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sábado, 30 de abril de 2016

Israel mantém quatro brasileiros presos, diz Conselho de Brasileiros na Palestina

Israel mantém quatro brasileiros presos, diz Conselho de Brasileiros na Palestina

Conselho de Cidadãos Brasileiros na Palestina pede libertação dos quatro jovens com dupla cidadania detidos por Israel

De Ramalah, para o Opera Mundi
Nadia Hamed, mãe de Islam Hamed, teme pela saúde do filho, detido por forças israelenes em outubro de 2015 - Créditos: Moara Crivelente / Opera Mundi
Nadia Hamed, mãe de Islam Hamed, teme pela saúde do filho, detido por forças israelenes em outubro de 2015 / Moara Crivelente / Opera Mundi
Em territórios palestinos ocupados por Israel vivem hoje cerca de 5 mil brasileiros que têm também a nacionalidade palestina. Segundo o mais recente relatório do Conselho de Cidadãos Brasileiros na Palestina (CCBP), quatro deles estão entre os 6.900 palestinos detidos nas prisões de Israel.
Outro brasileiro-palestino preso por forças israelenses, Raed Issa Abdel Aziz, de 22 anos, foi solto em janeiro, após dois anos e três meses de prisão por “entrar em contato com representantes do Hamas na Jordânia” e por “atirar pedras contra o Exército israelense”, de acordo com o CCBP.
A brasileira-palestina Ruayda Rabah, que recebeu uma delegação de movimentos sociais brasileiros em 2015 em Kobar, um vilarejo próximo à cidade de Ramallah, é membro do CCBP, que tem se ocupado de acompanhar os casos dos cidadãos brasileiros-palestinos que estão detidos em cárceres israelenses. Nisso, o Conselho trabalha em cooperação com a Embaixada do Brasil na Palestina – o Escritório de Representação do Brasil junto à ANP.
O relatório do CCBP sobre os presos brasileiros-palestinos foi elaborado também por Ruayda, que visitou as famílias dos jovens detidos e acompanha seus casos. A história que ela e algumas das famílias visitadas pela delegação começaram a contar ainda não teve desfecho.
Brasileiros encarcerados
Entre os brasileiros-palestinos encarcerados há um adolescente: Sultan Hijaz, de 17 anos, foi detido no fim de 2015, numa batida conduzida por soldados israelenses em sua casa, em Mazra Sharquiya, durante a madrugada. Sultan foi acusado de “atirar pedras” contra soldados. Pelo tribunal militar a que são submetidos os palestinos em territórios ocupados por Israel, o jovem foi condenado, no início de março, a 10 meses de prisão, e sua família deve pagar uma multa de aproximadamente R$ 3 mil. Até a condenação, Sultan ficou detido por quatro meses.
Em novembro de 2015, o Parlamento israelense (Knesset) aprovou uma lei que intensificava a punição aos condenados por atirar pedras contra soldados israelenses, prevendo uma sentença mínima de três anos de reclusão e outras penalidades. Quando alguém é detido pelas forças israelenses, a família deve enviar informações detalhadas sobre todos os membros para pedir permissão para visitar a pessoa na prisão. As autoridades israelenses, então, decidem qual dos parentes – e apenas um – poderá fazer a visita. Entretanto, durante as audiências, apenas a mãe, em geral, pode comparecer, conta Ruayda.
No caso de Sultan, aquela foi a única oportunidade de encontro com sua mãe, Yusra, até que lhe fosse permitido visitar o filho em 6 de janeiro de 2016, dois meses após sua detenção. Yusra relatou ao CCBP que a experiência é “humilhante” e lhe causa “medo”. Em uma audiência, em 25 de dezembro de 2015, ao entrar na sala, Yusra atravessou um detector de metais cujo alarme soou; em seguida, foi “agressivamente” revistada. O motivo do alarme não foi encontrado, até que ela se lembrou de um metal decorativo em sua roupa íntima, pelo que se sentiu exposta. Mesmo depois da revista exaustiva de seu corpo e seus pertences, Yusra foi impedida de abraçar o filho por oficiais israelenses, que a acusaram de tentar lhe dar uma faca.
Muro próximo ao posto de controle militar israelense em Qalandia (entre Jerusalém e Ramallah) | Moara Crivelente / Opera Mundi
Entre os presos está também Islam Hamed, personagem de uma recente campanha no Brasil por sua libertação. Hamed foi preso pela primeira vez aos 17 anos de idade. Sua terceira detenção, em outubro de 2015, aos 32 anos, ocorreu logo após ser solto de uma prisão palestina. De acordo com o CCBP, as autoridades israelenses ainda não fizeram acusações. Mãe de Islam, Nadia Hamed também recebeu os movimentos sociais brasileiros na vila em que vive, Silwad. Ela teme novamente pela saúde do filho, que protestou por sua detenção com uma greve de fome no ano passado.
O relatório do CCBP também aborda os casos de Mujahed Hamed, de 23 anos, em Silwad, e de Yussef Barghouthi, de 22 anos, em Der Abu-Mishal – ambas localidades próximas a Ramallah. Contatada por e-mail, a Embaixada de Israel no Brasil não respondeu à pergunta sobre a situação dos quatro brasileiros detidos até a publicação deste artigo. Já o Ministério de Relações Exteriores do Brasil afirmou, igualmente por e-mail, que tanto a Embaixada brasileira em Tel Aviv quanto o Escritório de Representação do Brasil em Ramallah “acompanham atentamente os casos dos brasileiros detidos em sua jurisdição”, posição que o relatório do CCBP também destaca.
Em Silwad, jovens palestinos protestam contra a ocupação atirando pedras contra soldados israelenses | Moara Crivelente / Opera Mundi
Os funcionários consulares brasileiros visitam os detidos e suas famílias e comparecem a audiências, explica o Itamaraty, para “buscar garantir que os nacionais tenham seu direito de defesa respeitado e que as condições de detenção sejam adequadas.” Além disso, os funcionários verificam as denúncias de abusos “por meio de contatos com a chancelaria local ou com a embaixada [israelense] em Brasília.”
Prisão, resistência e aproximação com o Brasil
Segundo o CCBP, as prisões israelenses “funcionam como empresas”. “Elas contornam o boicote que fazemos aos produtos israelenses, obrigando as famílias dos detidos a comprar os produtos de necessidades básicas na prisão, onde os preços são exorbitantes”, diz Ruayda. As famílias são proibidas de levar cobertores ou calçados e só podem entregar roupas de algodão e de três em três meses, o que é insuficiente no período de inverno rigoroso, diz a organização.
O Serviço Prisional de Israel (IPS) não distingue em sua página oficial entre suas instalações em território israelense ou território ocupado palestino – exibindo um mapa sem fronteiras delineadas. A ONG palestina Addameer (Associação de Apoio aos Prisioneiros e Direitos Humanos) e a organização israelense de defesa dos direitos humanos B'Tselem, ambas baseadas em Jerusalém, recebem informações tanto do IPS quando do Exército israelense, que também detém palestinos em suas instalações por curtos períodos – por exemplo, entre janeiro e setembro de 2015, foram mais de 110 palestinos detidos por mês, de acordo com a B'Tselem. 
O embaixador da Palestina no Brasil, Ibraim Alzeben, que também acompanha a questão, disse por e-mail que “a luta pela libertação [dos detidos] é um tema cotidiano e encabeça a lista das nossas prioridades tanto oficiais quanto cíveis e populares.” O embaixador afirmou que o fato de Sultan, Islam, Mujahed e Yussef “também serem brasileiros nos dá mais razão da justiça da nossa causa, que ultrapassa as fronteiras da Palestina, para convertê-las em causas da humanidade.”
Engajada nas atividades do CCBP, Ruayda acompanha as famílias dos detidos e coordena atividades culturais, educacionais e políticas. Em maio de 2015, por exemplo, brasileiros-palestinos e israelenses decidiram se reunir em Ramallah pela primeira vez, com resultados esperançosos. Mas a continuidade da aproximação foi suspensa no segundo semestre, com o segundo encontro cancelado, quando eclodiu o novo ciclo de violência na Palestina ocupada e em Israel.
“A maior resistência que o povo palestino pode conduzir é, apesar de tudo, ainda estarmos de pé. Ainda vivemos, saímos, jogamos bola, trabalhamos, bordamos, fazemos nossas comidas típicas, nossas reuniões familiares, os casamentos de rua – e com ou sem barreira, buscamos a noiva porque vai ter casamento,” diz Ruayda. “É esse o lado bonito da resistência, e isso deve ser transmitido. As pessoas têm que viver.”

Fred Goldstein / As duas caras da campanha de Sanders

As duas caras da campanha de Sanders

Fred Goldstein*
30.Apr.16 :: Outros autores
Não irão muito além dos dedos de uma só mão, os leitores que sabem da candidatura de Mónica Moorehead e Lamont Lilly, dois militantes do Partido do Mundo Operário [Worker´s World Party], respetivamente à presidência e vice-presidência dos EUA nas próximas eleições presidenciais. Não é surpreendente, pois, nos EUA será também uma percentagem mínima dos eleitores norte-americanos que o saberá.
Neste texto, o autor, Fred Goldstein, analisa as duas faces da candidatura de Bernie Sanders e por que razão o sistema prefere Hillary Clinton…

A campanha de Bernie Sanders tem um caracter duplo. Por um lado defendeu e deu voz à oposição generalizada contra Wall Street e à injustiça maciça de desigualdade económica. Mas, por outro, Sanders está no Partido Democrata, que durante gerações tem sido e é controlado pelos mesmos oligarcas financeiros contra os quais os partidários de Sanders se rebelam.
A resposta plena aos apelos de Sanders de dividir os bancos e fazer com que os ricos paguem pela educação universitária, a saúde universal, o aumento do salário mínimo e assim sucessivamente, é totalmente compreensível. Após décadas de austeridade, retiro de subsídios, quebra de sindicatos, racismo e encarceramento massivo, não é de estranhar que as reclamações de Sanders tenham caído como chuva em erva seca.
Mas, o caminho para enfrentar os bancos, os multimilionários e a corrupção a longo prazo não se faz através da política eleitoral e do Partido Democrata. Faz-se através da mobilização de massas e da luta independente. Os seguidores de Sanders eventualmente vão ter que descobrir esta dura realidade.
Afirmo, seja qual for o resultado final das primárias do Partido Democrata, embora seja inegável que a campanha de Bernie Sanders tem expressado a ira acumulada contra Wall Street e a máquina política do Partido Democrata. Hillary Rodham Clinton, amiga de Wall Street, falcão pró Pentágono e uma política tremendamente oportunista, representa esse estabelecimento.
Quando Sanders começou a sua campanha denunciando não só Wall Street mas também a cúpula dos monopólios corporativos, foi considerado um candidato de pouca envergadura, que no melhor dos casos seria uma mera novidade de campanha.
Como senador de um pequeno estado rural e que se autodenominava socialista democrata, estava fora do clube dos senadores milionários e esperava-.se que fosse candidato marginal nas primárias democratas.
Mas poucas semanas após o anúncio da sua candidatura e início de campanha, os meios de comunicação capitalistas começaram a notar que atraía enormes multidões para os campos universitários, nas cidades, nas zonas rurais, onde quer que fosse. O seu público oscilava de uns milhares e 28.000 numa reunião no Oregon.
A grande popularidade da campanha Sanders, especialmente, mas não exclusivamente entre jovens brancos, trabalhadores e mulheres jovens, surpreendeu os meios capitalistas e a cena politica.
Devemos assinalar que a atracão de Sanders já se estendeu aos afro-americanos e latinos, com um grande número de líderes importantes dos direitos civis, figuras políticas e artistas que fazem campanha por ele.

Ocupar Wall Street nas urnas
A mensagem de Sanders assemelha-se ao Ocupy Wall Street
Em Setembro de 2011, OWS ocupou o parque Zuccotti em Manhattan criando uma assembleia-geral nas ruas e denunciando a enorme desigualdade nos Estados Unidos. Esse movimento usou a insígnia «Somos os 99%». Opôs-se ao 1% que controla a grande riqueza. O OWS dedicou-se à acção directa.
As assembleias alargaram-se rapidamente a muitas cidades dos Estados Unidos mostrando que a OWS tinha milhares de simpatizantes passivos. Até a imprensa corporativa teve de fingir simpatia durante algum tempo, até que a policia expulsou sistematicamente as assembleias das ruas com brutalidade e prisões. O desenrolar desse movimento e sobre o seu amplo apoio, apanhou a classe dominante totalmente de surpresa. Do seu ponto de vista formado nos seus salões de juntas e fazendas, os governantes subestimam sempre a ira do povo.
E como subestimaram a OWS, também o fizeram ao ódio por Wall Street e a grande desigualdade que deixou toda uma geração sem futuro. As condições económicas e sociais pioraram desde 2011.
A campanha Sanders é, de certa maneira, uma continuação da OWS de modo eleitoral. Nisso radica o atractivo de Sanders e é a base do seu inesperado êxito eleitoral.
Contra a máquina
Para 20 de Março, Sanders tinha acumulado mais de 6 milhões de votos, sem contar os estados caucus de Iowa e Nevada. Até então, os seus votos reflectiam apenas a popularidade da sua mensagem anti-banqueiros e anti-milionários. Arrecadou 140 milhões em várias contribuições pequenas numa base recorde de 2 milhões de contribuintes mais 4 milhões em doações individuais.
Mas, nem todos os seus seguidores podem votar nas primárias por diversas razões — qualificações obstrutivas de votantes, limite de idade, conflito com a escola, etc.. Quando terminar a campanha, Sanders provavelmente ganhará ainda mais uns milhões de votos.
O seu amplo apoio é considerável, já que a campanha vai contra duas das máquinas politicas mais poderosas da política capitalista, a de Clinton e a do presidente Barack Obama que se combinaram para o bloquear em todos sentidos possíveis. Estas máquinas estão profundamente arreigadas a nível nacional e já existem há anos.
A campanha presidencial de Hillary Clinton está activa desde 2007. Depois de ter perdido para Obama em 2008, renovou a campanha em silêncio durante a sua administração. Foi senadora por Nova Iorque, berço de Wall Street, e depois secretária de Estado, onde trabalhou estreitamente ligada ao Pentágono.
Sanders começou sem qualquer tipo de organização que de perto ou de longe se assemelhasse à máquina do estado.
Parcialidade de meios corporativos
Sanders enfrenta também os meios de comunicação capitalistas. Os meios estão a utilizar Donald Trump para aumentar os seus índices de audiências e acumular lucros. A 29 de Fevereiro, o repórter de Hollywood citou o gerente geral Les Moonves da CBS sobre Trump e o «circo» republicano. «Pode não ser bom para os Estados Unidos, mas é muito bom para a CBS».
Moonves continuou: «está a entrar dinheiro e isso é divertido. Nunca se viu nada assim e este vai ser um ano muito bom para nós, em minha opinião. É terrível dizer isto, mas «prá frente Donald!»
Moonves nem se importaria de ter milhões de pessoas a assistirem a Sanders diariamente como é o caso de Trump. Mas Sanders atacou milionários e além disso não aceita o seu dinheiro. Mesmo para os magnatas dos media, a política vem depois dos índices.
As redes são corporações multimilionárias. Sentem-se bem a publicar Trump. Mas entre Sanders e Clinton, todas elas estão com Clinton. «Honestidade e Retidão na Reportagem» afirmou a 20 de Março o Washington Post que publicou 16 artigos negativos sobre Sanders em 16 horas. O Post é propriedade de Jeff Bezos, cuja fortuna na Amazon está calculada em 50 mil milhões.
O New York Times marginalizou a campanha Sanders a tal ponto, que os seus próprios leitores se revoltaram e o editor público da Times teve de repreender publicamente a administração.
Tyndal que faz o escrutínio da cobertura mediática da campanha, informou que em 2015 Clinton recebeu 121 minutos de cobertura (excluindo as audiências sobre os seus emails e Sanders recebeu 20 minutos.
Os media querem ocultar o importante apoio sindical para Sanders. Os Trabalhadores da Comunicação, a Associação Nacional de Enfermeiras, os Trabalhadores dos Correios e mais de 40 sindicatos locais apoiaram-no. Todos os sindicatos que apoiaram Sanders inquiriram as suas bases.
Os sindicatos que avalizaram Clinton, fizeram-no por via especulativa, sem consultar as bases. Mas devido ao forte apoio das bases sindicais para Sanders, a direcção da AFL-CIO não pode apoiar Clinton.
Bilionários e banqueiros temem Sanders
Os banqueiros, financeiros e directores de grandes empresas, querem enterrrar Sanders. Lloyd Blankfein, CEO da Goldman Sachs, é talvez o banqueiro mais poderoso e influente nos Estados Unidos. Sanders citou-o pela sua cobiça e a sua culpa na crise financeira. Blankfein respondeu a 3 de Março na CNBC, dizendo sobre a campanha de Sanders que «tem o potencial de ser um momento perigoso, não apenas para Wall Street, não apenas para as pessoas que cita, mas para qualquer um que esteja um pouco fora da linha».
A quem se referia Blankfein? São os 18 principais criminosos corporativos que Sanders citou por evasão massiva de impostos, cúmplices da crise económica de 2008. Incluem Brian Moynihan, CEO do Banco da América, o banco que recebeu 1,3 milhões de dólares no resgate do governo. Blankfein, da Goldman, que recebeu 824 milhões de dólares do plano de resgate do Tesouro; James Dimon de JP MorganChase, que recebeu 416 milhões num resgate; Boeing; GE; e assim sucessivamente.
Sanders enumera todos os postos de trabalho que as corporações trasladaram para o exterior, os milhares de milhões em impostos que deveriam ter pago se não fossem os paraísos fiscais no exterior e o facto de que muitos deles pagaram zero de impostos (Trueactivist.com)
Estas decisões administrativas devem ser o que Blaknfein se referia ao dizer «um pouco fora da linha».
Eleições capitalistas e lutas de massas
As regras da política eleitoral capitalista nos Estados Unidos são extremamente restritivas, mesmo se as compararmos com outros países capitalistas. O vencedor leva tudo, o que descarta a representação proporcional. Para quem não for do Partido Democrata ou Republicano só para se inscrever existem requisitos onerosos de petição. As campanhas são extremamente caras, o que facilitou que os ricos controlem totalmente o processo de eleição — mesmo após a sentença «Cidadãos Unidos» pelo Supremo Tribunal que eliminou o limite de doação.
Só em raras ocasiões pode uma campanha primária presidencial ser utilizada para expressar a oposição das massas. Isso aconteceu em 1968 quando o senador Eugene McCarthy abriu uma campanha contra a odiada guerra do Vitename. Sucedeu novamente em 1984 quando Jesse Jackson empreendeu uma campanha contra o reaganismo, a austeridade e o racismo.
Aconteceu agora com Sanders. Mas os progressistas e revolucionários não devem ignorar o lado negativo de Sanders e o engodo enganador do Partido Democrata. Sanders não acolheu totalmente o movimento das Vidas Negras Importan e a luta contra o racismo e a brutalidade policial. Também não denunciou o mar de triliões de dólares de despesas militares que retira o dinheiro aos serviços sociais. Foi ambivalente sobre Cuba, defendendo as suas realizações sociais num momento e declarando a seguir que é uma ditadura. É partidário de Israel e tem muitas outras contradições.
Além disso, todos os verdadeiros avanços das massas não vieram através de eleições mas sim através da luta. Os direitos sindicais, o seguro social e os benefícios sociais foram alcançados nos anos 30 com marchas, greves gerais e greves de braços caídos. Os direitos civis foram alcançados através da luta de milhões de afro-americanos, brancos progressistas que enfrentaram a policia. Medidas contra a pobreza foram ganhas por rebeliões em cidades de todo o pais. Os direitos da mulher foram ganhos com marchas e protestos. A luta pelos direitos de gays, lésbicas, bisexuais e trangéneros começou com a Rebelião de Stonewall. A cruel legislação anti-imigrante foi derrotada pela histórica greve de milhões de imigrantes a 1 de Maio de 2006.
As reformas são sempre reflexo da luta interna
Sobre tudo, embora a auto descrição de Sanders como socialista democrata tenha legitimado o termo socialismo, é de facto um reformador liberal do capitalismo. Quer fazer com que o sistema de exploração capitalista seja mais humano. É o socialista verdadeiro que se ergue na plataforma para abolir o socialismo.
Quebrar os bancos não é suficiente. Não chega travar a avareza corporativa. Enquanto os bancos e as corporações tiveram o controle da economia, tem dezenas de milhar de fios pelos quais podem controlar o governo, o estado, o tesouro e a vida económica do país.
O verdadeiro socialismo procura abolir completamente o sistema de escravidão do salário e colocar a economia nas mãos dos trabalhadores e oprimidos. A economia deve ser manejada de forma planificada para benefício do povo e para não lucros de qualquer classe. É essa a forma de acabar com a desigualdade de receitas, a injustiça, e toda a espécie de opressão.
Há uma maneira de manifestar o apoio ao socialismo revolucionário sem apoiar o sistema dos dois partidos capitalistas. O voto em Mónica Moorehead para presidente e em Lamont Lilly para vice-presidente, na lista eleitoral do Partido Worker’s World.
* Membro do Secretariado do CC do Worker´s World Party
Este texto foi publicado no jornal do Worker´s World Party
Tradução de Manuela Antunes

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Lenine e o imperialismo

Lenine e o imperialismo

Miguel Urbano Rodrigues
28.Apr.16 :: Colaboradores
“…Transcorrido quase um século, a reflexão de Lenin sobre a natureza do imperialismo no início do século XX [Imperialismo, fase superior do capitalismo] os ajuda muito a compreender a complexidade de grandes problemas contemporâneos não obstante as prodigiosas mudanças ocorridas no mundo desde então”.

A palavra imperialismo – originária do latim – é muito anterior ao aparecimento do moderno imperialismo como realidade politica, social e económica.
Mas foi Lenin quem pela primeira vez chamou a atenção para a ameaça que a nova fase do imperialismo significava para a humanidade, o que exigia uma estratégia revolucionária.
O seu livro – O Imperialismo fase superior do capitalismo – foi publicado em l917, meses antes da Revolução de Fevereiro, que derrubou a monarquia autocrática russa.
A Associação Cultural Diário Liberdade lançou agora uma edição em galego dessa obra hoje um clássico do marxismo.
No prefácio, que escreveu em Petrogrado em Abril de 17, Lenin esclarece que algumas passagens da versão original foram por ele mutiladas para que a censura czarista autorizasse a sua distribuição na Rússia. Viu-se forçado, por exemplo, a substituir Rússia por Japão para iludir os censores do czar.
No prefácio para as edições francesas e inglesa, publicadas em 1920, dirigindo-se aos leitores da Europa Ocidental, caracteriza a guerra de 1914-18 como um conflito «pela partilha do mundo, pela divisão e distribuição das colónias, das esferas de influencia do capital financeiro, etc». Acrescenta aliás que «as guerras imperialistas são absolutamente inevitáveis enquanto subsistir a propriedade privada dos meios de produção».
Um terceiro prefácio, da responsabilidade da Editora Diário Liberdade, confere à iniciativa uma grande atualidade. Os leitores apercebem-se de que, transcorrido quase um século, a reflexão de Lenin sobre a natureza do imperialismo no início do século XX os ajuda muito a compreenderem a complexidade de grandes problemas contemporâneos não obstante as prodigiosas mudanças ocorridas no mundo desde então.
Lenin foi o primeiro marxista a aperceber-se das consequências do domínio avassalador dos monopólios na nova fase do imperialismo. No seu livro – a que chamou folheto – inova também ao desmascarar a manobra da burguesia que criou «a aristocracia operária» para dividir a classe trabalhadora.
O prefácio da edição galega lembra que Lenin antecipou a importância que iriam assumir revoluções democráticas e nacionais em países atrasados (casos da persa, da turca e da chinesa) e as lutas contra o colonialismo e o imperialismo.
«As lutas nacionais – escrevem os editores – serão cada vez mais ingredientes, progressistas e revolucionárias frente ao domínio dos monopólios, o que exige a sua integração na estratégia do movimento comunista internacional».
Os cinco pontos referidos por Lenin para definir o capitalismo monopolista da sua época mantêm atualidade na caracterização do imperialismo deste início do terceiro milénio.
«A concentração da produção e do capital, mediante a hegemonia dos monopólios, tem avançado inexoravelmente durante o ultimo século – sublinham os editores –; a fusão entre capital bancário e industrial, que hoje já converteu o capital financeiro em dominante sobre o industrial e comercial; a exportação de capitais que liga diretamente com a teoria marxista da dependência, desenvolvida principalmente por autores marxistas latino-americanos a partir das decidas de 60 e 70**, de especial interesse na dialética colonial centro-periferia, soberania-dependência e do papel que, no caso da Galiza o nosso país ocupa na divisão internacional do trabalho, a repartição do mundo entre as grandes potências, cuja culminação não só não impede que continuem os conflitos, com os estende às regiões do globo de interesse extrativo, energético e geoestratégico».
Considero útil transcrever dois parágrafos do livro de Lenin. Facilitam a compreensão da crise estrutural que o capitalismo enfrenta:
«Por outras palavras o velho capitalismo, o capitalismo da livre concorrência, com o seu regulador absolutamente indispensável, a Bolsa, passa à história. Em seu lugar apareceu o novo capitalismo, que tem os traços evidentes de um fenómeno de transição que representa uma mistura da livre concorrência com o monopólio».
«O velho capitalismo caducou. O novo constitui uma etapa de transição para algo diferente. Encontrar ‘princípios firmes e fins concretos’ para a ‘conciliação’ do monopólio com a livre concorrência é naturalmente uma tarefa votada ao fracasso».
Lenin, ao escrever o seu livro em vésperas de uma revolução que abalaria o planeta, tinha plena consciência de que o capitalismo monopolista na sua fase de transição não era estático. Estava em permanente transformação.
O futuro imediato era imprevisível.
A vitória da Revolução de Outubro foi um dos acontecimentos mais maravilhosos da Historia da Humanidade. Mas o socialismo não se implantou na Europa Ocidental e, hoje a Rússia, destruída a URSS, é um país capitalista.
Nem por isso – repito – o livro de Lenin perdeu atualidade. Merece ser lido e relido.
A Editora Diário Liberdade prestou um serviço ao povo da Galiza ao publicá-lo na sua língua.
O combate dos patriotas galegos pela independência contra a dominação do Estado Espanhol é muito difícil. Não obstante, os revolucionários leninistas da Galiza irmã não baixam os braços. É sua convicção inabalável que o comunismo (com passagem pelo socialismo) é a única alternativa possível à barbárie capitalista que ameaça destruir a humanidade.
*O Imperialismo Fase Superior do Capitalismo, ed. Associação Cultural Diário Liberdade, 181 págs, Galiza, janeiro de 2016
** Sobretudo os brasileiros Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso e o chileno Enzo Faletto (nota do autor deste artigo)
Serpa, Abril de 2016
ODiario.info

terça-feira, 26 de abril de 2016

Roberto Amaral /Ironicamente, deve-se à direita a reaglutinação das forças de esquerda

Golpe e resistência

Ironicamente, deve-se à direita a reaglutinação das forças de esquerda
por Roberto Amaral — publicado 26/04/2016 03h59
Levi Bianco/Brazil Photo Press/AFP
Manifestante
As emoções desses dias enunciam embates profundos
Na sua inexcedível capacidade de superar a fantasia, a política rasteira nos transportou, no domingo 17, para o imaginário de Macondo, promovendo o encontro do realismo fantástico com o espírito de Macunaíma, no que ele tem de moralmente grotesco e de lassidão. A sociedade, preocupada com os destinos de seu país, postou-se diante da tevê para saber como votavam seus representantes chamados a decidir o destino do mandato da presidenta da República.
Mas, no lugar de um espetáculo cívico, presenciou uma ópera-bufa. Por horas, assistiu incrédula e, certamente, constrangida ao desfilar tragicômico de personagens ridículos que se sucediam diante das câmeras. Assim, o Brasil conheceu a Câmara e seus deputados. Aplausos para as exceções.
Não se ouviu dos adeptos do “sim” um só conceito político ou jurídico, um só desenvolvimento de raciocínio adulto, lógico, mas, tão só, um desalentador desfilar de sandices e pieguices: referências domésticas, familiares, expressões de uma religiosidade primitiva... Absoluta ausência de senso e decoro. Ao fundo, a algaravia de mercado persa, incompatível com uma Casa de Leis. Mestre de cerimônia do espetáculo burlesco, reinou impávida essa figura abjeta representada pelo ainda presidente da Câmara, deputado-réu, materialização de Frank Underwood, que salta da série estadunidense e dos esgotos do Capitólio para conviver conosco.
O espetáculo grotesco oferecido pela Câmara Federal expõe à saciedade quão imperiosa é a reforma, profunda, do sistema eleitoral que a produziu. Mas como esperar que nossos parlamentares livrem a legislação das mazelas e vícios que garantem a reprodução de seus mandatos? Pois essa Câmara abriu o processo de impeachment.
Uma Casa de maioria hegemonizada por um agrupamento de acusados, presidida por um parlamentar consabidamente desonesto, no comando de um processo de cassação de uma presidenta consabidamente honesta. E, se esse processo tiver curso no Senado, há risco de vermos uma presidenta legitimamente eleita por 54,5 milhões de votos ser substituída por um vice perjuro, sem um só voto.
Pobre política brasileira.
A crise da democracia representativa nacional está exposta à luz do sol e pode atingir o paroxismo, que certamente tomará as vestes de crise institucional, no iminente encontro da desmoralização parlamentar com o exercício da Presidência por um vice sem legitimidade.
Longe de promover o encontro da Nação com seu destino, de liderar a distensão política a caminho da união nacional, o hipotético governo será instrumento de desagregação, agravando a até há pouco escamoteada luta de classes, que será aprofundada, independentemente do que fizerem os movimentos sociais, em razão das características da crise e do remédio prometido pelo receituário neoliberal e exigido pelos financiadores da caríssima campanha pró-impeachment: menos investimentos, mais superávit primário e menos compensações sociais, flexibilização do trabalho e reforma da Previdência (contra os aposentados),  mais privatização, mais recessão, mais desemprego. E, cereja do bolo, a entrega do pré-sal às multinacionais do petróleo. Ao fim e ao cabo, mais crise social.
Aliás, deve-se à direita o desmanche das ilusões de conciliação de classe que por tanto tempo encantaram lideranças petistas, imobilizando-as diante da luta ideológica, a que renunciaram, como renunciaram seus governos às reformas que poderiam, sem ferir o sistema, alterar a estrutura do Estado e promover uma correlação de forças favorável às massas. Renunciaram a uma reforma tributária progressiva, renunciaram à reforma política (daí a Câmara de hoje, que será sucedida por outra ainda pior), à democratização dos meios de comunicação de massa, à reforma do Poder Judiciário, à reforma agrária, à reforma do ensino militar, para citar as mais ingentes.  
Um governo de origem popular, recém-saído de uma refrega eleitoral para cujo desfecho a esquerda foi decisiva, opta pelos entendimentos de cúpula que cevaram as forças que o trairiam na primeira oportunidade. Para agradar ao “mercado”, opta por um reajuste fiscal recessivo, afasta-se de suas bases e não conquista a classe dominante, para quem acenava. Essa continuou no comando do golpe, do qual o 17 de abril não é nem o ponto de partida nem o ponto de chegada.
O processo histórico é, porém, contumaz em pregar peças, e assim ficamos a dever à direita brasileira a reaglutinação das esquerdas e do movimento social, e a virtual unidade, na ação, do movimento sindical. Foi a ameaça da captura do Estado, sem voto, para alterar a agenda de prioridades, projeto da classe dominante brasileira, que reconciliou o governo com as massas, quando essas descobriram que o golpe era mesmo contra elas, isto é, contra os direitos dos trabalhadores, agora em 2016 como em 1954 e em 1964.
A iminência do golpe de Estado, operado a partir das entranhas do Estado, por setores do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Judiciário, mas articulado de fora pelas forças de sempre (o monopólio ideológico dos meios de comunicação liderados pelo sistema Globo), ensejou às esquerdas, como mecanismo de defesa que logo se transformou em instrumento de luta, a unidade na ação, de que resultou a Frente Brasil Popular, e, com ela, a unificação dos movimentos populares e as grandes mobilizações.
A consigna “Não vai ter golpe, vai ter luta”, que em outras palavras significa a retomada, pela esquerda, da questão democrática, e a decisão pelo enfrentamento, tanto funcionou como discurso aglutinador quanto orientou a ação. Nas ruas, as massas redescobriram sua força, e não pretendem refluir. O movimento social, assim, está na fronteira de um salto de qualidade que lhe permitirá caminhar da defesa da legalidade e da democracia para as eleições e a construção de um novo tipo de sociedade. Golpeadas pela farsa doimpeachment, as esquerdas se preparam para unir a luta parlamentar à luta nas ruas.
As emoções desses dias parecem enunciar embates de duração, intensidade e profundidade impossíveis de prever. 
*Ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB, partido do qual se desfiliou.

Hora de fazer justiça com Neruda e com todos no Chile

Hora de fazer justiça com Neruda e com todos no ChilePDFImprimirE-Mail
Santiago do Chile, 26 abr (Prensa Latina) A filha do falecido presidente Eduardo Frei Montalva afirmou hoje que é hora de fazer justiça com Pablo Neruda, seu pai e com todos no Chile, "porque é hora de que saibamos a verdade".
Carmen Frei, ex-senadora e também irmã de outro ex-mandatário chileno, Eduardo Frei Ruíz-Tagle, disse à Prensa Latina que há muitas semelhanças que fortalecem as suspeitas sobre os expedientes da morte de Neruda e de seu pai.

"Eu respeito mas não compartilho a justiça do possível; temos que fazer o impossível para saber não só o caso Neruda e o de meu pai, mas de todos os presos desaparecidos ou assassinados pela ditadura", enfatizou.

Emocionada durante a jornada de tributo ao Prêmio Nobel de Literatura no salão de honra da sede alternada do Congresso Nacional do Chile, Frei reafirmou enfaticamente que "não vamos descansar nunca até que saibamos a verdade".

Lembrou que apareceram novas diligências que permitem pedir um novo processo no expediente sobre seu pai, político democrata-cristão.

"Há muitas pessoas que foram as que esconderam o que aconteceu, encobridores (no círculo da equipe médica do ex-chefe de estado) e queremos saber a verdade", apontou.

A outra pergunta da Prensa Latina, a ex-parlamentar fez referência às similitudes entre a história de Neruda e a de Frei Montalva, ambos tratados pela mesma enfermeira que, ao que tudo indica, era uma agente de inteligência de Augusto Pinochet.

Neruda morreu em 23 de setembro de 1973 e Frei Montalva, morreu no dia 22 de janeiro de 1982. Apesar dos 12 anos de diferença nos falecimentos, surgiram diversas semelhanças.

Ambos foram internados no mesmo quarto e mesmo andar na clínica Santa María; três dos quatro médicos processados pela morte de Frei Montalva também atenderam Neruda, detalhou o advogado Eduardo Contreras, quem leva adiante o caso do poeta.

Segundo o certificado de morte da época, com respeito ao ex-presidente, perdeu a vida aparentemente por uma complicação em uma cirurgia à que tinha sido submetido pouco antes, justamente quando se convertia em um férreo opositor de Pinochet.

No caso anterior de Frei Montalva, ao exumar seu cadáver foram encontradas substâncias tóxicas e, por esse motivo, o juiz se viu obrigado a declarar o homicídio, mas não se aprofundou mais nas investigações.

Carmen Frei destacou que a nova homenagem ao autor de 'Canto Geral' e 'Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada', não é só justa, mas mais que merecida para um homem que deu tudo pelo Chile e deveria ser sempre venerado.

lam/ft/cc
 Prensa Latina

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Diário Liberdade / 'Por Deus, minha família e meu dinheiro' ,sim...

stf congressoBrasil - Inquietude Geral - O que esperar da bancada BBB (Bíblia, Boi, Bala) na Câmara Federal? Nada e tudo! A sociedade cada vez mais espetacularizada pelos barões da mídia com teatros do absurdo e de vampiros sanguessugas: os “representantes do povo” atuando em favor da família (as suas próprias, claro), de Deus e dos amigos (quadrilhas de assalto aos cofres públicos, claro), todos, no entanto, unidos “contra a corrupção”! Manifestavam-se assim os crápulas, os proponentes da perfídia, os achacadores, os oportunistas de camarote, enfim todas as hienas representando contra o PT.

O que vimos neste último domingo, longe de ser uma aberração ou um “circo de horrores” como muitos afirmaram, é o retrato mais fiel da “democracia dos ricos” – e sem retoque no photoshop! Talvez tenha chocado alguns incautos defensores da democracia em geral, mas é o suprassumo da “realidade política” a qual estamos submetidos e que permeia nossos “probos mandatários”. O sistema e o regime corrupto somente poderia gerar todo aquele espetáculo dantesco no Congresso, está na “alma” do capitalismo que a cada dia gera mais e mais indigentes intelectuais e escroques políticos com no máximo dois neurônios na "defesa do povo" brasileiro. O fascismo destrói a política e assassina a gramática!
O “pacto oligárquico” consumado desde o primeiro mandato de Lula no Planalto soçobrou em oceano de águas turvas, atiçadas por ventos que sopram do norte. Ou seja, a recuperação (da bolha especulativa) econômica dos Estados Unidos após a grande recessão de 2008 provocou uma superdesvalorização das commodities, principalmente do petróleo, o que fez desabar as economias dos BRICS, por sobre cujas raízes assentara-se fugazmente o “superávit” brasileiro. Banqueiros, latifundiários (agronegócio), ricaços como Eike Batista e até a mídia corporativa estavam ganhando a custa do governo do PT e do Tesouro Nacional. Mas toda farra tem um custo! O dinheiro acaba um dia e chega a conta... Dívida pública, falência dos estados, alta dos juros, desemprego em massa. A burguesia demanda mudanças estruturais, como fim dos benefícios sociais, privatização da previdência, isenções, maiores subsídios estatais, ajustes fiscais não com a velocidade com que a frente popular estava implementando, mas em curto prazo, de lampejo e de bandeja. Para se chegar a este ponto, foi necessária a destruição das forças produtivas do país, paralisar todos os investimentos em infraestrutura. Papel desempenhado com desenvoltura pela “crash wash” do midiático tucano Moro ao lado de seus consortes do Ministério Público e STF que criam novas jurisprudências golpistas a seu bel-prazer. Em resumo, a “governabilidade” edificada pela frente popular ruiu, tomando o seu lugar os bandidos de toga e seu braço armado a PF.
FRACASSO DA CONCILIAÇÃO DE CLASSES DO LULISMO
Em questão, portanto, está o completo fracasso do projeto lulista de uma socialdemocracia tupiniquim cimentada em acordos com a classe dominante e oligarquias regionais (Joaquim Levy, Sarney, Katia Abreu, Michel Temer, Collor, Maluf e toda escória de fisiologistas...). Mais uma vez está provado que a prática da conciliação de classes sempre conduzirá a tragédias políticas, representadas pela conspiração aberta e descarada do vice-presidente. O PT é um bagaço de laranja chupado e jogado fora: após todos os corruptos e larápios terem se saciado, agora o cospem enojados. A “democracia” no Brasil espelha a podridão do regime político. O pus cancerígeno fez sua metástase no Congresso Nacional com todo seu reacionarismo.
Outro “espetáculo” está por vir no Senado, outras 72 horas de transmissões televisivas reverenciando nossos “representantes” fantoches e seus discursos bizantinos. Qual será a nova senha para receber as malas de dinheiro? Na Câmara foi “deus e a família”. Mas quem são os titeriteiros das marionetes?
Eles estão nas mãos dos industriais da Fiesp, Firjan e CNI; os empresários das associações comerciais e Fecomércio; os ruralistas da CNA, SRB e ABAG; os capitalistas dos oligopólios de comunicação, proprietários do Estadão, Folha, Globo, Abril, etc. Ou seja, a fonte da corrupção, a qual é tomada inversamente como “vítimas” do PT pelo PIG. Estes setores deram vazão à “nova direita” surgida após as manifestações de junho de 2013, alimentando toda sorte de imbecis e fascistas num Congresso em que dos 511 deputados somente 36 elegeram-se por suas próprias forças. Daí o “altíssimo nível”...
TRANSFERÊNCIA DA RIQUEZA PÚBLICA PARA OS GRANDES CAPITALISTAS
A burguesia pleiteia pela transferência de fundos públicos diretamente para seus bolsos através do “ajuste fiscal”, redução e restrição a pensões e ao seguro desemprego. O capital exige “austeridade”, neste sentido. Dilma em sua vereda direitista não teve cacife para atender estes reclames rentistas. Além disso, o PT, após diversas manifestações de massas não tem demonstrado ser confiável no controle social no país. Para a burguesia e o imperialismo o modelo petista está esgotado como meio de contenção de massas.
E ainda há quem defenda que este congresso de carrapatos convoque “eleições gerais” para postular o mafioso Moro para ocupar a cadeira do Planalto e, acredite, uma “assembleia constituinte livre e soberana” para instaurar no mínimo uma... teocracia evangélica!! Em que mundo da constelação onírica-delirante vivem?
A derrota do PT no plenário da Câmara e, certamente, no Senado não está balizado por nenhuma tendência progressista das forças sociais que compõem os agentes golpistas pró-impeachment; nem constitui uma via de superação ao governo neoliberal do PT. Antes de mais nada, este golpe institucional é uma séria derrota popular perante a ascendente direita mais encardida no país – há pouco base aliada de Dilma/Lula - que faz livremente proselitismo a torturadores e à ditadura militar assassina e nada sofre em termos de punição. Os “senhores” deputados foram as peças de um xadrez bem mais complexo no extenso jogo do poder que passa pela “Lava Jato”, Operação Zelotes, escândalo do HSBC, os “Panama papers”, a entrega do pré-sal às transnacionais, Trensalão, Merendão, Banestadão... que tem por finalidade um grande acordo nacional para salvar as grandes corporações e manter inabalável a corrupção capitalista, “pela graça de deus e da família”!

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