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sábado, 30 de julho de 2016

Planetas que podem conter vida

quinta-feira, 28 de julho de 2016


Kepler encontrou dois bons candidatos de planetas que podem conter vida


sonda dois planetas



Uma equipe internacional de cientistas usando o telescópio Kepler, da NASA, acaba de anunciar a descoberta de mais de 100 exoplanetas. Entre os novos mundos, um sistema com quatro planetas a cerca de 181 anos-luz de distância possui dois que os cientistas dizem que têm uma boa chance de suportar a vida. K2-72 é uma estrela anã vermelha orbitada por quatro planetas, na direção da constelação de Aquário. Os pesquisadores sugerem que todos esses quatro mundos podem ser rochosos. Enquanto eles orbitam sua estrela hospedeira muito de perto, a frieza relativa da K2-72 significa dois deles podem ser habitáveis.


Eles passam mais próximos de K2-72 do que Mercúrio do nosso sol, mas a anã vermelha é relativamente fraca, de forma que sua zona habitável não chega tão longe. Devido a isso, dois dos planetas caem dentro do limite favorável à vida, com níveis de irradiação da estrela comparáveis aos encontrados na Terra, oferecendo condições que sustentam a existência de água líquida em sua superfície. Todos os planetas em torno da K2-72 possuem um diâmetro entre 20 a 50% maior que o da Terra.  A descoberta dos mundos em volta da K2-72 é apenas uma entre um grupo grande de novos exoplanetas identificados por uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade do Arizona, nos EUA.

Os cientistas usaram o Kepler para encontrar 197 candidatos a planetas, dos quais 104 foram confirmados. O que é mais notável sobre as últimas descobertas é que essas identificações foram resultado de um acidente. Em 2012, o observatório espacial começou a funcionar mal, o que impediu o telescópio de se estabilizar em direção a uma determinada parcela do céu em sua missão original. Felizmente, os engenheiros da NASA fizeram uma correção engenhosa para o problema, calculando que os fótons do sol seriam capazes de ajudar a estabilizar o telescópio para a sua nova missão K2, observando uma parte mais ampla do céu dentro do plano da eclíptica, dando-lhe uma maior margem de manobra para detectar estrelas, incluindo as mais fracas do tipo anã vermelha, como a K2-72.

A nova missão, além de aumentar significativamente o número de estrelas que podemos estudar, também nos permite descobrir mais sobre o tipo mais comum de estrelas na Via Láctea, o que nos dará uma maior compreensão dos tipos de sistemas exoplanetários mais frequentemente encontrados em toda a galáxia. Kepler mostrou fortes sinais de que há uma abundância de exoplanetas, especialmente planetas bem pequenos em torno destas estrelas mais frias”, disse o astrônomo Ian Crossfield, da Universidade do Arizona, ao jornal Los Angeles Times. “Isso é muito emocionante porque estas estrelas anãs vermelhas superam drasticamente estrelas como o nosso sol”.

Os pesquisadores agora estão ansiosos para estudar mais estes mundos, o que pode criar alguns candidatos muito interessantes para observações de acompanhamento feitas pelo telescópio espacial James Webb, que pode dar informações valiosas, por exemplo, sobre as atmosferas desses planetas potencialmente habitáveis.
Fonte: ScienceAlert

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Hubble observa exoplaneta do tamanho de Netuno que "SANGRA" a atmosfera


Esta impressão de artista mostra a enorme nuvem em forma de cometa que "sangra" do Neptuno quente, Gliese 436b, a apenas 30 anos-luz da Terra. A estrela hospedeira também está na imagem, uma ténue anã vermelha de nome Gliese 436. O hidrogénio está a evaporar do planeta devido à radiação extrema da estrela. Um fenómeno assim tão grande nunca tinha sido observado num exoplaneta deste tamanho. Crédito: NASA, ESA, STScI e G. Bacon


Astrónomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA descobriram uma imensa nuvem de hidrogénio dispersada por um planeta quente do tamanho de Neptuno em órbita de uma estrela próxima. A enorme cauda gasosa do planeta tem cerca de 50 vezes o tamanho da estrela-mãe. Os resultados foram publicados na edição de 24 de junho da revista Nature. Um fenómeno assim tão grande nunca tinha sido observado antes em redor de um exoplaneta deste tamanho (já foram observados fenómenos parecidos mas em exoplanetas mais massivos). Pode proporcionar pistas de como as super-Terras - versões quentes e gigantes da Terra - nascem em torno de outras estrelas.

"Esta nuvem de hidrogénio é espetacular!" afirma David Ehrenreich do Observatório da Universidade de Genebra, na Suíça, autor principal do estudo. "Embora a taxa de evaporação não ameace, por agora, o planeta, nós sabemos que a estrela, uma ténue anã vermelha, já foi mais ativa no passado. Isto significa que a atmosfera do planeta evaporou-se mais depressa durante o primeiro milhar de milhão de anos da sua existência. No geral, estima-se que pode ter perdido até 10% da sua atmosfera."

O planeta, chamado Gliese 436b, é considerado um "Neptuno quente" porque é parecido em tamanho com Neptuno, mas está muito mais perto da sua estrela Gliese 436 do que Neptuno está do Sol. Embora, neste caso, o planeta não esteja em perigo de perder completamente a sua atmosfera - deixando apenas um núcleo sólido e rochoso - este comportamento pode explicar a existência das super-Terras quentes, que orbitam muito perto das suas estrelas e são normalmente mais massivas que a Terra, embora mais pequenas que as dezassete massas terrestres de Neptuno.

As super-Terras quentes podem ser os núcleos remanescentes de planetas mais massivos que perderam completamente as suas atmosferas espessas, devido ao mesmo género de evaporação que o Hubble observou em redor de Gliese 436b. Tendo em conta que a atmosfera da Terra bloqueia a maior parte da luz ultravioleta, os astrónomos precisaram de um telescópio espacial com a capacidade ultravioleta e precisão requintada do Hubble a fim de observar a nuvem. "Não teríamos sido capazes de a observar em comprimentos de onda visíveis," explica Ehrenreich. "Mas quando apontamos o olho ultravioleta do Hubble para este sistema, dá-se uma verdadeira transformação - o planeta altera-se para uma coisa monstruosa."

Ehrenreich e a sua equipa sugerem que a enorme nuvem de gás pode existir em torno deste planeta porque a nuvem não é rapidamente aquecida e varrida pela radiação da estrela anã vermelha, que é relativamente fria. Isto permite com que a nuvem fique por mais tempo.

Este género de evaporação pode também ter acontecido no passado do nosso Sistema Solar, quando a Terra tinha uma atmosfera rica em hidrogénio que se dissipou. Também é possível que aconteça novamente no final da vida do nosso planeta, quando o Sol inchar para se tornar numa gigante vermelha e ferver a nossa atmosfera restante, antes de engolir completamente o nosso planeta. Gliese 436b reside muito próximo de Gliese 436 - apenas a cerca de 4 milhões de quilómetros de distância - e completa uma órbita em mais ou menos 2,6 dias terrestres. Este planeta tem, pelo menos, 6 mil milhões de anos, mas os astrónomos suspeitam que possa ser mais velho.

Com aproximadamente o tamanho de Neptuno, tem uma massa que corresponde a mais ou menos 23 Terras. E a apenas 30 anos-luz da Terra, é um dos exoplanetas mais próximos que se conhecem. "A descoberta da nuvem em redor de Gliese 436b pode mudar completamente o jogo da caracterização das atmosferas de toda a população de Neptunos e super-Terras em observações ultravioletas," comenta Vincent Bourrier, também do Observatório de Genebra na Suíça, coautor do estudo. Nos próximos anos, Bourrier espera que os astrónomos encontrem milhares de planetas deste género."

Fonte: Astronomia Online
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