*

*
*

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Paul Craig Roberts / A guerra do ocidente à verdade

A guerra do ocidente à verdade


por Paul Craig Roberts
A "guerra ao terror" tem sido simultaneamente uma guerra à verdade. Durante quinze anos – desde o 11/Set até às "armas de destruição em massa" de Saddam Hussein e às "conexões al Qaeda", "ogivas nucleares iranianas", "utilização de armas químicas por Assad", mentiras infindáveis acerca de Kadafi, "invasão russa da Ucrânia" – os governos das assim chamadas democracias ocidentais consideraram essencial alinharem-se firmemente às mentiras a fim de prosseguirem suas agendas. Agora estes governos ocidentais tentam desacreditar os que contam verdades e desafiam as suas mentiras.

Serviços noticiosos russos estão sob o ataque das presstitutas da UE e do ocidente, fornecedoras de "falsas notícias". www.globalresearch.ca/... Obedecendo às ordens dos seus mestres de Washington, a UE aprovou de facto uma resolução contra os media russos por não seguirem a linha de Washington. O presidente russo afirmou que a resolução é um "sinal visível da degradação da ideia de democracia na sociedade ocidental".

Tal como previu George Orwell, dizer a verdade é agora encarado pelos governos "democráticos" do ocidente como um acto hostil. Um sítio web totalmente novo, propornot.com, acaba de surgir condenando uma lista de 200 sítios web da Internet que apresentam notícias e visões em desacordo com os media presstitutos que servem agendas de governos.http://www.propornot.com/p/the-list.html Será que o financiamento de propornot.com vem da CIA, do National Endowment for Democracy ou de George Soros? Tenho orgulho em dizer que paulcraigroberts.org está na lista.

O que aqui vemos é o ocidente a adoptar o modo como os sionistas de Israel trata os críticos. Qualquer um que faça objecções ao tratamento cruel e desumano de palestinos por parte de Israel é demonizado como "anti-semita". No ocidente aqueles que discordam de políticas assassinas e brutais de responsáveis públicos são demonizados como "agentes russos". O próprio presidente eleito dos Estados Unidos foi designado como "agente russo".

Este esquema de redefinir como propagandistas os que contam a verdade saiu pela culatra. O esforço para desacreditá-los produziu, ao invés, um catálogo de sítios web onde pode ser encontrada informação confiável e os leitores estão a acorrer aos sítios da lista. Além disso, o esforço para desacreditar os que dizem a verdade mostra que governos do ocidente e seus presstitutos são intolerantes à veracidade e à diversidade de opinião, assim como estão empenhados em forçar o povo a aceitar como verdadeiras as mentiras em causa própria dos governos.

Evidentemente, os governos e os media ocidentais não têm respeito pela verdade. Assim, como pode o ocidente ser democrático?

O presstituto Washington Post desempenhou o papel que lhe foi assinalado na pretensão apregoada por Washington de que os media alternativos consistem de agentes russos. Craig Timberg, o qual parece destituído de integridade ou de inteligência, e talvez de ambos, é o pateta do WaPo que redigiu a notícia falsa de que "duas equipes de investigadores independentes" – nenhuma das quais foi identificada – descobriu que os russos exploraram minha credulidade, a do CounterPunch, do Professor Michel Chossudovsky do Global Research, Ron Paul, Lew Rockwell, Justin Raimondo e de 194 outros sítios web para ajudar "um candidato insurgente" (Trump) "a pretender a Casa Branca".

Observe-se a expressão aplicada a Trump – "candidato insurgente". Isto lhe diz tudo o que precisa saber.

Pode ler aqui o que passa por "noticiário confiável" no presstituto Washington Post: www.washingtonpost.com/... Ver também:www.alternet.org/... e Glenn Greenwald de The Intercept, o qual de alguma forma escapou à inclusão na lista dos 200, trata de Timberg e do Washington Post aqui: theintercept.com/...

As desculpas dos governos ocidentais começam a esgotar-se. Desde o regime Clinton, a acumulação de crimes de guerra cometidos por governos ocidentais excedeu aqueles da Alemanha nazi. Milhões de muçulmanos foram massacrados, deslocados e desalojados em sete países. Nem um único criminoso de guerra ocidental foi responsabilizado.

O desprezível Washington Post é um apologista primário destes crimes de guerra. Todos os media impressos e de TV do ocidente estão tão fortemente implicados nos piores crimes de guerra da história humana que, se a justiça alguma vez chegar, os presstitutos estarão lado a lado no banco dos reus com os Clintons, George W. Bush e Dick Cheney, Obama e seus operacionais neocon ou manipuladores. 
27/Novembro/2016

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Continuam condolências na Síria por falecimento de Fidel Castro

Continuam condolências na Síria por falecimento de Fidel Castro


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Camila Rodrigues da Silva / Movimentos vão à Brasília contra PEC 55, que deve ser votada nesta terça



Movimentos vão à Brasília contra PEC 55, que deve ser votada nesta terça 

Caravanas chegam à capital federal no mesmo dia da votação da antiga PEC 241 em primeiro turno no Senado



30479856404_2509f74892_z.jpg
Protesto contra PEC 55 (extinta PEC 241) ocorrido no Rio de Janeiro (RJ), na sexta-feira (25) / Mídia Ninja

Do Brasil de Fato

Movimentos populares de várias partes do Brasil realizam diversas caravanas rumo à Brasília (DF). Eles pretendem acompanhar a votação, nesta terça-feira (29), em primeiro turno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, a antiga 241.

Batizada de “Ocupa Brasília”, a mobilização conta com os esforços das frentes Brasil Popular (FBP) e Povo sem Medo, e será acompanhada por diversos protestos simultâneos em cidades por todo o país.

A concentração da marcha Ocupa Brasília ocorrerá nesta terça em frente ao Museu na Esplanada dos Ministérios, às 16h. A caminhada deve ir até o Congresso Nacional e, a partir das 18h30, os manifestantes acompanharão a votação.

Crítica

As frentes (que articulam diferentes organizações feministas e de juventude, entidades sindicais e movimentos populares) criticam a PEC 55 sob o argumento de que ela terá impactos negativos sobre a vida das parcelas mais pobres da população.

"A PEC é a materialização do golpe. Ele não veio apenas para retirar a presidenta Dilma do governo. A Proposta retira renda dos trabalhadores", aponta Raimundo Bonfim, integrante da Central de Movimentos Populares (CMP), organização que participa da FBP. Em sua opinião, ela se articula a outras medidas que, se aprovadas, devem piorar a vida dos brasileiros: a reforma trabalhista e previdenciária.

O governo não eleito de Michel Temer (PMDB) defende a PEC sob o argumento de que são necessários cortes em um momento de crise. Natália Szermeta, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), organização que integra a Povo Sem Medo, discorda dessa justificativa.

Segundo ela, a proposta é uma “coisa nunca vista em nenhuma parte do mundo”. "A crise econômica não vai durar 20 anos, e o crescimento no futuro não vai poder ser revertido em investimentos públicos", argumenta.

Szermeta também contesta analogias feitas pelo Executivo Federal entre a economia brasileira e o orçamento de uma família. Em sua visão, ao contrário do que o governo diz, a PEC significaria que “trabalhador brasileiro tem que economizar no orçamento da família, cortando no leite da criança". "Não é aí que se corta. O que se tem de cortar são as regalias".

Para Bonfim, que também discorda que a PEC 55 seja uma solução para a crise, há alternativas à limitação de investimentos públicos. O militante analisa que o debate que está sendo feito pelo governo "não enfrenta a questão da sonegação fiscal, da taxação de grandes fortunas", possibilidades para se aumentar a arrecadação.

Mobilização

“O ato ganhou uma dimensão muito grande. As pessoas estão se organizando nas escolas ocupadas e nas universidades, e fazendo atividades, rifas, saraus para arrecadar recursos para ir até Brasília”, afirma Bonfim. Segundo ele, a conjuntura política também irá politizar os protestos desta terça.

Os organizadores da marcha em Brasília não têm números sobre a quantidade de pessoas que se dirigem à capital federal para acompanhar a votação de terça-feira.

“Além da pauta em relação à PEC, nós também estamos levando para as ruas do país a questão do impeachment de Temer, dado que ele foi pego cometendo, no mínimo, crime de advocacia administrativa, por ter se utilizado do cargo para patrocinar interesses particulares”, diz o militante da CMP.

A Frente Povo sem Medo defende que, em última instância, uma possível aprovação da PEC tenha de ser validada pela população. A ideia faz parte de emenda protocolada por senadores críticos à PEC que propõe um referendo após a votação no Legislativo.

“Além de ser uma PEC que prejudica a vida dos mais pobres, é uma proposta absolutamente autoritária: o governo não dialogou com nenhum setor da sociedade civil. O Congresso Nacional representa cada vez menos a sociedade brasileira. No mínimo, [a PEC 55] deveria se submeter a uma consulta pública", critica Szermeta.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Filipe Diniz / Reescrever a História…

Reescrever a História…

 Filipe Diniz     28.Nov.16     Colaboradores
Já se adivinhava como a direita iria evocar a Revolução de Outubro de 1917: com a reescrita e a falsificação histórica. Nada de surpreendente. Os trabalhadores e os povos irão celebrá-la. O grande capital de hoje olhará para ela com os mesmos olhos e o mesmo temor com que a reacção mundial viu, há 100 anos, a eclosão revolucionária do árduo processo de construção de uma sociedade nova, liberta da exploração do homem pelo homem.

Ainda agora começa, mas já se adivinhava há muito a forma como a direita iria evocar a Revolução de Outubro de 1917. Na tribuna electrónica da direita mais assumida – o “Observador” – um elucidativo artigo (19.11.2016). Abre com uma citação, cuidadosamente truncada, de «Dez dias que abalaram o mundo». Onde quer chegar é que («segundo o historiador húngaro Peter Kénez») o assalto ao Palácio de Inverno se passou tranquilamente, e os bolcheviques, «poucos e desorganizados», depois de ocuparem «os edifícios públicos mais importantes, as redacções dos principais jornais e as estações de caminhos-de-ferro» se limitaram a tomar «o último reduto de resistência em Petrogrado». Fora «uma noite tranquila».
Não mereceria a pena mencionar a violência que antecedeu essa noite dita «tranquila»? Não se verificara em Agosto o motim encabeçado por Kornilov, que exigia a instauração da pena de morte não só na frente de combate mas também na retaguarda? Não abandonara o Comando Supremo Riga às tropas alemãs, esperando que elas reforçassem os kornilovistas e Kerenski contra os operários e soldados de Petrogrado? Não tentava o governo provisório mobilizar tropas para esmagar a insurreição camponesa? Não assumiam ao mesmo tempo extrema violência o aumento dos preços dos produtos de consumo e a degradação dos salários dos operários?
E não foi precisamente a resistência organizada contra tais violências que alterou de forma decisiva a correlação de forças a favor do movimento revolucionário? Não fizera ela crescer o número de sovietes e a influência dos bolcheviques neles? Não passaram a contar-se por dezenas de milhares os combatentes organizados nas Guardas Vermelhas (com, por exemplo, 12 destacamentos só na fábrica Putílov)? Não crescera de forma esmagadora a organização dos marinheiros na Esquadra do Báltico, a que pertencia o cruzador «Aurora»? Não foi a tão duramente conseguida organização militar, social, política que permitiu esse final de «noite tranquila»?
Há muito que estamos habituados à reescrita da História pelos vencedores (incluindo alguns palermas). Mas nenhuma reescrita poderá diminuir o fulgurante acontecimento que inaugurou a época da passagem do capitalismo ao socialismo.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2243, 24.11.2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Democracia Popular / India :"guerra de dinheiro" golpe monetário contra o povo



Combater esta "guerra de dinheiro" nas Pessoas



A "guerra de dinheiro", declarou o primeiro-ministro Narendra Modi sobre os povos indígenas é exigente um forte impacto sobre as pessoas. Dezenas de pessoas, homens, mulheres e crianças morreram como resultado da miséria infligida pela retirada de 1.000 e 500 notas da rupia. Até 22 de novembro de mais de 75 mortes foram relatadas em todo o país eo número continua montagem.
Alguns morreram em pé nas filas fora dos bancos e caixas eletrônicos na interminável espera para acessar o dinheiro que é a sua própria. Alguns morreram tragicamente cometer suicídio, porque eles são incapazes de satisfazer as despesas de casamento de sua filha ou, como no caso de um estudante Sc idade B de 18 anos no distrito de Banda, em Uttar Pradesh, que se enforcou depois de não conseguir retirar dinheiro de um banco para pagar os seus honorários para o exame.
Entre os que morreram por causa da falha para receber tratamento médico oportuno é o caso comovente de Nandini Namahta. Esta filha de 12 anos de um membro da comissão distrital CPI (M) em Ghatshila em Jharkhand tipifica o sofrimento infligido pelos anti-povo desmonetização esquema. Nandini estava sofrendo de malária cerebral, mas não podia ser transferido para um hospital em Jamshedpur porque o transporte não poderia ser contratado com as 500 notas da rupia que seu pai tinha. Sua família teve que assistir, impotente, ela morreu.
Estas histórias individuais de angústia e tragédia são parte da crise global que atingiu as pessoas que trabalham que perderam seus meios de subsistência, parcas economias e fome face. 
São essas pessoas comuns visitados por uma calamidade além de seu controle, que foram descritos por Narendra Modi como pessoas que estão se regozijando em sua medida de negrito e como aqueles que estão dormindo tranquilamente à noite.
A resolução aprovada pelo Partido Parlamentar BJP louvando o esquema desmonetização descreveu as filas fora dos bancos do "homem comum e outras pessoas honestas" como a "profunda declaração mais alguma vez feito em nosso país nos últimos tempos". Não há uma palavra de tristeza ou arrependimento para as pessoas que tiveram que morrer de pé em filas. Aqui está um primeiro-ministro eo partido no poder que é bebido com a arrogância do poder, que os cegou para as agonias e sofrimentos do povo.
Os partidos de esquerda têm dado uma chamada para um protesto de uma semana a partir de 24 de Novembro a 30 contra este ataque implacável sobre as pessoas. Toda a oposição chamou para a observação de 28 de novembro como Akrosh Divas. Um protesto poderoso deve ser montado para dar uma resposta condizente com o regime Modi desumana.
(24 de novembro de 2016)

Pacote anticorrupção feito pelos corruptos?!

Código Penal

Após vaivém na Câmara, entenda como ficou o pacote anticorrupção

por Justificando — publicado 28/11/2016 00h45
Restrição ao habeas corpus e admissão de provas ilícitas ficaram de fora do texto final. Negociação de pena e recompensa para delatores estão na pauta
Lula Marques / AGPT
10 Medidas
Deputados debatem no plenário o projeto, que teve análise adiada para terça-feira 29



Propostas inicialmente pelo Ministério Público Federal, as “10 medidas contra a corrupção” vêm sofrendo intensas mudanças desde que foi levada à Câmara dos Deputados. Nessa semana, a cada relatório aprovado, muitas figuras saíam de cena, enquanto outras entravam, tornando o cenário instável e suscetível a qualquer alteração até a aprovação definitiva, além de contribuir para a desinformação sobre o tema.
Atualmente, algumas figuras clássicas das dez medidas estão fora do pacote a ser aprovado, como a restrição ao habeas corpus e a admissão das provas ilícitas. Pontos fundamentais de críticas pelos mais diversos setores, essas medidas foram descartadas pelo projeto de lei substitutivo, o qual é uma alternativa proposta por parlamentares à discussão original. Se ele não for aprovado pela Câmara, vota-se o primeiro projeto.
Plea Bargain
No projeto substitutivo, algumas figuras causam intensa preocupação. É o caso, por exemplo, do plea bargain, isto é, a negociação de pena entre acusação e réu antes de começar um processo criminal. Tal figura é trazida muitas vezes em filmes norte-americanos, que abordam a questão que se tornou uma das principais catalisadoras do hiper encarceramento do país.
Para o Juiz de Direito Rubens Casara, o projeto tenta introduzir no país algo que fracassou e está sendo abandonado no exterior. “Esse modelo de “acordo”, no qual a vontade de uma das partes é viciada pela coação consistente na ameaça de uma pena mais grave, fez parte do projeto que gerou o grande encarceramento nos Estados Unidos da América, país em que a liberdade é tratada na lógica neoliberal como mais uma mercadoria. 
“Lá a maioria dos estudiosos percebeu que não deu certo, aqui querem importar essa fórmula ineficaz e perversa”, complementa.
Para Antônio Pedro Melchior, Advogado Criminalista e Professor na Escola da Magistratura do Rio Janeiro, a Justiça Criminal negocial do Brasil está totalmente fora de controle, com delações sendo utilizadas como formas de sair da prisão. O estabelecimento do plea bargain em massa significaria uma profunda crise no sistema punitivo brasileiro.
"É o fim do Processo Penal como exercício da jurisdição, porque a gente sabe como essas negociações entre acusado e MP funcionam", argumenta.  
Reintrodução de um serviço de inteligência para apurar denúncia de corrupção
Outra questão que sequer foi debatida mas consta no projeto atual é o chamado “Programa de Proteção e Incentivo a Relatos de Informações de Interesses Público”, que institui Comissões de Recebimento de Relatos, que são todo um aparato de recebimento de denúncias de corrupção e que os processo de forma um tanto quanto sigilosa, para, caso entenda como relevante, encaminhar aos órgãos de acusação. Os membros dessa comissão julgadora teriam mandato de no mínimo dois anos e poderiam analisar denúncias de qualquer um do povo.
Para a Advogada Criminalista Maíra Machado, essa espécie de Tribunal se assemelha muito ao SNI (Sistema Nacional de Informações). “É mais uma proposta absurda em nome da guerra anti corrupção. Essa proposta, ao que parece, Reintroduz o Serviço Nacional de Informações, mas de modo melhor estruturado”.
SNI era um departamento de inteligência da época do governo militar que processava casos internos em setores públicos para averiguar alguma denúncia de corrupção, como também para servir ao patrulhamento ideológico. O serviço foi extinto na redemocratização.
Recompensa para os delatores
Um ponto de destaque é a recompensa em dinheiro para delatores, os quais podem ser qualquer um do povo e nem precisa ter relação com a causa. “Parece Velho Oeste”, afirma Victoria de Sulocki, Presidenta da comissão de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). Ou seja, alguém diz algo sobre algum suposto esquema e se vier uma condenação, essa pessoa recebe de 10 a 20% do valor recuperado.
Ela explica que o que está sendo implantado é “copia e cola” do modelo norte-americano. Ocorre que se as 10 medidas quase não tiveram debate, estas então não tiveram absolutamente nenhum, ainda que introduzem na legislação profundas mudanças que implicam diretamente na vida das pessoas. 
Anistia para o caixa 2, Aumentos de penas e fim da prescrição
A única medida que é consenso de conhecimento é a anistia do caixa dois para políticos, o que tem sofrido uma série de críticas. Ocorre que isso é apenas uma minúscula parte do projeto que ainda aumenta as penas de crimes, medida essa historicamente ineficiente no combate a qualquer crime que seja, além do fim da prescrição.
prescrição é a punição ao Estado pela vagareza no exercício do direito de punir alguém. Quando se é processado criminalmente, a pessoa não pode responder ao processo durante toda sua vida, pois a angústia traduziria-se numa pena perpétua. Além disso, é direito tanto do acusado, como também de toda sociedade que o processo judicial tenha uma duração razoável e a prescrição atua justamente para estimular que a discussão ocorra dentro de um tempo aceitável.
O que o projeto faz é justamente adotar uma série de impeditivos e relativizações da prescrição que acabam por eliminá-la por completo, sob o argumento de que o processo se estende por “chicana” e recursos infinitos de advogados.
Para o Professor René Ariel Dotti, da Universidade Federal do Paraná, trata-se da "mutilação do instituto da prescrição"Em artigo publicado no Boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Dotti rebateu a justificativa utilizada para acabar com a prescrição. "O disparate desse discurso omite o fato de que tal manobra pode e deve ser obstada por um magistrado atento e um Ministério Público diligente."
Ninguém sabe o que está sendo votado
Em uma semana, mais de três relatórios com conteúdos diferentes foram votados, levando obviamente a uma desinformação generalizada. O conteúdo desta notícia, por exemplo, destina-se ao último substitutivo aprovado, sendo que tudo pode ser alterado em um próximo eventual, retornando, inclusive, as tão criticadas medidas originais.
Para Victoria, essa desinformação é proposital para desfocar o debate e as críticas ao projeto que fatalmente será aprovado sem nenhum debate. Para ela, embora criminalistas em geral só tenham a lamentar com esse episódio.
*Publicado originalmente no Justificando
re

domingo, 27 de novembro de 2016

Missão de desvio de asteroides....

Missão de desvio de asteroides envolverá cinco naves

Além da nave-mãe e do módulo de pouso, a missão contará com uma sonda de impacto e dois nanossatélites, que tentarão filmar tudo de perto.[Imagem: ESA - ScienceOffice]


Cinco naves contra dois asteroides
A ESA (Agência Espacial Europeia) anunciou estar entrando na etapa final de avaliação da sua Missão Impacto a um Asteroide, ou AIM (Asteroid Impact Mission).  A missão AIM voará junto com a missão DART (sigla em inglês para Teste de Redirecionamento de Duplo Asteroide), da NASA. O alvo de ambas é o sistema duplo Dídimo, um binário, com dois asteroides girando um em torno do outro - o asteroide primário tem cerca de 800 metros de diâmetro, enquanto o satélite tem cerca de 150 metros. Enquanto a DART atinge o menor dos dois asteroides, a sonda AIM será responsável por coletar todos os dados técnicos necessários para validar os modelos de um impacto para desviar um asteroide de sua rota.

Além disso, dois nanossatélites (cubesats) serão enviados para observações complementares e mais arriscadas, bem mais próximas do asteroide, e um módulo de pouso, a microssonda Mascot-2, descerá na pequena lua Dídimo para examinar a sua estrutura interior. Não há muito tempo disponível para a preparação da missão porque os asteroides continuam vindo em direção à Terra, para uma passagem sem risco de choque em 2022. Só na Europa, mais de 40 empresas de 15 países estão envolvidas na fabricação dos diversos sistemas da missão. Nos EUA, a construção do módulo de impacto está sendo coordenado pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

Pouso e observação
Para observar os asteroides, a missão usará a mesma câmera que a sonda Dawn, da NASA, está usando para observar o planeta anão CeresMas o sistema está sendo testado com os dados da sonda Rosetta, que orbitou um cometa durante mais de um ano.  Não há dois asteroides exatamente iguais, e na verdade os asteroides Dídimos estão realmente muito distantes para que os astrônomos saibam suas características superficiais precisas. Mas essas imagens da Rosetta oferecem um análogo útil para testar a precisão de navegação que precisaremos para manobrar rumo ao nosso alvo, a 'lua Dídimo', e, finalmente, liberar a Mascot-2 na sua superfície, com alguns centímetros por segundo de precisão," explicou Michael Kueppers, chefe do projeto AIM. A ESA também está trabalhando com as empresas que apresentaram os melhores projetos de nanossatélites para voar a bordo da AIM.

Filmar o impacto
Uma missão multiveículos - nave-mãe, sonda de pouso, sonda de impacto e nanossatélites - no espaço profundo é algo pioneiro na exploração espacialA AIM também demonstrará uma tecnologia inovadora que permitirá que a sonda navegue autonomamente em torno do asteroide, como uma nave espacial autodirigida, sem necessidade de receber comandos da Terra. O objetivo é que esse conceito de autonavegação possa ser aplicado em futuras naves espaciais destinadas a explorarcorpos celestes mais distantes da Terra.
Fonte: Inovação Tecnológica

sábado, 26 de novembro de 2016

Um ciclo de vida estelar

SEXTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2016

Um ciclo de vida estelar

Uma pequena nuvem de gás e poeira contém uma "estrela bebé" e está a ser formada a cerca de 20.000 anos-luz da Terra. Crédito: raios-X - NASA/CXC/SAO/M. McCollough et al.; rádio: ASIAA/SAO/SMA

Um momento do ciclo de vida estelar foi capturado numa nova imagem do Observatório de raios-X Chandra da NASA e do SMA (Smithsonian’s Submillimeter Array). Uma nuvem que está a dar à luz estrelas foi observada a refletir raios-X de Cygnus X-3, uma fonte de raios-X produzida por um sistema onde uma estrela massiva está lentamente a ser comida ou pelo seu buraco negro companheiro ou por uma estrela de neutrões. Esta descoberta fornece uma nova maneira de estudar como as estrelas se formam. Em 2003, astrónomos usaram a visão de raios-X e de alta resolução do Chandra para encontrar uma misteriosa fonte de emissão de raios-X localizada muito perto de Cygnus X-3. A separação dessas duas fontes no céu é equivalente ao diâmetro de uma moeda de dois cêntimos a mais de 250 metros de distância.

Em 2013, astrónomos anunciaram que a nova fonte era uma nuvem de gás e poeira. Em termos astronómicos, esta nuvem é bastante pequena - mede cerca de 0,7 anos-luz em diâmetro. Os astrónomos perceberam que esta nuvem está a agir como um espelho, refletindo alguns dos raios-X gerados por Cygnus X-3 em direção à Terra. Nós apelidámos o objeto de 'Pequeno Amigo' porque é uma fonte ténue de raios-X ao lado de uma fonte muito brilhante que mostrava variações similares em raios-X," comenta Michael McCollough do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado norte-americano do Massachusetts, que liderou o estudo mais recente deste sistema.

As observações do Chandra relatadas em 2013 sugeriam que o "Pequeno Amigo" tinha uma massa entre duas e 24 vezes a do Sol. Isto sugeria que a nuvem era um "glóbulo de Bok", uma pequena nuvem densa onde as estrelas podem nascer. No entanto, eram necessárias mais evidências. Para determinar a natureza do "Pequeno Amigo", os astrónomos usaram o SMA, uma série de oito antenas rádio situadas no topo do Mauna Kea, no Hawaii. O SMA encontrou moléculas de monóxido de carbono, uma pista importante de que o "Pequeno Amigo" era realmente um glóbulo de Bok. Além disso, os dados do SMA revelam a presença de um jato ou fluxo saindo do "Pequeno Amigo", sinal de que uma estrela começou a formar-se lá dentro.

Cygnus X-3 é um binário de raios-X onde uma fonte compacta está a puxar material de uma companheira estelar massiva. O Chandra conseguiu observar uma nuvem de gás e poeira que está separada por uma distância muito pequena de Cygnus X-3. Esta nuvem de gás, chamada "Pequeno Amigo", é um glóbulo de Bok, o primeiro já detetado em raios-X e o mais distante já descoberto. Os astrónomos detetaram jatos produzidos pelo "Pequeno Amigo", o que indica que existe uma estrela em formação no seu interior. Crédito: raios-X - NASA/CXC/SAO/M. McCollough et al.; rádio: ASIAA/SAO/SMA

"Normalmente, os astrónomos estudam os glóbulos de Bok observando a luz visível que bloqueiam ou a emissão rádio que produzem," afirma a coautora Lia Corrales do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge. "Com o 'Pequeno Amigo', podemos examinar este casulo interestelar numa nova maneira usando raios-X - a primeira vez que somos capazes de fazer isto com um glóbulo de Bok.A uma distância estimada de quase 20.000 anos-luz da Terra, o "Pequeno Amigo" é também o mais distante glóbulo de Bok já visto. As propriedades de Cygnus X-3 e a sua proximidade com o "Pequeno Amigo" também nos dão a oportunidade de fazer uma medição muito precisa da distância - algo que é muitas vezes difícil em astronomia. Desde o início da década de 1970 que os astrónomos observam uma variação regular de 4,8 horas nos raios-X de Cygnus X-3. O "Pequeno Amigo", agindo como um espelho de raios-X, mostra a mesma variação, mas ligeiramente atrasada porque o percurso que os raios-X refletidos tomam é mais longo do que a linha reta entre Cygnus X-3 e a Terra.

Ao medir o atraso na variação periódica entre Cygnus X-3 e o "Pequeno Amigo", os astrónomos foram capazes de calcular que a distância entre a Terra e Cygnus X-3 é de aproximadamente 24.000 anos-luz. Dado que Cygnus X-3 contém uma estrela massiva, de curta duração, os cientistas pensam que deverá ter tido origem numa região da Galáxia onde as estrelas ainda são suscetíveis de se formar. Estas regiões são encontradas apenas nos braços espirais da Via Láctea. No entanto, a fonte Cygnus X-3 está localizada fora de qualquer um dos braços espirais da Via Láctea.

"De certa forma, é uma surpresa termos encontrado Cygnus X-3 onde está," afirma o coautor Michael Dunham do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e da Universidade Estatal de Nova Iorque em Fedonia. "Nós percebemos que algo invulgar precisava de acontecer durante os seus primeiros anos para a enviar neste 'passeio selvagem'.

Os investigadores sugerem que a explosão de supernova que formou ou o buraco negro ou a estrela de neutrões em Cygnus X-3 "chutou" o sistema binário para longe do seu lugar onde nasceu. Assumindo que Cygnus X-3 e o "Pequeno Amigo" formaram-se perto um do outro, estimam que Cygnus X-3 deve ter sido lançado a velocidades entre 640.000 e 3,2 milhões de quilómetros por hora. O artigo que descreve estes resultados foi publicado recentemente numa edição da revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Fonte: Astronomia Online