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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Galáxia sobrevive ao banquete de buraco negro – por enquanto

 

Galáxia sobrevive ao banquete de buraco negro – por enquanto

 Descoberta de que a galáxia CQ4479 continua a produzir estrelas mesmo sendo devorada por um buraco negro vai contra o que a ciência sabia a esse respeito

Galáxia CQ4479: o buraco negro extremamente ativo em seu centro está consumindo matéria tão rapidamente que ela brilha enquanto gira em direção ao seu interior, formando um quasar luminoso. O telescópio Sofia descobriu que a galáxia está sobrevivendo a essas forças monstruosas, segurando gás frio suficiente (mostrado nas bordas em marrom) para gerar cerca de 100 estrelas do tamanho do Sol por ano, mostradas em azul. Crédito: Nasa/Daniel Rutter

Acredita-se que os buracos negros devoram tanto material circundante que acabam com a vida de sua galáxia hospedeira. Nesse processo, eles criam um objeto altamente energético chamado quasar, que, pensava-se anteriormente, interrompia o nascimento de estrelas. Agora, os pesquisadores descobriram uma galáxia que está sobrevivendo às forças vorazes de um quasar. E não é só isso: ela continua a gerar novas estrelas – cerca de 100 estrelas do tamanho do Sol por ano. 

A descoberta foi feita por meio do avião-telescópio Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy (Sofia). Ela pode explicar como as galáxias massivas surgiram, embora o universo seja dominado por galáxias que já não formam estrelas. Os resultados do estudo foram publicados na revista “Astrophysical Journal”. 

“Isso nos mostra que o crescimento de buracos negros ativos não para o nascimento de estrelas instantaneamente, o que vai contra todas as previsões científicas atuais”, disse Allison Kirkpatrick, professora assistente da Universidade do Kansas (EUA) em Lawrence e coautora do estudo. “Isso está nos fazendo repensar nossas teorias sobre como as galáxias evoluem.” 

Observação inédita

Projeto conjunto da Nasa e do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), o Sofia estudou uma galáxia longínqua localizada a mais de 5,25 bilhões de anos-luz de distância, a CQ4479. Em seu núcleo está um tipo especial de quasar descoberto recentemente por Kirkpatrick, chamado de “quasar frio”. Nesse tipo de quasar, o buraco negro ativo ainda está se alimentando de material de sua galáxia hospedeira. Mas como a intensa energia do quasar não destruiu todo o gás frio, as estrelas podem continuar se formando e a galáxia continua viva. 

Esta é a primeira vez que os pesquisadores dão uma olhada detalhada em um quasar frio, medindo diretamente o crescimento do buraco negro, a taxa de nascimento de estrelas e quanto gás frio resta para abastecer a galáxia. 

“Ficamos surpresos ao ver outra galáxia excêntrica que desafia as teorias atuais”, disse Kevin Cooke, pós-doutorando na Universidade do Kansas em Lawrence e principal autor do estudo. “Se esse crescimento em parceria continuar, o buraco negro e as estrelas ao seu redor deverão triplicar de tamanho antes de a galáxia chegar ao fim de sua vida.” 

Como um dos objetos mais brilhantes e distantes do universo, os quasares (“fontes de rádio quase estelares) são notoriamente difíceis de observar. A explicação para isso é que muitas vezes eles ofuscam tudo ao seu redor. Os quasares se formam quando um buraco negro especialmente ativo consome grandes quantidades de material da galáxia circundante, criando fortes forças gravitacionais. À medida que mais material gira cada vez mais rapidamente rumo ao centro do buraco negro, o material se aquece e brilha intensamente. 

Início da morte

Um quasar produz tanta energia que muitas vezes ofusca tudo ao seu redor, cegando tentativas de observar sua galáxia hospedeira. As teorias atuais preveem que essa energia aquece ou expulsa o gás frio necessário para criar estrelas. Isso impede o nascimento de estrelas e causa um golpe letal no crescimento de uma galáxia. Mas o Sofia revela que há um período relativamente curto em que o nascimento de estrelas da galáxia pode prosseguir enquanto o banquete do buraco negro continua a alimentar o quasar. 

Em vez de observar diretamente as estrelas recém-nascidas, o Sofia usou seu telescópio de 2,7 metros para detectar a luz infravermelha que irradia da poeira aquecida pelo processo de formação de estrelas. Usando dados coletados pelo instrumento Airborne Wideband Camera-Plus do Sofia, ou HAWC+, os cientistas conseguiram estimar a quantidade de formação de estrelas nos últimos 100 milhões de anos. 

“O Sofia nos permite ver nessa breve janela de tempo onde os dois processos podem coexistir”, disse Cooke. “É o único telescópio capaz de estudar o nascimento de estrelas nessa galáxia sem ser dominado pelo quasar intensamente luminoso.” 

A curta janela da conjunção buraco-crescimento de estrelas representa uma fase inicial na morte de uma galáxia. Nesse período, a galáxia ainda não sucumbiu aos efeitos devastadores do quasar. Pesquisas contínuas com o Sofia são necessárias para saber se muitas outras galáxias passam por um estágio semelhante de conjunção buraco-crescimento de estrelas antes de finalmente atingirem o fim da vida. Observações futuras com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) deverão revelar como os quasares afetam a forma geral de suas galáxias hospedeiras. O JWST está programado para ser lançado ao espaço no próximo ano.

Fonte: Revista Planeta

By Marcos Ferreira Medeiros dezembro 16, 2020

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Marcadores: Buracos NegrosGalaxias

 

segunda-feira, 23 de março de 2020

VÍDEO: Eles comparam a magnitude dos buracos negros no universo e o resultado testará seu cérebro

VÍDEO: Eles comparam a magnitude dos buracos negros no universo e o resultado testará seu cérebro

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Um canal do YouTube comparou objetos espaciais entre si pelo poder de atrair materiais.
VÍDEO: Eles comparam a magnitude dos buracos negros no universo e o resultado testará seu cérebro
Os buracos negros são um dos elementos mais misteriosos do universo, é uma região do espaço em que uma grande quantidade de matéria se concentra em uma pequena área, de modo que sua massa gera um campo gravitacional tão poderoso que nada, nem a luz , você pode escapar disso.
O canal do YouTube MetaBallStudio, especializado em vídeos de diferentes tipos de comparações, apresentou seu novo trabalho, no qual compara a magnitude de diferentes buracos negros. 
Os produtores ordenaram os objetos espaciais de acordo com seus raios de Schwarzschild, a medida do tamanho de um buraco negro estático, explica a  NASA. Buracos com maior massa também têm raios Schwarzschild maiores. 
O vídeo começa mostrando como hipotéticos buracos negros os raios Schwarzschild de Júpiter e do Sol, embora suas massas não sejam suficientes para transformá-los em um buraco negro, dizem os  astrônomos.
Os produtores também incluíram o buraco negro supermassivo Sagitário A *, localizado no centro de nossa galáxia.
Anteriormente, o canal havia feito um vídeo sobre os tamanhos de asteróides comparando-os com espaços famosos da Terra, como a Torre Eiffel ou a cidade de Nova York.
F: RT

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Pesquisadores chineses descobrem 'buraco negro monstro' grande demais para existir


Pesquisadores chineses descobrem 'buraco negro monstro' grande demais para existir
O professor LIU Jifeng, do Observatório Astronômico Nacional da China da Academia Chinesa de Ciências (NAOC), introduz a descoberta de um buraco negro de tamanho estelar de massa estelar enorme no "quintal cósmico" da Terra, contendo a massa de 70 sóis. (Imaginechina via AP Images)
Por     |   Sexta-feira, 29 novembro 2019 02:42
Cientistas chineses descobriram um buraco negro com mais de 70 vezes a massa do Sol, várias vezes maior do que se pensava possível, localizado a cerca de 15.000 anos-luz de distância.
A Academia Chinesa de Ciências anunciou a descoberta do buraco negro, conhecido como LB-1, em um comunicado à imprensa nesta semana, que coincidiu com as descobertas publicadas pela Nature na quarta-feira.
"Buracos negros dessa massa nem deveriam existir em nossa galáxia, de acordo com a maioria dos modelos atuais de evolução estelar", disse o professor Jifeng Liu, vice-diretor do Observatório Astronômico Nacional da China e chefe da equipe de pesquisa, disse no comunicado de imprensa.
"Achamos que estrelas muito massivas com a composição química típica de nossa galáxia devem derramar a maior parte de seu gás em fortes ventos estelares, à medida que se aproximam do fim de sua vida. Portanto, não devem deixar para trás um remanescente tão massivo. LB-1 é duas vezes maior do que pensávamos ser possível. Agora os teóricos terão que aceitar o desafio de explicar sua formação ".
Os pesquisadores observam que outra explicação possível é que o buraco negro formado a partir de uma "supernova substituta", que é um evento teórico em que uma supernova expele materiais que são sugados de volta para a supernova e cria um buraco negro.
"Essa descoberta nos obriga a reexaminar nossos modelos de como os buracos negros de massa estelar se formam", disse o professor David Reitze, da Universidade da Flórida, que é o diretor do Observatório de Ondas Gravitacionais com Interferômetro a Laser.
"Este resultado notável, juntamente com as detecções LIGO-Virgo de colisões binárias de buracos negros nos últimos quatro anos, realmente apontam para um renascimento em nossa compreensão da astrofísica dos buracos negros", acrescentou. 
   F: RT

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Astrônomos obtêm primeira imagem de um buraco negro







Astrônomos obtêm primeira imagem de um buraco negro

Uma equipe científica internacional anunciou nesta quarta-feira (10) um marco na astrofísica: a primeira foto de um buraco negro feita através de uma rede global de telescópios. A imagem mostra na verdade a “silhueta” do buraco negro no centro de Messier 87, uma enorme galáxia que fica no Aglomerado de Virgem, a cerca de 54 milhões de anos-luz da Terra.

A pesquisa foi conduzida pelo projeto Event Horizon Telescope (Telescópio do Horizonte de Eventos ou EHT), uma colaboração iniciada em 2012 para tentar observar diretamente o ambiente em torno de um buraco negro.

O anúncio foi feito em coletivas de imprensa simultâneas em Washington, Bruxelas, Santiago, Xangai, Taipei e Tóquio.  Este é um grande dia para a astrofísica”, disse a diretora da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, France Córdova. “Estamos vendo o invisível”.

“Conseguimos algo que se presume impossível há apenas uma geração”, completou o astrofísico Sheperd Doeleman, diretor do EHT.

O que estamos vendo?

Embora sejam fenomenalmente densos, buracos negros são extraordinariamente difíceis de observar. Esses objetos celestes possuem campos gravitacionais tão fortes que nem a luz pode escapar. O “ponto de não retorno” além do qual qualquer coisa – estrelas, planetas, gás, poeira e todas as formas de radiação eletromagnética – é engolida para sempre é chamado de horizonte de eventos de um buraco negro.

Na borda desse horizonte, fica um anel de matéria e radiação circulando a uma velocidade tremenda. Esse anel circunda a região de completa escuridão que é o verdadeiro buraco negro, e representa a “sombra” ou “silhueta” do objeto. Para enxergar – e fotografar – a silhueta do buraco negro de Messier 87, os pesquisadores juntaram dados vindos de telescópios nos EUA, México, Chile, Espanha, Antártica, França e Groenlândia, a fim de formar um “prato observacional” do tamanho de um planeta.

Einstein estava certo, mais uma vez

De acordo com o astrofísico Dimitrios Psaltis, da Universidade do Arizona (EUA), o tamanho e a forma da sombra correspondem às previsões precisas da teoria geral da relatividade de Einstein, o que aumenta a confiança dos cientistas nesta hipótese apresentada em 1915 pelo famoso físico para explicar as leis da gravidade e sua relação a outras forças naturais.

“Fotografar um buraco negro é apenas o começo de nosso esforço para desenvolver novas ferramentas que nos permitam interpretar os dados massivamente complexos que a natureza nos dá”, acrescentou Psaltis. 
Fonte:  Hypescience.com
Reuters

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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Como buracos negros massivos nasceram, no início do universo? - 13:48

Como buracos negros massivos nasceram, no início do universo?


Inacreditavelmente, a luz liberada em torno dos primeiros buracos negros massivos é tão intensa que tem viajado até nós por mais de 13 bilhões de anos-luz. Como esses monstruosos buracos negros se formaram, no início do universo?

Novas pesquisas conduzidas por cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA), Universidade da Cidade de Dublin (Irlanda), Universidade Estadual de Michigan (EUA), Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) e IBM apontam um caminho promissor para resolver este enigma cósmico.

A equipe mostrou que, quando galáxias se reúnem de forma extremamente rápida e por vezes violenta, isso pode levar à formação de buracos negros muito massivos. Nestas galáxias raras, a formação normal de estrelas é interrompida, dando lugar a formação destes curiosos objetos.

Novo paradigma

Antes, os cientistas pesavam que a formação maciça de buracos negros era limitada a regiões bombardeadas pela poderosa radiação de galáxias próximas. O novo estudo, no entanto, indica que buracos negros massivos se formam em densas regiões sem estrelas que estão crescendo rapidamente.

Os principais critérios para determinar onde esses buracos negros se formaram durante a infância do universo se relacionam com o rápido crescimento de nuvens de gás pré-galácticas precursoras de todas as galáxias atuais, significando que a maioria dos buracos negros supermassivos tem uma origem comum.

A matéria escura colapsa em halos que são a “cola” gravitacional de todas as galáxias. O rápido crescimento inicial desses halos impede a formação de estrelas que competiriam com buracos negros pela matéria gasosa que flui na área. Neste estudo, descobrimos um mecanismo totalmente novo que desencadeia a formação de buracos negros maciços em determinados halos de matéria escura”, resumiu John Wise, um dos autores da pesquisa do Instituto de Tecnologia da Geórgia.

Simulação

A equipe de pesquisa encontrou esses locais de formação de buracos negros usando simulações do conjunto de dados Renaissance Simulation, criado no supercomputador Blue Waters entre 2011 e 2014 para ajudar os cientistas a entender como o universo evoluiu durante seus primeiros anos.

“As teorias anteriores sugeriam que isso só deveria acontecer quando os locais fossem expostos a altos níveis de radiação de formação de estrelas. À medida que nos aprofundávamos, vimos que esses locais estavam passando por um período de crescimento extremamente rápido. Essa era a chave. A natureza violenta e turbulenta desse rápido crescimento impediu a formação normal de estrelas e levou a condições perfeitas para a formação de buracos negros. 

Esta pesquisa muda o paradigma e abre toda uma nova área de pesquisa”, esclareceu John Regan, outro pesquisador da Universidade da Cidade de Dublin.  Enquanto a radiação UV ainda é um fator, nosso trabalho mostrou que não é o fator dominante, pelo menos em nossas simulações”, complementou Michael Norman, diretor do Centro de Supercomputadores da Universidade da Califórnia em San Diego.

Estudando os halos

Para aprender mais sobre regiões específicas onde os buracos negros maciços foram propensos a se desenvolver, os pesquisadores examinaram os dados da simulação e encontraram dez halos específicos de matéria escura que deveriam ter formado estrelas devido a suas massas, mas continham apenas uma densa nuvem de gás.

Usando o supercomputador Stampede2, eles simularam novamente dois desses halos – cada um com cerca de 2.400 anos-luz de diâmetro – com uma resolução muito maior para entender os detalhes do que aconteceu neles 270 milhões de anos após o Big Bang.
“Foi somente nessas regiões excessivamente densas do universo que vimos esses buracos negros se formando”, disse Wise. “A matéria escura cria a maior parte da gravidade, e então o gás cai nesse potencial gravitacional, onde pode formar estrelas ou um enorme buraco negro”.

A resolução melhorada da simulação feita nas duas regiões candidatas permitiu aos cientistas ver a turbulência e o influxo de gás e aglomerados de matéria se formando à medida que os precursores do buraco negro começaram a se condensar e girar, confirmando sua taxa de crescimento dramática.

Próximos passos

Outro aspecto da pesquisa é que os halos que dão origem a buracos negros podem ser mais comuns do que se acreditava anteriormente.  Um componente interessante deste trabalho é a descoberta de que esses tipos de halos, embora raros, podem ser bastante comuns”, afirmou Brian O’Shea, professor da Universidade Estadual de Michigan. “Nós prevemos que este cenário é frequente o suficiente para ser a origem dos buracos negros mais massivos observados, tanto no início do universo quanto nas galáxias atuais”.

Trabalhos futuros com essas simulações devem examinar o ciclo de vida dessas galáxias de formação de buracos negros, estudando o crescimento e a evolução desses primeiros buracos negros ao longo do tempo.

As simulações do Renaissance Simulation são suficientemente ricas para que outras descobertas possam ser feitas usando os dados já computados. “Por essa razão, criamos um arquivo público onde outros podem fazer perguntas por conta própria”, disse Norman.

Um artigo com as descobertas do estudo foi publicado na revista científica Nature. 
Fonte: hypescience.com
[Phys]
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