quarta-feira, 27 de julho de 2016

Valter Xéu / Estado Islâmico no Brasil: Um cheiro de armação no ar

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Estado Islâmico no Brasil: Um cheiro de armação no ar

22.07.2016
Estado Islâmico no Brasil: Um cheiro de armação no ar. 24764.jpeg
Golpe, bandidagem no poder, congresso desmoralizado, justiça que só pensa em privilégios e que tem lado, mídia onde o bom jornalismo se ausentou das redações, fraude no Datafolha que mente descaradamente, tudo isso repercutindo fora do pais e aqui também.
Valter Xéu*
Eu já vinha falando com os amigos e ate escrevi alguns comentários no facebook, que esse governo interino poderia organizar um atentado a La Riocentro, no sentido de desviar a atenção do mundo das nossas mazelas politicas para o ato terrorista.
E ai aparece os gênios do governo interino e golpista, e inventa uma provável celular do Estado Islâmico no país, prende 10 pessoas e tenta com isso mostrar ao mundo que enquanto eles só pegam os terroristas depois do atentado, e às vezes com centenas de mortes.
Temos praticas em golpes de estado sem disparar um tiro e agora temos também inteligência para prender terroristas muito antes que deles cometerem qualquer tipo de atentado, muito embora às vezes damos azar como foi o caso do Rio Centro, mas ai já é outra historia.
Aqui, além do paraíso da corrupção em todas as instancias, nossos meninos terroristas conversam livremente nas redes sociais sobre atos, postam fotos e falam em adquirir armas livremente pela internet em uma empresa do Paraguai, quando qualquer traficante do PCC ou fora dele atuante no eixo Rio/São Paulo é capaz ate de vender armas muito mais possantes que o velho AK 47.
Enfim, é o Brasil cujos midiotas colaboraram para colocar no poder um bando de corruptos muito mais perigosos que os possíveis terroristas tupiniquins simpatizantes do Estado Islâmico.1
Mas acredite! A coisa não termina pelo simples ato em prender a rapaziada malukete que discutem ações nas redes sociais.
Durante a Olimpíada, com toda imprensa mundial aqui, um atentadozinho onde apareça uma estrela ou prenda alguém que votou no PT, esta feito o estrago e ai, o apoio da mídia é fundamental.
Lembrando que em atentado anterior na França, ate a repórter da Globo Carolina Cimenti, falando diretamente do local onde se deu as mortes próxima ao Stade de France, achou um pedaço de um passaporte sírio.
Então, achar aqui uma estrela, uma camisa vermelha ou uma carteira de identidade de alguém não será nenhuma novidade.
Em tempo:
Para vingar a morte das 84 pessoas em Nice na França, a força aérea francesa matou nesta quarta-feira (20) 124 civis sírios.
E quando vejo esses atos malucos na Europa e Estados Unidos, da uma vontade danada de dizer BEM FEITO!
*Valter Xéu é diretor e editor de Pátria Latina e Irã News em Brasília

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terça-feira, 26 de julho de 2016

Daniel Vaz de Carvalho / Crítica da crítica acrítica (I)

Crítica da crítica acrítica (I)

por Daniel Vaz de Carvalho

 
Antes que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão, de confusão, já que não seja de emenda.
Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes

O diabo é menino, tem mil modos de enganar os homens; e o que é pior, todos sabemos que nos engana e deixamo-nos ir (…) certo que já estive cuidando que cobiça deve ser o nome do mais feio diabo do Inferno e do mais néscio, inda eu digo mal: que néscios são os que ele engana.
Diogo do Couto, O Soldado Prático.
Juncker.1 – Não há neoliberais 

Já diziam os antigos que a esperteza do diabo era convencer as gentes que não existia. Assim está o neoliberalismo. Exceptuando trogloditas políticos e palonços, ninguém se assume como neoliberal.

São sociais liberais, social-democratas, socialistas, democratas-cristãos, praticam o neoliberalismo, mas recusam ser considerados neoliberais. O neoliberalismo transformou-se numa espécie de sociedade secreta que todos negam, embora defendam devotamente os seus dogmas.

Adotam as regras da OMC, do FMI, dos tratados ditos de "comércio livre" e os desta inconcebível UE, enfim, defendem a "economia de mercado" que afinal é tudo isto. Curiosamente, ilibam-se mutuamente. Passos Coelho considera Francisco Assis de "esquerda", Francisco Assis acha que Passos Coelho não é um neoliberal. Juncker (CE) e Draghi (BCE) são constantemente branqueados, especulando-se sobre miríficas boas intenções e sintomas de "mudança" nas suas declarações e iniciativas.

É fácil descrever em que consiste o neoliberalismo, é difícil encontrar um "neoliberal assumido"! Já pelo contrário se é fácil encontrar sociais-democratas, é difícil dizer em que consiste a social-democracia, já que tanto traiu os seus próprios princípios. Contudo, se quisermos aprofundar a questão procurar no "Manifesto" o que e Marx e Engels disseram sobre ao assunto. Resumindo, para a social-democracia, "os burgueses são burgueses no interesse da classe operária" (Manifesto).

O neoliberalismo é o mais violento meio de promoção das desigualdades depois do fascismo. O neoliberalismo é afinal um neofascismo que tem tido como objetivo colocar os países à mercê dos interesses de "uma elite financeira criminosa" (Cris Hedges). Uma "elite" e seus sicários que sem argumentos chantageiam os povos, subvertem Constituições democráticas e culpabilizam trabalhadores pelos seus direitos.

Um simulacro de democracia é mantido por eleitos que logo abandonam programas e promessas. Para porem em prática o seu programa não lhes resta senão mentir sobre as intenções e tergiversar sobre as consequências. O que está em causa é o poder democrático ou o de tratados feitos à revelia dos povos; um poder que verdadeiramente represente as aspirações populares e interesses nacionais ou o poder das burocracias da UE e do FMI

O neoliberalismo não foi uma reação á social-democracia, pois a social-democracia continha todos os germes da sua degradação reacionária. Na fase do capitalismo monopolista de Estado, colocavam-se duas vias: uma forma de transição para o socialismo, ou o domínio do capitalismo monopolista transnacional. [1]

A social-democracia escolheu esta última hipótese, camuflada com quiméricas virtudes da sua "economia de mercado". Dizendo-se de esquerda adotou o neoliberalismo, defendendo-o como "modernidade" e procedendo como se no social a modernidade se revisse no século XIX. Também os fascismos se assumiram como "modernidade".

O neoliberalismo exprime não a força do capitalismo e a sua eficiência, mas a sua decadência, já só travada pela chantagem, a manipulação, a violência.

2 - Dizem não, mas recusam a negação 

Os críticos acríticos, criticam, mas não negam o sistema. Criticam as consequências, mas aceitam as causas. Ilibam o sistema que as produz. As dívidas são sagradas, mesmo ilegítimas, ilegais ou odiosas. [2] Os juros são de acordo com o que as agências de rating definem, a política cambial está à mercê dos interesses que o BCE e o FMI defendem; a fiscalidade aos oligarcas e os paraísos fiscais são intocáveis, a taxa Tobin só entrou na sua agenda de propostas, como forma de manipulação sobre o combate à especulação e a "regulação financeira".

Tobin propunha 0,5% sobre as transações financeiras, na UE o objetivo era 0,1% para ações e obrigações 0,01% para produtos derivados, em 2014 foi recusada porque "seria desequilibrado para a nossa (?!) praça europeia".

Os "críticos" ignoram tudo isto. Discutem longamente sobre o que existe, sem considerar a hipótese de um sistema diferente. É um fixismo escolástico em que as críticas se resumem à intensidade com que são aplicadas as mesmas medidas.

No essencial, não vão além do que o fascismo salazarista dizia na promoção da caridade: "que os ricos sejam um pouco menos ricos para que os pobres sejam um pouco menos pobres". Nas teses vigentes: "que os ricos sejam mais ricos para que os pobres sejam menos pobres". A isto se resumem as dissertações sobre a "confiança" e a "credibilidade" junto dos "mercados".

Para conseguir a "credibilidade" reduzem-se impostos sobre o (grande capital), suprime-se a legislação laboral, apelidada de "rigidez", fazem-se privatizações e apetitosas PPP, impõe-se austeridade para "satisfazer os nossos compromissos" pois o Estado tem de se comportar como uma pessoa de bem, mas apenas para os credores. A confiança e credibilidade perante os cidadãos pouco conta.

Nos media proliferam "comentadores". A designação é consequente. De facto, na escolástica medieval não havia investigadores, apenas "comentadores" dos textos dos mestres, assimilados como dogmas. Fazem análises, emitem prognósticos, defendem as "medidas" autorizadas pela UE e se tudo se passa ao contrário do que dizem, a culpa é de não se terem feito "reformas estruturais", da "rigidez laboral" e da "integração europeia" não ter avançado.

As suas gongóricas elucubrações desenrolam-se à volta das "regras da UE" e da conformidade e submissão à dogmática vigente As causas que originam e agravam as crises não são averiguadas. O que sai fora do nihil obstatneoliberal é dado como blasfemo e herético. São a clerezia do neoliberalismo e suas instituições, FMI, BCE, CE, a troika dos interesses oligárquicos.

Os "críticos acríticos" têm uma estratégia: fazer boa figura nos debates, mentir o que for necessário perante a opinião pública, jogando com a sua perda de memória e a desinformação vigente. A falácia dos argumentos, o recurso à intriga e à calúnia substitui-se à verdade dos factos, para tornar legítimos interesses que socialmente não o são e que os negócios privados passem por interesse geral. Parafraseando Marx: "alcançam a sua expressão adequada senão quando (tanto o que defendem como o que atacam) se transforma em simples figura retórica".

As regras europeias permitem a corrupção financeira, a especulação e a usura exercerem-se sem entraves de maior. Mas os "críticos" o mais que fazem é encenar uma patética inquietação e desencanto "por esta Europa". Desejariam o "sonho europeu" inicial, isto é…um outro neoliberalismo! Porque é isto que está contido desde a formação da CEE/UE. [3]

Fantasiam a "responsabilidade empresarial", como medida de ética social, mostrando total ignorância ou meros preconceitos de classe quanto ao essencial de funcionamento do sistema capitalista: maximizar o lucro.

Parecendo interessados em mudar alguma coisa – para tudo ficar na mão dos mesmos – expressam uma idílica "cooperação entre Estados", talvez de raiz keynesiana – por exemplo vertida na carta de Havana (1948) – que nem nos tempos heroicos do keynesianismo foi posta em prática, pois Washington impôs que fosse deitada para o lixo apesar de assinada por 53 países. [4]

Os críticos acríticos não vão além de preces ao capitalismo "regulado" por entidades ditas independentes apenas motivadas por questões técnicas, como empresas de auditoria, agências de rating e burocracias de âmbito transnacional. Porém tanto as suas técnicas como os critérios da sua independência, só têm validade em conformidade com o modo de produção e os interesses que defendem.

3 - O confronto com o marxismo 

Não é possível compreender o que se passa no mundo sem recorrer ao marxismo. Mas sem essa compreensão, como acontece aos críticos acríticos, não é possível encontrar as soluções necessárias.

Recusam a luta de classes, que o marxismo teria inventado, substituindo-a uma hipotética colaboração entre capital e trabalho, sob a égide do grande capital, fazendo seus, talvez sem darem por isso, um desiderato do fascismo.

O valor-trabalho é negado para que o capitalista seja apresentado como o "agente principal da produção" e a "economia de mercado" seja dominante, como se a sua lei da oferta e da procura não estivesse totalmente subvertida pelos oligopólios e pela especulação.

Na sua obsessão financeira "dinheiro cria dinheiro", ignoram o que seja capital fictício. Assim, bolhas financeiras, crises, imparidades, dívidas, são tratadas como falhas de regulação.

Para os "críticos acríticos" as questões sociais, "o crescimento e o emprego", reduzem-se a questões da falta de "rigor orçamental" e "estímulos aos investidores" pelo que é necessário dar-lhes "confiança" e ter "credibilidade".

Quanto ao juro é sempre legítimo e ditado pelas regras (?) dos "mercados", ignorando que o juro, como Marx afirmou, é sempre extração de mais-valia aos povos ou repartição da mesma entre capitalistas.

A forma habitual de denegrir o marxismo é deturpá-lo. Marx nunca disse que a luta de classes levaria ao socialismo e à supressão das classes, aliás como se tudo isto fosse hediondo e não um estado superior do desenvolvimento social e civilizacional.

O que Marx disse foi que a luta de classes era o motor da História. Quanto ao socialismo tal só seria possível pela Revolução, entendida como um processo democrático e popular tendo em vista a superação das contradições do capitalismo. Um processo cujas fases de transição não obedecem a modelos, mas sim aos critérios do materialismo dialético, desenvolvidos com as contribuições no âmbito do marxismo-leninismo.

No socialismo, permanecem diferentes classes sociais num processo de desenvolvimento anti-monopolista, anti-latifundiário e anti-imperialista. Eis o que os "críticos" não podem nem aceitar nem contestar, por isso deturpam, caluniam. Aliás Marx e Engels sempre distinguiram entre o pequeno proprietário e a oligarquia (a burguesia em termos marxistas).

Combatem a luta de classes como uma tenebrosa invenção do marxismo, fazendo por ignorar que é ela imposta ao proletariado contra a exploração capitalista, para lhe garantir não só a sua subsistência, mas a sua dignidade.

Totalmente escamoteada das arengas dos "críticos" é a guerra de classe – não apenas luta – movida pelas oligarquias apoiadas pelo imperialismo contra a democracia e as transformações progressistas em muitos países, como ocorreu em Portugal após o 25 de ABRIL, o Plano Condor na América Latina, golpes na Indonésia e em África, ou mais recentemente no Paraguai, nas Honduras, na Venezuela, etc. [5] Sem vislumbre de coerência ou sensibilidade humana e social os críticos acríticos acusam de totalitarismo governos democráticos e progressistas na defesa da sua soberania, sendo os seus líderes caluniados como ditadores.

Na defesa dos interesses anti-sociais da austeridade, a prosápia dos "críticos" "atinge a expressão adequada quando se converte em simples figura de retórica" (Manifesto) reconhecendo que "o reino da liberdade só começa com o fim do reino da necessidade". (Engels)

Só por ignorância ou má-fé, pode dizer-se que os marxistas rejeitam a evolução social por via parlamentar. O que o marxismo sempre combateu foram as ilusões que a social-democracia difunde aos trabalhadores com uma "visão idílica da democracia burguesa" abandonando a luta de classes e a superação do capitalismo pela via revolucionária.

As soluções que os "críticos" justificam ou apresentam estão totalmente ao invés das necessidades sociais, incapazes em absoluto de alterar as causas das crises. Não passam de meras ilusões e de voluntarismos que consistem na intensificação das mesmas politicas, mostrando a sua incapacidade e demissão na abordagem das causas materiais dos problemas.

A defesa de uma economia disfuncional drogada pela especulação está esgotada. Não é possível qualquer transformação da sociedade sem mudar a estrutura material, o modo de produção e os modos de sobrevivência das pessoas. A questão da propriedade monopolista e dos oligopólios, a questão do planeamento económico democrático não pode ser escamoteada.

"Críticos", mesmo os "radicais", alinharam arrogantemente nas teses em que defender o marxismo era ir para o "caixote do lixo da História". Porém, caiu-lhes em cima o lixo de insuperáveis crises capitalistas e a desagregação da sua UE.

Perante isto aparecem agora a retomar críticas que pela análise marxista o PCP formulara há muito. Um mínimo de honestidade intelectual obrigá-los-ia a referir quem primeiro as tinha produzido e defendido apesar de ignorado e caluniado pelos mesmos que agora as procuram repetir. Não nos enganemos, são coerentes: trata-se apenas de fingir que são sensíveis ao descontentamento com o sistema; mais uma vez, consciente ou inconscientemente, manipulação.

Em qualquer sistema científico, só estudando as causas dos problemas se encontram os métodos e fórmulas da sua resolução. Na vida social a dialética consiste em procurar a contradição na raiz das causas. (Lenine)

É nisto que a crítica marxista se distingue da crítica "acrítica", prosseguido o processo dialético da negação da negação: a superação das contradições do capitalismo tendo em vista um nível superior dos conceitos de propriedade "baseada na cooperação e na posse coletiva" (Marx, O Capital, Livro I, tomo II). A propriedade coletiva, entendida como uma forma superior da propriedade individual – um dos fundamentos da democracia socialista. 
[1] Acerca do capitalismo monopolista transnacional
[2] Le chiffres de la dette 2015 , p.16, ,
[3] Leia-se Álvaro Cunhal, Passado e futuro da revolução portuguesa, Ed. Avante
[4] Préambule à la Charte de La Havane , Jacques Nikonoff,
[5] Venezuela: os pontos chave da guerra não convencional contra a Venezuela , Gustavo Borges Revilla, Diego Sequera, 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

PCR / Fora Temer! Pelo poder popular e o socialismo!

Fora Temer! Pelo poder popular e o socialismo!

fora temer 5O golpe parlamentar que afastou da Presidência Dilma Rousseff, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros, e impôs à nação o governo interino de Michel Temer, em vez de diminuir, agravou a crise política e econômica vivida em nosso País. Como sabemos, esse golpe foi resultado de ampla articulação que teve no centro a grande burguesia nacional, suas entidades (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp, Confederação Nacional da Indústria – CNI, Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, entre outras), os partidos (PMDB, PSDB, PPS, DEM, PSB, DEM, PP, PTB e PSD), e contou com o apoio dos grandes meios de comunicação e dos altos mandos das Forças Armadas.
Prova do aprofundamento da crise política é que, em menos de 40 dias, três ministros foram demitidos, o governo teve que voltar atrás em várias das medidas adotadas, como o fim do Ministério da Cultura, o cancelamento dos contratos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), bem como o crescente descrédito e desaprovação popular ao Governo Temer, registrado em todas as pesquisas realizadas. Vale salientar que essas vitórias foram possíveis graças a centenas de manifestações populares e à adesão cada vez maior do povo à palavra de ordem “FORA TEMER”.
Por outro lado, verificamos o agravamento da crise econômica: os desempregados já chegam a 12 milhões e o governo estima que poderá passar de 14 milhões até o final do ano; o custo de vida torna-se insuportável, como evidencia o preço do quilo do feijão – que em algumas cidades chega custar R$ 14,00 –; o aumento do número de famílias morando nas ruas; o crescimento do número de estudantes que abandonam as universidades; o fechamento de milhares de empresas e a suspensão da produção por diversas fábricas.
Enquanto isso, prossegue o maior assalto da história do País aos cofres públicos e ao dinheiro da Nação, com dois dos maiores banqueiros brasileiros ocupando o Ministério da Fazenda (Henrique Meirelles) e a presidência do Banco Central (Ilan Goldfajn). De fato, só neste ano, o Governo do Brasil, às custas do caos na saúde pública e da privatização do patrimônio público brasileiro, pagará aos banqueiros R$ 600 bilhões.
Portanto, conforme afirmamos em março, “um governo de Michel Temer, apoiado pelo PSDB e bandos fascistas, não vai tirar o Brasil da crise. Pelo contrário, se hoje está ruim para os trabalhadores, com Temer, PMDB, DEM e PSDB no governo ficará ainda pior. Entretanto, como sabemos, o PT e o PCdoB foram corrompidos pela burguesia, abandonaram o socialismo e aderiram de corpo e alma às concepções burguesas, isto é, ao capitalismo, e passaram a defender como natural a propriedade privada dos meios de produção e a exploração do homem pelo homem. Para financiar suas milionárias campanhas eleitorais, envolveram-se num grande esquema de corrupção na Petrobras e nas obras públicas, além de terem seus principais dirigentes envolvidos em maracutaias, com parentes virando empresários, etc., o que os levou a perderem a autoridade moral indispensável para travar a luta política pela transformação da sociedade. Consequentemente, não mais se constituem numa alternativa popular em nosso País. É preciso perder qualquer ilusão em relação a essas forças. Depois, nenhuma situação de polarização política como a que vivemos hoje fica indefinida por longo tempo”.
Na realidade, a crise se acelera numa velocidade gigantesca. A cada dia, novas denúncias de corrupção e a incapacidade de apresentarem saídas para a crise em favor do povo desmoralizam os principais partidos políticos da burguesia e da socialdemocracia, e suas principais lideranças tornaram-se incapazes de representar todo o sentimento de revolta e vontade de mudança das massas populares.
Diante de uma crise política e econômica de tal magnitude, as forças políticas da direita e da esquerda se apresentam confusas e mudam suas posições a cada semana. Tal fenômeno ocorre particularmente com a socialdemocracia e a pequena burguesia. Há, no entanto, um ponto em comum em todas essas posições: querem uma solução sem a classe operária estabelecer seu poder e domínio na sociedade, isto é, querem manter a burguesia como classe dominante e lutam para conservar o capitalismo e não para derrubá-lo. Já nós, os comunistas revolucionários, lutamos para derrubar este domínio burguês; defendemos uma revolução popular e uma nova sociedade, uma sociedade socialista.
Em outras palavras, vivemos um período de grande disputa e debate político nas ruas, fábricas, universidades, escolas, enfim, em toda a sociedade. Essa situação exige que cada dirigente e cada militante do PCR assuma seu papel neste momento histórico. Camaradas, é urgente cumprir e levar à prática as tarefas revolucionárias que o momento exige. Temos que romper com qualquer defensiva ou teoria de que não Podemos influir nos rumos do País. Como disse Lênin, “a questão não está no número, mas na exposição correta das ideias e da política do proletariado verdadeiramente revolucionário”. Isso significa que temos que ir às ruas, às fábricas, às escolas, às universidades. É necessário levar nossas propostas para mudar o País para a classe operária e para o povo. Defender que a saída para a crise é o poder popular, que é preciso parar de imediato com a sangria do dinheiro público para os banqueiros, suspender o pagamento dos juros da dívida, reestatizar todas as estatais privatizadas, realizar a reforma agrária popular, controlar as remessas de lucros, taxar as grandes fortunas, estabelecer o controle popular dos grandes meios de comunicação, pôr fim ao lucro na educação e na saúde, estatizar as empreiteiras que assaltaram os cofres públicos, ampliar as liberdades de organização e expressão, prender todos os corruptos e torturadores, defender que “ditadura nunca mais”, apurar todos os crimes da ditadura militar, prender todos os estupradores e agressores de mulheres, reduzir a jornada de trabalho, lutar pelo direito ao emprego, reduzir imediatamente os preços dos alimentos, dar moradia para todas as famílias que não têm casa, etc. A solução para a crise é pôr fim ao domínio dessa classe dominante que nos explora há séculos. É o poder popular. É o socialismo.
É nosso dever tomar a iniciativa política em todos os lugares onde atuamos e destacar militantes para irem aos bairros e fábricas levar nossa proposta política e apresentar nosso programa para a saída da crise sintetizado na palavra de ordem “Fora Temer! Pelo Poder Popular e pelo Socialismo!”.
Junho de 2016
Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR)
Postado em 11 julho, 2016 às 18:05.
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