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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sem-teto bloqueiam vias da Grande SP contra a PEC dos Gastos Públicos

Manifestações

Sem-teto bloqueiam vias da Grande SP contra a PEC dos Gastos Públicos

por Redação* — publicado 11/11/2016 09h19, última modificação 11/11/2016 10h11
“Congelar investimentos sociais por 20 anos é destruir a Constituição de 1988, uma verdadeira ‘Desconstituinte’”, diz Guilherme Boulos, do MTST
Imagens: Tadeu Amaral / CartaCapital
Protesto
Manifestantes atearam fogo em pneus na Avenida João Dias, zona sul de São Paulo



Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) promoveram diversos bloqueios de avenidas e rodovias na Grande São Paulo, em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição que congela os gastos públicos, incluídos os investimentos em saúde, educação e assistência social, pelos próximos 20 anos. Os atos integram o Dia Nacional de Greve, que aglutina dezenas de sindicatos e movimentos sociais contra os “retrocessos sociais e trabalhistas” do governo Temer.
“Congelar investimentos sociais por 20 anos é destruir a Constituição Cidadã de 1988, uma verdadeira ‘Desconstituinte’. Os direitos dos trabalhadores estão sendo dilapidados”, afirmou Guilherme Boulos, líder dos sem-teto, a CartaCapital. “A essa pauta, acrescentamos a reivindicação pela retomada imediata do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, que encontra-se completamente parado. Promovemos oito bloqueios de rodovias e avenidas na Grande São Paulo e outros pelo País, que ainda não contabilizamos”.
Manifestantes bloquearam a Avenida João Dias, na zona sul, onde um grupo ateou fogo a pneus e entulho. “Não tem arrego, ou tira o Temer ou não vai ter sossego!”, gritavam os manifestantes, concentrados nas imediações da estação Giovanni Gronchi do Metrô (Linha 5 - Lilás). O Corpo de Bombeiros foi acionado.
Giovanni Gronchi
'Não tem arrego, ou tira o Temer ou não vai ter sossego!', gritavam os manifestantes na zona sul de SP
A Via Anchieta, que liga a capital ao litoral, foi ocupada pelos sem-teto na altura do quilômetro 23, no sentido São Paulo. Os bombeiros também foram mobilizados para apagar o fogo em pneus. Na Via Dutra, que liga a capital paulista ao Rio de Janeiro, a pista expressa estava bloqueada no sentido São Paulo, próximo a Guarulhos, por volta das 7h30. A interdição ocorreu na altura do quilômetro 206 até o 210.
Na Rodovia Anhanguera, na cidade de Sumaré, moradores da ocupação Vila Soma protestaram na pista sentido interior. Pelo Facebook, o MTST informou que a Polícia Militar deteve cerca de 20 manifestantes, que já estavam dentro de um ônibus, na saída do ato.
Plenário do Senado deve votar a PEC no fim de novembro
Na quarta-feira 9, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o relatório de Eunício Oliveira (PMDB-CE), favorável à emenda constitucional que congela os gastos públicos nos próximos 20 anos. Os integrantes do colegiado rejeitaram os destaques apresentados pela oposição, entre eles a proposta de realização de um referendo popular para determinar se a medida deveria ou não entrar em vigor. Dessa forma, preservou-se o texto aprovado anteriormente pela Câmara.
Criticada pela oposição, a proposta foi apelidada de "PEC da Maldade" e "PEC do Fim do Mundo". Em voto separado, o peemedebista Roberto Requião destacou que ela não deveria ser acolhida pela CCJ porque “há diversas inconstitucionalidades e, no que diz respeito ao mérito, não é possível acolher a proposição sob pena de graves prejuízos para o país e para a população brasileira”. Não conseguiu demover os colegas.
A matéria está pronta para ser levada à apreciação do plenário. Pelo cronograma estabelecido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a PEC será votada em primeiro turno em 29 de novembro e, em segundo turno, em 13 de dezembro.
* Com informações da Agência Brasil.

domingo, 3 de abril de 2016

Boulos e o desespero golpista

Boulos e o desespero golpista

O Estadão, o DEM e o PSDB querem iniciar sua caça às bruxas com a perseguição ao dirigente do MTST
por Jean Wyllys — publicado 02/04/2016 12h26
Oswaldo Corneti / Fotos Públicas
Guilherme Boulos
Boulos em ato do MTST: PSDB e DEM tentam criminalizar o representante dos sem-teto
Nos últimos dias, diferentes porta-vozes da direita golpista pediram a prisão do dirigente do MTST Guilherme Boulous. Primeiro foi o jornal O Estado de S. Paulo, num editorial que lembra os piores tempos da nossa história, sugerindo o início de uma caça às bruxas, o primeiro passo de uma ofensiva macartista na qual Boulous seria uma espécie de ensaio, uma primeira tentativa para ver se cola.
A sugestão do jornal veio envolta em propaganda golpista, com a home do site doEstadão pintada de amarelo, com a imagem do pato do Skaf e uma enorme legenda a favor do impeachment. Talvez nunca a parcialidade tenha sido tão descarada: o próprio site do jornal era uma grande propaganda golpista.

Depois do Estadão vieram o PSDB e o DEM, esses dois partidos-paradoxo, os democratas que são filhos da ditadura e os social-democratas que querem acabar com a social-democracia instaurada na era Lula, aprofundando a guinada neoliberal do governo Dilma.
Os falsos democratas e os neoliberais disfarçados de progressistas, estes últimos especialistas em reprimir brutalmente manifestações e greves de professores e roubar dinheiro da merenda escolar, entraram com representações na justiça pedindo a prisão do dirigente dos sem-teto. Sim, é um ensaio, e precisamos impedi-lo!

Com cinismo, eles acusam Boulos de incitar à violência (por ter organizado manifestações pacíficas em defesa da democracia!), quando na verdade quem tem incitado reiteradamente à violência são os grupelhos fascistas vinculados à oposição de direita e seus simpatizantes: agrediram pessoas em lugares públicos pela cor da roupa, negaram assistência médica a crianças pelas opiniões políticas dos pais, espalharam calúnias nas redes sociais, disseminaram discursos de ódio contra minorias, organizaram linchamentos contra figuras públicas e não fazem outra coisa senão promover a polarização e a violência.

Quem financia e dá suporte político ao grupo fascista Revoltados Online? Quem tirou foto sorrindo no gabinete da presidência da Câmara dos Deputados com os analfabetos políticos do MBL? Quem paga os patos do gramado do Congresso? Quem bancou o "acampamento" de onde pessoas armadas se recusavam a sair? Quem financia as campanhas de ódio e calúnias nas redes?

A quebra da institucionalidade democrática é impossível sem repressão e violência. Nenhum golpe se faz em paz. Por isso eles precisam dar um primeiro passo, para medir o impacto, calcular as repercussões e provocar medo. Querem prender Boulous como um ensaio da repressão que precisarão iniciar depois, se tomarem o poder.

Os deputados e as deputadas progressistas e a Frente Parlamentar dos Direitos Humanos estamos e estaremos mobilizados e alertas em defesa de Boulos e atentos às violações de direitos para enfrentá-las e denunciá-las, inclusive, em instâncias internacionais.

Precisamos entender que a defesa de Boulos é também uma luta necessária para a defesa da democracia. Precisamos deixar claro que não vamos permitir nunca mais que as liberdades democráticas sejam canceladas no nosso País. Nunca mais!
CartaCapital
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