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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

General da Abin diz que pensa como um cavalo



A palestra do general Sergio Etchegoyen, ministro do gabinete de Segurança Institucional do governo golpista de Michel Temer, deixou os alunos do Instituto Rio Branco escandalizados.
O general Etchegoyen começou sua palestra citando como uma das causas da crise que vive o país “a excessiva preocupação dos políticos em preservar mandatos e biografias e reclamou que vivemos um deserto de lideranças”. Porém, nada disse sobre as constantes liberações de verbas e emendas do seu presidente para conseguir votos no Congresso Nacional nem o loteamento dos ministérios para partidos conservadores.
Segundo o site The Intercept Brasil, que teve acesso ao conteúdo da palestra, o general, que tem cinco décadas no Exército e cuja família está há várias gerações nesta instituição, discordou da opinião de vários companheiros de farda que são contra a atuação do Exército como polícia. Para ele, o argumento de que as Forças Armadas não são treinadas para atuar no policiamento de cidades é balela de especialistas. “Ninguém sabe a guerra que vai lutar amanhã. Somos treinados em cima de princípios, de conceitos, com alguns fundamentos, com muita flexibilidade para dar agilidade mental para resolver o problema. Então, se der para o militar um problema de segurança pública, ele vai se adaptar e vai fazer”.
Aspirina x antibiótico
Etchegoyen declarou ainda que o país passa por crises tão profundas que afetam a própria estrutura do Estado: “Nós nunca vivemos, no Brasil, um momento em que coincidisse, com tanta intensidade, tantas crises estruturais e tantas crises setoriais. Isso nos dá uma crise sistêmica”, disse. “E nós não vamos tratar com Aspirina nem com Tylenol. Nós vamos tratar com antibiótico, com todos os efeitos colaterais”.
Embora nada tenha dito sobre o crescimento do desemprego no país e da corrupção no Governo Temer, o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) disse que o Brasil criou um modelo que está nos destruindo por dentro e que a origem desses males se deve ao abandono de um projeto nacional durante os mandatos de Lula e Dilma.
Ao exaltar os feitos da ditadura, o general afirmou indiretamente que a democracia limita o desenvolvimento: “Imaginem se hoje seria possível construir, no Rio de Janeiro, o Cristo Redentor? Quanto é que ia nos custar de discussão no Ibama, com o Ministério Público? Quanto nos custaria fazer uma ponte Rio-Niterói, pra ficar no mesmo tema? O bondinho? Itaipu?”.
Sinceridade
O ministro general Sergio Etchegoyen defendeu também a violência policial ao dizer: “Nossa sociedade bota o dedo na cara de um policial… Qualquer menino [faz isso] e não acontece nada”. “Nós não podemos, por exemplo, deixar que prossiga esse desamor pela polícia, que tem acontecido no Brasil. Porque são eles que nós temos. Nós não temos outros”.
Tem mais: o general também questionou o combate à discriminação contra a população negra e indígena ao criticar o politicamente correto: “Quantos e quantas aqui teriam coragem de levantar e discutir claramente a sua opinião sobre cotas, por exemplo? Isso é uma coisa que, na sociedade, nós estamos buscando uma unanimidade – e eu não estou falando contra as cotas, eu estou tratando teoricamente do assunto –, mas nós queremos uma unanimidade na sociedade?”.
Apesar de ter falado tantos disparates na palestra, é preciso registar a sinceridade do general ao explicar qual a origem das suas ideias; disse ele: “Sou da arma de cavalaria e tem um problema: a ausência do meu cavalo reduz minha capacidade intelectual em uns 45, 40 por cento”. Com todo respeito aos cavalos, nesse ponto, concordamos com o general.
Lula Falcão, diretor de A Verdade
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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ishiguro, a Nova Guerra Fria e o labirinto da memória


por M K Bhadrakumar
Se me pedissem para fazer uma lista de obras de ficção do meu romancista vivo preferido, Kazuo Ishigoro, vencedor britânico do Prémio Nobel, eu ficaria perplexo. Adoro tudo o que ele escreveu, alguns dos seus romances li mesmo uma segunda vez. Mas se insistir numa lista curta de três, eles são: Os despojos do dia, Quando éramos órfãos O gigante enterrado. 

D. H. Lawrence certa vez escreveu que livros são apenas "trepidações no eter" mas o romance tal como uma trepidação pode "fazer todo o homem vivo tremer". Cada um dos três romances de Ishiguro é profundamente significativo. Quando éramos órfãos leva-nos para o labirinto da memória e, quando nele viajamos, percebemos como começamos a acomodar a memória e torná-la menos penosa; O gigante enterrado é acerca da recuperação de memórias perdidas e uma devassa investigativa da culpa, construída em torno de um impensado e frívolo caso de adultério, o qual termina num doloroso impulso para esquecer.

Mas Os despojos do dia é de um teor totalmente diferente – não só por causa da clássica adaptação a filme por Anthony Hopkins e Emma Thomson ou por causa do seu tema eterno da tragédia do fracasso ou incapacidade para comunicar amor – e a consequente perda de oportunidade de um relacionamento desejado – mas também da sua subtil evocação do tumultuoso avanço para a II Guerra Mundial, tal como narrado em flashbacks de pormenores crescentes por Stevens, um mordomo inglês.

Cerca de meia noite de ontem, quando enviava um artigo ao Asia Times sobre a cimeira trilateral de Sochi na próxima semana entre a Rússia, a Turquia e o Irão – um pungente relacionamento das três partes que só experimentou rivalidades e guerras e contestações ao longo de vastos períodos da história moderna (e pré moderna) e que nunca alguma vez culminou numa cimeira trilateral – recordei-me subitamente de Os despojos do dia. O pano de fundo é incrivelmente semelhante.

Estão no ar pressentimentos negros de uma guerra monumental no Médio Oriente, a qual poderia atear uma guerra mundial. Preparativos febris estão em curso. A cimeira de Sochi na próxima quarta-feira é uma corajosa tentativa de circular os vagões.

O principal resultado dos breves intercâmbios entre o presidente Donald Trump e o presidente Vladimir Putin conseguiram ter (sem escutas de responsáveis americanos) à margem da cimeira da APEC (Asia Pacific Economic Cooperation) no Vietname é que teria feito o lado russo entender, finalmente, que o establishment de Washington simplesmente não está interessado em fazer progressos com Moscovo em relação a qualquer frente (incluindo a Síria) e a sua bússola já está ajustada para demonizar sistematicamente a Rússia e criar uma imagem de "inimiga" na psique ocidental.

Claramente, a cimeira de Sochi na quarta-feira confirma a percepção de que se levantou uma necessidade urgente de repelir a beligerância dos EUA de modo a que a paz retorne à Síria. (Ver minha coluna no Asia Times intitulada Russia, Turkey, Iran meeting to discuss Syria strategy .)

sítio web do Kremlin reproduziu excertos de uma conversação na quarta-feira em Moscovo entre o presidente Vladimir Putin e o vice-primeiro-ministro Dmitry Rogozin o qual está encarregado da indústria da defesa da Rússia e tem um papel crucial a desempenhar na modernização das forças armadas russas e em assegurar que a prontidão de Moscovo para a defesa permaneça óptima.

TU-160M2.Rogozin estava a informar Putin que o programa para aperfeiçoar o lendário Tu-160, bombardeiro estratégico super-sónico de longo alcance, fora cumprido com êxito e a nova versão TU-160M2 com avionica de vanguarda e um motor recém desenvolvido foi "revelado" ontem. O voo inaugural é esperado em Fevereiro. A indústria da defesa russa está a cumprir "o muito complicado desafio de recuperar técnicas de produção perdidas, incluindo soldadura com feixes de electrões e manejo de titânio".

O bombardeiro estratégico Tupolev é o maior e mais pesado bombardeiro supersónico com asas de geometria variável alguma vez já construído. (Ele teve o seu primeiro combate na Síria em 2015.) A mensagem é clara. A revelação de ontem por parte do Kremlin verificou-se apenas três dias depois da reunião de ministros da Defesa da NATO em Varsóvia em que a aliança decidiu criar dois novos comandos num fortalecimento militar que recorda a era da Guerra Fria – um novo Comando do Atlântico Norte para verificar a actividade naval russa (especialmente submarinos) no Árctico dentro do Atlântico norte (o qual é parte integral da "tríade nuclear" da Rússia) e, secundariamente, um novo Comando Logístico que se centra na capacidade de mover tropas mais rapidamente através da Europa até a fronteira russa. ( Bloomberg )

Estes movimento são fortes em simbolismo pois eles ampliam capacidades da NATO contra a Rússia se estalar guerra. Ao anunciar isto, o chefe do comité militar da NATO, general Petr Pavel chamou abertamente a Rússia de "ameaça potencial".

A propósito, de modo interessante Pavel acrescentou: "Se olharmos para as crescentes capacidades de países como a Rússia e a China, com um alcance global, é bastante óbvio que linhas de comunicação marítimas têm de ser protegidas". Quão abissalmente superficiais podem ser nossos jovens repórteres e analistas estratégicos em Delhi quando ficam loucamente extasiados com a viagem asiática de Trump e Tillerson !

Estou a recordar a experiência do mordomo Stevens do mundo externo, no romance de Ishiguro, dentro das paredes de uma nobre casa senhorial. Stevens podia apanhar apenas fragmentos da animada conversação à mesa de jantar entre o seu patrão Lord Darlington e Chamberlain mas não podia compreender nem a rudeza do tragicamente enviesado Tratado de Versalhes (28/Junho/1919) no fim da I Guerra Mundial nem o impulso de Darlington de ajudar a Alemanha contra o grave pano de fundo da ascensão do nazismo. 
17/Novembro/2017

Ver também: 
  • Erdogan’s chief adviser calls for Turkey’s NATO membership to be reconsidered

    O original encontra-se em blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/... 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • segunda-feira, 20 de novembro de 2017

    Os comunistas e o movimento negro


    Em homenagem ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), A Verdade publica uma resolução política da 3ª Internacional Comunista sobre a Questão Racial, aprovada no 4º Congresso da IC, realizado em Moscou, em 1922.
    Ao contrário do que afirmam a burguesia e os adversários do marxismo-leninismo, os comunistas sempre levaram em conta a importância da questão racial dentro da luta de classes, especialmente nos países dependentes e coloniais. Marx e Engels, no Manifesto Comunista, convocaram os “proletários de todos os países”, sem distinção de raça ou nacionalidade, a unirem-se na luta contra o poder do capital. Após a Revolução de Outubro de 1917, a luta de emancipação dos povos oprimidos teve enorme impulso, bem como a luta por igualdade racial no interior dos próprios países imperialistas.
    De fato, enquanto nos Estados Unidos os negros eram espancados, enforcados e incendiados nas ruas, na União Soviética era aprovada, em 1936, a primeira constituição do mundo que condenava categoricamente o racismo. Também, foram os comunistas os organizadores e mais destacados combatentes dos movimentos de libertação nacional na África, Ásia e América Latina.
    Hoje, quando a burguesia intensifica a exploração sobre os trabalhadores, os mais prejudicados são, sem dúvidas, os trabalhadores negros, especialmente as mulheres negras. Para estes estão reservados os piores serviços e os salários mais baixos. Portanto, a luta pelo fim do capitalismo e pela construção de uma sociedade socialista, onde não haja a exploração entre os seres humanos, é uma luta também do povo preto. Viva Zumbi! Abaixo o racismo e a exploração capitalista! Viva o 20 de Novembro!
    Resolução da Internacional Comunista sobre a Questão Racial
    Durante e depois da guerra um movimento revolucionário começou a desenvolver-se entre os povos coloniais e semicoloniais, e este movimento ainda desafia a dominação do capital mundial. Portanto, se o capitalismo continuar, ele deve entrar em acordo com o problema cada vez mais difícil de como intensificar a colonização das regiões habitadas por pessoas negras.
    O capitalismo francês reconhece claramente que o poder pré-guerra do imperialismo francês só pode ser mantido através da criação de um império franco-africano, defendido por uma ferrovia trans-saariana. Os magnatas financeiros americanos (que já exploram 12 milhões de negros em seu próprio país) começaram uma invasão pacífica da África. O fato de que a Grã-Bretanha, por sua vez, teme qualquer ameaça à sua posição na África é claramente mostrado pelas medidas extremas que tomou para reprimir as greves na África do Sul (isso refere-se à greve de Rand, em 1922, numa época na qual o lema dominante era “Por uma África do Sul branca”. O Partido Comunista apoiou a greve, enquanto apelava à unidade dos trabalhadores negros e brancos).
    Embora a concorrência entre as potências imperialistas no Pacífico cresceu com a ameaça de uma nova guerra mundial, a rivalidade imperialista na África também desempenha um papel sinistro. Finalmente, a guerra, a revolução russa e a rebelião anti-imperialista entre os povos asiáticos e muçulmanos têm despertado a consciência de milhões de negros que durante séculos foram oprimidos e humilhados pelo capitalismo na África, e, provavelmente, ainda em maior grau na América.
    A exploração dos negros nos Estados Unidos
    A história dos negros norte-americanos preparou-os para desempenhar um papel importante na luta de libertação de toda a raça africana. Há 300 anos, os negros norte-americanos foram arrancados da sua terra natal africana, transportados para a América em navios negreiros e, em condições indescritivelmente cruéis, vendidos como escravos. Por 250 anos, eles foram tratados como gado humano, sob o chicote do feitor norte-americano. O seu trabalho limpou as florestas, construiu as estradas, cultivou o algodão, construiu as ferrovias nas quais repousa a riqueza da aristocracia do sul dos EUA. A recompensa para seu trabalho era o analfabetismo, a pobreza e a degradação.
    Os negros não eram escravos dóceis. A sua história é cheia de revoltas, rebeliões e de uma luta clandestina pela liberdade. Mas todos os seus esforços para se libertarem foram violentamente reprimidos. Eles foram torturados, enquanto a imprensa burguesa justificava a sua escravidão.
    Quando a escravidão se tornou num obstáculo que impede o desenvolvimento pleno e irrestrito dos EUA para o capitalismo, quando esta escravidão entrou em conflito com a escravidão do trabalho assalariado, ela teve que ceder. A guerra civil, que não era uma guerra para a emancipação dos negros, mas uma guerra para a preservação da hegemonia industrial do Norte, confrontou os negros com uma escolha entre o trabalho forçado no Sul e a escravidão salarial no Norte. O sangue, suor e lágrimas dos “emancipados” negros ajudaram a construir o capitalismo norte-americano e, quando o país, que agora se tornou uma potência mundial, foi inevitavelmente puxado para a Primeira Guerra Mundial, os negros norte-americanos ganharam igualdade de direitos com os brancos… para matar e para morrer pela “democracia”.
    Quatrocentos mil proletários de cor foram recrutados para o exército norte-americanos e organizados em regimentos especiais. Estes soldados negros mal tinham retornado do banho de sangue da guerra antes de serem confrontados com a perseguição racial, linchamentos, assassinatos, a negação dos direitos, a discriminação e desprezo geral. Eles lutaram, mas pagaram caro pela tentativa de fazer valer os seus direitos humanos. A perseguição de negros tornou-se ainda mais difundida do que antes da guerra, e os negros mais uma vez aprenderam a “conhecer o seu lugar”. O espírito de revolta, inflamado pela violência pós-guerra e da perseguição, foi suprimido, mas os casos de crueldade desumana, como os eventos em Tulsa City, Oklahoma, ainda incendeiam os ânimos novamente. Isto, somado à industrialização do pós-guerra dos negros no Norte, coloca os negros norte-americanos, em especial os do Norte, na vanguarda da luta pela libertação dos negros.
    A Internacional e o movimento negro
    A Internacional Comunista está extremamente orgulhosa de ver os trabalhadores explorados negros resistindo aos ataques dos exploradores, uma vez que o inimigo da raça negra e o inimigo dos trabalhadores brancos são o mesmo: o capitalismo e o imperialismo. A luta internacional da raça negra é uma luta contra o inimigo comum.

    Samora Machel, comunista moçambicano e líder da guerra de independência contra Portugal
    Um movimento negro internacional com base nesta luta deve ser organizado: nos Estados Unidos, o centro da cultura negra e do protesto negro; na África, com a sua reserva de mão-de-obra humana para o desenvolvimento do capitalismo; na América do Sul e Central (Costa Rica, Guatemala, Colômbia, Nicarágua e outros países “independentes”), onde o domínio do capitalismo norte-americano é absoluto; em Porto Rico, Haiti, São Domingos e outras ilhas do Caribe, onde o tratamento brutal dos nossos irmãos negros pela ocupação norte-americano provocou um protesto em todo o mundo de negros conscientes e trabalhadores brancos revolucionários; na África do Sul e Congo, onde a industrialização crescente da população negra levou a todos os tipos de revoltas; e no leste da África, onde as incursões do capital mundial levou a população local a iniciar um ativo movimento anti-imperialista.
    A Internacional Comunista deve mostrar aos negros que eles não são os únicos a sofrer a opressão capitalista e imperialista, e que os trabalhadores e camponeses da Europa, Ásia e América também são vítimas do imperialismo; que a luta negra contra o imperialismo não é a luta de um único povo, mas de todos os povos do mundo; que na Índia e na China, na Pérsia e Turquia, no Egito e Marrocos, os povos oprimidos não-brancos das colônias estão lutando heroicamente contra os seus exploradores imperialistas; que esses povos estão se levantando contra os mesmos males, ou seja, contra a opressão racial, desigualdade e exploração, e estão lutando pelos mesmos fins – emancipação política, econômica, social e pela igualdade.
    A Internacional Comunista representa os trabalhadores e camponeses revolucionários de todo o mundo na sua luta contra o poder do imperialismo. Ela não é apenas uma organização dos trabalhadores escravizados brancos da Europa e da América, mas é também uma organização dos povos oprimidos não-brancos do mundo, que assim incentivam e apoiam as organizações internacionais dos negros na sua luta contra o inimigo comum.
    O movimento negro e a revolução

    Amílcar Cabral e Fidel Castro em Havana
    A questão negra tornou-se parte integrante da revolução mundial. A Terceira Internacional já reconheceu a valiosa ajuda que os povos de cor asiáticos podem dar à revolução proletária, e ela percebe que nos países semicapitalistas a cooperação com os nossos irmãos negros oprimidos é extremamente importante para a revolução proletária e para a destruição do poder capitalista. Portanto, o IV Congresso da Internacional dá aos comunistas a responsabilidade especial de vigiar de perto a aplicação das “Teses sobre a questão colonial” à situação dos negros.
    O IV Congresso considera essencial apoiar todas as formas do movimento negro que visam minar ou enfraquecer o capitalismo e o imperialismo ou impedir a sua expansão.
    A Internacional Comunista lutará pela igualdade racial de negros e brancos, por salários iguais e igualdade de direitos sociais e políticos.
    A Internacional Comunista vai fazer o possíveil para forçar os sindicatos a admitirem trabalhadores negros onde a admissão é legal, e vai insistir numa campanha especial para alcançar este fim. Se esta não tiver êxito, ela irá organizar os negros nos seus próprios sindicatos e então fazer uso especial da táctica da frente única para forçar os sindicatos gerais a admiti-los.
    Por fim, a Internacional Comunista vai tomar imediatamente medidas para convocar uma conferência ou congresso internacional negro em Moscou.
    Extraído das Resoluções do IV Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou, em 1922.
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    Algoritmos contra o câncer


    Saúde

    Oncologia


    por Caroline Oliveira — publicado 20/11/2017 00h15, última modificação 17/11/2017 15h53
    A plataforma de tecnologia científica Watson for Oncology sugere tratamentos para neoplasias com base em dados mundiais
    Pixabay
    Algoritmos
    Na América Latina, junto com Porto Alegre só o México implementou o Watson for Oncology, ambos em agosto deste ano.


    Até 2030, o câncer será a principal causa de morte no mundo. Estima-se que haverá 17 milhões de casos fatais da doença em um universo de 27 milhões de diagnósticos novos a cada ano. Até a data, 80 milhões de pessoas deve ter algum tipo câncer no período. Entre 2007 e 2015, o aumento do número de casos de morte por câncer foi de 13%, enquanto as mortes por doenças cardiovascularesdiminuiu na mesma porcentagem.
    No entanto, o aumento dos casos de câncer é acompanhado pelo crescimento de estudos sobre o tema. São cerca de 25 milhões de artigos publicados por ano. Mais de 40% se dão nos Estados Unidos. Na América do Sul, essa taxa cai para pouco mais de 3%.
    Segundo o médico oncologista Carlos Barrios, diretor do Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, um médico que queira se manter atualizado em relação a todas as pesquisas sobre câncer do mundo, deve ler 25 horas por dia. “É impossível um médico se manter atualizado”.
    Nesse sentido, em 2012, a International Business Machines (IBM), uma empresa norte-americana de informática, começou a desenvolver uma plataforma de tecnologia científica em nuvem com dados científicos sobre câncer ao redor do mundo chamado Watson for Oncology (WFO). O sistema foi inicialmente habilitado pelo centro de oncologia Memorial Sloan Kettering Center (MSK), de Nova York, e já possui mais de 15 milhões de pesquisas.
    Além do processamento dos estudos, a plataforma também é capaz de ler a linguagem natural, ou seja, o diagnóstico dos pacientes oncológicos com as informações estruturadas ou não, imagens, sons e áudios, codificando todas as referências em dados. Por meio de algoritmos, o Watson for Oncology sugere tratamentos específicos para cada paciente.
    Segundo o oncologista Matheus Ferla, responsável pela implementação da plataforma do Hospital Mãe de Deus, o único no Brasil, o sistema é muito mais do que um banco de dados. “Ele entende a linguagem natural, se adapta e aprende”, afirma. Ferla acredita que no futuro do Watson for Oncology será uma ferramenta democratizada e usada no cotidiano em diversos países.
    Além de trazer recomendações de tratamentos, a plataforma também identifica os tratamentos não recomendáveis de acordo com os dados detalhados de cada paciente. Todos os tratamentos acompanham uma extensa biografia para a consulta do médico.
    É o que o médico oncologista, Stephen Stefani, chama de medicina de precisão ou personalizada. Na América Latina, além de Porto Alegre, só o México implementou o Watson for Oncology, ambos em agosto deste ano.
    Segundo Stefani, além de trazer mais benefícios do que toxicidade no tratamento de câncer, com o paciente a par do sistema, a relação entre este e o médico se torna mais horizontalizada. “A questão também é dar mais poder de decisão ao paciente, o que ele prefere?”.
    De acordo com Barrios, a principal causa desse crescimento do número de casos de câncer é idade. Há algumas décadas, uma pessoa certamente teria grandes chances de morrer em decorrência de doenças cardiovasculares ao chegar aos 50 anos.
    Hoje, a mudança demográfica a partir do envelhecimento da sociedade trará do câncer como a maior causa de mortes. Assim como será com as doenças neurológicas, explica Barrios.
    O Brasil tem mais de 20 milhões de idosos. Em 2060, serão mais de 58 milhões, cerca de 26% da população total, segundo o IBGE. “Para termos uma ideia, existem estudos apontando que a pessoa de 150 anos já nasceu”. Nesse sentido, Barrios acredita que “se deve reconhecer o câncer como um problema global e pensar estratégias adaptáveis ao contexto de cada região”.
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