O lítio rende prémios Nobel e muito dinheiro, mas a que custo?
por Sputnik
![]() Há quem imagine uma sociedade sem fios para a comunicação e livre de combustíveis fósseis. As baterias de iões de lítio mudaram substancialmente as tecnologias de comunicação e significaram uma metamorfose na maneira como comunicamos. Também tiveram um forte impacto no transporte e na electrificação rural. No entanto, o que não mudou foi a política de extracção que prevalece na América do Sul, onde parece que a mineração e o desenvolvimento tecnológico não são compatíveis. Argentina, Bolívia e Chile são mundialmente conhecidos pela sua salmoura rica, da qual o lítio é extraído, estes países compõem o "Triângulo de Lítio", mas exportam a matéria-prima sem a industrializar. O lítio é obtido através de um processo de evaporação. "As salmouras presentes sob a superfície do sal são extraídas em poços de bombagem e depois transportadas para grandes piscinas de evaporação para obter os sais. Através de um processo químico, o carbonato de lítio é obtido", explicou a Sputnik Gabriela Burdiles, directora de projectos da ONG chilena FIMA. O Chile, líder na extracção, acredita que, para manter a sua primeira posição, deve aumentar a quantidade de toneladas de lítio que exporta, e não agregar valor. Segundo o estudo La economía política de la explotación de litio en Chile: 1980-2018 – publicado em 2018 no Journal No. 34 de Ciências Sociais da Universidade de Quilmes, Argentina –, tal acontece em parte devido à sólida estrutura política e social, tecnológica e produtiva que a elite instalou no país. AS CHAVES DO NEGÓCIO ![]() No entanto, sabe-se que em 2016 o Chile exportou 201 310 toneladas do mineral e seus componentes, 38,4% da produção mundial, e que em 2017 as exportações geraram mais de 700 milhões de dólares. No ano seguinte, as exportações de lítio totalizaram 948 milhões de dólares, segundo América Economia. Duas empresas instaladas no norte do Chile possuem o monopólio, a Sociedade Química e Minera (SQM) e a Rockwood-Albemarle. Os autores do estudo garantem que os capitais da indústria de mineração de lítio no Chile funcionam como "enxertia" nas economias dos territórios onde estão instaladas, limitando o seu desenvolvimento, sendo geralmente prejudiciais. As externalidades negativas que geram são diversas:
No entanto, o modelo extractivista de enclave de exportação é incentivado pelas elites quer políticas quer empresariais, que em muitos casos são compostas pelas mesmas pessoas.
Ver também:Eles contam com a estrutura legislativa mais liberal do mundo: no Chile, os trabalhadores não podem negociar condições de trabalho ou salários por sectores produtivos, mas uma empresa pode estar discutir o mesmo aspecto com dois sindicatos, propondo ofertas diferentes. Entre outras coisas, as empresas não fazem contribuições para pensões de reforma dos trabalhadores; também não está estabelecido um limite quanto ao número de trabalhadores que podem ser subcontratados. Na indústria do cobre, mais de 60% dos trabalhadores têm emprego desta forma. O original encontra-se em mundo.sputniknews.com/... Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ . |
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