corpo parcialmente carbonizado, após ter sido torturado no DOI-CODI/RJ, juntamente com José Silton Pinheiro, José Bartolomeu Rodrigues de Souza e Fernando Augusto Valente da Fonseca.
    No Arquivo do DOPS/PE encontrou-se em seu prontuário de n° 19.407 a informação de que "foi morto na Guanabara, em tiroteio com as Forças Armadas". Segundo informações contidas nesse documento, Getúlio foi servente do Ministério da Indústria e Comércio, tendo sido demitido por perseguição política no final do ano de 1964. Em 1971, estava com prisão preventiva decretada.

    Aurora Maria Nascimento Furtado (*1946 + 1972)
    Nasceu em 13 de junho de 1946 em São Paulo. Foi morta em 10 de novembro de 1972 no Rio de Janeiro. Era estudante de Psicologia da Universidade de S. Paulo). No dia 9 de novembro de 1972, durante uma batida policial executada pelo 2⁰ Setor de Vigilância Norte - Parada de Lucas-RJ - refugia-se num ônibus, onde foi aprisionada. Torturada na presença de populares, foi depois conduzida à Invernada de Olaria. Ali foi torturada com "pau-de-arara" e choques elétricos, e a "Coroa de Cristo" - torniquete que esmaga aos poucos o perímetro craniano. Esta ação foi executada em conjunto por policiais do DOI/CODI e do Esquadrão da Morte. Após as torturas, seu corpo, crivado de balas, foi abandonado na esquina das Ruas Adriano e Magalhães Couto, no bairro do Meier, no Rio de Janeiro. A necropsia, datada de 10 de novembro de 1972, foi assinada pelos médicos legistas Elias de Freitas e Salim Raphael Balassiano e atesta ferimentos penetrantes na cabeça com dilaceração cerebral. No dia 11 de novembro de 1972 foi reconhecida no IML/RJ por seu pai, que a traslada para São Paulo com ordens expressas para não abrir o caixão lacrado. Esta ordem não foi acatada pela família, que consegue realizar novo exame no IML, que demonstra inúmeros sinais de torturas, queimaduras, cortes profundos, hematomas, afundamento de crânio pelo uso da "coroa de Cristo", que foi a causa da morte. Não há referência à sua morte em relatórios dos três Ministérios militares. 1972

    Lígia Maria Salgado Nóbrega (*1947 + 1972)
    Nasceu em 30 de julho de 1947 em Natal, no Rio Grande do Norte. Foi assassinada em 29 de março de 1972, durante tiroteio, juntamente com Maria Regina Lobo de Figueiredo e Antônio Marcos Oliveira, na casa em que se encontravam - Av. Suburbana, no 8988 - casa 72, Bairro Quintino, RJ - por meio de uma ação chefiada pelo DOI-CODI/RJ. No dia 30 de março de 1972 o corpo de Lígia chega ao IML/RJ sendo dada como desconhecida pela guia no 1 - DOPS/RJ. Foi reconhecida depois pelo irmão. As fotos e o laudo da perícia local no 1884/72 e a Ocorrência no 264/72 do Instituto de Criminalística Carlos Éboli /RJ afirma que o corpo estava baleado. A necropsia, assinada pelos médicos legistas Eduardo Bruno e Valdecir Tagliari confirmaram a versão oficial de tiroteio.
    * * *
    Diante de tudo isso, não dá pra esquecer o caso Rio Centro. Também não esqueçamos o abortado caso Para-Sar, denunciado pelo comandante da tropa de elite da Aeronáutica, o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, aos seus superiores. Segundo Sérgio Macaco (apelido do capitão), o brigadeiro João Paulo Burnier, chefe de gabinete do ministro da Aeronáutica, havia tentado envolver a tropa num plano terrorista para explodir um gasômetro no Rio, matar cerca de 100 mil pessoas (esta ação criminosa seria atribuída aos grupos "terroristas") e lançar ao mar, de avião, os principais expoentes da oposição; entre eles, Juscelino e Lacerda, este que parecia ter-se arrependido de haver apoiado o golpe em 64. Sérgio e seu superior foram punidos pela denúncia. Burnier permaneceu na ativa.

    Certamente isso não é tudo o que precisamos para esclarecer aquele obscuro acontecimento, entretanto nos fornece informações suficientes para continuar acreditando que aqueles jovens não foram os "justiceiros do IRA". O caso aponta mais para "a ira dos justiceiros".

    Fontes de pesquisa
    http://www.ternuma.com.br/terrorfev.htm
    http://www.ternuma.com.br/marinheiro.htm
    http://www.aldeiaplanetaria.com.br/Astro-Sintese/dossie.htm
    http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhe.asp?CodMortosDesaparecidos=105
    http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhe.asp?CodMortosDesaparecidos=115
    http://www.estadao.com.br/1964/ai1.htm

    Astronomia: E o maior mistério do universo é…

    terça-feira, 28 de maio de 2013

    E o maior mistério do universo é…

    São 15 anos a coçar a cabeça, desde que percebemos que algum agente misterioso está empurrando o universo para longe. Nós ainda não sabemos o que é. Ele está em toda parte e não podemos vê-lo.

    Reponde por mais de dois terços do universo, mas não temos ideia de onde vem ou de que é feito. “A natureza não está pronta para nos dar alguma pista ainda”, diz Sean Carroll, físico teórico do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena (EUA). Um nome já lhe foi dado: energia escura. Agora, a busca é sobre o que realmente é. Ainda este ano, os astrônomos irão começar um novo levantamento do céu para procurar sinais do material entre as explosões de estrelas e antigos aglomerados de galáxias. Um pacote de missões espaciais e gigantescos telescópios baseados na Terra em breve se juntarão à missão. Até o momento, nosso conhecimento é bastante escasso. Ele é limitado a, talvez, três coisas. Primeiro, sabemos que a energia escura empurra.
     Em 1998, observaram-se inesperadas explosões de supernovas, que estavam mais longe do que imaginávamos. O espaço parece, em algum momento, ter começado a se expandir mais rápido, como se impulsionado por uma força repulsiva agindo contra a gravidade atrativa da matéria. Em segundo lugar, há vários ingredientes nela. O movimento e aglomeração de galáxias nos diz o quanto a matéria é exterior ao universo, enquanto que as micro-ondas cósmica emitidas 380 mil anos após o Big Bang nos permitem estudar a densidade total da matéria mais a energia. Este segundo número é muito maior. De acordo com os dados mais recentes, incluindo observações de micro-ondas do satélite Planck, da Agência Espacial Europeia, cerca de 68% do universo é, de alguma forma, não material, ou energética.

    Em terceiro lugar, a energia escura é um excelente combustível para as mentes criativas dos físicos. Eles a veem em centenas de formas diferentes e fantásticas. A mais “simples” delas é a constante cosmológica. É uma densidade de energia inerente ao espaço, que dentro da teoria geral da relatividade de Einstein cria uma gravidade repulsiva. Conforme o espaço se expande mais e mais, torna a sua repulsa mais forte em relação à gravidade. Partículas físicas até parecem fornecer uma origem para ela, em partículas virtuais que aparecem e desaparecem no vácuo quântico incerto.
    Mas muitas discrepâncias catastróficas deixam espaço para uma mistura variada de teorias alternativas. A energia escura poderia ser quintessência, um campo de energia hipotética que permeia o espaço. Ou pode ser uma forma modificada da gravidade que repele a longa distância, ou uma ilusão nascida da posição da Terra no cosmos. Talvez a energia escura poderia assumir a forma de ondas de rádio trilhões de vezes maiores do que o universo observável. “Muitas pessoas inteligentes têm tentado inventar algo melhor do que a constante cosmológica, ou entender por que a constante cosmológica tem este valor. Grosso modo, elas falharam”, diz Carroll.
    Uma maneira de ir direto ao ponto pode ser descobrir se a energia escura está mudando ao longo do tempo. Se não for verdade, isto excluiria a constante cosmológica: como uma propriedade inerente do espaço, a sua densidade deve permanecer inalterada. Na maioria dos modelos de quintessência, por outro lado, a energia torna-se diluída lentamente, como trechos de espaço – embora em alguns realmente se intensifique, bombeada pela expansão do universo. Em teorias mais modificadas da gravidade, a densidade da energia escura também é variável. Ela pode até subir um pouco e, em seguida, descer, ou vice-versa.

    O destino do universo paira neste equilíbrio. Se a energia escura permanecer estável, a maioria dos cosmos irá acelerar para longe, deixando-nos em uma pequena ilha do universo cortado do resto do cosmos. Se intensificar-de, pode eventualmente destruir toda a matéria em um “Big Rip” (“grande rasgo”), ou até mesmo tornar o tecido do espaço instável aqui e agora. Nossa melhor estimativa hoje, baseada principalmente em observações de supernovas, é que a densidade da energia escura é bastante estável. Há uma sugestão de que está aumentando ligeiramente, mas as incertezas são muito grandes para nos preocuparmos com esse aumento.

    Mais Informações em: http://hypescience.com/e-o-maior-misterio-do-universo-e/
    Fonte: Hypescience.com
    [NewScientist]

    EUA estão perdendo a guerra clandestina na Síria

    Varios informes recientes sobre el terreno sugieren que EEUU están perdiendo la guerra clandestina en Siria en la que se embarcó al apoyar a los terroristas sirios, algunos de ellos afiliados a Al Qaida. Estos militantes han sido diezmados por las Fuerzas Armadas sirias.
    El Ejército sirio ha lanzado una ofensiva a escala nacional con el fin de cortar los aprovisionamientos de armas y municiones a los grupos armados.
    El Ejército se ha concentrado en lograr el bloqueo de las rutas de contrabando de este material, las cuales pasan sobre todo por el norte del Líbano, Turquía y Jordania”. (Ver “Buying Time in Syria” de Phil Greaves, Global Research, 11 de Mayo de 2013).
    El Frente al Nusra está compuesto fundamentalmente por mercenarios reclutados en Siria, Arabia Saudí y Qatar. Miembros de las fuerzas especiales de algunos países y consejeros militares occidentales se han integrado igualmente en sus filas.
    Los terroristas afiliados a Al Qaida están directamente financiados por Washington y constituyen los soldados de infantería de la alianza militar contra Siria.
    La CNN ha confirmado que las fuerzas especiales estadounidenses han proporcionado una formación a los terroristas de Al Qaida sobre la utilización de las armas químicas.
    Según las fuentes, la formación en el uso de estas armas ha tenido lugar en Turquía y Jordania y ha versado sobre las formas de vigilar y asegurar las reservas de armas químicas, así como la gestión de los sitios donde se encuentran.
    Algunos de estos instructores actuarían también sobre el terreno en Siria y trabajarían con los rebeldes allí para vigilar ciertos sitios.
    La nacionalidad de estos instructores no ha sido divulgada, pero las mismas fuentes han indicado que probablemente sean casi todos estadounidenses (CNN, 9 de diciembre de 2012).
    Los rebeldes de Al Qaida han utilizado ya estas armas químicas en Jan al Assal, cerca de Alepo, y podrían hacerlo de nuevo con el fin de culpar al gobierno sirio de un hecho de estas características y crear así un pretexto para una intervención militar en el país.

    Prof. Michel Chossudovsky
    Mondalisation.ca

    Jean Salem :Marxismo, uma filosofia da praxis para a revolução




    28.Mai.13 :: Colaboradores
    Nos nossos dias a atmosfera de mercantilização generalizada dos objectos e dos seres humanos facilita-nos mais uma vez a compreensão imediata do texto do Manifesto. Definitivamente, há muitas coisas que poderemos encontrar em Marx adaptando-as, claro está, à nossa própria época. Por isso é que o marxismo se mantém, como filosofia, inultrapassável do nosso tempo.

    Marx, mais actual que nunca
    1. Marx não é apenas um «clássico» do pensamento filosófico. Estou convencido que Marx é hoje mais contemporâneo para nós do que era há trinta ou quarenta anos! Tomemos, por exemplo, o Manifesto do Partido Comunista. Lembro-me de, quando o lia pela primeira vez, ir perguntar ao meu pai: que significa essa «concorrência» entre operários que os autores falam em várias ocasiões? A concorrência entre capitalistas, a concorrência mesmo no seio da burguesia, isso era na verdade evidente; mas a possibilidade de que existisse uma concorrência entre trabalhadores não parecia tão evidente, numa época em que os sindicatos eram fortes, em que a classe operária estava poderosamente organizada, numa época de pleno emprego (ou quase) e de políticas «keynesianas». Hoje em dia, pelo contrário, qualquer pessoa remetida para empregos cada vez mais precários e menos frequentes compreenderia isto desde a primeira leitura: efectivamente, o sistema repete-lhe constantemente «se não estás contente, e mais ainda se protestares, há mais dez que estão dispostos a ocupar o teu lugar!». Penso também naquele trecho em que Marx e Engels falam da prostituição, na altura muito alargada entre a classe operária inglesa: não era um fenómeno de massas na década de 1960. Mas, nos nossos dias, depois da grande «libertação» de 1989-1991, há mais de 4 milhões de mulheres que foram – literalmente – vendidas: e esta atmosfera de mercantilização generalizada dos objectos e dos seres humanos, a nossa, facilita-nos, mais uma vez a compreensão imediata do texto do Manifesto. Definitivamente, há muitas coisas que poderemos encontrar em Marx adaptando-as, claro está, à nossa própria época. Por isso é que continuo a acreditar que o marxismo se mantém, como filosofia, inultrapassável do nosso tempo.
    Em primeiro lugar não se pode falar, a não ser por graça, de desaparecimento da classe operária, visto que a China e a Índia, que têm quase metade da população humana, se converteram nas duas principais manufactureiras do mundo que alimentam o comércio mundial. Além disso, subsistem alguns operários ainda noutros lugares, não acham? Isto, sem contar com todos esses imigrantes que trabalham na Europa ou nos Estados Unidos, amiúde clandestinamente e, mais amiúde ainda, invisíveis ou quase. Isto parece-me dificilmente contestável… Na realidade, estas considerações relativas à pretensa extinção da classe operária parecem-me euro – ou «ocidental»-centrica. Em grande parte nascem sobre o húmus da antiga exploração colonial; germinam num mundo em que a classe operária ocidental pôde e pode continuar (ainda que em menor medida) a beneficiar, embora mais exiguamente, de migalhas provenientes da pilhagem de países pobres. Noutros tempos esta realidade contribuiu para prevenir a explosão de uma verdadeira revolução na Europa, e as estruturas capitalistas puderam assim manter-se, embora muito contestadas por correntes políticas poderosamente organizadas. Desindustrializai à toa; devastai regiões inteiras fechando os locais de produção em que antes se concentravam muito visivelmente operários qualificados. Não apanheis nunca o metro antes das 7H30 da manhã; olhai fixamente para a televisão, que não vos dá quase nunca a palavra; e sobretudo, não viajeis: tereis então suficientes razões para não ver a classe operária e até mesmo para imaginar que está morta…
    Para isso, e em muitas ocasiões como foi o caso de 1981, a social-democracia serviu de «salva-vidas» do sistema e de amortecedor extremamente eficaz para deitar por terra qualquer tentativa de alteração social. Mas a crise está aí. Aí mesmo. Rir-se-iam na nossa cara se na década de 1960 algum de nós tivesse o atrevimento de defender a tese da pauperização absoluta da classe operária nos países capitalistas desenvolvidos: então, nos EUA uma família operária podia, sem dificuldades de maior, ter dois carros… Daí para cá não acabámos de acordar das ilusões de um passado muito recente (o da época que o pensamento único decidiu baptizar de «Os Trinta Gloriosos Anos»). Estamos confrontados com um mundo preenchido de insuportáveis desequilíbrios, um mundo em que o poder aquisitivo dos que trabalham (e dos que estão impedidos de o fazer) se reduz à sua expressão mais simples.
    Em suma, apesar da destruição da escola pública, da saúde pública, de tudo aquilo que foi conquistado graças à luta, subsistem ainda, sem margem para dúvidas, possibilidades de concentrações, de alianças, não só de operários franceses e operários italianos, europeus, mas também de operários europeus e trabalhadores «extracomunitários», como acontece no vosso país. Todos têm, fundamentalmente, interesses convergentes, sejam quais forem as diferenças existentes entre os seus percursos, as suas crenças privadas, os seus ritos, os seus hábitos alimentares. Sejam quais forem os mexericos do fascismo vindouro, ou que poderá, pelo menos, voltar. Toda aquela gente é, com efeito, mercadoria humana. Uma mercadoria cada dia tratada com menos consideração.
    A crise
    2. Não é segredo para ninguém: o sentimento de declínio invadiu a maior parte da Europa. Nos nossos países evoca-se hoje incessantemente, com uma nostalgia não desprovida de amnésia, os «30 gloriosos» (que não eram gloriosos para toda a gente!), isto é, os 30 anos de expansão económica, de pleno emprego e de crescimento industrial que se seguiram ao fim da segunda guerra mundial. Até ao fim da década de 1970, inclusive aos olhos de muitos comunistas, a ideia de que nos países da OCDE a classe operária pudesse um dia empobrecer parecia uma ilusão. O capitalismo ocidental parecia destinado a puxar indefinidamente para «cima» o conjunto das rendas.
    Com a crise surgida em 1973, estas utopias começaram a perder todo o crédito. Dezenas de milhares de pessoas começaram a dormir nas ruas. O desemprego começou a respeitar a mais de 26 milhões de pessoas na Europa: na Grécia, na Irlanda ou em Portugal a história repete-se e verdadeiros fluxos migratórios começam a formar-se em direcção ao Canadá ou à Austrália. Por falta de meios, os sectores públicos deterioram-se: os transportes urbanos, mas também o sector da saúde, o da educação, etc.. Os salários são cortados, comprimidos, ao ponto de quase um francês em cada seis viver actualmente sobre a «linha de pobreza». As camadas médias estão confrontadas com dificuldades que, há 20 anos, pareciam impensáveis. Em resumo, a afirmação do jovem Engels segundo a qual a sociedade capitalista tende a dividir o mundo em milionários e pobres (…bis die Welt in Millionäre und Paupers geteilt ist) [1] não poderá surpreender ninguém.
    Do ponto de vista ideológico é preciso constatar que, como noutras épocas de crise, a mobilização dos trabalhadores (ou dos não trabalhadores!) em luta pela sua sobrevivência económica e social depara com redobradas dificuldades. O fim da União Soviética e a forma como esta foi apresentada pela propaganda oficial formataram muitos dos que tinham 15 ou 20 anos em 1968 nas suas viagens e na sua adesão, mais ou menos total, ao sistema vigente. O oportunismo afluiu aos partidos comunistas oeste-europeus que pareciam considerar como dados intangíveis o estado da muito relativa «democracia» e da ainda mais relativa prosperidade que prevalecia ainda na Europa até à década de 80, mesmo quando esta prosperidade começava a marcar passo, e esta «democracia» estava prestes a ser sistematicamente destroçada (votações espezinhadas, guerra permanente contra as liberdades públicas e os direitos sindicais, crescimento exponencial das medidas de controlo social e da confusão burocrática neoliberal, etc.).
    E é assim que a Europa, em meados dos anos 1980, pôde contar com 17 governos conduzidos por social-democratas, com os resultados que se conhecem: financeirização da economia em demasia, crescente descomprometimento do Estado salvo no que respeita à «vigilância nocturna» (exército, polícia) perfeita confusão entre da «direita» e «esquerda», que se revezam desde esta época na imposição aos povos de um plano de austeridade após outro (lembremos a propósito o que disse um dia Gianni Agnelli, o patrão da FIAT: «quando as coisas se complicam a tal ponto, a esquerda faz melhor o trabalho que a direita»). Tal como em França onde no espaço de trinta anos, a parte da riqueza produzida que passou da remuneração do trabalho, isto é dos salários, para a remuneração do capital, isto é, sobretudo dividendos, corresponde a 10 pontos do Produto Interno Bruto (PIB)…
    O nosso seminário “Marx no século XXI” (na Sorbonne)
    3. Foi neste contexto em que as actuais lutas operárias são, infelizmente e por enquanto, essencialmente defensivas, neste clima de anticomunismo generalizado com um perfume de pré-guerra, que lançámos em 2005 com alguns colegas um seminário semanal chamado «Marx no século XXI». Na Sorbonne. Para mostrar, ali, a presença do marxismo que alguns diziam estar «morto» desde há muito tempo. Por vezes este seminário junta 200 pessoas, nunca menos de 100. Vinde ver! Tomai nota deste endereço: http://chspm.univ-paris1.fr/spip.php?article271.
    Aí vereis que filmámos mais de 150 comunicações feitas por quase outros tantas/os convidadas/os. Dezenas de milhares de pessoas acompanham semanalmente na internet as nossas conferências e outras jornadas de estudo.
    Guardadas as distâncias (!), a ideia que presidiu ao lançamento deste seminário foi um pouco análoga à que, noutros tempos, levou Lenine a fundar o seu jornal Iskra, um jornal destinado, dizia, a reunir, a federar mil energias até então dispersas na Rússia dos czares. Para nós, tratava-se de convidar, uma após outra, todas aquelas e todos aqueles que, até aqui, trabalhavam ou julgavam trabalhar «no seu recanto», isoladamente, nas condições actuais de pesquisa em França e fora: pois em França particularmente as pesquisas marxistas foram marginalizadas desde há muito tempo, quando não foram mesmo censuradas.
    É claro que a vinda de Domenico Losurdo, Enrique Dussel, David Harvey ou de George Labica, André Tossel, Daniel Bensaïd, Michael Löwy, Slavoj Zizek, etc., constituíram grandes momentos do seminário! E é também claro que, do ponto de vista político, sentimo-nos muito próximos de pessoas como Losurdo ou Labica (este último infelizmente já desaparecido). Quanto a alguns outros dos nossas/os amigas/os e convidadas/os, pesar da estima que tenho por eles, tenho vários desacordos com eles, particularmente no que respeita à sua maneira de abordar a questão do muito necessário balanço da experiência do «socialismo real».
    Dito de outra maneira, vemo-nos reduzidos neste momento a adaptar-nos ao que Immanuel Wallerstein chamou os «mil marxismos»: aí está o efeito de uma situação tão apaixonante como inquietante, de uma situação que é a nossa, e que se caracteriza, como dizem, por uma cruel falta de organização revolucionária na Europa, no momento em que o sistema vacila nas suas bases.
    O trabalho humano e o sistema do dinheiro
    4. Como não é possível falar de tudo, falarei agora do jovem Marx, o que não significa (acaso será útil que o precise?) que esqueça o Manifesto do Partido Comunista ou o Capital! Começarei por lembrar um belo texto de Cícero (Dos Deveres, II, IV, 14-15) que me parece, além dos séculos, susceptível de esclarecer o presente trecho: «Pensa ainda nos aquedutos, no desvio dos cursos de água, na irrigação dos campos, nos diques contra as inundações, nos portos construídos pelas nossas mãos; como seria possível isso tudo sem o trabalho dos homens? Através destes exemplos, entre muitos outros, fica claro que o benefício e a utilidade que retiramos de coisas inanimadas não poderiam ser alcançados de nenhum outro modo, a não ser pelos braços e o trabalho dos homens. Quanto aos benefícios e as vantagens que obtemos dos animais, como poderíamos obtê-los se os homens não viessem ajudar-nos? Uma vez que os primeiros que descobriram o jeito de empregar cada espécie de animais foram certamente os homens; desde essa época, não poderíamos sem o trabalho dos homens nem apascentar os animais, nem domesticá-los nem abrigá-los, nem tirar proveito útil, nem especialmente exterminar os animais daninhos, nem apropriar aqueles que podem servir para nosso uso. […] É só por isso que a civilização humana se distingue da maneira de viver dos animais».
    Então, para o jovem Marx, para o Marx dos Manuscritos de 1844, a via de acesso ao estudo do trabalho é a análise dos sintomas da sua perversão. Para Marx trata-se de descrever a alienação nas suas formas ideológicas para regressar às suas formas concretas, à sua origem: àquilo que se chama o trabalho alienado.
    A alienação económica é claramente designada, em 1844 como a da vida real. A miséria resulta da essência do trabalho actual. Do mesmo modo que noutro tempo se opuseram amo e escravo, mais tarde patrício e plebeu, depois soberano e vassalo, vemos hoje oporem-se o que não trabalha e o trabalhador, escrevera Gans, um professor hegeliano a cujos cursos Marx assistira em Berlim (reconhece-se aqui uma frase que se encontrará no Manifesto). Assim, o que se opõe à emancipação da humanidade é a desigualdade social que levanta os homens uns contra os outros.
    A realidade é esta: se é bem verdade que o trabalho produz maravilhas para os ricos, ele é a miséria para o operário. Adam Smith, o fundador da economia política clássica, afirma que, na origem, «o produto inteiro do trabalho pertence ao operário» [1]. Mas reconhece ao mesmo tempo que é a parte mais pequena e estritamente indispensável que lhe cabe. A economia política burguesa explica assim ao mesmo tempo que tudo se compra com o trabalho, e que os proletários estão obrigados a venderem-se todos os dias. Por um mesmo movimento do pensamento proporcionaram-se os meios para não reconhecer a alienação do trabalho. A sua objectividade de fachada ratifica, consagra a alienação dos homens. Não se preocupa com a vida do homem, e é essa a sua infâmia.
    Quando considera o proletário somente como um operário, quando vê no homem apenas uma máquina de consumir e produzir, um «burro de carga», quando considera a vida humana como um capital, quando abandona o homem no tempo em que o médico não trabalha, o juiz e o coveiro e o preboste de mendigos, dizem ao operário: se por acaso não tiveres trabalho, portanto nem salário – como não existes para mim como homem mas apenas como operário, podes morrer de fome e ser enterrado. A categoria de salário assume assim para o economista a de mínimo vital para o operário e a sua família, - mínimo para que a raça dos operários não desapareça. E esta é indiferença dos teóricos a respeito dos homens encontra uma simbologia perfeita no modelo da lotaria proposto por Smith: «Numa lotaria perfeitamente igual, os que tiram os bilhetes premiados devem ganhar tudo o que perdem os que tiram os bilhetes sem prémio. Numa profissão em que vinte fracassam por cada uma que tem sucesso, este último tem de ganhar tudo o que poderia ter sido ganho pelos vinte que fracassaram» (that one ought to gain all that should have been gained by the unsuccessful twenty) [2]. E o reino do dinheiro manifesta-se, evidentemente, pela proliferação anárquica das necessidades, sem qualquer relação com as exigências naturais do homem.
    Então, se o trabalho só aparece no discurso dos economistas sob a forma da actividade que proporciona um ganho, isso quer dizer que o operário no «estádio da economia» (é assim que Marx chama então ao capitalismo), já não pode ter mais actividade do que para adquirir os meios de subsistir. Por isso, o objecto do trabalho é indiferente para o operário, pois este vê-se espoliado por outro homem, pelo capitalismo que o domina como deus domina o seu servidor, no preciso momento em que os milagres dos deuses se tornam supérfluos devido ao trabalho humano. O que conta para o trabalhador é quase exclusivamente a remuneração em dinheiro que o capitalista aceitará dar-lhe depois da operação de produção.
    E a alienação do objecto do trabalho (o facto de ter que o ceder a um outro) mais não é do que o resumo da alienação, do desapossamento na actividade de trabalho própria. O operário, ao depender cada vez mais de um trabalho penoso unilateral, mecânico, somente trabalha para manter a sua vida, debilita-se com esse trabalho, que perdeu para ele a aparência de manifestação de si-próprio. Todo o seu penoso trabalho é exterior, estranho ao operário, já que não realiza a sua essência, mas pelo contrário encontra nele a sua negação. Definitivamente, o trabalho deveria ser gozo da vida, prazer e o operário não se sente bem com ele próprio mais do que fora do trabalho.
    A necessidade social e a necessidade humana não têm mais nada de comum, o individuo é, em terceiro lugar, totalmente separado do que Marx, depois de Feuerbach, chama a vida genérica, o género (die Gattung). Algo assim como a «essência» do homem. Marx abandonará mais tarde esta categoria, no fim de contas muito abstracta. Mas o essencial do que afirma ainda é actual: o trabalho lucrativo aliena, destrói a natureza do homem, isto é, o seu ser-sociável. O trabalho, a vida foram conduzidos a um mero meio de sobrevivência. A «essência» do homem tornou-se assim o meio da sua existência.
    A indústria constitui o «livro aberto» das forças humanas essenciais. Quase não encontramos hoje objectos puramente naturais: a actividade humana é «a base de todo o mundo sensível tal e como existe nos nossos dias [3]. E no entanto, como se tornou alheio ao produto do seu trabalho, para a actividade vital e para o ser genérico, o homem tornou-se estranho para o outro homem. O outro é um poder hostil ou, no máximo, um objecto que se pode utilizar para satisfazer interesses egoístas. O capitalismo leva assim até o fim o que Marx chamará mais tarde no Capital a reificação das relações sociais, isto é, a dominação da matéria inerte sobre os homens. Leva ao paroxismo o que Georgy Lukács chamará ainda mais claramente, em História e consciência de classe (1923) a «dominação da economia sobre a sociedade».
    Por isso, depois de indicar desde 1843, as insuficiências do que se chamava o «partido político histórico», Marx nesses manuscritos redigidos em 1844, parece abraçar a ideia de que «não é a crítica, mas o proletariado a força motriz da revolução». Esta ideia, o Manifesto, tal como toda a actividade prática, dar-lhe-ão vida, fá-la-ão passar aos factos.
    Lenine, depois de Marx
    5. Como sabeis, Marx declara na 11ª das suas Teses sobre Feuerbach que até àquele momento os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo, mas que a partir desse momento trata-se de o transformar. Na sua própria biografia, podemos ver que colaborou na Gazeta Renana, proibida em 1843. Viu-se então obrigado a exilar-se em Paris. Em 1845 foi expulso de França a petição de Humboldt, o embaixador da Prússia, e vai então para Bruxelas. A seguir, depois do sismo das revoluções de 1848, a reacção triunfa em toda a Europa. De Junho a Agosto de 1849, Marx tem de se refugiar de novo em Paris (de onde é de novo expulso), e depois em Londres, onde ficará quase todo o tempo. Conheceu grandes dificuldades materiais, uma miséria extrema, a ponto de a sua mulher e ele perderem quatro dos seus sete filhos. Definitivamente, Marx teve a vida de um militante revolucionário, de um homem comprometido, assediado, e não a de um filósofo de gabinete. Foi também em Londres que em 28 de Setembro de 1864 participou na fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores; e é em nome do Conselho Geral desta 1ª Internacional que redigirá, em 1871, três «discursos» em que exalta a obra dos communards parisienses e analisa as causas da sua derrota. («sabes, escreve em Junho ao seu amigo Kugelmann, que durante o tempo todo da última revolução parisiense fui denunciado como o grande chefe da Internacional pelos papéis de Versalhes e pela repercussão entre os jornalistas daqui. […] E agora, além disso, o Discurso […] Provoca um ruído infernal e tenho a honra neste momento, de ser o homem mais caluniado e mais ameaçado de Londres»).
    As seis teses que resumem o essencial daquilo que Lenine disse mais tarde a respeito da ideia de revolução, e também da acção própria que Lenine conduziu na Rússia no início do século passado, parecem assim, muito logicamente, prolongar a postura e a inspiração fundamental de Marx. Para acabar permitam-me referir uma vez mais estas seis teses:
    As seis teses que para mim resumem o essencial daquilo que Lenine disse, mais tarde, a respeito da ideia de revolução, e também da própria acção que Lenine leva avante na Rússia no início do século passado, parecem assim prolongar muito logicamente a postura e a inspiração fundamental de Marx. Para acabar, permiti-me referir, mais uma vez, estas seis teses:
    1) A revolução é uma guerra. Lenine compara a política com a arte militar e sublinha a necessidade da existência de partidos revolucionários organizados disciplinados, pois um partido não é um clube de reflexão (dirigentes do Partido Socialista: obrigado pelo espectáculo!).
    2) Para Lenine, tal como para Marx uma revolução política é também, e sobretudo, social, isto é uma mudança na situação das classes em que a sociedade se divide. Isto significa que é sempre conveniente perguntar qual a natureza real do Estado, da «República». Assim, a crise do Outono de 2008 mostrou, com evidência, como nas metrópoles do capitalismo o Estado e o dinheiro público podem estar ao serviço dos interesses dos bancos e de um punhado de privilegiados. Dito de outro modo, o Estado não está, em absoluto, acima das classes.
    3) Uma revolução faz-se de uma série de batalhas, e cabe ao partido de vanguarda, em cada etapa da luta, escolher a palavra de ordem adaptada à situação e às possibilidades. Sem isso, o movimento esgota-se e desanimam os que esperaram em vão que se lhes indicasse a natureza precisa dos objectivos a atingir e o sentido geral da marcha…
    4) Os grandes problemas da vida dos povos sempre se resolveram pela força, também sublinha Lenine. «Força» não significa, longe disso, violência aberta ou repressão sangrenta contra os outros! Quando milhões de pessoas decidem convergir num lugar, por exemplo na Praça Tarr no centro do Cairo, e fazem saber que nada os fará recuar frente a um poder detestado, estamos já, e em pleno, no registo da força. Segundo Lenine, trata-se de atacar as ilusões de um certo cretinismo parlamentar ou eleitoral que conduz, por exemplo, á situação em que estamos agora: uma «esquerda» concentrada quase exclusivamente nos prazos de que uma imensa massa de cidadãos não espera, e com razão…, quase nada.
    5) Os revolucionários não devem desprezar a luta pelas reformas. Lenine estava consciente de que em determinados momentos uma dada reforma pode representar uma concessão temporária, ou mesmo um rebuçado, concedido pela classe dominante para melhor adormecer os que resistem. No entanto, considera que uma reforma constitui uma base nova para a luta revolucionária.
    6) Depois do início do século XX, a política começa onde estão os milhões ou mesmo dezenas de milhões de homens. Ao formular esta sexta tese Lenine pressente que os lares da revolução tendiam a deslocar-se cada vez mais para os países dominados, coloniais ou semicoloniais. De facto, desde revolução chinesa de 1949 até ao período das independências, na década de 60 do século passado, a História confirmou plenamente este clarividente prognóstico.
    Definitivamente, há que ler Lenine, depois do dilúvio e do fim do «socialismo real». Lê-lo e relê-lo. Há que ler Marx. Ou relê-lo. Há que estudar os seus escritos sempre tão actuais. Para preparar o futuro.
    Notas:
    [1] SMITH (A.), Recherches sur la nature et les causes de la richesse des nations [1776], I, VIII ; trad. G. Garnier [revue par A. Blanqui], Paris, GF Flammarion, 1991, t. I, p. 135.
    [2] Ibid., I, X, 1ª secção : “Des inégalités qui procédent de la nature même des emplois” ; ob. cit., t. I, p. 180.
    [3] Marx e Engels escreveram isto em 1845 na Ideologia alemã.
    Compostela, Galiza, 20 de Abril de 2013
    Este texto é a Comunicação de Jean Salem nas XVII Jornadas Independentistas Galegas organizadas por Primeira Linha
    * Jean Salem, amigo e colaborador de odiario.info, é Professor de Filosofia na Sorbonne, França.
    Tradução de José Paulo Gascão, a partir da versão em galego, distribuída nas Jornadas Independentistas Galegas.