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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Desobedecer as ordens de cometer crimes

 

Desobedecer as ordens de cometer crimes

– Milhares de casos de "maçãs podres" no interior das Forças Armadas colombianas

por Nicolás Rodríguez Bautista [*]

 Cmte. Nicolás Bautista.Senhoras e senhores das Forças Armadas do Estado:

É necessário que a Colômbia e o mundo tenham presente, ao finalizar este ano de 2020, que a instituição à qual os senhores pertencem, longe de cumprir sua missão constitucional, continua envolvida em crimes de lesa humanidade contra os sectores mais humildes do povo, ao qual os senhores dizem pertencer e defender.

O Tribunal Penal Internacional (TPI), nas suas investigações sobre o Conflito Interno colombiano, no passado mês de Setembro evidenciou o envolvimento de integrantes das Forças Armadas em múltiplos crimes, como:

  • 2314 casos de execuções selectivas chamadas Falsos Positivos, que deixaram 3966 assassinados;
  • Mais de 200 casos de crimes sexuais;
  • Promoção e expansão dos grupos paramilitares;
  • Numerosos casos de deslocamento forçado.

O relatório documentou crimes em que estão envolvidos 22 generais e um grande número de oficiais superiores, que lhes permite concluir que este tipo de graves violações de Direitos Humanos são uma conduta criminal sistemática do Estado colombiano, que tem origem na Doutrina de Segurança imperante, que classifica como inimigo a exterminar todo aquele que se oponha e proteste contra o regime dominante.

Todos nós que acompanhamos a realidade da vida política e social do país sabemos que os dados antes mencionados são só uma pequena amostra, porque a realidade do que ocorre nos territórios está muito acima dos números do relatório do TPI.

Não tenho dúvidas de que, ainda que não sejam uma maioria, existem entre a oficialidade e sub-oficialidade das Forças Armadas colombianas pessoas honestas e patriotas que se afastaram destes crimes e que por isso recusaram-lhes suas promoções, interromperam sua carreira militar e são vistos com desconfiança por não comungar com tais crimes. A eles exprimo meu respeito e reconhecimento.

Da mesma maneira, é evidente que as centenas de milhares de soldados e políticas que formam a base destas instituições, saídos das entranhas populares, não são os responsáveis por esses crimes espantosos e, se se viram envolvidos neles, na sua grande maioria não é por sua vontade e sim por cumprirem ordens de sub-oficiais e oficiais no comando.

Denúncias de organizações de Direitos Humanos evidenciam as práticas de alienação inculcadas nos jovens que ingressam nas fileiras das Forças Armadas, que fazem-nas mais intensas com os chamados soldados profissionais aos quais adestram como mercenários, para o que fazem-lhes perder os valores do respeito e da sensibilidade humana, condição necessária para cumpri ordens sem prejuízo do cumprimento do Direito Internacional Humanitário (DIH).

É necessário recordar que o motivo que levou membros das Forças Armadas a executar os chamados Falsos Positivos foram os incentivos concedidos por decretos presidenciais, tais como recompensas em dinheiro, promoções e férias, etc. Tais crimes cometem-nos contra pessoas inocentes não envolvidas no conflito, para apresentá-los como baixas em combate causadas pelas insurgência, execuções que permite à cúpula das Forças Armadas apresentar-se como parte vitoriosa na sua Guerra anti-subversiva.

Tudo o dito anteriormente permite concluir que as Forças Armadas não são uma instituição que contribua para a superação do Conflito que destrói a Colômbia, mas agrava-o e perpetua-o, uma vez que a cúpula do poder político e das Forças Armadas fazem da Guerra um negócio lucrativo.

Os democratas, progressistas e patriotas, tal como os revolucionários que levantam a bandeira de uma paz com justiça social, devemos aceitar esta grave realidade para poder transformá-la.

Na proximidade do término deste ano faço um apelo às mulheres e homens honestos e patriotas que estão nas fileiras das Forças Armadas a manterem-se em pé e unirem-se em pensamento e acção aos que lutam por um país, que avancem pelo caminho de uma pátria onde caibamos todos e onde a justiça social sejam o sonho, a vontade e a decisão de uma luta que alcance a paz autêntica que merecemos.

Cordialmente,
Nicolás Rodríguez Bautista
Primeiro Comandante do ELN

26 de Dezembro de 2020.

O original encontra-se em eln-voces.net/desobedecer-ordenes-de-cometer-crimenes/

Esta carta encontra-se em https://resistir.info/ .

 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Colômbia / Balanço do processo de paz de La Habana.



QUARTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2015


Balanço do processo de paz de La Habana.


Santos y Uribe, que são a mesma coisa, cada um com suas bravatas, ameaças e intrigas, querem chantagear a Mesa de Paz de Havana e a plenipotenciária da resistência campesina para impor a paz dos vencidos, da injustiça social, do massacre, das masmorras e das tumbas neoliberais. Querem meter medo. Pretendem que prevaleça seu apodrecido regime oligárquico. Santos nunca mais. Uribe nunca mais.
Os combates próprios do prolongado conflito social e armado, ocorridos na semana anterior no Norte do Cauca, onde ocorreram cruentos enfrentamentos entre os atores em combate [contraguerrilha anticomunista e guerrilha revolucionária]; e, simultaneamente, os cruéis massacres de indígenas executados por grupos paramilitares, acompanhantes das forças contra insurgentes das brigadas militares Apolo do governo de Santos, perfilaram uma “conjuntura crítica”, uma encruzilhada política, que nos indica, novamente, a clausura de um ciclo histórico e a abertura de outro, na qual as ações e omissões dos sujeitos resultam tendo espaços e possibilidades de remontar condicionamentos estruturais e cujo desenlace terá importantes consequências de médio e longo prazo no cenário político nacional, como a necessária convocatória de uma Assembleia Nacional Constituinte.
Não é demais reiterá-lo, os graves acontecimentos de guerra ocorridos no município de Buenos Aires são a direta consequência da estratégia oficial de negociar o fim do conflito em meio à guerra. Mais pontualmente, do disparate santista elaborado pelo sionismo israelense de conversar em Havana ignorando a guerra nacional e continuar a guerra como se em Cuba não ocorresse nada. Um verdadeiro ex abrupto liberal que se elaborou como artimanha para levar vantagens e impor os enfoques do bloco oligárquico dominante que se empenha numa paz com injustiça social e democracia neoliberal.
Tentemos um balanço do processo de paz de Havana que se abriu desde o ano de 2011 com aproximações e conversações reservadas entre as Farc e Santos.
Primeiro. A Mesa de Conversações de Havana foi o resultado da constante potência militar e política, desdobrada pelas Farc e demais grupos insurgentes desde fins de 2007, que colocou na defensiva o bloco dominante da oligarquia, obrigando-a a descartar sua estratégia de guerra final e de extermínio absoluto da resistência campesina e popular.
Segundo. O Acordo especial para a terminação do conflito e a Agenda temática refletiu a correlação de forças existente em seu momento. O preâmbulo, as regras do jogo, a organização da mesa, o papel dos garantidores internacionais, os temas e o mecanismo constituinte de referenda resumiam plenamente a força e capacidade acumulada pelo movimento popular e a guerrilha.
Terceiro. Em plena globalização, o cenário cubano se torno ótimo para a delegação plenipotenciária das Farc, pois o ambiente agradável dos diálogos permitiu o pleno exercício do conhecimento, da inteligência, epistemologia e sabedoria que se emanam da estratégia revolucionária socialista. Nada de pressões e armadilhas dos trapaceiros oficiais, acostumados a jogar com cartas marcadas. Transcendental que o contexto de Cuba socialista fosse o espaço da Mesa, pois o exemplo das conquistas populares tem sido um estímulo crucial ao papel histórico das massas populares colombianas.
Quarto. Três acordos em assuntos cruciais: terra, democracia ampliada e cultivos de uso ilícito são indicadores da seriedade com que se desenvolveram os diálogos. Da mesma maneira, consensos em temas como o desminado e a desescalada do conflito, pactuados entre comandantes guerrilheiros e oficiais do exército são provas contundentes dos avanços da Mesa de Havana.
Quinto. A trégua unilateral determinada pelas Farc, desde novembro de 2014, mostrou ao país a vontade de avançar na superação da guerra. Nunca antes se havia dado um fato desse nível e os efeitos estão à vista com a diminuição substancial da violência.
Sexto. Santos não foi recíproco e seu aparelho militar prosseguiu as ações ofensivas assassinando líderes guerrilheiros, assaltando acampamentos, desaparecendo militantes populares e promovendo e instalando novos grupos paramilitares por todo o território nacional. Em Colômbia, diz J. A. Gutiérrez, todo o tempo se bombardeia acampamentos guerrilheiros em meio ao sono, mesmo em meio a tréguas unilaterais da insurgência; se arranca campesinos de suas camas, com sacos na cabeça, para em seguida dar sumiço neles, torturá-los, ou assassiná-los e apresentá-los como guerrilheiros “mortos em combate”; se dá sistematicamente tratamento de guerra ao protesto popular, como o demonstra o recente caso do norte do Cauca.
Sétimo. A sabotagem, com o jogo duplo santista do Min uribista Pinzón, ao processo de paz foi uma constante durante os últimos 30 meses. Uribe Vélez construiu uma corrente militarista que envolve generais, oficiais e paramilitares, para bloquear e estigmatizar os diálogos. Para mudar a correlação de forças a seu favor. Altos oficiais, com o consentimento presidencial e ministerial, têm danificado, infiltrado, desqualificado e macartizado a saída negociada ao conflito. Desse jogo fazem parte os dois delegados militares em Havana. O mais recente episódio nesse sentido foi a confusão de Rangel Mora, quem, prática, terminou deslocando De La Calle e Jaramillo como chefes do grupo. Foi uma espécie de “golpe suave” à paz, em cumplicidade com os porta-vozes jornalísticos e da Acore do uribismo.
Oitavo. Como o modelo neoliberal não se negocia, segundo a determinação de Santos, até o momento o governo não se comprometeu em nada que possa afetar seu regime social e o das multinacionais. Pelo contrário, a Casa de Nariño tem seguido adiante com sua agenda neodesenvolvimentista, embutida no Plano Nacional de Desenvolvimento que reúne descaradamente o receituário neoliberal da OCDE e demais organismos multilaterais como o FMI e o Banco Mundial.
Nono. O funcionamento da Mesa de Diálogos tem sido um descomunal pivô da luta popular e da ação coletiva. As grandes ações campesinas de 2013, 2014 e as que se desdobrarão a partir do próximo 22 de abril recebem o estímulo da potência emancipadora da resistência campesina revolucionária. Surgiram novas subjetividades associadas com a paz e grandes mobilizações, ligadas à memória histórica, enriqueceram o espaço público democrático. No entanto, o processo de paz e a luta pelas mudanças exigem uma ação direta, no quente, dos movimentos sociais, com suas reivindicações e exigências. Os desfiles e marchas simbólicas não podem substituir o alcance radical das ações como as dos indígenas do Cauca, os levantamentos operários, as greves estatais, os bloqueios de rodovias, as paralisações de professores e as greves campesinas. O levantamento popular deve chegar a novos níveis de ação política evitando, claro está, a claudicação e conciliação das Mesas que terminaram subsumidas no transformismo ministerial da revolução passiva de terceira via do senhor Santos e seus assessores agrícolas.
Décimo. A mercê dos diálogos de paz, o Polo Democrático ressurgiu do abismo em que o haviam colocado em Bogotá. Clara López e Ainda Abella, com a bandeira da reconciliação e da terminação da guerra, receberam o respaldo de mais de 2 milhões de colombianos, que nelas votaram com entusiasmo e independência como candidatas nas eleições presidenciais de 2014. Estas duas líderes, junto ao senador Ivan Cepeda, alcançaram a envergadura de verdadeiras referências progressistas, com enormes potenciais para conduzir um grande movimento de mudanças nos meses vindouros, particularmente nas próximas eleições de autoridades locais infiltradas desde já pela corrupção e pelo clientelismo da partidocracia sistêmica. A Mesa de paz de Havana terá uma grande influência no processo político de 25 de outubro.
Em igual sentido, os referidos líderes terão um papel destacado na Assembleia Constituinte pela paz que terá que se convocar para sair da enorme crise orgânica e sistêmica que agita ao regime político dominante.
Onze. Os meios de comunicação e a denominada opinião pública predeterminada por estes têm sido e continuam sendo um obstáculo perverso para o processo. As grandes máquinas midiáticas refletem e reproduzem os interesses de reconhecidos oligarcas como Sarmiento Angulo [El Tiempo], família Santo Domingo [El Espectador], Grupo Prisa de Espanha [Caracol], Ardida Lule [RCN e NTN24], família Santos [Revista Semana] e os monopólios imobiliários regionais [Vanguarda Liberal, El Heraldo etc], família Lloreda [El País], paramilitarismo do estado de Antioquia [El Colombiano, El Mundo], que fazem uma sabotagem sistemática, com mentiras e tóxicos, à Mesa de Havana.
Os pseudo analistas políticos, os e as [como certa filósofa] colunistas de opinião, favorecidos com salários e cheques de seus eminentes patrões, constroem sofismas e narrativas arbitrárias para impor a cosmovisão das classes dominantes acérrimas inimigas de qualquer mudança democrática na vetusta sociedade colombiana.
Doze. A recente Cúpula do Panamá constituiu um importante apoio ao processo de Havana, pois registrou o triunfo da Cuba socialista e do bloco anti-imperialista latino-americano liderado pela Venezuela Bolivariana e chavista. Obama, representante de um império em retirada a mercê do contrapoder geopolítico oriental, teve que admitir os erros, arbitrariedades e equívocos cometidos contra o povo cubano durante mais de 60 anos. É o que Santos não viu, não leu, nem escutou, pois, como representante do bloco contra insurgente do poder oligárquico, continua com a mesma mentalidade violenta de há 60 anos. Este tipo ficou na guerra fria, no anticomunismo selvagem, no ódio ao povo, no domínio clientelista, na mesma corrupção.
Treze. A paz só pode avançar se se dá uma mudança profunda nos aparelhos militares e de inteligência do governo. Se os generais anticomunistas continuam com sua sabotagem traiçoeira à Mesa de Havana, o término das conversações terá muito mais complicações e obstáculos.
Quatorze. A paz express, a desesperada enteléquia santista, com datas pontuais é uma falácia governamental que pretende entreter o verdadeiro debate para chegar a um consenso definitivo.
Quinze. A paz não será uma realidade se Santos pretende resolver a atual grave crise econômica ocasionada pela queda dos preços do barril de petróleo, afetando as condições sociais de milhões de colombianos mergulhados na pobreza. Que os ricos paguem a crise, não os frágeis da sociedade.
Dezesseis. A agenda política da delegação revolucionária em Havana faz parte de uma estratégia revolucionária para derrubar o regime oligárquico imperante no Estado. Faz parte da luta pela democracia avançada, pelo socialismo e pelo fim da sociedade mercantil neoliberal.
Dezessete. Há que manter a firmeza frente às fanfarronadas de Santos e seu compadre Uribe Vélez. Os revolucionários não vacilam nem se deixam intimidar. A oligarquia é covarde, não tem boa-fé nem vontade de paz no sentido puro do termo.
Se a oligarquia quer 100 anos mais de guerra, guerra popular prolongada terão. Foram 500 anos de guerra colonial, de violência contra os indígenas, contra os escravos afro, contra os campesinos e os operários e a luta se mantém. Essa é a grande lição de Cuba, a de Venezuela e a do restante dos povos de nosso continente.
Dezoito. Santos nunca mais!!! Uribe Vélez nunca mais!!!!! Oligarquia putrefata e assassina nunca mais!!!!!

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Equipe ANNCOL - Brasil

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Colômbia/ Juan Manuel Santos ordena bombardeios contra as FARC, que reclamam "cabeça fria"

dialogosColômbia - Diário Liberdade - A resposta guerrilheira ao assédio do exército oligárquico na região colombiana de Cauca concluiu com 10 efetivos das forças governamentais mortos.

Imediatamente, o presidente Santos difundiu na sua conta de twitter a ordem para que o exército atacasse a guerrilha comunista, o que poderia vir a quebrar o cessar-fogo que as FARC vem mantendo há meses.
Dada a confusão e manipulação alimentada pela mídia pró-imperialista a nível internacional, o Diário Liberdade resolveu traduzir e difundir a posição das FARC diante desta nova crise no processo de diálogo que se desenvolve na capital cubana. Nele, a organização revolucionária colombiana lamenta as mortes e lembra que a atuação armada da guerrilha foi "defensiva", acrescentando um reiterado apelo ao cessar-fogo bilateral.

Comunicado das FARC-EP: Mantenhamos a cabeça fria
Havana, Cuba, sede dos diálogos de paz, abril 15 de 2015
As declarações públicas de altos oficiais põem em evidência que os fatos se produziram no enquadramento do desenvolvimiento de intensos operativos contraguerrilheiros que vêm se incrementando por terra, desde a data mesma da declaração do cessar-fogo.
Nas FARC EP deploramos profundamente as consequências da ofensiva permanente das tropas oficiais contra nossas unidades em trégua unilateral.
Como resultado do assédio militar do exército, a reação legítima das FARC derivou na morte de 10 militares e lesões a 18, no município de Buenos Aires, Cauca.
Com insistência denunciamos os ataques premeditados que a Força Pública realizou, causando baixas em nossas filas, colocando em situação de risco o processo de redução do conflito adiantado para acalmar os impactos da guerra na população.
Seguimos convencidos que no desenvolvimento das conversas de paz é absurdo que sigamos pondo mortos de parte e parte. Lamentamos a perda de vidas que causa a permanência do conflito, enchendo de luto famílias colombianas. A cada vez está mais clara a urgência de se chegar à assinatura de uma cessação bilateral de fogos, que nos aproxime dum melhor ambiente para o acordo final.
Manifestamos contundentemente que, como é evidente, desde Havana não se dirigem operações militares por parte das FARC-EP, estando dedicados, a totalidade dos membros de nossa Delegação de Paz, a trabalhar pelo avanço dos diálogos. Sabemos o doloroso que esta situação é para o Exército, porque também nós sofremos a perda de comandantes e guerrilheiros desde 20 de dezembro passado. Fazemos um apelo expresso ao Governo nestes momentos para manter a cabeça fria e não adotar medidas pouco meditadas que possam pôr em perigo o avanço dos Diálogos e a manutenção da cessação unilateral do fogo.
Entendemos imprescindível proceder entre ambas partes a reduzir a tensão existente em todo o país e na região do Cauca designadamente. Em consequência, pedimos a ativação, imediatamente, de mecanismos de verificação e distensão da situação de confrontação militar na área onde se produziram estes lamentáveis fatos.
Fazemos um apelo expresso à Frente Ampla pela Paz, aos países garantes e acompanhante nos Diálogos (Noruega, Cuba, Venezuela, Chile- ao CICR e a UNASUR) para que se envie quanto antes uma missão a Buenos Aires, Cauca, para verificar o ocorrido e elaborar um relatório com recomendações que evitem a repetição destes fatos.
DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP


terça-feira, 31 de março de 2015

Colaboradores de George Bush Conspiram na Colômbia contra a Venezuela

Nota dos Editores

Colaboradores de George Bush
Conspiram na Colômbia contra a Venezuela



31.Mar.15 :: Editores


Semanas depois de Obama ter emitido um Decreto Executivo acusando a Venezuela bolivariana de ameaçar a segurança nacional dos EUA, o Noticias Uno, da rede independente, de Caracas, divulgou uma nova manobra provocatória imperialista em que estão envolvidos dois altos funcionários norte-americanos: o ex presidente da Camara de Nova York, Rudolph Giuliani, e Mary Beth Long, ex- subsecretária de Estado da Defesa de George Bush.
Ambos intervieram ativamente numa mesa redonda promovida em Bogotá pelo ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, o falcão do governo do presidente Santos.
No encontro participaram também altas patentes das Forças Armadas colombianas.
O tema da iniciativa é esclarecedor do objetivo: o papel do exército da Colômbia se os atuais Diálogos de Paz de Havana terminarem com a assinatura de um Acordo de Paz que conduza à desmobilização das FARC-EP e sua integração na vida política.
Giuliani foi particularmente agressivo. Refletindo sobre os problemas que podem surgir no «pós conflito», afirmou que o perigo maior não viria da violência, dos escândalos e roubalheiras, da delinquência em geral, mas da possibilidade de «os narcotraficantes das FARC se tornarem governo». Caberia às Forças Armadas enfrentar essa situação.
Mary Beth, que, antes de ser nomeada por Bush subsecretária da Defesa, fora agente da CIA e funcionária da NSA (o sistema de espionagem planetária dos EUA) manifestou a sua grande preocupação com as ameaças externas de «vizinhos como a Venezuela». Mas está convicta de que as Forças armadas saberão enfrentá-las com firmeza.
Na conferência de imprensa realizada após o encontro, o ministro Pinzón disse partilhar tais temores, mas afirmou estar certo de que os generais Mora (o comandante chefe das Forças Armadas) e Naranjo estão conscientes dos perigos que se esboçam no horizonte.
Essa estranha mesa redonda de Bogotá confirmou que os EUA estão empenhados em sabotar o processo de paz com as FARC e no agravamento das relações da Colômbia com o governo de Nicolas Maduro. Sabe- se que 1800 paramilitares colombianos estão acampados na fronteira da Venezuela, prontos a instalar a desordem e a violência nos estados de Zulia e Tachira.
O envolvimento direto do governo de Washington na conspiração que visa o derrubamento do governo da Venezuela bolivariana está a contribuir para o reforço da solidariedade internacionalista àquele país.
Dezenas de personalidades da América Latina e da Europa, participantes da organização Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, exigiram já a revogação do Decreto Executivo de Obama e condenaram as ameaças à Venezuela.

Os Editores de ODiário.info

quarta-feira, 25 de março de 2015

Colômbia / Exército colombiano ataca o processo de paz


Exército colombiano ataca o processo de paz

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As FARC – Forças Armadas Revolucionária da Colômbia – acabam de lançar um SOS pela manutenção da trégua com o Exército colombiano, declarada em 20 de dezembro de 2014. Ao mesmo tempo, ordenam às suas tropas que se alinhem e estejam preparadas para combater a ofensiva do Exército Nacional. O presidente Juan Manuel Santos, por sua vez, utiliza a ofensiva militar para pressionar a delegação das FARC em Havana a assinar um protocolo de paz agachado, covarde, submetido apenas aos interesses do governo. Em comunicado anterior, a delegação de paz das FARC já havia anunciado que “manifestamos ser impossível um acordo que preveja um só dia de prisão para qualquer guerrilheiro pelo fato de ter exercido o direito à rebelião, de alto valor humanitário, para acabar com as injustiças que nosso povo padece”.
Leia o manifesto em defesa da manutenção da trégua:
“Alertamos nossas forças guerrilheiras em todo o país sobre a grave situação:
A partir de 20 de dezembro setores belicistas continuaram em seus esforços para sabotar o cessar-fogo unilateral e o processo de paz, operando a partir de instituições do Estado e do comando do exército em particular.
Em todo o território nacional se intensifica a ofensiva militar. O envio de tropas acompanhado por bombardeios, desembarques e agressões, causou até o momento seis guerrilheiros mortos, seis feridos, 2 capturados, e também o lamentável saldo de 14 soldados mortos e cinco feridos.
Presidente Santos, no meio de um processo que busca a reconciliação, é incoerente provocar dessa maneira o reinício do fogo e o ataque à infraestrutura econômica do Estado, em vez de promover o calar das armas. Essa irresponsabilidade tem rarefeito a atmosfera, tornando-se cada vez mais insustentável o cessar-fogo unilateral.
Em Chocó, Sr. Presidente, estão distribuindo folhetos com fotos de nossos porta-vozes de Paz, incitando à deserção dos guerrilheiros com a falácia de que seus comandantes estão em férias em Havana. Em vez de distribuir propaganda suja, e de perseguir e assassinar líderes populares, faça alguma coisa para gerar condições favoráveis à paz. Não custa nada responder à guerrilha com reciprocidade e grandeza.
Você rejeitou o cessar-fogo bilateral argumentando que a guerrilha utiliza a trégua para se fortalecer política e militarmente, mas o que estamos vendo é o exército se aproveitando do cessar fogo unilateral de nossas ações ofensivas para tirar vantagem militar, como a de patrulhar tranquilamente em áreas onde não poderia fazê-lo, pela presença de uma guerrilha combativa.
Ao mesmo tempo em que alertamos nossas forças guerrilheiras em todo o país sobre a situação, lançamos um SOS ao movimento social e popular na Colômbia, à Frente Ampla pela Paz, aos povos e países amigos, para que defendam esse processo e exijam o fim da provocação de setores belicistas, que buscam, com mesquinhez, murchar a esperança de paz”. 
Redação Rio
       A Verdade

sexta-feira, 13 de março de 2015

História colombiana: conflitos entre liberais e conservadores

9449764392 da036efb38 hColômbia - Opera Mundi - [Ana Maria Saldanha] Nos primeiros anos do século 20, a disputa entre liberais e conservadores foi acompanhada pelo surgimento das primeiras organizações de camponeses e operários.

Foto de El Turbión (CC by-nc-sa/2.0) - Protesto de camponeses em Aguas Claras em 2013.
A assunção da presidência da República da Colômbia por Enrique Olaya em 1930 vai inaugurar uma nova etapa de conflitos entre liberais e conservadores, que, geograficamente, se centra, sobretudo, em Santander e em Boyacá (verificando-se, igualmente, algumas ressonâncias em Cundinamarca e Antioquia).
A escalada de violência, sobretudo nas áreas rurais, vai, contudo, gradualmente, alargando-se, criando uma brecha crescente entre os dois partidos de poder:
Antioquia recorda com pavor os motins citadinos: em Támesis tomou o povoado  num domingo, depois de obstruir as entradas da praça; em Porto Rico, “Buñuelo” – um superexaltado – deixa rastros de máxima barbárie; na praça de Jericó cai gente assassinada com crueldade; em Caramanta se registram numerosas vítimas (Guzman Campos e al., 1962 [2005], p. 40).
Ora, para além de coincidir com o auge das lutas operárias e campesinas, a ascensão ao poder dos liberais vai, igualmente, impulsioná-las. Nos departamentos de Cundinamarca e de Tolima registam-se agudos conflitos rurais, relacionados quer com as condições precárias de trabalho, quer com a propriedade e uso da terra; afirma um dirigente campesino da época: “A arroba de café com que trabalhávamos não era de quinze medidas, mas de doze, mas a arroba que comprávamos no comissariado da fazenda não era de quinze medidas, mas de dezoito” (Isauro Yosa in Navarro, 2014).
Na primeira metade do século XX, a estrutura agrária colombiana era muito diversa: havia olatifundio ganadero na costa Atlântica e em algumas partes dos Llanos Orientais, as fazendas de café em diferentes zonas do país (sobretudo nos departamentos de Tolima, Cundinamarca, Santander, Antioquia e Caldas – Eje cafetero), o minifúndio em Boyacá, Cundinamarca e Nariño e as zonas de colonização (nomeadamente nas fronteiras agrícolas).
Na região do Eje Cafetero (também conhecida como Triângulo do Café), nasce um movimento popular de campesinos (peões, colonos, arrendatários e camponeses sem-terra): as Ligas Campesinas (das Ligas Campesinas mais importantes, salientam-se a de Irco e El Limón, no sul de Tolima, liderada por Isauro Yosa. Estas – fortemente influenciadas pelo Partido Socialista Revolucionário (antecessor do Partido Comunista Colombiano, fundado em 17 de Julho de 1930, herdeiro do legado de Ignacio Torres Giraldo e María Cano), que, sendo defensor de uma revolução agrária anti-imperialista, considera que deveria ser dada liberdade, reconhecimento e autodeterminação às comunidades indígenas –, tiveram, igualmente, uma grande influência em diferentes personalidades e organizações progressistas colombianas, pelo que a questão agrária, a partir, sobretudo, dos anos 1930, passa a estar presente nas propostas do líder liberal J.E. Gaitán (defensor de uma economia regulada pelo Estado) e de agraristas (como, por exemplo, de Erasmo de Valencia) (Cf. Avedaño, 2009).
Entretanto, em 1933, Jorge Eliécer Gaitán afasta-se do Partido Liberal, por considerar que as reformas propagadas por aquele não se materializavam, e cria a Unión Nacional de Izquierda Revolucionaria (UNIR).
Se os liberais assumem a presidência em 1930, apesar da agudização dos confrontos classistas, tal fato não quer dizer que o poder político não estivesse ao serviço da grande burguesia estrangeira, nomeadamente estadunidense. Assim, também o poder político liberal se submeteu ao imperialismo americano que então se impunha no mundo.
Em 1913, os investimentos estadunidenses na Colômbia ascendiam a 4 milhões de dólares, em 1920 a 32 milhões de dólares e em 1929 a 280 milhões de dólares. Exploração de petróleo, minérios, vias férreas, portos, estradas e grandes obras públicas estavam sob o domínio “de uns tantos homens de negócios radicados em Pittsburgh, Nova York, Filadélfia e outras cidades do império. A entrada crescente de capitais, junto com os primeiros brotos da indústria nacional, propiciou o avanço da economia e contribuiu para o nascimiento do proletariado colombiano” (Escobar, 1982).
Com o fim da Primeira Guerra interimperialista, o petróleo tornou-se num dos recursos mais cobiçados, sendo que os monopólios dos EUA se encontravam entre as maiores sociedades anônimas do mundo (Cf. Escobar, 1982).
Um destes monopólios, a Standard Oil of New Jersey (hoje, Exxon), pertencente à família Rockefeller, adquiriu as ações da Tropical Oil Company, a qual havia iniciado, em 1921, os trabalhos de exploração petrolífera na região do Magdalena médio. Em 1926, a Gulf Oil Corporation (rival da Exxon) – criada por ação de um dos maiores bancos estadunidenses, propriedade dos irmãos Mellon –, comprou, por seu lado, os direitos majoritários da Colombian Petroleum Company, que explorou os hidrocarbonetos da Concessão Barco até 1981 (Cf. Escobar, 1982):
Desde sua fundação resulta vigente o contrato firmado por 30 anos, entre o governo colombiano e o colombiano Roberto de Mares, sendo que [a empresa petrolífera] deveria retornar ao controle da nação em 1936; isso só ocorreria, contudo, em 1948 – 12 anos depois –, por parte da multinacional petroleira norte-americana Tropical Oil Company, filial da Standard New Jersey. Algo semelhante ocorre com a concessão assinada pelo general Barco em 1905, que deveria retornar ao Estado em 1955, mas isso só é feito em 1961, por parte da Colombian Petroleum Company (Colpet) e da South American Gulf Oil Company (Sagog) (Hernández, 2008, p.126).
Quando, em 1931, Henrique Olaya assina o contrato Chaux-Folsom, entregando a exploração dos hidrocarbonetos de Catatumbo nas mãos do imperialismo, uma das cláusulas demonstra a submissão total da classe dominante colombiana à grande burguesia estrangeira, revelando não apenas um país capitalista atrasado, mas igualmente extremamente dependente:
O governo prestará às companhias contratantes a proteção devida para prevenir ou repelir a hostilidade dos ataques das tribos de indígenas Motilones (Barí) ou selvagens, que moram nas regiões que fazem parte dos terrenos de que tratam este contrato, o que será feito por meio de corpos da polícia armada ou da força pública quando for necessário (cit. in Martínez, 2014).
Henrique Olaya Herrera (antigo embaixador nos EUA) – que governou com uma fração do Partido Conservador até 1934 – colocou, desta forma, ao serviço do imperialismo a política e economia colombianas, ao mesmo tempo que, num momento em que se encontrava em plena ascensão, reprimiu o movimento operário e camponês.
O contrato Chaux-Folsom (aprovado, em 1931, pelo Congresso), deu à Colombian Petroleum Company (Colpet) o domínio exclusivo dos hidrocarbonetos de Catatumbo, enquanto entregava à South American Gulf Oil Corporation (Sagoc) – sócia da Colpet – a construção do oleoduto Tibú-Conveñas:
A Colpet tinha " derechos de vías " e "servidumbres" em uma área de 187 mil hectares e era livre para utilizar toda a terra que requisitasse para acampamentos, tanques, bodegas, instalações, estradas, telégrafos, telefones, habitações, pedras e madeiras, "incluindo a lenha necessária". Podia empregar os terrenos "para fazer cercados para o gado e os animais de serviço e para plantações agrícolas", enquanto a Sagoc ficava com o usufruto de "uma zona autônoma e privilegiada, paralela ao oleoduto e seus ramais, de 30 metros de extensão de cada lado dos primeiros e dos segundos". De acordo com os termos do acordo, o erário recebia 10% do produto bruto, e a família Barco, 3,5% (Escobar, 1982).
Fusão do capital industrial e do capital bancário, o capital financeiro domina, desta forma, ainda na primeira metade do século XX, toda a economia colombiana, que, assim, se encontra altamente dependente do império estadunidense.
A luta pela terra vai ser favorecida com a ascensão à Presidência da República do também liberal Alfonso Pumarejo (1936-1938), keynesiano formado no Reino Unido. Durante a sua presidência, López Pumarejo defende uma reforma constitucional, propondo três vetores de ação fundamentais: uma Reforma Agrária (que pretendia distribuir, no prazo de dez anos, terras improdutivas a camponeses sem-terra), uma Reforma na Educação (que pretendia retirar a Educação do domínio da Igreja, criando o atual Campus da Universidade Nacional de Colômbia) e uma Reforma Política (foi sob a sua presidência que se fundou a Central de Trabalhadores da Colômbia – CTC). Fala-se, então, de uma Revolução em Marcha.
As três reformas fazem com que Pumarejo entre em conflito com os terratenentes colombianos, o que aprofunda as diferenças entre liberais e conservadores. Surgem, igualmente, focos de violência classista: enquanto os campesinos se organizam para ocupar terras, a oligarquia terratenente arma-se para os combater.
A questão agrária passa, a partir de então, a constituir um dos pilares fundamentais da condução da prática política da classe dominante colombiana, revelando as contradições de classe de um país, essencialmente, agrícola.
López Pumarejo assume, durante o seu primeiro mandato, uma atitude progressista (que, mais tarde, contraria), criticando, inclusive, o seu predecessor liberal: “Não encontro na história nacional exemplo de um período de governo que não se tenha constituído como una oligarquia, mais ou menos dissimulada, ou que não tenha derivado para esta forma de mando, esquecendo suas obrigações para com os eleitores” (cit. in Duarte, 2005). Relativamente à questão agrária, diz o mesmo López Pumarejo:
A propriedade, tal com a entende o governo, não se baseia unicamente no título inscrito, mas tem seu fundamento na função social que desempenha; a posse, por seu lado, consiste na exploração econômica da terra por meio de feitos positivos daqueles a quem o solo dá direito ao domínio, como a plantação ou a sementeira, a ocupação com gado, a construção de edifícios, os cercamentos e outros de igual significação.  (cit. in ibid.)
Se Olaya Herrera havia assinado o contrato Chaux-Folsom e entregue as reservas de hidrocarbonetos de Catatumbo à Texas Petroleum Company e à Gulf, López Pumarejo ficou conhecido na história como o presidente que defendia uma Colômbia para os colombianos.
Contudo, apesar da sua atitude liberal-progressista e da defesa das reformas supracitadas, López Pumarejo não deixou de colocar o essencial da sua política ao serviço do aprofundamento do capitalismo monopolista na Colômbia: “o liberalismo de Enrique Olaya Herrera, Alfonso López Pumarejo e outros 'reformistas' da época já se havia convertido no que é atualmente: uma força política com jurisdição e mando ao serviço dos testas de ferro do imperialismo” (Escobar, 1982).
Em 1938, nas vésperas das eleições presidenciais, Gaitán dissolve a UNIR e regressa ao Partido Liberal, pelo que vários dirigentes camponeses e militantes da dissolvida UNIR passam para as fileiras do PCC (como, por exemplo, Isauro Yosa).
Também em 1938, o liberal Eduardo Santos (tio-avô do atual Presidente da República), assume a presidência (1938-1942), travando as reformas do seu predecessor, sobretudo a reforma agrária, prosseguindo e aprofundando a submissão ao capital estrangeiro.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o transporte de combustível tornou-se cada vez mais complicado para os Aliados. Esta situação teve reflexos na economia colombiana, cuja produção de petróleo no Catatumbo, em 1942, ficou reduzida a um quarto da produção de 1939. Apesar disso, a Colômbia importava, então, mais de 34 milhões de barris de petróleo refinado.
De forma a manter uma superexploração da mais-valia, a Colpet – omitindo a necessidade de exportação de petróleo refinado – despediu centenas de trabalhadores, justificando tal fato com a redução das exportações, durante o conflito mundial. Contudo, depois de 1945, a extração de petróleo volta a acelerar-se, permitindo aos monopólios largas margens de lucro; foi, assim, na década de 50, que a concessão alcançou “o maior rendimento de sua história: 26 mil barris diários” (Escobar, 1982).
Nas eleições presidenciais de 1942, López Pumarejo é reeleito. Apoiado pelos setores mais progressistas dos liberais e por amplas camadas de trabalhadores, lembrados que estavam das reformas que havia impulsionado entre 1934 e 1938, Pumarejo, ao contrário do que aqueles esperavam, não retomou a sua política reformista.
O ano de 1942 é, igualmente, aquele que vê surgir a primeira Organização Campesina e Indígena – a Federação Campesina e Indígena. Primeiramente incluída na Confederação de Trabalhadores da Colômbia (CTC), a Federação Campesina Indígena transforma-se, em 1947, em Confederação Campesina e Indígena. A Confederação Campesina e Indígena vai, pela primeira vez, articular as lutas étnicas e culturais dos povos indígenas com a luta de classes.
López Pumarejo, entretanto, vai desacelerar as reformas encetadas em 1938, promovendo, em 1944, no seguimento do que Santos já havia encetado, um processo de contrarreforma da lei da Reforma Agrária. Neste sentido, a Lei 200 de 1944 vai prolongar por mais dez anos a atribuição de terras improdutivas a camponeses sem-terra, ficando, desta forma, adiada a primeira tentativa de pôr em prática uma Reforma Agrária. Surgem, então, novos confrontos violentos entre campesinos e terratenentes.
Em 1945, López Pumarejo renuncia à presidência, que é assumida por Alberto Lleras Camargo, liberal, próximo dos conservadores, que, enquanto aprofundava as relações com o capital estadunidense, reprimia fortemente as lutas dos trabalhadores, sobretudo no Magdalena médio.
Os anos de presidência liberal coincidem, igualmente, com uma nova etapa do partido, que, “de um partido representante dos comerciantes pré-capitalistas” se torna “um representante da grande burguesia financeira pró-imperialista” (Ocampo, 1980), distanciando-se da pouco desenvolvida burguesia nacional colombiana – que, então, “havia ficado sem uma expressão política bem definida” (ibid.).
Nas eleições de 1946 é eleito o conservador Mariano Ospina Pérez. Inicia-se, a partir de então, um período de violência e de confrontos, quer dentro da classe dominante, quer entre a classe dominante e as diferentes classes e camadas de trabalhadores.
A partir de 1945 são perpetrados grandes massacres contra camponeses e indígenas que lutam pela terra. A luta agudiza-se e os terratenentes recorrem, cada vez mais, ao armamento para combater os seus inimigos de classe. Surgem, neste período, os primeiros Exércitos de tipo paramilitar (nomeadamente, os chulavitas, em Boyacá, e os pájaros, na região cafeteira do norte), enquanto, no plano estritamente político, o partido Conservador tenta impor uma nova hegemonia.
O problema da violência passa, a partir de então, a estar definitivamente ligado ao problema da terra.

Bibliografia
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