Sobre a libertação da Grécia– "A crença em que um carcereiro num campo de trabalhos forçados vai sancionar um dos prisioneiros expulsando-o desse mesmo campo é a estupidez acabada".
por João Vilela
As estruturas do imperialismo dão-lhe um enorme poder. É um facto. Mas nenhuma delas é invencível, e a crença mágica no Apocalipse que significa a libertação dos povos relativamente a elas, em termos de sanções e isolamento, é só mesmo isso – uma crença mágica. Uma cobertura pseudo-teórica para uma atitude, objectivamente, reformista. Pode haver justificações da mais variada ordem para uma atitude reformista, reconheça-se: mas o reformismo não passa a chamar-se outra coisa por ser justificável com a conjuntura. As estruturas do imperialismo mostraram-se cediças recentemente, com os acontecimentos da Grécia. Perante um Governo ciente da impossibilidade de cumprir seja que papel histórico for, ficou exposta uma falha nos mecanismos da dominação europeia. A arquitectura da dominação imperialista dos países da periferia pelo centro alemão é fruto de uma aposta na conservação ficcional de Estados soberanos por falta de condições para o decreto unilateral de uma qualquer República Federal Europeia. Isto criou uma brecha que agora se expôs, e que os trabalhadores gregos têm sabido cavar e alargar num esforço dramático, heróico, pela sua libertação. Esforço tanto mais importante quanto é feito quase às escuras, sob orientações contraditórias e erradas, com uma barragem ideológica de fogo cerrado provinda tanto do imperialismo como do reformismo da euro-esquerda. O caso é simples e conta-se em poucas linhas: apostado em negociar com a Alemanha, o Syriza apanhou pela frente a irredutibilidade alemã e começou a fazer concessões sucessivamente, temendo sair do euro, temendo sair da UE, temendo a fome, a miséria, o caos, os filhos que matariam mães e os pais que almoçariam filhos se deixasse de drapejar a obscena bandeira azul com estrelinhas sobre os céus de Atenas. Perante as cedências acumuladas, a reacção dos gregos não se fez esperar, desde logo dentro do Syriza: históricos como Manolis Glezos pediram desculpas por apelar ao voto em Tsipras; membros do Comité Central do Syriza, como Stathis Kouvelakis, vieram referir que de há muito vinham sendo denunciadas as ilusões europeístas da direcção de Tsipras; enquanto isso, o movimento sindical de classe da Grécia, organizado na central PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), desenvolveu uma avassaladora ofensiva popular contra a capitulação do Syriza. Contam por dezenas as manifestações, as greves, com especial incidência no sector da saúde e da indústria; foram desenvolvidas formas de luta cada vez mais avançadas, de que a ocupação do Ministério das Finanças no passado dia 13 de Junho constituiu um exemplo importante. Ao mesmo tempo, é justo referir aqui o papel desempenhado por outra estrutura anticapitalista grega, a Conspiração das Células de Fogo, de raiz anarco-sindicalista, que invadiu e ocupou a sede nacional do Syriza e cujos activistas, em Abril, cercaram e procuraram agredir o ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, à saída de um restaurante em Atenas. Ante esta reacção popular abrupta e determinada, o Syriza não pôde prosseguir a senda de concessões e cedências com que iniciou o seu mandato. Teve de mudar de estratégia, e agir como se estivesse a fazer músculo perante as instituições europeias. A resposta destas foi uma ameaça de expulsão, ameaça que a não ser na cabeça dos Franciscos Louçãs deste mundo não cabe na cabeça de ninguém: a crença em que um carcereiro num campo de trabalhos forçados vai sancionar um dos prisioneiros expulsando-o desse mesmo campo é a estupidez acabada. A ameaça (que põe o Syriza em guarda e provavelmente assusta uma parte dos trabalhadores gregos, apesar de tudo intoxicados pela propaganda do "a UE ou o caos"), é estúpida, como se vê, e exprime o limite material que a UE encontrou para continuar a espoliar o povo grego dentro da actual configuração do sistema. Mas nem por isso deixou de desencadear uma série de protestos por toda a Europa exigindo solidariedade europeia para com os gregos e... a refundação do projecto europeu, depurado da austeridade, e posto ao serviço dos povos... Se queremos ser solidários com os gregos, não podemos dizer-lhe que fiquem no campo de prisioneiros connosco, assegurando-lhe que usaremos toda a nossa influência junto dos carcereiros do sítio para obter melhor tratamento para eles. Se conseguiram fazer uma pequena abertura na parede da sua cela, aproveitando uma debilidade da estrutura, o incentivo a dar-lhes é o de que continuem a alargar esse buraco, a cavar essa brecha, a alargar o caminho por onde passarão rumo à liberdade deste pesadelo prisional que a UE significa. Se não querem troika, libertem-se. Se não querem tratado orçamental, libertem-se. Se não querem austeridade, libertem-se. Aqueles que cá ficarem, por teimosia ou dolo dos seus Governos, nunca se livrarão de tal coisa, e é ridículo se se convencerem do contrário. Isto coloca duas tarefas centrais aos trabalhadores gregos e às suas organizações na luta por uma efectiva ruptura anti-imperialista: a primeira é a compreensão de que esta debilidade estrutural da arquitectura da UE não um erro insanável, mas apenas um percalço da estrutura, facilmente resolúvel da forma como, usualmente, quer os Estados quer as organizações internacionais da burguesia geralmente resolvem estes assuntos – ou com golpes de Estado a favor de quem manda contra o Governo que hesita, ou com invasões liminares e imposição da vontade do centro imperialista. A segunda hipótese pode ser mais improvável, mas a primeira, por mecanismos mais ou menos palacianos, tem campo aberto para ser aplicada. As massas devem ter organização, capacidade de mobilização de massas, de tomar as ruas, de enfrentar a repressão – mas o seu objectivo histórico não é resistir. A missão histórica do proletariado é tomar o poder e edificar o socialismo e o comunismo. O momento em que o proletariado grego ou se lança no assalto dos céus ou é cilindrado pelo aparelho repressivo está a aproximar-se a passos largos, e é vital que as estruturas que o representam e lideram comecem desde já acautelar essa situação. Um outro ponto prende-se com o dia seguinte, o tal dia em que, a fazer fé nas previsões de Merkel e Juncker, de Rui Machete e Nuno Rogeiro, o trigo crescerá para dentro da terra nos campos gregos, as árvores recusarão entregar os seus frutos, e as crianças se negarão a sair dos ventres maternos com medo desse mundo estranho com passaportes e sem quotas leiteiras. Até Tsipras já percebeu, embora o faça apenas por jogos florentinos (a faixa do Syriza, que corre mundo nos protestos de solidariedade promovidos pelos outros partidos-membros do Partido da Esquerda Europeia, onde se lê"Change Europe", diz tudo o que cumpre saber sobre a convicção da diligência), que a saída, após a UE, será um dos BRICs, e naturalmente a Rússia. Um projecto socialista e anti-imperialista pode manter relações, tácticas e à falta de melhor aliado, com uma potência capitalista cujas relações com outros Estados não se pautam propriamente por um respeito escrupuloso pela reciprocidade e a não-ingerência. Contanto saiba conservar a sua própria autonomia e soberania, desenvolvendo-a progressivamente, e contrapondo-a sempre a quaisquer pretensões hegemónicas que o novo aliado revele. Será sempre um trajecto difícil, complexo, cheio de espinhos e novidades difíceis de ponderar, o que a Grécia vai trilhar quando sair da União Europeia. Nunca se disse que o caminho para a libertação não tinha perigos, convivendo com grandes possibilidades. Tudo o que se sabe sobre esse caminho é que tem um horizonte vermelho. E isso, para os explorados e os oprimidos, chega.
22/Junho/2015
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . |
sábado, 27 de junho de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
“Esta pseudo esquerda europeia é outra tragédia”
“Esta pseudo esquerda europeia é outra tragédia”
25.Jun.15 :: Outros autores
Efraín Chury Iribarne: Bons dias, Petras. ¿Como estás?
James Petras: Estamos bem, disfrutando o verão, disfrutando o bom tempo e simpatizando com os residentes do Uruguai que estão passando frio, mas também o regresso à luta, quero solidarizar-me com a greve que os sindicatos anunciaram, os funcionários públicos. É um grande salto em frente desmascarando o governo supostamente progressista. ¡Saudações aos trabalhadores e vamos adiante!
James Petras: Estamos bem, disfrutando o verão, disfrutando o bom tempo e simpatizando com os residentes do Uruguai que estão passando frio, mas também o regresso à luta, quero solidarizar-me com a greve que os sindicatos anunciaram, os funcionários públicos. É um grande salto em frente desmascarando o governo supostamente progressista. ¡Saudações aos trabalhadores e vamos adiante!
EChI: Muito bem Petras. Poderíamos começar por fazer o ponto da informação respeitante a este corrupio de reuniões e esta espécie de perseguição desencadeada na Grécia pela União Europeia. ¿Em que ponto está tudo neste momento?
JP: Infelizmente podemos dizer que o governante (Alexis) Tsipras, o Primeiro-ministro, continua tratando de conseguir um acordo que sacrifique as reivindicações populares. É simplesmente um governo que não assumiu uma posição consequente, não rejeitou a dívida, está ainda na onda de procurar algumas mudanças regressivas para satisfazer os agentes da União Europeia. Mas eles estão actuando precisamente em defesa dos interesses dos banqueiros, querem apertar a Grécia ao máximo, estão a actuando com muito classismo e o governo não quer reconhecer que estas negociações são uma luta de classes. Onde as classes dominantes na Europa Ocidental, França, Alemanha, Inglaterra, Holanda, todos estão procurando derrotar o governo, desprestigiá-lo e avançar mais sobre a repressão económica.
O grande tema é o fracasso destes novos partidos. Poderemos vê-lo em Espanha também. Estive a ler uma entrevista com a nova presidente do município de Madrid, a Sra. Manuela Carmena, renunciando e renegando todas as medidas de emergência. Inclusivamente nomeando ex. figuras de Aznar, como os principais funcionários no gabinete municipal.
É uma vergonha que todo este movimento de indignados, de desempregados esteja, antes de tudo encabeçado pela classe média ressentida que quer voltar a recuperar o que perdeu com a crise e a austeridade. Mas não tem qualquer intenção de apoiar as reivindicações populares e está disposta a sacrificar, ou pelo menos não rectificar, os retrocessos.
Isso é o que está sucedendo na Grécia. Tsipras diz que não vamos baixar mais as pensões mas 3/4 dos pensionistas estão já abaixo da linha da pobreza.
O problema, o tema de eleger este governo é reverter esta tendência, não mantê-la e simplesmente defender o mau que existe contra o pior.
A política da Grécia está num beco onde el governo prepara uma capitulação, e essa é a preocupação, que em algum momento vão dizer que não temos dinheiro, o tesouro está vazio, enfrentamos uma catástrofe, é muito mau aquilo que estão a pedir ao governo, mas de uma maneira ou outra temos que chegar a acordo.
Quando chegaram ao governo existiam mais de U$S 50.000 milhões no tesouro, nos bancos, nos depósitos, e começam a pagar a dívida. Começaram a provocar a saída de depósitos chegando a 1.000 milhões por cada dia. Uma vez que seguiam este caminho, pouco a pouco a situação económica deteriorava-se.
E se eles tivessem tomado medidas no primeiro momento tinham recursos, podiam recusar a dívida, podiam impor uma moratória, tinham recursos ao chegar ao governo. E agora faltam recursos porque continuaram 5 meses a perder recursos e agora enfrentam o vazio do Tesouro, parece que não conseguiram nenhuma concessão por parte da direita e estão agora numa situação muito debilitada para se lançarem, nem têm impressora para imprimir uma nova moeda e renunciar ao Euro.
Não, não, desarmaram e desbarataram todos os recursos que tinham, e agora ficam com as mãos vazias sem qualquer alternativa. Tarde ou cedo vão capitular. E isso é tudo teatro, que Tsipras grite “Não vamos capitular…” Já capitularam em 90%, o que resta são os últimos 10% para receber outro empréstimo e prosseguir esta linha regressiva.
Toda a esquerda apresenta Tsipras como vítima, que a Grécia é vítima, mas Tsipras é o entreguista que facilitou a pilhagem por parte da União Europeia.
JP: Infelizmente podemos dizer que o governante (Alexis) Tsipras, o Primeiro-ministro, continua tratando de conseguir um acordo que sacrifique as reivindicações populares. É simplesmente um governo que não assumiu uma posição consequente, não rejeitou a dívida, está ainda na onda de procurar algumas mudanças regressivas para satisfazer os agentes da União Europeia. Mas eles estão actuando precisamente em defesa dos interesses dos banqueiros, querem apertar a Grécia ao máximo, estão a actuando com muito classismo e o governo não quer reconhecer que estas negociações são uma luta de classes. Onde as classes dominantes na Europa Ocidental, França, Alemanha, Inglaterra, Holanda, todos estão procurando derrotar o governo, desprestigiá-lo e avançar mais sobre a repressão económica.
O grande tema é o fracasso destes novos partidos. Poderemos vê-lo em Espanha também. Estive a ler uma entrevista com a nova presidente do município de Madrid, a Sra. Manuela Carmena, renunciando e renegando todas as medidas de emergência. Inclusivamente nomeando ex. figuras de Aznar, como os principais funcionários no gabinete municipal.
É uma vergonha que todo este movimento de indignados, de desempregados esteja, antes de tudo encabeçado pela classe média ressentida que quer voltar a recuperar o que perdeu com a crise e a austeridade. Mas não tem qualquer intenção de apoiar as reivindicações populares e está disposta a sacrificar, ou pelo menos não rectificar, os retrocessos.
Isso é o que está sucedendo na Grécia. Tsipras diz que não vamos baixar mais as pensões mas 3/4 dos pensionistas estão já abaixo da linha da pobreza.
O problema, o tema de eleger este governo é reverter esta tendência, não mantê-la e simplesmente defender o mau que existe contra o pior.
A política da Grécia está num beco onde el governo prepara uma capitulação, e essa é a preocupação, que em algum momento vão dizer que não temos dinheiro, o tesouro está vazio, enfrentamos uma catástrofe, é muito mau aquilo que estão a pedir ao governo, mas de uma maneira ou outra temos que chegar a acordo.
Quando chegaram ao governo existiam mais de U$S 50.000 milhões no tesouro, nos bancos, nos depósitos, e começam a pagar a dívida. Começaram a provocar a saída de depósitos chegando a 1.000 milhões por cada dia. Uma vez que seguiam este caminho, pouco a pouco a situação económica deteriorava-se.
E se eles tivessem tomado medidas no primeiro momento tinham recursos, podiam recusar a dívida, podiam impor uma moratória, tinham recursos ao chegar ao governo. E agora faltam recursos porque continuaram 5 meses a perder recursos e agora enfrentam o vazio do Tesouro, parece que não conseguiram nenhuma concessão por parte da direita e estão agora numa situação muito debilitada para se lançarem, nem têm impressora para imprimir uma nova moeda e renunciar ao Euro.
Não, não, desarmaram e desbarataram todos os recursos que tinham, e agora ficam com as mãos vazias sem qualquer alternativa. Tarde ou cedo vão capitular. E isso é tudo teatro, que Tsipras grite “Não vamos capitular…” Já capitularam em 90%, o que resta são os últimos 10% para receber outro empréstimo e prosseguir esta linha regressiva.
Toda a esquerda apresenta Tsipras como vítima, que a Grécia é vítima, mas Tsipras é o entreguista que facilitou a pilhagem por parte da União Europeia.
EChI: Petras, já que estou nessa região fico em Espanha por um momento. ¿Que leitura se pode fazer de Espanha em matéria política e do próximo futuro?
JP: A única luz verde que vejo está no País Basco onde os nacionalistas de esquerda montaram uma enorme campanha progressiva para a independência, uma política alternativa.
Entretanto todos, com alguma rara excepção, os candidatos que apoiaram o Podemos e os grupos supostamente novos, assinaram acordos com o corrupto Partido Socialista. No caso de Madrid, a alcaldesa assinou pactos com a ultradireita, diz que vai colaborar com Rajoy. Um desastre total esta situação, onde o eleitorado pensava que apoiando o Podemos tinha uma alternativa, mas acabaram pactuando com o PSOE, terminam com uma organização super centralizada que utiliza a radicalidade retórica horizontal enquanto um punhado de académicos que dirigem o Podemos tomam todas as decisões. É uma leitura mais que muita gente fez sobre a Espanha.
A função principal que Podemos cumpriu foi marginalizar completamente a esquerda tradicional. Inclusivamente a esquerda alternativa, o Partido Comunista, pactuaram com o Podemos, apoiaram esta direitista para alcaldesa de Madrid.
É outra tragedia. Podemos, Syriza, o 5 Estrelas, toda esta pseudo-esquerda. Esquerda que não é esquerda. Cumprem um encargo de muitas iniciativas e posturas radicais mas quando chegam a decisões estratégicas fracassam, colaboram e deixam o povo sem alternativa.
EChI: Regresso a América, Petras, outra vez o tema Petrobras no Brasil, o que fazem é descobrir fraudes cada vez maiores. ¿Como põe isso o cenário brasileiro? ¿Como deixa o PT, por exemplo?
JP: A única luz verde que vejo está no País Basco onde os nacionalistas de esquerda montaram uma enorme campanha progressiva para a independência, uma política alternativa.
Entretanto todos, com alguma rara excepção, os candidatos que apoiaram o Podemos e os grupos supostamente novos, assinaram acordos com o corrupto Partido Socialista. No caso de Madrid, a alcaldesa assinou pactos com a ultradireita, diz que vai colaborar com Rajoy. Um desastre total esta situação, onde o eleitorado pensava que apoiando o Podemos tinha uma alternativa, mas acabaram pactuando com o PSOE, terminam com uma organização super centralizada que utiliza a radicalidade retórica horizontal enquanto um punhado de académicos que dirigem o Podemos tomam todas as decisões. É uma leitura mais que muita gente fez sobre a Espanha.
A função principal que Podemos cumpriu foi marginalizar completamente a esquerda tradicional. Inclusivamente a esquerda alternativa, o Partido Comunista, pactuaram com o Podemos, apoiaram esta direitista para alcaldesa de Madrid.
É outra tragedia. Podemos, Syriza, o 5 Estrelas, toda esta pseudo-esquerda. Esquerda que não é esquerda. Cumprem um encargo de muitas iniciativas e posturas radicais mas quando chegam a decisões estratégicas fracassam, colaboram e deixam o povo sem alternativa.
EChI: Regresso a América, Petras, outra vez o tema Petrobras no Brasil, o que fazem é descobrir fraudes cada vez maiores. ¿Como põe isso o cenário brasileiro? ¿Como deixa o PT, por exemplo?
JP: Bom, há 10 anos eu tinha uma relação muito estreita ali com o Movimento Sem Terra e eles seguiam uma táctica de apoiar o PT. O PT era corrupto desde meados dos ‘90 quando fui a um Congresso em que eles votaram a favor de receber financiamento dos empreiteiros. Recordo o debate no PT, um sector dizia que não, que era uma influência nefasta, pode comprometer e comprometer, mas Lula e a sua equipa diziam que não, que necessitavam de financiadores.
Então, tem uma larga trajectória, começaram simplesmente pensando em financiar campanhas e terminaram corruptos, nomeando corruptos desde pequenas fraudes de 1.000 ou 2 milhões de reais, terminando com fraudes multimilionárias. E isso é uma cosa grande, porque agora não têm nenhuma legitimidade, estão mal vistos pela grande maioria das pessoas e começam agora a tomar medidas mais direitistas, todas implicando a chefia.
Eu pessoalmente não creio nada que Lula não sabia, que Dilma não sabia, que todos os funcionários em redor deles estão a encher os bolsos e eles não sabem nada.
Ou são completamente idiotas ou sabem muito mais do que estão revelando.
Então, tem uma larga trajectória, começaram simplesmente pensando em financiar campanhas e terminaram corruptos, nomeando corruptos desde pequenas fraudes de 1.000 ou 2 milhões de reais, terminando com fraudes multimilionárias. E isso é uma cosa grande, porque agora não têm nenhuma legitimidade, estão mal vistos pela grande maioria das pessoas e começam agora a tomar medidas mais direitistas, todas implicando a chefia.
Eu pessoalmente não creio nada que Lula não sabia, que Dilma não sabia, que todos os funcionários em redor deles estão a encher os bolsos e eles não sabem nada.
Ou são completamente idiotas ou sabem muito mais do que estão revelando.
EChI: Petras, a Argentina encaminha-se para novas eleições. ¿Como vês a Argentina nesta perspectiva de uma nova consulta popular e como vês o país?
JP: A Argentina passa um processo de 15 anos com a quebra em 2001, o levantamento popular, a radicalização, a crise, a quebra, o desemprego. Depois, sem direcção, todas as massas se radicalizaram, deram a volta, apoiaram Kirchner. E Kirchner era um equilibrista apoiando algumas reformas para melhorar as condições, aproveitando a moratória da dívida, o apoio contra a impunidade, etc. Uma influencia entre as massas radicalizadas, o capitalismo que procura recuperar a sua força.
Nos primeiros anos tudo pôde manter-se num equilíbrio instável, as classes populares melhoram as suas condições, aumentaram os salários, mas também a direita se recuperou da crise, começou a pressionar o governo. E terminamos agora com a direita emergente, como principal protagonista, com alguns esquerdistas formando grupos ou tratando de se reagrupar como alternativa.
Mas os principais candidatos são Scioli pelos kirchneristas, Macri pela direita e uma colecção de outros políticos direitistas pelos outros. O processo, que começou radicalizado em 2001, em 2003 mudou-se para o centro esquerda e agora estamos em marcha em direcção ao centro direita e à direita dura.
A dinâmica da luta de classes não se detém num momento, se não aproveita esse momento de alta tensão, perde a sua oportunidade histórica. Agora parece que a direita vai recuperar posições de força mas vão enfrentar uma renovação da luta de classes, porque obviamente as medidas que vão a implementar vão prejudicar as classes populares e tudo o mais.
Então, eu não creio que o futuro imediato da Argentina seja positivo. As eleições ontem em Mendoza mostram que a direita tem muita força, ganhou o governador com uma maioria absoluta. A esquerda fraca, os kirchneristas ganham em Tierra del Fuego mas com resultados dispersos, têm que ir a segunda volta.
Em Buenos Aires algo parecido, na cidade de Buenos Aires Macri e a ultra direita continuam sendo fortes. Estamos num período de transição no sentido de uma direitização.
O mesmo em Uruguai e Brasil, há uma vaga direitista avançando com diferentes fisionomias. A direitização no Uruguai passa pelo que era o movimento progressista. Quer dizer, não regressam os brancos e os colorados mas regressa a sua política a partir do Frente Amplio com Astori, com Tabaré Vázquez e este grupo de pessoas que são, creio eu, em algum sentido mais reaccionários que os brancos. Porque pensam que poderiam dirigir com estabilidade a partir de influências que têm na engrenagem do partido, o PIT-CNT.
Mas as pressões no Uruguai vão crescer. Entramos numa fase de intensificação da luta de classes. E isso vai passar-se mais tarde na Argentina e no Brasil, esta viragem à direita. Tem uma virtude, vai a voltar a provocar a lucha de classes porque não se podem aguentar os ajustamentos, as medidas regressivas. Mesmo que a luta de classes passe apenas por melhores salários, a proposta do governo são os recortes orçamentais e isso no Uruguai, e é o que devemos esperar no Brasil e Argentina.
Então, Tabaré e Astori estão abrindo caminho para a direitização no cone sul.
JP: A Argentina passa um processo de 15 anos com a quebra em 2001, o levantamento popular, a radicalização, a crise, a quebra, o desemprego. Depois, sem direcção, todas as massas se radicalizaram, deram a volta, apoiaram Kirchner. E Kirchner era um equilibrista apoiando algumas reformas para melhorar as condições, aproveitando a moratória da dívida, o apoio contra a impunidade, etc. Uma influencia entre as massas radicalizadas, o capitalismo que procura recuperar a sua força.
Nos primeiros anos tudo pôde manter-se num equilíbrio instável, as classes populares melhoram as suas condições, aumentaram os salários, mas também a direita se recuperou da crise, começou a pressionar o governo. E terminamos agora com a direita emergente, como principal protagonista, com alguns esquerdistas formando grupos ou tratando de se reagrupar como alternativa.
Mas os principais candidatos são Scioli pelos kirchneristas, Macri pela direita e uma colecção de outros políticos direitistas pelos outros. O processo, que começou radicalizado em 2001, em 2003 mudou-se para o centro esquerda e agora estamos em marcha em direcção ao centro direita e à direita dura.
A dinâmica da luta de classes não se detém num momento, se não aproveita esse momento de alta tensão, perde a sua oportunidade histórica. Agora parece que a direita vai recuperar posições de força mas vão enfrentar uma renovação da luta de classes, porque obviamente as medidas que vão a implementar vão prejudicar as classes populares e tudo o mais.
Então, eu não creio que o futuro imediato da Argentina seja positivo. As eleições ontem em Mendoza mostram que a direita tem muita força, ganhou o governador com uma maioria absoluta. A esquerda fraca, os kirchneristas ganham em Tierra del Fuego mas com resultados dispersos, têm que ir a segunda volta.
Em Buenos Aires algo parecido, na cidade de Buenos Aires Macri e a ultra direita continuam sendo fortes. Estamos num período de transição no sentido de uma direitização.
O mesmo em Uruguai e Brasil, há uma vaga direitista avançando com diferentes fisionomias. A direitização no Uruguai passa pelo que era o movimento progressista. Quer dizer, não regressam os brancos e os colorados mas regressa a sua política a partir do Frente Amplio com Astori, com Tabaré Vázquez e este grupo de pessoas que são, creio eu, em algum sentido mais reaccionários que os brancos. Porque pensam que poderiam dirigir com estabilidade a partir de influências que têm na engrenagem do partido, o PIT-CNT.
Mas as pressões no Uruguai vão crescer. Entramos numa fase de intensificação da luta de classes. E isso vai passar-se mais tarde na Argentina e no Brasil, esta viragem à direita. Tem uma virtude, vai a voltar a provocar a lucha de classes porque não se podem aguentar os ajustamentos, as medidas regressivas. Mesmo que a luta de classes passe apenas por melhores salários, a proposta do governo são os recortes orçamentais e isso no Uruguai, e é o que devemos esperar no Brasil e Argentina.
Então, Tabaré e Astori estão abrindo caminho para a direitização no cone sul.
EChI: Petras, como sempre deixo-te com alguns dos temas que estejas trabalhando neste momento.
JP: Bom, aqui a coisa mais importante são as noticias sobre o massacre na Carolina do Sul, onde um racista matou 9 assistentes na igreja. Há muita agitação na comunidade agora, há muitas denúncias do verdugo, do assassino. Mas para além disso, a política geral está a favor deste massacrador. Poderíamos dizer, por exemplo, que a bandeira esclavagista ainda está no capitólio da Carolina del Sul, não baixaram a bandeira esclavagista, esse é um símbolo do racismo máximo e os governadores rejeitaram exigências nesse sentido.
E os líderes pequeno burgueses estão pedindo rezas em vez de lutas; pedem para se rezar nas igrejas, que brancos e negros juntos dêem as mãos, canções e tudo o mais, mas não há uma força que diga que o racismo tem raízes sistémicas e rezar é uma cosa que não tem nada que ver com a lucha para mudar o sistema, os governos, nem baixar a bandeira racista que está no capitólio.
Então, todas as lágrimas e os consolos que os governantes estão dando é toda uma farsa porque por baixo continua a mesma cosa. No outro dia estávamos lendo sobre outro assassínio por parte da policia em outra cidade, em Chicago, Nova Iorque.
Então, as denuncias do verdugo são uma coisa, mas detrás do verdugo há todo um sistema racista, inclusivamente racismo simbólico. E, para além disso, ¿onde estão as agencias de segurança nacional que gastam milhares e milhões, que têm cem mil funcionários e não estão vigiando os sítios web dos racistas onde mostram todas as suas armas, preconceitos e todas as suas mensagens de ódio? ¿Porque não tinha a policia federal um arquivo sobre o verdugo, porque aparece em sítios web, aparece com declarações racistas?
Não, não, a policia federal apenas procura implicar negros, muçulmanos e latinos em algum acto de terrorismo em vez de vigiar os brancos racistas.
Toda esta máquina multimilionária, todos os funcionários de segurança fracassam porque não lhes interessam os racistas, sentem-se identificados com os brancos. Apenas se preocupam em servir Israel e perseguir os apoiantes da Síria, apoiantes dos palestinos. E por isso fracassaram e permitiram a este assassino cometer as suas atrocidades.
¿E se este assassino, este verdugo massacra uns negros numa igreja, que dizemos sobre o presidente norte-americano que manda cada dia estes drones que matam e massacram famílias inteiras em toda a parte do Médio Oriente? O massacrador de pequena escala está condenado mas os massacradores no Médio Oriente continuam sendo “vítimas do terrorismo”. Não, não, é pouco séria toda esta farsa que estão montando.
E por último quero comentar as últimas declarações do Papa Francisco, denunciou os governantes na União Europeia porque tratam os imigrantes como mercadorias e continua denunciando os capitalistas pelos efeitos que têm sobre o clima. O Papa, no caso do Uruguai, o Papa está na esquerda extraparlamentar, não se enquadra no Frente Amplio porque tem posições mais consequentes, mais críticas em relação ao capitalismo como sistema de exploração, como explorador de químicas agrónomas. O Papa poderia ser um candidato da esquerda consequente no Uruguai e outras partes da América Latina porque segue o que são os interesses populares. Ou seja, os imigrantes, os trabalhadores do campo que sofrem os prejuízos químicos, pode ser o trabalhador que pede um salario digno como vimos ultimamente os docentes em Montevideo.
Nesse sentido devemos apoiar o Papa, não incondicionalmente mas devemos reconhecer que é parte desta luta popular em que estamos envolvidos.
JP: Bom, aqui a coisa mais importante são as noticias sobre o massacre na Carolina do Sul, onde um racista matou 9 assistentes na igreja. Há muita agitação na comunidade agora, há muitas denúncias do verdugo, do assassino. Mas para além disso, a política geral está a favor deste massacrador. Poderíamos dizer, por exemplo, que a bandeira esclavagista ainda está no capitólio da Carolina del Sul, não baixaram a bandeira esclavagista, esse é um símbolo do racismo máximo e os governadores rejeitaram exigências nesse sentido.
E os líderes pequeno burgueses estão pedindo rezas em vez de lutas; pedem para se rezar nas igrejas, que brancos e negros juntos dêem as mãos, canções e tudo o mais, mas não há uma força que diga que o racismo tem raízes sistémicas e rezar é uma cosa que não tem nada que ver com a lucha para mudar o sistema, os governos, nem baixar a bandeira racista que está no capitólio.
Então, todas as lágrimas e os consolos que os governantes estão dando é toda uma farsa porque por baixo continua a mesma cosa. No outro dia estávamos lendo sobre outro assassínio por parte da policia em outra cidade, em Chicago, Nova Iorque.
Então, as denuncias do verdugo são uma coisa, mas detrás do verdugo há todo um sistema racista, inclusivamente racismo simbólico. E, para além disso, ¿onde estão as agencias de segurança nacional que gastam milhares e milhões, que têm cem mil funcionários e não estão vigiando os sítios web dos racistas onde mostram todas as suas armas, preconceitos e todas as suas mensagens de ódio? ¿Porque não tinha a policia federal um arquivo sobre o verdugo, porque aparece em sítios web, aparece com declarações racistas?
Não, não, a policia federal apenas procura implicar negros, muçulmanos e latinos em algum acto de terrorismo em vez de vigiar os brancos racistas.
Toda esta máquina multimilionária, todos os funcionários de segurança fracassam porque não lhes interessam os racistas, sentem-se identificados com os brancos. Apenas se preocupam em servir Israel e perseguir os apoiantes da Síria, apoiantes dos palestinos. E por isso fracassaram e permitiram a este assassino cometer as suas atrocidades.
¿E se este assassino, este verdugo massacra uns negros numa igreja, que dizemos sobre o presidente norte-americano que manda cada dia estes drones que matam e massacram famílias inteiras em toda a parte do Médio Oriente? O massacrador de pequena escala está condenado mas os massacradores no Médio Oriente continuam sendo “vítimas do terrorismo”. Não, não, é pouco séria toda esta farsa que estão montando.
E por último quero comentar as últimas declarações do Papa Francisco, denunciou os governantes na União Europeia porque tratam os imigrantes como mercadorias e continua denunciando os capitalistas pelos efeitos que têm sobre o clima. O Papa, no caso do Uruguai, o Papa está na esquerda extraparlamentar, não se enquadra no Frente Amplio porque tem posições mais consequentes, mais críticas em relação ao capitalismo como sistema de exploração, como explorador de químicas agrónomas. O Papa poderia ser um candidato da esquerda consequente no Uruguai e outras partes da América Latina porque segue o que são os interesses populares. Ou seja, os imigrantes, os trabalhadores do campo que sofrem os prejuízos químicos, pode ser o trabalhador que pede um salario digno como vimos ultimamente os docentes em Montevideo.
Nesse sentido devemos apoiar o Papa, não incondicionalmente mas devemos reconhecer que é parte desta luta popular em que estamos envolvidos.
EChI: Muito bem, Petras, de Montevideo te agradeço todas estas análises e voltamos a encontrar-nos na próxima segunda-feira.
JP: Bom, muito obrigado pelo convite. Quero repetir outra vez que estou solidário com os trabalhadores e lutadores no Uruguai que começam a procurar uma mudança na política orçamental do governo.
JP: Bom, muito obrigado pelo convite. Quero repetir outra vez que estou solidário com os trabalhadores e lutadores no Uruguai que começam a procurar uma mudança na política orçamental do governo.
Esta entrevista encontra-se em: http://www.ivoox.com/james-petras-22-06-15-audios-mp3_rf_4672711_1.html
Os bancos chineses se juntaram às sanções contra a Rússia
Os bancos chineses se juntaram às sanções contra a Rússia
Por exemplo, a maioria das instituições de crédito se recusar a China para conduzir operações com bancos russos. Eles também reduziram significativamente a sua participação no financiamento do comércio mútuo, colocando essa função em seus homólogos russos.
"A colaboração existente não é sem dificuldades. O principal problema a dificultar o desenvolvimento da cooperação bilateral, a China tornou-se uma posição contraditória em relação aos bancos russos após a introdução de sanções dos EUA e da UE. Atualmente, a maioria dos bancos chineses não realizar operações interbancárias com bancos russos. Além disso, os bancos chineses reduziram consideravelmente a participação em transações comerciais internacionais, em particular, sobre o financiamento do comércio ", - escreve Soloviev.
Atrair financiamento no mercado chinês em RMB também é possível apenas de forma muito limitada, o segundo vice-presidente lamenta Russian State Bank.
"De acordo com nossos parceiros chineses para esta emissores estrangeiros necessários para obter a autorização do Conselho de Estado, o Banco Central eo Ministério das Finanças. No entanto, os procedimentos claramente definidos para obtenção de tais autorizações não é. Até agora, para ir para o mercado de capitais local foi apenas em tais instituições financeiras como a Corporação Financeira Internacional eo Banco Asiático de Desenvolvimento ", - diz Soloviev.
Entrar no mercado chinês e começar a levantar fundos em yuan gostaria de até mesmo o Ministério das Finanças russo. Vice-Ministro Sergei Storchak disse em 03 de junho que a Federação da Rússia está a estudar a possibilidade de emissão de títulos em moeda do PRC. No entanto, o vice-ministro admitiu, todas essas idéias ainda estão muito longe de implementação prática.
"Nós não sabemos as questões organizacionais, como ele funciona, não sabemos os bancos agentes. Toda a infra-estrutura do mercado precisam aprender: que ele vai como aparece através de quaisquer intermediários, o que leva Securities supervisor decisões para permitir a emissão ou registar-se para entrar no mercado, que podem ser um potencial investidor que é permitido, que não são permitidos " - Expliquei Storchak.
As negociações sobre a recusa do dólar nas operações mútuas entre Moscou e Pequim também está indo duro.Ambos os lados se acusam mutuamente de procrastinação e falta de vontade de compromisso. Desde 24 de abril, o diretor do Departamento de Ministério do Comércio da China Eurasia Lin Ji disse aos jornalistas russos que a atividade da Rússia no diálogo é reduzida.
O chefe do VTB Andrey Kostin também reconheceu as dificuldades e chamou a causa das diferenças: de acordo com ele, o lado chinês insiste em que o papel dominante no cálculo do yuan, citando o fato de que o rublo nos últimos anos mostra tendência drasticamente negativa, enquanto que o lado russo é a favor da moeda de liquidação que, tradicionalmente, tem de ser a moeda do exportador.
Actualmente, a percentagem de moedas nacionais no volume de negócios do comércio mútuo de Rússia e China é de cerca de 7%, de acordo com a 08 de maio, o presidente russo Vladimir Putin.
Anton Karamazov
Agência Central de Notícias Novorossia
Novorus.info
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Cuba aumentará nos próximos anos sua produção de vacinas
| Cuba aumentará nos próximos anos sua produção de vacinas |


