sexta-feira, 31 de julho de 2015

Jones Makaveli / Sobre a questão da fome na Coréia do Norte

Sobre a questão da fome na Coréia do Norte

Comentários, dados e informações, sobre o problema da fome na República Popular Democrática da Coreia. Pelo graduando em História (pela Universidade Federal de Pernambuco), Jones Makaveli.
https://i0.wp.com/veja0.abrilm.com.br/assets/images/2013/3/132479/coreia-do-norte-kim-jong-un07032013-size-598.jpg
Os monopólios de mídia mundial continuam sua incessante campanha difamatória contra a Coréia do Norte. A notícia da vez, de novo, é dizer que existe grande fome absoluta no país, milhares de pessoas morrendo e vários casos de canibalismo acontecendo. Antes de dizer o que realmente acontece no país, é importante desnudar o viés racista dessas notícias. Os países centrais do capitalismo historicamente se “confundem” com o Ocidente “branco” e propagaram a falácia racista de que os povos da África e Ásia são bárbaros, atrasados, incivilizados, etc. Essa notícia do canibalismo – que é falsa – parte da mesma ideia do povo inferior, bárbaro, incivilizado, brutal, desumano.
A Coréia do Norte têm uma população de 25 milhões de habitantes. Só 16% do seu território é agricultável (a maioria do território é montanhoso). Os solos são de baixa produtividade e contém desgaste milenar (a civilização coreana têm mais de 5 mil anos). A Coréia tem forte tecnologia, investe muito no aumento da produtividade dos solos, uso de alimentos transgênicos e distribuição planejada e racional dos alimentos produzidos. Mesmo com essa tecnologia e forma de distribuição dos mantimentos, a Coréia necessita importar alimentos, mas sofre um dos bloqueios econômicos mais brutais do mundo. O bloqueio contra a Coréia é até mais violento que o contra Cuba e o Irã. A Coréia praticamente só tem relações comerciais fortes com China e Rússia e nenhum dos dois países é forte exportador de alimentos.
Contudo, mesmo tendo uma situação alimentar difícil, não existe esse déficit absoluto de alimentos. A alimentação dos coreanos é realmente pobre, pouco diversificada, a situação alimentar é preocupante, mas fome absoluta não existe. Além disso, como já ficou claro acima, a situação de insegurança alimentar não é de responsabilidade do governo (ou do sistema econômico-político); causas naturais e o bloqueio do imperialismo é que explicam os problemas do país. Ao mesmo tempo, é claro para qualquer pessoa que conhecesse minimamente os problemas da fome na história do capitalismo, que sem uma economia planificada de distribuição de alimentos racional a situação do povo coreano estaria muito pior.
Por que os monopólios adoram usar a ideia de fome na Coréia do Norte? A resposta é simples e divide-se em duas questões básicas: afirmar que um país pós-capitalista como a Coréia do Norte não consegue nem prover alimentos para seu povo é uma forma de “provar” a superioridade do capitalismo sobre qualquer outro sistema econômico-político alternativo; a Coréia do Norte realmente teve problemas de fome absoluta com a morte de várias pessoas nos anos 90, depois do fim da União Soviética. A URSS era a principal parceira comercial da Coréia, sua queda foi uma tragédia para os coreanos (como foi para Cuba) e a crise econômica foi de proporções brutais, porém, ao final dos anos 90 a crise econômica na Coréia já tinha sido superada e o país não teve mais crises de fome absoluta.
A maioria das notícias que o “Ocidente” publica sobre a Coréia do Norte vem da Coréia do Sul. A Coréia do Sul tem uma lei de segurança nacional proibi qualquer elogio mínimo à Coréia do Norte. Essas notícias bizarras e grotescas não têm qualquer fundo de verdade, não passam de instrumentos vulgares de propaganda do imperialismo – através dos monopólios de mídia – e é vergonhoso qualquer pessoa que se pretenda de esquerda ao invés de combater essas mentiras, reproduzi-las de forma acrítica.
Mais informações:
– Entrevista com o ex-embaixador brasileiro na Coréia sobre vários temas do país (inclusive a questão da “fome”): https://www.youtube.com/watch?v=OK2_JvZhFj4
https://www.youtube.com/watch?v=9OZ48Bj6kRI
– Um importante texto sobre a geopolítica e a posição da Coréia do Norte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/o-que-quer-a-coreia…
— Jones Makaveli

Manlio Dinucci* / O pacto militar entre Grécia e Israel

O pacto militar entre Grécia e Israel

Manlio Dinucci*
31.Jul.15 :: Outros autores
Não é apenas na vergonhosa capitulação face à troika que o governo Syriza-Anel manifesta a sua verdadeira natureza. A vassalagem ao imperialismo, que Tsipras já garantira na visita pré-eleitoral aos EUA, concretiza-se agora na integração plena na estratégia da NATO para a região, e na cooperação com o Estado sionista, peça-chave nos planos imperialistas de expansão e agressão.


Quando Tsipras chegou ao poder na Grécia tocaram em Israel as sinetas de alarme: o Syriza apoiava a causa palestina e podia por fim á cooperação militar da Grécia com Israel. Face à brutal repressão israelita contra os palestinos, advertia Tsipras, «não podemos permanecer passivos, pois o que sucede na outra margem do Mediterrâneo pode suceder amanhã na nossa costa».
Sete meses passados calaram-se os alarmes: Panos Kammenos, ministro de Defesa do governo Tsipras fez uma visita oficial a Telavive onde, a 19 de Julho, assinou com o homólogo israelense, Moshe Ya’alon, um importante acordo militar. Para esta decisão, Kammenos, fundador do novo partido da direita grega ANEL, escolheu precisamente o momento em que a Grécia se encontrava atenazada com o problema da dívida. O «acordo sobre o status das forças», comunica o ministério da Defesa grego, estabelece um quadro jurídico que permite ao pessoal militar de cada um dos países deslocar-se e permanecer no outro país, com o objectivo de participar em exercícios e actividades de cooperação». Um acordo idêntico a este, Israel só assinou um com os Estados Unidos. Na agenda das conversações também está incluída uma referência à «cooperação na indústria militar» e na «segurança marítima», particularmente nas jazidas de gás «offshore», que Israel, Grécia e Chipre consideram sua «zona económica exclusiva», não reconhecendo as reivindicações da Turquia.
Em cima da mesa das negociações também esteve «a questão da segurança do Médio Oriente e do Norte de África». Dando eco às declarações de Moshe Ya’alon que denuncia o Irão como «gerador de terrorismo, cuja ambição hegemónica mina a estabilidade dos outros Estados», Kamenos declarou que «também a Grécia se encontra ao alcance dos mísseis iranianos; e ainda que um só chegasse ao Mediterrâneo poderia acabar com os Estados da região». A decisão de contactar a chefia das forças armadas israelenses tem como objectivo estabelecer uma coordenação mais estreita com as forças armadas da Grécia. Ao mesmo tempo, o chefe da marinha militar helénica, o vice-almirante Evangelos Apostolakis, assinou também com o seu homólogo israelense um acordo de cooperação, não muito explícito, sobre «serviços hidrográficos». O pacto militar com Israel em nome do governo de Tsipras não é apenas uma vitória pessoal de Kammenos. Ele insere-se na estratégia dos EUA/NATO e na sua ofensiva para Leste e para Sul com o objectivo de integrar mais estreitamente a Grécia na aliança Atlântica, e também de forma mais ampla numa coligação de países onde se inserem Israel, Arábia Saudita, Ucrânia e outros.
O secretário-geral da NATO, Stotenberg, declarou que o «pacote de resgate» da UE à Grécia é «importante para toda a OTAN» já que a Grécia é um «sólido aliado que investe mais de 2% em Defesa (nível só semelhante na Europa ao alcançado pela Grã-Bretanha e a Estónia).
Para a NATO é especialmente importante a base aeronaval da baía de Suda, em Creta, permanentemente usada nos últimos anos pelos EUA e outros aliados na guerra contra a Líbia e nas operações militares na Síria. Graças ao pacto da Grécia com Israel é agora utilizável, também na sua função anti-Irão.
Neste quadro estratégico, aprofundam-se as contradições entre a Grécia e Israel por um lado e a Turquia no outro. Na Turquia, a NATO mantém outras 20 bases e o comando das forças terrestres que em nome da «luta contra o EI» bombardeia os curdos do PKK (os verdadeiros combatentes anti-EI), e juntamente com os EUA prepara-se para ocupar a faixa setentrional do território sírio. Escudando-se no art.º 4º do Pacto Atlântico, que refere as ameaças à segurança e à integridade territoriais.
* Geógrafo e analista político

Este texto foi publicado em: http://ilmanifesto.info/il-patto-militare-grecia-israele/

Tradução de José Paulo Gascão

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Vento de pulsar é tão forte que faz um buraco no disco de sua estrela companheira


pulsar buraco disco estelar

Um pulsar em movimento rápido parece ter feito um buraco no disco de gás em torno da sua estrela companheira, lançando um fragmento desse disco a uma velocidade de cerca de 6,43 milhões de quilômetros por hora. O Observatório de Raios-X Chandra, da NASA, está seguindo este objeto cósmico, que parece estar ganhando agilidade enquanto se move.


O arranjo bizarro da dupla
O sistema PSR B1259-63 / LS 2883 (ou apenas B1259) contém dois elementos: uma estrela com cerca de 30 vezes a massa do sol e um pulsar, uma estrela de nêutrons ultradensa que é resultado da explosão de supernova de uma estrela ainda mais massiva. O pulsar emite pulsos regulares à medida que gira 20 vezes por segundo, e se move em uma órbita altamente elíptica em torno da sua estrela companheira. A combinação da sua rotação rápida e campo magnético intenso gerou um forte vento de partículas de alta energia, que está se afastando do pulsar perto da velocidade da luz.

Sua enorme estrela companheira, enquanto isso, gira em volta de um disco de gás. À medida que o pulsar faz sua maior aproximação a cada 41 meses, ele passa por este disco. Estes dois objetos estão em um arranjo cósmico incomum e deram-nos a oportunidade de testemunhar algo especial”, disse George Pavlov da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, principal autor do estudo. “À medida que o pulsar moveu-se através do disco, parece que ‘socou’ um monte de material para fora”.


Vida curta ao disco?
Mesmo que o aglomerado seja bastante grande, abrangendo uma centena de vezes o tamanho do nosso sistema solar, também é muito fino. O material tem massa equivalente a toda a água nos oceanos da Terra. “Depois que o material estelar foi nocauteado, o vento do pulsar parece ter acelerado, quase como se tivesse um foguete anexado”, disse o coautor da pesquisa Oleg Kargaltsev, da Universidade George Washington, nos EUA. Os astrônomos observaram B1259, que está localizado a cerca de 7.500 anos-luz da Terra, três vezes usando o Chandra entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2014.

As observações mostram o material do disco se afastando de B1259 a uma velocidade média de cerca de 7% a da velocidade da luz. Os dados também indicam que o aglomerado foi acelerado a 15% da velocidade da luz entre a segunda e a terceira observações. Isso só mostra o quão poderoso o vento que sopra de um pulsar pode ser”, disse outro coautor do estudo, Jeremy Hare, também da Universidade George Washington. “É tão forte que poderia estripar o disco inteiro em torno da sua estrela companheira ao longo do tempo”.

Fonte: Hypescience.com

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    quarta-feira, 29 de julho de 2015

    Colômbia / São necessárias novas medidas de desescalada(FARC-EP).

    São necessárias novas medidas de desescalada.


    As FARC-EP registramos como positiva a decisão presidencial de suspender os bombardeios contra nossos acampamentos, num gesto que se corresponde com a ordem ministrada pelo Secretariado das FARC-EP de cessar todo tipo de ações ofensivas contra a Força Pública e a infraestrutura pública e privada em todo o país a partir do último 20 de julho. Sem dúvida, a determinação do senhor presidente é uma medida que contribui para gerar um clima de confiança propício para avançar na discussão dos temas pendentes do Acordo Geral de Havana.
    Em meio a um novo ambiente que se começa a gerar, depois do acordo firmado pelas partes no último 22 de julho, conhecido sob o título “Agilizar em Havana e desescalar em Colômbia”, se faz necessário acordar novas medidas que aprofundem e consolidem este processo de desescalada, para que cada vez seja mais remota a possibilidade de que este esforço possa se lançar a perder.
    Tal como ficou consignado em nossa ordem de cessar-fogo ministrada a todas as unidades: “Nenhuma unidade das FARC-EP está obrigada a se deixar golpear por forças inimigas e terá todo o direito ao exercício de sua legítima defesa em caso de ataque”.
    A propósito, queremos chamar a atenção sobre fatos recentes que sucederam nos estados do Cauca e Nariño, onde o avanço das operações terrestres contra as posições insurgentes pôs em risco o cessar-fogo unilateral das FARC-EP. Somente a prudência das unidades guerrilheiras tem evitado que se apresentem fatos lamentáveis nestes casos.
    La Habana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 28 de julho de 2015
    DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC EP.

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