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terça-feira, 11 de maio de 2021

Basta de repressão contra um povo inerme por FARC-EP

Basta de repressão contra um povo inerme por FARC-EP A tonta arrogância de Duque [1] é a causa desta bela sublevação da dignidade e do despertar das consciências. Fica a saber este governo de vândalos e monstros repressores que o povo tem a força para derrubá-lo. E o povo constatou que, se lutar unido sob a bandeira da mudança, não haverá mau governo que lhe resista. Se esse caudal bravio, de povo, for orientado em direcção ao Palácio de Nariño [2] , suportado por militares e polícias com sentimento de pátria e humanidade, teremos novo governo, ou pela força irresistível das massas ou pela via constitucional. Isso é seguro. Basta, Duque! Não mais repressão militar nem tratamento de guerra contra um povo inerme. Pare o uso desproporcionado da força. Não ataque o povo com helicópteros, nem o intimide com sobrevoos de aviões dia e noite sobre as cidades, não corte a energia eléctrica para disparar a moradores de bairros populares utilizando lentes de visão nocturna. Recolha seus sicários paramilitares que agora estão a disparar contra os dirigentes dos protestos. Atenda à exortação da ONU e da União Europeia a cessar a repressão. Responda pelos civis mortos e pelos desaparecidos. Não se lembre de decretar a comoção interior [3] porque o povo a esmagará e passará por cima dela. Ouça o povo e atenda suas reclamações. Presidente, não minta e não engane mais. É muito cínico da sua parte afirmar que o protesto é financiado pelos bandos do narcotráfico, quando o senhor chegou à presidência graças ao financiamento desses bandos da máfia. Esses dinheiros do narcotráfico que converteram o senhor em presidente da Colômbia foram colectados pelo seu amigo Ñeñe Hernández. Por acaso já se esqueceu? Seu pai político, o genocida inominável [4] , é o fundador deste narco-Estado que temos. E isso pesa muito na hora de falar. Conclamamos os integrantes da força pública a não se deixarem utilizar mais por oligarcas egoístas e violentos, que converteram uma instituição – que por mandato do Libertador [5] deve defender as garantias sociais – num exército privado, guardas dos seus lucros e garantidores da sua permanência no poder. Definitivamente não há respeito pelo povo uniformizado. Os senhores também podem ser como Chávez, como Torrijos [6] , como Velasco Alvarado [7] e o coronel de Abril, Francisco Caamaño [8] . O posto dos senhores é ao lado do povo e com o próprio povo – em unidade cívico militar –, apoiar o pacto ou acordo político nacional para o estabelecimento de um novo governo de paz completa, democracia verdadeira, justiça social e soberania pátria. FARC-EP Segunda Marquetália 06/Maio/2021 [1] Iván Duque Marquez, actual presidente da Colômbia. [2] Palácio da Presidência da República. [3] Estado de emergência. [4] Refere-se a Álvaro Uribe Velez. A sua biografia não autorizada está aqui . [5] Simón Bolívar. [6] Omar Torrijos, comandante da Guarda Nacional do Panamá, assassinado pela CIA num acidente simulado de aviação. [7] General Velasco Alvarado, ex-presidente do Peru que iniciou a Reforma Agrária no país e promoveu reformas progressistas. [8] Coronel Francisco Caamaño, que em 1965 restabeleceu a democracia na República Dominicana até que o seu país ser invadido por tropas dos EUA e do Brasil. Este documento encontra-se em https://resistir.info/ .

sábado, 26 de dezembro de 2020

Resposta à carta de Piedad Córdoba Ruiz

 

Resposta à carta de Piedad Córdoba Ruiz

por Iván Márquez e Jesús Santrich

Iván Márquez e Jesús Santrich.Montanhas da Colômbia, 9 de Dezembro de 2020

Doutora Piedad Córdoba Ruiz
Bogotá

Cordial saudação.

Compartilhamos sua preocupação pelo afundamento do Acordo de Paz no mar profundo mar da perfídia do Estado, sentimento que também impacta a imensa maioria dos nossos compatriotas que, tal como a senhora, também quiseram fazer algo para salvar o mais belo sonho dos colombianos.

Com as recentes revelações do Espectador – diário que pratica um novo jornalismo – o país nacional tem mais razões para retomar, com toda a sua força, a luta pela paz, o mais elevado de todos os direitos; o direito síntese sem o qual não têm vida os demais direitos; porque paz com massacres não é paz, paz sem terra, sem democracia, sem alimento, sem tecto, sem emprego, sem educação, sem um bom salário, não é paz.

Pergunta Piedad Córdoba, "O que é preciso para recompor o maltratado Acordo de Havana do qual os senhores são subscritores no carácter de plenipotenciários? Será factível – indaga – o restabelecimento do acordado em Havana pelos senhores e pelo Estado colombiano? Será possível reparar o dano à paz infligido pelo Estado colombiano e seus funcionários?".

O dano já está consumado, Piedad. Deveria haver sanção para os que destruíram e despedaçaram a paz de um país que a necessitava e continua a necessitar mais que ninguém. Para hoje desenvolver qualquer esforço em favor da solução política do conflito temos que encadear primeiro a traição e a perfídia do Estado e, ao mesmo tempo, levantar um altar consagrado ao respeito do princípio da negociação Pacta Sunt Servanda , porque os acordos são para serem cumpridos. As condições da Jurisdição Especial e as obrigações que estabelece devem ser para todas as partes envolvidas no conflito, não para uma só. Os que determinam a violência a partir da cúpula do Estado actuam como uns covardes mortos de medo frente à verdade. É o caso do ex-presidente Uribe que, tendo sido o cérebro dos falsos positivos e comandante em chefe do paramilitarismo, pensa que pode esconder sua responsabilidade por trás dos estrondos de uma guerra perpétua. Queremos que termine já esse jogo de estender no tempo a impunidade do monstro com manobras desavergonhadas do seu gabinete de advogados, que aspira a que o encerramento do ciclo biológico do seu defendido torne inaplicável, pela idade ou pelo que for, a sanção judicial que merece. Deve gerar conflito moral defender crimes de lesa humanidade e sentir que se actua como advogado do diabo.

Como que por uma intervenção dos céus e graças à actuação de uma imprensa independente, já se identificaram plenamente os personagens e instituições que, em conluio para delinquir, sabotaram a paz da Colômbia. Da esquerda para a direita – como numa fotografia – aparecem o governo dos Estados Unidos representado pelo Departamento da Justiça e ao seu lado o bandido Néstor Humberto Martínez, ex-procurador geral da Nação (o qual sempre ameaçou iniciar uma guerra judicial assim que cessasse a guerra com as armas). Eles encarregaram-se das montagens judiciais para minar a paz.

A seguir, aparecem os poderes públicos. Apesar de as partes haverem admitido que a razão principal do conflito repousava na questão da posse da terra, o executivo resolveu não titular nem dar terra aos camponeses para não desencadear a ira das vacas sagradas do latifúndio. Mudou arbitrariamente o compromisso de substituição de cultivos de uso ilícito pela erradicação forçada. Persegue só o camponês pobre e não incomoda os banqueiros e empresários lavadores de activos provenientes do narcotráfico. Por falta de compromisso o Governo preferiu afundar a reforma política centrada na participação cidadão, na reforma eleitoral, a luta contra a fraude e a compra de votos, as circunscrições eleitorais especiais de paz. Também se fez de desentendido quanto às garantias de segurança física que tinha de conceder aos líderes sociais nos territórios e aos ex-combatentes. Duque terminou falando de "paz com legalidade", um sofisma para apunhalar a JEP pelas costas. E os legisladores encerram a foto. Muitos deles armaram no Congresso a bacanal das feras e, com o pretexto da implementação normativa dos Acordos, alteraram a seu bel-prazer a letra dos mesmos. Nisto teve uma enorme responsabilidade o Tribunal Constitucional (o outro poder) que, de maneira incoerente, depois de sentenciar no sentido de que o acordo não podia ser modificado nos próximos três governos, terminou por autorizar a alguns legisladores sem bom senso a destroçá-lo.

A isso se chama perfídia e traição. Não há direito de se arrebatar desta maneira o direito à paz dos colombianos. Por agora conseguiram que a possibilidade de por fim a 50 anos de conflito interno se nos escorresse como água entre os dedos.

A paz só pode ser assegurada pelo povo, seus dirigentes, o movimento social e político voltado nas ruas e em toda a geografia da pátria. Assiste-nos a certeza de que pode ser alcançada através de uma grande aliança das forças da concórdia, com o propósito abertamente político de se constituir em governo. Só um governo de coligação democrática com todas as lideranças multicolores, apoiado pelo voto popular, poderá estabelecer a paz completa que reclama o país convocando imediatamente ao diálogo as organizações insurgentes e, por outro lado, os agrupamentos sucessores do paramilitarismo. Mas necessitamos unir-nos todos, o movimento social e os partidos (de esquerda, liberal, conservador, os sem partido), os militares que sempre aspiraram a paz para a Colômbia. Todos unidos teremos conformado a potência transformadoras da mudança política e social garante da paz.

Piedad, na realidade nossos amigos de coração não estão tristes porque regressamos à montanha e sim felizes porque continuamos vivos e em liberdade, com uma visão de paz mais precisa, mais completa e humana, resguardada de toda perfídia – e sobretudo abençoada pelo anseio infinito de todo um povo; visão que foi claramente exposta no manifesto das FARC-EP, Segunda Marquetalia, de Agosto de 2019.

Atentamente,
Iván Márquez, Jesús Santrich

Esta carta encontra-se em https://resistir.info/ .

 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Movimentos da Colômbia protestam há mais de 20 dias; governo responde com repressão

Jornada de protestos nacional, com bloqueios de vias e paralisação no campo, exige diálogo com o presidente Iván Duque

Mais de 12 mil integrantes de movimentos indígenas, camponeses, afrocolombianos e outras organizações populares realizam, desde o dia 10 de março, uma série de protestos para exigir que o governo colombiano, do direitista Iván Duque (Partido Centro Democrático), se reúna com as lideranças sociais e cumpra os acordos estabelecidos durante as jornadas anteriores.
Intitulada “Minga pela Defesa da Vida, do Território, da Democracia, Justiça e Paz”, a jornada teve início no norte do departamento de Cauca, um dos territórios mais afetados pelo conflito armado no país. Dez dias após o início dos protestos na região, a mobilização ganhou caráter nacional e acontece em pelo menos seis outros territórios da Colômbia.
Conforme a mobilização pelo diálogo nacional cresce, o governo colombiano, após afirmar que “as vias de fato não contribuem para criar confiança", responde com mais repressão.
Nesta terça-feira (02/04), a Minga colombiana reportou o assassinato de um manifestante camponês, identificado como Deiner Yunda Camayo, de 20 anos, pelo Esquadrão Móvel Antidistúrbios (ESMAD), uma força de operações especiais da Polícia Nacional da Colômbia, ativada pelo governo Duque para reprimir os protestos.
A morte do camponês teria sido causada por um disparo de arma de fogo contra os manifestantes durante um protesto que bloqueou uma rodovia em Cauca, outros seis manifestantes ficaram feridos, segundo informações da teleSUR.
Diante da negativa do presidente de atender aos pedidos dos líderes que organizam a Minga, que exigem que Iván Duque compareça ao território de Cauca para discutir os acordos, os manifestantes anunciaram, no último domingo (31), o rompimento das tentativas de diálogo com o governo.
Duque não compareceu ao encontro acordado e agendado para o dia 12 de março, e os manifestantes não aceitaram dialogar com a representante enviada pelo governo, a ministra do Interior Nancy Patricia Gutiérrez.
O governo afirmou, então, que uma nova tentativa de diálogo seria iniciada nesta terça, mas o quadro de repressão desta tarde pode dificultar a negociação entre as duas partes.
Após a repressão e a morte do camponês, a Minga divulgou uma carta através da qual faz um apelo direcionado aos organismos de direitos humanos nacionais e internacionais, como a Missão de Apoio ao Processo de Paz na Colômbia (OEA) e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, para que acompanhem os familiares da vítima fatal e intervenham no conflito.
Reivindicações
Entre os principais pontos que compõem a agenda de mobilizações das comunidades afetadas estão:
- O cumprimento dos mais de 1.200 acordos não cumpridos pelos governos anteriores em mais de 20 anos; entre eles, o cumprimento dos acordos assinados entre o Estado e as FARC, em 2016, e o restabelecimento das negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), principal força insurgente no país;
- A defesa da vida, da paz e dos direitos humanos, pois destacam que após o Acordo de Paz firmado em 2016, cerca de 117 lideranças indígenas foram assassinadas;
- A reformulação do Plano Nacional de Desenvolvimento, que atualmente está baseado no modelo de mineração extrativista e autoriza métodos como o fracking (técnica de extração de gás de xisto ou folhelho), rejeitado pelas comunidades locais. Os manifestantes exigem ainda que seja incluído um capítulo especiais sobre as comunidades indígenas e afro-colombianas, com um orçamento próprio para estas populações.
Governo
As demandas das comunidades e movimentos que organizam a Minga contrastam com a linha política do governo de Iván Duque, que assumiu em agosto de 2018 em meio a uma série de conflitos, como o aumento no número de assassinatos de líderes sociais e o acirramento da guerra armada e da atuação de paramilitares em territórios indígenas e camponeses.
Considerado herdeiro de Álvaro Uribe, um dos ex-presidentes direitistas do país, Duque baseou sua campanha em severas críticas ao acordo de paz firmado com as FARC e têm dificultado o avanço nas negociações com o ELN. 
Em declarações recentes, Duque chegou a afirmar que seu antecessor, Juan Manuel Santos, “fez acordos impossíveis de cumprir”.
Minga
A Minga Social é uma articulação permanente protagonizada por comunidades indígenas, camponesas e populares que, a cada dois ou três anos, realiza grandes jornadas de luta no território colombiano, incluindo paralisação das atividades agrícolas e bloqueio das principais vias do país, como forma de pressionar o governo por mudanças sociais. A última foi realizada em 2016, durante 13 dias, quando os manifestantes conquistaram uma série de acordos que ainda não foram cumpridos.
Minga, em quechua minka, é a forma de organização comunitária ancestral indígena que segue vigente em diversos países da América do Sul, como Colômbia, Peru, Equador, Bolívia, Chile e Paraguai.
*Com informações do Colombia Informa e da teleSUR.
Colombia Informa 
Mais de 12 mil integrantes de movimento sociais realizam uma série de protestos para exigir que o governo colombiano cumpra acordos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Santos e Tymoshenko se reunirão em Havana para acelerar o processo de paz

Santos e Tymoshenko se reunirão em Havana para acelerar o processo de paz

Neste artigo: Colômbia, Cuba, diálogos de paz, FARC-EP, Juan Manuel Santos
23 de setembro de 2015 + |  
Ivan Marquez-Twitter
O chefe de equipe da Armada Colômbia Exército Revolucionário do Povo (FARC-EP), Timoleon Jimenez Forças chegou na quarta-feira a Havana para se reunir com o presidente Juan Manuel Santos para acelerar as negociações de paz.
O Twitter de Ivan Marquez mostra uma imagem em que o líder rebelde com o fiador para Cuba, Rodolfo Benitez aparece.
Twitter o presidente colombiano.
Twitter o presidente colombiano.
Em sua conta no Twitter, o presidente colombiano escreveu "vai parar em Havana para a reunião com os negociadores chave para acelerar o fim do conflito. Paz está à mão. "
Meios de comunicação colombianos dizem que o governo e as FARC-EP estão prestes a concluir um acordo sobre justiça de transição fundamental, que incluiria a criação de um tribunal especial, cujas sentenças não seria pago com prisão.
Ao tomar conhecimento desse desenvolvimento, Santos disse que "nem todo mundo vai ser feliz" com o acordo e disse que "não importa onde você desenhar a linha um, alguns permanecem insatisfeitos em ambos os lados, alguns vão querer mais paz, justiça e outros querem mais estamos nestas negociações neste momento. "
"Nem todo mundo vai ser feliz, mas tenho certeza que, eventualmente, será muito melhor", insistiu o presidente colombiano.
Desde novembro de 2012, delegações de paz das FARC eo governo estabeleceu um Escritório de negociações para alcançar a paz na nação que vive um conflito armado há mais de meio século.
CubaDebate
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