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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Paul Robeson, herói do povo negro nos EUA


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REVOLUCIONÁRIO – Paul Robeson na embaixada da URSS nos Estados Unidos. (Foto: Jornal A Verdade)
Gabriel Montsho e Felipe Annunziata
RIO DE JANEIRO – Nascido em Princeton, nos EUA, em abril de 1898, Paul Robeson foi um cantor, ator, atleta e escritor norte-americano que dedicou sua vida à luta pelos direitos civis do povo negro. Robeson era filho de um ex-escravizado fugido e de uma mulher que vinha de família abolicionista. Trazia em seu sangue o desejo de combater as injustiças e a segregação racial. 
Aos 17 anos, o jovem ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Rutgers, na qual praticou esportes como beisebol, basquete e atletismo. Mais tarde, ingressou na Faculdade de Direito de Columbia, mas viria a abandonar a carreira jurídica depois de enfrentar por diversas vezes o racismo.
Na arte, Robeson se encontrou. Ganhou renome e foi o primeiro homem negro a interpretar Otelo, de Shakespeare, na Broadway. Sua vida artística sempre esteve alinhada à luta por uma sociedade mais justa. Como um verdadeiro artista popular, mostrou que não existe a possibilidade de se estar isento da luta de classes. Em um comício, em 1937, disse: “O artista deve optar por lutar pela liberdade ou a escravidão. Eu fiz minha escolha. Eu não tinha alternativa”.

Simpatia Pela União Soviética 

Robeson era declaradamente simpatizante do movimento comunista. Participou de várias lutas e campanhas a nível internacional. Denunciou o fascismo durante a Guerra Civil Espanhola, nos anos 1930, e visitou a União Soviética várias vezes. No País dos Sovietes, ficou impressionado com a ausência de manifestações racistas e leis segregacionistas, como era comum nos EUA.
Sobre a URSS, ele afirmou num discurso, em 1949: “Sinto que vou além de meus sentimentos pessoais e coloco meu dedo no verdadeiro cerne do que a União Soviética significa para mim, ou seja, para um negro que é norte-americano. A resposta é muito simples e muito clara: a própria existência da União Soviética, seu exemplo perante o mundo de abolir toda a discriminação de cor ou nacionalidade, sua luta em todos os cenários de conflitos mundiais por uma democracia verdadeira e pela paz, tudo isso deu a nós, negros, a chance de alcançar nossa completa libertação dentro de nosso próprio tempo, dentro desta geração”.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, EUA e URSS encerraram a aliança militar. Começou então uma forte perseguição a todos os comunistas e àqueles que lutavam em defesa dos direitos do povo negro nos Estados Unidos. Os negros viviam em muitos estados sem direito a voto e segregados na sociedade. Existiam espaços que apenas brancos podiam frequentar. Saúde, trabalho e educação eram negados.
Diante disso, setores das elites estadunidenses iniciaram um movimento de perseguição contra quem denunciava e lutava para transformar essa situação, período que ficou conhecido como Macartismo. Esse movimento é chamado assim em referência ao senador Joseph McCarthy, que capitaneou a aprovação de várias leis de perseguição política contra os comunistas nos EUA.

Perseguição Política nos EUA

No período macartista, um dos focos era a repressão aos artistas populares que pudessem ser ameaça à ampla campanha midiática anticomunista. Foi até criada uma “lista negra” em Hollywood para que nenhum artista de esquerda arrumasse espaço nos filmes.
Mesmo nessa conjuntura, Paul Robeson continuou sua luta antirracista. No fim dos anos 1940, ele passa a defender mais amplamente a liberdade para os povos africanos, que estavam sob o domínio europeu, e aponta a URSS como a principal aliada dos povos negros de todo o mundo. Isso rendeu fortes ataques do FBI e do Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso dos EUA. Robeson teve mais de 80 apresentações canceladas e sofreu ataques racistas em dois shows. 
Convocado ao Congresso, usou sua cadeira de réu como uma tribuna de denúncia, sendo firme ao responder a seus acusadores: “Vou cantar onde as pessoas quiserem me ouvir cantar. Não vou me intimidar com as cruzes queimando em Peekskill (cidade do interior dos EUA com forte atuação do grupo racista-fascista Ku Klux Khan) ou em qualquer outro lugar”.
Na década de 1950, a repressão aumentou. Robeson foi proibido de sair do país, teve seu passaporte revogado e, durante o período que ficou conhecido como “Caça às bruxas”, foi perseguido pelo macartismo e adicionado na “lista negra” de Hollywood.
Isso não o parou. Em 1952, foi homenageado por soviéticos e recebeu o Prêmio Lênin da Paz por sua corajosa luta em nome dos trabalhadores. Mais uma vez, interrogado na Comissão de Atividades Antiamericanas, afirmou que a primeira vez que tinha se sentido um ser humano livre havia sido na Rússia Soviética, pois as pessoas não eram oprimidas por conta de sua cor. Perguntado por que não ficava na Rússia, foi categórico ao responder: “Porque meu pai era escravo, meu povo morreu para construir esse país e eu ficarei aqui, para ter uma parte dele como você. E nenhuma pessoa de mentalidade fascista irá me tirar dele, está claro?”.
A memória da luta antirracista e socialista de Paul Robeson deixa para nós um grande ensinamento: a luta pela libertação dos povos do mundo, e principalmente dos povos negros, só será completa com a derrubada do capitalismo. Robeson queria uma sociedade em que toda a humanidade fosse valorizada e tivesse uma vida digna, em que ninguém fosse discriminado pela sua cor da pele ou tivesse seus direitos reduzidos. Ele esteve na linha de frente dessa luta até sua morte, em 1976, e usou sua arte como um instrumento a serviço da classe trabalhadora e do povo explorado nos Estados Unidos.
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domingo, 28 de agosto de 2011

Arte & luta, Paul Robeson

segunda-feira, 22 de agosto de 2011


Paul Robeson

Nascido Paul LeRoy Bustill Robeson no dia 9 de abril de 1898, Paul Robeson foi um ator, cantor, escritor, ativista e atleta. Sua carreira artística iniciou-se em meados da década de 20, quando decidiu abandonar o futebol americano. Na mesma época, quebrou uma série de tabus por ser o primeiro negro ao interpretar a obra de Shakespeare, Otelo. A partir daí, as portas foram abertas para os outros atores negros que surgiram ao longo dos anos, tais como Sidney Poitier e Harry Belafonte. Filho de africanos, seu pai era escravo antes de fugir e tornar-se pastor; sua mãe era membro de uma sociedade abolicionista e faleceu tragicamente quando sua casa pegou fogo, deixando o pequeno Robeson que, na época, tinha apenas seis anos de idade. Em 1915, formou-se e ganhou uma bolsa na a Universidade Rutgers, lugar onde aprendeu uma série de esportes. Posteriormente, iniciou sua carreira como jogador profissional de futebol americano e matriculou-se na Universidade de Columbia, num curso de direito.

Em 1921 , conheceu a Eslanda Cardozo Goode, com a qual casou-se no mesmo ano e teve um filho, Paul Robeson Jr.Embora já tivesse atuado em algumas peças, participado de alguns filmes, tais como Body and Soul (seu primeiro filme), Camille e Borderlie, e feito pequenas apresentações na escola, foi em 1930 no clássico de William Shakespeare, Otelo que ele consagrou-se no mundo artístico. A partir daí, foram muitos os convites feitos pelos mais renomados diretores da época, dentre eles, ressalto James Whale e a adaptação Show Boat (1936) que contava com a participação de Irene Dunne, Hattie McDaniel, Allan Jones, entre outros; segundo os críticos, essa foi a passagem mais memorável de Paul nas telas.

Vale lembrar que ao lado de Hattie, interpretou uma das canções mais divertidas do clássico. Apesar das controvérsias com o filme anterior The Emperor Jones, que não foi exibido (nos EUA) pelo fato de ter um homem negro matando um homem branco, o que para os norte-americanos era inaceitável, Paul deu continuidade a sua carreira. Aos interessados, aproveito para deixar aqui o filme completo. No final da década de 30 decidiu envolver-se com política tornando-se então um ativista conta o racismo e o fascismo. Nessa época, participou de diversos projetos e homenagens ao redor do mundo. No auge de sua carreira, ao lado de Lawrence Brown e outros músicos, interpretou a canção Ballad for Americans e impressionou a todos com sua belíssima voz.

Impedido de cantar pela patrulha anti comunista, sair do país devido a sua ficha, nada pequena, no FBI e por ter o passaporte anulado, viu-se obrigado a esperar por quase dez anos para retomar suas atividades. Em 1958 fez uma aparição no Carnegie Hall e sete anos depois, durante uma homenagem, cantou a canção We Are Climbing Jacob's Ladder. Neste mesmo ano, perdeu sua mulher e instalou-se em Filadélfia, juntamente com a irmã, onde veio a falecer no dia 23 de janeiro de 1976 aos 77 anos de idade após um AVC.

(Fonte: www.cpsr.cs.uchicago.edu/robeson/index.html)
Comentário de P. Netuno:
   Paul Robeson foi um valoroso militante comunista estadunidense e uma referência no combate ao racismo.
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