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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Galáxias/ Homenagem de Pensar Netuno à Friedrich Engel & "A Dialética da Natureza"-1876

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013


Trilhões de galáxias podem ter escapado nossa detecção

Realizar uma estimativa da quantidade de matéria bariônica no universo é um dos trabalhos dos astrônomos. Um dos métodos para tanto envolve contar as galáxias visíveis em uma região do céu, estimar sua massa através do brilho que elas apresentam, e depois extrapolar o número encontrado para o resto do céu.
As estimativas que os astrônomos chegaram envolvem os seguintes números:





  • 10 milhões de superaglomerados;
  • 25 bilhões de grupos de galáxias;
  • 350 bilhões de galáxias gigantes;
  • 7 trilhões de galáxias anãs;
  • 30 bilhões de trilhões (3×10²²) de estrelas no universo visível.

  • Entretanto, os astrônomos que obtiveram estes números sabem que se trata de uma estimativa incompleta. Em primeiro lugar, só podemos obter informação de estrelas cuja luz já teve tempo de chegar até nós desde a formação do universo, criando o horizonte observável. Além disso, parte da luz de galáxias distantes é absorvida por nuvens de gás e poeira, não chegando a nós.Para verificar o quanto esta estimativa é real, astrônomos do Observatório de Genebra resolveram investigar a região no espaço profundo chamada “campo GOODS-South”, usando o telescópio europeu VLT (“Very Large Telescope” ou “Telescópio Bem Grande” em tradução livre), no Chile, em busca de galáxias cuja luz foi emitida há mais de 10 bilhões de anos (ou seja, com redshift igual a 2.2).
    A equipe liderada pelo astrônomo Matthew Hayes fez um exame daquela região usando duas metodologias diferentes. Primeiro, eles procuraram pela radiação Lyman-alfa (abreviada normalmente como Lya), um dos procedimentos padrão para investigar galáxias distantes. Em seguida, usaram a câmera especializada chamada HAWK-1, em busca de linhas de hidrogênio-alpha (abreviada Ha), uma outra forma de radiação emitida pelo hidrogênio.
    Comparando seus achados com os de estudos anteriores na mesma região, eles descobriram muitas fontes de luz que haviam escapado a exames anteriores, incluindo algumas das galáxias de luz mais fraca já encontradas. A partir destas comparações, Hayes estima que todos os estudos usando a radiação Lya estão errados em uma ordem de magnitude, e devem ser revisados. Ou seja, para cada 10 galáxias encontradas usando Lya, existem mais 100 galáxias cuja luz na faixa Lya foi absorvida pelo caminho e não foi observada.
    Neste ano novo  2014,homenagem de Pensar Netuno para Friedrich Engel
    e sua obra'' A Dialética da Natureza"  

    El socialismo wahabí de François Hollande



    El presidente de la República Francesa, François Hollande, terminará el año con una visita de dos días a Arabia Saudí. Allí percibirá los dividendos de la diplomacia vendida que favorece al que más ofrece. Los aguinaldos saudíes serán generosos y permitirán a algunos grupos industriales franceses, especialmente a los ligados a la industria armamentista, un plan de desarrollo para los próximos años. También ayudarán a Francia a no perder su nivel como uno de los principales países exportadores de armas.
    Este encuentro permitirá asimismo poner de manifiesto la prodigiosa evolución de la doctrina del Partido Socialista francés desde el punto en el que François Miterrand, elegido primer presidente de izquierda de la Quinta República, exigió el desarme de los aviones expuestos en el Salón de Bourget. De un antimilitarismo primario, el partido ha cambiado su política para buscar, a toda costa, vender armas a una de las peores y más retrógradas dictaduras de la Tierra.
    Antes de Hollande, las relaciones militares franco-saudíes estaban exclusivamente reservadas a hombres de negocios y políticos de derecha. Todos los ministros de izquierda que hacían el viaje a Riad eran recibidos con críticas y quedaban estigmatizados en Francia. Sin embargo, recientemente el ministro de Defensa francés, Jean-Yves Le Drian, recibió un fuerte elogio al obtener el honor de ser invitado por el rey saudí en persona. Esta política es tanto más sorprendente porque se apoya en un grupo de fieles al ex presidente Nicolas Sarkozy. El embajador francés en Riad es el antiguo consejero de la ex ministra de Defensa francesa, Michèle Alliot-Marie, dimitida por el escándalo de aceptar regalos y viajes pagados por el ex dictador tunecino Zine al Abidine Ben Ali. La venta de armas avanzadas está asegurada por un equipo de caciques del antiguo régimen. Sin embargo, con Hollande, el gobierno socialista se ha situado junto a los más acérrimos defensores conservadores del cerrado círculo militar-industrial.
    La doctrina de Hollande de “impulsar el empleo a cualquier precio” supera, con este viaje, los límites tolerables para los socialistas tradiciones, que habrían preferido apretarse el cinturón con el fin de mantener la cabeza alta. Puesto que la aproximación a Arabia Saudí, una dictadura feudal y misógena, no es sólo una operación para el reemplazo de un cliente, Qatar, por otro, sino un auténtico viraje ideológico, una alianza estratégica sorprendente que marcará la historia del socialismo francés para siempre. ¿Es Arabia Saudí un país políticamente defendible? La realidad es que no, pero la pregunta resulta incongruente porque París ya no tiene ni siquiera los medios para permitirse objetar a la venta de fragatas, centrales nucleares y pollos de Bretaña.
    A lo sumo, las buenas conciencias pudieron fantasear con que el presidente francés se atreviera a susurrar en el oído del rey saudí algunas palabras extrañas como “libertad, igualdad, fraternidad o justicia ... para las mujeres ... “ Pero Francois Hollande ha estado demasiado ocupado en recoger los beneficios de su postura antisiria y no oculta su satisfacción de ser el artífice del espectacular diálogo entre israelíes y saudíes sobre el trasfondo del tema nuclear iraní.
 La indecencia política es, pues, colateral a este viaje.
    Con el fin de remarcar la luna de miel franco-saudí, el Centro Pompidou ha prestado al Museo de Dahran las obras de Picasso. Picasso será, pues, exhibido en Arabia Saudí, el “país Guernica de los derechos humanos”.

    Source: Agencias
    31-12-2013
    Fonte: Al Manar

    segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

    Z. Ziged /...5 anos de pertubação econômica...


    Rememorando cinco anos de perturbação económica: azia ou ataque de coração?


    por Zoltan Zigedy [*]
    Quando mercados económicos significativos dos EUA se descontrolaram durante o Verão e fins de 2008, um temor, mesmo um pânico, apossou-se dos encarregados de desenvolver e aplicar a política económica. O pensamento prevalecente – capitalismo desenfreado com confiança quase religiosa em mecanismos de mercado – parecia estar em retirada irreversível.

    O mercado habitacional esfriou, os valores das casas contraíram-se, e a estrutura financeira construída em torno da propriedade habitacional começou a entrar em colapso. Na medida em que o mercado de acções caía em queda livre das alturas anteriores, levado pela implosão das acções de bancos, os investidores retiravam-se dramaticamente do mercado. O crédito congelou e o consumo diminuiu. Começou então uma espiral decrescente de despedimentos colectivos, consumo reduzido, entesouramento de capital e crescimento retardado, seguida por mais despedimentos, etc, etc.

    Com o medo, decisores políticos mexiam-se para encontrar uma resposta à crise que ameaçava aprofundar-se e propagar-se às mais remotas paragens da economia global. Com taxas de juro próximas de zero, reconheceram por fim que a caixa de ferramentas monetarista, em uso desde a administração Carter, não apresentava resposta.

    No fim da administração Bush, líderes bipartidários aprovaram a injecção de centenas de milhares de milhões de dólares públicos no sistema financeiro com a esperança de estabilizar o valor de mercado dos bancos que estava em colapso, um movimento popularmente alcunhado como "bailout" (salvamento externo).

    No princípio da administração Obama, administradores do Partido Democrata carpinteiraram um outro programa de recuperação que totalizava cerca de três quartos de um milhão de milhões (trillion) de dólares, um programa envolvendo uma combinação de cortes fiscais, projectos público-privados de infraestrutura e alívio directo ampliado. A generalidade dos economistas encarou este esforço como um programa de "estímulo" destinado a disparar uma explosão de actividade económica para dar o arranque a um motor económico enguiçado. Estimativas em dólar dos salvamentos federais e estímulos federais destinados a ultrapassar a crise ascenderam a valores tão altos quanto o Produto Interno Bruto de um ano nos anos iniciais após o início da queda livre. A Reserva Federal continua a fazer uma transfusão de US$75 mil milhões por mês para as veias da ainda enferma economia dos EUA.

    Má fé

    As últimas três décadas do século XX produziram um novo consenso económico: não meramente do primado do mercado, mas sim da total governação da vida económica pelo mercado. Acreditou-se que a regulamentação desestabilizava os mercado e não que o corrigia. A propriedade pública e os serviços públicos eram vistos como ineficientes e entraves inadmissíveis às forças do mercado. Tanto a vida pública como a privada, para além do universo económico, foram sujeitas aos mercados, medidas pelos mecanismos de mercado e analisadas através das lentes do pensamento de mercado. Na verdade, a linguagem de mercado (market-speak) tornou-se a língua franca unificadora de todas as ciências sociais e humanas nesta era. Com a queda da União Soviética, o capital e seus processos orientados pelo lucro penetraram todos os cantos do mundo. Só movimentos independentes, anti-imperialistas, desconfiados do mercado, como aqueles liderados por Hugo Chavez, Evo Morales e uns tantos outros obtiveram algum êxito político contra a dominância global sem precedentes da propriedade privada e dos mecanismos de mercado.

    Enquanto o capitalismo na sua forma mais crua e agressiva desfrutava os seus momentos de triunfo, estavam em actuação forças que minavam aquela celebração. Aquelas forças estragaram a festa em 2000 sob a forma de um grave arrefecimento económico, a chamada "Recessão Dot-com" caracterizada por uma perda de valor no mercado de acções de US$5 milhões de milhões e o desaparecimento de milhões de empregos. Economistas assombravam-se pela lentidão com que os empregos estavam a retornar até os EUA e a economia global serem atingidos em 2008 por outra bofetada ainda mais poderosa. Claramente, a primeira década do século XXI será recordada como uma época de crise económica e incerteza, uma perturbação que continua até o dia de hoje.

    Além do custo humano – milhões de empregos perdidos, pobreza, número de sem abrigos, oportunidades perdidas, destruição de riqueza pessoal – o século XXI infestado de crise desafiava a ortodoxia prevalecente dos mercados sem peias e da propriedade privada. Mesmo advogados tão sólidos e fervorosos daquela ortodoxia, como o Wall Street Journal, The Economist e The Times foram abalados pela crise, questionando a validade de princípios económicos clássicos. Nenhum princípio é mais querido e essencial para os adeptos do livre mercado do que a ideia de que os mesmos são auto-correctores. Apesar de poder haver desequilíbrios económicos de curto prazo ou maus tempos nos negócios, os advogados do mercado livre acreditam que o seu movimento tende sempre ao equilíbrio e à expansão no longo prazo. Portanto, uma estagnação persistente e de longo prazo, ou declínio, é considerada virtualmente impossível (com a condição de que não haja restrições impostas ao mecanismo de mercado).

    Assim, quando a era da mais ampla economia global de mercado aberto experimentou o mais catastrófico colapso desde a Grande Depressão, levantam-se sérias dúvidas acerca dos princípios fundamentais da ideologia de mercado. E durante os dias mais negros de 2008 e 2009, um verdadeiro pânico ideológico abateu-se sobre sabichões e peritos da direita e da esquerda "respeitável". Alguns reabilitaram um economista fora de moda e falaram de um "momento Minsky". Liberais proclamaram a morte do neoliberalismo (a expressão popular para o retorno à respeitabilidade da teoria económica clássica que começou no fim da década de 1970). E outros ainda anteviram uma restauração dos intervencionistas teorias económicas representados por John Maynard Keynes, teorias que guiaram a economia capitalista através da maior parte do período do pós-guerra. Mesmo os economistas mais conservadores admitiram que a supervisão do mercado, se não mesmo a regulamentação, era tanto necessária como desejável.

    Contudo, a mudança surgiu. Apesar de mais de cinco anos de declínio e estagnação, apesar de um contínuo fracasso dos mercados para a auto-correcção, a ideologia do livre mercado continua a dominar tanto o pensamento como a política, claramente mais baseada na fé do que na realidade. Em parte, a resiliência da filosofia do mercado aberto emana da perspicaz fabricação do medo do endividamento por políticos e traficantes de dívida das instituições financeiras. Ao levantar o grito estridente da explosão da dívida e da catástrofe iminente, a atenção desviava-se dos fracassos dos mercados sem peias e dirigia-se à austeridade governamental e à redução da dívida maciça.

    Diagnóstico?

    É evidente que todos os modelos matemáticos vencedores do Prémio Nobel, concebidos para apreender a actividade económica, fracassaram na previsão e explicação do crash de 2008. Nenhuma quantidade de fé poderia disfarçar o fracasso monumental dos mercados não regulamentados e das políticas que os promoveram. Duas explicações simplistas e conflitantes, agudamente contrastantes, são avançadas.

    Os defensores dos mercados livres, desavergonhadamente e arrogantemente argumentam que o governo se intrometeu e prejudicou a plena e livre operação dos mecanismos de mercado, exacerbando portanto o que teria sido uma correcção penosa mas que seria resolvida rapidamente. Seguindo a metáfora mencionada no título deste artigo, a azia foi mal diagnosticada, tratada com cirurgia radical, só para criar uma condição que põe a vida em perigo.

    Naturalmente, isto é uma insensatez dita em proveito próprio.

    Seja o que for que possamos saber acerca de mercados, sabemos isto: desde que o processo de desregulamentação de mercados começou no fim da década de 1970, as crises têm ocorrido com mais frequencia, com maior amplitude e com consequências humanas mais drásticas. Antes disso, e durante todo o período anterior do pós guerra, a intervenção do governo e a regulamentação tendiam a prevenir períodos maus, moderar o seu nadir e suavizar os custos humanos. E um vislumbre do período anterior de política favorável ao mercado – os primeiros anos da Grande Depressão – demonstra a loucura de simplesmente esperar pela correcção prometida: as coisas só ficam piores. Assim, tal como agora, a vida demonstrou ser um capataz duro. Quando mecanismos de mercado realmente dão para o torto, ninguém pode se dar a luxo de esperar por auto-correcção.

    Os oponentes liberais e da esquerda suave ao mercado sem peias apresentam um argumento diferente. Eles vêem a crise não na ausência de mercados livres mas sim no fracasso em supervisioná-los e regulamentá-los adequadamente. Nesta visão, partilhada por quase todos os liberais e a maior parte da esquerda não comunista, os mercados são mecanismos económicos fundamentais – essenciais, se quiser – mas melhor pastoreados por controles do governo que os pilotam para porto seguro quando ameaçam fugir ao controle.

    Portanto, a crise de 2008 teria sido impedida, acreditam eles, se regras e regulamentos permanecessem em vigor tal como haviam sido anteriormente concebidos e implementados a fim de proteger a economia dos excessos do mercado. Se não houvéssemos afrouxado as regras e regulamentos, nunca teríamos experimentado o desastre de 2008.

    Esta visão é história mal contada e análise económica ainda pior.

    Se bem que os liberais gostem de acreditar que regulamentações e instituições geradas pelo New Deal da década de 1930 estabilizaram o capitalismo e domaram os mercados, a verdade é outra. O maciços gastos de guerra iniciado algum tempo antes da entrada dos EUA na II Guerra Mundial resolveram os problemas de crescimento e de excesso de mão-de-obra associados à longa década de estagnação, recuperação hesitante, recuo e nova estagnação que assolaram a economia desde 1929.

    O capitalismo ganhou novo impulso com a reconstrução do pós guerra. Forças produtivas foram restauradas onde haviam sido destruídas, renovadas quando estavam gastas e melhoradas face aos novos desafios. Esta vasta reestruturação do capitalismo produziu novas oportunidades tanto para o lucro como para o crescimento. Ao mesmo tempo, a lição do gasto militar maciço, socializado, público e planeado não foi perdida. Novas ameaças foram conjuradas, novos temores construídos. A guerra quente na Coreia e a Guerra-Fria sempre crescente alimentaram uma expansão dos EUA sem precedentes. Não é inadequado caracterizar esta expansão do pós guerra como um período de "keynesianismo militar". Por outras palavras, foi uma era de politicas keynesianas de gastos governamentais planeados e extensos acoplados a encomendas militares fora do mercado. Na medida em que transferia uma fatia significativa da economia capitalista para um comando, um sector extra-mercado, ela assinalou uma nova etapa do capitalismo monopolista de estado, uma etapa que adoptava algumas das características do socialismo.

    Mas em meados da década de 1960 este "ajustamento" começou a perder a sua vitalidade. O crescimento do lucro, a força condutora da expansão capitalista, começou um declínio persistente (para uma ilustração gráfica desta tendência, ver a página 103 de The Economics of Global Turbulence ( New Left Review, May/June 1998), de Robert Brenner.

    A queda da taxa de lucro emparelhou-se à enorme inflação de meados da década de 1970. As soluções militar-keynesianas para a crise capitalista estavam gastas, exauridas, demonstrando-se inadequadas para tratar uma nova expressão da instabilidade do capitalismo. Talvez nada tenha assinalado mais a bancarrota da ortodoxia (keynesiana) prevalecente do que a desesperada campanha WIN ( Whip Inflation Now, Bata a inflação agora) da presidência Gerald Ford, uma tentativa impotente para deter a crise com determinação em massa.

    Ao contrário das afirmações de liberais, sociais-democratas e outros salvadores do capitalismo voltados para reformas, a resultante mudança na ortodoxia não foi meramente um golpe político, uma vitória da ideologia retrógrada, mas ao invés disso um desmanchar das fracassadas políticas keynesianas da época. Portanto, a "revolução" de Thatcher/Reagan foi apenas o veículo para um ajustamento dramático da rota do capitalismo a afastar-se de um paradigma gasto, ineficaz.

    Com Paul Volker assumindo a presidência do Federal Reserve e os princípios da desregulamentação sistemática, a administração Carter plantou as sementes do abandono das velhas receitas. Volker, com o seu crescimento sufocante das taxas de juro, assegurou uma recessão que afastaria qualquer vontade de resistir ao aperto de cinto. Mas foi preciso a eleição de Ronald Reagan orientado pelo dogma para emular a Margaret Thatcher do Reino Unidos e utilizar a ocasião para estripar salários e benefícios a fim de abrir o caminho para o crescimento do lucro.

    O custo de devolver a vida à moribunda economia capitalista foi arcado pela classe trabalhadora. Loucamente, a impassível e complacente liderança [sindical] confiou na continuação do contrato tácito da Guerra Fria: O trabalho apoia a campanha anti-comunista e as corporações honram a paz trabalhista com salários firmes e crescimento de benefícios. Ao invés disso, o crescimento do lucro foi restaurado pela supressão dos padrões de vida do trabalho – cortando "custos". Seguiu-se uma odiosa ofensiva anti-trabalho.

    Se bem que a leal oposição insista em retratar a ruptura com a teoria económica keynesiana como algo novo (habitualmente alcunhado "neoliberalismo"), ela foi, de facto, uma capitulação à antiga. A bancarrota da teoria económica burguesa não podia oferecer nada de novo, nenhuma resposta criativa à crise capitalista; ela só podia abandonar uma abordagem fracassada e restaurar lucros pelo esmagamento implacável do mercado de trabalho.

    Esta resposta só podia ter êxito devido à extraordinária fraqueza do movimento trabalhista. Quando a taxa de lucro começou a recuperar, faltou ao trabalho liderança e vontade para não só assegurar uma fatia dos aumentos de produtividade, mas mesmo para defender seus ganhos anteriores.

    Portanto, o capitalismo adquiriu um segundo fôlego ao recuar do consenso económico do pós guerra e renegar o implícito tratado de paz com o trabalho. O crescimento do lucro retornou e o sistema navegou.

    Mas o contínuo avanço da desregulamentação e da privatização trouxe consigo um retorno à anarquia drástica dos mercados. A crise das Caixas Económicas (Savings e Loan) das décadas de 1980 e 1990 e o crash do mercado de acções de Outubro de 1987 foram os arautos do que estava para vir e reflexos de instabilidade mais profunda.

    Com a queda União Soviética e do socialismo na Europa do Leste, foi entregue um enorme novo mercado ao sistema capitalista global, um mercado que mais uma vez revigorou as oportunidades para acumulação de capital e expandiu lucros. Milhões de trabalhadores educados, recém "libertos" (libertos da estabilidade de emprego, de condições de trabalho seguros, de protecção legal e de organização) juntaram-se aos trabalhadores com salários reduzidos e mal pagos do resto do mundo para constituir um vasto manancial de trabalho barato. Portanto, uma guerra de classe imensa e unilateral e a integração de milhões de trabalhadores com salários deprimidos estabeleceram o capitalismo num saudável caminho de recuperação do lucro, colocando a agora impotente ortodoxia keynesiana no espelho retrovisor. Poucos imaginariam que esta viagem duraria menos de duas décadas, até o capitalismo deparar-se outra vez com crises graves.

    Crescimento económico significativo num período de trabalho fraco necessariamente produz desigualdade galopante. Com políticas fiscais amistosas para com as corporações e a riqueza, muitos mecanismos de redistribuição do governo são exauridos ou desmantelados. O fluxo de riqueza acelera-se para as corporações e os super-ricos e afasta-se daqueles que trabalham para viver. Os cofres da classe investidora incham com dinheiro ansioso por um retorno significativo sobre o investimento. Quando o processo de acumulação de capital se intensifica, cada vez menos seguro, surgem oportunidades de investimento produtivo de alto rendimento para absorver a vasta acumulação de riqueza sempre em expansão concentradas nas mãos de uma pequena minoria.

    Num capitalismo maduro, novas e mais arriscadas avenidas – tipicamente removidas do sector produtivo – se abrem para oferecer um lar para o capital e prometendo um retorno. Banqueiros e outros "magos" financeiros competem ferozmente para construir dispositivos geradores de lucro que prometem cada vez mais. Estes instrumentos crescem gradualmente a partir da actividade produtiva. Além disso, seus "lucros" resultantes são mais uma vez removidos do valor real, tangível, material. Ao invés, eles existem virtualmente como capital "hipotético", ou capital "contra-factual", ou capital "direccionado ao futuro", ou capital "contingente". Alguns marxistas apressam-se a etiquetar este produto da especulação como "fictício", mas isso obscurece a sua origem fundamental em actos exploradores no processo mercadoria-produção. É esta expansão de capital promitente que alimenta volta após volta o investimento especulativo lubrificado com dívida cada vez maior.

    Abundam metáforas do fim de jogo deste processo: "bolhas", "castelo de cartas", etc. Mas em última instância a causa da crise é o fracasso em satisfazer a infindável busca do retorno. Por outras palavras, a causa da crise reside no processo de acumulação intrínseco ao capitalismo e à incapacidade para sustentar um retorno viável ao sempre crescente mar de capital e capital promitente. Os capitalistas medem o seu êxito pelo modo como os seus recursos são plena e efectivamente postos em uso para gerar novos excedentes. Por outras palavras, o mais profundo e o mais impressionante sendo da "taxa de lucro". É o critério que guia o capitalista – uma taxa de lucro efectiva com base nos activos acumulados. Além das medidas oficiais e forçadas das taxas de lucro, o crescimento do capital acumulado, ponderado contra as oportunidades de investimento disponível, conduz o investimento futuro e determina o curso da actividade económica.

    Em 1999, a lucratividade do sector tecnológico caiu precipitadamente em resultado do investimento irrealizável de milhares de milhões de dólares à procura de rendimento nas companhias marginais Dot.com e de serviços internet. Em resposta ao problema da super-acumulação, investir nas fantasias de jovens génios de 20 anos demonstrou-se ser tão irracional quanto observadores lúcidos pensam ser. Seguiu-se o crash.

    E mais uma vez os dias estonteantes de 2005, a comprar pacotes de títulos bizarros com os destroços de hipotecas marotas parecia um meio de encontrar um lar para vastas somas de capital "improdutivo". Afinal de contas, o capital não pode permanecer ocioso; tem de encontrar um meio para reproduzir-se. Mas o que fazer com os rendimentos da revenda de títulos conduzidos pela procura? Mais do mesmo? Mais risco? Mais dívida? E repetir?

    A porção dos lucros das corporações estado-unidenses "ganha" pelo sector financeiro cresceu dramaticamente desde 1990 até o crash de 2008, atingindo aproximadamente os 40% em meados dos anos 2000 e demonstrando a explosão de veículos de investimento alternativo que ocupava capital ocioso. É crucial ver uma ligação, uma necessidade evolucionária, entre a restauração da lucratividade, a intensa acumulação de capital e a tendência para a lucratividade ser desafiada pela falta de oportunidades de investimento prometedoras. Não é o capricho de banqueiros ou a esperteza de empreendedores que conduz este processo, mas o imperativo lógico do capital para produzir e reproduzir-se.

    Alguns comentários e observações

    Há outras teorias da crise apresentadas pela esquerda. Uma teoria, abraçada por muitos Partidos Comunista, sustenta que a crise emerge da super-produção. Naturalmente, num sentido a super-acumulalação é uma espécie de super-produção, uma super-produção de capital a que falta um destino para investimento produtivo. Mas muitos à esquerda entendiam algo diferente. Eles argumentam que o capitalismo põe mais mercadorias no mercado do que trabalhadores empobrecidos, mal pagos, podem comprar. Há duas objecções a isto: uma teórica, uma ideológica.

    Primeiro, a evidência mostra que uma queda no consumo ou um aumento na produção de facto não antecede o declínio económico na nossa era. Se a super-produção ou o seu primo, o sub-consumo, fossem a causa da retracção económica de 2008, os dados necessariamente mostrariam algum desvio anterior dos padrões de produção/consumo. Mas não há nenhum. Ao invés, verifica-se o inverso: a própria crise provocou um fosso maciço entre a produção e o consumo, exacerbando-a. A ameaça de oferta excessiva prolonga-se na enorme pressão deflacionária que agita a economia global. Apesar do facto de o gasto do consumidor ser uma grande componente da economia dos EUA, os efeitos da sua estagnação secular ou declínio têm sido em grande medida atenuados pela expansão do crédito ao consumidor e a existência, embora ténue, de programas de bem-estar social como o seguro de desemprego.

    Segundo, se consumo retardado ou inadequado fosse a causa de crises, então políticas redistributivas ou políticas fiscais proporcionariam uma solução simples para retracções, ambas impedem-nas e revertem-nas. Portanto, o capitalismo podia avançar no seu alegre carrossel com pouco temor de crise. Certamente esta é a atracção ideológica de explicações de crises pela super-produção: elas permitem a liberais e sociais-democratas apregoar sua capacidade para administrar o capitalismo através de políticas governamentais.

    Contudo, eles não podem administrar o capitalismo porque as crises estão localizadas não na arena da circulação (compatibilizando produção e consumo), mas sim no mecanismo gerador de lucro do capitalismo, a sua própria alma.

    Devido à centralidade do lucro, a explicação da super-acumulação tem uma afinidade com outra teoria da crise: o argumento de Marx para a tendência de queda da taxa de lucro. De facto, pode ser encarada como uma versão contemporânea do argumento sem as suposições do século XIX.

    Felizmente, muitos comentadores de hoje revisitaram a teoria esboçada no Volume III de O Capital, descobrindo uma relevância ignorada ao longo da maior parte do século XX. Somente um punhado de admiradores do trabalho de Marx manteve a teoria viva naquela era, autores como Henryk Grossman, John Strachey e Paul Mattick. Infelizmente, admiradores de hoje, como os antecessores acima mencionados, partilham o viés acriticamente ao tomar o esquema de Marx como o Santo Graal. Na maior parte das vezes, Marx usava formalismo muito ocasional como ferramenta de exposição e não como os axiomas de um sistema formal. Aqueles treinados na análise económica moderna são inclinados a saltar sobre estas fórmulas com um fervor de discípulo. Eles debatem a resistência de um modelo que descreve a economia global como uma colecção de empresas a devorarem capital constante a uma taxa maior do que o emprego de trabalho e mecanicamente deprimindo a taxa de lucro. Isto é confundir a simplificada exposição de Marx com explicação robusta. Pode-se aprender muito da exposição de Marx sem que se faça disto um exercício escolástico.

    Entre os nossos amigos de esquerda, tornou-se popular falar da crise e desta era como de "financiarização". Isto é sobretudo inútil. Na verdade, a crise tem muito a ver com o sector financeiro; este desempenhou e desempenha um papel maior na economia global, especialmente nos EUA e Reino Unido. Mas recorrer a um novo nome nada faz para expor ou explicar o papel da finança. Tal como "globalização" num momento anterior, a palavra "financiarização" pode ser emocionante, elegante e conveniente, mas normalmente esconde os mecanismos em funcionamento. É uma palavra preguiçosa.


    Há um ponto nesta algo extensa, mas apenas esboçada, jornada ao longo do capitalismo do pós guerra. Esperançosamente, a jornada demonstra ou sugere fortemente que os eventos do passado económico não foram nem aleatórios nem simplesmente conduzidos pela política. Eles foram, ao invés, o produto da lógica interna do capitalismo; eles brotaram de barreiras e de ajustamentos na trajectória do capitalismo. Quando direcções se mostraram infrutíferas, novas direcções foram tomadas. Se bem que não seja possível descartar novas manobras que tratem o problema inerente da super-acumulação, o problema não irá embora. Ele retornará para assombrar qualquer tentativa que presuma conquistá-lo de uma vez por todas. E se o capitalismo carrega este gene, então seria sábio procurar um melhor sistema económico que prometa tanto maior estabilidade como maior justiça social. Naturalmente, encontrar essa alternativa começa por revisitar a ideia com duas centenas de anos há muito favorecida pelo movimento da classe trabalhadora: o socialismo. Ligado a esse projecto está a tarefa de reconstruir o movimento, a organização política necessária para alcançar o socialismo.

    Como as coisas estão no mundo de hoje, há apenas duas magras opções no menu habitual: uma, é salvar e manter o capitalismo com os sacrifícios dos trabalhadores e de outros, a outra é salvar e manter o capitalismo com os sacrifícios dos trabalhadores e um simbólico sacrifício de uma "quota justa" por parte das corporações e dos ricos. Nenhuma delas é muito animadora.

    A primeira opção é baseada na papa fina da teoria económica do "gotejamento" ("trickle down") e na visão para embalar crianças de que "uma subida da maré eleva todos os barcos". É a receita dos dois principais partidos políticos dos EUA, do Abe do Japão, dos partidos europeus do centro e dos Trabalhistas do Reino Unidos.

    A segunda opção também promete salvar o capitalismo, mas através de uma falsa distribuição justa da adversidade por todas as classes. Esta é a rota apresentada pela maior parte dos partidos da esquerda europeia e mesmo por alguns Partidos Comunistas.

    Mas um sistema – o capitalismo – que está geneticamente propenso à extrema distribuição de riqueza e à crise persistente não contribui para uma refeição apetitosa. Precisamos, ao invés, dispensar programas que prometem melhor gestão do capitalismo, como os comunistas gregos (KKE) gostam de dizer. Isso é para outros que estão em paz com o capitalismo ou subestimam seus fracassos inevitáveis.

    A única resposta para a insuficiência cardíaca do capitalismo é mudar a dieta e colocar o socialismo no menu.
    23/Dezembro/2013
    Do mesmo autor:
  • Nuvens tempestuosas?
  • A tirania dos títulos

    [*] Economista, zoltanzigedy@gmail.com

    O original encontra-se em zzs-blg.blogspot.pt/2013/12/looking-back-on-five-years-of-economic.html


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 31/Dez/13

    Bases militares na América Latina e Caribe


    30.Dez.13 :: Outros autores
    Há 36 bases militares norte-americanas disseminadas por todo o continente. Só na Colômbia há doze, escrevem as FARC em novo comunicado


    Para além da dominação económica, o imperialismo estado-unidense tem mantido um domínio militar sobre todo o continente, domínio para o qual promoveu invasões directas, golpes de Estado, eleições presidenciais fraudulentas…
    Governos surgidos dessa forma são incondicionais das suas políticas, aceitam submissos a instalação de bases militares nos nossos países, sem se importarem de que representem violações da soberania nacional e que sirvam para agredir os vizinhos ou povos de outros continentes.
    Os primeiros a sofrer a humilhação foram Porto Rico e Cuba, esta última com a base de Guantánamo, que hoje em dia serve de cárcere para os prisioneiros acusados de terrorismo e que foram sequestrados em diversos países. Aqueles que têm a desgraça de chegar ali recebem tratamento de inimigo e não têm direito algum, nem sequer o de legítima defensa. A tortura é abertamente exercida, sem que muitos governos e organismos internacionais se atrevam a condená-la publicamente. É uma afronta à comunidade internacional e uma mancha indelével que a “injustiça Norte-americana” jamais poderá apagar.
    Face ao avanço dos processos democráticos e da unidade latino-americana e caribenha ao mesmo tempo que se consolidam processos como: MERCOSUR, UNASUR, CARICOM, ALBA Y LA CELAC, o império prossegue sem pausa a ocupação militar.
    Assim, na actualidade encontram-se 36 bases militares disseminadas por todo o continente, ocupando posições estratégicas na região. O pretexto: a luta contra o narcotráfico e o terrorismo.
    O caso colombiano é muito elucidativo. O presidente Álvaro Uribe Vélez (2008-2010), entregou todo o território nacional aos falcões da guerra. É reconhecida a existência de 7 bases militares, mas na realidade há doze e os Estados Unidos dispõem de autorização para usar, caso “necessário”, todos os portos e aeroportos do país para fins bélicos.
    A Colômbia ficou militarmente coberta, mas as operações militares não têm apenas a Colômbia como alvo. A base de Palanquero foi modernizada para receber aviões de guerra de última geração, com capacidade para operar em toda a parte sul do continente, controlar o oceano Atlântico e intervir em países africanos.
    Ao anteriormente referido há que acrescentar a deslocação da Quarta Frota, e então deparamo-nos com o facto de que os EUA actuam de forma ameaçadora, com uma supremacia absoluta e com uma velocidade assombrosa, para dissuadir ou intervir em qualquer nação do continente.
    Podem desembarcar em minutos milhares de soldados em qualquer das bases na Colômbia. As suas forças avançadas estão em posição. Dispõem de inteligência estratégica táctica e sobre objectivos militares a ser aniquilados ou neutralizados.
    A Colômbia tem a força militar mais numerosa da América do Sul, 500 mil soldados homens e mulheres treinados para a guerra, com armamento moderno, aviões de combate, drones equipados com mecanismos de espionagem da más alta tecnologia, satélites com sensores que detectam luz, calor, fumo e presença de seres humanos; dispõem de equipamentos de fotografia que podem captar uma pessoa a muitos de quilómetros de distância. Com a particularidade de que esta tecnologia é manejada directamente por pessoal estado-unidense e em muitas dessas bases há lugares em que o acesso do pessoal de nacionalidade colombiana está restringido.
    Na Colômbia a vida civil foi militarizada. Os gerentes, administradores, funcionários públicos, profissionais independentes, receberam formação militar e patentes militares, que os acreditam como capitães, majores ou coronéis da reserva que num momento dado podem entrar a dar ordens a militares de menor graduação.
    Em muitas áreas do país os assessores e pessoal militar estado-unidense circula livremente. É indigno e antipatriótico ver como militares colombianos se acostumaram a realizar operações sob as suas ordens. São vários os casos reportados de pilotos norte-americanos que morreram em acidentes ou ao serem derrubados os seus aviões pela guerrilha.
    Nenhuma destas notícias chega à imprensa devido ao cerco informativo que é exercido sobre este tema.
    O mesmo se está a passar por todo o continente. As oligarquias no poder alinhadas com esta política nem se incomodam, nem criticam, nem denunciam a instalação de bases em Salvador, Honduras, Costa Rica, Panamá, Peru, Paraguai, Chile, Haiti, Porto Rico, Bolívia, Brasil e outras.
    Tem sido um trabalho lento, mas seguro; nenhum país está em condições de responder militarmente ao império, mas pode obrigá-lo a sair do seu território como fez Rafael Correa com a Base de Manta, no Equador. Isto demonstra que desde que haja governos democráticos e povos erguidos, para o império nem tudo são favas contadas.
    O despertar da nossa América é inegável, contamos hoje com governos patrióticos que levantam as bandeiras da dignidade e do anti-imperialismo, a mobilização e o protesto social crescem cada vez mais e entre as suas palavras de ordem aparece a luta contra o Imperio, o capitalismo, o neoliberalismo; pela autodeterminação dos povos, a defesa da soberania nacional e o repúdio face à presença militar ianque no continente; palavras de ordem que todos os revolucionários, democratas e patriotas estamos obrigados a agitar para que se enraízem na consciência popular e dessa forma se possam deter os planos de dominação continental.
    Tarefa urgente e necessária é organizar uma campanha simultânea em todos os países da América Latina e do Caribe contra as bases norte-americanas.
    ¡Fora do nosso continente com as bases militares estado-unidenses!
    ¡Viva a Pátria Grande e o Socialismo.
    Contra o Imperialismo; pela Pátria.
    Contra a oligarquia, pelo povo.
    Comissão Internacional das FARC EP.
    Havana, Novembro de 2013.

    Líbano: Exército prende suspeito de antentado

    Exército libanês anunciou a prisão de suspeito de atentado PDF Imprimir E-Mail
      
    Imagen activaBeirut, 29 dez (Prensa Latina) O Escritório de Informação do Exército libanês anunciou a prisão de um suspeito de ter participado no atentado contra a embaixada do Irã no dia 19 de novembro.
    O preso, ao que identificado só como Mustapha H., é um dos seguidores de um predicador salafista libanês, Ahmad ao Asir, prófugo da justiça desde o meio do ano após ordenar ataques a pontos de controle militares na cidade meridional libanesa de Saida.

    Conforme anúncio oficial, o suspeito foi detido nesta capital devido a seus contatos com os agentes envolvidos no atentado terrorista contra a embaixada iraniana em um distrito meridional da capital no qual morreram 23 pessoas, entre eles o agregado cultural Ebrahim Ansari.

    No ataque, realizado por dois comandos suicida, resultaram feridas 146 pessoas.

    As autoridades iranianas asseguraram que Israel esteve por trás da ação. ro/msl/cc
    Modificado el ( domingo, 29 de diciembre de 2013 )
     

    domingo, 29 de dezembro de 2013

    Operária brasileira da música, Elza Soares


    Elza Soares

    Elza Soares
    Elza Soares nasceu em 23 de Junho de 1937 no Rio de Janeiro. Filha de uma lavadeira e de um operário, foi criada na favela de Água Santa, subúrbio de Engenho de Dentro. Cantava, desde criança, com a voz rouca e o ritmo sincopado dos sambistas de morro. Aos 12 anos, já era mãe e aos 18, viúva. Foi lavadeira e operária numa fabrica de sabão e, com 20 anos aproximadamente, fez seu primeiro teste como cantora, na academia do professor Joaquim Negli, sendo contratada para cantar na Orquestra de Bailes Garan e a seguir no Teatro João Caetano. Em 1958, foi a Argentina com Mercedes Batista, para uma temporada de oito meses, cantando na peça Jou-jou frou-frou. Quando voltou, fez um teste para a Rádio Mauá, passando a se apresentar de graça no programa de Hélio Ricardo. Por intermédio de Moreira da Silva, que a ouviu nesse programa, foi para a Rádio Tupi e depois começou a trabalhar como crooner da boate carioca Texas, no bairro de Copacabana, onde conheceu Silvia Teles e Aluísio de Oliveira, que a convidou para gravar. No seu primeiro disco, gravado em 1960, pela Odeon, cantou Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), alcançando logo grande sucesso. Esse samba fez parte de seu primeiro LP, com o mesmo titulo da música. A seguir, foi para São Paulo SP, para trabalhar no show Primeiro festival nacional de bossa nova, no Teatro Record e na boate Oásis, gravando depois seu segundo LP, A bossa negra. Em 1962, como artista representante do Brasil na Copa do Mundo, que se realizava em Santiago, Chile, cantou ao lado do representante norte-americano, Louis Armstrong. Nessa época ficou conhecendo o futebolista Garrincha, com quem casaria mais tarde. No ano seguinte, gravou pela Odeon o LP Sambossa, tendo como destaque as músicas Rosa morena (Dorival Caymmi) e Só danço samba (Tom Jobim e Vinícius de Moraes); e, em 1964, lançou pela Odeon Na roda do samba (Orlandivo e Helton Meneses), faixa-título do LP. Realizando inúmeras apresentações pelo Brasil e nas emissoras de televisão, os LPs se sucederam: em 1965, foi a vez de Um show de beleza, pela Odeon, com, entre outras, Sambou, sambou (João Melo e João Donato), e Mulata assanhada (Ataulfo Alves); em 1966, saiu pela mesma gravadora o LP Com a bola branca, onde cantou Estatuto de gafieira (Billy Blanco) e Deixa a nega gingar (Luís Cláudio). Apresentou-se, em 1967, no Teatro Santa Rosa, no show Elza de todos os sambas, e, novamente pela Odeon, gravou em 1969, o LP Elza, Carnaval & Samba, cantando sambas-enredo, como Bahia de todos os deuses (João Nicolau Carneiro Firmo, o Bala, e Manuel Rosa) e Heróis da liberdade (Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira). Em 1970 foi para a Itália, apresentando-se no Teatro Sistina, em Roma, e gravando Que maravilha (Jorge Ben e Toquinho) e Mascara negra (Zé Kéti). Nesse mesmo ano, gravou o LP Sambas e mais sambas, pela Odeon, interpretando músicas como Maior é Deus (Fernando Martins e Felisberto Martins) e Tributo a Martin Luther King (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli). De volta ao Brasil, em 1972, lançou, pela mesma etiqueta, o LP Elza pede passagem, onde interpretou Saltei de banda (Zé Rodrix e Luís Carlos Sá) e Maria-vai-com-as-outras (Toquinho e Vinícius de Morais), e apresentou-se no teatro carioca Opinião, no show Elza em dia de graça. Ainda nesse ano, passou uma temporada realizando um show no navio italiano Eugênio C, fez um espetáculo de duas semanas na boate carioca Number One, cantou no Brasil Export Show, realizado na cervejaria Canecão, do Rio de Janeiro, e recebeu o diploma de Embaixatriz do Samba, do conselho de música popular do Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. Em 1973, gravou o LP Elza Soares, pela Odeon, cantando Aquarela brasileira (Silas de Oliveira) e Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito); e apresentou-se no show Viva Elza, que estreou no T.B.C., na capital paulista, e que depois foi levado em vários Estados. Nos dois anos seguintes, lançou pela Tapecar mais dois LPs, Elza Soares, com Bom-dia, Portela (Davi Correia e Bebeto de São João) e Chamego da crioula (Zé Di); e Nos braços do samba, com faixa-título de Neoci Dias e Dida. Gravou ainda Pilão+Raça=Elza (1977), Somos todos iguais (1986) e Voltei (1988). A partir de 1986, com a morte de Garrinchinha, seu filho com o jogador de futebol Garrincha (1933 – 1983), passou nove anos na Europa e nos EUA De volta ao Brasil, gravou em 1997 o CD Trajetória, só de sambas, com músicas de Zeca Pagodinho, Guinga e Aldir Blanc, Chico Buarque, Noca da Portela, Nei Lopes e outros. Nesse mesmo ano, saiu o livro Cantando para não enlouquecer, biografia escrita por José Louzeiro (Editora Globo).
    Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira
    Art Editora e PubliFolha

     Escute uma amostra do trabalho:
    O meu guri
    (Chico Buarque)
    Com Elza Soares

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    Obama e o secretismo dos ataques com aviões não tripulados



    29.Dez.13 :: Outros autores
    Apesar das cínicas garantias de Obama, os ataques com drones continuam a vitimar milhares de civis, numa das mais sistemáticas operações de terrorismo de Estado que o imperialismo juntou até agora ao seu infindável rol de crimes.


    Há duas semanas muitas pessoas morreram num novo ataque violento. Desta vez não se tratou da acção de um homem armado nem de um estudante que levou a cabo um tiroteio numa escola. As vítimas foram um grupo de famílias que se dirigiam a um casamento na localidade de Radda. Radda não se situa no Colorado nem em Connecticut, mas no Iémen. A arma utilizada não foi uma pistola semiautomática de fácil obtenção, mas mísseis lançados por um avião não tripulado dos Estados Unidos. Dezassete pessoas, na sua maioria civis, morreram no ataque, perpetrado na quinta-feira 12 de Dezembro. O Serviço de Jornalismo de Investigação (BIJ, na sua sigla em inglês), uma organização com sede em Londres que monitoriza os ataques estado-unidenses com aviões não tripulados, publicou recentemente um relatório sobre os seis meses posteriores ao mais importante discurso do Presidente Obama acerca da guerra com aviões não tripulados, pronunciado na Universidade Nacional de Defesa (NDU, na sua sigla en inglês) no mês de Maio. Nesse discurso Obama prometeu que “antes de realizar um ataque, haverá quase absoluta certeza de que nenhum civil morrerá nem resultará ferido, o parâmetro máximo que podemos fixar”. O Serviço de Jornalismo de Investigação resumiu no seu relatório: “Seis meses passados sobre esta fixação dos parâmetros estado-unidenses para a utilização de aviões não tripulados armados pelo Presidente Obama, uma análise do nosso Escritório demonstra que morreram mais pessoas em ataques encobertos com aviões não tripulados no Iémen e Paquistão nesse período do que nos seis meses anteriores ao discurso de Obama”. Custa compreender que num país que rejeita e condena os assassínios massivos que ocorrem com demasiada frequência no seio das suas próprias comunidades o Governo mate sistematicamente tantas pessoas inocentes no estrangeiro.
    Uma das maiores dificuldades para se poder fazer uma avaliação do programa de ataques com aviões não tripulados dos Estados Unidos é o secretismo que o rodeia. Os funcionários estado-unidenses não falam do programa, e muito menos de ataques específicos, especialmente quando morrem civis. Como reconheceu Obama no seu discurso: “A maioria das críticas aos ataques com aviões não tripulados, tanto aqui como no estrangeiro, centram-se, naturalmente, nas denúncias acerca das mortes civis. Há uma grande margem entre a estimativa das mortes realizada pelo Governo dos Estados Unidos e a dos relatórios não-governamentais. Entretanto, é um facto indiscutível que os ataques estado-unidenses provocaram mortes civis”. A BIJ calcula que nos últimos doze anos o número de mortos em ataques estado-unidenses com aviões não tripulados no Paquistão, Iémen e Somália supera os 4.000.
    Enquanto os media estado-unidenses centram toda a atenção na possibilidade de que nos próximos anos a Amazon.com utilize pequenos aviões não tripulados para enviar as encomendas de Natal, é importante reflectir seriamente acerca do que estes robots aéreos estão fazendo atualmente. O correspondente de DemocracyNow! Jeremy Scahill vem há anos denunciando as guerras encobertas dos Estados Unidos. Fê-lo recentemente no seu livro e documentário denominado “Dirty Wars” (Guerras sujas). O filme acaba de ser nomeado para um prémio Óscar ao melhor documentário do ano. Após a nomeação, Scahill disse-nos: “Esperamos que, através do documentário, as pessoas prestem atenção a estas histórias, que os estado-unidenses conheçam, por exemplo, o que sucedeu aos residentes de uma localidade beduína em al-Majalah, Iémen, onde mais de trinta mulheres e crianças morreram num ataque com um míssil de cruzeiro estado-unidense que a Casa Branca tentou encobrir. Ou que fiquem a saber das pessoas que morrem em ataques nocturnos no Afeganistão ou em ataques com aviões não tripulados no Iémen e Paquistão”.
    No seu discurso perante a Universidade Nacional de Defesa, o Presidente Obama afirmou: “Os Estados Unidos não realizam ataques para castigar as pessoas. Actuamos contra os terroristas que representam uma ameaça constante e iminente para o povo estado-unidense, e quando outros governos não são capazes de enfrentar essa ameaça de forma eficaz”. Nem Obama nem os seus colaboradores explicaram que tipo de ameaça representava para o povo estado-unidense um grupo de veículos que se dirigia a um casamento. O Governo do Iémen cumpriu a tradição local e indemnizou as famílias que foram vítimas do ataque mediante a entrega de 101 espingardas Kalashnikov e pouco mais de 100.000 dólares.
    Os aglomerados rurais do Iémen encontram-se bloqueados no meio de um violento conflito, segundo refere Human Rights Watch num relatório publicado em Outubro intitulado “Between a Drone and Al-Qaeda” (“Entre os aviões não tripulados e a al-Qaeda”). Um mês apenas antes de Obama pronunciar o discurso perante a Universidade Nacional de Defesa, Farea al-Muslimi, um eloquente jovem iemenita que frequentou durante um ano a escola secundaria nos Estados Unidos, apresentou o seu testemunho numa audiência do Congresso. Seis dias antes desse testemunho, um ataque com avião não tripulado tinha atingido a sua aldeia, Wessab. Farea declarou: “O que os moradores de Wessab sabiam sobre os Estados Unidos baseava-se nas minhas narrativas acerca das minhas maravilhosas experiencias aqui. Agora, em contrapartida, quando pensam nos Estados Unidos, pensam no terror que sentem pelos aviões não tripulados que os sobrevoam, prontos para disparar mísseis a qualquer momento. Um avião não tripulado conseguiu num instante o que militantes violentos nunca antes tinham conseguido. Agora existe uma profunda ira contra os Estados Unidos em Wessab”. Finalizou o seu testemunho com a esperança de que “quando os estado-unidenses souberem realmente quanta dor e sofrimento têm causado os ataques com aviões não tripulados estado-unidenses (…) rechaçarão este devastador programa de assassínios selectivos”.
    Os acontecimentos de violência sem sentido nos Estados Unidos configuram uma extensa lista de nomes associados a dor e a perda: Columbine, Tucson, Aurora, Newtown, Littleton. Graças ao constante trabalho de activistas comprometidos, jornalistas valentes e funcionários responsáveis, talvez os estado-unidenses venham também a recordar os nomes de Gardez, Radda, al-Majalah, Mogadíscio e de tantos outros lugares onde os ataques com aviões não tripulados continuam a ocorrer, sob um manto de secretismo.
    Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.
    © 2013 Amy Goodman
    *Amy Goodman dirige Democracy Now!, um noticiário internacional que é diariamente emitido em inglês em mais de 750 emissoras de radio e televisão e em espanhol em mais de 400. É coautora do livro “Os que lutam contra o sistema: Heróis comuns em tempos extraordinários nos Estados Unidos”, editado por Le Monde Diplomatique Cone Sul.

    sábado, 28 de dezembro de 2013

    5º aniversário dos bombardeamentos de Israel a Gaza: Operação Chumbo Fundido” (2008)

    Documento



    28.Dez.13 :: Outros autores



    A par do opressivo sistema de apartheid em que vivem os palestinos residentes em Israel, o mundo assiste a sucessivas usurpações territoriais na Cisjordânia e a agressões às populações residentes em territórios palestinos, actos de terrorismo de estado cometidos por parte do governo Israelita sobre o povo e o estado palestino.
    Todavia, a Organização de Libertação da Palestina já em 1988, no espírito das resoluções nº 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU, proclamara a independência do Estado da Palestina nos territórios ocupados por Israel na guerra de 1967, a Margem Ocidental do rio Jordão, incluindo Jerusalém Oriental, e a Faixa de Gaza – desígnio que continua por cumprir.
    O CPPC assinala a hipocrisia daqueles que, pretendendo assumir-se como exemplares defensores dos direitos humanos, pelo contrário são eles mesmos os agressores ou patronos de agressões sobre povos do Próximo Oriente, com destaque para a Palestina, cujos direitos têm persistentemente sido preteridos em função dos interesses e abusos do estado de Israel, com o apoio material e diplomático dos EUA.
    Nesta oportunidade invocamos o 5º aniversário da ofensiva terrorista lançada sobre a faixa de Gaza entre 27 de Dezembro de 2008 e 18 de Janeiro de 2009 - conhecida por operação “chumbo fundido” - a mais destruidora intervenção militar contra a população palestina que sobrevive, como que aprisionada, na Faixa de Gaza. Essa agressão, que provocou cerca de 1400 mortos e 5000 feridos, a larga maioria civis, assim como efeitos devastadores nas infra-estruturas e na economia daquele território, foi objecto de condenação de Israel em sede do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
    Os factos ficaram registados no Relatório Goldstone, datado 15 de Setembro de 2009, redigido pela subsequente Missão de Investigação da ONU a Gaza, no qual são indiciados quer as Forças Armadas de Israel quer os militantes palestinos por crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade, e foi recomendado que as partes avaliassem as suas próprias condutas e, caso o não fizessem, propondo levar as alegações até ao Tribunal Penal Internacional. Israel rejeitou liminarmente o relatório. Este, apesar de aprovado no Conselho de Direitos Humanos da ONU, e seguidamente na própria Assembleia Geral, a 5 de Novembro de 2009, foi ignorado pelas potências tradicionalmente coniventes com Israel, e em particular, foi rejeitado pelos EUA e potências ocidentais.
    O CPPC denuncia a cínica diplomacia da União Europeia como cúmplice na política belicista levada a cabo por Israel. A União Europeia continua a tolerar, e a apoiar de facto, as intenções expansionistas de Israel, bem como os planos de controlo de rotas e de recursos do Médio Oriente por parte dos EUA e seus aliados.
    O CPPC reafirma a urgência do cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e apela à Assembleia Geral da ONU para que condene Israel pelos crimes de guerra e contra a humanidade cometidos ao longo dos últimos 60 anos e pugne pelo fim imediato da agressão ao povo palestino.
    O CPPC reafirma a sua solidariedade para com o povo palestino, no seu direito a:
    • O estabelecimento de um Estado da Palestina dentro das fronteiras de 4 de Junho de 1967, com Jerusalém Leste como capital;
    • O fim da ocupação israelita;
    • A interrupção da construção dos colonatos e o desmantelamento dos existentes;
    • O derrube do Muro de Separação;
    • O fim do bloqueio a Gaza;
    • A libertação dos presos políticos palestinos;
    • O respeito do direito ao regresso dos refugiados.
    As organizações signatárias apelam a todos os cidadãos para que se mobilizem e manifestem, de forma comprometida e solidária, em apoio às legítimas e justas aspirações de liberdade e independência do povo palestino, imprescindíveis à estabilidade e à paz no Próximo Oriente.
    Organizações que subscreveram (até ao momento):
    • Associação Conquistas da Revolução;
    • Colectivo Mumia Abu-Jamal;
    • Cooperativa Mó de Vida;
    • CPPC - Conselho Português para a Paz e Cooperação;
    • Ecolojovem - «Os Verdes»;
    • FESAHT – Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal;
    • ID - Associação Intervenção Democrática;
    • Interjovem;
    • STEFFAS – Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa.

    sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

    Federal Reserve: Agonia mortal no seu 100º aniversário


    por Valentin Katasonov [*]
    O Federal Reserve Act foi promulgado em 23 de Dezembro de 1913 quando, há uma centena de anos, a lei foi assinada pelo presidente Woodrow Wilson. Desde então o Federal Reserve System tornou-se um factor determinante da economia e da política estado-unidense.

    Um Federal Reserve System ilegítimo

    Muitos americanos acreditam que um bando de banqueiros internacionais alcançou o poder quando o Federal Reserve System (FRS) entrou em vigor. O presidente e o Congresso tornaram-se servos dos principais accionistas do FRS. A Federal Reserve Corporation, de propriedade privada, pertencente a um grupo de banqueiros, tornou-se o único poder real na América o qual começou então a competir pela dominância mundial. Numerosas publicações dedicaram-se ao assunto.

    O livro Secrets of the Federal Reserve, de Eustace Mullins, foi o primeiro a vir a lume no fim da década de 1940. Foi seguido por The Federal Reserve Conspiracy de Antony Sutton; The Syndicate: The Story of the Coming World Government de Nicholas Hagger, The Unseen Hand de A. Ralph Epperson e The Gods of Money de William Engdahl. Há um bestseller recente do antigo deputado Ron Paul chamado End the Fed . O poder do Federal Reserve no século XX instilou um falso sentimento da sua eternidade tal como o da emissão do dólar. Estas ilusões evaporaram-se gradualmente quando eventos no princípio do século XXI começaram a desdobrar-se... Ron Paul enumera muitos casos em que o Federal Reserve System tem estado em directa violação do Federal Reserve Act. O mais chocante é a concessão pelo Federal Reserve System de créditos incrivelmente gigantescos na quantia total de US$ 16 milhões de milhões (trillion) aos maiores bancos da América e da Europa durante a recente crise financeira. Não me refiro ao facto de que o próprio estabelecimento do Federal Reserve System foi uma flagrante violação da Constituição americana, a qual afirma claramente que só o Congresso está autorizado a emitir moeda, não um grupo de proprietários privados.

    Cenário da "fuga do dólar"

    O Federal Reserve System preservou sua influência ao longo de todo o século porque houve procura do US dólar produzido pelas suas impressoras, no país e além das suas fronteiras. Todos os esforços da política externa dos EUA desde o começo do século XX até o princípio do XXI centraram-se na promoção da mercadoria produzida pelas máquinas de impressão do Federal Reserve. Foi isto que levou ao desencadeamento de duas guerras mundiais e a um bocado de conflitos locais. Não era difícil manter a produção do Federal Reserve System com a procura pós II Guerra Mundial, quando o mundo obtinha a maior proporção de bens comprando-os aos EUA e dando dólares em contrapartida. Os EUA eram o maior accionista do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que promoviam o processo de "dolarização". Isto constituía o cerne do Plano Marshall com o lançamento de múltiplos programas de ajuda externa estado-unidenses.

    Graças à política de Kissinger para o Médio Oriente, apoiada pelo poder militar dos EUA, em 1973-1975 Washington conseguiu introduzir as bases do padrão petróleo-dólar. O mundo começou a vender o "ouro negro" apenas por dólares. Os mercados financeiros mundiais começaram a prosperar na segunda metade do século XX e os "instrumentos financeiros" eram predominantemente vendidos também em US dólares.

    A procura pelo dólar começou a cair nos últimos anos. A competição com outras divisas começou. O euro, o yuan e as divisas alheias à lista das moedas de reserva desafiaram a nota verde. Tentando livrar-se da dependência do dólar, líderes de outros países muitas vezes faziam declarações extremas as quais são percebidas pelos donos do Federal Reserve System como apelos ao boicote do padrão petróleo-dólar. No seu tempo, Saddam Hussein recusou-se a vender o "ouro negro" por dólares e comutou para pagamentos em euro. Washington respondeu imediatamente; a revolta resultou no derrube de Saddam Hussein e a sua posterior execução. Algum tempo depois o mesmo destino foi reservado a Muammar Qaddafi, o qual havia planeado abandonar o dólar pelo dinar dourado. Os planos de Washington fracassaram quando chegou a vez do Irão. As sanções estado-unidenses foram impostas há longo tempo (1979). Mas o país era um osso duro de roer. O Irão recusou-se terminantemente a utilizar o US dólar para transacções externas (deveria ser notado que todas as transacções tramitam através do sistema bancário dos EUA e são controladas pelo Federal Reserve System). Isto é um precedente perigoso, um exemplo que pode ser seguido por outros estados. Passos cautelosos para gradualmente afastar-se do dólar começaram a ser tomados pela China. Pequim concluiu uma série de acordos com outros países para utilizar divisas nacionais no comércio externo. Exemplo: está em vigor um acordo entre Pequim e Tóquio que prevê a utilização do yuan e do yen para as transacções comercias China-Japão pondo de lado todas as outras divisas, incluindo o US dólar. Estes eventos poderiam ser caracterizados como uma emancipação gradual em relação ao US dólar, processo que a qualquer dado momento pode tornar-se uma fuga da divisa dos Estados Unidos. Neste caso, o Federal Reserve System pode não morrer de imediato, mas tornar-se-á nada mais do que um banco central comum com operações limitadas apenas pelos desenvolvimentos económicos internos.

    O cenário do "Federal Reserve System" fora do negócio

    Alguns anos atrás ninguém poderia imaginar um cenário que considerasse a bancarrota do Federal Reserve System. Mas os apuros do FRS começaram a agravar-se rapidamente a partir de 2010 devido à implementação da política da facilidade quantitativa (quantitative easing). Anunciando o objectivo de restaurar a economia nacional e promover o emprego após a crise financeira, o Federal Reserve System continuou a aumentar a produção das suas impressoras. O mecanismo é tão simples quanto podia ser: o Federal Reserve System troca a sua produção de papel por diferentes espécies de títulos oferecidos por bancos americanos (US$85 mil milhões por mês durante o ano passado). Os papéis incluem títulos do Tesouro dos EUA ou títulos hipotecários. Estes últimos não são senão pedaços de papel que os financeiros chamam "activos tóxicos" no seu jargão profissional. O preço de mercado é extremamente baixo (de vez em quando flutua em torno de zero), mas o Federal Reserve System adquire-os ao seu valor facial ou quase ao custo nominal. O FRS só pode vender "activos tóxicos" a operar com prejuízo. A acumulação de tais "activos" criará uma bolha inchada de forma monstruosa. Há bolhas imobiliárias e cambiais, agora emergirá um novo tipo de bolha. Não se trata apenas dos papéis hipotecários; os títulos do tesouro também podem causar problemas. Hoje o Federal Reserve System paga um alto preço por títulos do tesouro mas amanhã o seu preço de mercado pode afundar. Assim o FRS terá prejuízo ao vendê-los. Qualquer organização comercial utilizará o seu próprio capital como uma reserva de prontidão para cobrir perdas. O mesmo se passa para o Federal Reserve System. Mas neste caso é apenas um capital simbólico representando apenas 3-4 por cento dos activos actuais do FRS. A propósito, ele deve cumprir exigências de capital inicial mínimo (as exigências estão definidas e os procedimentos estipulados por documentos especiais do Comité de Supervisão Bancária do Banco de Pagamentos Internacional (Bank for International Settlements) ). Actualmente o Federal Reserve System está longe de cumprir com estas exigências. Os peritos sabem bem disto mas as discussões nunca saem do círculo estreito de iniciados que traram do negócio. Ninguém entre os peritos pode propor algo como um plano significativo para resgatar o Federal Reserve System da bancarrota iminente.

    Cenário "bancarrota do governo"

    O Federal Reserve System tem actuado como o salvador do governo estado-unidense. O FRS concede empréstimos ao Tesouro ao comprar títulos de dívida. Naturalmente, ele não é a única entidade a salvar o governo. Muitas outras organizações dos EUA têm adquirido títulos do tesouro – bancos comerciais e de investimento, fundos de investimento, companhias de seguros, fundos de pensão. Os bancos centrais de outros países e ministérios das finanças até recentemente representavam metade das aquisições dos títulos do tesouro. Hoje a China, Japão, Arábia Saudita e alguns outros países com enormes reservas de ouro e divisas estrangeiras são os principais credores do governo dos EUA. A China e outros estão gradualmente a perder o desejo de acrescentar "papel verde" às suas reservas internacionais. No fim de 2013 um vice-governador do Banco da China fez uma declaração sensacional dizendo que a China já não era favorável à acumulação de reservas cambiais estrangeiras.

    O Federal Reserve System tornou-se o principal prestamista (doador) do Tesouro dos EUA. No terceiro round da facilidade quantitativa, "QE3", o Federal Reserve System começou a comprar a fatia do leão dos papéis utilizados pelo governo para cobrir os buracos orçamentais (a fim de pagar o défice orçamental). Um círculo vicioso começou: o Federal Reserve dá ao Tesouro a "nota verde"; em retorno o Tesouro dá os títulos ao Federal Reserve. Isso parece-se a um moto perpétuo monetário. Este mecanismo "fechado" priva a economia americana e mundial da divisa necessária, funciona só para si mesmo. A falta da "nota verde" será exponencialmente compensada por outras divisas e seus substitutos.

    Além disso, há mais uma armadilha à espera do governo dos Estados Unidos e do Federal Reserve System. O governo americano tem de utilizar o orçamento para amortizar a sua dívida. As taxas de juro actualmente estabelecidas pelo Federal Reserve System são cerca de zero. As taxas de juro dos títulos do tesouro (orientada pelas taxas do Federal Reserve System) também são extremamente baixas. Cerca de 7 por cento do dinheiro do orçamento é gasto com o reembolso das dívidas do governo. É aceitável. Mas vamos imaginar que as taxas de juro começam a crescer (mais cedo ou mais tarde elas inevitavelmente subirão). A percentagem do orçamento gasto no reembolso da dívida (pagamentos de juros) também aumentará. Peritos acreditam ser possível que 50 por cento do total do orçamento seria gasto para cobrir juros. Neste caso o moto perpétuo financeiro cessará porque atingirá um obstáculo natural como as receitas de impostos que abastecem o orçamento de estado dos EUA. Então o único cliente do Federal Reserve System – o governo americano – irá à bancarrota. Depois disso o próprio Federal Reserve System terá de abandonar o espectro.

    Há outros cenários a serem considerados, todos eles relacionados com o Federal Reserve System, o dólar e os Estados Unidos – os três pilares do sistema financeiro e político integrado. Todos eles são desfavoráveis aos proprietários do Federal Reserve System. Na verdade, exactamente a mesma situação foi enfrentada na primeira metade do século XX pelos proprietários do Banco da Inglaterra quando o US dólar começou a rivalizar com a todo-poderosa libra esterlina. A última oportunidade para os donos do Banco da Inglaterra preservarem "um lugar ao sol" foi desencadear uma guerra em grande escala. Receio que seja exactamente isso o que os actuais donos do Federal Reserve System tenham em mente.
    23/Dezembro/2013
    [*] Economista.

    O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .