O Talibã entra em Cabul
– Todas as cidades estão agora nas mãos do Talibã, assim como todas as passagens de fronteira.
– O presidente Ashraf Ghani demitiu-se
– Um novo governo interino será anunciado assim que o Mullah Abdul Ghani Baradar chegar a Cabul
– Os EUA evacuam freneticamente a sua embaixada
– Comandantes talibãs entram no palácio presidencial em Cabul
por Moon of Alabama
Saigon, 1975 - Cabul, 2021.Observações do Presidente Biden acerca da retirada das forças dos EUA do Afeganistão, feitas em 06/Julho/2021
P. Será a tomada do Afeganistão pelo Talibã agora inevitável?
O PRESIDENTE: Não, não é.
P. Por que?
O PRESIDENTE: Porque as tropas afegãs têm 300 mil soldados bem equipados – tão bem equipados como qualquer exército no mundo – e uma força aérea contra uns 75 mil Talibãs. Não é inevitável.
P. Sr. Presidente, poderá estender a resposta, por favor? Por que não confia no Talibã?
O PRESIDENTE: É uma pergunta tola. Confia você no Talibã? Não. Mas eu confio na capacidade dos militares afegãos, os quais estão melhor treinados, melhor equipados e são mais competentes em termos de condução da guerra.
P. Sr. Presidente, alguns veteranos do Vietname vêem reflexos da sua experiência nesta retirada do Afeganistão. Vê quaisquer paralelos entre esta retirada e o que aconteceu no Vietname, como algumas pessoas sentem?
O PRESIDENTE: Nada, em absoluto. Zero. O que havia ali era brigadas inteiras a irromperem através dos portões da nossa embaixada – seis, se não estou em erro.
O Talibã não é o sul – o exército norte-vietnamita. Eles não são, nem remotamente, comparáveis em termos de capacidade. Não haverá qualquer circunstância em que verá pessoas a serem evacuadas do teto de uma embaixada – dos Estados Unidos no Afeganistão. Não é de todo comparável.
Não é de todo comparável. Isto é totalmente diferente – o tipo de helicóptero.
Taliban enters Kabul, awaits 'peaceful transfer' of power , August 15, 2021
Afghanistan - Taliban Enter Kabul - Will Announce Interim Government , August 14, 2021
Talibãs fazem novas ofertas de paz e outras
A história agora desenrola-se a uma velocidade raramente vista.
Situação actual: No total, 21 das 34 províncias estão agora nas mãos do Talibã. A maior parte das outras são contestadas.
August 6 - Zaranji (Nimruz)
August 7 - Sheberghan (Jowzjan)
August 8 - Kunduz (Kunduz)
August 8 - Sar-e Pol (Sar-e Pol)
August 8 - Talquan (Takhar)
August 9 - Aybak (Samangan)
August 10 - Farah (Farah)
August 10 - Pul-i Khumri (Baghlan)
August 11 - Faizabad (Badakhshan)
August 12 - Ghazni (Ghazni)
August 12 - Kandahar (Kandahar)
August 12 - Herat (Herat)
August 12 - Qala-e-Naw (Badghis)
August 13 - Lashkar Gah (Helmand)
August 13 - Tirin kot (Uruzgan)
August 13 - Chaghcharan (Ghor)
August 13 - Pul-e Alim (Logar)
August 13 - Qalat (Zabul)
August 14 - Sharana (Paktika)
August 14 - Asasabad (Kunar)
August 14 - Gardez (Paktia)
Situação em 14/Agosto/21.
Ver também:
US Embassy warns Americans in Kabul to take shelter, says airport reportedly UNDER FIRE amid hasty evacuation of western missions
Taliban spokesman says Afghan war is over, militants convinced ‘foreign forces won’t repeat failed experience in Afghanistan’
Governo russo ordena ao seu embaixador no Afeganistão que permaneça em Cabul
O original encontra-se em www.moonofalabama.org/
Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
terça-feira, 17 de agosto de 2021
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
Igualdade e escassez
Igualdade e escassez
por Prabhat Patnaik [*]
Muitos recordarão que a União Soviética e outros países socialistas da Europa do Leste costumavam ser caracterizados por longas filas de consumidores de várias mercadorias. Isto foi motivo para muita ridicularização no ocidente e era atribuída à ineficiência do sistema socialista de produção, em comparação com o capitalismo onde bastava ir a um supermercado e comprar tudo o que se quisesse.
Na realidade, longe de serem um sintoma de ineficiência, as longas filas de consumidores eram um reflexo da natureza altamente igualitária das sociedades socialistas. Analogamente, o livre acesso a bens sob o capitalismo é fundamentado na extrema desigualdade de rendimento que prevalece sob este sistema. Este ponto pode ser ilustrado por um exemplo em que deliberadamente escolhemos números que são idênticos em todos os aspectos excepto na distribuição do rendimento.
Tomem-se duas economias S (sob o socialismo) e C (sob o capitalismo). Cada uma investe 20 unidades e pode fabricar 100 unidades de produto. Os 20 por cento superiores em S (consistentes de funcionários socialistas) têm 30 por cento do produto e os 80 por cento mais baixos (consistentes de trabalhadores) têm os restantes 70 por cento. Em contraste, os 20 por cento superiores em C (consistentes de capitalistas e funcionários) têm 60 por cento do produto e os restantes 80 por cento (consistentes de trabalhadores) têm 40 por cento. O segmento de topo em cada economia consome a metade do seu rendimento e os trabalhadores em cada economia consomem a totalidade do seu rendimento.
Agora, se a plena capacidade de produção dos 100 for atingida em S, então o total da procura para consumo será 85 (consistindo de metade de 30 mais 70) e a procura agregada total (inclusive de investimento de 20) será 105. Em contraste, o total da procura para consumo em C será 70 (metade de 60 mais 40) e a procura agregada total (inclusive de investimento de 20) será 90. Por outras palavras, se a plena capacidade de produção de 100 for atingida, então haverá um excesso de procura de 5 em S e uma procura deficiente de 10 em C.
Portanto a economia capitalista não produzirá em plena capacidade devido à procura deficiente. Em vez disso produzirá apenas 66 2/3, uma vez que com esta produção e as mesmas fatias distributivas os capitalistas obterão 40 e os trabalhadores obterão 26 2/3, de modo que o consumo total será 46 2/3, os quais juntamente com o investimento de 20 será exactamente igual à produção verificada, 66 2/3. O emprego real portanto será apenas dois terços do que teria sido se a produção em plena capacidade estivesse a verificar-se. Em suma, haveria desemprego maciço. Uma vez que não se trata de qualquer falta ou excesso de procura (bem pelo contrário) nesta economia, os consumidores podem simplesmente entrar em qualquer supermercado e comprar o que quiserem; não há quaisquer filas de espera por bens.
Em contraste, na economia socialista, onde a produção de 100 causa um excesso de procura de 5, será produzida a capacidade total de produção de 100; mas a questão é como é que uma tal economia irá lidar com o excesso de procura de 5? A forma fácil de o fazer seria simplesmente deixar os preços subirem, até que os rendimentos reais de alguns consumidores tenham sido suficientemente esmagados para reduzir as suas compras em 5; mas tipicamente isto significaria um esmagamento desproporcionalmente grande dos trabalhadores que terão muito pouco dinheiro para reduzir, a fim de manter o consumo. Todo o excesso de procura de 5 será então reduzido a expensa dos trabalhadores. Mas comparado a isto, uma redução proporcional no consumo de toda a gente será melhor; isto é o que as economias socialistas faziam, mantendo os preços ao nível antigo mas instituindo o racionamento, para que a redução da procura em 5 pudesse ser mais igualmente repartida. Este racionamento significava que as pessoas tinham de fazer fila para as suas compras.
Assim, o facto de que as economias socialistas eram caracterizadas por filas de espera não era causado por qualquer ineficiência do sistema. Ao contrário, era um reflexo da preocupação do sistema em manter baixa a desigualdade na distribuição dos rendimentos. Assim fazia de duas formas distintas: uma, mantendo o nível base de distribuição relativamente mais igual; e a segunda, assegurando que se no entanto surgisse um excesso de procura, então que a sua resolução assumisse a forma não de um aumento de preços que teria sido regressivo, mas de um racionamento a preços determinados. As filas de espera eram um resultado deste racionamento.
Sem dúvida houve muitos problemas na implementação efectiva de uma tal política na economia socialista, tais como o acesso privilegiado de alguns (funcionários do Estado ou do Partido) a bens escassos, e a violação do princípio da igualdade de rações para todos pela instituição de um princípio de "primeiro a chegar, primeiro a ser servido", o qual tinha o efeito de distribuir o bem escasso arbitrariamente. Mas isto não nega o ponto básico de que a escassez observada de bens numa economia socialista foi o resultado de uma distribuição mais igualitária do rendimento. Do mesmo modo, a plenitude observada de bens sob o capitalismo é o resultado do facto de vastas massas de trabalhadores terem demasiado pouco poder de compra nas suas mãos para comprarem estes bens, o que é tanto uma causa como uma consequência do desemprego em massa que invariavelmente caracteriza este sistema.
O bem conhecido economista húngaro Janos Kornai, um crítico do sistema socialista que existia no seu país, tinha dito: "o capitalismo clássico é limitado pela procura enquanto o socialismo clássico é limitado pelos recursos", o que significa que este último utiliza plenamente todos os seus recursos, incluindo a mão-de-obra disponível. A razão que ele deu para este fenómeno foi que sob o socialismo, uma vez que as empresas têm subsídios governamentais assegurados elas enfrentam uma "restrição orçamental branda" que as faz gastar em excesso em projectos de investimento, sem serem demasiado calculistas quanto à taxa de retorno esperada. Sob o capitalismo, pelo contrário, as empresas enfrentam uma "restrição orçamental dura" que as torna cautelosas na realização de investimentos.
Se bem que isto possa ser verdade, há uma poderosa razão adicional que temos enfatizado para o capitalismo ser constrangido pela procura e o socialismo constrangido pelos recursos – e esta é a maior igualdade na distribuição do rendimento sob o socialismo. Dito de modo diferente, uma vez que o nível da procura agregada em qualquer economia (ignorando o comércio externo) consiste de dois elementos, o nível de investimento e o nível de consumo tal como determinado pelo rácio médio do consumo em relação ao rendimento (ou propensão da economia a consumir nas palavras de Keynes), a explicação de Kornai para a diferença entre capitalismo e socialismo refere-se só ao primeiro elemento, embora também haja uma diferença muito importante em relação ao segundo. A maior igualdade na distribuição de rendimento sob o socialismo significa na média um rácio consumo-rendimento mais elevado e, portanto, um nível de procura agregada mais alto para qualquer dado nível de investimento (o que os economistas chamam um "multiplicador" mais alto para o investimento). Este aspecto chave das economias socialistas foi omitido por Kornai.
Qual o interesse, poder-se-ia perguntar, em dizer tudo isto agora, quando o socialismo na União Soviética e na Europa do Leste entrou em colapso? Bem, uma razão parcial é recordar-nos que, apesar de todas as suas limitações, as economias socialistas constituíram um grupo que alcançou o pleno emprego, em contraste com o que tem acontecido com todas as outras economias nos últimos duzentos anos. Isto acontece porque o capitalismo, pela sua própria natureza, não pode alcançar o pleno emprego, ao passo que economias socialistas têm dinâmicas muito diferentes que lhes permitem assim fazê-lo. Que tais economias existiram deveria ser sempre recordado.
A outra parte da resposta reside no facto de que o contraste agudo entre capitalismo e socialismo também se refere numa menor extensão à diferença entre o regime dirigista e os regimes neoliberais em países do terceiro mundo como a Índia. Não que estes países tenham alcançado algo como o pleno emprego, mas os regimes dirigistas tinham maior igualdade na distribuição do rendimento razão pela qual eles enfrentavam problemas de excesso de procura agregada e tinham de recorrer ao racionamento de vários bens. Isto estava em contraste com a fase neoliberal destas mesmas economias que assistiram a um enorme aumento na desigualdade de rendimento e, portanto, a um esmagamento do poder de compra nas mãos das massas trabalhadoras, a qual dá uma impressão totalmente enganosa de plenitude nos supermercados.
Na Índia por exemplo, segundo Chancel e Piketty, a fatia do rendimento nacional dos um por cento do topo da população era tão baixa quanto seis por cento em 1982, antes de ser introduzida a "liberalização" iniciada em 1985, mas aumentou para 22 por cento em 2013, a mais alta em quase um século. Portanto a inflação sob o regime neoliberal geralmente não é causada pelo excesso de procura; ela é tipicamente administrada pelos governos através da elevação de impostos sobre bens de uso comum ao invés de sê-lo sobre a riqueza dos capitalistas ou os lucros.
Mas mesmo esta inflação pretende-se então que seja controlada através da imposição de austeridade orçamental (como se a sua causa fosse excesso de procura), o que por sua vez agrava a situação de desemprego sem reduzir a inflação. O governo da Índia está agora a prosseguir um exercício tão insensato.
08/Agosto/2021
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia
O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2021/0808_pd/equality-and-scarcity
Tradução de JF.
Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
sexta-feira, 30 de julho de 2021
Com medo das manifestações populares, militares ameaçam golpe
Com medo das manifestações populares, militares ameaçam golpe
12 de julho de 2021
Categoria: Brasil, Luta Popular, Últimas Notícias
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MILITARES CORRUPTOS – Revelações da CPI e manifestações populares põem a nu corrupção das Forças Armadas e do governo Bolsonaro. (Foto: Marcos Corrêa/ABR)
Manifestações populares e escândalos expõem envolvimento de militares em corrupção. Forças Armadas repetiram ameaças golpistas contra o parlamento e a população durante a última semana. Aura hipócrita de honestidade de generais está caindo por terra.
Felipe Annunziata | Redação Rio
BRASIL – A semana passada foi marcada por muitas notícias sobre casos de corrupção envolvendo altas patentes militares que ocupam o Ministério da Saúde. À medida que as manifestações populares crescem, com centenas de milhares de pessoas nas ruas, fica mais evidente o envolvimento de generais e coronéis em falcatruas envolvendo compra de vacinas.
Na última quarta (7), Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde e sargento reformado da Aeronáutica, foi preso em flagrante por mentir à CPI da Covid. Na mesma sessão, o senador Omar Aziz (PSD-AM) fez uma fala criticando a “banda podre dentro das Forças Armadas”. A fala do senador foi tão moderada e polida que ele chegou a mentir dizendo que na Ditadura “não tinha militar acusado de ser corrupto”.
O fato levou a uma nota golpista por parte do ministro da defesa, general Braga Netto, e dos comandantes das Forças Armadas. A nota continha uma ameaça clara à democracia afirmando que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano”.
No dia seguinte, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida de Baptista Júnior, afirmou ao Jornal O Globo que “homem armado não ameaça” quando perguntado sobre a possibilidade de golpe. A afirmação foi mais uma ameaça diante da paralisia do parlamento em barrar ações golpistas de Bolsonaro e seus generais. Mas o que tem levado a essa reação forte por parte das cúpulas militares?
Forças Armadas querem atacar manifestações populares
LUTA POPULAR – Manifestações populares pressionam por derrubada de Bolsonaro e amedrontam militares. (Foto: EMÍLIA SILBERSTEIN / A Verdade)
No dia anterior à nota das Forças Armadas, os comandantes militares e ministros se reuniram no Palácio do Planalto, segundo informa o Jornal Correio Brasiliense. No encontro foi debatida a adesão popular às manifestações pela queda do governo.
Segundo a matéria, uma das questões levantadas foi de que as Forças Armadas passem agora a defender ativamente o governo, descumprindo a Constituição. Durante a agenda foram passados vídeos com pessoas infiltradas nos atos mostrando a mobilização das organizações de esquerda. Nos vídeos, os infiltrados faziam análises com um discurso claramente anticomunista.
Desde o primeiro ato, em 29 de maio, à exceção da repressão policial em Recife, os atos têm sido marcados por serem pacíficos. No entanto, a cada manifestação, setores fascistas ligados a Bolsonaro nas polícias tem procurado provocar manifestantes ou se infiltrar nos atos.
A reunião do governo com os militares no dia 8, aliado à nota e às ameaças ao parlamento, são demonstrações de medo dos militares com a revolta popular. A cada dia, parcelas mais amplas da população passam a enxergar as Forças Armadas como uma das principais responsáveis pelo genocídio em curso. Mais coronéis e generais são pegos nos escândalos de corrupção das vacinas.
O fato é que a ameaça de quartelada não é mais que um sinal do desespero desses sujeitos. Desde sua criação, as forças militares brasileiras são marcadas pela corrupção, perseguição a democratas e revolucionários, genocídio dos povos indígenas e negros e a subserviência completa aos interesses do imperialismo. No entanto, mesmo com tantos crimes nas costas, os generais nunca foram chamados a prestar contas pelos seus atos. Apoiado pelas elites brasileiras sempre se sentiram acima da lei e do povo.
Hoje, seus crimes mais recentes são expostos diariamente em rede nacional e repudiados pelo povo nas ruas. A indignação dos comandantes não é com a CPI da Pandemia apenas. O problema deles é ver sua aura hipócrita de honestidade cair por terra diante das mais de 530 mil pessoas mortas pelo governo do fascista Bolsonaro com apoio e execução dos senhores generais, brigadeiros e almirantes.
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sábado, 24 de julho de 2021
O que representa o Super Pedido de Impeachment de Bolsonaro?
O que representa o Super Pedido de Impeachment de Bolsonaro?
1 de julho de 2021
Categoria: Brasil, Últimas Notícias
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CORRUPÇÃO – Governo Bolsonaro cobrou propina de vendedor para viabilizar compra de doses de vacina. (Foto: Emília Sirberstein / A Verdade)
Claudiane Lopes
Jornalista de A Verdade
BRASIL – Depois de várias denúncias na CPI da Covid-19, o governo da morte sofreu mais uma derrota nesta quarta-feira, dia 30 de junho, com “Super Pedido de impeachment” contra o presidente Jair Bolsonaro, apresentado na Câmara dos Deputados. Ao todo, o documento é assinado por 46 parlamentares, entidades, sindicatos, partidos políticos, movimentos populares e indígenas que tem mais de 200 páginas e aponta 23 crimes cometidos pelo chefe do Planalto, relacionados a atentados contra instituições e a negligências na saúde.
Até agora são mais de 100 pedidos de impeachment protocolados na Câmara, todos ignorados por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Casa. A gota d’água para este pedido de impeachment unificado a revelação do pedido de propina de US$ 1,00 por cada uma das 200 milhões de doses, denunciado por um vendedor de vacina. Ou seja, Bolsonaro e sua cúpula cobraram 1 bilhão de reais em propina para viabilizar compra de vacinas.
O lobista preso pela Polícia Federal, Sílvio Assis, e o líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros, ofereceram US$ 1,2 milhão em propina para Luís Miranda não atrapalhar o esquema de compra da vacina indiana Covaxin, sendo esse o maior esquema de corrupção da história do Brasil.
A lista de transgressões às leis é longa, são 57 atitudes criminosas previstas na Lei do Impeachment cometidas por Bolsonaro durante seu mandato. Os crimes estão divididos em sete categorias:
Crimes contra a existência da União;
Crimes contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos poderes; constitucionais dos estados;
Crimes contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
Crimes contra a segurança interna;
Crimes contra a probidade na administração;
Crimes contra a guarda e legal emprego de dinheiro público;
Crimes contra o cumprimento de decisões do Judiciário.
Mas com a pressão popular iniciada com as manifestações no dia 13 e 29 de maio e no dia 19 de junho, o governo fascista Bolsonaro e os militares estão cada vez mais encurralados. Mesmo após as denúncias de corrupção desde o início do seu governo vem ocorrendo na mídia, podemos afirmar que a força do povo nas ruas em plena pandemia foram, e são, pré-requisitos fundamentais para a saída do poder de Bolsonaro.
GOVERNO DA MORTE – No Rio de Janeiro manifestante carrega cartazes em ato pelo Fora Bolsonaro. (Foto: Vitor Viana / A Verdade)
Quais são os próximos passos?
Depois de protocolado o pedido de impeachment, ele será analisado pelo presidente da Câmara que pode arquivar ou encaminhar o pedido para o plenário. São 122 pedidos apresentados, 116 ainda não foram apreciados, e seis já foram arquivados. Depois da avaliação do presidente, o próximo passo é a criação de uma comissão especial responsável pelo prosseguimento do processo. Esse relatório precisa ser votado pelo plenário da Câmara.
Dos 513 parlamentares da Câmara, pelo menos 3/5 da Casa (342) precisam votar pelo prosseguimento em duas votações. Se passar, o processo vai para o Senado Federal. O Senado faz uma nova análise do caso e, por maioria simples, decide se haverá julgamento ou não. Se a maioria votar pela instauração do julgamento, o presidente da República é afastado do cargo e substituído pelo vice-presidente. O julgamento no Senado é a fase final do processo de impeachment. Para que o presidente seja condenado e perca o cargo, são necessários 2/3 dos votos, 54 de um total de 81.
Porém, o que vai guiar os posicionamentos dos parlamentares serão as próximas manifestações de rua que estão convocadas de forma unitária para os dias 3 de julho e 24 de julho e tem como as principais pautas a saída do presidente, a aceleração da vacinação, um auxílio emergencial digno, o fim da violência policial, a defesa dos povos indígenas com a não aprovação do PL 490 e contra as privatizações, em especial a dos Correios.
LUTA POPULAR – Manifestações no dia 19 de junho levaram 1 milhão de pessoas às ruas por todo país. (Foto: Jady Oliveira / A Verdade)
A força das ruas encaminhará nosso futuro
A Unidade Popular esteve presente no ato de entrega do pedido de impeachment com a participação do presidente nacional, Leonardo Péricles, que declarou: “O nosso povo não suporta mais esse governo, que após um ano de pandemia já foram registradas mais de 500 mil mortes por Covid. Grande parte dessas mortes não teriam acontecido se Bolsonaro, Mourão, os ministros militares, o segmento religioso reacionário e os banqueiros não tivessem negligenciado a compra de vacinas, enquanto ofereciam remédios inúteis para a doença e zombavam das mortes e das orientações sanitárias”.
A crise no país se agrava com o desemprego que atinge 14,4 milhões de trabalhadores, o pior número desde 2012. O auxílio emergencial deixou de ser R$ 600,00, valor que já era insuficiente para garantir a sobrevivência das famílias, para ser R$150,00 e, na imensa minoria das situações, R$ 375,00, além de ter sido cortado para milhões de brasileiros e brasileiras necessitados. Não bastasse, 59% das famílias não tem segurança alimentar, pois, a carestia, a ausência de emprego e a desigualdade social não permitem.
Recentemente, os nossos vizinhos nos ensinam que através de revoltas populares podemos mudar o curso da história, esse foi o caso na Colômbia com três meses de mobilizações nas ruas conseguiram derrotar a proposta de Reforma Tributária do governo neoliberal. O povo na Bolívia derrotou o golpe institucional com a significativa participação dos povos originários nesta luta e o Chile derrotou mais uma vez, a aprovação de medidas neoliberais no país.
Esses exemplos demonstram para nós brasileiros o verdadeiro significado da palavra “Poder popular” e suas conquistas. Sem dúvida nenhuma, esses acontecimentos trazem para o Brasil, novos ventos revolucionários para mudar nossas vidas e construirmos um país com igualdade, diversidade e justiça social. A luta continua e nos encontramos no dia 3 de julho nas ruas!
NÃO À PL 490 – O presidente da Unidade Popular, Leonardo Pericles, esteve em Brasília para a apresentação do Super Pedido de Impeachment e visitou e prestou solidariedade à luta dos indígenas contra a PL do Marco Temporal. (Foto: Emília Sirberstein / A Verdade)


