quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ROMBO NA PREVIDÊNCIA É MENTIRA

VÍDEO NAS REDES SOCIAIS DIZ QUE ROMBO NA PREVIDÊNCIA É MENTIRA

Afinal de contas, a Previdência Social dá prejuízo ou ela consegue se manter por conta própria? Segundo a Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), o rombo de R$ 85,8 bilhões em 2015 divulgado pelo governo é fruto de uma manipulação de números.
A entidade até lançou um vídeo nas redes sociais na última semana no qual afirma que o rombo na Previdência é uma farsa (veja acima). A publicação tem causado dúvidas e comentários.
O governo diz que o rombo na Previdência existe sim e foi o motivo principal para a proposta de reforma previdenciária, que estabelece, entre outras coisas, idade mínima de 65 anos para se aposentar e 25 anos de contribuição pelo menos. De acordo com o governo, todos os dados que comprovam as contas foram tornados públicos.
Veja a seguir os argumentos de cada lado.

ISENÇÃO DE IMPOSTOS

ROMBO É FARSA: No vídeo, a Anfip afirma que mais da metade do rombo da Previdência em 2015 se deve a renúncias previdenciárias, ou seja, isenção de impostos ou contribuições dadas pelo governo a empresas.
Com essas isenções, a Previdência deixou de arrecadar R$ 69,7 bilhões no ano passado, de acordo com a Anfip, o que representa 81,2% do rombo em 2015.
ROMBO É REAL: De acordo com dados da Receita Federal, as renúncias previdenciárias somaram R$ 64,2 bilhões em 2015, menos do que o alegado pela Anfip. "Mesmo que tivesse os recursos provenientes das renúncias, a Previdência Social ainda seria deficitária", afirmou a Secretaria de Previdência.
Para Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ, os argumentos da Anfip são questionáveis. "É importante dizer que isenções não existem de forma isolada. Ninguém concede benefício por si só, sem contrapartida. A maioria tem justificativas macroeconômicas", afirma.
Ele cita que, por exemplo, a isenção pode ser dada a um determinado setor ou empresa para evitar demissões ou estimular contratações. Com emprego assegurado, esses trabalhadores estimulam a economia, contribuindo com impostos e gerando consumo, por exemplo. "Você perde de um lado, mas ganha de outro", diz.
"Lógico que, sem contrapartida --por exemplo por ser um favor político- a isenção tem que ser cortada", diz Braga. "Por isso é necessário revisar as isenções constantemente".

SEGURIDADE SOCIAL

ROMBO É FARSA: Outro argumento da Anfip é que o governo considera apenas a contribuição de trabalhadores e empresas para calcular o resultado da Previdência. Segundo a entidade, teria de ser considerada também a arrecadação de outras contribuições sociais, como a CSLL (Contribuição Sobre Lucro Líquido), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e PIS/Pasep.
Isso porque a Previdência faz parte da Seguridade Social, que também inclui Assistência Social e Saúde. Quando somada a receita de todas essas contribuições e descontados os gastos com o pagamento dos benefícios aos cidadãos e as renúncias previdenciárias, ainda assim o saldo seria positivo: R$ 11,1 bilhões, de acordo com cálculo da Anfip.
ROMBO É REAL: A Previdência, no entanto, afirma que a Seguridade Social também tem rombo. Em 2015, o prejuízo foi de R$ 166,5 bilhões, de acordo com dados do Orçamento Federal. No acumulado de janeiro a outubro, a conta está negativa em R$ 202,2 bilhões.
Gilberto Braga defende que as contas da Previdência devem ser analisadas de maneira isolada, separadas das demais.
"A questão metodológica (para calcular o deficit da Previdência) é pertinente. Existem formas diferentes de mensurar. Mas, do ponto de vista prático, falta dinheiro", afirma. "O efeito é que cada caixinha tem que ser olhada, na minha visão, de maneira isolada. A Previdência, no que tange à aposentadoria, é deficitária".

DESVINCULAÇÃO DE RECEITAS

ROMBO É FARSA: A Anfip diz, ainda, que o governo utiliza indevidamente, desde os anos 1990, recursos das contribuições sociais para pagar juros da dívida pública por meio do mecanismo da DRU (Desvinculação de Receitas da União). Isso permite ao governo gastar dinheiro de uma área em outra.
"O governo contraria a Constituição ao utilizar recursos das contribuições sociais para pagar a dívida pública. Se quer mexer nos direitos, tem de mostrar dados verdadeiros", declara a presidente da Fundação Anfip, Maria Inez Rezende Maranhão.
ROMBO É REAL: A Previdência afirma que a DRU é uma Emenda Constitucional, ou seja, uma modificação na lei. A última atualização da DRU foi aprovada pelo Congresso em setembro e permite ao governo utilizar livremente até 30% da arrecadação com contribuições sociais.
O professor Gilberto Braga diz que a DRU está "dentro da regra constitucional". "É possível rever a DRU, mas o governo não está agindo de maneira ilegal ou inconstitucional", afirma. 
Braga, porém, concorda em parte com o argumento da Anfip. Ele faz críticas à atual política de desvinculação, por ser "excessiva e muito ampla", e não ser destinada a benefícios sociais.
"Deveria tirar talvez da Previdência, não para pagar juros da dívida, mas pagar algo que, pelo menos indiretamente, beneficiasse a Previdência, como em obras de saneamento, redes de água e esgoto, por exemplo", diz.
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Reforma da Previdência vira piada nas redes sociais8 fotos

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8.dez.2016 - Reforma da Previdência vira piada nas redes sociaisVEJA MAIS >Imagem: Reprodução/Twitter


Giro UOL

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Gilberto Maringoni / Desvario: o governo se dissolve e a direita se divide

Desvario: o governo se dissolve e a direita se divide

por Gilberto Maringoni — publicado 07/12/2016 10h55
Há uma crise na esquerda, mas a situação no conservadorismo também é de confusão e descontrole
Beto Barata / PR
Michel Temer
Temer: sua base dura até quando?



A vertigem tomou conta da cena. Em um dia, manifestações hegemonizadas pela extrema direita tomam as ruas. Em outro, aliados de primeira hora do golpe ameaçam abrir baterias contra o governo. Caem ministros. O presidente do Senado é afastado. Poderes se digladiam a céu aberto. A crise econômica acentua seu mergulho rumo ao imponderável.  
O traço essencial dos dias que correm é a fragmentação da coalizão que sustenta o governo Temer e o surgimento, no curto prazo, de tendências preocupantes de crise sistêmica no País. Em outras palavras, crise institucional somada ao aprofundamento da crise econômica e social. A administração federal está paralisada e em vias de dissolução. Ao mesmo tempo, a unanimidade pelo alto para a aplicação de reformas regressistas segue sólida. 
Embora a queda de braço entre a presidência do Senado e o STF seja o evento mais explosivo da semana (por enquanto), ela é uma manifestação adicional do estilhaçamento da coalizão.
À situação de Renan Calheiros soma-se o descontentamento do PSDB e de setores do empresariado com a política econômica – evidenciado por dura nota da Fiesp contra a pequena redução de juros –, os embates no Judiciário entre a direita (Gilmar Mendes) e o ícone da extrema-direita (Sérgio Moro), os enfrentamentos entre Legislativo e Judiciário, o motim dos procuradores da Lava Jato contra o Congresso, a mudança de alvo das passeatas conservadoras e a sensação de que o governo é incapaz de levar adiante medidas impopulares, entre outras marcas, completam o quadro.
O quadro político é fortemente instável, com atores mudando rapidamente de posição, enquanto a economia segue em queda livre, sem marcas de reversão. O colchão social construído nos últimos 13 anos através da elevação real do salário mínimo e políticas sociais focadas pode se esgotar com a aceleração do desemprego. Se a senda for mantida, não é difícil que 2017 se inicie com uma sensação de virtual ingovernabilidade. 
Em linguagem direta, se há uma crise na esquerda, a situação entre o conservadorismo também é de confusão e descontrole. A desconstrução do Estado segue em marcha batida através de sucessivas medidas aprovadas no Congresso e no Judiciário, como a PEC 55, a precarização laboral e a entrega de riquezas nacionais, a exemplo do pré-sal.  
Imprevisibilidade
As consequências dessa combinação de crises – iniciada pelo governo Dilma Rousseff tão logo as urnas foram fechadas, em 2014 – são absolutamente imprevisíveis. Diferentemente de situações anteriores – fim da ditadura (anos 1980), hiperinflação (anos 1990) ou fracasso da primeira fase do neoliberalismo (anos 2000) –, não temos um vetor organizador das disputas sociais a nortear uma transição para outra fase da disputa político-institucional. Cada um a seu tempo e respectivamente, PMDB, PSDB e PT cumpriram o papel político de condottieri e reorganizadores do sistema. 
No contexto atual, inexiste força política capaz de empreender tal síntese. Se o estelionato eleitoral cometido por Dilma Rousseff gerou descrédito no voto popular e deslegitimou o PT como força condutora dos negócios de Estado, o impeachment parece ter se dado prematuramente, sem que as forças interessadas em sua deflagração tivessem construído uma coalizão sólida e capaz de implementar as tarefas da segunda fase do neoliberalismo.
Vale lembrar que nos primeiros meses de 2016 e com o golpe ainda em gestação, Eduardo Cunha, por interesses particulares, decidiu atropelar as articulações em curso e abrir o processo na Câmara. Dado o rompimento do governo petista com suas bases sociais e com a persistência da retração econômica, a iniciativa de Cunha prosperou como fogo em capim seco. 
Forças díspares
A coalizão golpista era formada por forças e interesses díspares. Estes se juntaram para ganhar ampla maioria na Câmara e no Senado e consumar a retirada de cena de uma gestão incapaz de – mesmo adotando o programa de seu adversário eleitoral – cumprir as tarefas necessárias à reinserção do Brasil numa divisão internacional do trabalho que tende a se modificar, após oito anos da crise da globalização. 
A necessidade premente de o Brasil se recolocar no circuito de valorização do capital num cenário internacional de retração – e por isso mais competitivo – leva o País a empreender duas tarefas:
a) Aumentar a rentabilidade dos investimentos especulativos – via elevação das taxas de juros;
b) Aumentar a rentabilidade do circuito produtivo – via rebaixamento de custos, aí incluído o barateamento da força de trabalho.
A junção dos interesses financeiros e produtivos é possível, como se sabe, pelo fato de as fronteiras entre esses dois tipos de capital serem cada vez menos nítidas. Grandes corporações industriais têm parcelas crescentes de sua rentabilidade advindas da esfera especulativa e cada vez mais instituições financeiras têm sociedades com empresas produtivas.
Base social
Para efetivar o golpe, faltava granjear apoio social, coisa pouco difícil no início de 2016. O descontentamento popular advindo da adoção de um brutal ajuste fiscal foi imediato. Lembrando: estávamos havia um ano implantando o “maior contingenciamento já feito”, nas palavras da presidente, que ensejava um tarifaço nos preços administrados, ataques a direitos trabalhistas e a retomada do processo de privatizações. 
O aumento do desemprego, a queda da renda e a potencialização de sérios escândalos de corrupção ocorridos nas gestões petistas por parte de um judiciário politicamente instrumentalizado e pela mídia corporativa fizeram o resto do serviço. A base parlamentar – alardeada como trunfo na campanha de Dilma, em 2014 – mudou instantaneamente de lado.
Extrema-direita em cena
O quadro de economia à deriva e sensação de ingovernabilidade abriu espaço para a emergência de um setor social de extrema direita, a clamar pela volta do regime militar. Organizado por grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua (VPR, sigla homônima a de uma organização da esquerda armada dos tempos da ditadura), em um período muito particular da vida nacional, esse setor conseguiu hegemonizar um largo contingente de classe média, tradicionalmente identificada com o centro (setores do PT e do PMDB) ou centro-direita do espectro político (PSDB).
A promoção de maciços atos de rua – convocados e incentivados pelos grupos de mídia – funcionou como base social do tapetão armado contra Dilma Rousseff.
Institucionalmente, a coalizão golpista abrangeu PMDB, PSDB, DEM, PPS, PSC e outras siglas menores do conservadorismo, além de inúmeras entidades, como Fiesp, Febraban, OAB, a mídia corporativa e variados empresários.
A Lava Jato serviu para minar o único setor empresarial não-liberal – construção civil e naval –, fortemente dependente do Estado e que apoiava de forma decidida – via financiamento de campanha – o petismo.
Utopia de difícil realização
Qual a utopia brandida por essa coalizão variada? A de que a retirada do PT resultaria em um governo eficiente, livre da corrupção e que restauraria a confiança do “mercado”, rumo a um ciclo virtuoso na economia. 
Apesar do imenso esforço midiático-político para aprovar a PEC 55, as reformas da Previdência e trabalhista e uma nova rodada de privatizações, não há nenhum sinal de que o crescimento voltará. Nenhuma dessas medidas tem efeito imediato, ainda mais num quadro de juros estratosféricos, crédito caro, câmbio sobrevalorizado e capacidade ociosa crescente na indústria. 
Se a política externa do novo governo dos EUA, capitaneado por Donald Trump, seguir as promessas de campanha, a estratégia diplomática de Michel Temer se revelará um tiro n’água.
Trump quer trazer de volta corporações inteiras que migraram para a Ásia, travar acordos de livre comércio – em especial o Nafta e o Acordo Trans-Pacífico – e barrar a entrada de imigrantes de baixa renda.
É incerto se tais iniciativas gerarão empregos de qualidade, num tempo em que a automação das fábricas aumenta exponencialmente. Ou seja, as plantas produtivas podem até voltar ao território estadunidense. Só farão isso, no entanto, se demandarem menos trabalhadores do que faziam no exterior. 
Tais diretrizes representam um pesado freio nas pretensões do Itamaraty. O ministro José Serra tinha em mente dar curso a uma política externa tradicional, como a empreendida nos anos 1990, com absoluta prioridade para os mercados europeu e norte-americano. Com o nacionalismo antiglobalizante dando o tom dos dois lados do Atlântico, o Ministério das Relações Exteriores poderá ter de rever suas políticas. 
Trincas na coalizão
Voltemos ao início. A semana exibe trincas no leque da aliança golpista. No terreno político, Temer e seu governo são acossados por denúncias de corrupção, o que lhe retira a aura de combatente contra os supostos malfeitos do petismo.
Até aqui, a mídia e a República de Curitiba têm elevado o tom contra o PMDB e requentado denúncias contra o PT e deixado em segundo plano acusações contra o tucanato. As manifestações do domingo 4, em mais de 200 cidades, se não foram tão maciças quanto as de março último, apresentam qualidade nova.
Elas miraram personagens centrais da coalizão golpista. Miram Renan Calheiros e Rodrigo Maia, tidos como opositores da Lava Jato, num discurso francamente anti-Congresso e antipolítica. O Judiciário se politizou e assume ares de força política autônoma no interior do Estado. 
O que tem gerado insatisfações no mundo dos negócios é a renitência e aprofundamento da recessão, sem que se vislumbrem válvulas de escape. O PIB cai pelo sétimo trimestre consecutivo.
Aproximamo-nos da marca histórica de dois anos de crescimento negativo, observados em 1930 (-2,1%) e 1931 (-3,3%).
Mesmo assim, as taxas atuais são ainda maiores. É bom lembrar que os três anos seguintes foram de forte crescimento, resultando naquilo que Celso Furtado atesta em Formação Econômica do Brasil. Ele lembra que “já em 1933 tenha recomeçado a crescer a renda nacional no Brasil, quando nos EUA os primeiros sinais de recuperação só se manifestam em 1934”.
Ou seja, a rápida e incisiva ação do Estado brasileiro inverteu o leme da economia e se apresentou como poderosa força indutora do desenvolvimento. 
Com o mercado externo deprimido (o que inibe exportações), o mercado interno em recessão e as demandas estatais contidas (e seguirão assim por 20 anos, com a PEC 55), todos os motores capazes de impulsionar o crescimento econômico estão inoperantes.  
Assim, não basta constatar, no que toca à esquerda e aos movimentos populares, que a situação é de defensiva. Ela é de defensiva de um lado e de confusão por outro. Levar em conta as dificuldades do golpismo – apesar da solidez de seu vetor principal, a alta finança – é o melhor caminho para potencializar a resistência na base da sociedade.
Não vale a pena, por enquanto, fazer grandes planos para 2018. O ano de 2016 nos assombrará por um bom tempo.

*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC
registrado em: 


Covarde assassinato de trabalhador rodoviário no Pará


Covarde assassinato de trabalhador rodoviário no Pará

14632906_1121756954599100_27532286206173463_nIrlan Barbosa Gonçalves, um jovem de 24 anos de idade, trabalhador rodoviário, foi mais uma vítima fatal deste sistema. Na noite da última quinta-feira (03/11), ao sair de um supermercado para chamar um táxi enquanto a esposa, Evilim Silva, pagava as compras, foi assassinado com vários tiros pelas costas. O motivo: estar segurando a bolsa da própria companheira.
Esta atrocidade ocorreu por volta das 21h, na rua Luiz Nobre, ao lado do estabelecimento. Evilim, ao esperar pelo marido na entrada do supermercado até o fechamento e não encontrá-lo, foi para casa, e lá, após o seu pai ligar para o celular dela, recebeu a notícia da morte do companheiro. O policial que atendeu disse: “trata-se de um suposto assaltante, e que a dona da bolsa e do telefone poderia comparecer ao local para o procedimento de recuperação dos bens.” Era a bolsa e os pertences da esposa de Irlan.
A descrição do rapaz assassinado era a mesma de Irlan, e muitos familiares foram ao local. Ao chegarem e explicarem o que havia ocorrido, a polícia logo proibiu todos de mexerem em qualquer coisa. Evilim disse que seu companheiro sempre segurava sua bolsa quando saíam, e não acreditava que tinham feito isso com ele. Alexandre Gusmão, amigo de Irlan, em uma rede social, denunciou o modo como o site DOL, pertencente à família Barbalho, tratou-o, colocando-o como “suspeito”, sem nem sequer conversar com nenhum familiar, e ainda chamando o assassino de “provável herói do povo”.
Segundo Raquel Brício, assessora de comunicação do SINTRAM – Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba, “não há outra explicação para o que ocorreu a não ser dizer que um crime dessa natureza só pode ser explicado por motivação preconceituosa.” O SINTRAM está dando apoio à família e cobrando das autoridades competentes justiça e punição a quem cometeu esse crime.
Irlan, ao lado de milhares de inocentes, entra para o quadro de vítimas da máxima policial: “atirar primeiro e perguntar depois”. Enquanto esse tipo de comportamento continuar, enquanto trabalhadores forem alvejados só por morarem na periferia ou por não contemplarem o modelo burguês de se vestir ou de falar, a intolerância e o racismo continuarão a ser alimentados pela impunidade.
Que, a partir deste caso, possamos lutar cada vez mais por justiça e dignidade, e que mais nenhum irmão trabalhador seja assassinado de nenhuma forma, muito menos covardemente, com tiros pelas costas, tal qual ocorreu com Irlan. A luta por uma nova sociedade é urgente e atual, pois só garantindo igualdade social de oportunidades, direitos e trabalho poderemos alcançar o fim da violência e dos assassinatos por causa da cor da pele ou da origem de classe.
Movimento Luta de Classes – Pará
jornal   A Verdade
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

John Pilger: “fiz este filme para romper o silêncio sobre a guerra nuclear”

John Pilger: “fiz este filme para romper o silêncio sobre a guerra nuclear”

 Os Editores     06.Dic.16     Outros autores
Vai nestes dias ser estreado em vários países europeus o novo filme de John Pilger “A próxima guerra contra a China”. Trata-se de uma nova denúncia das duas guerras que os EUA empreendem: a guerra da propaganda, já em curso, e a agressão militar, cujas peças estão já no terreno.


John Pilger fez durante dez anos a cobertura da guerra de Vietnam, quando era ainda um jovem jornalista. Tem desde então frequentemente denunciado o que ocultavam os numerosos conflitos ocorridos e tornou-se um dos mais fiáveis analistas em termos de política internacional, bem como um cineasta talentoso. Como inimigo jurado da guerra de propaganda, saudou a acção dos lançadores de alertas que expuseram os terríveis abusos dos Governos ocidentais cometidos com o silêncio cúmplice e por vezes inclusivamente com o apoio dos grandes meios de comunicação. Nesta entrevista exclusiva que concedeu a Investig’Action, John Pilger fala-nos do seu novo filme “A próxima guerra contra a China”. Alerta-nos também sobre os perigos actuais do desencadear de uma guerra nuclear que ameaçaria toda a Humanidade.
Sr. John Pilger, em 5 de Dezembro será projectado pela primeira vez no Reino Unido o seu novo filme “A próxima guerra contra a China”. ¿Pode falar-nos dele?
O filme “A próxima guerra contra a China” descreve o reforço massivo das forças aéreas e navais norte-americanas na Asia e no Pacífico, cujo único ponto de mira é a China.
O filme trata tanto da propaganda como da provocação militar. As “informações” dizem-nos que a China ameaça a paz na região construindo pistas de aterragem sobre ilhas situadas no Mar da China meridional, enquanto por outro lado nos ocultam o facto de que os Estados Unidos cercaram a China com 400 bases militares (equipadas com misseis, aviões e navios de guerra). É aquilo que um perito em estratégia chamou “o perfeito nó corrediço”.
O filme começa nas Ilhas Marshall, onde todos os dias e durante 12 anos foi ensaiada uma bomba similar à lançada sobre Hiroxima. Este filme desvenda um programa secreto (o projecto 4.1) que transformou todo um povo em “porquinhos-da-Índia”. Os EUA construíram aí uma das suas bases mais secretas, que supervisiona uma zona que vai do Pacífico até à China.
¿Porque fazer agora este filme?
O filme “A próxima guerra contra a China” tem como propósito romper o silêncio sobre a guerra nuclear. Segundo especialistas militares, a guerra nuclear já não é inimaginável, mas “uma eventualidade”.
O filme descreve uma nova “guerra fria”, na cual as “linhas da frente” não são tão facilmente identificáveis como na época da antiga guerra fria, e os riscos e perigos são mais importantes.
Tal como a China, a Rússia parece ser um alvo principal. ¿ Que pensa da decisão dos juízes britânicos de cancelar as contas bancarias da agência Russia Today ? ¿ E da recente resolução do Parlamento Europeu contra os meios de comunicação russos, que equipara a sua linha editorial a propaganda terrorista?
Parece que a decisão de cancelar as contas de Russia Today veio dos bancos, pelo temor de poderem estar sujeitos a multas por “violação das sanções contra a Rússia”. Contudo, a RT foi há pouco informada que a decisão estava ainda em discussão e que não havia nenhuma ameaça imediata sobre as suas contas. Ambos episódios fazem parte da histeria anti-Russia fomentada pelas administrações de Obama e da União Europeia.
Ha pouco declarou que “já começou uma Guerra Mundial” e que “…é uma guerra de propaganda”. ¿Que podem as pessoas fazer para actuar no campo de batalha da informação?
O que as pessoas deveriam fazer seria reunir-se num grande movimento que exija aos seus Governos que parem de saquear e atacar outros países. Não devem, do mesmo modo, deixar-se distrair pelas políticas de introspecção (“identitárias”) nem pelas falsas realidades fomentadas pelos meios de comunicação, que não são outra coisa senão extensões do poder belicista selvagem de Washington, Paris, Bruxelas e Londres.

A eleição de Trump suscitou um vivo debate nos EUA e na Europa. Inclusivamente, alguns analistas de esquerda saudaram a vontade de Trump de querer “apaziguar” as relações com a Rússia. ¿ compartilha deste optimismo?
A palavra “apaziguamento” é um termo sobretudo utilizado na propaganda da “Guerra fria” depois da segunda guerra mundial. Na realidade, o que há é outra forma de apaziguamento: demasiada gente na Europa e nos EE.UU fica calada ante as perigosas agressões exteriores dos seus Governos.
Quando ocorreram as atrocidades de Paris no ano passado, o Presidente Hollande enviou aviões de guerra bombardear a Síria. E isso, ¿com que consequências? Sem dúvida, com as de fomentar outras atrocidades.
¿Trump poderia ser algo menos belicista que Clinton?
Não deveríamos preocupar-nos com quem faz a paz entre Rússia e Europa, o importante é que se chegue à paz. A alternativa é a guerra, e possivelmente a guerra nuclear.
Muitas pessoas temem que se venha a assistir a um “sismo político” similar em outros países como a França, onde o Front National poderia aceder ao Eliseu em 2017…
Se o Front National chegasse à Presidência da República em 2017, ¿quem será plenamente culpável? Os liberais…a gente a quem frequentemente se chama “a esquerda”. Deveriam talvez ver-se ao espelho os que foram incapazes de fomentar um movimento duradouro que se opusesse tanto à austeridade como à agressividade exterior do seu Governo.
A Líbia foi destruída pelos bombardeamentos de Sarkozy, Clinton e Cameron. Com Kadhafi eliminado e com o saque do Estado moderno Líbio, as armas fluíram em direcção ao Sul.
Este belicismo estúpido tal como a destruição deliberada da Líbia abriram as portas a uma avalancha de emigrantes e refugiados vindos de África. A suposta “crise migratória” na Europa é a consequência directa das invasões do Ocidente sobre sociedades tribais frágeis.
E ¿ quem se opôs então a toda esta violência entre os que hoje se escandalizam a propósito de Trump e de Le Pen?

Fonte: Investigaction.net
- Ver mais em: http://www.investigaction.net/es/john-pilger-he-hecho-esta-pelicula-para-romper-el-silencio-sobre-la-guerra-nuclear/#sthash.bP5xxtD9.dpuf
                
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