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domingo, 20 de dezembro de 2020

Nassif diz estar "juridicamente marcado para morrer"

 

Nassif diz estar "juridicamente marcado para morrer"

"Estou juridicamente marcado para morrer por críticas que faço ao Judiciário, cumprindo minha função de jornalista", afirma o editor do GGN, Luis Nassif, sobre a ofensiva judicial de que é alvo

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | ABr)
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Por Luis Nassif, no GGN - A atuação do Judiciário, em relação às ações contra sites e jornais, está extrapolando qualquer limite de razoabilidade.

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A falta de jurisprudência, de consenso, de regras mínimas de atuação está transformando o Judiciário na maior ameaça à liberdade de expressão desde os anos de chumbo da ditadura militar. O protagonismo político da Justiça espalhou-se por todos os poros da corporação. Não há mais limites para a atuação de juizes militantes, fazendo do seu poder uma arma politica, não apenas para inviabilizar a liberdade de expressão, mas para a própria destruição dos “inimigos”.

Criou-se uma atmosfera em tudo semelhante à dos anos 70, quando muitos profissionais, marcados pela ditadura, eram obrigados a mergulhar, a buscar trabalhos de forma clandestina, para não serem esmagados pelas restrições impostas pela ditadura.

Narro a minha situação, que deve ser igual a de outros jornalistas que não possuem o respaldo de empresas jornalísticas, alvos de uma ofensiva que, se não for contida, inevitavelmente atingirá também os grupos jornalísticos.

Estou juridicamente marcado para morrer por críticas que faço ao Judiciário, cumprindo minha função de jornalista.

  1. Caso Luiz Zveiter

O desembargador Luiz Zveiter, com inúmeros inquéritos correndo contra ele no Conselho Nacional de Justiça, entra com uma ação contra mim e o GGN. O juiz fluminense, de 1a instância, estipulou condenação de R$ 100 mil, obrigatoriedade de pagar imediatamente, sob pena de mandar o meu nome para o Serviço de Proteção ao Crédito, e proibição de voltar a criticar Zveiter.

  1. Caso Eduardo Cunha

No último dia 16 minha conta corrente sofreu um bloqueio inusitado, por ordem de um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Confiscaram o pouco que havia e impuseram um bloqueio de R$ 50 mil sobre o saldo devedor, de tal maneira que nos próximos dias, quando cair na conta minha única fonte de renda – proventos de aposentadoria – será completamente sugada por este bloqueio. Não apenas isso. Estão sujeitas ao bloqueio todas as fontes de receita do Jornal GGN, assinaturas, publicidade, em sistemas de pagamento, sem nenhum limite: confiscar tudo o que encontrar pela frente.

A sentença do Tribunal de Justiça do Rio reverteu decisão de 1a instância e me condenou por difamar… Eduardo Cunha, “equiparando-o a sonegadores”. Cunha está condenado por crimes muito mais graves do que a sonegação. Consumado o confisco, ficarei sem recursos para bancar faculdade de filhas, planos de saúde, pensão a ex. E, concretizado o bloqueio sobre o GGN, não haverá recursos para salários e sequer para manutenção de servidores de Internet.

Tempos atrás Joyce Hasselman foi absolvida por ter chamado Lula de “ladrão” e “corrupto” em vídeos assistidos, em geral, por mais de um milhão de pessoas. De acordo com o juiz, “a evidente gravidade dos dizeres dirigidos ao Querelante mostra-se, no entanto, francamente proporcional à extrema gravidade dos fatos notórios, que ao tempo publicação no blog já eram de amplo conhecimento público”. “Diante dos fortes indícios de existência de corrupção no governo federal, em proporções nunca antes vistas, não seria possível esperar uma reação por parte da opinião pública (e consequentemente, também da imprensa) que não fosse de absoluta reprovação e revolta.”

O desembargador em questão já pensou diferente, como no processo de Ricardo Teixeira contra Juca Kfoury.

Disse ele:

“Na espécie, repito, o réu apenas informou aos seus leitores a notícia veiculada pelo jornal suíço, sem fazer acusação ou denegrir a honra e dignidade do autor.

É certo que a matéria é crítica e demonstra, um tanto, a insatisfação, à época e ainda evidente, da sociedade civil com os escândalos que insistem em assombrar nosso esporte, especificamente o futebol masculino nacional.

Contudo, diversas notícias envolvendo o autor, então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), foram publicadas por outros veículos da imprensa, algumas com fortes denúncias sobre sua conduta à frente da referida instituição, não havendo, nos presentes autos, qualquer informação acerca de eventuais medidas porventura tomadas pelo autor.

Nesta senda, em que pesem os eventuais danos de ordem moral sofridos pelo autor, não restou comprovada a conduta ilícita imputada ao réu, já que estamos diante, em verdade, do regular exercício do direito de informar, expressão da própria liberdade de imprensa, sem a qual o Estado Democrático de Direito sobreviveria.

A conclusão a que se chega é a de que a matéria reproduzida pelo réu não alcançou dimensão suficiente para denegrir a honra do autor, mormente quando comparada a um sem número de reportagens já veiculadas sobre a gestão do autor quando respondia pela aludida entidade”.

O que mudou em relação ao meu caso? A notória influência de Zveiter no TJRJ.

O desembargador em questão  entrou pelo quinto constitucional no TJRJ em 2007, por influência direta de Luiz Zveiter, então corregedor geral da Justiça do Rio.

3 – A foto de um homônimo

Uma mera fotomontagem, incluindo por engano foto de homônimo, resultou em uma condenação em tempo recorde pelo juiz de 1a instância, confirmada por um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O juiz decretou bloqueio de R$ 30 mil em uma conta conjunta que tenho com esposa. Ela entrou com uma medida  para desbloquear sua parte e o juiz limitou-se a decidir não decidindo – manteve o processo parado e a conta bloqueada. Decretou outros bloqueios em contas pessoais, contas de assinaturas do GGN.

Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu de R$ 60 mil para R$ 20 mil a condenação da TV Record, por ter veiculado reportagens – em um dos maiores canais abertos – acusando falsamente um homem de crimes de sequestro e estupro coletivo. A alegação foi a de que os males causados à sua imagem não foram tão relevantes.

No meu caso, não foi necessário que o reclamante apresentasse qualquer evidência de que uma mera foto, em uma fotomontagem, em uma reportagem que sequer mencionava seu nome, tivesse acarretando consequências profissionais ou pessoais para ele.

Tempos atrás, Joyce Hasselman fez um ataque torpe a uma filha minha, para seus mais de um milhão de seguidores, confundindo-a com uma homônima. Sua condenação foi de metade do valor da que recebi por ter publicado uma foto incorreta em uma mera fotomontagem.

  1. Caso João Dória Jr

O governador João Dória Jr entrou com uma ação contra o GGN, devido a artigo publicado por um colaborador. Pediu R$ 50 mil de indenização. O juiz aumentou de ofício para R$ 100 mil, alegando que o escritório do GGN fica em bairro nobre e isso justificaria as condições da empresa para pagar indenização maior. O escritório fica no endereço residencial de uma sócia.

  1. O caso MBL

O MBL entra com uma ação me acusando de ter dito que ele recebeu dinheiro da Lava Jato. O texto apenas mencionava a eficácia do grupo – de ter conseguido eleger bancadas com R$ 5 milhões de financiamento – para comprovar o potencial político dos R$ 2,5 bilhões da Fundação pretendida pela Lava Jato de Curitiba para gerenciar as multas da Petrobras. Não havia nenhuma afirmação de que os R$ 5 milhões do MBL seriam provenientes da Lava Jato. O texto era claro. O juiz de 1a instância rejeitou a ação. O desembargador me condenou  a R$ 10 mil alegando que o texto não era claro.

Simples assim: bastou achar que não era claro (e era) para avançar sobre mais R$ 10 mil, com total desconsideração pelo trabalho alheio.

O cerco

O cerco imposto está me expulsando do exercício do jornalismo. Pouco importa se tenho 50 anos de carreira, inúmeras premiações, um trabalho reconhecido na área de economia e na defesa dos direitos.

Assim como os malditos pela ditadura, continuando essa escalada terei que arrumar outra ocupação, manter-me no anonimato para que o salário recebido não seja também confiscado e possa manter o apoio à minha família e recursos para meu sustento.

Não se culpe o Judiciário como um todo. Há juízes profissionais, que cumprem com rigor a nobre função de julgar. Mas o poder perdeu o controle sobre o ativismo de juízes e desembargadores partidarizados, especialmente depois que o Supremo Tribunal Federal acabou com a Lei de Imprensa, não colocando nada no lugar e que Ministros, como Luis Roberto Barroso, passaram a estimular o protagonismo dos juízes.

Não há mais limites para condenações, sequer obediência a princípios básicos de razoabilidade.

Se não houver um movimento nacional de conscientização, envolvendo a parte saudável do Judiciário, dos Tribunais, a OAB, ABI, órgãos representativos da mídia, se não cair a ficha dos grupos de mídia sobre essa escalada contra a liberdade de expressão, se não cair a ficha de Barroso sobre o monstro que criou, se não cair a ficha do próprio Judiciário sobre as ameaças desse tipo de atuação à sua própria imagem, a ditadura poderá se tornar irreversível.

Inicialmente, com o Judiciário. Depois, sem ele.

Assista a entrevista de Luis Nassif à TV 247. 


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quinta-feira, 4 de julho de 2019

As mentiras de Sérgio Moro e a Liberdade de Imprensa no combate ao Fascismo



As mentiras de Sérgio Moro e a Liberdade de Imprensa no combate ao Fascismo


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BRASIL As recentes revelações do conluio entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol feitas pelo jornal The Intercept Brasilbalançaram todas as esferas políticas do país. A todo momento e em todo lugar se falam sobre tais revelações. Não é para menos, a natureza das conversas que alteraram do dia para a noite o estado da conjuntura nacional, a correlação de forças entre o fascismo e o povo estavam fundamentadas em um crime, “um esquema nacional” articulado unicamente para alterar o processo eleitoral e moldar o país à imagem e semelhança de um juiz parcial e aliado do atual governo Bolsonaro.
Sabatinado pelos senadores do Brasil, Moro estabeleceu seu meio de ataque à imprensa, como qualquer Bolsonarista. Não sendo capaz de comprovar sua inocência, partiu para argumentos falaciosos, não falando das conversas em si, mas indo mais fundo em subterfúgios argumentativos, ora sua memória falhava, ora descaracterizava a importância de suas mensagens, afirmando que um verdadeiro conluio entre juiz e procurador é algo “natural” e “comum” dado a agilidade de um “aplicativo de mensagem”, ou mesmo, o mais comum da sua natureza reacionária, descaracterizou a mídia, acusando o trabalho investigativo impecável do The Intercept Brasil como “sensacionalista” e “fora de contexto”.
Em vista disso, é muito compreensível que, em meio a essa indescritível e ruidosa confusão, Moro esteja se contradizendo continuamente, a cada nova atualização ou declaração. Nesse momento, o que resta a Moro não é senão reconhecer sua nova base de apoio, o fascismo aberto e descarado. Pudemos observar esse apoio se concretizando não nos bastidores da política, nas conversas particulares, mas em rede nacional, na sabatina do antigo Juiz e atual Ministro da Justiça com os senadores de todo o país. Sem mais a fama de “Herói Nacional” entre uma parte do povo, resta então caminhar na mesma estrada que os malandros da política decadente, soldados e policiais militares exonerados, trapaceiros, milicianos, burgueses investigados de todos os tipos de crimes políticos e de responsabilidade, em suma, caminhar junto a toda essa base social indefinida, dogmática, violenta, decadente e sem um rumo para si mesmo senão o da completa paralisia que, quando ameaçada, partem para a agressão verbal e física. Dessa forma, Moro hoje representa a si nos fascistas e os fascistas, tanto no senado e na câmara dos deputados, representam toda sua escória social e corrupção em Moro. Isso acontece porque neles se identificam interesses semelhantes que todos esses perseguem pessoalmente. Vem à tona, então, o verdadeiro Sérgio Moro, um sujeito que não se esconde mais atrás de mensagens no Telegram, mas expõe a si e sua podridão política em seus aliados mais ferrenhos no poder hoje.
Fato que ficou evidente antes de ontem (25), com a entrevista na câmara dos deputados do jornalista e escritor, ganhador do Prêmio Pulitzer, Glenn Greenwald. O jornalista mostrou seu brio e fibras de aço ao combater um a um os ataques pessoais e policialescos dos deputados(as) fascistas. Ao ser atacado pessoalmente e profissionalmente pelos deputados do PSL, Glenn deixou claro a posição firme de suas convicções, ao responder que “Ninguém tem medo do seu partido. Nossos jornalistas estão agora trabalhando nesta reportagem e vão continuar até o final. Nem o seu partido nem o governo Bolsonaro, nem Sérgio Moro podem fazer nada para impedir”. Greenwald disse, também, que haverá ainda mais revelações  de acordo com que cada material fique de acordo com o exigente rigor jornalístico do The Intercept Brasil. Fato é que Moro não tem acesso a como, quando, e qual mentira dele será atacada na próxima matéria, isso faz com que ele tenha que se reunir com seus chefes de operação, os EUA; como ele o fez enquanto Glenn Greenwald estava sendo entrevistado, elogiado e atacado na Câmara dos Deputados.
Por maior que tenha sido o fervor em algumas declarações dos deputados fascistas do PSL, na Câmara eles estavam em clara desvantagem perante os demais partidos democráticos. Seu discurso permaneceu, até certo ponto, “monossilábico”, fazendo as mesmas acusações e pedidos de prisão indiretos, falando que Glenn Greenwald era, em si, o hacker; para recuar depois na sentença mais comum entre os reacionários, cunhando em Glenn sua condição de “socialista”. Declara-se, então, toda forma antagônica a este dejeto de governo como socialista. Cunha-se de socialista a liberdade de imprensa, tal qual o simples ato de investigação à um regime democrático burguês.
Mas não se trata aqui de apenas um discurso de partido, de categorização do jornalismo do The Intercept Brasil. Os fascistas têm noção de que as armas que a “democracia” forjou voltam-se agora contra eles, que todas as instituições corruptas que eles (os fascistas) denunciaram em suas campanhas eleitorais são agora parte deles mesmos perante os olhos do povo. Essa fração da burguesia mais reacionária compreendeu, então, que todas as liberdades civis conquistadas pelo povo, como a liberdade de imprensa, se viram agora contra sua dominação de classe. Em vista disso, Moro e seus aliados partiram então em uma campanha contra a liberdade de imprensa, caracterizando-os como “um grupo criminoso organizado”. Porém, a câmara dos deputados vive de debate, que se fomenta tanto nas instituições do estado como na imprensa,  e agora os fascistas querem negar o debate, pois estão  sem sua antiga imprensa – “Folha de S. Paulo” e o “Estadão” – que publicam e confirmam em seus editoriais a veracidade dos fatos apresentados pela equipe do The Intercept Brasil. Agora esses jornais se ocupam de chamar as principais figuras políticas, renomados intelectuais da literatura e da ciência, doutores em código penal, direitos civis, todos sob as palavras de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” para pautar o que a própria burguesia deve fazer com Sérgio Moro e seu conluio descarado com Deltan Dallagnol. Com essa nova conjuntura, os fascistas não tem senão outra escolha que cunhar toda a mídia liberal atual de socialista tal qual fez com Glenn Greenwald.
“A função da imprensa é ser o cão-de-guarda, o denunciador incansável dos opressores, o olho onipresente e a boca onipresente do espírito do povo que guarda com ciúme sua liberdade.” – Com essas palavras, Karl Marx representa exatamente o que se desenvolve em nosso país: estão impedindo a imprensa de cumprir seu papel, e esse ato representa um ataque aos jornais independentes e do povo, em particular o Jornal A Verdade, que há 19 anos cumpre o papel colocado por Marx; como também o independente The Intercept Brasil. No Brasil, de 2010 à 2017, 26 jornalistas foram assassinados somente por exercer sua profissão, tornando nosso país continental o segundo país mais violento com jornalistas na América Latina segundo a ONG  internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Na tradição histórica do fascismo no Brasil, a mídia sempre foi perseguida. Após o golpe do Estado Novo, em 1937, aconteceram diversas prisões, censuras, torturas à jornalistas liberais e comunistas, um deles era o renomado e brilhante jornalista Noé Gertel, torturado ao lado do revolucionário, e também jornalista do jornal “A Classe Operária”, Carlos Marighella em 1940 – A resistência heróica de ambos nos porões do antigo DEOPS lhes renderam a imortalidade de suas contribuições no livro Subterrâneos da Liberdade de Jorge Amado -; já após o golpe militar fascista de 1964, tivemos exemplos como o assassinato covarde de Vladimir Herzog sob a farsa de suicídio.
Como vimos, surge dos fascistas uma nova investida contra a liberdade de imprensa, alçados pelas ameaças à vida de Glenn Greenwald, que supostamente faz parte de “uma organização criminosa estruturada”. Não obstante, o fascismo, pela sua incapacidade de governar o estado, melhorar as condições de vida do povo etc., está desmoralizado perante todas as esferas sociais da política atual. Há um espaço aberto e gigante à se conquistar, e assim conquistaremos através da imprensa, das vendas e ampliação do Jornal A Verdade e maior dedicação na construção da imprensa livre de qualquer influência capitalista.
Thales Caramante

(fonte,jornal A Verdade)
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