domingo, 24 de setembro de 2017

“O movimento popular retomou as ruas no Equador”




“O movimento popular retomou as ruas no Equador”

A Verdadeentrevistou com exclusividade Geovanni Atarihuana, 45 anos, diretor nacional da Unidade Popular (UP) do Equador. Militante desde os 13 anos, Geovanni começou sua vida política na Juventude Revolucionária do Equador (JRE). Foi presidente da Federação dos Estudantes Secundaristas do Equador (FESE), da Federação dos Estudantes Universitários (FEUE) e diretor da Organização Caribenha e Latino-Americana de Estudantes (OCLAE). Nesta entrevista, concedida durante o 21º Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina, realizado em julho, em Quito, Geovanni Atarihuana relata como foi o processo de construção da UP e quais são os principais desafios da esquerda equatoriana hoje. Por Heron Barroso 
A Verdade – Quando nasceu a Unidade Popular no Equador?
Geovanni Atarihuana– AUnidade Popular nasceu em 2014, após o Movimento Popular Democrático (MPD) ter sido ilegalizado inconstitucionalmente pelo governo de Rafael Correa e pelo Conselho Nacional Eleitoral. A militância do MPD tomou, então, a decisão de continuar a luta e fundar uma nova organização política que representasse a continuidade do MPD, mas, ao mesmo tempo, que abrisse suas portas a novos setores sociais, à juventude, etc., e fosse uma alternativa para que esses setores se organizassem para lutar por um governo revolucionário. Em 2015, iniciamos o processo de recolhimento das assinaturas para conseguir o registro eleitoral. A lei equatoriana exige um mínimo de assinaturas de 1,5% dos eleitores, algo em torno de 200 mil assinaturas. Em um ano, nós conseguimos recolher 500 mil assinaturas. Apesar de todas as dificuldades, foi uma grande vitória, pois, desde o primeiro dia, o presidente Rafael Correa tratou de nos atacar e impedir que alcançássemos o registro.
Como foi o trabalho de recolhimento de assinaturas?
O mais importante foi o trabalho de base que já possuíamos e saber utilizar a nosso favoro momento político que vivia o país. Em 2015, o movimento popular equatoriano retomou as ruas contra as medidas antipopulares do governo Correa, e esse ambiente de luta social foi o melhor cenário para irmos ao povo, às bases sindicais, estudantis, aos bairros, para conseguirmos apoio para essa nova alternativa política.
Que avaliação a UP faz das últimas eleições no Equador?
As últimas eleições foram marcadas pelo desgaste de dez anos de correísmo, pela crise econômica e pela resistência da população ao autoritarismo do governo. Por isso, Rafael Correa não foi candidato, porque percebeu que não conseguiria se reeleger, e colocou em seu lugar Lenín Moreno. Nós, da Unidade Popular, trabalhamos pela construção de uma alternativa das forças democráticas e de esquerda, que foi o Acordo Nacional pela Mudança, cujo candidato a presidente foi Paco Moncayo. Por diversos problemas enfrentados durante a campanha e pelos próprios limites políticos do nosso candidato, não conseguimos polarizar a disputa eleitoral entre o candidato do governo e uma opção à esquerda do correísmo. Assim, o chamado voto útil foi conquistado por um candidato da direita tradicional, Guillermo Lasso. Apesar disso, avaliamos que a votação que obtivemos, cerca de 7%, é uma boa base de partida, ainda mais se tratando de um país que enfrentou dez anos de um governo que se apresentava de esquerda, mas que, na verdade, era essencialmente antipopular. Muita gente foi às urnas responsabilizando a esquerda pela crise e pela corrupção que tomam conta do país. Somado a isso, o nome da Unidade Popular ainda não era conhecido pela grande massa da população, que não se identificava ainda com nosso partido. Devido à fraude eleitoral, em várias cidades não conseguimos eleger representantes no parlamento, um problema que estamos trabalhando para reverter nas próximas eleições.
E no segundo turno?
No segundo turno a eleição se converteu num plebiscito, num referendo para decidir se o país continuaria sendo governado pelo correísmo ou não. Tomamos a decisão de votar contra Correa, de votar no candidato da oposição. A todo momento afirmamos expressamente que isso não significava assumir o programa de Lasso, mas que se tratava exclusivamente de derrotar um governo autoritário e possibilitar melhores condições de luta para os movimentos sociais. Lasso fez uma campanha no segundo turno assumindo as propostas dos setores populares, como anistia para os perseguidos políticos, fim da criminalização dos movimentos sociais, livre acesso à universidade, não ao ajuste fiscal, etc. Dessa forma, ele saiu de 28%, no primeiro turno, para praticamente 50% no segundo. É importante saber que esses votos não foram votos de direita ou neoliberais, mas votos contra o correísmo. Várias centrais sindicais, movimentos indígenas e a maioria da esquerda seguiram essa votação. Nas cidades com mais tradições democráticas e de esquerda, o candidato oficial foi derrotado. Ou seja, a decisão que tomamos no segundo turno modificou a correlação de forças e forçou o governo a recorrer à fraude para vencer a eleição.
Podemos dizer, então, que o resultado eleitoral enfraqueceu o correísmo?
Sem dúvida. Esse resultado e a fraude deslegitimam a presidência de Moreno. Aspessoas têm consciência de que seu governo será a continuidade do Governo Correa e que seguirá dando impulso ao desenvolvimento do capitalismo e à renegociação da dependência do país às potências estrangeiras. Por isso, Moreno tem sido obrigado a modificar seu comportamento e se distanciar da figura de Rafael Correa. A principal demanda da população hoje é de que se resolvam os problemas em âmbito social, educativo, da habitação, anistia aos perseguidos políticos, etc. De fato, há esse sentimento nas massas do povo e acreditamos que as forças de esquerda devem tomar a ofensiva para reconquistar direitos e posições políticas perdidas nos últimos anos.
Qual a posição da Unidade Popular frente ao novo governo?
Defendemos que é preciso reanimar o movimento social e recompor as organizações sindicais, indígenas, estudantis, etc. Uma questão central é exigir que o governo tome uma atitude em relação à crise econômica. Hoje, o peso da dívida pública é tremendo. A perspectiva para este ano é de que a economia não vai crescer e haverá um grande déficit fiscal. Diante disso, mais cedo ou mais tarde, o presidente Moreno terá que fazer ajustes econômicos. Evidentemente que o campo popular deverá fazer frente a essas medidas e combatê-las, pois o ajuste não pode ser feito em cima dos mais pobres. O presidente convocou um diálogo nacional, se diferenciando de Correa, que dizia que não precisava conversar com ninguém, que tinha a maioria, etc. Nós, então, temos dito: “bom, vamos dialogar, temos propostas, temos exigências”. Isso tem nos permitido colocar a esquerda, o movimento social, no centro do debate nacional e mostrar ao povo quais medidas devem ser adotadas em favor do país e dos setores populares.

E que medidas são essas?
Ao todo, nós defendemos um conjunto de vinte medidas urgentes. Em primeiro lugar, uma auditoria pública das contas do país, da situação da dívida, das obras, dos contratos petroleiros e das explorações minerais. Segundo, um duro combate à corrupção. Terceiro, que se priorize a dívida social em lugar da dívida externa. Defendemos também que se estabeleça um teto salarial para os altos funcionários públicos. Feito tudo isso, o governo terá condições de investir seus recursos em projetos produtivos, na geração de emprego e nas áreas sociais como moradia, saúde e educação. Isso é urgente, pois atualmente apenas quatro em cada dez equatorianos possuem emprego formal. A maioria está na informalidade, em subempregos, ganhando menos que o salário mínimo e sem acesso à previdência social. Por isso, é indispensável uma nova auditoria da dívida externa, especialmente da dívida que temos com os chineses. Ninguém sabe em que condições essa dívida foi contraída, nem quem são exatamente os credores. É uma caixa preta.
Por fim, que mensagem você deixa aos companheiros que estão hoje na campanha pela legalização da Unidade Popular no Brasil?
Quero dizer que, para vencer esse desafio, é preciso ter gana, persistência e, principalmente, se vincular com o povo. Um militante político não pode jamais menosprezar a relação com o povo. Quando falamos a verdade às pessoas, partindo de seus próprios problemas, percebemos que o povo está ávido de não ser apenas simples expectador, mas fazer algo para transformar a realidade em que vive. Há uma campanha forte para que os trabalhadores não participem da política, se distanciem dela. Mas quando conseguimos tocar no ponto sensível, falar de seus problemas mais imediatos, nos conectamos e aí conseguimos nos organizar e lutar. Hoje estamos num processo de fortalecimento da Unidade Popular para enfrentar as eleições municipais de 2019 e empenhados em construir uma alternativa de esquerda para disputar o governo em 2021. Isso implica promover a Unidade Popular, formar quadros e nos vincular cada vez mais com as bases sociais. Essa é uma luta intensa e precisamos compreender que a luta eleitoral é parte da luta política. As eleições são resultado de um processo de acumulação de forças, de formação de lideranças e de visibilidade de nosso programa. Lutamos no campo de batalha da burguesia, que tem o dinheiro e os grandes meios de comunicação a seu favor, mas nós temos a convicção e o povo ao nosso lado, e, por isso, vamos vencer.
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sábado, 23 de setembro de 2017

A senilidade do presidente Trump


Uma rara abordagem pessoal do líder da RDPC

A senilidade do presidente Trump


por Kim Jong-Un [*]
.O discurso pronunciado pelo presidente dos EUA na sua alocução inaugural no plenário da ONU nas graves circunstâncias agora prevalecentes – em que a situação na península coreana foi tornada mais tensa do que nunca e está a avançar cada vez mais para um estado incerto – está a despertar preocupações mundiais.

Ao imaginar a ideia geral do que ele diria, esperava eu que fizesse observações estereotipadas e preparadas previamente, tal como as que costuma emitir impulsivamente no seu gabinete, no momento em que tinha de falar no maior cenário diplomático oficial.

Contudo, longe de fazer quaisquer observações com algum poder persuasivo que pudessem ser encaradas como úteis para dissipar a tensão, ele proferiu insensatezes brutais sem precedentes jamais ouvidas por parte de qualquer dos seus antecessores.

Um ruidoso ladrar de cão aterrorizado.

Eu gostaria de aconselhar Trump a exercer prudência na selecção de palavras e a ser atencioso com quem fala quando faz um discurso frente ao mundo.

O comportamento mentalmente demente do presidente dos EUA a exprimir abertamente na arena da ONU a vontade anti-ética de "destruir totalmente" um estado soberano, ultrapassando a fronteira das ameaças de mudança de regime ou do derrube do [seu] sistema social, faz com que mesmo aqueles com faculdades de pensamento normal pensem acerca de discrição e compostura.

Suas observações recordam-me palavras como "leigo político" ("political layman") e "herege político" ("political heretic") que estavam em voga em relação a Trump durante a sua campanha de eleição presidencial.

Após a tomada de posse Trump conturbou o mundo através de ameaças e chantagens contra todos os países. Ele é inapto para manter a prerrogativa de comandante supremo de um país e é certamente um patife (rogue) e um gangster que gosta de brincar com fogo, ao invés de um político.

Suas observações, as quais descrevem a opção dos EUA através da manifestação directa da sua vontade, convenceram-me, ao invés de assustar-me ou travar-me, de que o caminho por mim escolhido é correcto e o único que tenho de seguir até o fim.

Agora que Trump negou a existência e insultou a mim e ao meu país frente aos olhos do mundo e fez a mais feroz declaração de guerra da história de que destruiria a RDPC, consideraremos com seriedade exercer uma contra-medida correspondente e do mais alto nível de endurecimento da história.

A acção é a melhor opção para tratar o senil (dotard) que, surdo, profere só o que quer dizer.

Como um homem que representa a RDPC e em nome da dignidade e da honra do meu estado e povo e da minha própria, farei com que o homem que mantém a prerrogativa de comandante supremo dos EUA pague um alto preço pelo seu discurso em que apela à destruição total da RDPC.

Isto não é uma das expressões retóricas amadas por Trump.

Estou agora a pensar arduamente acerca da resposta que ele poderia aguardar quando permitiu que tais palavras excêntricas escorressem da sua boca.

Seja o que for que Trump possa ter esperado, ele enfrentará resultados para além da sua expectativa.

Seguramente e definitivamente amansarei com fogo o senil estado-unidense mentalmente desarranjado. 
22/Setembro/2017

Ver também:
  • kcnawatch.co
  • More Thoughts on Trump’s UN Declaration of War Against Iran and North Korea , Paul Craig Roberts

    [*] Líder da República Democrática e Popular da Coreia.

    A versão em inglês encontra-se em theduran.com/kim-jong-un-delivers-rare-personal-address-donald-trump/ 


    Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
  • Governo dos banqueiros pretende demitir 5.000 servidores federais


    Governo dos banqueiros pretende demitir 5.000 servidores federais

    Desde a posse do governo ilegítimo de Michel Temer, a política de destruição dos serviços públicos se radicalizou. Para pagar a contrapartida aos banqueiros e empresários que financiaram o golpe, o governo aprovou no Congresso Nacional a Emenda Constitucional 95/2016, que limita gastos públicos e congela salários por 20 anos. Além disso, cancelou investimentos em todas as áreas da administração pública federal e acabou com todos os projetos sociais implementados pelos governos anteriores. Com a falácia de realizar um ajuste fiscal, em vez de cobrar a dívida que os bancos e as empresas privadas têm com os cofres públicos, inclusive com a Previdência, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, cortou o orçamento dos órgãos públicos, inviabilizando seu funcionamento e penalizando a população pobre que mais necessita desses serviços. Os cortes no Orçamento atingiram drasticamente a saúde, já combalida, a educação, a ciência e tecnologia, as universidades, a cultura e promoveu a demissão de milhares de trabalhadores terceirizados nas áreas de limpeza e segurança. Entretanto, enquanto aumenta o desemprego e destrói os serviços públicos, o governo gasta bilhões para tentar impedir a tramitação do processo de afastamento do presidente Temer por crime de corrupção dentro do Congresso Nacional, distribuindo mais de R$ 2 bilhões para deputados e senadores. Para um governo que mantém a política de pagamento da nefasta dívida pública que consome quase 50% do Orçamento nacional a desculpa de ajuste fiscal não passa de hipocrisia.
    No dia 26 de agosto, dando continuidade ao seu “aperto fiscal”, o presidente Temer assinou Medida Provisória (MP) instituindo um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e jornada reduzida com remuneração proporcional para o Poder Executivo, com o objetivo de economizar R$ 1 bilhão a partir de 2018. Quem aderir ao Programa receberá 1,25 salário por ano trabalhado e a jornada de trabalho poderá ser reduzida para 6 ou 4 horas com redução salarial. Outra medida estudada é a licença sem vencimentos por três anos prorrogáveis. A proposta segue a mesma linha do último PDV implementado pelo governo FHC, em 1996, que prometeu várias vantagens aos servidores e, no entanto, não passou de um plano enganoso que induziu quase 15 mil servidores à adesão. Dentre esses, 10 mil se arrependeram e se organizaram no Movimento Nacional Unificado pela Reintegração dos Pedevistas (MURP), constituído em 2003, que continua na luta pela reintegração desses servidores que perderam seus empregos. O MURP acusa o governo FHC de não ter cumprido com o combinado. A experiência do PDV do governo FHC demonstrou que esses programas só atendem aos objetivos dos governos que não têm compromisso com a construção de serviços públicos gratuitos e de qualidade que atendam às necessidades da população, e não é vantagem para nenhum servidor entregar a garantia de seu emprego para tentar a sorte num mercado dominado pelos monopólios privados.
    O movimento sindical dos servidores públicos federais já se prepara para combater mais essa medida do governo golpista de Temer, que continua retirando direitos dos trabalhadores através das Reformas Trabalhista e da Previdência, precarizando os serviços públicos, aumentado impostos, a inflação e o desemprego.
    Para o secretário-geral do Sindsep/DF, Oton Pereira Neves, “Esse PDV é parte do golpe contra os trabalhadores e vai ao encontro da PEC 95, que congela salários e investimentos nas áreas sociais durante 20 anos”. O dirigente do Movimento Luta de Classes (MLC) e servidor do Arquivo Nacional, Eduardo Lima, afirma que “num país onde temos mais de 15 milhões de desempregados, uma economia refém dos interesses das corporações e dos bancos, o servidor não deve entregar seu emprego. O caminho que os servidores públicos têm que trilhar para garantir seus direitos e solucionar seus problemas e garantir serviços de qualidade, é a luta sem trégua, unificada, contra esse governo golpista. E quem precisa sair é o Temer”.
    Victor Madeira, Rio de Janeiro
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