quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Miguel Martins / realpolitik do Partido dos Trabalhadores emperra a reação ao golpe

Impeachment

O PT e o preço do pragmatismo

Sob críticas internas, a realpolitik do Partido dos Trabalhadores emperra a reação ao golpe
por Miguel Martins — publicado 03/08/2016 03h51
Sérgio Castro / Estadão Conteúdo
maia e temer



Quando o impeachment de Dilma Rousseffainda era uma farsa em fabricação, Lula pregou uma “revolução” no Partido dos Trabalhadores para recuperar a utopia perdida pela legenda ao longo de mais de uma década de governo. “Nós temos de definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos ou nosso projeto”, afirmou o ex-presidente em um seminário organizado em 2015.
Em meio ao afastamento provisório da presidenta eleita e momentos antes da votação final no Senado que pode consolidar o golpe, a missão de impedir a efetivação de Michel Temer parece esbarrar no velho pragmatismo dos tempos de poder. A perenidade da realpolitik nutrida pelo PT nos últimos anos tem incomodado parlamentares da legenda e reflete-se na tímida capacidade atual de mobilização contra o interino.
Embora municiada por vitórias jurídicas relevantes, a campanha de Dilma para comprovar a ilegalidade de seu afastamento não tem conseguido produzir fatos políticos relevantes a reforçar sua defesa.
Com 22 votos favoráveis na sessão do Senado que definiu o afastamento, a presidenta eleita precisa em tese de mais seis senadores, ou de ausências em mesmo número, para garantir seu retorno ao poder. Sua defesa foi subsidiada por importantes decisões recentes: enquanto o Ministério Público concluiu não ter havido crime comum nas chamadas “pedaladas fiscais”, uma perícia realizada pela comissão do impeachment no Senado não constatou ação direta da presidenta eleita.
Nos bastidores, a confiança dos parlamentares sobre a volta de Dilma parece abalada. Em conversas reservadas, um parlamentar petista admite a dificuldade para conquistar votos contra o impeachment e afirma que o campo majoritário do partido está “atordoado” e segue sem acompanhar a guinada à esquerda da base militante.
A eleição de Rodrigo Maia, do DEM, como novo presidente da Câmara revelou-se uma oportunidade perdida para os partidos de esquerda demonstrarem união em um momento desfavorável. As articulações de deputados do PT e do PCdoB para apoiar Maia foram alvo de críticas de parlamentares de ambos os partidos.
No segundo turno, quando o democrata derrotou Rogério Rosso, do PSD, a divisão interna do PT ficou clara: de 56 deputados que votaram na sessão, 25 deixaram o plenário por não aceitar apoiar um candidato favorável ao afastamento de Dilma. A outra parcela, formada principalmente por nomes do campo majoritário, aderiu à tese do “mal menor” ao preferir derrotar Rosso, aliado de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, com o suposto objetivo de elevar o nível dos trabalhos na Casa.
Em seu discurso de posse, Maia fez questão de agradecer aos seus “amigos” Orlando Silva e Aldo Rebelo, do PCdoB, e a Afonso Florence, líder do PT na Câmara, “pela confiança”. Ao investir no discurso de pacificação e expor o apoio de petistas e comunistas à sua candidatura, o democrata criou uma saia justa para os caciques de ambos os partidos.
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Para Lindbergh, o PT não pode apostar no jogo do Congresso e tem de olhar para fora. ( Edilson Rodrigues/ Agência Senado)
Wadih Damous foi um dos deputados petistas que preferiram deixar a sessão. “Os dois candidatos eram símbolos do golpe parlamentar”, justifica. “O Rosso presidiu a Comissão Especial de Impeachment e o Maia foi um dos coordenadores do processo. Não havia como apoiá-los.” A perspectiva de um “mal menor” não o convenceu. “Essa eleição não merecia tanta atenção de nossa bancada, é um mandato de apenas seis meses.”
Embora não tenha lançado candidato próprio, o PT concentrou seus votos no primeiro turno no peemedebista Marcelo Castro, ex-ministro da Saúde de Dilma e contrário ao impedimento, que terminou em terceiro na disputa. Para a votação de segundo turno, não houve orientação de bancada.
José Guimarães, ex-líder do governo de Dilma na Câmara, foi um dos deputados que optaram por votar. Perguntado sobre o incômodo de petistas com a articulação com Maia, ele diz que o partido está unido na luta contra o golpe. “Opiniões divergentes são periféricas.” Sobre o apoio ao democrata, Guimarães afirma que “essa pauta já passou”. “Maia não pensa como a gente e nem pensamos como ele, mas precisamos de regras de civilidade na disputa.”
No Senado, o apoio de parte do PT a Maia também gerou críticas. Em um vídeo pessoal, o senador Lindbergh Farias desabafou ao afirmar que a esquerda “sujou as mãos” com o democrata. Para ele, PT, PCdoB e PSOL deviam ter se unido em torno de apenas uma candidatura. “Agora, apoiar Maia é inexplicável, ele traz uma agenda regressiva, de retirada de direitos”, diz. “No momento, ele prepara a votação da PEC que limita os gastos públicos à inflação do ano anterior e a entrega do pré-sal. O que ganhamos com esse acordo?”
Para o senador, o apoio a Maia dificulta a resistência ao impeachment. “Não podemos voltar à prática do pragmatismo. Sabemos o que sofremos com a aliança com o PMDB. Não se pode apenas jogar o jogo interno do Congresso, tem de se olhar para fora.” O parlamentar diz “não ter dúvida” de que a eleição do democrata foi positiva para Temer ao distanciar o governo interino de Cunha. “Ele se livrou de um problema.”
Aliado de longa data do PT, o PCdoB também revelou rusgas internas. O partido lançou a candidatura de Orlando Silva no primeiro turno. Amealhou apenas 16 votos. No segundo, a bancada do partido votou em peso, com exceção das deputadas Jandira Feghali e Alice Portugal. Após a eleição de Maia, Jandira criticou as articulações de seu correligionário para apoiá-lo. “Ele (Silva) foi autorizado a tentar construir uma candidatura de unidade.
Agora, com essa articulação direta entre os dois, fiquei muito surpreendida.” À época, ventilou-se a possibilidade de o apoio estar relacionado à anulação da CPI da União Nacional dos Estudantes, entidade na qual o PCdoB tem forte presença. Embora tenha sido um dos signatários da criação da comissão, Maia manteve a decisão de Waldir Maranhão, seu antecessor, de barrar a instalação da CPI.
Ao lançar sua candidatura como forma de marcar posição, Luiza Erundina, do PSOL, ganhou o apoio de 22 deputados no primeiro turno. Como a bancada da legenda tem seis integrantes, a candidata à prefeitura de São Paulo recebeu votos de outros partidos do campo progressista, o que reforça o desgaste de alguns deputados com o pragmatismo de suas legendas.
Nas duas maiores cidades do País, o PSOL mostra-se fortalecido em comparação ao PT e ao PCdoB na largada da disputa municipal deste ano. Em São Paulo, o prefeito petista Fernando Haddad está em quarto nas pesquisas, com 8% das intenções de voto, segundo levantamento mais recente do Datafolha. Erundina surge à frente do candidato à reeleição, com 10%. Apoiada pelo PT, Jandira lançou sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, mas terá dificuldade em superar Marcelo Freixo, do PSOL, que surge em segundo em pesquisas preliminares, atrás de Marcelo Crivella, do PRB.
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Carregado pela polícia ao tentar evitar uma reintegração de posse, Suplicy oferece a metáfora de uma velha utopia. (Marcelo Camargo/ ABr)
Enquanto o PSOL parece acenar para a parcela da esquerda desiludida com os equívocos petistas, a principal legenda do campo progressista deve lavar a roupa suja em um congresso a ser realizado após as eleições municipais. Enquanto Lindbergh defende “enterrar o pragmatismo” dos últimos anos, Damous afirma que o PT tem várias identidades em disputa. “Isso só vai ser resolvido em um grande debate com a militância partidária.”
Há quem ainda dê de ombros para o pragmatismo e valorize a importância de atos simbólicos no PT. Candidato à vereador paulistano, o ex-senador Eduardo Suplicy foi preso na segunda-feira 25 após protestar contra a reintegração de posse de um terreno ocupado por 350 famílias.
Suplicy deitou-se na rua e foi levado pela polícia militar após se recusar a deixar o local. As imagens do ex-senador sendo carregado pelos agentes rodaram o País. Embora o episódio tenha aspectos de autopromoção, os valores que moveram o senador a tentar barrar a reintegração são um alento para uma militância cada vez mais carente de referências. Se o objetivo é recuperar a utopia perdida, nada melhor que um pouco de rebeldia para animar as bases. 
*Reportagem publicada originalmente na edição 912 de CartaCapital, com o título "O preço do pragmatismo". Assine CartaCapital.

Estará a Europa condenada à vassalagem a Washington?

Estará a Europa condenada à vassalagem a Washington?


por Paul Craig Roberts
A Segunda Guerra Mundial resultou na conquista da Europa, não por Berlim e sim por Washington.

A conquista era certa mas não toda de uma vez. A conquista da Europa por Washington resultou do Plano Marshall; de temores do Exército Vermelho de Staline que levaram a Europa a confiar na protecção de Washington e a subordinar os militares europeus à NATO; da substituição da libra britânica como divisa de reserva mundial pelo US dólar e do longo processo de subordinação da soberania de países europeus individuais à União Europeia, uma iniciativa da CIA implementada por Washington a fim de controlar toda a Europa através do controle de apenas um governo irresponsável.

Com poucas excepções, sobretudo o Reino Unido, a condição de membro da UE também significou perda de independência financeira. Como só o Banco Central Europeu, instituição da UE, pode criar euros, aqueles países que tão loucamente aceitaram o euro como divisa sua já não têm mais o poder de criar a sua própria moeda a fim de financiar défices orçamentais.

Os países que aderiram ao euro devem confiar em bancos privados para financiar os seus défices. O resultado disto é que países super-endividados já não podem mais pagar suas dívidas pela criação de moeda ou esperar que suas dívidas sejam canceladas (written down) para níveis cujo serviço possam aguentar. Ao invés disso, Grécia, Portugal, Latvia (Letónia) e Irlanda foram saqueados pelos bancos privados.

A UE forçou os pseudo-governos destes países a pagarem os bancos privados do norte da Europa através da supressão dos padrões de vida das suas privatizações e pela privatização de activos públicos a tostões. Portanto, pensões de reforma, emprego público, educação e serviços de saúde foram cortados e o dinheiro redireccionado para bancos privados. Companhias municipais de água foram privatizadas o que resultou em contas de água mais altas. E assim por diante.

Como não há prémio, só castigo, por ser membro da UE, por que é que governos, apesar das vontades expressas dos seus povos, aderem a ela?

A resposta é que para Washington não haveria outro caminho. Os fundadores europeus da UE são criaturas míticas. Washington utilizou políticos por ela controlados para criar a UE.

Alguns anos atrás foram divulgados documentos da CIA provando que a UE que fora sua iniciativa. Ver:
www.telegraph.co.uk/...   e   benwilliamslibrary.com/blog/?p=5080

Na década de 1970 o orientador da minha dissertação de Ph.D, então um responsável de muito alto escalão em Washington que controlava assuntos de segurança internacional, pediu-me para efectuar uma missão sensível no estrangeiro. Eu recusei. No entanto, ele respondeu à minha pergunta: "Como é que Washington consegue que países estrangeiros façam o que Washington quer?"

"Dinheiro", disse ele. "Nós damos aos seus líderes sacos cheios de dinheiro. Eles pertencem-nos".

Verifica-se ser claro que a UE serve os interesses de Washington, não os interesses da Europa. Exemplo: o povo e o governo francês opõem-se aos alimentos geneticamente modificado (GMOs), mas a UE permite uma "cautelosa autorização de mercado" da introdução de GMOs, confiando talvez nas "descobertas científicas" dos cientistas que estão na folha de pagamentos da Monsanto. Quando o estado estado-unidense de Vermont aprovou uma lei exigindo a etiquetagem de alimentos GMO, a Monsanto processou o estado de Vermont. Uma vez que os subornados responsáveis da UE assinem o acordo TTIP escrito pelas corporações globais dos EUA, a Monsanto tomará o comando da agricultura europeia.

Mas o perigo para a Europa vai muito além da saúde dos povos europeus que serão forçados a jantar alimentos envenenados. Washington está a utilizar a UE para forçar os europeus a entrarem em conflito com a Rússia, uma poderosa potência nuclear capaz de destruir tudo da Europa e dos Estados Unidos em poucos minutos.

Isto está a acontecer porque líderes europeus subornados com "sacos de dinheiro" preferem antes o dinheiro de Washington a curto prazo do que a vida dos europeus a longo prazo.

Não é possível que qualquer político europeu seja suficientemente estúpido para acreditar que a Rússia invadiu a Ucrânia, que a Rússia a qualquer momento invadirá a Polónia e os estados bálticos, ou que Putin é um "novo Hitler" a tramar a reconstrução do império soviético. Estas alegações absurdas são nada mais que propaganda de Washington totalmente destituída de verdade. A propaganda de Washington é completamente transparente. Nem mesmo um idiota poderia nela acreditar.

Mas a UE vai em frente com a dita propaganda, tal como o faz a NATO.

Por que? A resposta é dinheiro de Washington. A UE e a NATO são absolutamente corruptas. Elas são as prostitutas bem pagas de Washington.

O único meio de os europeus poderem impedir uma III Guerra Mundial nuclear e continuar a viver e desfrutar o que resta da sua cultura que os americanos ainda não destruíram com a cultura de sexo, violência e cobiça dos EUA, é os governos europeus seguirem a pista do inglês e saírem da União Europeia criada pela CIA. E saírem da NATO, cujo propósito se desvaneceu com o colapso da União Soviética e que agora é utilizada como instrumento de Washington para a Hegemonia Mundial.

Por que desejarão os europeus morrer pela hegemonia mundial de Washington? Isso significa que os europeus estarão a morrer também pela hegemonia de Washington sobre a Europa.

Por que os europeus querem apoiar Washington quando altos responsáveis estado-unidenses, tais como Victoria Nuland, dizem "Foda-se a UE"?

Os europeus já estão a sofrer com as sanções económicas que o seu soberano em Washington os forçou a aplicar à Rússia e ao Irão. Por que desejarão os europeus serem destruídos pela guerra com a Rússia? Será que os europeus anseiam pela morte? Será que foram tão americanizados que já não apreciam a acumulação histórica de beleza artística e arquitectónica, realizações literárias e musicais de que os seus países são guardiões?

A resposta é que não faz diferença o que quer que seja que os europeus pensem, porque Washington estabeleceu para eles um governo que é totalmente independente dos seus desejos. O governo da UE é responsável só perante o dinheiro de Washington. Algumas pessoas capazes de emitir ordens (edicts) estão na folha de pagamentos de Washington. Todos os povos da Europa são servos de Washington.

Portanto, se os povos europeus permanecem os crédulos, indiferentes e estúpidos que são actualmente, estão condenados – juntamente com o resto de todos nós.

Por outro lado, se os povos europeus puderem recuperar o seu sentido da realidade, libertarem-se da Matrix que Washington lhes impôs e revoltarem-se contra os agentes de Washington que os controlam, os povos europeus podem salvar as suas próprias vidas e as vidas do resto da humanidade. 
29/Julho/2016

O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/article45194.htm 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Panteras Negras & presos políticos nos EUA


Panteras Negras foram vanguarda dos anos 60


O grupo que desafiou o racismo e o Estado no país mais poderoso do mundo
“Eles são a maior ameaça para a segurança interna do país”, sentenciou John Edgar Hoover, o lendário chefe do FBI, durante reunião na qual declarou guerra aberta ao partido de jovens afro-americanos que, no final dos anos 1960, ousava promover motins e enfrentar a polícia.
Os Panteras Negras brotavam como cogumelos nas principais cidades norte-americanas. Rapidamente viravam o símbolo e a direção de quem não aceitava mais oferecer a outra face perante à agressividade das forças racistas.
As leis segregacionistas já estavam abolidas desde 1964, mas a brutalidade repressiva contra os bairros negros e a situação de pobreza não se alteravam.

Os grandes centros urbanos do norte e da costa oeste, para onde migravam os que fugiam do apartheid sulista, tinham se transformado em panelas de pressão. Levantes frequentes agitavam as cidades e a imaginação.
Washington State Archives

Panteras Negras na assembleia estadual em Sacramento, Califórnia, protestam contra projeto de lei para proibir porte de armas
Quando moradores de Watts, distrito na periferia de Los Angeles, se sublevaram contra a prisão arbitrária de um vizinho, em agosto de 1965, abria-se um novo ciclo histórico. Entre os dias 11 e 15, o chão ficou tingido pelo sangue de 34 mortes e mais de mil feridos. Quase 3,5 mil presos e mais de 40 milhões de dólares em danos materiais foram contabilizados.
Nos três anos seguintes, a cena se repetiu em muitas outras localidades. Os Estados Unidos pareciam caminhar rumo a uma insurreição.
Os encarregados em manter a lei e a ordem perdiam o sono. Estava aparentemente em perigo o sistema que juraram defender.
Ao lado das multidões que marchavam contra a Guerra do Vietnã, a mobilização dos guetos negros sacudia um mundo marcado por regras e hábitos construídos no encontro entre imperialismo e escravidão.
Era esse o clima, em outubro de 1966, no dia 15, quando dois estudantes do Merritt College, em Oakland, cidade vizinha a São Francisco, na ensolarada Califórnia, fundaram o Partido Pantera Negra para a Autodefesa.
Huey P. Newton e Bobby Seale recrutaram mais quatro colaboradores e formaram o núcleo inicial da organização. Também decidiram instituir um uniforme: camisas azuis, calças e boinas pretas, casacos de couro.

No funeral de Bobby Huttons, Marlon Brando fala sobre os Panteras Negras
Tinham mais simpatia pelas ideias de Malcolm X, assassinado em maio do ano anterior, do que pelo pensamento de Martin Luther King, mortalmente baleado dali a dois anos.
Sentiam-se atraídos por objetivos nacionalistas e de autodeterminação, a compreensão de que o povo negro estava sob jugo colonial desde que escravos africanos foram capturados e transportados contra a vontade.
Flertavam com possibilidades separatistas, entortando o nariz para a narrativa integracionista que predominava nos grupos dominantes da campanha contra a segregação.
Acima de tudo, consideravam inaceitável a estratégia de resistência passiva, não violenta, apregoada por Luther King, com quem costuravam acordos pontuais, mas tendendo a enxergá-lo como um anexo do sistema que sonhavam demolir.
Partiam do pressuposto que a falta de reação, cedo ou tarde, afetaria o ânimo e a capacidade de mobilização. A resistência ativa, por outro lado, poderia elevar a autoestima e intimidar os inimigos de sua causa.
Nas Olimpíadas de 1968, no México, Tommie Smith e John Carlos erguem o punho durante hino nacional dos EUA (Foto: WikiCommons)
Nas Olimpíadas de 1968, no México, Tommie Smith e John Carlos erguem o punho durante hino nacional dos EUA (Foto: WikiCommons)
Viam-se, em certa medida, como herdeiros de Malcolm X, ainda que não partilhassem seus pendores islâmicos. O que definitivamente os entusiasmava era o propósito de ser a ponta de lança das comunidades negras. Seus organizadores e protetores armados frente aos atropelos do Estado e de agremiações racistas como a Ku Klux Klan.
Contavam, a seu favor, com uma lei californiana que permitia a todos os cidadãos carregarem suas próprias armas. De rifles no ombro e revólveres em punho, funcionavam como tropa de choque contra a ação policial, protegendo manifestações e protestos.
Crescimento após ação audaciosa
A fama nacional veio com uma ação espetacular, em maio de 1967.
A Assembleia Estadual da Califórnia, sediada em Sacramento, tinha agendado a discussão de projeto que proibia o porte de armas. Sob comando de Bobby Seale, trinta militantes ocuparam, armados, as instalações do organismo legislativo, em protesto contra medida que enfraqueceria os Panteras Negras diante da polícia.
Imagens de tamanha audácia percorreram o país.
Seu prestígio cresceu aceleradamente, atraindo jovens militantes por toda a parte, que abriam escritórios do partido, aderiam a seu programa e se paramentavam para a guerra. 
As ambições eram vigorosas: emprego, educação, habitação, fim da brutalidade policial, julgamento de negros apenas por juízes e júris negros, revogação do serviço militar obrigatório, liberdade para os afro-americanos decidirem se queriam continuar incorporados aos Estados Unidos ou fundar sua própria nação.
Também manifestavam seu repúdio à intervenção norte-americana no Vietnã. Não queriam apenas a paz e a retirada das tropas. Batalhavam pela vitória dos comunistas de Ho Chi Minh, o líder da independência do país asiático, contra os exércitos chefiados pela Casa Branca. 
Foi nessa batida que logo se transformaram na corrente mais relevante do chamado Poder Negro.
Sob esse guarda-chuva se abrigava, entre os anos 60 e 70, uma constelação de movimentos e grupos dispostos à insurgência contra um modelo que, aos seus olhos, estava marcado pelo cruzamento entre supremacia branca, domínio dos ricos e neocolonialismo.
“Nascemos como uma organização comunitária, mas logo nos reivindicamos como partido revolucionário”, relembra Kathleen Neal Cleaver, primeira mulher a integrar o comitê central dos Panteras Negras. “Sob a influência da Revolução Cubana e da guerra de libertação dos vietnamitas, além do impacto das ideias de Mao Tse Tung, assumimos identidade marxista, mas nas condições específicas da luta anticolonial dos negros norte-americanos.”



Reprodução/Emory Douglas
Aos 71 anos, Kathleen é atualmente professora na Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas do planeta. Formada em Direito, dedica-se ao estudo de questões afro-americanas.
Casada por vinte anos com um dos chefes históricos dos Panteras Negras, Eldridge Cleaver, o terceiro homem da troika que também incluía Newton e Seale, ela foi secretária de Comunicação do partido entre 1967 e 1969, antes de se exilar na Argélia, com o marido, então condenado por tentativa de homicídio, durante tiroteio contra policiais de Oakland.
“Os Estados Unidos são diferentes de outros países capitalistas”, afirma, resumindo análise que embasava sua organização. “A estrutura econômica e social tem um componente de dominação colonial dentro do próprio território, para o qual outros povos foram trazidos à força. Não se trata apenas de preconceito racial, mas de supremacia como forma de Estado e sociedade.”
Essa lógica levou os Panteras Negras a aceitarem filiação apenas de afro-americanos. Apostavam que interesses comuns seriam defendidos por coalizões entre distintas agremiações, cada qual com sua própria identidade nacional ou étnica.
Estado versus Panteras Negras
Parte da imprensa aproveitou este critério para enquadrar o agrupamento como racista, defensor de alguma espécie de supremacia negra. A outra perna da campanha de desconstrução era pintá-lo como adepto da violência e do terror.
“Nós estávamos em guerra e tínhamos o direito de nos defender”, declara Elaine Brown, a última presidente do partido antes de sua dissolução. “Mas recorríamos à violência apenas quando atacados. Nosso trabalho principal era educacional e de organização social.”

Kathleen Cleaver (esq.) e Elaine Brown (dir.), em fotos dos anos 70 e atualmente
Nascida em um gueto de Filadélfia, atualmente com 73 anos, a ativista também se fez cantora e escritora. Quando os Panteras Negras estavam já em seu ocaso, divididos e sob severa repressão, Elaine foi nomeada por Newton, foragido em Cuba, a nova comandante do movimento, cargo que ocuparia entre 1974 e 1977.
“Ninguém tinha a receita para enfrentar o padrão repressivo que foi sendo adotado pelo governo”, relembra Elaine. “Tentamos aplicar uma das máximas de Mao, de que a guerrilha deve se mover entre as pessoas como um peixe nadando no mar. Mas o cerco se fechava.”
Além da autodefesa, a legenda fez-se conhecida por implantar programas de assistência nos bairros mais pobres, dos quais o mais famoso talvez tenha sido o café da manhã para crianças de famílias paupérrimas. Provou-se estratégia inteligente para ampliar influência e atrair novos militantes, além de permitir a construção de expressiva rede financeira entre artistas, intelectuais e até empresários.
Os Panteras Negras também conseguiram manter um semanário de circulação nacional e construir escolas de formação política, nas quais milhares de homens e mulheres foram educados.
Participaram igualmente de processos eleitorais, na fórmula do Partido Paz e Liberdade, uma casa de esquerda até hoje em atividade, pela qual Eldridge Cleaver disputou as eleições presidenciais de 1968. Conquistou menos de 50 mil sufrágios: poucos eram os afro-americanos inscritos para votar.

Vídeo em tributo aos Panteras Negras, grupo fundado em Oakland em 1966
Não alcançaram, em seu auge, mais que 10 mil militantes, segundo cálculos de vários dirigentes. O potencial de crescimento social, político e até militar, contudo, despertou a atenção e a ira dos organismos de segurança.
Hoover ordenou ao FBI que praticasse toda sorte de operação para desmoralizar, dividir e destruir os Panteras Negras. A caixa de ferramentas contra a organização rebelde era completa: infiltrações, denúncias forjadas, assassinatos, prisões em massa, provas plantadas.
A polícia de Los Angeles, seguida pela de outras cidades, deu contribuição cinematográfica à caçada anunciada, com a criação da SWAT, tropa especial forjada para o combate ao partido de Newton, Seale e Cleaver. Seu batismo de fogo foi uma batalha para tomar de assalto a sede da agremiação na cidade dos anjos.
Fim do grupo nos anos 80
O Senado norte-americano, em 1975, reconheceria oficialmente as ilegalidades cometidas. Nenhuma reparação, no entanto, foi determinada. Os que haviam sobrevivido, muitos apodrecendo atrás das grades, não foram contemplados por qualquer lei de anistia ou indulto. Os policiais responsáveis jamais seriam punidos.
A esta altura, além do mais, o fardo de prisões, mortes e divisões já era insuportável. O partido praticamente deixara de existir, apesar dos empenhos de sobrevida até 1982.
Muitos de seus militantes iriam se incorporar a outros agrupamentos, especialmente ao Exército Negro de Libertação, atuante até meados dos anos 80. O poder de mobilização e representação dos Panteras Negras, no entanto, tinha sido esmagado pelo Estado mais poderoso do mundo.
O chefe da polícia federal norte-americana cumprira a ameaça contida em um documento oficial do FBI: “Jovens negros e ativistas moderados precisam entender que, caso resolvam se transformar em revolucionários, serão revolucionários mortos.”

F: Opera Mundi

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Andre Vltchek / A dura literatura russa anticapitalista

A dura literatura russa anticapitalista


por Andre Vltchek [*]
Capa de RAB, de Sergei Minaev.Imaginemos Moscovo sendo tomada por um cartel de empresas internacionais. Por um monstro com suas próprias fábricas, edifícios de escritórios, serviços de segurança, prisões privadas, centros de reeducação (ditos de 'formação') e obedientes meios de comunicação social. Imaginemos que também dispõem de bases de dados sobre toda a gente que tenha real importância na capital.

Imaginemos de repente que as vidas humanas não importam mais. As pessoas só interessam para produzir e consumir; tornaram-se também totalmente descartáveis.

Imaginemos uma Rússia, no passado extremamente instruída, com seus lendários artistas e filósofos, ficando gradualmente reduzida a um nível inimaginavelmente primitivo. De repente, há lixo pop dos EUA voando por toda parte e o entretenimento dado às massas são inúmeros 'reality shows' na televisão, incluindo os que exibem homens e mulheres defecando e urinando em casas de banho públicas.

Isso é o que acontece lendo um romance contundente, provocador e violento de Sergei Minaev, chamado R.A.B. com 521 páginas!

Em todos os seus romances, incluindo Soulless, The Telki, Mídia Sapiens e R.A.B. Minaev retrata magistralmente os continuados crimes cometidos pela cultura empresarial e os seus media. Brutal e candidamente descreve uma sociedade apocalíptica, construída nos princípios do moderno sistema capitalista ao estilo ocidental, sem alma, impiedoso e assassino.

Neste mundo, já nada é sagrado. As 'elites' divertem-se grandemente caçando nos arredores da cidade, não alguns animais, mas pessoas sem-abrigo que vivem em pipelines abandonados ("R.A.B."). Um canal de notícias de televisão do mainstream norte-americano, juntamente com o seu parceiro local, gerem o desencadear de um conflito militar entre a Geórgia e a Rússia, após contratarem vários helicópteros de combate e soldados reformados, matando pessoas apenas para aumentar sua audiência. Vários ataques terroristas em Moscou estão a ser pagos e encenados por outros conglomerados dos grande media. (Media Sapiens). 

Minaev não escreve chorando. Definitivamente está longe de ser um "coração sangrando". Ele é duro e cínico. Os seus personagens são na sua maioria cruéis super yuppies de Moscovo, empreendedores, vivendo uma vida rápida, tomando drogas, participando em festas de clubes de luxo, tendo sexo literalmente com tudo que se move (Soulless).

Mas eles consomem-se, destroem-se, são levados para perto do suicídio. Não têm ideologia, nem opiniões políticas. Riem, insultam tudo e todos, mas no fundo estão realmente sofrendo de uma horrível vacuidade, do seu vazio.

Nos raros momentos de honestidade, admitem uns aos outros e a eles mesmos, que na realidade ainda anseiam por pelo menos "algo puro e decente", não corrompido pelo regime fundamentalista do mercado global, seus "valores" e "cultura".

Em R.A.B., Minaev vai muito mais longe. Os yuppies (paradoxalmente, gestores de nível médio e superior) começam uma rebelião contra o sistema. Fazem greve, marcham pelas ruas e constroem barricadas. Começam por exigir justiça social. Incendeiam os seus próprios escritórios.

Fazem isso depois da sua empresa russa produtora de brinquedos (e outras empresas por toda a cidade) serem engolidas por uma transnacional norte-americana, que imediatamente começa a desmontar todos os benefícios sociais, enquanto injeta incerteza e medo no local de trabalho. Outra transnacional abre uma horrorosa fábrica de brinquedos nos arredores de Moscovo, empregando imigrantes desesperados das repúblicas da Ásia Central.

Os meios de comunicação privados, primeiro confrontam os manifestantes, depois fazem o acompanhamento com propaganda a favor das empresas e no final aos serviços de segurança privados e ao exército. Muitas pessoas desaparecem. Outras são fechadas em escritórios e prisões secretas das empresas e torturadas. Aqueles que sobrevivem tornam-se "não empregáveis", sendo os seus nomes registados numa inapagável lista negra.

Mas a que apela realmente Minaev? A uma verdadeira revolução?

Sim e não. Ele não acredita que nos países que têm sido conquistados pelo fundamentalismo de mercado e pelo consumismo desenfreado, uma verdadeira 'revolução' seja possível. Ele não acredita que as pessoas tenham ideais ou qualquer fervor à esquerda. Porém, ao mesmo tempo, pelo menos alguns dos seus personagens claramente não estão dispostos a render-se.

É arrepiante ler R.A.B. ao mesmo tempo que "rebeliões" estão a ocorrer na Grécia, França, Espanha e Reino Unido.

Um dos principais personagens de R.A.B. confronta os manifestantes:   Isto não é uma revolução! Todos vocês são partes do sistema. Vocês só pretendem um melhor negócio para vocês próprios. Através desta rebelião, na verdade estão a negociar com o cartel das empresas. Se obtiverem o que estão a pedir, então vão ficar felizes e continuar como se nada tivesse acontecido.

Em seguida, Minaev faz exatamente o que nenhum escritor ocidental teria coragem de fazer. Ele começa a argumentar que para destruir o sistema, tem de haver uma luta armada. Caso contrário, nenhuma mudança real jamais poderia ser alcançada.

A rebelião reprimida dos yuppies eventualmente desencadeia um movimento muito mais amplo, e em breve há verdadeiras batalhas em várias capitais provinciais.

O fim do romance é aberto. O personagem principal de R.A.B. é destruído. Ele perde o amor da sua vida (no desespero ela comete suicídio); fica sem emprego, sem dinheiro e sem lugar para onde ir. Mas ainda está vivo. A Rússia ainda está viva. É óbvio que aconteça o que acontecer, nunca aceitará o sistema monstruoso que foi imposto pelo ocidente.

Tudo pode parecer uma fantasia louca, mas na verdade o que Minaev escreve não está muito longe dos pesadelos para onde a Rússia estava a ser levada depois de Gorbachev ter permitido que o país (a URSS), se desmoronasse. Yeltsin introduziu então a privatização desenfreada e entregou concessões sem precedentes a empresas estrangeiras. Durante esse período, a Rússia passou por algo que poderia ser facilmente descrito como um genocídio social. A expectativa de vida caiu para os níveis de guerra declarada em África. Governou com base na ilegalidade. Todos os ideais foram ridicularizados e cuspidos.

Um grande número de intelectuais russos foi comprado e organizado pelo Ocidente em inúmeras ONG. O nível mais baixo do pop e do entretenimento ocidental sabotou a cultura russa. Durante esses dias sombrios, o ocidente conseguiu finalmente por a Rússia de joelhos.

Mas menos de duas décadas depois, uma nova Rússia está mais uma vez orgulhosa, forte e confiante. Pôs-se de pé, começou com sucesso novamente produzir e passou por uma transformação social enorme e positiva.

Há apenas uma semana voltei do Extremo Oriente russo, das cidades de Vladivostok e Khabarovsk, Petropavlovsk, Kamchatski. Onde quer que fosse, testemunhei uma infraestrutura nova e impressionante. Encontrei uma nação confiante trabalhando duramente para restaurar pelo menos algumas das estruturas e benefícios socialistas que pode usufruir no passado.

A Rússia nova, atual está muito mais perto de China; muito mais impressionada com o sistema chinês, do que pelo que foi forçado a adotar no passado durante a "era do pró-ocidental" que é agora considerado sinônimo de desastre nacional.

Os escritores russos desempenharam um papel importante ao descrever os horrores dos anos Gorbachev/Yeltsin e o regime económico, político e "cultural" globalizado e brutal injetado pelo ocidente em todos os cantos do planeta. De um Eduard Limonov com seu enorme romance It's Me, Eddie a R.A.B. de Minaev, a literatura russa tem sido ousada, insultante, direta e brutalmente honesta.

Enquanto Limonov e Minaev vendem milhões de cópias de seus livros no seu país, o seu trabalho é praticamente desconhecido no ocidente. Não encontrei traduções para inglês pesquisando na Amazon.com e em outros sítios.

No seu romance nova-iorquino, Eddie, Limonov pede abertamente atos terroristas contra o regime ocidental, enquanto alguns dos personagens do Minaev também acreditam numa luta armada, apesar de tipo mais convencional.

Nada é poupado. Quando a transnacional de produção de brinquedos dos EUA exige um sistema especial de descontos aplicado aos seus funcionários na Rússia, para "ajudar as crianças pobres do terceiro mundo", o personagem principal de R.A.B. pensa:   "bem, eles podem agora usar esse dinheiro para comprar caixões para as crianças que põem a trabalhar e matam na Indonésia ou na Tailândia". Quando o imposto sobe um pouco mais ele comenta: "agora eles vão ter fundos suficientes para pelo menos cavar algumas valas comuns".

Tudo isso é simplesmente demasiado chocante para leitores ocidentais. Ou mais precisamente, a "carteira de negócios" ocidental provavelmente "pensa" que é.

O fato é que, apesar do que a propaganda ocidental constantemente repete, quem lê russo pode claramente ver e apreciar que a literatura russa é na verdade muito mais livre, ousada e rebelde que as do ocidente.

Quando vários romancistas russos best-sellers estão chamando abertamente para o combate contra o regime global (o mesmo regime que, até agora, pelo menos parcialmente controla a economia do seu país), cada pessoa não pode senão ficar impressionada com o nível de liberdade no país que permite tal trabalho ser publicado e promovido.

Mas no Ocidente, nunca saberemos isto, a menos que se fale russo. É porque no Ocidente (e em seus Estados "cliente" e colónias) as pessoas estão extremamente bem "protegidas" de tão desconfortáveis (e o regime diria 'perigosos') pensamentos! 
20/Julho/2016

Do mesmo autor em resistir.info:
  • O povo chinês sente-se ultrajado
  • Como combater a propaganda ocidental
  • RDPC: isolada, demonizada e desumanizada pelo Ocidente

    [*] Filósofo, romancista, cineasta e jornalista investigador. Fez coberturas de guerras e conflitos em dezenas de países. Os seus livros mais recentes são: Exposing Lies Of The Empire", "Fighting Against Western Imperialism", "Discussion with Noam Chomsky: On Western Terrorism , ou o seu aclamado romance politicoOceania – a book on Western imperialism in the South Pacific . Sobre a Indonésia escreveu Indonesia – The Archipelago of Fear . Presentemente realiza filmes para a Telesur e Press TV. Pode ser contatado através de seu sítio web ou do Twitter Filósofo, romancista, cineasta e jornalista de investigação. Cobriu guerras e conflitos em dezenas de países. Seus livros mais recentes são: "Exposing Lies Of The Empire" "Fighting Against Western Imperialism" Discussão com Noam Chomsky: "On Western Terrorism". "Point of No Return"é um seu aclamado romance político. " Oceania – a book on Western imperialism in the South Pacific Oceania" , um livro sobre o imperialismo ocidental no Pacífico Sul. O seu estimulante livro sobre a Indonésia:"Indonesia – The Archipelago of Fear". Andre realiza filmes para a teleSUR e Press TV. Depois de viver por muitos anos na América Latina e na Oceania, Vltchek atualmente reside e trabalha no sudeste da Ásia e Médio Oriente. Pode ser contactado através de seu site ou seu Twitter.

    O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/article45149.htm. Tradução de DVC. 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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