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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Como os media inventam a "repressão" na Venezuela

Como os media inventam a "repressão" na Venezuela


por Thierry Deronne
Enfiemo-nos na pele de uma pessoa que apenas dispusesse dos media para se informar sobre a Venezuela e que dia após dia se falasse de 'manifestantes' e " ;repressão" ;. Como não entender que essa pessoa acreditasse que a população está na rua e que o governo a reprime?

Porém, não há nenhuma revolta popular na Venezuela. Apesar da guerra económica a grande maioria da população vai para as suas ocupações, trabalha, estuda, sobrevive. É por isso que a direita organiza as suas marchas com início nos bairros ricos. É por isso que recorre à violência, ao terrorismo e se localiza nos municípios de direita. Os bairros venezuelanos são em 90%, bairros populares. Compreende-se a enorme lacuna: os media transformam as ilhas sociológicas das camadas ricas (alguns % do território) em "Venezuela". E 2% da população em "população".[1]

A ex-presidente argentina Cristina Fernandez, depois de Evo Morales, denunciou: "a violência é utilizada na Venezuela como metodologia para alcançar o poder e derrubar um governo" [2] . Do Equador, o ex-presidente Rafael Correa recordou que "a Venezuela é uma democracia. É através do diálogo, com eleições, que devem ser resolvidas as diferenças. Muitos casos de violência vêm claramente dos partidos da oposição [3] . Esta também é a posição do Caricom, que inclui os países do Caribe [4] . O papa Francisco teve que incitar os bispos da Venezuela que, como no Chile em 1973, arrastavam os pés face ao diálogo nacional proposto pelo Presidente Maduro [5] . Este lançou o processo participativo para a Assembleia Constituinte, e confirmou a eleição presidencial legalmente prevista para 2018.

Assembleia Popular.Desde o desaparecimento de Hugo Chávez, em 2013, a Venezuela é vítima de uma guerra económica que visa privar a população de bens essenciais, principalmente alimentos e medicamentos. A direita local reúne certos elementos da estratégia implementada no Chile pelo par Nixon-Pinochet, claramente para causar a exasperação dos sectores populares e legitimar a própria violência. De acordo com o relatório do orçamento 2017 colocado no site do Departamento de Estado [6], Foram entregues 5,5 milhões de dólares à "sociedade civil" da Venezuela. O jornalista venezuelano Eleazar Diaz Rangel, editor do diário Últimas Notícias (centro-direita) revelou trechos do relatório que o Almirante Kurt Tidd, chefe do comando Sul, enviou para o Senado dos EUA: "com a política do MUD (coligação da oposição venezuelana) estabelecemos uma agenda comum, que inclui um cenário duro, combinando acções de rua e dosificando o emprego da violência a partir da perspectiva de cerco e asfixia." [7]

A fase insurreccional implica atacar os serviços públicos, escolas, maternidades (El Valle, El Carrizal), instituições de saúde, bloquear ruas e artérias principais para bloquear a distribuição de alimentos e paralisar a economia. Através dos media privados, a direita apela abertamente aos militares para realizarem um golpe de Estado contra o Presidente eleito [8] . Mais recentemente os bandos paramilitares colombianos passaram do papel de formadores para um papel mais activo: o corpo sem vida de Pedro Josué Carrillo, militante chavista, acaba de ser encontrado no Estado de Lara, com marcas de tortura típicas do país de Uribe [9] .

Apesar dos morteiros, armas, granadas ou coquetéis Molotov usados por manifestantes " ;pacíficos" ; (sem esquecer as efígies de chavistas enforcadas em pontes, assinatura dos paramilitares colombianos), a lei proíbe a polícia ou a guarda nacional de usar as armas de fogo. Manifestantes da direita aproveitam a oportunidade para forçar a sua vantagem e evidenciam o seu ódio sobre guardas ou polícia, provocá-los com jactos de urina, excrementos e disparos com balas reais, observando a reacção das câmaras da CNN.

Elementos das forças de segurança que desobedeceram e foram culpados de ferimentos ou mortes de manifestantes foram presos e processados [10] . O facto é que a grande maioria das vítimas são trabalhadores que iam para o trabalho ou voltavam, activistas chavistas ou elementos das forças da ordem [11] . É por isso que os media falam de mortes em geral – para que se acredite que se trata de "mortos pelo regime." A lista dos "mortos" serve para aumentar o apoio global à desestabilização: há nestes assassinatos, é terrível constatá-lo, o efeito de uma encomenda para os media.


'.Qualquer manifestante que mata, destrói, agride, tortura, sabota sabe que será santificado pelos media internacionais. Estes tornaram-se um incentivo para perseguir o terrorismo. Todos os mortos, todas as sabotagens económicas serão atribuídas ao "regime", incluindo dentro da Venezuela, onde os media, como a economia, é na sua maioria privada. Que a democracia participativa que é a da Venezuela tente defender-se como compete a todo o Estado de direito, vai ser imediatamente denunciada como "repressiva". Quem ouse punir um terrorista, e isto o tornará de imediato um "preso político". Para o jornalista e sociólogo argentino Marco Teruggi " ; uma intervenção na Venezuela, o governo dos Estados Unidos tem condições mais favoráveis do que tinha para bombardear a Líbia, tendo em conta o facto de que a União Africana tinha condenado essa intervenção quase por unanimidade. (..) Tudo depende da capacidade da direita manter mais tempo o braço de ferro na rua como espaço político. Donde a importância de manter a caixa de ressonância mediática". [12] 

Exemplo sórdido desta ligação: em 5 de Maio de 2017, usando uma foto digna de um fotograma de Hollywood (mas que não é a da vítima) Le Monde denuncia "a morte de um líder estudantil morto durante os protestos contra o projecto do Presidente Maduro convocar uma Assembleia Constituinte". Ora a vítima, Juan (e não José como escreveu Le Monde ) Bautista Lopez Manjarres é um jovem líder estudantil revolucionário, assassinado por um comando da direita quando participava numa reunião em apoio do processo da Assembleia Constituinte.

'.Le Monde menciona também a reacção do maestro Gustavo Dudamel, em digressão no estrangeiro, pedindo para que "cesse a repressão" após a morte do jovem violista Armando Canizales. No entanto, este músico não foi vítima da repressão, mas também ele de um projéctil disparado das fileiras da direita.

O jornal espanhol La Vanguardia, virulentamente oposicionista da Revolução Bolivariana, admite excepcionalmente pelo texto do seu enviado especial Andy Robinson: "Tal como em outros momentos da crise, a narrativa de uma juventude heróica, morta pela ditadura Bolivariana não cola no caso de Armando Canizales. (..) É quase certo que o projéctil não foi disparado pela polícia, mas pelos próprios manifestantes. É sabido que alguns deles fizeram armas artesanais para os choques diários a polícia." [13] .

A reacção rápida do Sr. Dudamel é representativa das numerosas personalidades artísticas submetidos a forte pressão mediática nos seus países, obrigados a fazer declarações para satisfazer a opinião pública, 99% convencida pelos media, para denunciarem a "repressão na Venezuela" ;.

A 16 de Maio, o Le Monde denunciou " ;a morte de um jovem de 17 anos, baleado num comício contra o Presidente Maduro" ;. Não é verdade. A pesquisa mostra que Yeison Natanael Mora Castillo foi morto por um projéctil idêntico ao usado para assassinar o violista Canizales. Ele não participava numa reunião anti-Maduro. Seus pais são membros de uma cooperativa em luta para recuperar um latifúndio de sete mil hectares, suportando desde há muito ataques do grande proprietário. Eles apresentaram uma queixa contra os organizadores da marcha da oposição, e numa entrevista ao jornal local Ciudad Barinas denunciaram a manipulação que falsamente atribuía ao governo Maduro o assassinato de seu filho. [14]

Imputar sistematicamente ao governo bolivariano os assassinatos cometidos pela direita, é todo o "jornalismo" de Paulo Paranaguá no Le Monde. Em 21 de Abril, atribui aos colectivos chavistas a morte de um estudante de 17 anos, Carlos Moreno, morto por uma bala na cabeça, bem como de Paola Ramírez Gómez, de 23. Dupla mentira. De acordo com a família de Carlos Moreno, o adolescente não participava em qualquer manifestação e dirigia-se para um torneio de desportivo. O assassino foi preso: é um membro da polícia de Oscar Oscariz, presidente da Câmara Municipal de Sucre. O jornal da oposição Tal Cual assim relata. [15] . Quanto à segunda vítima referida por Paranaguá, Paola Rodríguez, o seu assassino foi preso pelas autoridades: é Ivan Aleisis Pernia, um militante da direita.

O "diário dos mercados" ; não é o único a mentir de forma assim tão sórdida nesta 'luta pela liberdade'. O La Libre Belgique, New York Times, France-Culture, El Pais, Le Figaro, ou mesmo Mediapart são robôs da vulgata global. Esta invenção da "repressão" é tanto mais fácil quanto a imagem típica do manifestante maltratado por um polícia tem vantagem quando se é privado do contexto relativo à imagem. Longe da Venezuela, apenas alguns poderão dispor dos cenários onde jovens são treinados, armados, pagos para provocar as forças de segurança e produzir a " ;imagem" ; necessária. A concentração global dos meios de comunicação e a crescente convergência de redes sociais com os grandes media fazem o resto, fixando o imaginário tanto à esquerda como à direita. Vêem-se assim os politicamente " ;insubmissos" ; submeterem-se aos media e acrescentarem sem dar por isso a sua pedrinha para a campanha global:

Os que retransmitem na internet este poster provavelmente não imaginam a falsidade que se esconde por trás do " ;Anonymous Venezuela" ;. A capacidade da extrema-direita de se servir de alguns símbolos do movimento alternativo global e capitalizar apoios é revelada aqui: Quando cai a máscara de Guy Fawkes da oposição venezuelana". [15]

Em suma, como se da história da propaganda e das guerras nada se tivesse aprendido, caímos sem cessar na armadilha. Malcolm X tinha prevenido: "se não tivermos cuidado, os media vão fazer que as vítimas sejam consideradas os torturadores e os carrascos as vítimas" ;. Transformando a violência da extrema-direita em "revolta popular", travestindo de " ;combatentes da liberdade" ; assassinos nostálgicos do apartheid dos anos 90, é em primeiro lugar contra os cidadãos da Europa, que a uniformização mediática se volta: a maioria dos telespectadores, leitores e ouvintes apoiam sem saber uma agressão para derrubar um governo democraticamente eleito. Sem a democratização em profundidade da propriedade dos media, a profecia de Orwell acaba por ser tímida. A Venezuela é suficientemente forte para evitar um golpe como aquele que acabou com a unidade popular de Salvador Allende, mas a crescente desconexão da população de ocidente com o mundo voltar-se-á contra ela própria.

Micromanual de autodefesa perante a vaga mediática

"A Venezuela é um "regime ditatorial" . Falso. Desde 1999, a Venezuela bolivariana organizou um número recorde de votos (25), reconhecidos como transparentes por observadores internacionais. De acordo com o antigo presidente do Brasil Lula da Silva, é um "excesso de democracia". Por Jimmy Carter, que observou 98 eleições em todo o mundo, a Venezuela tem o melhor sistema eleitoral no mundo. Em Maio de 2011, o relatório da canadiana Fondation pour l'Avancée de la Démocratie (FDA) colocou o sistema eleitoral da Venezuela no primeiro lugar do mundo pelo respeito das normas de base da democracia. A ONG chilena Latinobarómetro estabeleceu no seu relatório de 2013 que a Venezuela bate registos da confiança dos cidadãos na democracia na América Latina (87%), seguidos por Equador (62%) e México (21%). O Presidente Nicolás Maduro acaba de lançar um processo participativo para a Assembleia Constituinte que permite que todos os sectores sociais façam as suas propostas, o que vai resultar num novo escrutínio, tendo também reafirmado que as eleições presidenciais terão lugar em 2018, conforme estipulado na lei.

"Não há liberdade de expressão para a Venezuela" Falso. Das mais de 1000 estações de rádio e televisão, a que o Estado concedeu permissão para emitir, 67% são privadas (a grande maioria opostas à Revolução Bolivariana), 28% estão nas mãos das comunidades, mas transmitem apenas a um nível estritamente local e 5% são Propriedade do Estado. Em 108 jornais que existem, 97 são privados, 11 públicos; 67% da população venezuelana tem acesso à internet. Esta plataforma é dominada pelos media privados, reforçada pela rede das transnacionais desempenha um papel crucial na desinformação e no serviço de desestabilização. Para um dossier pormenorizado e quantificado desta paisagem mediática ver "François Cluzel ou l'interdiction d'informer sur France-Culture". [17]

"Existem prisioneiros políticos na Venezuela". Falso. A menos que se considere "presos políticos" assassinos de extrema-direita do partido Aurora Dourada presos na Grécia. No Estado de direito, quer se chame França ou Venezuela, ser de direita não significa estar acima da lei, nem poder cometer impunemente crimes como assassinatos, ataques à bomba ou ser corrupto. Não é pelas suas políticas, mas por este tipo de crimes que as pessoas têm sido julgadas e aprisionadas. [18] Na prática, observa-se também um certo laxismo da justiça. De acordo com pesquisas da empresa privada Hinterlaces , 61% dos venezuelanos consideram que os promotores da violência e actos de terrorismo devem responder pelos seus actos perante um tribunal. [19]

Lembremos que os actuais líderes da direita nunca respeitaram as instituições democráticas: estes são os mesmos que, em Abril de 2002, lideraram um sangrento golpe de Estado contra o Presidente Chavez, com a ajuda da confederação patronal local e soldados treinados na School of Americas. Estes são os mesmos que organizaram a violência de 2013 a 2016. Observe-se a identidade de um dos seus mentores

Alvaro Uribe, um dos maiores criminosos contra a humanidade da América Latina, antigo presidente de um país governado pelo paramilitarismo e os cartéis de drogas, que tem as maiores valas comuns do mundo, o que conta 9 500 prisioneiros políticos, 60 630 pessoas desaparecidas nos últimos 45 anos e que desde a assinatura dos acordos de paz retomou uma política selectiva de assassinato de líderes sociais e defensores dos direitos humanos. Para informações completas e fotos destas ligações dos heróis do Le Monde com o paramilitarismo colombiano, leia-se Venezuela: la presse française lâchée par sa source?

Venezuela, 20 de maio de 2017. 
Notas
[1] Ver venezuelainfos.wordpress.com/...
[2] Entrevista integral de Cristina Kirschner com Jorge Gestoso www.youtube.com/watch?v=-WM6nD6hPu0
[3] ambito.com/883274-tras-reunirse-con-michetti-correa-defendio-a-venezuela Ver também www.telesurtv.net/...
[4] correodelorinoco.gob.ve/...
[5] www.ultimasnoticias.com.ve/...
[6] www.state.gov/documents/organization/252179.pdf , (pág. 96)
[7] www.southcom.mil/...
[8] Como reconhece Julio Borges, líder do partido de extrema-direita Primero Justicia e atual presidente da Asembleia Nacional, numa entrevista não complacente que lhe fez o jornalista da BBC Stephen Sackur, em 19 maio de 2017: bbc.co.uk/programmes/p052nsxd
[9] /tatuytv.org/...
[10] Detalhes de vários casos no site Parquet bit.ly/2ro4iXE ; bit.ly/2qE9MNb ; bit.ly/2q5RsbU  ; bit.ly/2rnNT5s
[11] albaciudad.org/2017/05/lista-fallecidos-protestas-venezuela-abril-2017/
[12] hastaelnocau.wordpress.com/2017/05/09/radiografia-de-la-violencia
[13] www.lavanguardia.com/...
[14] www.desdelaplaza.com/poder/yeison-lo-mataron-manifestantes-la-mud-destacado/
[15] www.talcualdigital.com/Nota/...
[16] venezuelainfos.wordpress.com/...
[17] venezuelainfos.wordpress.com/...
[18] venezuelainfos.wordpress.com/...
[19] hinterlaces.com/... 


O original encontra-se em www.legrandsoir.info/comment-le-monde-invente-la-repression-au-venezuela.html 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 30 de maio de 2017

Fachin autoriza interrogatório de Temer

Operação Patmos

Fachin autoriza interrogatório de Temer

por Redação — publicado 30/05/2017 16h13, última modificação 30/05/2017 16h16
O ministro do STF determinou que o presidente da República responda perguntas da Polícia Federal em até 24 horas
Marcos Corrêa / PR
Michel Temer
Michel Temer: ele vai ter de prestar depoimento à PF


O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava no Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta terça-feira 30 o interrogatório de Michel Temer no inquérito em que o peemedebista é alvo de graves acusações de delatores da JBS.
O interrogatório poderá ser feito por escrito e deve ser respondido pelo atual presidente 24 horas após a entrega das perguntas pela Polícia Federal.
Fachin também decidiu separar o inquérito do senador Aécio Neves (PSDB-MG) da investigação sobre Temer, que também inclui o deputado Rodrigo Rocha Loures. Flagrado com uma mala de 500 mil reais, Loures tornou-se uma das maiores dores de cabeça da Presidência. 
No domingo 28, Temer nomeou para o ministério da Justiça Torquato Jardim no lugar de Osmar Serraglio, alvo da Operação Carne Fraca. Com a mudança, Temer tentou realocar o ex-ministro, eleito deputado em 2014, em uma nova pasta, mas Serraglio rejeitou assumir o Ministério da Transparência.
Caso volte a assumir seu mandato como parlamentar, o ex-ministro da Justiça substituiria Loures, suplente de Serraglio na Câmara. A perda de foro privilegiado do atual deputado, ex-assessor da vice-presidência de Temer, é vista com preocupação pelo Planalto. Em conversa gravada com Joesley Batista, o peemedebista afirmou que Loures era da sua "mais estreita confiança".
Segundo reportagem do portal "Uol", Temer cogita nomear um deputado do PMDB do Paraná para algum ministério, com o objetivo de abrir uma nova vaga para o partido na Câmara e, assim, preservar o mandato parlamentar de Loures.
A troca no comando da Justiça foi anunciada no domingo 28 pelo Palácio do Planalto. Nos bastidores, articuladores de Michel Temer não escondem que a ideia da mudança é interferir na Lava Jato, como afirmaram ao jornalista Gerson Camarotti, da GloboNews.
Segundo o jornalista, o objetivo da nomeação de Torquato Jardim é "retomar a influência sobre a Polícia Federal", uma vez que a força policial é subordinada ao Ministério da Justiça. "O Planalto optou por Torquato por considerá-lo com personalidade suficiente para retomar o controle da PF", escreve Camarotti nesta segunda-feira 21 em seu blog no portal G1.

Nota de Solidariedade do Unidade Popular sobre a chacina de 10 trabalhadores rurais em Pau D’Arco, no sul do Pará


Nota de Solidariedade do Unidade Popular sobre a chacina de 10 trabalhadores rurais em Pau D’Arco, no sul do Pará

Punição imediata aos responsáveis pelo massacre de trabalhadores rurais em Pau D’arco.
Em mais um ato covarde da Polícia Militar do Pará, que resultou no assassinato brutal de 10 trabalhadores rurais no município de Pau D’arco, localizado no sul do estado, constata-se, de forma cada vez mais clara, o caráter fascista que tanto o governo estadual (Jatene – PSDB), quanto o federal (Temer – PMDB), vem promovendo em seus ataques contra a classe trabalhadora.
O estado do Pará já foi palco de inúmeros massacres promovidos pela PM, como o ocorrido em 1996, em El Dorado dos Carajás, vitimando 19 heróis do povo, também ordenado pelo fascista PSDB, no governo de Almir Gabriel. A violência deflagrada em Pau D’arco, no último dia 24, ceifou uma dezena de vidas, sendo sete de uma mesma família, em uma tentativa de acabar com os sonhos de uma vida digna, a qual é negada pelo estado. O assentamento foi organizado pela Liga dos Camponeses Pobres – Pará.
O massacre tem nome, e se chama Jatene. Porém, seu “sobrenome” possui múltiplas facetas, desde latifundiários e pecuaristas até o agronegócio e as mineradoras. Estes são os verdadeiros criminosos, pois, além de se apossarem de terras públicas e sonegarem bilhões em impostos, são os mandantes das centenas de assassinatos contra trabalhadores rurais nos últimos anos.
A impunidade alimenta tais ações desumanas da PMPA, e seus comandantes, junto aos inúmeros mandantes de homicídios, devem ser julgados e condenados. Não podemos mais conviver com essa realidade. Todos os pm’s envolvidos no massacre de El Dorado continuam impunes, e isso não pode mais se repetir. Tal atitude é o mínimo que se pode fazer em respeito aos familiares, amigos e companheiros dos trabalhadores que tombaram na luta pela reforma agrária.
A UP luta por uma nova sociedade, e, a cada dia que passa, essa transformação torna-se urgente e necessária. A união entre os trabalhadores do campo e da cidade não apenas conquistará trabalho e dignidade ao povo, mas também trará a tão sonhada justiça. Nenhum assassino de trabalhadores ficará impune!
Abaixo a repressão do estado!
Pelo fim da Polícia Militar!
Por justiça e dignidade ao povo!
Unidade Popular (UP)
Belém do Pará, 29 de maio de 2017.

MORREU MIGUEL URBANO RODRIGUES


MORREU MIGUEL URBANO RODRIGUES


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Faleceu hoje um histórico jornalista e militante revolucionário, o português Miguel Urbano Rodrigues, a vida inteira leal ao Partido Comunista Português e à revolução socialista.
Tinha 91 anos.
Até o final da vida ativo e dedicado ao bom combate. Seus artigos sempre foram fonte de informação e inspiração, vários republicamos no Opera Mundi.
Parte de sua vida passou no Brasil, onde ficou exilado entre 1957 e 1974, foragido do salazarismo, até que o país foi libertado pela Revolução dos Cravos.
Mais que tudo um grande amigo e companheiro, de toda a vida.
Nem sequer me lembro quando o conheci, pois desde que engatinhava o Miguel estava por perto, amigo de meu pai e meus avós maternos, comunistas como ele.
Sempre uma conversa agradável e culta, mesmo quando sua verve dura discordava ou criticava. Homem do mundo, sua prosa inundava seus interlocutores de ideias, exemplos e esperanças.
A última vez que estive com ele foi há dois anos, no Porto. Fiquei horas ao seu lado, rindo e conversando. Quando me despedi, por sua idade, temi que tivesse sido a ultima vez.
Descanse em paz, saudoso amigo e camarada.
Miguel Urbano presente, hoje e sempre!

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Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.

sábado, 27 de maio de 2017

André Barrocal \O “acordão” pós-Temer costurado em Brasília

O “acordão” pós-Temer costurado em Brasília

por André Barrocal — publicado 27/05/2017 00h40, última modificação 27/05/2017 02h16
Degola no TSE e Rodrigo Maia eleito por via indireta. Ruas, reformas e prisão de Temer bagunçam o jogo
Agência Brasil
Temer e Maia.jpg
Acordão para substituir Temer ganha forma e favorito é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Michel Temer diz e repete que não renunciará e até convocou as baionetas para enfrentar protestos. As negociações políticas para tirá-lo do cargo e providenciar um sucessor estão a mil, no entanto. Até já desponta a solução com mais chance de vingar. Mas “as ruas” podem bagunçar o “acordão”. A Operação Lava Jato e as reformas impopulares propostas pelo presidente, também.
Pelo visto nos bastidores do Congresso nos últimos dias, o provável caminho para trocar Temer é cassá-lo na Justiça Eleitoral na ação movida contra a chapa vitoriosa na eleição de 2014. E depois substituí-lo por alguém escolhido apenas pelos parlamentares para governar até dezembro de 2018. O favorito para a missão é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Essa solução agrada uma fatia razoável da base governista, majoritária na Câmara, onde o jogo será decidido. PSDB e DEM topam. O “Centrão” simpatiza. Se o próximo presidente for um nome da Câmara, e não de fora, tudo certo. Por quê? “Para continuar o serviço do Michel”, diz um parlamentar. Tradução: tentar enterrar a Lava Jato.
O presidente tornou-se alvo de um inquérito criminal pela suspeita de tramar contra a Lava Jato, uma forma de obstrução da Justiça, segundo o procurador-geral Rodrigo Janot. Seu parceiro de inquérito Aécio Neves (PSDB) foi gravado a dizer que sua vida tinha virado um "inferno" de tanto trabalhar para salvar a pele de políticos enrascados. Salvar por meio da aprovação de uma lei de anistia total do crime de caixa 2, uma lei que precisaria da assinatura de Temer para virar realidade.
Depor Temer via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diz um deputado tucano participante de conversas sobre o futuro, é uma saída “mais confortável” para o presidente. Talvez o livre da pecha de “corrupto”. Além disso, o julgamento no TSE, marcado para 6 de junho, por coincidência o “Dia D” da Segunda Guerra Mundial, é um processo mais veloz do que um impeachment.
Para essa solução ser de fato mais rápido, será preciso convencer Temer a aceitar o julgamento. Ele não poderia acionar, para que retardem a sentença, os dois ministros do TSE que acaba de nomear. Nem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Topará? Por ora, é difícil.
“Não adianta fazer lista de candidato a presidente. Não adianta, porque vai haver resistência legal e constitucional. Vai haver!”, bradou da tribuna o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), logo após Brasília virar um campo de batalha pelo “Fora Temer” na quarta-feira 24.
Segundo um experiente deputado do PMDB, Jucá e outros dois íntimos conselheiros do presidente, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), acreditam haver só um lugar pior para Temer do que dentro do governo: fora.
Não é difícil imaginar a razão. Fora, o peemedebista corre o sério risco de ir em cana. Escapar da prisão é, tudo indica, a garantia que Temer exige neste momento para aceitar deixar o Palácio do Planalto. Uma garantia que não se sabe se passaria pelo crivo do fator “Lava Jato”.
inquérito aberto contra Temer no STF por organização criminosa, obstrução à Justiça e corrupção tem mais dois personagens, Aécio e o peemedebista Rodrigo Rocha Loures. O procurador-geral requereu a prisão de Aécio e Loures. Supõe-se que não agiu igual com Temer apenas porque o artigo 86 da Constituição impede que, em casos de crime comum, o presidente seja preso antes de condenado. Mas se o peemedebista deixar o poder…
No despacho em que liberou a instauração do inquérito contra a patota, o juiz-relator do processo no STF, Edson Fachin, escreveu que a prisão de Aécio e Loures era “imprescindível”. Evitou decretá-la, contudo, por ser uma batata quentíssima, com dois parlamentares engolfados, um deles ex-candidato a presidente. Empurrou o pepino para o plenário da corte, julgamento ainda sem data.
Do STF, já emana uma solução mirabolante para salvar Temer do xilindró, conforme a Folha de S. Paulo da sexta-feira 26. O próximo presidente poderia dar “indulto” ao peemedebista. Rodrigo Maia certamente daria, se o Supremo respaldá-lo. É “temerista”  e genro de Moreira Franco, o secretário-geral da Presidência.
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Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), acreditam haver só um lugar pior para Temer do que dentro do governo: fora. (Agência Brasil)
A solução “Maia presidente” via “acordão” terá oposição da Lava Jato, a julgar por comentários feitos na terça-feira 23 pelo chefe da Força-Tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol. “Se cair Temer, vão assumir outras pessoas que estão sendo investigadas por corrupção”, disse o procurador. Soou uma ameaça do tipo “não façam isso”.
Maia, o “Botafogo” segundo delatores da Odebrecht, é alvo de um inquérito para investigar por que ele e o pai, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, receberam 950 mil reais da seção de propina da empreiteira em 2008 e 2010. Caixa 2? Ou corrupção, uma grana dada em troca de favores políticos?
De qualquer forma, a negociação de sua “candidatura” em uma eleição indireta está em curso. Na terça-feira 23, o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, uma das estrelas do DEM, esteve em Brasília para conversar a respeito.
Para atrair a bancada “paulista” do colégio eleitoral, Maia resolveu botar em votação no plenário uma lei para legalizar de vez todos os incentivos fiscais dados por estados nos últimos tempos. O texto que acaba com a “guerra fiscal” está do jeito que São Paulo queria. Nenhum outro estado apoiou-o no chamado Confaz, reunião de secretários estaduais de Fazenda.
Mas, no quintal do DEM, Maia tem um adversário na ideia de emplacar “indiretas”. Logo após os protestos em Brasília na quarta-feira 24, o líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), subiu à tribuna para defender Diretas. “Eu não tenho medo das ruas, eu não acredito em colégio eleitoral.”
Na Câmara, o deputado Felipe Maia (DEM-RN), filho do presidente do DEM, José Agripino (RN), comentou com o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), conforme testemunhou CartaCapital na terça-feira 23: se o clamor por Diretas crescer, nas ruas “não teremos como segurar”.
Até agora, a reivindicação pelo “Fora Temer” e por eleições diretas limita-se a grupos de esquerda, que foram contra o impeachment, observa um dirigente do PMDB. Grupos direitistas, como MBL e Vem Pra Rua, ensaiaram entrar no embalo, mas desistiram, por acharem que ajudariam Lula e o PT.
O PT é peça importante do “acordão”. Parte da legenda aceita conversar sobre eleição indireta, mas outra, de jeito nenhum. “Esse Congresso desmoralizado não pode eleger o próximo presidente. Seria a eleição mais corrupta da história. Se venderam o voto para a reeleição do Fernando Henrique, para votar MPs, para o impeachment, imagina agora, para elegerem o presidente?”, diz o deputado petista Henrique Fontana (RS).
O que unifica o PT é a rejeição às reformas trabalhista e da Previdência propostas por Temer. Para enterrá-las, há petista convencido de que o melhor é deixar o presidente “sangrar” um tempo, antes de cair. Com ele enfraquecido, as reformas parariam e seria possível tentar ampliar na sociedade o apoio às Diretas. Se ele sair logo do cargo, o escolhido pelas forças conservadoras governistas poderia retomar rapidamente a votação das reformas.
Na esquerda, já há quem fale abertamente em uma espécie de permuta com os governistas para o pós-Temer. Aceitar uma eleição indireta agora em troca do sepultamento das reformas, as quais poderiam ser resgatadas pelo presidente eleito em 2018, caso seja essa a vontade expressa nas urnas. Foi o que defendeu o governador do Maranhão, Flavio Dino, do PCdoB, em entrevista à BBC Brasil na quinta-feira 25.
Uma visão parecida com a do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), para quem o ministro da  Fazenda, Henrique Meirelles, um ardente defensor das reformas impopulares, deveria ter sido demitido após um desvario tecnocrata.
Em teleconferência com uma turma do JP Morgan na segunda-feira 22, Meirelles comentou que as reformas também seguem, não importa quem esteja no leme do País. Logo após o estouro do escândalo Temer-JBS, Meirelles já tinha “avisado” intramuros que continuaria no cargo mesmo com outro presidente.
Falta combinar com o próximo, caso vingue o “acordão”.
   CartaCapital