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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Governo cria base de dados unificada de todos os brasileiros

Governo cria base de dados unificada de todos os brasileiros

PAULA SOPRANA,Folhapress qui, 10 de out 13:55 BRT

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Ciberguerra declarada

Ciberguerra declarada

– Espionagem, hackeamento global, controle e perseguições na era Trump

por Jorge Elbaum [*]
Blackout em Caracas, 19/Julho/2019.O governo de Donald Trump decidiu incrementar a utilização da Internet como dispositivo de espionagem maciça e de perseguição aos actores, individuais ou colectivos, que não são funcionais à sua sobrevivência como superpotência. Os níveis de beligerância virtual e sua calculada difusão pública denotam a perda de liderança global e uma acção desesperada para não dissipar a hegemonia primordial que se pretende perpetuar. Dentro dessa lógica deve ser explicado o recrudescimento do ataque àqueles que difundem documentos incómodos para o Departamento de Estado, como nos casos de Julian Assange (fundador da WikiLeaks), Chelsea Manning e Edward Snowden (acusados de fazer transpirar informação confidencial).

A manipulação eleitoral com que Trump chegou ao governo em 2016, da qual a Cambridge Analytics fez parte, também se inscreve numa lógica que articula o mundo público o privado e o militar com o cultural.

Este é o quadro no qual se devem interpretar as recentes medidas determinadas pelas agências federais de Washington, de considerarem o conjunto da web como um dispositivo associado à lógica da inteligência militar. A recente criação da Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), em Novembro de 2018, sob a dependência do Departamento de Segurança Nacional (DHS), implica mais um passo nessa deriva. Uma das primeiras acções da CISA foi a implementação, em conjunto com a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA), da sabotagem contra a infraestrutura energética da Venezuela.

A operação sobre a rede eléctrica foi executada mediante a combinação do vírus Duqu 2.0 (variante do Stuxnet, utilizado em 2010 contra a central nuclear de Natanz, próxima de Teerão) e a utilização de Pulsos Electromagnéticos (EMP). A referida ofensiva foi assumida tacitamente pelo próprio Trump a assinar a Ordem Executiva, em 26/Março2019, na qual estabelece a incorporação de aparelhos vinculados à utilização de pulsos electromagnéticos (EMP), "como um factor na planificação de cenários de defesa". Nesse decreto, intitulado "Coordenação da resiliência nacional aos pulsos electromagnéticos" encomenda-se às agências federais que desenvolvam capacidades para evitar ataques e/ou danificar "total ou parcialmente equipamentos eléctricos e electrónicos dentro do seu raio de acção com emissões de energia electromagnética de alta intensidade e radiação".

As três espadas

A ofensiva, no seu conjunto, orienta-se para a manipulação da rede a fim de privilegiar a circulação de informação de corporações estado-unidenses, relegando a reais ou potenciais competidores (basicamente chineses e europeus) uma ínfima visibilização ou seu literal desaparecimento na Internet. A contra-prestação exigida pela CISA às empresas dos EUA (beneficiárias das práticas de segregação monopolista) é a transferência e acesso à informação disponível nos seus servidores, com o objectivo de ampliar o material para o diagnóstico e análises do Big Data, orientado para o (suposto) combate ao narcotráfico.

Os documentos oficiais do governo do Estados Unidos revelam uma decidida ampliação nos níveis de beligerância digital. O programa implementado nos últimos meses desde a criação em 15/Novembro/2018 da referida CISA. Seus objectivos estratégicos incluem:

a) A redefinição da web como um território de controle geoglobal para contribuir para a análise e a observação do resto dos países do mundo, dos seus circuitos de comunicações soberanos (e portanto dos seus cidadãos). A fundamentação desta meta parte do facto de que a Internet foi um desenvolvimento dos Estados Unidos e, portanto, dispõe de prerrogativa sobre a sua vigilância e intervenção.

b) A reconfiguração da sua teia e estrutura para permitir sua utilização na perseguição de inimigos, opositores ou actores disfuncionais quanto aos seus interesses económicos, comerciais, energéticos e financeiros (tanto a nível político como corporativo). Esta linha de trabalho inclui a exclusão de sítios e portais e, de forma paralela, a proscrição daqueles que são considerados críticos para a sua segurança, incluídos os competidores empresariais. A recente perseguição a uma integrante da direcção da firma (fabricante de telemóveis) Huawei e o concomitante hackeamento dos seus portais surge como um exemplo da ofensiva em toda linha.

c) O desenvolvimento de esquemas de ciberguerra contra Estados que questionem / disputem a liderança dos EUA e/ou que se aconchegam em formas de integração autónomas ao seu controle, e/ou que decidem utilizar divisas de intercâmbio comercial alheias ao dólar.

Para avançar com a primeira linha de trabalho exigiu-se às empresas que contam com maior volume de informação acumulada que contribuam para o monitoramento global, permitindo a abertura dos seus conglomerados de Big Data à CISA, subordinada do DHS. As últimas medidas, decretadas por Donald Trump, incluem um conjunto de acções destinadas a sistematizar informação para elaborar diagnósticos prospectivos capazes de impedir derivas antagónicas aos interesses económicos (e de supremacia cultural) de Washington. As referidas acções encontram-se justificadas, conforme os documentos divulgados pela CISA, dado o eterno perigo a que se encontra exposta a segurança de Washington.

A medidas determinados em Fevereiro e Abril deste ano têm a particularidade de exigir maiores níveis de articulação com as empresas privadas ligadas à informação global. Entre as corporações estabelecidas pela CISA para colaborar com a tarefa constam as firmas que possuem o maior conglomerado de Big Data residente, a nível mundial, em servidores habitualmente denominados como clouds (nuvens). Entre aquelas destinadas a contribuir para a segurança estratégica dos Estados Unidos constam, entre outras, a Accenture (empresa de recrutamento de pessoal), Cisco Systems (redes), Dell (informática de consumo maciço), Intel (circuitos integrados), Microsoft (sistemas operativos), Samsung , (telemóveis e computadores). Os acordos governamentais e negociações com a Google , Facebook , Twitter e outras redes sociales foram efectuados sob outro tipo de protocolos, diante do pedido destas empresas que resistem em tornar pública sua conivência com as agências de inteligência para não exibir aos seus assinantes a vulnerabilidade dos seus dados privados.

Em resposta ao anunciado controle monopolista da web, a Rússia e a China estão a desenvolver sistemas destinados a ampliar a sua autonomia em relação aos servidores localizados em territórios distantes e a configuração de redes soberanas. Em 16 de Abril último o parlamento russo aprovou a criação de uma rede interna (RuNet) em resposta às repetidas ameaças verbalizadas por Trump acerca da propriedade estado-unidense da Internet e o seu auto-atribuído direito ao uso discricionário da sua teia global. A lei prevê a criação de uma infraestrutura própria, a instalação de muralhas digitais capazes de filtrar ataques, a possibilidade de inter-actuar com um ecosistema digital próprio (perante potenciais interferências na comunicação soberana russa) e os dispositivos capazes de evitar a hierarquização contaminada de conteúdos decididos arbitrariamente por agências estrangeiras.

Por sua vez, a China vem desenvolvendo um esquema de protecção semelhante ao russo, em meio à guerra comercial desencadeada por Washington, motivada pela deterioração da sua competitividade produtiva frente à emergência do sudeste asiático. No centro desta disputa encontra-se a inteligência artificial, a próxima irrupção das redes 5G (que permitirão a generalização das impressoras de produtos) e a ampliação do multilateralismo que a China impulsiona e gera.

Enquanto isso cá em casa

A convergência bélica implica a integração entre conflitualidade material e virtual. O governo de Maurício Macri [NR] foi funcional aos interesses estratégicos dos Estados Unidos em todas as áreas. A implementação de programas de soberania digital, tanto em infraestrutura como em aplicações, foi descontinuada e esvaziada. O governo do Cambiemos subordinou todas as suas iniciativas aos desígnios de agências estrangeiras, sobretudo dos Estados Unidos e Israel, sócios espalhafatosos se se considera que são dois dos países que acompanham o Reino Unidos nas suas votações contra a Argentina em relação à ocupação das ilhas Malvinas. Ambos os Estados, além disso, fornecem aparelhos bélicos à única base militar articulada com a NATO localizada em território soberano.

Em 12/Setembro/2017 Maurício Macri assinou um acordo com Bibi Netanyahu no qual se articulavam agência de inteligência e segurança para cooperar na área do cibercrime. Tempos depois fez-se pública a aquisição pelo Ministério da Defesa argentino de pacotes de software para ciberdefesa (núcleos de CERT/CSIRT, para prevenir e gerir incidentes de segurança cibernética), no âmbito de uma contratação directa, sem licitação prévia. Em Fevereiro de 2018 a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, formalizou um acordo com o Office of Intelligence and Analysis (I&A) adstrito à National Security Agency (NSA) para avaliar em conjunto informação vinculada ao terrorismo.

A soberania não parece ser um objectivo da lógica neoliberal financista. Nem em territórios tangíveis nem naqueles que constituem a teia digital. Uma vez que a marca cultural dos integrantes do Cambiemos os faz sonhar / desejar serem estado-unidenses (brancos, civilizados e libertos de genomas mestiços e crioulos), não estão capacitados para sequer perceber a colonialidade das suas decisões ou omissões. Desfrutam, risonhos e despreocupados, com a ideia de se converterem nos seus vassalos digitais.
28/Abril/2019

[NR] Derrotado em Outubro/2019 ao tentar reeleger-se.

Ver também:
  • "Vigilância massiva, registo permanente", de Edward Snowden
  • O modelo "Ocean" e o fascismo – Como funciona o novo método de fraudar eleições e manipular eleitores
  • The US Cyber and Electromagnetic War Against Venezuela

    [*] Sociólogo, doutorado em Ciências Económicas, analista senior do Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE).

    O original encontra-se em estrategia.la/...


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • quarta-feira, 1 de agosto de 2018

    A comunidade de inteligência dos EUA como propulsora do colapso

    A comunidade de inteligência dos EUA como propulsora do colapso

    por Dmitry Orlov
    Nos Estados Unidos de hoje, o termo "espionagem" não é muito utilizado a não ser em alguns contextos específicos. Ainda há conversas esporádicas sobre espionagem industrial, mas quanto aos esforços dos americanos para entender o mundo além das suas fronteiras, eles preferem usar o termo "inteligência". Isso pode ser uma escolha inteligente ou não, dependendo de como se olham as coisas.

    Em primeiro lugar, a "inteligência" dos EUA está vagamente relacionada com o jogo da espionagem, como tem sido tradicionalmente praticado, e ainda é, por países como a Rússia e a China. A espionagem envolve colectar e validar informação estratégica vital e transmiti-la apenas aos tomadores de decisão pertinentes do seu lado, mantendo-se de facto a colectá-la e validá-la às ocultas de toda a gente.

    Em eras passadas, um espião, se descoberto, tentaria ingerir uma cápsula de cianeto; Nos dias de hoje, a tortura é considerada não-cavalheiresca e os espiões que são apanhados esperam pacientemente serem permutados numa troca. Uma regra não escrita e de bom senso sobre trocas de espiões é que são feitas silenciosamente e que os libertados nunca se intrometem outra vez porque isso complicaria a negociação de futuras trocas de espiões. Nos últimos anos, as agências de inteligência dos EUA decidiram que torturar prisioneiros é uma boa ideia, mas elas têm torturado sobretudo pessoas inocentes, não espiões profissionais, forçando-os por vezes a inventar coisas tais como a "Al Qaeda". Não existia tal coisa antes de a inteligência dos EUA popularizá-la como marca entre os terroristas islâmicos.

    Mais recentemente, os "serviços especiais" britânicos, que estão como uma espécie de Mini-Me para o Dr. Evil, que é o aparelho de inteligência dos EUA, consideraram adequado interferir com um de seus próprios espiões, Sergei Skripal, um agente duplo que eles retiraram de uma prisão russa numa troca de espiões. Eles o envenenaram utilizando um produto químico exótico e tentaram atribuir a culpa à Rússia com base em nenhuma evidência. É improvável que haja mais trocas de espiões britânicos com a Rússia e os espiões britânicos que trabalham na Rússia provavelmente receberão boas cápsulas de cianeto à moda antiga (uma vez que o supostamente super-poderoso Novichok que os britânicos mantêm no seu laboratório "secreto" em Porton Down não funciona bem e só é fatal em 20% dos casos).

    Há uma outra regra não escrita, de senso comum, acerca da espionagem em geral: seja o que for que aconteça, ela precisa ser mantida fora dos tribunais, porque um processo de descoberta em qualquer julgamento forçaria a acusação a divulgar fontes e métodos, tornando-os parte do dominio público. Uma alternativa seria manter tribunais secretos, mas como estes não podem ser verificados independentemente quanto ao seguimento do processo devido e das regras de evidência, eles não são de muito valor.

    Um padrão diferente aplica-se a traidores. Nestes casos, enviá-los aos tribunais é aceitável e serve a um alto propósito moral, uma vez que aqui a fonte é a própria pessoa em julgamento e o método – traição – pode ser divulgado sem danos. Mas esta lógica não se aplica a espiões profissionais decentes que estão simplesmente a fazer o seu trabalho, mesmo que se tornem agentes duplos. De facto, quando a contra-inteligência descobre um espião, a coisa profissional a fazer é tentar recrutá-lo como um agente duplo ou, se isso não der certo, tentar utilizar o espião como um canal para injectar desinformação.

    Os americanos têm feito o melhor que podem para quebrar esta regra. Recentemente, o advogado especial Robert Mueller acusou uma dúzia de operacionais russos a trabalharem na Rússia de hackearem o servidor de correio do Comité Nacional Democrata (DNC) e enviar os emails para a Wikileaks. Enquanto isso, dizem que o referido servidor não está em parte alguma (foi extraviado), se bem que as marcações de hora (time stamps) nos ficheiros publicados na Wikileaks mostrem que foram obtidos copiando-os para uma pen drive ao invés de enviá-los pela Internet. Assim, isto foi uma fuga, não um hack, e não poderia ter sido feito por ninguém a trabalhar remotamente a partir da Rússia.

    Além disso, é um exercício de futilidade para um responsável dos EUA indiciar cidadãos russos na Rússia. Eles nunca serão julgados num tribunal dos EUA devido à seguinte cláusula na Constituição Russa: "Art. 61.1 Um cidadão da Federação Russa não pode ser deportado para fora da Rússia ou extraditado para outro Estado". Mueller pode reunir um painel de académicos constitucionalista para interpretar esta frase, ou pode apenas lê-la e chorar. Sim, os americanos estão a fazer o melhor que podem para quebrar a regra não escrita contra o arrastamento de espiões a tribunais, mas o seu melhor está muito longe de ser suficiente.

    Dito isto, não há qualquer razão para acreditar que os espiões russos pudessem ser impedidos de hackear o servidor de correio do DNC. Provavelmente funcionava com Microsoft Windows e esse sistema operacional tem mais buracos do que um edifício no centro de Raqqa, na Síria, depois de os americanos terem bombardeado aquela cidade reduzindo-a a escombros, com muitos de civis de permeio. Quando questionado sobre esse alegado hacking pela Fox News, Putin (que trabalhara como espião na sua carreira anterior) teve dificuldade em manter a cara séria e claramente desfrutou do momento. Ele destacou que os emails hackeados ou extraídos numa fuga mostravam um padrão claro de irregularidades: funcionários da DNC conspiraram na Primária Democrática para roubar a vitória eleitoral a Bernie Sanders, e depois de essa informação ter vazado eles foram forçados a demitir-se. Se o hack russo aconteceu, então foram os russos que trabalharam para salvar a democracia americana de si própria. Então, onde está a gratidão? Onde está o amor? Ah, e por que os perpetradores do DNC não estão presos?

    Uma vez que existe um acordo entre os EUA e a Rússia para cooperar em investigações criminais, Putin sugeriu interrogar os espiões acusados por Mueller. Ele até sugeriu que Mueller participasse do processo. Mas em contrapartida ele queria interrogar os responsáveis americanos que podem ter ajudado e incitado um criminoso condenado com o nome de William Browder, o qual deve cumprir uma sentença de nove anos na Rússia a partir de agora e que, a propósito, doou copiosas quantias de seu dinheiro mal ganho para a campanha eleitoral de Hillary Clinton. Em resposta, o Senado dos EUA aprovou uma resolução a proibir russos de interrogarem responsáveis dos EUA. E ao invés de emitir um requerimento válido para que os doze espiões russos fossem entrevistados, pelo menos um responsável dos EUA fez o pedido absurdamente fútil de que ao invés eles fossem remetidos para os EUA. Mais uma vez, qual a parte do artigo 61.1 que eles não entendem?

    A lógica dos funcionários dos EUA pode ser difícil de acompanhar, mas só se aderirmos às definições tradicionais de espionagem e contra-espionagem – "inteligência" no linguajar dos EUA – que é providenciar informações validadas com o objectivo de adoptar decisões informadas sobre os melhores meios de defender o país. Mas tudo isso faz perfeito sentido se abdicarmos de tais noções estranhas e aceitarmos a realidade que podemos realmente observar: o propósito da "inteligência" dos EUA não é produzir ou trabalhar com factos, mas simplesmente "fazer merda".

    A "inteligência" que as agências de inteligência dos EUA fornecem pode ser tudo excepto inteligente. De facto, quanto mais estúpido melhor, porque seu objectivo é permitir que pessoas pouco inteligentes tomem decisões pouco inteligentes. Na verdade, eles consideram os factos como prejudiciais – sejam eles acerca de armas químicas sírias; ou conspirações para roubar as eleições primárias de Bernie Sanders; ou armas iraquianas de destruição em massa; ou o paradeiro de Osama Bin Laden – porque os factos exigem precisão e rigor ao passo que eles preferem habitar no reino da pura fantasia e do capricho. Nisto, seu objectivo real é facilmente discernível.

    O objectivo da inteligência estado-unidense é sugar toda a riqueza que resta para fora dos EUA e dos seus aliados e embolsar tanto quanto possível. Enquanto finge defendê-la de agressores fantasmas, esbanja recursos financeiros inexistentes (tomados emprestados) em ineficazes operações militares e sistemas de armas super-facturados. Onde os agressores não são fantasmas, eles são especialmente organizados para o objectivo de conseguirem alguém que os substitua a combater: terroristas "moderados" e assim por diante. Um grande avanço nesta arte tem sido a mudança de operações de falsa bandeira reais, à la 11/Set, para operações de falsa bandeira falsas, à la ataque químico de Gouta Leste na Síria (já totalmente desacreditado). A história de interferência eleitoral russa talvez seja o passo final nessa evolução: nenhum arranha-céu de Nova York ou criança síria foi prejudicado no processo de cozinhar essa falsa narrativa. E ela pode ser mantida vivo aparentemente para sempre apenas através do esforço furioso de numerosas bocas a palrarem. Trata-se agora de um esquema de pura confiança na fraude. Se diante disso ficar pouco impressionado com as suas narrativas inventadas, então você é um teórico da conspiração ou, na reavaliação mais recente, um traidor.

    Trump foi recentemente questionado sobre se confiava na inteligência dos EUA. Ele tartamudeou. Uma resposta jovial teria sido:
    "Que tipo de idiota é você para me fazer uma pergunta tão estúpida? Claro que eles estão mentindo! Eles foram apanhados a mentir mais de uma vez e, portanto, já não se pode mais confiar neles. A fim de afirmar que eles actualmente não estão mentindo, é preciso determinar quando é que deixaram de mentir e que não mentiram desde então. E isso, na base da informação disponível, é uma tarefa impossível".
    Uma resposta mais séria, atendo-se à matéria de facto, teria sido:
    "As agências de inteligência dos EUA fizeram uma alegação ultrajante: de que entrei em conivência com a Rússia para falsificar o resultado da eleição presidencial de 2016. O ónus da prova cabe a eles. Eles ainda têm de provar seu caso num tribunal de justiça, o qual é o único lugar onde o assunto pode legitimamente ser resolvido, se é que pode ser resolvido de todo. Até que isso aconteça, devemos tratar sua afirmação como teoria da conspiração, não como um facto".
    E uma resposta dura e impassível teria sido:
    "Os serviços de inteligência dos EUA fizeram um juramento de defender a Constituição dos EUA, segundo a qual sou o seu Comandante-em-chefe. Eles reportam-se a mim, não eu a eles. Eles devem ser leais a mim, não eu a eles. Se eles são desleais a mim, então isso é razão suficiente para a sua demissão".
    Mas nenhum diálogo prático com base na realidade parece possível. Tudo o que ouvimos são respostas falsas a perguntas falsas e o resultado é uma série de decisões falhas. Com base em inteligência falsa, os EUA passaram quase todo este século envolvidos em conflitos muito caros e, em última instância, fúteis. Graças aos seus esforços, o Irão, o Iraque e a Síria formaram um crescente contínuo de estados alinhados religiosa e geopoliticamente, amistosos em relação à Rússia, ao passo que no Afeganistão os Taliban estão a ressurgir e a combater o Estado Islâmico – uma organização que se constituiu graças aos esforços americanos no Iraque e na Síria.

    O custo total das guerras até agora neste século para os EUA é de US$4.575.610.429.593. Dividido pelos 138.313.155 americanos que preenchem declarações fiscais (se eles realmente pagam algum imposto é uma questão demasiado subtil), isso equivale a pouco mais de US$33 mil por contribuinte. Se pagar impostos nos EUA, essa é a sua conta até agora para os vários "acidentes" da inteligência dos EUA.

    As 16 agências de inteligência dos EUA têm um orçamento combinado de US$66,8 mil milhões e isso parece muito até que se perceba quão supremamente eficientes são elas: seus "erros" custaram ao país cerca de 70 vezes seu orçamento. Com um nível de pessoal de mais de 200 mil empregados, cada um deles custou ao contribuinte dos EUA perto de US$23 milhões, em média. Esse número é totalmente aproximativo! O sector de energia tem os mais altos ganhos por empregado, em torno de US$1,8 milhão per capita. A Valero Energy destaca-se com US$7,6 milhões per capita. Com US$23 milhões, a comunidade de inteligência dos EUA tem ganho três vezes melhor que a Valero. Tiremos o chapéu! Isso torna a comunidade de inteligência dos EUA, de longe, o melhor e mais eficiente condutor imaginável rumo ao colapso.

    Há duas hipóteses possíveis para explicar porque assim é.

    Primeiro, podemos nos aventurar a imaginar que essas 200 mil pessoas são grosseiramente incompetentes e que os fiascos que elas desencadeiam são acidentais. Mas é difícil imaginar uma situação em que pessoas grosseiramente incompetentes consigam ainda assim canalizar US$23 milhões, em média, para uma variedade de empreendimentos fúteis de sua escolha. E é ainda mais difícil imaginar que seria permitido a tais incompetentes poderem cometer erros crassos década após década sem serem chamadas à pedra pelos seus erros.

    Uma outra hipótese, muito mais plausível, é que a comunidade de inteligência dos EUA tem feito um trabalho maravilhoso para levar o país à bancarrota e conduzi-lo ao colapso financeiro, económico e político ao forçá-lo a participar de uma série interminável de conflitos caros e fúteis – o maior acto contínuo de grande furto já experimentado no mundo. Como é que isso pode ser uma coisa inteligente a fazer para o seu próprio país, em qualquer definição concebível de "inteligência", deixarei para si o cuidado de elaborar. Enquanto estiver nisto, também pode querer chegar a uma melhor definição de "traição": algo melhor do que "uma atitude céptica em relação a alegações ridículas e não comprovadas feitas por aqueles que são conhecidos como mentirosos perpétuos". 
    24/Julho/2018

    O original encontra-se em cluborlov.blogspot.com/2018/07/us-intelligence-community-as-collapse.html 

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

    segunda-feira, 19 de março de 2018

    Serão reais os venenos "Novichok"?

    Serão reais os venenos "Novichok"?
    – Caem por terra as alegações de Theresa May


    por Moon Of Alabama
    O governo britânico afirma que os venenos "Novichok", desenvolvidos há 30 anos atrás na União Soviética, afetaram um agente duplo britânico. Mas essas substâncias podem nem sequer existir. O governo britânico diz ainda que o governo russo é responsável pelo incidente e anunciou sanções contra o país.

    Um incidente semelhante ocorreu em 2001 nos Estados Unidos . Envelopes com esporos de Antraz foram enviados para vários políticos. Algumas pessoas morreram. A Casa Branca disse ao FBI para culpabilizar a al-Qaeda , mas o Antraz acabou por se revelar ser de um laboratório de armas químicas-biológicas dos Estados Unidos. O caso está ainda por resolver.

    Vil Mirzanyanov é o "denunciante" que "revelou" o programa "Novichok" e seus venenos e publicou as fórmulas químicas que deveriam permitir a qualquer laboratório decente produzi-los. Mas nem a existência do alegado programa, nem a existência das supostas substâncias foram alguma vez aceites pela comunidade científica. O governo russo afirma não saber do programa nem dos alegados venenos.

    O drama elaboradamente construído em torno do alegado envenenamento do agente duplo britânico Skripal e da sua filha transformou-se assim numa representação surreal. O governo britânico não apresentou até agora nenhuma evidência de que os Skripal foram envenenados ou que tivessem sido envenenados por alguém. Nenhum boletim médico detalhado foi publicado. As acusações britânicas contra a Rússia permitem considerar que uma tentativa de suicídio esteja excluída. Por quê?

    Não há nenhuma avaliação independente do alegado veneno. O governo britânico afirma que o seu próprio laboratório de armas químicas em Porton Dow, a poucas milhas de onde aconteceu o incidente, identificou o veneno como um dos produtos químicos "Novichok".

    Porém, em 2016, um dos principais químicos de Porton Down tinha dúvidas que tais produtos químicos existissem. (Paul McKeigue, Professor de genética estatística e epidemiologia genética na Universidade de Edimburgo, Piers Robinson, Professor de política, sociedade e política jornalismo na Universidade de Sheffield e o antigo embaixador britânico Craig Murray põem isto em destaque ).
    Recentemente, em 2016, a Dra. Robin Black, chefe do Detection Laboratory a única instalação laboratorial de detecção de armas químicas do Reino Unido, em Porton Down, antiga colega do Dr. David Kelly, publicou numa revista científica extremamente prestigiada que a evidência da existência de Novichoks era escassa e a sua composição desconhecida.

    Nos últimos anos, tem havido muita especulação sobre uma quarta geração de agentes nervosos (inovações "Novichok") tivesse sido desenvolvida na Rússia, tendo sido iniciada nos anos 70 do século passado como parte do programa "Foliant", com o objectivo de encontrar agentes que pudessem comprometer as contramedidas defensivas. Informações sobre estes compostos têm estado dispersas no domínio público, provenientes principalmente de um químico militar russo dissidente, Vil Mirzayanov. Não há confirmação independente das estruturas ou que as propriedades desses compostos tenham sido publicadas.(Black, 2016) 

    Robin Black (2016)  Development, Historical Use and Properties of Chemical Warfare Agents . Royal Society of Chemistry
    O Conselho Consultivo Científico (Scientific Advisory Board, SAB) da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) não reconheceu os Novichoks como armas químicas, porque encontrou poucas evidências de que existam. Os EUA e o Reino Unido fazem parte da organização e ambos concordaram com esta avaliação:
    [o SAB] sublinhou que a definição de produtos químicos tóxicos na Convenção abrange todos os potenciais candidatos a produtos químicos que possam ser utilizados como armas químicas. Sobre novos produtos químicos tóxicos não constantes do anexo sobre produtos químicos, mas que, no entanto possam, para a Convenção, representar um risco, o SAB faz referência a "Novichoks". O nome "Novichok" foi usado numa publicação de um antigo cientista soviético que relatou a investigação de uma nova classe de agentes nervosos apropriados para o uso como armas químicas binárias. " O SAB afirma dispor de insuficientes informações para comentar sobre a existência ou propriedades de "Novichoks ". (OPCW, 2013)
    O antigo cientista soviético, Vil Mirzanyanov, que denunciou e escreveu sobre os "Novichoks", vive agora numa casa de 1 milhão de dólares nos Estados Unidos. A agência de notícias AFP acaba deentrevistá-lo sobre o recente incidente:
    Mirzayanov, falando na sua casa em Princeton, Nova Jersey, disse estar convencido de que Rússia levou a cabo uma forma de intimidar os opositores do Presidente Vladimir Putin. "Só os russos" desenvolveram esta classe de agentes nervosos" disse o químico. "Eles conservaram-nos e ainda os mantêm em segredo".

    A única outra possibilidade, disse, seria que alguém usasse as fórmulas do seu livro para fazer uma tal arma.
    "A Rússia fê-lo", diz Mirzanyanov, "OU ALGUÉM QUE LEU O MEU LIVRO".

    O livro foi publicado em 2008 e está disponível encadernado, brochado ou em formato electrónico por 8,16 dólares. Inclui uma série de fórmulas que, diz Mirzanyanov, poderiam ser utilizadas para produzir esses agentes químicos. Mas nem o laboratório de Porton Down nem a OPCW parecem convencidos que isso seja possível. Eles podem acreditar que Mirzanyanov tem plena consciência disto.

    Um leitor, do livro de Mirzanyanov observou:
    [É necessário] haver um editor para controlar o seu brado "sou um espantoso mártir épico" e trazer as coisas de volta à ciência.
    Outro leitor escreveu:
    State secrets é de longe a mais prolixa e dolorosamente estúpida novela sobre armas químicas que já li, escrita por um cientista irritado que desertou da Rússia! Se quer ouvir um empregado com ilusões de grandeza a queixar-se de cada pessoa com quem já trabalhou então este livro é para si, caso contrário não perca seu tempo. A sério! Não acontece nada exceto que Vil algumacoisov ajudou a fazer coisas que matavam pessoas durante 30 anos e que obtém uma (espécie de) consciência, deserta e queixa-se constantemente acerca... de tudo.
    Vil Mirzanyanov promoveu o seu livro num vídeo de 2009 . Pouco depois no seu blog explicou porque havia incluído fórmulas:
    "Enquanto estava a escrever o meu livro "Segredos de Estado: crônica de um participante no programa russo de armas químicas", algumas pessoas de Washington insistentemente me aconselharam a não incluir as fórmulas dos agentes químicos da série Novichok no meu livro.
    (...)
    Perguntei por que seria má ideia publicar essa informação, uma vez que seria para a segurança de todas as pessoas, pois os governos iriam trabalhar para ter esses agentes químicos e seus precursores incluídos na Control List. Eles responderam que "terroristas poderiam usá-los em suas ações criminosas." Este tipo de raciocínio tem sido usado sempre para assustar as pessoas e evitar qualquer discussão. Graças a isto já estamos acostumados a ignorar uma quantidade de problemas reais,"
    Mirzanyanov além disto salienta que apenas pessoal experiente em laboratórios bem equipados seria capaz de utilizar as suas fórmulas. Agentes estatais dispõem desses laboratórios, como o britânico Porton Down, mas os terroristas não têm tais capacidades.

    Mirzanyanov insistiu para que fossem incluídas as substâncias que ele descreveu na lista de material controlado pela OPCW. Mas a OPCW, como visto acima, rejeitou. Nem o seu conselho científico, nem o chefe do laboratório de detecção de Porton Down estavam convencidos de que estas substâncias ou o programa soviético descrito por Mirzanyanov existissem.

    O laboratório de armas químicas soviético em que Mirzanyanov havia trabalhado era no Uzbequistão, não na Rússia como Theresa May falsamente alegou. O laboratório foi desmantelado com a ajuda ativa dos Estados Unidos .

    A afirmação de Theresa May de que os Skripals foram envenenados com agentes "Novichok" é altamente questionável. A sua alegação de que apenas a Rússia poderia ser responsável pelo incidente Skripal é obviamente um disparate. 

    A existência das substâncias descritas por Vil Mirzanyanov está em sérias dúvidas. Mas se ele está certo então qualquer Estado ou empresa com um laboratório decente e pessoal competente pode produzir essas substâncias a partir das fórmulas e descrições fornecidas no seu livro. Pelo menos é o que o próprio Mirzanyanov diz.

    Mas o mais perturbador sobre o caso não são as falsas alegações de Theresa May. Ela está com problemas políticos de fundo sobre as negociações do Brexit e outras questões e precisa conseguir alguma manobra política de diversão. Culpar a Rússia por "qualquer coisa" está em voga e pode ajudá-la por algum tempo.

    Não, a questão mais preocupante é o comportamento dos media que falharam em assinalar que as reivindicações do May são alaridos sem nenhuma evidência que suporte as suas afirmações. O único jornal um pouco cético é o Irish Times, que considera altamente improvável que o governo russo esteja por trás do envenenamento.

    Theresa May exigiu e teve uma reunião da NATO sobre o caso. Mas a declaração emitida pela NATO foi extremamente fraca. Apenas apoiava a condução do inquérito britânico e pedia à Rússia para responder às questões de britânicas. Não apoiou as alegações de May, nem tomou qualquer medida contra a Rússia. Um porta-voz francês disse "nós não fazemos política de fantasia" e exigiu"conclusões definidas" sobre o caso antes de decidir qualquer coisa. Também não foi dado apoio a May pela administração Trump (Atualização: a embaixadora dos EUA na ONU Nick Haley agora saltou em auxílio do Theresa May)

    A história de que May quer propalar tem demasiados buracos para ser sustentável. O envolvimento doagente duplo britânico Skripal no falso relatório Steele sobre Trump é provavelmente a verdadeira história por trás do incidente.

    Não está a chegar apoio internacional a May. O líder da oposição britânica, Corbyn, tinha razão quando exigiu provas das suas afirmações. Mais alguns abanões e o seu castelo de cartas certamente virá para baixo.

    Caso não tenha reparado: Os EUA tinham acesso à fórmula "Novichok" desde 1999 : Alguém pode acreditar que fossem incapazes de reproduzi-lo?
    Russian State Secrets 


    Ver também: 
  • Lies Can Lead To War , Paul Craig Roberts

    O original encontra-se em Moon of Alabama e emwww.informationclearinghouse.info/48966.htm 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • domingo, 16 de agosto de 2015

    Revelações sobre a espionagem do Eliseu: o que devemos conhecer

    Revelações sobre a espionagem do Eliseu: o que devemos conhecer

    Liberation
    15.Ago.15 :: Outros autores
    As recentes revelações da Wikileaks sobre a espionagem por parte da NSA americana a altas figuras do Estado francês pouco acrescentam ao que já se sabia: que os EUA dispõem dos meios técnicos e da falta de escrúpulos necessária para vasculharem a privacidade do mundo inteiro. Mas o alto nível dos espiados mostra também a desconfiança que os dirigentes imperialistas depositam uns nos outros. Têm toda a razão.

    As opiniões francesas são quase unânimes a denunciar as escutas da NSA sobre personalidades políticas entre 2008 e 2012, segundo documentos publicados pelo Liberation e Mediapart em colaboração com a WikiLeaks.

    Várias personalidades políticas francesas apanhadas pela NSA.
    Segundo um extracto da base de dados de pessoas a escutar estabelecido pela TOPI (Target Office and Primary Interest) no fim do ano de 2010, a unidade da NSA encarregada de tratar das intercepções recolhidas, várias personalidades francesas de primeiro plano faziam parte dos seleccionados da NSA.

    Entre as personagens escutadas estão, para além do presidente da República, alguns dos seus conselheiros como Jean-David Levitte ou Claude Guéant. Figuram igualmente os ministérios das Finanças e da Agricultura, o número do posto de antena do Eliseu da célula do «telefone vermelho», os responsáveis da frota presidencial mas também altos responsáveis do Quai d’Orsay como o porta-voz Bernard Valeo ou Laurence Tubiana, que lideravam as negociações sobre o clima em Copenhague em 2009.

    Três presidentes no visor da NSA
    Os conteúdos dessas escutas que publicámos mostram uma selecção do que interessa aos analistas da agência americana.
    Assim, comentam uma discussão em 2006 entre o presidente Jacques Chirac e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Philippe Douste-Blazy.
    Sobre Nicholas Sarkozy, para além de uma análise do seu ego, os analistas comentam a inquietação do presidente em ser escutado, assim como a sua defesa dos interesses da família Pernod-Ricard nos Estados Unidos ou o seu desejo de ser mediador no Médio Oriente.
    François Hollande foi também objecto de uma escuta, as análises citam uma conversa que teve com Jean-Marc Ayrault a respeito de uma reunião secreta em 2012 com os opositores de Ângela Merkel para evocar o Grexit.

    Como espia a NSA essas personalidades?
    Os documentos obtidos pelo WikiLeaks mostram pouco sobre as técnicas utilizadas para interceptar as telecomunicações dos presidentes franceses e dos seus interlocutores. Mas sabe-se que há dez anos uma unidade especial instalou um posto de espionagem no telhado da embaixada dos Estados Unidos.
    Um outro meio poderiam ser os serviços de informação alemães. Em Maio de 2014, soube-se que o BND espiou por conta da NSA as instituições europeias, diplomatas europeus, o Quai d’Orsay e muitas empresas, nomeadamente a Airbus.
    «Em princípio, não deve haver espionagem entre países amigos e principalmente a nível de chefes de Estado ou do governo. Isso não quer dizer que não se faça, mas não podem ser descobertos», declarou o investigador François Heisbourg numa entrevista ao Liberation.
    Colocam-se na posição de tudo analisar e tudo escutar, numa sociedade obcecada pelo terrorismo, afirma Johan Hufnagel, num editorial publicado a 23 de Junho.

    Fonte: Liberation, 24 2015-08-06 

    segunda-feira, 13 de julho de 2015

    Brian Cloughley/ Mais Antics Espiando

    Mais Antics Espiando

    Brian Cloughley | 2015/07/13 | 00:00

    Rússia há muito necessária a capacidade de responder às contingências marítimo operando Landing Helicopter Dock (LHD) navios de assalto anfíbio. Os melhores navios disponíveis parecia ser o francês Mistral classe e, em 2009, da Rússia, então Chefe do Estado Maior General, general Nikolai Makarov, anunciou que «Estamos negociando a compra de um navio no presente e depois pretende adquirir 3-4 navios .. . »
    Como observado pela revista on-line bem informadoDefesa Indústria diário «a ordem Mistral poderia representar um passo fundamental na revitalização do sector de defesa naval da Rússia, na sequência da sua dizimação, na esteira da Guerra Fria,» e tudo parecia estar no caminho certo para mutuamente cooperação benéfica, com os dois primeiros navios sendo construídos em França. O contrato era para 1,36 bilhões de dólares e esse montante é significativo porque WikiLeaks acaba revelou«como os EUA tem tido uma política de uma década de espionagem económica contra a França, incluindo a interceptação de todos os contratos e negociações empresariais franceses no valor de mais de $ 200 milhões . Os documentos demonstram que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, longe de ser uma organização desonestos, está realizando uma política de espionagem económica criado pelo Diretor da Inteligência Nacional dos EUA ».
    Quem não é, presumivelmente, um trapaceiro, embora ele seja um mentiroso comprovado.
    Em 2013, em uma audiência do Congresso sobre palhaçadas de vigilância da NSA, o senador Ron Wyden pediu ao Diretor da Inteligência Nacional, James Clapper, se a sua Agência recolhidos «qualquer tipo de dados em tudo em milhões ou centenas de milhões de americanos» - a que Clapper respondeu não senhor; não wittingly ». Mas Clapper mentiu. Depois tornou-se evidente que agentes da NSA foram espionando incontáveis ​​milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo os seus colegas americanos, ele teve que admitir que a sua resposta à pergunta do senador Wyden era «manifestamente errada». Ele tentou se esquivar sua maneira fora de sua admissão de mentir - e conseguiu. Ele ainda é diretor e foi durante seu mandato que o contrato foi negociado Mistral.
    Um aspecto intrigante da história Mistral é que, como oeconomista observou , «Os norte-americanos deixou claro aos franceses que eles não estavam felizes [sobre o negócio Mistral] ... Para marinha da Rússia, que iriam aumentar a capacidade de projetar poder no Mediterrâneo Oriental e Pacífico do norte ». Os aspectos financeiros das negociações de Mistral não seria a única informação adquirida por Washington, como os detalhes completos de capacidades dos navios também seriam obtidos, em uma combinação de espionagem económica, política e militar contra a França, um país que é um colega da NATO, a ANS que revela Wikileaks tem acesso a: «comunicações dos funcionários franceses. Os documentos mostram US espionando o ministro das Finanças francês, um senador francês, funcionários dentro do Tesouro e Política Económica Direcção, o embaixador francês para os Estados Unidos, e funcionários com responsabilidade directa pela política comercial da UE. As interceptações revelam deliberação francês interno ea política sobre a Organização Mundial do Comércio, do Acordo de Parceria Trans-Pacífico, o G7 eo G20, o orçamento francês de 2013, o declínio da indústria automobilística na França, ea participação de empresas francesas no óleo para o programa Comida no Iraque durante a década de 1990 ».
    O catálogo das empresas francesas sobre o qual a NSA obtido ilegalmente informações comerciais sensíveis é impressionante. Na verdade, é a única coisa impressionante sobre toda a operação esquálido conduzida contra uma nação que tem sido um aliado próximo por mais de 60 anos. A lista incluiu BNP Paribas e Credit Agricole (bancos) e AXA (banca de investimento global), bem como os fabricantes de veículos Peugeot e Renault. Em seguida, houve Total (empresa de petróleo e gás) e laranja (comunicações multinacionais), e sem dúvida outras organizações, em relação aos quais a intercepção não houve ressalva (tais como «NOFORN») de segurança para excluir a passagem diante de informações comerciais por os EUA para seus parceiros dos 'Cinco Olhos "- os governos da Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Grã-Bretanha.
    Grã-Bretanha tem o governo mais anti-francês (ea mídia) na Europa e provavelmente do mundo, e é improvável que se passaram-se qualquer oportunidade de examinar relações comerciais franceses, especialmente porque há uma enorme concorrência entre os países em muitas esferas. Mas US spookery comercial não pára com a França. Países sul-americanos estão sendo alvo, especialmente o Brasil, que está perigosamente perto de se tornar uma ameaça econômica para os EUA, apesar de sua crise presente. Como revelado pelo Wikileaks, «não só a presidente Dilma Rousseff foi alvejado, mas também sua assistente, sua secretária, seu chefe de gabinete, seu escritório Palace e até mesmo o telefone em seu jato presidencial ... Os Estados Unidos ... travaram uma campanha de espionagem económica contra o Brasil, espionando os responsáveis ​​pela gestão a economia do Brasil, incluindo o chefe do seu Banco Central ».
    Um documento sobre NSA espionar Brasil observa que a sua intercepção «Goal» é «uma maior compreensão dos métodos de comunicação e seletores associados da presidente Dilma Rousseff e seus principais assessores».É classificado Top Secret - mas destacável para concorrentes comerciais do Brasil dos Cinco Olhos. E a ironia é que, quando a notícia quebrou a presidente Dilma Rousseff estava voltando de uma reunião com o presidente Obama em Washington - uma visita que ela cancelou dois anos atrás por causa de revelações anteriores do NSA de espionagem em seu país.
    Há uma longa lista de países cujos governos e as empresas estão a ser alvo, muitos deles defensores firmes dos Estados Unidos que estão tentando jogar para baixo a deslealdade flagrante de seu amigo poderoso. A Alemanha, por exemplo, está relutante em admitir ao mundo que seu principal aliado está espiando sobre ele, mas a publicação Der Spiegel tomou a exceção de ser alvejado e observou que «Já em 2013, o governo alemão estava em uma posição para suspeitar , se não conhecer a título definitivo, a extensão obsceno para que os Estados Unidos estavam espionando um aliado ».
    No entanto preto das circunstâncias, muitos contos de espionagem têm o seu lado divertido, ea traição de os EUA de tantos de seus aliados não é excepção. Como al Jazeera relatou em 5 de Julho, «US candidato presidencial democrata Hillary Clinton tem ... disse [que a China é] ... roubar segredos comerciais ... de empreiteiros da defesa, roubando enormes quantidades de informações do governo, todos à procura de uma vantagem ».
    Ao contrário dos Estados Unidos, que rouba segredos comerciais de seus aliados.
    Tags: Agência de Segurança Nacional NATO TTIP US Clapper

    sábado, 4 de julho de 2015

    ....“uma coisa do passado”?! / EUA espionaram ministros de Dilma e o avião presidencial

    EUA espionaram ministros de Dilma e o avião presidencial

    por Natalia Viana e Julian Assange* — publicado 04/07/2015 07h57, última modificação 04/07/2015 08h07
    Assessores pessoais da presidenta também foram grampeados pela NSA, revela o WikiLeaks. Por Natalia Viana e Julian Assange
    Celso Junior / Estadão Conteúdo
    Palocci-Espionagem
    Palocci, ex-ministro da Casa Civil de Dilma, foi um dos espionados


    Na mesma semana em que Dilma Rousseff realizou a primeira viagem presidencial aos Estados Unidos, informações secretas obtidas pelo WikiLeaksrevelam detalhes sobre a espionagem da NSA, sigla em inglês da Agência Nacional de Segurança, contra a presidenta e assessores próximos, ministros e um integrante do Banco Central.
    As informações, às quais a Agência Pública e CartaCapital tiveram acesso em primeira mão, revelam que a espionagem da NSA no início do governo Dilma centra-se não só na figura da presidenta, mas em integrantes ou ex-integrantes importantes do governo nas áreas econômica, financeira e diplomática. São 29 “alvos”. Entre eles, Antonio Palocci, então chefe da Casa Civil. 
    O celular do assistente da presidenta Anderson Dornelles, responsável por cuidar das ligações pessoais de Dilma, também estava na mira da NSA. Nem o avião presidencial escapou da bisbilhotagem norte-americana. 
    As informações provêm de uma base de dados usada pela NSA para selecionar “alvos” cujas comunicações devem ser analisadas. Os arquivos sobre alvos (ou “selectors”) brasileiros referem-se a 2011 e fazem parte de uma série de vazamentos realizados nas últimas semanas. 
    Recentemente, o WikiLeaks publicou uma lista de 69 nomes que seriam alvo da NSA na Alemanha, incluídos ministros e representantes para comércio, finanças e agricultura, além do assistente pessoal da chanceler Angela Merkel. Também foram publicados dois resumos de conversas interceptadas em 2011. Em uma delas, Merkel discute com seu assistente a crise grega. No fim de junho, o WikiLeaks revelou que os EUA espionaram o presidente francês, François Hollande, e dois ex-presidentes, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, além de ministros das Finanças e empresários. Em resposta, Hollande realizou uma reunião de emergência do seu gabinete e ligou em seguida para Obama, que garantiu que os EUA deixaram de fazer espionagem. O ministro de Relações Exteriores convocou o embaixador americano em Paris para pedir explicações. Merkel fez o mesmo.
    Diferentemente dos vazamentos europeus, os dados sobre o Brasil não contêm mensagens interceptadas, apenas enumera os alvos preferenciais dos EUA.   
    Para monitorar a chefe do Executivo, a NSA selecionou nada menos que dez telefones diretamente ligados a Dilma. São telefones fixos de escritórios, como aquele usado pelo comitê de campanha, em 2010, no Lago Sul de Brasília, celulares marcados como “relações de Dilma” (“liaison”, em inglês) e a linha fixa do Palácio do Planalto.
    Dornelles, assessor pessoal de Dilma, foi incluído na lista de “alvos” da NSA no primeiro ano do mandato e seu celular passou a ser atentamente monitorado.  O gaúcho de 35 anos, chamado pela presidente carinhosamente de “bebê” e “menino”, é há duas décadas seu fiel escudeiro. Começou a trabalhar como office-boy da presidente aos 14 anos, quando ela presidia a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, e a acompanhou em todos os cargos públicos desde então.  
    O tema de interesse em espionar Anderson Dornelles está descrito como “Brasil: Assuntos Políticos”. Espioná-lo era considerado prioridade de “nível 3” (todos os alvos brasileiros estão nesse mesmo patamar) para o governo dos EUA. Quanto mais baixo o número, segundo a classificação da NSA, maior a prioridade. 
    Dornelles-espionagem
    Dornelles, assessor pessoal da presidenta, também na lista dos espiões. Créditos: Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo
    Todos os alvos brasileiros têm prioridade “3”, enquanto os alemães são considerados prioridade “2”, assim como os presidentes franceses.
    Outro integrante espionado foi Antonio Palocci, que deixou o governo em junho de 2011, após denúncias de enriquecimento ilícito: seu patrimônio aumentou 20 vezes entre 2006 e 2010. O então ministro Palocci era o principal articulador político do governo. 
    A presidenta não era deixada em paz pelos ouvidos atentos da NSA nem mesmo quando estava em viagem. O telefone via satélite instalado no avião presidencial, o Airbus Força Aérea 1 também estava na mira. O avião é equipado com sistema de comunicação por satélite da empresa britânica Inmarsat, que opera 11 equipamentos posicionados em órbita geoestacionária ao redor da Terra. Nada disso evitou que os espiões norte-americanos pudessem acessar livremente o conteúdo das chamadas presidenciais a bordo do avião.  
    Assim como no caso de Alemanha e França, o novo vazamento do WikiLeaks é eloquente ao mostrar que o governo dos EUA tinha como alvos preferenciais negociadores da política econômica e, principalmente, financeira. Nelson Barbosa, hoje ministro do Planejamento, foi espionado quando era secretário-executivo do ministério da Fazenda. O número fixo assinalado pela NSA é usado ainda hoje pela secretaria.  
    Outro espionado foi o ex-chefe de gabinete do Ministério da Fazenda Marcelo Estrela Fiche, exonerado em dezembro de 2013. O embaixador Luís Antonio Balduíno Carneiro, que em 2011 era diretor do Departamento de Assuntos Financeiros do Itamaraty e hoje atua como diretor da Secretaria de Assuntos Internacionais do ministério da Fazenda, e o subsecretário de Relações Internacionais, Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel, também constam na lista. 
    A procuradora-geral da Fazenda, Adriana Queiroz de Carvalho, era outro alvo. Vinculada à Advocacia-Geral da União, a Procuradoria representa a União em disputas judiciais e dá assessoria jurídica ao ministério sobre créditos tributários, entre outros assuntos.
    Luiz Awazu Pereira da Silva, que se prepara para assumir a vice-presidência no Banco de Compensações Internacionais, considerado o banco central dos bancos centrais, não escapou. Era diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Posteriormente, comandou a Diretoria de Regulação do Sistema Financeiro e a Diretoria de Política Econômica do BC.  Nesse posto, atuou diretamente sobre a política de juros, como os aumentos ou redução da taxa Selic.
    Além dele, também foi espionado o atual embaixador brasileiro nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo Machado. O interesse em Machado teria relação com as negociações de acordos climáticos. Em 2011, eleera diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Itamaraty. Foi secretário-executivo da Rio+20 e chefiou ao menos três delegações brasileiras nas Conferências da ONU para o Clima. Machado assumiu o Itamaraty após a saída de Antônio Patriota, em 2013, e permaneceu até o fim do primeiro mandato de Dilma Rousseff. 
    A NSA monitorou ainda o telefone da residência do embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares Guimarães em Genebra, o atual embaixador na Argentina, Everton Vieira Vargas, quando era representante na Alemanha, e a embaixada brasileira em Paris, segundo os arquivos. Procurados, nenhum dos “alvos” quis se pronunciar. 
    As novas revelações do WikiLeaks mostram pela primeira vez os alvos específicos da NSA no Brasil. Em 2013, documentos vazados por Edward Snowden haviam revelado que milhões de e-mails e ligações de brasileiros e estrangeiros em trânsito no país foram monitorados. Snowden também revelou que as comunicações da Petrobras e de Dilma Rousseff eram espionadas.
    Em resposta, a presidente cancelou uma viagem aos EUA que estava agendada e criticou publicamente a espionagem americana na Assembleia-Geral da ONU. Junto com o governo alemão o Brasil propôs ainda à ONU uma proposta que prevê regras para garantir o direito à privacidade na era digital.
    Porém, antes da recente viagem aos EUA, Dilma Rousseff já dizia considerar o conflito como “uma coisa do passado”. Agora, depois da visita, considerada bem-sucedida, resta saber como o governo vai lidar com essas novas – e preocupantes – revelações. Afinal, pouco se sabe ainda sobre quais informações sigilosas foram acessadas e como isso foi usado para o benefício econômico e político dos americanos.
    O que dizem os documentos
    A base de dados publicada pelo WikiLeaks demostra como funciona o aparato de espionagem da NSA. Embora o órgão americano intercepte milhões de registros de telefonemas em diversos países, apenas alguns telefones são considerados alvos prioritários, aos quais os analistas devem estar sempre atentos.
    Para que a espionagem seja conduzida é necessário que ela siga uma ordem de “Necessidade de Informação” promulgada pelo Departamento de Inteligência Nacional. O código dessa autorização aparece em todas as comunicações, bem como a unidade dentro da NSA que é encarregada de espionar as conversas.
    Um documento de “Necessidade de Informação” de 2002, feito sob medida para espionar os franceses, estabelece como áreas de interesse informações sobre relações econômicas bilaterais, política macroeconômica e financeira, orçamento, contratos internacionais e negociações com instituições financeiras internacionais. Documento semelhante foi produzido sobre o Brasil, segundo consta na base de dados, mas seu teor não consta do vazamento do WikiLeaks.   
    *Colaborou Renan Truffi
    CC

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