segunda-feira, 27 de julho de 2015

Irã : Vazamento de informações da AIEA

Irã enviou uma carta de protesto à AIEA em conexão com as declarações de autoridades dos EUA

 24 de julho, 23:19 UTC + 3
Ela está associada com as declarações sobre o possível vazamento de informações da AIEA sobre o programa nuclear do Irã
Sede da AIEA em Viena

Sede da AIEA em Viena

©  Arquivo EPA / ROLAND SCHLAGER
TEERÃ, 24 de julho. / Correspondente. Alexander Levchenko TASS /. Representante Permanente do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Reza Najafi enviou uma carta de protesto ao director-geral da organização Yukiya Amano. É associado com as declarações oficiais de autoridades norte-americanas sobre um possível vazamento de informações da AIEA sobre o programa nuclear iraniano.
O documento diz um comunicado emitido em 17 de Julho secretário de imprensa da Casa Branca, Joshua Ernest, que observou que "Autoridades militares dos EUA ou Israel vai expandir suas oportunidades de obter informações sobre o Irã da AIEA, após o início da implementação do Plano de Acção Conjunto Abrangente".
"Tais declarações ameaçar o papel da AIEA em um processo acordado e constituem uma violação das obrigações dos governos, especialmente num momento em que o plano de acção tem sido desenvolvida com sucesso e tais comentários poderiam amortecer a sério os princípios fundamentais necessários para a implementação do plano de acção" - dizia a carta Najafi.
Ele também salienta que a AIEA tinha que tomar todas as precauções necessárias para evitar a divulgação de informações sobre o comércio, os segredos tecnológicos e industriais e outras informações confidenciais, que ficou conhecida agência na implementação de controles sobre o programa nuclear iraniano.

Democratização da comunicação: o que aprender com nossos vizinhos?

Democratização da comunicação: o que aprender com nossos vizinhos?

por Intervozes — publicado 25/07/2015 11h50, última modificação 25/07/2015 14h17
No aniversário de dez anos do Telesur, evento no Equador discute comunicação e integração da América Latina. Para o Brasil, é vital aprender com as experiências exitosas
CIESPAL
Mesa do Congresso Internacional “Comunicação e Integração Latino-Americana desde e para o sul”
Mesa do Congresso Internacional “Comunicação e Integração Latino-Americana desde e para o sul”
Por André Pasti*, de Quito
Não há democracia genuína sem democratizar os meios de comunicação. A afirmação, feita pelo sociólogo argentino Atilio Borón nesta quinta-feira (23/7), vai mais longe: para ele, é necessário favorecer o surgimento efetivo de mais “vozes” na mídia a partir dos povos, para evitar que se substitua a atual “ditadura da informação dos grandes monopólios privados” por uma nova “ditadura de tecnocratas do Estado”, ainda que sejam bem-intencionados e com o “coração de esquerda”. Borón fez a palestra de encerramento do primeiro Congresso Internacional “Comunicação e Integração Latino-Americana desde e para o sul”, realizado esta semana em Quito, em comemoração aos dez anos da Telesur, completados nesta sexta-feira.
Ainda que a oligopolização da mídia seja uma situação histórica e estrutural na região, desde a década passada há uma urgência ainda maior pela democratização de fato. Isso porque surge, segundo vários participantes do evento, um novo tipo de golpe de Estado no continente: o golpe midiático.
Os meios de comunicação na América Latina se converteram em partidos políticos orgânicos, articulando politicamente a direita, concordam Borón e Ignacio Ramonet, jornalista e professor espanhol que fez a conferência de abertura do congresso.
Para Ramonet, a maior batalha enfrentada na América Latina atualmente é a batalha midiática. Ambos lembraram dos casos de Honduras (2009), do Paraguai (2012) e de ataques mais recentes contra governos do Brasil e da Argentina.
O foco do evento foi o intercâmbio de experiências sobre a formulação das políticas de comunicação na América Latina e sobre a luta em defesa da comunicação como um direito humano. Para o Brasil, esse diálogo é muito importante.
O país vive, conforme o colombiano Omar Rincón, uma situação de extremos: tem a melhor lei de internet (o Marco Civil) e a pior situação de regulação da “velha mídia”. A avaliação é repetida por Osvaldo León, do México, para quem o Brasil está “na retaguarda da democratização dos meios” no continente.
Se agora estamos na retaguarda, há que se avaliar os aprendizados possíveis com políticas que vêm sido realizadas nos últimos anos em países como Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai e Venezuela. O Equador, anfitrião do evento, já conta com muitas experiências a compartilhar.
Em 2013, o país aprovou sua lei orgânica de comunicação, sob muitos protestos do empresariado midiático. Não é por menos: a lei combate os oligopólios do setor, estabelecendo um limite rígido à propriedade cruzada – apenas uma licença de rádio AM, FM e de TV por pessoa física ou jurídica. Além disso, a nova norma prevê uma distribuição proporcional dos espectros de radiofrequência, com reserva para a comunicação comunitária (34%), estatal (33%) e para a mídia comercial (33%).
A nova regulação prevê, ainda, a descentralização da publicidade oficial – uma das principais formas de financiamento da mídia de pequeno porte. Há, também, medidas para incentivar a produção audiovisual nacional e produção independente local.
Para a comunicação comunitária, algumas “ações afirmativas” estão previstas na nova legislação, como crédito preferencial para a criação desses meios e para a compra de equipamentos, isenções de impostos para a importação de aparelhos e acesso à capacitação para a gestão técnica, administrativa e de comunicação.
Para garantir a aplicação da lei, foi criado um Conselho de Regulação e Desenvolvimento da Informação e da Comunicação (CORDICOM), com participação social. Para fiscalizar e promover o direito à comunicação, criou-se uma Superintendência da Informação e da Comunicação (SUPERCOM). Esse arcabouço institucional contrasta com o do Brasil – onde o sentido das instituições ligadas à comunicação não é a defesa da democratização da palavra e os conselhos estão longe de representar a população.
O país avançou, também, na comunicação estatal. Surgiu a agência de notícias Andes, além TV e rádio públicas e um jornal impresso, El Telégrafo, separados dos veículos governamentais já existentes – como El Ciudadano.
A programação educativa da rede pública, inspirada na dinâmica dos canais estatais argentinos, é concebida pelo Ministério de Educação, mas produzida em parceria com empresas audiovisuais do país e orientada pelo pluralismo. Isso contribui para a promoção de novos agentes comunicativos, que poderão atuar para além dos canais estatais. Já a da mídia governamental se concentra de fato nas ações do Poder Executivo.
O reconhecimento do direito à comunicação e da necessidade de promover ativamente a liberdade de expressão dos que nunca tiveram voz são alguns dos aprendizados dos processos – ainda bastante recentes – de democratização da comunicação no Equador.
Iniciativas de integração no continente
Desde o golpe de Estado frustrado contra o presidente venezuelano Hugo Chávez, em 2002, orquestrado pelos oligopólios de mídia do país, ficou notória a necessidade de criar meios que permitissem a circulação de outras informações e outros sentidos. A iniciativa mais significativa foi o surgimento, três anos depois, do canal Telesur.
A Telesur é um canal multinacional de iniciativa do governo venezuelano em conjunto com governos de Cuba, Uruguai e Argentina, e com a participação posterior de Bolívia, Equador e Nicarágua. Ignacio Ramonet considera o maior mérito da Telesur a apresentação de outra visões sobre os acontecimentos da América Latina e do mundo.
O conteúdo do canal não se restringe aos países-membros: os conflitos militares com as FARC, na Colômbia, o ataque à Líbia pela OTAN, o golpe em Honduras e a crise financeira da Grécia são exemplos de coberturas importantes . Além do décimo aniversário, a Telesur celebrou, nesse dia 24 de julho, um ano de produção de conteúdos em inglês.
Outra importante iniciativa de integração da comunicação é a União Latino-Americana de Agências de Notícias (ULAN). A entidade, que surgiu em 2011, reúne todas as agências de notícias estatais ou públicas existentes nesses territórios: Agencia Venezolana de Noticias, Prensa Latina (Cuba), Agencia Andina (Perú), Agencia Boliviana de Información, Agência Brasil (da Empresa Brasil de Comunicação, EBC), Notimex (México), Agencia Guatemalteca de Noticias, Agencia de Información Paraguay, Andes (Equador) e Télam (Argentina).
Seu principal objetivo seria “promover a democratização da comunicação na América Latina e contribuir para a integração regional dos povos”. Este ano, a ULAN lançou o portal de notícias Ansur.am, reunindo informações de todas as agências.
Os países da América Latina devem atentar para a importância estratégica da comunicação para a integração regional. Criar iniciativas que façam circular outros discursos e outros sentidos é vital para contrapor a violência exercida pela monopolização da informação. É vital estabelecer um diálogo permanente entre os agentes que defendem essa pauta na América Latina, para o fortalecimento das iniciativas em defesa do direito à comunicação.
O congresso em Quito representou um importante momento desse diálogo. Sua próxima edição, prevista para julho do próximo ano, também no Equador, terá como tema a comunicação popular e a participação social – importante desafio para o avanço da agenda da democratização dos meios de comunicação.
* André Pasti é geógrafo, mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas e doutorando em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo.

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domingo, 26 de julho de 2015

Vito Giannotti :Faleceu no Rio de Janeiro

Morre Vito Giannotti, fundador do Núcleo Piratininga de Comunicação

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Faleceu ontem (24/07), no Rio de Janeiro, o historiador, escritor, jornalista, professor e militante social Vito Giannoti, aos 72 anos.
Nascido na Itália, Giannotti veio ao Brasil ainda cedo, onde trabalhou como metalúrgico e se tornou um dos principais pesquisadores da memória das lutas operárias no Brasil, além de incansável defensor da imprensa popular.
Autor de mais de vinte livros sobre comunicação sindical e história o movimento sindical, Vito Giannotti foi um dos fundadores do Núcleo Piratininga de Comunicação, importante centro de formação política do país.
Sem dúvida nenhuma, sua partida é uma grande perda para todos que constroem os movimentos sociais no Brasil, em especial a comunicação popular. Se legado continuará presente nas lutas do povo brasileiro e na batalha diária pela construção de uma imprensa dos trabalhadores a serviço da luta contra o capital e pelo socialismo.
Vito Giannotti, presente!
Redação Rio
jornal   A Verdade

Miguel Tiago / Este texto não é sobre a Grécia

Este texto não é sobre a Grécia


por Miguel Tiago [*]
Nem sobre Portugal, ou Alemanha. Também não é sobre austeridade, nem sobre resultados de referendos.

Na verdade, ao falar-se de União Europeia, excluem-se os povos que alimentam esse projecto imperialista, entre os quais o Grego, o Português, o Alemão. Porque falar de União Europeia não é falar de Europa, que é um continente, um vasto conjunto de países, que cá continuarão muito após o colapso do projecto de espoliação que é a União Económica e Monetária e a União Política.

Este texto não é sobre austeridade porque "austeridade" é a capa sob a qual se esconde o capitalismo. O capitalismo não é austero porque austeridade pressupõe rigor e contenção no uso de recursos. O capitalismo é o inverso disso: é a destruição dos recursos naturais e a exploração do trabalho, com desperdício incalculável. O capitalismo, que agora dá pelo pomposo nome de "austeridade", faz produzir o dobro do que todos os habitantes globo inteiro necessitariam para viver, mas deita fora metade do que produz e mesmo assim um hemisfério do planeta morre de fome. O capitalismo esbanja os recursos para os concentrar nas mãos dos seus privilegiados. Enquanto metade da população da terra sofre de mal-nutrição ou carências no plano da saúde, higiene e acesso à água, uma outra metade consome o suficiente para suportar um planeta inteiro e ainda deita fora diariamente uma parte igual.

Dessa metade de privilegiados, em que nos incluímos apesar de não termos tido opção, apenas um punhado de indivíduos abocanha a riqueza gerada, vivendo na opulência obscena dos milionários a quem nenhuma fortuna satisfaz. Para que esses milhões se concentrem nas mãos de menos de 1% da população terrestre é preciso destruir os recursos comuns e apropriar-se do trabalho dos outros mais de 99%. Mesmo neste contexto, o capitalismo desperdiça milhões e milhões de trabalhadores, votando-os ao desemprego para garantir baixos custos de trabalho e a total precarização das relações laborais.

O capitalismo é desperdício. Austeridade é o eufemismo, tal como Estado Novo o era para o fascismo.

Ora, desde o princípio que a Benelux, a União do Carvão e do Aço, depois a CEE, agora UEM e a UE, são estruturas de mercados capitalistas, são tratados e acordos entre classes dominantes de diversos países que, por mero acaso, ocupam o solo europeu. Aqueles que agora dizem que a "Europa falhou", que "a Alemanha destruiu a Europa", como muito se lê por parte dos que, dizendo-se de esquerda, sempre defenderam a estrutura mais de direita que existe no continente: a União Europeia, estão na verdade, a cumprir o seu papel de sempre.

Em primeiro lugar, a "Europa" não é a "União Europeia", porquanto um corresponde a uma soma de povos e a um espaço geográfico e outro a um conjunto de tratados entre capitalistas que usurparam estados e decidiram mercados.

Em segundo lugar, aqueles que agora vêm chorar pela "europa" (que é na verdade a "União Europeia"), estão apenas a absolver-se a si próprios de terem durante décadas dado a cobertura política "de esquerda" de que o capitalismo sempre precisou para seduzir os povos da Europa com uma União de liberdade, fraternidade e amizade quando na verdade ia impondo uma União de exploração e acumulação.

A derrota do Governo grego nas negociações com a União e o Eurogrupo não é uma derrota da união europeia (a que agora essa "esquerda" chama "Europa"), antes uma vitória dessa estrutura anti-democrática. A derrota do Governo grego é o triunfo dessa União Europeia, não é o triunfo da Alemanha, não é o triunfo da França, nem de qualquer outro país: é o do capitalismo.

Vir agora chorar pela "Europa" cumpre apenas o ritual da defesa da estrutura de direita que, passo a passo, vai fazendo marchar o capitalismo sobre os povos.

Dizer que a "Europa" perdeu, ou que a "Alemanha destruiu o sonho europeu" iliba o Governo grego ante as cedências que aceitou em prol dessa "Europa";

Limpa o passado dos partidos "de esquerda" que sempre foram "europeístas" (ou seja, pró-capitalistas) porque ao invés de reconhecer que este é o projecto que sempre defenderam, afirmam estar derrotado esse "projecto" humanista e internacionalista que - como se vê - nunca existiu. Ou seja, não foram o BE, a SYRIZA, o PS, o PASOK e os seus semelhantes que andaram a mentir aos povos sobre a União Europeia, mas foi a União Europeia que, como se de repente, se converteu num feudo do grande capital;

Oculta igualmente o verdadeiro papel da União, colocando o problema no comportamento de um país ou de um ou outro líder, fazendo crer que o problema não é estrutural, mas conjuntural. Como se a União Europeia não fosse precisamente isto e como se não fosse precisamente para isto que foi criada: assegurar o aprofundamento da exploração do trabalho pelo capital, independentemente da geografia que lhe sirva de quartel-general.

Por todo o mundo - e aqui em Portugal não se vê excepção - os comentadores e fazedores de opinião, os dirigentes da "esquerda moderna", da "esquerda livre", da "esquerda de confiança", da "esquerda democrática", da "esquerda moderada", se desdobram em desculpas esfarrapadas sobre uma tal "Europa" destroçada para não assumirem as responsabilidades de terem desde o início defendido afinal uma "união europeia de regressão, opressora, sem transparência, anti-democrática e absoluta e ferozmente neo-liberal". Em nada moderna, livre, de confiança, democrática ou moderada.

Nem mesmo perante o colapso da mentira, a burguesia reconhece o falhanço do capitalismo, seja burguesia de "esquerda", seja de "direita". 
14/Julho/2015

[*] Deputado do PCP.

O original encontra-se em manifesto74.blogspot.pt/2015/07/este-texto-nao-e-sobre-grecia.html 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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