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domingo, 31 de março de 2013

Atílio A. Boron :O REINO UNIDO COMO “ESTADO CANALHA”

Terça-feira, 21 de Agosto de 2012

O REINO UNIDO COMO “ESTADO CANALHA”



Atilio A. Boron [*]

A partir de fins do século passado, ganhou crescente aceitação na opinião pública internacional a expressão "estado canalha". Incentivado pela máquina propagandística norte-americana, o conceito tinha como objetivo satanizar os países hostilizados por Washington, com a evidente intenção de justificar as agressões do império. Nesta lista estavam inclusos Afeganistão, Coreia do Norte, Cuba, Iraque, Irã, Líbia, Sérvia-Montenegro, Sudão e Síria. Atualmente, a listagem se reduziu a cinco países, porque graças às políticas de promoção de "mudanças de regime" (eufemismo para evitar dizer "intervenção aberta dos EUA"), Afeganistão, Iraque, Líbia e Sérvia-Montenegro foram incorporados à categoria de nações democráticas. O Sudão, por sua vez, foi dividido em dois e a região rica em petróleo se converteu em Sudão do Sul. O resto continua sendo um "estado canalha".


Porém, as reviravoltas da história ou a "astúcia da razão" hegeliana fizeram com que hoje esse termo se volte contra seu criador. Os estigmatizados o eram por sua pretensa violação aos direitos humanos, seu apoio ao terrorismo e suas armas de destruição maciça constituíam ameaças letais à comunidade de nações. Cuba, a maior exportadora mundial de professores e médicos permanece nessa lista da infâmia até os dias de hoje! Em síntese, eram governos que violavam a legalidade internacional e, por isso mesmo, a obrigação dos Estados Unidos e seus aliados era acabar com esse flagelo. No entanto, fora dois eminentes intelectuais norte-americanos, Noam Chomsky e William Blum, e um cineasta, Oliver Stone, que desconstruíram o argumento da Casa Branca ao fundamentar as razões pelas quais o principal "estado canalha" do planeta e a maior ameaça terrorista à paz mundial não era outro senão os Estados Unidos.

O Reino Unido não fica atrás como "estado canalha". Nos últimos tempos fez mais que o suficiente para dividir o pódio com seu descendente do outro lado do Atlântico. A evidência é espantosa e se algo faltava às suas reiteradas manifestações de desprezo perante a legalidade internacional, representada pelas resoluções da Assembleia Geral e o Comitê de Descolonização das Nações Unidas, no caso das Ilhas Malvinas (bem como em mais outros 9 casos, totalizando 16), a atitude de Londres em relação à Julian Assange acaba com qualquer dúvida sobre o assunto. Seria possível afirmar que, com a gestão de David Cameron, o Reino Unido se converteu em um autêntico "violador em série" de leis e tratados internacionais.

Bravatas, como o envio do destróier Dauntless às Malvinas, empalidecem diante da denúncia do chanceler equatoriano Ricardo Patiño afirmando que o governo britânico transmitiu a Quito uma "ameaça expressa e por escrito de que poderiam assaltar nossa Embaixada do Equador em Londres caso não entregassem Julian Assange". O Secretário de Assuntos Estrangeiros do RU ratificou, posteriormente, essa ameaça que viola a Convenção de Viena, onde se estabelece a inviolabilidade das sedes diplomáticas (extensiva à residência dos embaixadores, automóveis das embaixadas e às bagagens diplomáticas), coisa que nem os sanguinários ditadores como Jorge R. Videla e Augusto Pinochet atreveram a desrespeitar. Basta lembrar que o ex-presidente Héctor Cámpora ficou refugiado na embaixada do México em Buenos Aires durante cinco anos e, quando obteve asilo político, saiu do país sem ser molestado. No entanto, Londres assegurou, ainda que o Equador já tenha concedido o asilo a Assange, não o deixará sair da embaixada.

Assim, transgride o que explicitamente estabelece a Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados que o próprio RU assinou, descumprindo na prática com sua desobediência. É que o delito cometido por Assange tornou-se imperdoável ao tornar pública a corrupção e os crimes cometidos e mantidos em segredo pelo império. Em consequência, os Estados Unidos vem mobilizando suas forças a nível mundial para acossá-lo, ainda que seja violando todas as leis e tratados internacionais e atropelando todas as liberdades e direitos humanos, para dar a ele o castigo que merece.

A imprensa hegemônica de todo o mundo aplaude a "coragem de Londres". É que o RU é um dócil peão da estratégia imperial, como também o é o atual governo sueco e, pior ainda, o da Austrália, país do qual é oriundo Assange e que, de maneira escandalosa, ignorou o caso. Claro, em novembro de 2011, Barack Obama anunciou que enviaria uma tripulação de 2.500 marines a uma nova base a ser inaugurada em Camberra, na Austrália, como primeiro passo de uma estratégia muito mais ambiciosa para conter o "expansionismo chinês" nesse país. Diante disso, como poderia o governo australiano preocupar-se com a sorte do atualmente mais famoso de seus cidadãos?


17/Agosto/2012

[*] Sociólogo, professor universitário, argentino.

Tradução do Partido Comunista Brasileiro

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Algo de podre no estado de Israel

Algo de podre no estado de Israel

por Lawrence Davidson [*]
Diz-se que o diabo arrasta com ele um fedor de fogo e enxofre. Os feitos do diabo são frequentemente descritos como "o mal mais alucinado". [1] E quem pareça (seja ou não seja) inocente é sempre descrito como "cheirando a rosas." Parece haver, pois, associação antiga entre feitos e fedores.

O exército israelense recentemente se empenhou em demonstrar essa associação. Dia 6 de março, o Middle East Monitor noticiou [2] que
"o exército de Israel atacou casas de palestinos na vila de Nabi Saleh com jatos de água podre de esgoto, como punição aos palestinos que organizavam protestos semanais contra o Muro do Apartheid construído em terra roubada. O grupo de defesa de direitos humanos B'Tselem publicou um vídeo [3] no qual se veem caminhões-tanques blindados israelenses, armados com 'canhões d'água', lançando água podre de esgotos sobre casas de palestinos."
A água podre de esgoto é líquido tão mal-cheiroso que não há quem não se afaste para o mais longe que possa, de quem feda como fede aquela água podre. Não é a primeira vez que o exército de Israel usa esse tipo de tática imunda.

Os colonos sionistas orgulham-se muito da prática de lançar os esgotos [4] bem longe das próprias colônias, quase sempre erguidas nas áreas mais altas, diretamente nos campos e cidades palestinas, nos vales abaixo. Ao que tudo indica, são práticas conhecidas e, muito provavelmente, aprovadas pelo estado de Israel.

Duvido que muitos dos israelenses envolvidos nessas manobras tenham algum dia lido O Inferno, de Dante. Naquele poema épico, o inferno é lugar afogado em esgoto e podridão: as ações dos israelenses parecem desejar reproduzir o mesmo cenário. Estarão os israelenses dedicados a converter em inferno a Terra Santa? Sim, pelo menos no que tenha a ver com os palestinos. Por isso os colonos e os soldados copiam os passos dos amaldiçoados de Dante.

Até onde vai o fedor das ações dos israelenses? Com certeza chega até Londres. Recentemente, o deputado David Ward, do partido Democrático Liberal escreveu num livro de visitas do Memorial do Holocausto que
"tendo visitado Auschwitz duas vezes (...) muito me entristece ver que os judeus, vítimas de níveis inacreditáveis de perseguição durante o Holocausto, já estivessem, poucos anos depois de libertados daqueles campos de morte, a infligir tais atrocidades aos palestinos no novo Estado de Israel e que continuem a fazer o mesmo até hoje, diariamente, na Cisjordânia e em Gaza." [5]
A referência que Ward fez a "os judeus" é qualificada, porque nem todos os judeus apóiam o sionismo nem a ideia de que Israel tenha algum direito a ocupar "Judéia e Samaria", muito menos a comandar pogroms [6] como se veem hoje, em ações de limpeza étnica em áreas que o estado israelense controla. A verdade é que cada dia mais e mais judeus norte-americanos manifestam-se contra o que Israel faz na Palestina. [7]

Mas Ward acerta no que diz do comportamento do "estado judeu". E é possível que a generalização errada, na frase de Ward, seja resultado da propaganda israelense, que nunca se cansa de repetir que Israel representa(ria) todos os judeus do mundo.

Mas nem todos dão sinais de desgostar do fedor que emana do estado de Israel: há os que gostam. O partido Liberal Democrático do deputado Ward chamou-o às falas, pelo crime de ter denunciado que os crimes do mal mais alucinado continua a ser praticados contra os palestinos, por autoproclamados representantes de todos os judeus.

Teria bastado uma advertência discreta, que lembrasse Ward de que, em todos os casos, devem-se evitar generalizações. Mas, usando processo semelhante ao que se vê nos regimes totalitários, o partido Liberal Democrático ordenou
que o deputado "procure a divisão do partido chamada Amigos de Israel, para informar-se sobre o correto linguajar que os deputados devem empregar sempre que falarem sobre o conflito Israel-palestinos."
O deputado obedeceu e distribuiu as exigidas desculpas públicas. Meu nariz fareja aí um horrível fedor de censura.

Mas uma coisa é punir alguém por chamar a atenção para o abjeto comportamento de Israel. Outra, diferente, é insistir no desatino de pretender que o que é insano e abjeto seria justo e bom. Haveria alguém suficientemente cínico, impiedoso, a ponto de impor a outros seres humanos esse tipo de castigo nauseabundo e em seguida elogiar o castigo e todo o fedor, ante as câmeras de televisão de todo mundo? Parece que há. Parece que vive em Washington, onde negar os fedores que emanam de Israel é prática quase unânime. Parece que é presidente dos EUA.

Dia 15/3, antes de partir para visitar Israel, o presidente Obama disse, em entrevista ao Canal 2 da televisão israelense, [8] que admira muito "os valores centrais" de Israel.

Em análise que publicou depois, o jornalista israelense Gideon Levy – que tem nariz honesto e fareja podridões onde as haja – perguntou
"de que valores Obama falava? De desumanizar os palestinos? Da atitude contra migrantes africanos? Da arrogância? Do racismo? Do nacionalismo? Obama admira isso? Será que jamais, antes, ouviu falar de ônibus segregados (palestinos não entram)? Será que jamais antes ouviu falar de comunidades convivendo no mesmo território, uma com todos os direitos, a outra sem nenhum direito? Terá esquecido... tudo?!

Dizer que admira 'os valores centrais' de um dos países mais racistas do mundo, onde há muro e políticas de apartheid, significa, isso sim, trair todos os valores centrais do movimento pelos direitos civis nos EUA – o movimento que tornou possível o milagre-Obama." [9]
O caso é que, chegado a Israel, o presidente Obama disse que o apoio dos EUA àquela Israel que Levy descreve será "eterno", forever. [10] Deve-se acrescentar que, ao mesmo tempo, o presidente insistiu que os palestinos parem de querer o fim das construções nas colônias em território ocupado e das correspondentes políticas de esgoto podre... ou jamais terão qualquer conversação de "paz" com os israelenses.

No que tenha a ver com Israel, nem o presidente Obama nem a maior parte dos políticos no Congresso dos EUA são capazes de ver a diferença entre o certo e o errado, entre o justo e o "mal mais alucinado". Por isso vivem num mundo à parte, estanque, só deles, cujos parâmetros e 'valores' são definidos e 'ensinados' a eles por um lobby sionista ao qual se deram poderes orwellianos.

Nesse mundo excepcional, abunda o duplipensar. Racismo, apartheid, limpeza étnica e o uso tático de água podre de esgotos e Skunk desaparecem, substituídos por imaginários 'valores centrais' que cheiram a rosas.

O presidente, se quiser, que se afogue o quanto queira, privadamente, nos fedores mais nauseabundos, e chame-os de cheiro de rosa o quanto queira. Mas quando tenta vender a nós todos a falcatrua, é a credibilidade de seus discursos que se vai pelo esgoto. Lembremos o que George Orwell ensinou sobre o mau uso do discurso político. [11]

Usada para o mal mais desatinado, a fala política torna possível "defender o indefensável" e "foi construída para fazer mentiras soarem como verdades, para tornar respeitável o assassinato e para dar ao vento aparência de solidez." A isso está reduzida a fala da maioria dos políticos, no que tenha a ver com Israel/Palestina.

Que isso continuará para sempre, como quer o presidente Obama, é puro exagero, hipérbole. Considere-se um recente relatório da CIA, [12] que questiona a capacidade do estado sionista para conseguir sobreviver outros vinte anos.

A verdade é que o fedor que emana de Israel indica podridão sociopolítica intestina, tão podre quanto as táticas podres que Israel usa contra moradores não judeus. Mais cedo ou mais tarde, qualquer homem, qualquer mulher que ainda preserve boa consciência humana (e melhor se mantiverem também nariz honesto e em funcionamento) passarão a recusar a ter qualquer associação ou contato com esse estado, na prática, já estado de apartheid.
25/Março/2013
[1] Orig. "most foul". A expressão aparece em Hamlet, ato 1, cena 5, quando o espectro do rei assassinado conta a Hamlet sobre o crime de que foi vítima: Murder most foul, as in the best it is, but this most foul, strange and unnatural " [aprox. "Assassinato é sempre [o mal] mais alucinado, mas esse do qual falo é o mais alucinado de todos, estranho, contra a natureza"]. Foul sempre significa "mau", em algum sentido. O espectro diz a Hamlet que, dentre os assassinatos, sempre o pior dos crimes, assassinar o próprio irmão é o crime pior [NTs, com informações de http://wiki.answers.com/Q/Murder_most_foul_meaning_in_Shakespeare ].
[2] www.middleeastmonitor.com/...
[3] http://www.youtube.com/watch?v=-njv7RJqtRM
[4] http://www.imemc.org/article/58538
[5] www.thetelegraphandargus.co.uk/...
[6] http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/7770384.stm
[7] http://www.aish.com/jw/s/48918377.html
[8] http://www.jpost.com/International/Article.aspx?id=180902
[9] www.haaretz.com/opinion/when-obama-speaks-and-says-nothing.premium-1.509911
[10] http://www.commondreams.org/headline/2013/03/20-3
[11] http://en.wikipedia.org/wiki/Politics_and_the_English_Language . O artigo de Orwell pode ser lido, em português, em http://criticanarede.com/linguagempolitica.html
[12] http://www.globalresearch.ca/cia-report-israel-will-fall-in-20-years/12706


[*] Professor de História na West Chester University, EUA

O original encontra-se em http://www.tothepointanalyses.com/category/israel . Tradução de Vila Vudu.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Stálin? /Robert W. Thurston: Historiador norte-americano desmente “terror” de Stálin /

Historiador norte-americano desmente “terror” de Stálin



A pesada artilharia ideológica do revisionismo e da Guerra Fria contra Stálin e suas realizações na construção do socialismo na União Soviética ainda hoje se faz sentir. Não é verdade que o mero distanciamento no tempo nos permite ver com mais clareza o que se passou, como lemos tantas vezes nas capas de dezenas de livros burgueses sobre o período. Não nesse caso. Conforme nos ensina Lênin, não existe neutralidade numa sociedade dividida em classes, e, por isso, não é de se esperar que autores burgueses mudem seu ponto de vista com o passar dos anos.
No entanto, isso não impede que alguns lampejos de lucidez e honestidade intelectual possam ser encontrados entre historiadores não-marxistas que estudam a questão, como é o caso de Robert W. Thurston, professor de História na Universidade de Miami, em Oxford, Ohio, EUA, e autor da obraLife and terror in Stalin’s Russia – 1934-1941 (Vida cotidiana e terror na Rússia de Stálin, em tradução livre), ainda sem tradução para o português.
Ao analisar o período comumente referido como o mais repressivo na história da URSS, que foi entre 1934 e 1941, Thurston afirma que Stálin, ao contrário do que é propagandeado pela academia burguesa, nunca teve a intenção de aterrorizar o país e que não tinha nenhuma necessidade disso. Ao contrário, afirma o historiador, as grandes massas da população soviética não só acreditavam que as mudanças em curso no país eram uma real busca por inimigos internos, como essas mesmas massas colaboravam com o Governo revolucionário nesta tarefa.
Thurston inicia seu livro mostrando que, após um conturbado início de século, ao passar por duas revoluções, uma Guerra Mundial e uma Guerra Civil, o Governo soviético começou a “relaxar” no início da década de 1930, no sentido de introduzir reformas no sistema penal e atenuar as práticas punitivas. Entre os vários exemplos utilizados pelo historiador, encontramos neste ponto o relato de que Stálin e Molotov, em 1933, ordenaram a libertação de nada menos que metade de todos os camponeses que haviam sido presos por questões ligadas à coletivização. Em agosto de 1935, o Governo declarou anistia a todos os trabalhadores condenados a menos de cinco anos e que estavam trabalhando “honradamente e com boa consciência”. Mas, a despeito de todas as positivas ações que vinham sendo tomadas neste sentido, novos acontecimentos fizeram com que essa tendência fosse bruscamente interrompida.
A partir do assassinato de Kirov, em 1934, uma rede conspirativa foi identificada no alto escalão do Governo e do Exército soviéticos. Segundo Thurston, havia realmente um bloco trotskista em atividade na URSS; Bukharin tinha conhecimento de um centro articulado contra Stálin; pelo menos um dos seguidores de Bukharin mencionou matar Stálin; e informações de origens distintas confirmavam um complô no Exército articulado por Tukhachevsky. Assim, todas as evidências apontam para o fato de que as ações do Governo, desse momento em diante, foram uma reação a eventos que se passavam no país, e não uma política deliberada e imotivada de repressão, como defende a historiografia burguesa.
Esta reação do Governo foi levada a cabo em grande parte pela chamada Polícia Política, a NKVD. Mas, ao contrário da fantasia burguesa devaneada no livro 1984, do trotskista George Orwell, a NKVD, segundo Thurston, estava longe de ser uma organização “onisciente” e “onipotente”, uma espécie de “Grande Irmão”. Segundo o historiador, essa organização dependia tanto das informações quanto da colaboração dos cidadãos soviéticos. Assim, a chamada Polícia Política, apontada na historiografia burguesa como uma consequência de um “desequilíbrio mental” de Stálin, foi, na verdade, uma criação da própria sociedade e da história soviéticas. Thurston cita como evidência o fato de que simples cidadãos podiam não somente influenciar a NKVD em algumas detenções, como também tinham o poder de até mesmo impedir algumas delas. Segundo Thurston, “nem Stálin e nem a NKVD agiram independentemente da sociedade”, embora esta organização tenha, de fato, cometido erros e excessos sob a liderança de Ezhov, afastado do cargo e julgado posteriormente.
Este último ponto é de vital importância. A historiografia burguesa superdimensiona as exceções e lhe dão ostatus de regra, querendo indicar, com isso, que a maioria dos prisioneiros do período eram inocentes. Uma consequência de tal cenário seria que a maioria da população viveria então permanentemente atemorizada, com receio de ser presa a qualquer momento, por nada.
“Ninguém pode julgar quantas pessoas temiam o regime no final de década de 1930… mas abundantes fontes revelam… que a resposta a essa situação era limitada… Tal temor ocorria dentro de certas categorias da população…”, afirma Thurston. Seja qual for o momento analisado entre 1934 e 1941, um temor ao Governo era certamente menos importante do que a crença de que as autoridades buscavam identificar inimigos reais do país. Sobreviventes do período reforçam repetidamente este ponto de vista. Pelo menos entre 1939 e 1941 é possível afirmar, com segurança, que os trabalhadores urbanos da URSS exibiam patriotismo, apoio à liderança de Stálin e confiança no seu direito e na sua capacidade de criticar importantes aspectos da situação.
Apoio do povo ao Governo soviético
Outro ponto de destaque na caricatura traçada pela burguesia sobre o Governo de Stálin é a questão da falta de liberdade de crítica. Vão de encontro a isso, no entanto, os inúmeros exemplos citados por Thurston de organizações dos próprios trabalhadores que tinham como objetivo discutir e criticar aspectos de suas vidas nas fábricas e no país. Uma dessas formas era através dos jornais das fábricas, nos quais qualquer trabalhador poderia contribuir. O jornal da fábrica de Voroshilov, em Vladivostok, por exemplo, recebeu mais de duas mil cartas para publicação somente no primeiro semestre de 1935.
Mas o principal teste do Governo de Stálin foi a resposta da população à Segunda Guerra Mundial. Segundo Thurston, não houve deserção em massa durante a guerra. A principal característica do Exército Vermelho foi sua assombrosa determinação de vencer, e essa foi a razão pela qual venceu. Assim, apesar de todos os erros que podem ter ocorrido nos processos do chamado “terror” no final dos anos 1930, a Segunda Guerra Mundial foi, segundo Thurston, o “teste ácido” de todo o período de Stálin, no qual não apenas os soldados do Exército Vermelho lutaram com toda determinação, como os trabalhadores que ficaram no país continuaram a produzir, em situações muitas vezes dificílimas, as armas, os tanques e os armamentos necessários para a vitória.
Glauber Athayde, Belo Horizonte

Fonte - A Verdade

sábado, 30 de março de 2013

No Rio palestra: PCB e Reconstrução Revolucionária

PCB comemora 91 anos com debate sobre Reconstrução Revolucionária


                 

Segunda-feira 25 de março, data de aniversário dos 91 anos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Comitê Regional da organização no Rio de Janeiro concluiu a semana de palestras sobre a trajetória dos comunistas com debate que contou com a participação dos secretários Geral e de Organização do PCB, respectivamente Ivan Pinheiro e Edilson Gomes, acerca da "Reconstrução Revolucionária" do Partido.
Com a presença de antigos camaradas e militantes recém-ingressos no Partido, além de amigos e simpatizantes, o debate apontou os desafios postos para o PCB - na atualidade e no futuro próximo -, além dos 21 anos de reconstrução desde o racha com os liquidacionistas do PPS.
Segundo Ivan Pinheiro, o processo de Reconstrução Revolucionária do PCB é algo não acabado, ainda em construção. "É nítida a afinidade política entre os militantes do Partido, que em seus dois últimos Congressos (XIII em 2005 e XIV em 2009) conseguiram consolidar uma linha política revolucionária, claramente anti-reformista, não sectária, que aponta a necessidade da revolução socialista sem afirmar que ele está no horizonte próximo. Porém, é inegável que temos que vencer algumas deficiências organizativas", argumentou.
Para Edilson Gomes, tais desafios estão postos sobremaneira na inserção do partido junto aos movimentos sociais, numa conjuntura acachapante do individualismo neoliberal e de cooptação de grande parte do movimento para o projeto do reformismo. "Temos esse desafio, sem dúvidas. Ao mesmo tempo, ao contrário do que ocorria nos anos 1980, o PCB hoje é visto como uma força política que faz avançar a luta de classes, o que desperta atenção não só da esquerda como da extrema-direita. temos que estar preparados para essa nova realidade", lembrou.
Com ampla participação daqueles que estavam no plenário do evento, foi consensual que o XV Congresso do PCB, a ser realizado em duas etapas até abril de 2014, terá o desafio de desatar os "nós" apontados na fala do secretário-geral, em processo de continuidade da Reconstrução Revolucionária do PCB.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Israel membro de facto da OTAN / Michel Chossudovsky (Global Research)

Israel membro de facto da OTAN

Michel Chossudovsky (Global Research)
29.Mar.13 :: Colaboradores
É conhecido o papel que Israel desempenha na ofensiva imperialista, não apenas no Médio-Oriente mas em outras regiões, nomeadamente em África e América Latina. Esse papel avança na sua formalização institucional, em particular com o novo acordo Israel-OTAN. A ambição sionista e o imperialismo são parte integrante da mesma ameaça global contra os povos de todo o mundo.

O Secretário-Geral da OTAN, general Anders Fogh Rasmussen, recebeu em 7 de Março o presidente de Israel, Shimon Peres, na sede da OTAN em Bruxelas.
A ordem do dia: sublinhar a cooperação militar entre Israel e a Aliança Atlântica concentrando-se em temas do contra-terrorismo.
Israel compartilhará com satisfação o conhecimento que já alcançou e as suas capacidades tecnológicas com a OTAN. Israel tem experiência em lidar com situações complexas, e devemos fortalecer a cooperação para que possamos combater juntos o terror global e ajudar a OTAN nas complexas tarefas que enfrenta, incluindo o Afeganistão.”
Israel já está envolvido em operações encobertas e de guerra não convencional em articulação com os EUA e a OTAN.
Este acordo é de particular importância porque aprofunda a relação Israel-OTAN para além do chamado “Diálogo Mediterrâneo”.
A declaração conjunta aponta para uma cooperação Israel-OTAN na luta contra o terror e na procura da paz no Médio Oriente e no mundo.
O que tudo isto sugere é a participação de Israel na guerra activa junto à OTAN, ou seja, como membro de facto da Aliança Atlântica.
Por outras palavras, Israel estaria directamente envolvido se os EUA-OTAN lançassem uma operação militar propriamente dita contra a Síria, o Líbano ou o Irão.
Israel ofereceu ajuda à OTAN em operações de contra-terrorismo dirigidas contra o Hezbollah e o Irão.
No decurso das discussões as duas partes acordaram em que Israel e a OTAN são parceiros na luta contra o terror, diz a declaração.
O presidente Peres sublinhou a necessidade de manter e aumentar a cooperação entre Israel e a OTAN e a capacidade de Israel de cooperar e proporcionar ajuda tecnológica e conhecimento dada a vasta experiência que tem ganho no campo do contra-terrorismo.
“Israel estará disposto a compartilhar o conhecimento conseguido e as suas capacidades tecnológicas com a OTAN. Israel tem experiência no enfrentamento de situações complexas, e devemos fortalecer a cooperação para que possamos lutar juntos contra o terror global e ajudar a OTAN face às complexas ameaças que enfrenta, incluindo no Afeganistão”, disse Peres a Rasmussen.
História da cooperação militar entre Israel e a OTAN
Vale a pena assinalar que em Novembro de 2004, em Bruxelas, a OTAN e Israel assinaram um importante protocolo bilateral que abriu caminho para a realização de exercícios militares conjuntos da OTAN e Israel. Um acordo complementar foi assinado em Março de 2005 entre o Secretário-Geral da OTAN e o Primeiro-ministro Ariel Sharon.
O acordo de cooperação militar bilateral de 2005 foi encarado pelos militares israelitas como um meio para demonstrar a capacidade de dissuasão de Israel relativamente a potenciais inimigos que o ameacem, sobretudo o Irão e a Síria.
A premissa existente sobre a qual assenta a cooperação militar entre a OTAN e Israel é que Israel está debaixo de ataque.
Existe evidência de coordenação militar e de inteligência entre a OTAN e Israel, que inclui consultas relacionadas com os territórios ocupados.
Antes do lançamento da Operação Chumbo Fundido em Gaza, a OTAN já estava intercambiando inteligência com Israel, compartilhando peritagem em segurança, e organizando treinos militares. O ex chefe da OTAN, Scheffer, visitou Israel a meio da ofensiva de Israel em Gaza. E funcionários da OTAN opinavam na época que a cooperação com Israel era essencial para a sua organização. (Al Ahram, 10 de Fevereiro de 2010)
O acordo bilateral de Bruxelas de Março de 2013 entre Israel e a OTAN é a culminação de mais de 10 anos de cooperação entre ambas as partes.
¿Obriga este acordo a OTAN a vir em ajuda de Israel a coberto da doutrina de segurança colectiva?
O acordo reforça o processo actual de planificação militar e logística EUA-OTAN-Israel relacionado com qualquer operação futura no Médio Oriente, incluindo um bombardeamento aéreo de instalações nucleares do Irão.
A delegação presidencial israelita integrou vários altos conselheiros militares e governamentais, incluindo o Brigadeiro General Hasson Hasson, Secretario Militar do Presidente Peres, e Nadav Tamir, conselheiro político do presidente de Israel.
Concluído em discussões à porta fechada, o texto do acordo Israel-OTAN não foi publicado.
Depois da reunião a OTAN publicou uma declaração conjunta. O Secretário-Geral Rasmussen declarou na informação à imprensa:
“Israel é um importante parceiro da Aliança no Diálogo Mediterrâneo. A segurança da OTAN está vinculada à segurança e estabilidade da região mediterrânea e do Médio Oriente. E a nossa Aliança valoriza enormemente o nosso diálogo político e a nossa cooperação prática. Israel é um dos nossos mais antigos países associados. Enfrentamos os mesmos desafios no Mediterrâneo Oriental.
E como enfrentamos as ameaças à segurança do Século XXI, temos todos os motivos para aprofundar a nossa duradora associação com países do nosso Diálogo Mediterrâneo, incluindo Israel. Todos sabemos que a situação regional é complexa. Mas o Diálogo Mediterrâneo continua sendo um singular forum multilateral, no qual Israel e seis países árabes podem discutir conjuntamente com países europeus e norte-americanos desafios comuns à segurança. Vejo mais oportunidades para aprofundar o nosso já próximo diálogo político e a nossa cooperação prática em benefício mutuo.””
Michel Chossudovsky é escritor, professor emérito de Economia na Universidade de Ottawa, fundador e director do Centro de Investigação sobre a Globalização (CRG), Montreal e editor do sítio em web globalresearch.ca. É autor de The Globalization of Poverty and The New World Order (2003) e de America’s War on Terrorism (2005). O seu mais recente livro é Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War (2011). Também é colaborador da Encyclopaedia Britannica. Os seus escritos estão publicados em mais de 20 idiomas.
Fonte: http://www.globalresearch.ca/israel-a-de-facto-member-of-nato/5325890

Muaythai em Campos/RJ e o esforço da equipe de Nelsimar dos Santos

Muaythai campista em alta no Estado

                                    

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A equipe Brazilian Muaythai, liderada pelo mestre Nelsimar dos Santos, participou no último domingo da primeira das quatro etapas do Campeonato Estadual, realizada na capital do estado. Levando sete jovens, sendo quatro campistas; David Militão, Gabriel Sávio, Marcos Azeredo e Matheus Henrique.

Nesta fase da competição, onde os atletas buscam vagas para grande final, que é realizada no final do ano, três dos quatro jovens já estão na decisão do cinturão.

Com um time bem jovem, a equipe obtive resultados positivos. David de 15 anos, participou da competição pela segunda vez e saiu vitorioso na categoria júnior, até 60kg.

— Nem acredito, parece um sonho. Nós que treinamos muito sabemos como é difícil, vamos nos concentrar pro restante das etapas, mas o que eu quero mesmo é o cinturão — disse o jovem parecendo um veterano.

Já Gabriel de 17 anos no seu último ano na categoria júnior (71kg), ficou com a segunda posição, mas fez uma promessa.

— Na próxima entrevista vou está aqui conversando com você com a medalha de campeão e futuramente com o cinturão — frisou o garoto, que pratica a arte em apenas um ano.

Já Matheus que lutou na categoria adulto (75kg), mas ainda com 18 anos, ressaltou a importância da vitória, mas fez um apelo.

— Nós conseguimos isso com muito esforço, suamos muito durante todas as semanas, foi tudo com os nossos esforços, sem ajuda alguma, desde da compra do material até as passagens para a competição — disse o rapaz, com bastante maturidade.

Outro que saiu vencedor foi o lutador Marcos Azeredo, na categoria adulto até 75kg.

Quem também era só alegria era o mestre Nelsimar dos Santos, que chegou à Campos há 23 anos e foi pioneiro em trazer a arte para o nosso município. Ele comentou sobre o preconceito e a desmoralização que passou até chegar onde chegou e definiu bem seu sentimento em uma frase.

— A questão da índole, ela independe da cultura do cidadão, temos quatro jovens aqui que são exemplo disso — finalizou o mentor.
  Fonte: Folha da Manhã
28/03/2013 20:51
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Modesto da Silveira se diz “horrorizado” com Sérgio Cabral

quinta-feira, 28 de março de 2013

apn.org.br

A TV Petroleira transmitiu na última sexta (22), entrevista com Modesto da Silveira. Ele falou sobre a violenta desocupação da Aldeia Maracanã. Acesse tvpetroleira.tv.
O advogado Modesto da Silveira disse que estava “horrorizado com a falta de sensibilidade e de disposição para o diálogo do governador Sérgio Cabral”. Aos 87 anos, apesar de já ter visto de perto muita atrocidade ao longo da vida, estava assustado com a atitude agressiva do comandante das tropas policiais que cercaram a Aldeia Maracanã, no Rio, desde as três horas desta sexta (22).  Ao se retirar da Aldeia, pouco antes da invasão acontecer, Modesto declarou que temia “um banho de sangue”.
Não chegou a ser um “banho de sangue”, mas ainda não se sabe quantas pessoas foram agredidas e saíram feridas durante a operação militar, ordenada pelo governador. Um dos feridos, com um corte  na barriga e outro no joelho, provocados por estilhaços de bomba, foi o assessor do Sindipetro-RJ João Leal, que foi hospitalizado para receber os primeiros socorros. O repórter Rafael Duarte, da TV Petroleira, assim como a maioria das centenas de pessoas que estavam no local, sofreram os efeitos do gás de pimenta nos olhos.
O ex-deputado federal acompanhou de perto, desde a madrugada, o cerco da polícia de Sérgio Cabral à Aldeia Maracanã, na condição de representante da  Comissão de Ética da Presidência da República, de conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Casa da América Latina. Apesar disso, foi destratado pelo comandante das tropas, que “foi agressivo e não aceitou a menor aproximação para o diálogo” – disse.
Modesto conta que, na quinta-feira (21) à tarde, assistiu à negociação entre os indígenas e o Secretário de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado, Zaqueu da Silva Teixeira. O advogado assegurou que os índios estavam receptivos e abertos ao diálogo, chegando a apresentar uma contraproposta ao governo do estado, por escrito, como havia solicitado Zaqueu. Depois disso, permaneceram em vigília, aguardando a resposta:
“Mas em lugar de apresentar uma nova proposta, o governador preferiu responder com tropas de choque. Por volta das três horas da manhã eles cercaram a Aldeia – disse Modesto. – Fiquei apavorado. O aparato policial era muito grande. Eu contei pelo menos quatro ambulâncias. Muitos policiais estavam com máscaras de proteção contra gás. Tudo levava a crer na iminência da invasão. Temi um banho de sangue, porque os índios estavam dispostos a resistir. Aquele casarão foi destinado por D.Pedro II a fins de interesse indígena e, por esse motivo, eles se consideram herdeiros do prédio, onde reivindicavam a construção de um centro cultural de valorização da cultura indígena”.
Modesto Silveira prepara o relato que será apresentado na próxima reunião do Conselho de Ética da Presidência da República, do qual faz parte. Na sua opinião, o governador do Rio de Janeiro errou. “Não se justifica uma invasão no meio de um processo de negociação, mesmo que a desocupação estivesse autorizada judicialmente, Menos justificável ainda foi a violenta da polícia contra a imprensa nacional e internacional, contra manifestantes e indígenas” – afirmou.
Coincidentemente ou não, o governador Sérgio Cabral escolheu o 21 de Março para a ação policial (que acabaria acontecendo nas primeiras horas do dia 22). 21 de Março, para quem não se lembra, é uma data importante para os defensores dos direitos humanos e da vida. Comemoram-se os dias internacionais: 1) Contra a Violência; 2) Contra a Discriminação Racial; 3) em Defesa das Florestas:
Dá-lhe Cabral: além de desumano, debochado!

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Chipre: Uma lição traiçoeira contra o povo

Sobre o acordo com o Eurogrupo


por AKEL
Uma ilha cercada por tubarões. O acordo alcançado pelo Eurogrupo durante a manhã foi o clímax da primeira fase dos planos da Troika contra o povo cipriota. O acordo não só não ajuda a tratar os problemas que confrontam a economia como também aprofunda a crise pois levará a mais consequências penosas para o nosso país e o nosso povo. O resultado levará a mais alto desemprego, à implementação de medidas de austeridade adicionais, a cortes e privatizações, provocando problemas enormes para pequenos e médias empresas obrigando-as a encerrar.

Nos últimos dias nossos "parceiros" europeus revelaram com cinismo que este era o seu plano desde o princípio. Isto equivale a dizer: eles fixaram objectivos e seguiram uma rota específica para a sua implementação.

Em relação ao AKEL, nós apontámos desde o início que a rota seguida pela Troika para tratar a crise económica era um beco sem saída. A tentativa de resgatar o Euro através dos três pilares da austeridade, cortes e privatizações simplesmente aprofundou a recessão ainda mais e levou os países e povo do Sul da Europa ao desastre. Infelizmente, os círculos dirigentes da União Europeia teimosamente insistem nestas políticas de beco sem saída as quais não levam ao desenvolvimento. Nosso aprisionamento nestes modos de pensamento, tal como o governo Anastasiades está a actuar, não cria qualquer perspectiva de ultrapassar os problemas mas, ao invés, carrega os ombros do povo trabalhador com enormes consequências negativas.

Nossa opção como povo é libertar-nos desta estrutura de raciocínio, resistir às ameaças de Troika e procurar uma solução fora desta estrutura.

O sr. Anastasiades durante a eleição fez campanha pelo voto do povo de Chipre e assumiu o mandato prometendo melhorar o acordo do Memorando de Novembro de 2012. Ele baseou a sua posição sobre as relações de amizade com a chanceler alemã A. Merkel e os outros líderes europeus. No fim descobriu da forma mais dura que a única coisa em que os seus "amigos" estiveram interessados era servir os seus próprios interesses ao invés de apoiar a República de Chipre. Quando apontámos esta realidade brutal durante a administração Christofias eles ridicularizaram-nos. Agora foi provado que a única coisa em que os "parceiros" europeus se concentravam era colocar-nos constantemente diante de dilemas de chantagem e ele, por sua vez, está a fazer o mesmo ao povo cipriota. Infelizmente o sr. Anastasiades em apenas três semanas pôs de lado tudo o que havia prometido ao povo cipriota.

Em todo este processo, lamentamos observar que ele não aceitou ter uma discussão real sobre a proposta de procurar uma solução fora da estrutura da Troika. Ele simplesmente informou-nos acerca da manobra do governo. Uma vez que importantes responsáveis do partido DISY provocadoramente declaram que o sr. Anastasiades assegurou o acordo dos partidos políticos antes de proceder à aceitação do acordo da noite passada, enfatizou que isto é uma completa mentira. O sr. Anastasiades informou os partidos políticos acerca do acordo que havia concluído. Nem ele pediu nem teve o nosso apoio. Além disso, durante todo este tempo reiteradamente sublinhámos que a nossa posição era procurar uma solução fora da Troika.

Acreditamos que o acordo Anastasiades – Eurogrupo é o princípio de novas desgraças para Chipre e o nosso povo. É dever dos partidos políticos projectar um caminho de saída para o povo e trazer de volta a esperança e a perspectiva. Asseguramos o povo que ó que fará o AKEL tomando iniciativas em relação tanto ao governo como aos partidos políticos para iniciar um diálogo que levará à formulação de uma proposta para uma saída desta crise.

Ao mesmo tempo propomos e insistimos no seguinte:

1. A realização de um referendo de modo em que o povo cipriota decidirá sobre o acordo Anastasiades-Troika. Estas decisões determinarão o nosso futuro por muitos anos e o povo tem todo o direito de dizer o seu ponto de vista.

2. Exigimos que os procedimentos para punir os responsáveis por todos os problemas que assaltam a economia de Chipre deveriam ser postos em acção. Para este propósito, o Relatório Alvarez & Marshall deveria ser encaminhado directamente para a Câmara dos Deputados e o Procurador-Geral.

3. Apelamos ao Governador do Banco Central a que submetenha à Câmara dos Deputados os nomes de todos aqueles que durante este período recente tenha levado dinheiro em massa para fora do país e dos bancos cipriotas e que possuam postos políticos ou estatais. A investigação deve estendida também aos seus familiares.

Dirigimo-nos ao povo cipriota, declarando que estamos a enfrentar tempos muito difíceis. Atravessámos tempos muito difíceis também no passado. Nós não capitulámos ou nos rendemos. Nem capitularemos ou nos renderemos agora. Não capitularemos mas resistiremos, travando a batalha e venceremos.

Comunicado de imprensa do CC do AKEL, 25 de Março de 2013, Nicósia
O original encontra-se em http://www.akel.org.cy/nqcontent.cfm?a_id=8676&tt=graphic&lang=l3

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

PCB NA LUTA PELA RESERVA BIOLÓGICA DO TINGUÁ


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PCB NA LUTA PELA RESERVA BIOLÓGICA DO TINGUÁ

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No último dia 17 deste mês (março), companheiros do Coletivo Municipal iguaçuano do Partido Comunista Brasileiro realizaram uma panfletagem no bairro do Tinguá, na área rural de Nova Iguaçu. Muitos discursos apontaram para a necessidade da mobilização popular e comunitária em defesa da Reserva, classificada pelas Nações Unidas como Patrimônio Natural da Humanidade, em 1993. Na ocasião, um abaixo-assinado foi passado entre os moradores e frequentadores, onde pedimos à população apoio em defesa dessa causa, que interessa de perto aos trabalhadores, à juventude e a todos aqueles que se preocupam com os destinos da Humanidade.
A manifestação foi coroada de êxito, pois recolhemos mais de 50 assinaturas no abaixo-assinado. Há também na Internet um abaixo-assinado em defesa da Rebio-Tinguá, onde se pode assinar acessando o endereçohttp://www.petitiononline.com/tingua/petition.html
Após a panfletagem de nosso documento, fomos visitar a Represa do Barrelão, em Serra Velha, uma das 12 que compõem o sistema de abastecimento de água da região. A Reserva do Tinguá é uma importante bacia hidrográfica contribuinte do Rio Guandu, beneficiando parte da Baixada Fluminense e o Rio de Janeiro. Essas represas e aquedutos existem desde a época do Império, construídas pelo braço escravo, sob ordem de Dom Pedro II, pois à época uma imensa seca assolava a sede da Corte, no Rio, em razão do desmatamento da Floresta da Tijuca, reflorestada décadas depois. Quem ficou responsável por essa obra foi o Engenheiro Paulo de Frontin, que conseguiu a façanha de levar água para o Rio de Janeiro em apenas sete dias, conforme prometera ao Imperador. Foi um momento de rara emoção dos companheiros do partido, que aproveitaram para beber água totalmente limpa, pois não necessita de tratamento químico para ser consumida, em função de sua pureza cientificamente comprovada.
Abaixo, algumas fotos da atividade desenvolvida em Tinguá pelo PCB. Enquanto estamos na luta política social e ambiental, outras legendas autodenominadas "de esquerda" estão em gabinetes com ar refrigerado e cafezinho, usufruindo das mordomias e colaborando com governos neoliberais e conservadores, que só dizem combater da "boca para fora".
Contra o capitalismo, PARTIDÃO NELES!
Ricardo Portugal -  Jornalista e ambientalist

quarta-feira, 27 de março de 2013

Gary Younge: Esquecidas lições do Iraque

A nova equipa de Obama: as esquecidas lições do Iraque

Gary Younge*
27.Mar.13 :: Outros autores
Gary Younge Na sua campanha antes de ser pela primeira vez candidato às eleições presidenciais, Obama manifestou-se contra a guerra no Iraque. Uma vez eleito, prosseguiu a política de Bush, e em muitos aspectos ampliou-a e tornou-a ainda mais agressiva. E vem nomeando como principais responsáveis pela política externa norte-americana vários daqueles a quem antes de ser candidato se opôs, incluindo vários dos mais notórios vira-casacas da política dos EUA.

Em Abril de 1968, um pelotão de la 9ª Divisão de Infantaria dos EUA no Vietnam tropeçou numa armadilha de corda que detonou uma mina terrestre. No transporte de tropas estavam dois irmãos, Chuck e Tom Hagel. Chuck retirou Tom, inconsciente, de entre os destroços e ambos foram evacuados. “Na noite em que Tom e eu saímos daquela aldeia graças à evacuação médica disse a mim próprio: se saio desta e alguma vez chego a estar numa posição de poder político, farei tudo o que possa para evitar guerras desnecessárias e sem sentido”, declarou Chuck à revista Vietnam. Em 1996 Chuck foi eleito senador republicano pelo Nebraska. Quando se lhe apresentou uma “guerra desnecessária e sem sentido” no Iraque em Outubro de 2002, votou a favor. Na semana passada Obama escolheu-o para secretário da Defesa.
Em 22 de Abril de 1971, John Kerry, jovem veterano do Vietnam, prestou testemunho perante o Comité de Relações Exteriores do Senado, destacando os crimes de guerra cometidos por soldados norte-americanos no Vietnam e perguntando: “¿Como é que se pede a um homem que seja o último a morrer por um erro?”.
“Racionalizamos a destruição de aldeias com a ideia de as salvar”, declarou. “Vimos a América do Norte perder o seu sentido da moralidade ao aceitar My Lai [1] e ao negar desfazer-se da imagem dos soldados norte-americanos que distribuem chocolates e chicletes”.
Em Outubro de 2002, quando se lhe apresentou a oportunidade de impedir que os soldados norte-americanos matassem e morressem por um erro, Kerry desperdiçou-a. Como senador democrata pelo Massachusetts, também ele votou a favor da guerra do Iraque. Na semana passada, Obama escolheu-o para secretário de Estado.
“Se a obscenidade não te preocupa, não te preocupa a verdade; e se não te preocupa a verdade, olha como votas”, escreveu Tim O’Brien na sua novela bélica sobre o Vietnam, The Things They Carried [Las cosas que llevaban los hombres que cayeron, Anagrama, Barcelona, 1993]. “Enviai jovens para a guerra e regressarão a casa desnorteados”. Enviai esses mesmos jovens para o Congresso umas quantas décadas depois e vede como votam. Muitos perdem a ânsia pela verdade e proferem imbecilidades quando sobem à tribuna.
Apesar de todo o sangue derramado e do que se gasta nos conflitos militares norte-americanos, da carnificina e do caos que ocasionam e dos inimigos que se criam, bem poucas lições parecem chegar até ao topo da classe política. As nomeações mais recentes de Obama sugerem que, a despeito da sua retórica acerca de virar a página em política exterior, não pode resistir a regressar aos autores mais desacreditados dos capítulos recentes para elaborar o episódio seguinte.
A oposição de Obama a essa guerra foi essencial para o tornar atractivo tanto dentro do Partido Democrata como para o país no seu conjunto. Deu resposta às críticas acerca da sua falta de experiencia e de uma ambição descomunal com a evidência de que tinha princípios e capacidade de julgamento. Apenas uma semana antes de Kerry e Hagel votarem a favor da guerra, Obama falou contra ela num comício em Chicago, quando era senador do estado de Illinois, acusando a invasão de “guerra estúpida, guerra temerária. Uma guerra baseada, não na razão mas na paixão, não sobre princípios mas sobre a política”. Com 62% do país a apoiar a guerra na altura tratava-se de um risco para um candidato qua apontava a um cargo mais elevado.
Mas desde que chegou ao mais alto cargo tem repetidamente promovido a postos-chave da política externa aqueles que foram suficientemente estúpidos, temerários ou sem princípios para apoiar a Guerra. O seu vice-presidente, Joe Biden, foi um dos principais corifeus democratas a favor da guerra. Manteve no mesmo posto o secretário da Defesa de Bush, Bob Gates, nomeou Hillary Clinton – que considerava o seu próprio apoio à guerra como a sua maior vulnerabilidade durante as primarias democratas – como secretaria de Estado. Vêm agora Hagel, Kerry e John Brennan – escolha sua para director de la CIA – notoriamente implicado nos programas de tortura da era de Bush e responsável pelos ataques com aviões não tripulados.
Como tal, a presidência de Obama continua a marcar não tanto um novo discurso comparado com a agenda de Bush posterior ao 11 de Setembro como uma sequela dessa mesma agenda, mais sensível nas suas tonalidades. Quando, durante a campanha presidencial, acusou Mitt Romney de querer “fazer as mesmas coisas que nós fazemos, mas dizendo-as em voz mais alta”, enunciou uma triste verdade. A sua evocação acrítica do serviço militar de Kerry e Hagel no Vietnam como qualificação para o servir diz tudo acerca das insuficiências do país no sentido de processar os efeitos secundários do conflito militar.
De acordo com Christopher Gelpi, professor de ciências políticas na Universidade de Duke, especializado nas atitudes sobre política exterior, o mais importante factor singular entre os que configuram as opiniões dos norte-americanos acerca de qualquer guerra é se crêem que os EUA vencerão. Solipsista, oportunista e essencialmente amoral, o ponto crucial não assenta nas violações de direitos humanos, nas vítimas civis ou sequer na morte de soldados norte-americanos. Reside simplesmente nas expectativas de êxito. “A opinião pública norte-americana é em parte alérgica às baixas, mas aquilo a que tem primordialmente alergia é à derrota”, afirma Gelpi. “Nos EUA é possível conseguir-se apoio para qualquer operação militar, seja ela qual for, desde que tenhas do teu lado um número suficiente de pessoas do grupo dos alérgicos à derrota”.
O problema de Vietnam não foi o descalabro ético de uma cultura política que permitia a morte, a destruição e a tortura numa proporção desmedida; o problema foi a derrota. Os que são responsáveis progridem ou ascendem. Os que sofrem ficam para trás abandonados. Aqueles que têm a memória mais curta movem-se mais rapidamente e chegam mais longe. Os que forçam um ajuste de contas com o passado ou contraem uma amnésia colectiva e selectiva ou são postos de parte.
A maioria dos que votaram a favor da guerra no Iraque lamentam hoje a sua decisão. Hagel tem sido uma das vozes mais críticas sobre o Vietnam e foi quem levantou maiores objecções antes do Iraque. “¿Quantos de nós conhecem verdadeiramente e compreendem alguma coisa do Iraque, o país, a história, as pessoas, o seu papel no mundo árabe?”, perguntou. “Debruço-me sobre a questão do Iraque posterior a Sadam e do futuro da democracia e da estabilidade do Médio Oriente com mais cautela, realismo e um pouco mais de humildade”. Não obstante tudo isto, representa um triste exemplo dos esforços de Obama para adoptar um enfoque bipartidista.
E no final acabariam todos a deitar as culpas para uma defeituosa actividade de inteligência, uma liderança deficiente e uma planificação inadequada. Todos estes problemas eram reais. Todos eram evidentes antes da guerra. Nenhuma das justificações era apropriada. Cuando tiveram a oportunidade de a parar, não a pararam. As questões relativas a intervenções exteriores podem ter a sua complexidade. O Iraque não a tinha. Moral, militar, estratégica, politicamente não se tratava de uma decisão difícil.
A maioria das pessoas do mundo, independentemente da sua educação, religião ou nacionalidade, compreendeu que se tratava de uma má ideia desde o princípio. Aqueles que estando no poder não o compreenderam, não puderam ou não quiseram, são responsáveis pelo maior, mais garrafal e mortífero erro em política externa da última década, pelo menos. Encomendar-lhes que nos livrem da próxima guerra é a mesma coisa que esquecer como nos metemos na última.
20/01/13
Nota:
[1] A destruição da aldeia de My Lai em Março de 1968 é, se não a maior, pelo menos a mais tristemente célebre das matanças de civis vietnamitas às mãos de soldados norte-americanos. Embora seja inclusivamente ignorado o número aproximado de vítimas, estima-se que foram assassinadas entre 300 e 500 pessoas.

*Gary Younge é um dos vários correspondentes que o diário The Guardian tem nos Estados Unidos e nessa qualidade tem feito a cobertura das eleições presidenciais e para o Congresso dos últimos anos.

A globalização e os clássicos do imperialismo, Edmilson Costa *


1
A globalização e os clássicos do imperialismo
Edmilson Costa *
A globalização em curso na economia mundial vem provocando um conjunto de
fenômenos novos em toda a vida social da humanidade – na economia, na política, nas
relações capital-trabalho, na cultura e nas tradições dos povos. Portanto, trata-se de um
processo que coloca para todos os marxistas uma série de questões novas, bem como o
desafio de procurar compreender os dados dessa realidade de uma forma aberta, não
dogmática, visando extrair desse fenômeno as conseqüências analíticas e teóricas desta
fase do capitalismo contemporâneo.
A globalização representa hoje uma fase nova do capitalismo, período em que
este modo de produção atingiu plenamente seu amadurecimento e se transformou num
sistema mundial completo
. Até o período anterior à globalização, o capitalismo era
completo apenas em relação a duas variáveis da órbita da circulação – o comércio
mundial e a exportação de capitais. Mas, ao expandir a mundialização para as esferas
produtiva e financeira, bem como para os outros setores da vida social, o sistema
unificou globalmente o ciclo do capital, fechando assim um processo iniciado com a
revolução inglesa de 1640 (Costa, 2002).
Até meados da década de 50, a burguesia dos países centrais capturava a mais-
valia dos países periféricos na órbita da circulação, por meio do comércio internacional
ou da exportação de capitais. No entanto, após a internacionalização da produção, a
burguesia dos países centrais deu um salto de qualidade: passou a criar
generalizadamente o valor fora de suas fronteiras nacionais
1
, descentralizando assim o
ambiente de apropriação direta da mais-valia, num movimento que envolve atualmente
todo o planeta. Com a criação e apropriação do valor em escala global, a burguesia dos
países centrais tornou-se, pela primeira vez na história do capitalismo, uma classe
exploradora direta do conjunto do proletariado mundial. Além disso, ao produzir
internacionalmente e internacionalizar também as finanças, o modo de produção
capitalista amadureceu efetivamente a reprodução do capital em escala internacional,
possibilitando a constituição de um ciclo mundial único na economia mundial.
1
Michalet. C. Albert. Capitalismo Mundial. São Paulo: Paz e Terra, 1984. Este autor foi o primeiro a
identificar a criação do valor fora das fronteiras nacionais dos países centrais, mas sua análise não se
referia ao processo de globalização atual.
2
Os resultados mais visíveis da globalização da produção são os novos ramos
industriais, como as tecnologias da informação, a microeletrônica, a robótica, a
engenharia genética, a nanotecnologia e a biotecnologia, a internet, entre outros, cuja
configuração possibilitou ao capitalismo reestruturar o sistema produtivo e iniciar uma
terceira revolução industrial. Esses novos ramos produtivos, a exemplo do que ocorreu
no passado, estão substituindo os velhos setores típicos da segunda revolução industrial,
como o metal-mecânico, plástico e químico e se transformando nos pólos dinâmicos da
nova produção capitalista.
A indústria dos tempos atuais já começa a desenhar um perfil inteiramente
diferente do passado recente e seu desenvolvimento no futuro não muito distante terá
grande impacto na vida social, em todos os seus domínios. A classe operária da terceira
revolução industrial terá um perfil inteiramente novo: será uma classe polivalente, mais
qualificada e mais instruída, devendo a ela se incorporar a nova categoria dos cientistas
assalariados dos novos ramos industriais (os ferramenteiros dos chips, os engenheiros
da genética e da biotecnologia, os web designs da internet, os físicos da
nanotecnologia), fatos que terão profundas repercussões na luta de classe em nível
mundial.
Com a globalização financeira, a órbita das finanças passou a hegemonizar toda
a dinâmica do sistema capitalista. Para se ter uma idéia da magnitude do mercado
financeiro mundial, basta dizer que hoje circula diariamente nas várias praças mundiais
cerca de US$ 1,8 trilhão de dólares (Roberts, 2000) e a massa de capitais em operação
nos mercados financeiros já alcança US
$
118 trilhões (Mckinsey, 2005), montante
correspondente a mais de duas vezes o PIB mundial. Essa massa de recursos
basicamente especulativos tem a possibilidade de se movimentar pelo mundo ao longo
das 24 horas do dia. O capital especulativo conseguiu romper a barreira do espaço e do
tempo ao se auto-acrescentar continuamente, fenômeno que lhe proporcionou relativa
autodeterminação nunca vista na história do capitalismo e transformou as atividades
desta área na principal arena de negócios do sistema capitalista.
Essa imensa massa de recursos, totalmente desregulamentada, tem a capacidade
de mudar decisões dos Bancos Centrais, alterar as políticas econômicas governamentais,
as políticas sociais e o mercado de trabalho (Chesnais, 1996). O mais grave é que a
dinâmica especulativa, desligada de uma base material, cresce de maneira exponencial,
3
aumentando a criatividade e a agressividade dos mercados financeiros, sendo que a
própria dinâmica financeira realimenta o frenesi especulativo.
No entanto, a globalização atual é um fenômeno que nasce sem a possibilidade
de se viabilizar plenamente, ao contrário da primeira e da segunda revolução industrial,
em função das limitações estruturais do modo de produção capitalista nesta etapa da
história. A terceira revolução industrial possibilitou ao sistema inovações tecnológicas
radicais que proporcionaram às forças produtivas um enorme desenvolvimento. No
entanto, o capital não possui atualmente condições para desenvolver plenamente todo o
seu potencial produtivo, em função da insuficiência global de demanda. Ou melhor,
quanto mais o capitalismo tem possibilidades potenciais de desenvolver suas forças
produtivas, em conseqüência da inserção de ciência na produção, mais sua ação está
limitada por suas próprias contradições.
A inserção de tecnologia sofisticada na produção e a nova gestão empresarial
possibilitaram a reestruturação da produção e do gerenciamento fabril, pouparam
trabalho vivo nos centros dinâmicos da produção mundial, aumentaram a taxa de lucro e
reduziram o poder do movimento sindical oriundo da segunda revolução industrial, mas
em contrapartida encilharam o sistema num emaranhado de contradições, que se
expressam mais claramente no fato de que cada unidade de trabalho vivo poupada
representa uma nova dificuldade para a realização das mercadorias, colocando em
conflito estratégico a questão produção-demanda. Retoma-se assim, (só que agora em
bases ampliadas), a contradição original do sistema, que se expressa entre o caráter
social da produção e a apropriação privada de seus resultados.
Com a terceira revolução industrial, parece que o sistema se aproxima de um
limite da reprodução enquanto potencialidade material, uma vez que se o capitalismo
chegasse a produzir de acordo com suas potencialidades haveria uma crise de
superprodução. Mesmo levando em conta a produção destrutiva (material bélico e
semelhantes) ou os gastos governamentais em mercadorias inúteis socialmente, a
globalização emerge num momento em que a crise está instalada tanto no setor
produtivo, quanto agrícola ou de serviços, posto que a alavancagem desses setores não
encontraria demanda solvável para suas mercadorias.
Isso explica o fenômeno da financeirização da riqueza, que se apresenta como o
contraponto funcional da incapacidade do sistema desenvolver plenamente as suas
forças produtivas. Os capitais excedentes, impedidos de se reproduzirem na esfera
4
produtiva, buscam agora desesperadamente uma fuga para a frente na órbita da
especulação. Nesta nova aventura desesperada, o capital especulativo carrega consigo
todos os outros setores do capital para a lógica da órbita financeira e, com esse
movimento, aprofunda a crise geral do capitalismo, pois no longo prazo é impossível a
reprodução do capital, sem obedecer a lei do valor.
A criação da riqueza majoritariamente na órbita financeira é uma aventura sem
futuro, uma miragem capaz de levar, no curto prazo, os capitalistas ao delírio e ofuscar
sua visão global. No entanto, quanto mais aprofundam esse modelo, mais ampliam as
possibilidades de uma crise maior do sistema. Como a história tem demonstrado, quanto
maior o descolamento entre a esfera de criação do valor (a produção) e órbita da
circulação (especialmente o setor parasitário da especulação financeira), mais severa e
destrutiva tende a ser crise do sistema. Portanto, a globalização, mesmo sendo um dado
da realidade, tem seus limites estruturais oriundos da própria lógica do capital.
Ressalte-se a esse respeito que Lênin, o mais genial quadro teórico do século
XX, escreveu que o imperialismo seria a ante-sala do socialismo. Todavia, parece que
houve certo otimismo nesta previsão, uma vez que naquela época o capitalismo
monopolizado estava apenas iniciando o seu processo de amadurecimento internacional,
não reunindo, portanto, as condições plenas para as transformações dialéticas que
viriam a ocorrer com a globalização. Somente agora o capitalismo fecha o ciclo do seu
desenvolvimento histórico. Nessa perspectiva, pode-se dizer que agora estamos muito
mais próximos de uma transformação radical desse modo de produção do que no início
do século XX.
Como tudo na natureza segue a lei da dialética, podemos afirmar que o sistema
capitalista teve seu desenvolvimento efetivo com a revolução industrial, passou por uma
fase superior com a segunda revolução industrial e amadureceu completamente com a
globalização contemporânea. Portanto, agora que já cumpriu o papel histórico de
desenvolver internacionalmente as forças produtivas e a órbita da circulação, tende a
sofrer transformações profundas que mudarão a sua qualidade enquanto modo de
produção, a exemplo do que ocorreu com as outras formações sócio-econômicas
anteriores.
Seu aparente esplendor globalizado esconde um conjunto de contradições
originais que se reproduzem agora em bases ampliadas com a globalização. Portanto,
para compreender o fenômeno da globalização e as possíveis transformações de um
5
sistema agora completo deve-se também atentar para o fato de que uma transformação
qualitativamente nova só poderá ser efetiva se for viabilizada a partir do coração do
sistema, onde potencialmente a luta de classes tem condições de pulsar mais
intensamente.
É bem verdade que os elos débeis continuarão cumprindo um papel essencial
para o enfraquecimento geral do capital, enquanto forma global de dominação. Mas a
sua crise profunda só poderá configurar um estatuto terminal quando atingir o núcleo do
poder, o coração da
Tríade Imperial.
Em outras palavras: a crise geral do capitalismo só
estará madura quando atingir os Estados Unidos, a União Européia e o Japão.
Os clássicos e o imperialismo
Desta forma, estamos diante de um conjunto de fenômenos novos. Resta saber se
esses fenômenos configuram uma mudança de patamar da história do capitalismo ou se
trata apenas de uma evolução natural das forças produtivas. Entendemos que estamos
vivenciando uma nova fase do capitalismo, semelhante à que ocorreu no final do século
XIX, início do século XX, com a fusão do capital bancário e industrial e a emergência
dos monopólios. Sinteticamente, estes fatos podem demonstrar esta tese:
a)
a globalização produtiva alterou o lócus de extração do valor, a partir do qual a
burguesia dos países centrais passou a capturar, de maneira generalizada, a mais-
valia fora de suas fronteiras nacionais. Os velhos monopólios transformaram-se
em destacamentos avançados do grande capital, estando hoje presentes
fisicamente em todos os continentes;
b)
o processo de fusões e aquisições não só se assemelha ao passado, como indica
uma cosmopolitização burguesa, se não ainda em termos mundiais, pelo menos
do ponto de vista dos blocos econômicos;
c)
o comércio intra-firma responde atualmente por cerca de 40% do comércio
mundial, fato que subverte as chamadas vantagens comparativas, uma vez as
relações comerciais passam a ser baseadas exclusivamente no interesse das
corporações transnacionais;
d)
Na área financeira, a lógica da especulação subordinou todas as outras atividades
econômicas, inclusive o setor produtivo e os orçamentos nacionais (Plihon,
1998), ressaltando-se que o capital especulativo pode hoje movimentar-se
on
6
line
24 horas por dia, o que quebra as barreiras do espaço e do tempo, situação
que nem mesmo os mais delirantes especuladores sonhavam há duas décadas.
Os fenômenos que procuramos identificar não se referem apenas à evolução
natural do sistema capitalista, mas constituem uma situação qualitativamente nova.
Assim, estamos num ambiente em que as teorias que expressavam os fenômenos
relativos à segunda revolução industrial não respondem mais plenamente à conjuntura
objetiva da globalização. Isso significa que as teorias elaboradas pelos clássicos do
imperialismo (Hobson, Bukharin, Rosa de Luxemburgo, Kaustky, Hilferding e Lenin) já
não podem mais explicar plenamente os fenômenos da globalização. Eles escreveram
sobre seu tempo; não tinham obrigação, nem estavam interessados em adivinhar o
futuro. Mas o lastro em que desenvolveram as teorias e o método dialético são fonte
fértil para que os marxistas de nossa época dêem prosseguimento à sua obra teórica.
Elegendo a obra de Lenin,
O imperialismo, fase superior do capitalismo
, como
síntese paradigmática da interpretação do imperialismo oriundo da segunda revolução
industrial, procuraremos analisar os eixos fundamentais daquela obra para aferirmos
qual a aderência que ainda possui à realidade atual. Lênin elencou cinco traços
fundamentais que caracterizavam a nova fase do capitalismo: 1) a concentração da
produção e do capital e o aparecimento dos monopólios; 2) a fusão do capital industrial
com o capital bancário e o aparecimento da oligarquia financeira; 3) a exportação de
capitais, ao contrário da exportação de mercadorias; 4) a formação das associações
monopolistas que partilharam economicamente o mundo entre si; 5) a partilha territorial
do mundo entre as potências mais importantes (Lenin, passim, 1975).
Lênin enfatizou ainda que o imperialismo não era uma nova formação sócio-
econômica, mas a fase superior do capitalismo
.
Nesse sentido, afirmava que esta fase
seria marcada pelo capitalismo parasitário, em decomposição e agonizante, a ante-sala
do socialismo. Vejamos como se apresenta cada uma dessas características no mundo
atual:
A concentração da produção e do capital
continuam sua marcha histórica,
como Marx já havia identificado anteriormente, baseado na própria lógica da
acumulação. No entanto, o que distingue a época atual do período de Lênin é que as
corporações transnacionais passaram a extrair diretamente, e de maneira generalizada,
o valor fora de suas fronteiras nacionais, tornando a burguesia dos países centrais
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exploradora direta do proletariado mundial, ao contrário do que acontecia anteriormente
quando se apropriava da mais-valia mediante o comércio mundial ou a exportação de
capitais.
Em conseqüência da globalização, impôs-se ao grande capital a necessidade de
uma remonopolização global, através de um processo intenso de mega-fusões e
incorporações em todos os seus estamentos – industrial, bancário e de serviços. Isso está
dando um caráter novo à luta pela hegemonia entre os blocos do grande capital:
precisam unificar novamente sua estratégia, não só para reorganizar-se diante da
globalização, impor uma nova disciplina ao mundo do trabalho, mas principalmente
para contrarrestar a tendência decrescente da taxa de lucro que caracterizava a
conjuntura mundial após a Segunda Guerra.
A exportação de capitais
hoje difere significativamente do período da segunda
revolução industrial e mesmo no período de ouro do Walfare State. No período inicial
do imperialismo, a exportação de capitais era destinada à construção de estradas de
ferro, minas, portos e outros equipamentos de infra-estrutura, sem que houvesse grandes
inversões na área fabril, até mesmo porque não era interessante para os países centrais a
industrialização da periferia. Isso pode ser constatado pelo fato de que apenas alguns
desses países conseguiram realizar sua industrialização, assim mesmo muito
tardiamente. Somente com a internacionalização da produção é que os capitais
migraram para a construção de plantas fabris nos países da periferia, mas aí já se tratava
de um processo novo, a globalização da produção.
Outro fenômeno que chama a atenção na exportação de capitais da atualidade é o
fato de que cerca de 80% do investimento direto externo (IDE) não está direcionado aos
países da periferia, mas aos países centrais, ressaltando-se ainda que vem decrescendo a
participação dos países periféricos neste tipo de investimento (Chesnais, 1996; World
Investment Report, 2001). Se a exportação de capital está se desenvolvendo
centralmente entre os próprios países imperialistas, a relação de subordinação pode ter
uma nova leitura, e não deve ficar restrita à tradicional subordinação entre os países
imperialistas do passado e suas colônias ou nações satélites. É bem verdade que a
subordinação é a lógica da relação centro-periferia, mas o montante de recursos dessas
operações direciona o centro do fenômeno para outras regiões e não para a periferia.
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Todavia, o aspecto mais importante da exportação de capitais hoje não se
verifica na esfera produtiva, mas essencialmente na órbita financeira. A partir do final
dos anos 60, constata-se crescentemente a
privatização da liquidez internacional,
ao
contrário do período anterior, quando a maioria dos empréstimos era oriunda de
entidades financeiras multilaterais. Essa privatização foi fruto de um movimento do
capital norte-americano no sentido de burlar as leis restritivas a saídas de capitais do
País. Para tanto, os bancos começaram a criar títulos com valor em dólar americano,
mas emitidos fora dos EUA, mecanismo que foi crescendo como uma bola de neve e
formando um peculiar mercado de moedas, que posteriormente transformaria a Europa
e, especialmente, Londres, no principal centro financiador das atividades mundiais
(Moffit, 1984).
É importante ressaltar que, com o mercado de eurodólares, processa-se uma
mudança profunda na exportação de capitais, movimento que viria se expressar mais
claramente com o endividamento dos países da periferia. Posteriormente, com a
desregulamentação do período Reagan-Tatcher, a exportação de capitais tomaria um
novo rumo. A transformação qualitativa do IDE em instrumento para a realização de
fusões e aquisições dá um sentido novo à exportação de capitais. “Para ampliar os
lucros a oligarquia financeira mudou o seu centro de gravidade, reduzindo os
investimentos diretos na produção, o que amplia o caráter parasitário do imperialismo”
(Costa, 1989). Se o centro de gravidade da exportação de capitais já estava alterado com
a formação da dívida externa dos países da periferia, a desregulamentação veio
intensificar de maneira extraordinária esse processo.
A partilha econômica e territorial do mundo
também se desenvolve de maneira
bastante diferenciada do período inicial do imperialismo. Está em curso, com uma série
de problemas, a formação dos blocos econômicos nas principais regiões do mundo.
Estes blocos refletem, de um lado, os problemas e contradições da luta inter-burguesa e
do desenvolvimento desigual capitalismo, e de outro, uma surda luta de resistência
contra a tentativa norte-americana de construir uma ordem unipolar, tendo a nação
yanque como centro. Como se trata de um processo em construção, não se pode
visualizar ainda o desfecho definitivo. Mas, de qualquer forma, a partilha territorial do
mundo hoje tem aspectos radicalmente diferentes dos tempos dos primeiros
monopólios.
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Registre-se que há uma desesperada dos Estados Unidos no sentido de se
transformar numa potência hegemônica incontestável e, a partir desta posição, tirar o
máximo proveito da nova ordem econômica internacional e realizar uma recolonização
sofisticada dos países da periferia. Trata-se de uma recolonização que não inclui a
ocupação geográfica no sentido clássico (a não ser em regiões rebeldes, ou ainda onde
for determinante para os interesses americanos, como atualmente no Iraque ou
futuramente na Amazônia), mas a busca do controle econômico-financeiro dessas
regiões.
Finalmente, a
tendência à decomposição e ao parasitismo
, identificado por
Lenin como sendo uma das características da oligarquia financeira, mantém a sua
essência, mas foi aprofundada de maneira extraordinária e revela aspectos novos e
relevantes. A oligarquia financeira ampliou o seu parasitismo e muitos Estados
imperialistas transformaram-se em nações rentistas (Chesnais, 2000). Circula hoje
diariamente na órbita financeira US$ 1,8 trilhão (Roberts, 2000) e o montante de
negócios nesse segmento é de US$$ 118 trilhões, duas vezes o PIB mundial (Mckinsey,
2005). A transferência de recursos dos países da periferia para os países centrais nos
últimos 25 anos, por conta principalmente dos mecanismos impostos pelo capital
financeiro, pode ser considerada semelhante à extorsão realizada no período colonial, o
que por si só dá uma dimensão do rentismo institucionalizado de nossa época.
Como se sabe, a financeirização da riqueza ou o rentismo institucionalizado, é
uma expressão degenerada da acumulação de capitais e demonstra um aprofundamento
sem precedentes do parasitismo da nova burguesia. A “valorização” da riqueza pela via
financeira cria uma contradição entre a velocidade de expansão da órbita financeira e o
crescimento do setor produtivo, tornando assim a defesa da riqueza por esta via uma
aventura sem futuro, pois haverá inevitavelmente um momento de ruptura desse
processo para compatibilizá-lo com a economia real, o que deverá ter conseqüências
dramáticas tanto para especuladores quanto para a ordem econômica capitalista.
Paradoxalmente, a globalização está construindo as bases para a sociedade da
abundância, em função da terceira revolução industrial e do aumento da produtividade
do trabalho. “Mas como o capitalismo não tem compromisso com o progresso social,
não será capaz de satisfazer as necessidades da população do planeta. Mesmo assim,
essas forças produtivas sofisticadas, pela primeira possuem condições de dar lastro para
a sociedade da abundância de bens e serviços. Caso a humanidade obtenha uma
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transformação estrutural do capitalismo, já possui as bases materiais da sociedade
comunista” (Costa, 1993).
BIBLIOGRAFIA
CHESNAY,
François. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996.
_________________ (Org.). A Mundialização Financeira. São Paulo: Xamã, 1998.
COSTA,
Edmilson. A globalização neoliberal e as novas dimensões do capitalismo
contemporâneo. Tese de Pós-doutoramento. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas –
Unicamp, 2002.
________________. Imperialismo. 2ª. Ed. São Paulo: Global, 1989.
LENIN,
Wladimir. Imperialismo, fase superior do capitalismo. Lisboa: Edições Avante,
1975.
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U$ 118 trillion and counting: taking stock the world ́s
capital markets. 2005. http//:www. mckinsey.com. Acesso em 5/72005.
MICHALET,
Charles Albert. Capitalismo Mundial. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.
MOFFIT,
Michel. O dinheiro do mundo – de Bretton Woods à beira da insolvência.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.
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responsabilidade das políticas liberais. Um ponto de vista keynesiano. In A
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ROBERTS,
Richard. Por dentro das finanças internacionais. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Editores, 2000.
UNCTAD
(United Nations Conference on Trade and Development). World Investment
Report, 2001.
*
Edmilson Costa,
doutor em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no IFCH-
Unicamp. Professor da Universidade Zumbi dos Palmares, é autor de I
mperialismo
(Global, 1989), A
Política Salarial no Brasil
(Boitempo 1997) e
Um Projeto Para o
Brasil
(Tecno-Científica, 1998) e diretor de pesquisa do Instituto Caio Prado Jr.