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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O bloqueio a Cuba deve cessar

O bloqueio a Cuba deve cessar

Rede Em Defesa da Humanidade-Cuba
30.Set.15 :: Outros autores


No passado dia 17 de Dezembro de 2014, com o anúncio paralelo dos presidentes de Cuba e EUA da decisão de restabelecer relações diplomáticas, foi dado um primeiro passo no longo e complexo processo no sentido da normalização das relações entre os dois países. Barack Obama tornou pública a sua intenção de adoptar medidas visando modificar a aplicação de alguns aspectos do bloqueio, e de solicitar ao Congresso dos EUA o seu levantamento. Não obstante, esta política genocida continua intacta.
O Ministro das Relações Exteriores de Cuba Bruno Rodríguez Parrilla deu a conhecer na sua intervenção de 16 de Setembro de 2015 que, embora seja certo que entraram em vigor algumas emendas às regulamentações dos Departamentos do Tesouro e Comercio, estas resultam absolutamente insuficientes, não só tendo em conta a magnitude e o alcance das proibições e sanções que o bloqueio estabelece, como também em comparação com tudo o que poderia ser alcançado se o Presidente Obama fizesse uso das competências executivas que possui.
É necessário denunciar que depois de 17 de Dezembro de 2014 se manteve o recrudescimento do bloqueio, algo que fica à vista na imposição de multas milionárias contra bancos e outras entidades com base na perseguição das transacções financeiras internacionais cubanas. Cuba continua impedida de exportar e importar livremente produtos e serviços para ou desde os EUA, não pode utilizar o dólar estado-unidense na sua actividade comercial nem ter contas nessa moeda em bancos de países terceiros. Não lhe é igualmente permitido o acesso a créditos bancários nos EUA, das suas filiais em países terceiros e das instituições financeiras internacionais. Estas medidas, juntamente com outras em vigor, continuam a causar graves prejuízos à economia cubana, limitam o direito do nosso país ao desenvolvimento e causam privações directas que influem na saúde e no nível de vida da população.
Cuba apresentará perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, tal como tem feito ano após ano, a Resolução “Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Uma vez mais a comunidade internacional se pronunciará acerca desta política cruel e imoral. No relatório divulgado é feita uma análise da legislação do Congresso e das disposições administrativas que estabelecem a política do bloqueio; das medidas executivas adoptadas pelo presidente Barack Obama e as suas limitações; das prerrogativas executivas às quais o Presidente poderia recorrer para modificar e esvaziar de conteúdo a implementação desta política e que aspectos requerem acção congressional para a sua eliminação ou modificação; exemplos concretos das sanções aplicadas posteriormente a 17 de Dezembro de 2014 e o custo dos danos produzidos; uma extensa análise da sua aplicação extraterritorial; bem como da rejeição da política de bloqueio tanto dentro dos EUA como no resto do mundo.
Consideramos que neste novo cenário em que ambos os países se propõem dialogar a fim de normalizar as suas relações é inconcebível a manutenção desta política violadora dos princípios do Direito Internacional, que em 23 ocasiões foi condenada pela maioria absoluta dos países membros das Nações Unidas. Instamos o Presidente dos EUA a ser consequente com as suas declarações e fazer uso das suas amplas prerrogativas executivas para começar, verdadeiramente, uma nova etapa nas relações entre os nossos dois países.
O bloqueio contra Cuba jamais deveria ter existido e deve cessar de uma vez por todas. A solidariedade não pode desmobilizar-se. Devemos continuar a luta contra o cerco que durante mais de cinco décadas tem asfixiado o povo cubano.
Convocamos todas as nossas companheiras e companheiros no mundo a pronunciar-se aderindo a esta mensagem e a redobrar a luta contra o bloqueio em todas as suas manifestações.
¡Hasta la victória siempre!

Rede Em Defesa da Humanidade-Cuba
http://www.defensahumanidad.cu/index.php/en-defensa-de/soberania-y-la-legalidad-internacional/731-pronunciamiento-de-la-red-en-defensa-de-la-humanidad-cuba-el-bloqueo-a-cuba-debe-cesar
21 de Setembro de 2015

Email para adesões: noalbloqueoacuba@gmail.com
 

Por que querem destruir a Síria?

Por que querem destruir a Síria?

29.09.2015
Por que querem destruir a Síria?. 23007.jpeg
Vocês políticos do mundo, que bebem o sangue e comem a carne das crianças da Síria para fortalecer suas economias decadentes, para capacitar as suas fábricas de armas e para juntar dinheiro. Vocês que dançam sobre os pedaços dos corpos das crianças, que destroem suas casas, me dêem um motivo ético e humano para justificar o que vocês estão fazendo?
por Dr. Ghassan Nseir,Embaixador Chefe da Missão da Embaixada da Síria
Por que querem destruir a Síria?
Darei a vocês alguns motivos:
1- Porque ela possui dez mil anos de civilização.
2- Porque nela nasceu o alfabeto, a civilidade, a filosofia e a ciência que se espalhou pelo mundo.
3- Porque muitos povos viveram em seu território, como os Cananeus, os Acadianos, os Hititas, os Assírios, os Aramaicos, os Siríacos, os Gregos e os Romanos
4- Porque nela estão as verdadeiras raízes da história. Raízes que não são passíveis de adulteração.
5- Porque de suas entranhas nasceu o cristianismo, mais precisamente em Damasco, e se espalhou para o mundo através do Apóstolo Paulo.
6- Porque dela saíram os imperadores para Roma (Sete imperadores).

7- Porque dela saíram os papas para Roma (Cinco papas).
8- Porque nela nasceram os santos, como João Damasquino.
9- Porque ela formou os cientistas, médicos e astrónomos.
10- Porque seu povo transmitiu aos outros povos a ciência e a filosofia, através de seus tradutores (Os siríacos).
11- Porque ela disseminou o Islã tolerante e civilizado e não o terrorista.
12- Porque nela se avizinham as mesquitas, as igrejas e as sinagogas. 
13- Porque ela mandou suas missões de educadores para os países do Golfo Arábico, para que ensinassem àqueles povos a ciência e a cultura, assim como o fez no Iémen, na Argélia, no Marrocos e na Mauritânia. 
14- Porque ela abriu sua única universidade para todos os árabes.
15- Porque ela defendeu a causa palestina e ficou do lado da resistência durante toda a sua trajectória, dando-lhe apoio com dinheiro, armas e posições.
16- Porque ela abrigou os refugiados palestinos e deu a eles todos os direitos dos sírios, excepto o direito à nacionalidade.
17- Porque nela o ensino é obrigatório até o 2º. Grau e gratuito em todas as etapas até a universidade.
18- Porque acredita no Pan-Arabismo como uma união económica, política e cultural.
19- Porque ela oferece a assistência e os cuidados médicos gratuitamente a todos os seus cidadãos. 
20- Porque suas crianças vivem seguras, assistidas e saudáveis.
21- Porque ela não aceita a subserviência às mobilizações dos países imperialistas.
22- Porque ela impediu a divisão do Líbano e se opôs à invasão americana do Iraque.
23- Porque ela deu suporte e apoio à resistência libanesa e forte retaguarda em suas batalhas contra a ocupação israelense.
24- Porque ela recebeu milhões de refugiados iraquianos e não os colocou em barracas e nem em acampamentos. Assim como recebeu os libaneses na guerra de Julho de 2006.
25- Porque é o único país milenar entre os países árabes.
26- Porque ela desenvolveu suas capacidades económicas e a sua auto-suficiência e se aproximou muito dos países desenvolvidos, com sua infra-estrutura e seus recursos humanos. 
27- Porque nela estão as sedes das igrejas cristãs orientais.
28- Porque possui a única cidade onde seus moradores falam a língua de Jesus Cristo, que é a cidade de Maalula.
29- Porque ela combate o racismo sionista e as ambições expansionistas e colonialistas de Israel e a negação dos direitos legítimos do povo palestino.
Vocês políticos do mundo, que bebem o sangue e comem a carne das crianças da Síria para fortalecer suas economias decadentes, para capacitar as suas fábricas de armas e para juntar dinheiro. Vocês que dançam sobre os pedaços dos corpos das crianças, que destroem suas casas, que expulsam as pessoas e que tornam crianças órfãs, me deem um motivo ético e humano para justificar o que vocês estão fazendo?
Tudo isso para servir a Israel? Qual é o serviço que tem como preço vítimas, morte e destruição?
E vocês jornalistas que influenciam a opinião pública? Não chegou a hora de honrar sua profissão, fazer análises objetivas e apresentar a verdade? Ou será que vocês foram alugados por dinheiro e venderam a sua consciência profissional (se é que já existiu!)? Vocês tem uma responsabilidade com a história, porque vocês têm os meios de adulterar os fatos e vocês também estão negociando o sangue e a carne das crianças. Vocês se aproveitam da confiança das pessoas para engana-las.
Será que não chegou a hora de despertar a sua consciência? Vocês não têm filhos?
Tradução: Jihan Arar

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Vittorio De Filippis / Somente destruição dos bancos salvará humanidade de um desastre financeiro futuro, diz economista francês

Somente destruição dos bancos salvará humanidade de um desastre financeiro futuro, diz economista francês


Balanço dos 28 maiores bancos do mundo supera a dívida pública de todos os países do mundo; oligopólio da banca se tornou uma 'hidra devastadora para economia mundial'
A transferência, para os Estados, das dívidas privadas tóxicas de 28 grandes bancos “sistêmicos”, durante a última crise financeira, explica as políticas de austeridade praticadas na Europa.
Francesas, europeias ou norte-americanas, todas as autoridades bancárias asseguram: se o mundo viver uma nova crise financeira, comparável à de 2007-08, nem os Estados, nem os contribuintes vão pagar as consequências. É possível acreditar?
Flickr/CC/Adrian Lim28 bancos controlam economia mundial
O economista François Morin, professor emérito da Universidade de Toulouse e membro do conselho do Banco Central francês, tem uma resposta categórica: não. Em L’Hydre Mondial [A Hidra mundial], um livro publicado em maio, e no qual ele menciona dados inéditos, Morin mostra como 28 bancos de porte mundial constituem um oligopólio totalmente distanciado do interesse público.
Para colocar os cidadãos a salvo de desastres financeiros futuros, o autor considera que é necessário destruir estes bancos, que ele compara a uma hidra, e resgatar a moeda para a esfera pública. Eis sua entrevista:
Outras Palavras: Como um punhado de bancos tomou a forma de uma hidra mundial?
François Morin: O processo é perfeitamente claro. Depois da liberalização da esfera financeira iniciada nos anos 1970 [taxas de câmbio e de juros definidas pelo mercado e não mais pelos Estados, e liberalização de movimento do capital], os mercados monetários e financeiros tornaram-se globais em meados dos anos 1990. Os maiores bancos tiveram então de adaptar a sua dimensão a esse novo espaço de intercâmbio, por meio de fusões e reestruturações. Reuniram-se as condições para o surgimento de um oligopólio em escala global. O processo assumiu rapidamente escala internacional e tornou-se gigantesco: o balanço total dos 28 bancos do oligopólio (50,341 trilhões de dólares) é superior, em 2012, à dívida pública global (48,957 trilhões de dólares)!
Desde 2012, descobriu-se também que esses bancos muito grandes se entenderam entre si de forma fraudulenta a partir de meados dos anos 2000. A partir desse momento, esse oligopólio transformou-se numa hidra devastadora para a economia mundial.
OP: Em que esses bancos são sistêmicos?
FM: Estes 28 bancos foram declarados, acertadamente, “sistêmicos” pela reunião do G20 de Cannes, em 2011. A análise das causas da crise financeira da crise iniciada em 2007-2008 não podia deixar pairar qualquer dúvida sobre a responsabilidade desses bancos no desencadeamento do processo. Estão em causa os produtos financeiros “derivativos”, que espalharam-se na época e ainda continuam a ser difundidos em todo o mundo. Lembremo-nos de que estes derivativos são produtos que visam oferecer garantias a seus possuidores, em caso de dificuldades econômicas – e alguns deles têm caráter muito especulativo. Sua conversão em dinheiro pode tornar-se catastrófica, em caso de uma crise. No entanto, apenas 14 bancos com importância sistêmica “fabricam” estes produtos, cujo valor imaginário (o montante dos valores segurados) chega a 710 trilhões de dólares — ou seja, mais de 10 vezes o PIB mundial!
OP: E você afirma que eles praticam acordos fraudulentos?
FM: Múltiplas análises demonstraram que esses bancos ocupam posições dominantes sobre vários grandes mercados (de câmbio, de títulos de dívida e de produtos derivados). É característico de um oligopólio. Mas desde 2012, as autoridades judiciais dos Estados Unidos, britânicas e a Comissão Europeia aumentaram investigações e multas que demostram que muitos desses bancos – sobretudo onze entre eles (Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS) – montaram sistematicamente “acordos organizado em bandas”. A imposição de multas de muitos bilhões de dólares, contra a manipulação do mercado de câmbio ou da Libor [taxa de referência para juros interbancários, estabelecida em Londres], demonstra que esta prática existe.
OP: O mundo está sentado sobre uma montanha de bombas-relógio financeiras montadas unicamente por este punhado de bancos?
FM: Há várias evidências de muitas bolhas financeiras que podem estourar a qualquer momento. As bolha do mercado de ações só pode ser explicada pelas enormes injeções de liquidez, por parte dos bancos centrais. Mas, acima de tudo, há a bolha da dívida pública que atingiu todas as grandes economias. As dívidas privadas tóxicas do oligopólio bancário foram maciçamente transferidas para os Estados, na última crise financeira. Este superendividamento público, devido exclusivamente à crise e a esses bancos, explica as políticas de “rigor” e “austeridade” praticadas em cada vez mais países. Este superendividamento é a ameaça principal, como se vê na Grécia.
OP: Regulação de derivativos – inclusive de crédito –, luta contra o “sistema bancário da sombra”, reforço dos fundos próprios, separação entre bancos de depósito e de investimento… não se pode dizer que nada foi feito para estabelecer algum controle sobre os bancos. 
FM: Vamos olhar mais de perto. O “sistema bancário sombra”, ou seja, o sistema financeiro não regulamentado, não para de crescer – notadamente através do oligopólio bancário – para escapar das normas de supervisão e, em primeiro lugar, para negociar com derivativos. O reforço de capital próprio dos maiores bancos foi ridiculamente baixo. E em nenhuma legislação em vigor há uma verdadeira separação “patrimonial” das atividades bancárias. Em suma, o lobby bancário, muito organizado em escala internacional, tem sido eficaz, e o oligopólio pode continuar na mesma lógica financeira deletéria que praticava antes da crise.
 

Finanças globais: a China bate à porta

Em maior queda diária em 8 anos, Bolsa da China despenca 8,5% e derruba mercados no mundo

Dos trabalhadores em situação análoga à escravidão no Brasil, 82% são terceirizados


OP: Como os Estados tornaram-se reféns do oligopólio sistêmico que são os bancos?
FM: Depois dos anos 1970, os Estados perderam toda a soberania monetária. Eles são responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) para os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de seus dois preços fundamentais (as taxas de câmbio e taxas de juros) está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. Assim, os grandes bancos têm nas mãos as condições monetárias para o financiamento dos investimentos, mas sobretudo do para o financiamento dos déficits públicos. Os Estados não são apenas disciplinados pelos mercados, mas sobretudo reféns da hidra mundial.
OP: Há portanto uma relação quase destrutiva desses bancos com relação aos Estados
FM: Essa relação é, de fato, devastadora. Nossas democracias esvaziam-se progressivamente, em razão da redução (ou da ausência) de margem de manobra para a ação pública. Além disso, o oligopólio bancário deseja instrumentalizar os poderes dos Estados, para evitar eventuais regulações financeiras, ou limitar o peso das multas às quais deve fazer face quando é pego com a boca na botija. Quer evitar especialmente processos de repercussão pública.
OP: Mas os bancos não permitem aos Estados financiar os déficits orçamentários?
FM: Não devemos esperar que os bancos privados defendam interesses sociais! Os bancos veem primeiro os seus lucros, que eles podem realizar por meio de suas atividades financeiras particulares, ou de suas atividades especulativas. Seus gestores olham para os Estados como para qualquer outro ator econômico endividado. Medem os riscos e a rentabilidade de um investimento financeiro. As dívidas do Estado são vistas por eles como um ativo financeiro, tal como qualquer outro – que se compra ou se vende, e sobre o qual é igualmente permitido especular.
Flickr/CC/epSos .de

 
OP: Na mitologia grega, Hércules é o encarregado deve matar a hidra. E em nosso mundo: onde está o Hércules capaz de matar a hidra bancária mundial?
FM: Sobre isso, não há dúvidas. Nosso Hércules de amanhã será um ator coletivo, uma futura comunidade internacional, de legitimidade democrática incontestável, libertada de seus dogmas neoliberais, e suficientemente consciente de seus interesses de longo prazo para organizar o financiamento da atividade econômica mundial. Dito de outra forma, um ser ainda imaginário! Um primeiro passo seria dado, contudo, se um novo Bretton Woods fosse convocado para criar uma moeda comum em escala internacional, e não apenas no contexto das soberanias monetárias nacionais restauradas.
OP: Você aposta na inteligência política?
FM: Sim, certamente! Mas, sobretudo, aposto na inteligência dos cidadãos do nosso planeta. As redes sociais podem ser instrumentos formidáveis para criar esta inteligência política, de que temos extrema necessidade hoje.
OP: Estariamos caminhando para um desastre de escala sem precedentes?
FM: Ele está diante de nós. Todas as condições estão maduras para um novo terremoto financeiro ocorrer, quando os Estados estão exangues. Ele será ainda mais grave do que o precedente. Ninguém pode desejá-lo, porque seus efeitos econômicos e financeiros serão desastrosos e suas consequências políticas e sociais podem ser dramáticas. Podemos vê-los na Grécia. Urgência democrática e lucidez política tornaram-se indispensáveis e urgentes.
OP: Os bancos estão todos podres? As finanças, necessariamente perversas?
FM: Quando um oligopólio superpoderoso administra o dinheiro como um bem privado, não podemos ser surpreendidos pela lógica financeira que resulta daí. Os bancos buscam metas de lucro, com a tentação recorrente, entre os maiores, de fazer acordos oligopolistas. A hidra bancária nasceu há cerca de dez anos, e já tomou conta de todo o planeta. O confronto de poderes, entre bancos avassaladores e poderes políticos enfraquecidos, parece agora inevitável. Um resultado positivo desta luta – a priori desigual – só pode ocorrer por meio mobilização de cidadãos que estejam plenamente conscientes do que está em jogo.
*Texto publicado originalmente no site Outras Palavras com o título Os 28 bancos que controlam o dinheiro do mundo
** Tradução: Inês Castilho

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Piero Gleijeses / Adeus a um irmão

Adeus a um irmão

Visite o Comandante-em-Chefe Fidel Castro a Angola, no primeiro aniversário da vitória de 1976. À direita do líder cubano, o presidente Agostinho Neto, Jorge Risquet e Lucio Lara, líder do MPLA.  Foto: Arquivo CubaDebate
Visite o Comandante-em-Chefe Fidel Castro a Angola, no primeiro aniversário da vitória de 1976. À direita do líder cubano, o presidente Agostinho Neto, Jorge Risquet e Lucio Lara, líder do MPLA.Foto: Arquivo Cubadebate.
Especial para Cubadebate.
Risquet foi para mim um irmão, trabalham juntos desde 1994. Ele foi a pessoa responsável por supervisionar o meu acesso a minha pesquisa sobre os cubanos para Cuba e África e foi chefe do comitê para a desclassificação de arquivos de documentos.
Ours começou como uma boa relação de trabalho - Apreciei sua inteligência, seu profundo conhecimento e seu senso de humor. Foi bom trabalhar com, e útil - foi um forte crítico e muitas vezes me mostrou que eu estava errado na minha análise sobre a política de Cuba na África.
Aos poucos, o respeito ea admiração estavam se tornando uma amizade cada vez mais profunda ao longo de mais de duas décadas. Ele se tornou um irmão para mim, o único irmão que já tive. A morte deixa vazio na minha vida é imensa.
Mas o que eu quero compartilhar aqui com aqueles que lêem estas linhas, é um pedaço de vida de Risquet. Outros falam de sua participação de destaque na Juventude Socialista, e resistiu a tortura de Batista quando ele foi preso no final de 1956, seu desempenho na Sierra Maestra ao lado de Raul, e muitos outros episódios de uma bela vida. Quero aqui para concentrar-se na fatia da vida de Risquet Eu sei muito bem, quase de dentro: o papel desempenhado na África como representante de Fidel e da Revolução Cubana.
O caminho Africano de Risquet começou em julho de 1965, quando Fidel mandou-o chamar para colocá-lo na frente da coluna Cubana que foi enviado ao Congo Brazzaville. Eu não vou cansar o leitor. Eu só vou dizer que Risquet e sua coluna, cumprido plenamente as tarefas encomendado Fidel salvou o governo progressista do país em uma tentativa de golpe militar - e eles fizeram isso sem derramar uma única gota de sangue - que realizou a primeira campanha de vacinação contra a pólio na história do país, e os guerrilheiros do MPLA treinados. Não é criado pela primeira vez a relação entre Cuba eo MPLA.
Mas o nome Risquet para sempre associada com a história de Angola, mesmo que algumas pessoas querem esquecer o papel glorioso que Cuba desempenhou em Angola entre 1975, quando os primeiros soldados cubanos chegaram lá para defender o país da invasão sul-Africano (lançado conspiração com os EUA) até 1991, quando os últimos soldados cubanos voltaram à sua pátria. Risquet era o homem cotado para Angola Fidel e, como tal, teve de enfrentar não só os americanos, mas também para os soviéticos.
Enquanto escrevo isto, existem dois momentos que eu imediatamente vêm à mente.Primeiro, a descarga Risquet colocá-lo em Luanda, o general soviético Valentin Variennikov, o terceiro oficial mais graduado do Exército Vermelho em Dezembro de 1983. Eles se encontraram na sede da Missão Militar Cubana. "Depois da troca usual de cortesia, fomos direto ao ponto," Varennikov escreveu em suas memórias. "Risquet falou primeiro, e eu não se opôs, mas quando eu correspondia, comentou, como se em tom de brincadeira:". E pensar que eu ingenuamente pensei que eu iria falar primeiro porque eu sou convidado "Risquet disse: "Nós não consideramos um general soviético como um convidado com a gente."
O que Risquet disse, ele lança luz sobre as relações cubano-soviética em Angola e como os cubanos estavam lutando com os soviéticos.
Risquet começou por recordar que em Novembro de 1982, Andropov tinha dito a Fidel "que as nossas relações foram sempre livre. Honesto e leal. Ele disse algo que ele realmente gostava de Fidel, "Não pare de dizer a verdade, ou omitir a fim de evitar um momento desagradável." E nessa conversa [com você] ", disse ele Varennikov, vamos ajustar a esse princípio. Talvez com esta introdução estou anunciando a natureza da conversa que temos ".E a partir daí - falando em nome de Raul Castro - ele recebeu um choque para a estratégia errada que impulsionou missão militar soviética em Angola.
Ele fez isso com fina ironia, com inteligência e firmeza. Os cubanos expressaram a sua gratidão pela ajuda recebida da URSS, mas, quando necessário, eles foram informados de suas verdades para os soviéticos. Foi o que aconteceu durante a conversa com Varennikov."Eu disse há poucos dias sobre toda a amizade, toda a irmandade e fraternidade nos sentimos em relação à União Soviética", disse Risquet, "como vimos no exército soviético para nossos professores, nossos irmãos, eo que ele tinha significado para Cuba perícia militar soviética. Mas ele explicou que dentro destas relações fraternas que tivemos aqui, por vezes, diferenças de opinião. Nós gostaríamos de deixar, Exército companheiro geral, é claro que o comando militar cubana não deixar arrastar qualquer aventura. . ... Temos uma responsabilidade para a vida do nosso povo que podem ser perdidos em um inútil "Risquet concluiu:" Esteja absolutamente certo de que você, caro amigo General do Exército, que se os sul-africanos atacaram as linhas que defendemos, vamos lutar ferozmente, sem qualquer hesitação, mas sempre com a mesma firmeza que se recusam a comprometer uma vida cubana em que as operações equivocadas em conta, voluntarista e irreal. ... Agora acredita em mim, companheiro general do Exército, que é muito amargo para nós ter de nos expressar desta forma. Entendemos que você deve ser muito desagradável agora, você não tem nada a ver com isso ocorrendo. ... Nós temos [para você] que o sentimento de irmãos, mas compreendeu deve expressar tudo isso para que quando você voltar para a União Soviética tem plena e claramente os pontos de vista do nosso Ministro das Forças Armadas ".
Como Risquet sempre enfatizou quando ele falou comigo, o que ele estava fazendo era levar a cabo as instruções de Fidel e Raul, mas em execução não estava improvisando alto comando político da revolução cubana. Mas o que ele fez foi que contornado com uma inteligência, brilho e eloquência.
E essa eloqüência, inteligência e brilhantismo caracterizado o desempenho dos Risquet quando ele era chefe da delegação cubana nas negociações cuatripartidas 1988 (entre a África do Sul, EUA, Cuba e Angola) para alcançar a paz no sudoeste da África. O encontro decisivo foi a reunião no Cairo no final de junho de 1988. Na época, tropas cubanas já tinha estancou o ataque Sul-Africano contra Cuito Cuanavale, no sudeste Angola e agora, no sudoeste, colunas cubanas foram avançados em direcção à fronteira da Namíbia - e eles foram muito perto dela, e para os GAI cubanos voando nos céus do norte da Namíbia.
A reunião do Cairo foi a última reunião em que os sul-africanos chegaram com suas exigências absurdas: a retirada simultânea das tropas sul-Africano e cubanas de Angola, o governo de unidade nacional entre o MPLA e Savimbi, em Luanda, e, em seguida, ser deixada para qualquer discussão sobre a independência da Namíbia. Estas exigências eram absurdas porque Cuba, como Raul disse que alguns dias antes da reunião do Cairo, havia virou o jogo em cima delas Sul-Africano, tropas cubanas tinham ganhado superioridade sobre o exército e gringos Sul-Africano; e os sul-africanos sabia.
Risquet foi eloquente, apaixonada, um mestre na arte de sarcasmo, que dominou a sessão."Um documento órfão seriedade e realismo, tal como apresentado pelo governo da RSA é uma piada", disse ele, referindo-se à declaração dos requisitos do Sul Africano. "A era das aventuras militares, os ataques impunes, massacres de refugiados como a Cassinga, em 1978 e atos semelhantes contra o povo irmão de Angola, que era acabou. ... África do Sul deve entender que não vai entrar em mesa de negociações o que não tem sido capaz de obter no campo de batalha. ... Como se ele fosse um exército conquistador em vez do que é na verdade um exército agressor, espancado e retirada discreta, os sul-africanos pediram no seu documento o número exato de tropas cubanas em Angola e os locais onde estes são deslocado. Por razões óbvias, este não é um fato que deve unilateralmente entregue à outra parte em qualquer conflito. Cabria alternativa de tentar fazer uma verificação no local pela informação do partido requerente. "
Após a reunião, o chefe da delegação dos EUA, secretário de Estado adjunto para a África Chester Crocker, solicitou uma reunião com Risquet. Crocker parecia acreditar que uma virtude necessária para um diplomata americano foi arrogância. Ele foi usado para tratar os angolanos como pouco, com altivez. Mas agora ele enfrentou um cubano, um representante de Fidel Castro, cujos soldados estavam se movendo em direção à fronteira com a Namíbia.Para os sul-africanos e americanos, a grande questão era se os cubanos parar na fronteira?Para descobrir, onde Crocker foi Risquet. "Uma questão que se coloca é esta", disse ele, "? Cuba tem a intenção de deter seu avanço na fronteira entre a Namíbia e Angola" Risquet respondeu: "Eu não posso lhe dar essa resposta. Eu não posso dar-lhe uma meprobamate você ou para os sul-africanos ... Eu não disse que eles não vão parar ou que eles vão parar ... Compreenda-me bem, eu não estou ameaçando. Se eu lhe disser que vai parar, eu estaria dando um meprobamate, um Tylenol, e nem mesmo quer ameaçar ou eu quero dar um calmante ... O que eu disse é que apenas os acordos sobre a independência da Namíbia pode dar garantias "
Alguns em Cuba criticado porque Risquet tinha falado muito difícil de gringo. De fato, há momentos em que você tem que falar baixinho - mas há outros que o melhor remédio é fazer com que difícil, e Risquet percebido, muito corretamente, que este era o tempo, porque só o temor do avanço vitorioso das tropas cubanas na Namíbia obrigar os EUA e África do Sul a aceitar as justas demandas de Angola e Cuba. E assim foi. Comentando sobre a reunião, e Risquet, Crocker, lamentou em um cabo para seu governo: "Descubra o que os cubanos é uma forma de arte. Eles estão preparados para guerra e paz ... Temos assistido a uma grande finesse tático e movimentos genuinamente criativos na mesa. Isto tem como pano de fundo grandioso fanfarronice e projeção de força exército sem precedentes de Castro no campo ".
Verdadeiros, executando instruções Risquet Fidel e Raúl -, mas fez bem !! E agora isto, o homem generoso nobre, dedicada à revolução e seus líderes morreu. Cuba perdeu um grande homem. E eu, eu perdi o meu irmão.
Professores-políticos dos professores Tropa.  Da esquerda Raul Castro, Vilma Espin, José Jorge Risquet e Nivaldo Causse.  Foto: Cortesia de Asela de los Santos / Juventud Rebelde
Professores-políticos dos professores Tropa. Da esquerda Raul Castro, Vilma Espin, José Jorge Risquet e Nivaldo Causse. Foto: Cortesia de Asela de los Santos / Juventud Rebelde.
Juan Almeida Bosque, Nelson Mandela e Jorge Risquet na Namíbia.  Foto: Arnaldo Santos
Juan Almeida Bosque, Nelson Mandela e Jorge Risquet na Namíbia. Foto: Arnaldo Santos.
Risquet e Presidente angolano José Eduardo dos Santos, em Luanda, fevereiro de 2014. Foto: Jornal de Angola
Risquet e Presidente angolano José Eduardo dos Santos, em Luanda, fevereiro de 2014. Foto: Jornal de Angola.
Risquet sempre com os povos da África.  Foto: Life
Risquet sempre com os povos da África. Foto: Life.
Julio Camacho Aguilera e Jorge Risquet Valdés participou da cerimônia para o 60º aniversário do assalto ao Quartel Moncada.  Foto Ismael Francisco / Cubadebate
Julio Camacho Aguilera e Jorge Risquet Valdés participou da cerimônia para o 60º aniversário do assalto ao Quartel Moncada. Foto Ismael Francisco / Cubadebate.
Risquet com Antonio Paulo Kassoma, chefe do Parlamento angolano, em Havana, 2011. Foto: Rádio Rebelde
Risquet com Antonio Paulo Kassoma, chefe do Parlamento angolano, em Havana, 2011. Foto: Rebel Radio.
Junto com um comandante angolano e um conselheiro militar soviético durante o conflito em Angola
Junto com um comandante angolano e um conselheiro militar soviético durante o conflito em Angola.
Jorge Risquet.  Foto: Calixto N. Llanes
Jorge Risquet. Foto: Calixto N. Llanes.
Jorge Risquet com Piero Gleijeses em Cuba durante a apresentação do livro mais recente pelo historiador americano.  derrecha para Ricardo Alarcon, julho de 2015. Foto: Orlando Perera
Jorge Risquet com Piero Gleijeses em Cuba durante a apresentação do livro mais recente pelo historiador americano. derrecha para Ricardo Alarcon, julho de 2015. Foto: Orlando Perera.
F: CubaDebate

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Entrevista colectiva com o Presidente Bashar Al-Assad


Entrevista colectiva com o Presidente Bashar Al-Assad

Russia Today, Pervy Kanal, Rossiya 24, NTV, Rossiya Segodnia, TASS e Interfax y Rossíyskaya Gazeta
28.Set.15 :: Outros autores
Nesta entrevista a meios de comunicação russos, o presidente da Síria, Bashar al-Assad explica de onde provém a crise síria e a dos refugiados, as razões porque não há consenso com a oposição enquanto houver derramamento de sangue no país, e apela à união de todas as forças para a luta contra o terrorismo. Além disso, revela a responsabilidade do Ocidente pelo apoio e o financiamento desses grupos terroristas, criados para difundir a sua «venenosa» ideologia.


Meios de comunicação: Senhor presidente, em nome dos meios de comunicação da Rússia RT, Pervy Kanal, Rossiya 24, NTV, as agências noticiosas russas Rossiya Segodonia, TASS e Interfax e “Rossíyskaya Gazeta” damos-lhe as boas-vindas, e agradecemos a oportunidade de lhe falar neste difícil período da crise síria.
Há muitas perguntas sobre o rumo do processo político de paz na Síria. Qual é a situação última da luta contra o Estado Islâmico? Qual é a situação do grande número de refugiados sírios, tema que tem dominado os meios de comunicação europeus?
A crise síria em breve completará 5 anos. Apesar de todas previsões dos líderes ocidentais de que a sua saída estava para breve, o senhor continua a ser o presidente da Síria. Recentemente, houve uma vaga de especulações devido a notícias de reuniões de altos funcionários do seu Governo com os opositores da Arábia Saudita. Isto induziu à formulação da hipótese de que começava uma nova etapa na Síria. No entanto, a posterior declaração de Riad, que continua a insistir na sua saída do poder, mostra que quase nada mudou, apesar das ameaças e desafios que grupos como o Estado Islâmico (EI) apresentam especificamente para as regiões remotas da fronteira síria.
Assim, qual é a sua posição sobre o processo político? Que opinião tem sobre a ideia de partilhar o poder e trabalhar em conjunto com os grupos de oposição que continuam a declarar abertamente que não há solução na Síria sem a sua imediata saída do poder? Deram mostras de estarem dispostos a trabalhar com o senhor e o seu governo? Também sabemos que, desde o começo da crise, muitos destes grupos exigiam que procedesse a reformas e transformações políticas. No entanto, é possível fazer estas alterações agora com a actual situação de fundo, a guerra em curso e a propagação do terrorismo na Síria?
Presidente Bashar Al-Assad: Permitam-me que responda por partes, já que são diversas questões. Quanto à primeira parte das perguntas sobre o processo político, desde o começo da crise que temos estado a favor do diálogo. Houve várias rondas de negociações na Síria, Moscovo e Genebra. De facto, a única ronda de negociações em que houve êxitos foi na segunda ronda em Moscovo. Não em Genebra nem na primeira em Moscovo. Mas, ao mesmo tempo, este passo foi incompleto. O que é natural, pois trata-se de uma crise em larga escala. Não é possível encontrar uma solução num par de horas ou dias. No entanto, é um passo em frente e estamos à espera de uma terceira ronda de diálogos em Moscovo. Creio que, simultaneamente com a luta contra o terrorismo deve continuar o diálogo entre as partes e formações políticas sírias, para chegarem a uma opinião unânime sobre o futuro do nosso país. Temos de continuar a avançar nesta direcção.
Respondendo agora à segunda parte das suas questões sobre a possibilidade de progresso, tendo em conta a propagação do terrorismo na Síria, no Iraque e na região no conjunto, como já antes assinalei, devemos continuar o diálogo com o objectivo de alcançar um consenso. No entanto, se queremos ter êxito, isso não será possível enquanto morrerem pessoas, enquanto se derramar sangue e enquanto as pessoas não se sentirem completamente seguras e fora de perigo. Suponhamos que tínhamos sido capazes de negociar com os partidos e forças políticas sobre questões económicas e políticas, sobre ciência, sanidade ou qualquer outro assunto. Mas, como é que podemos implementar esses acordos, se a questão prioritária para cada cidadão sírio é a segurança? Por isso, podemos chegar a um consenso, mas não podemos levar nada a cabo enquanto não derrotarmos o terrorismo na Síria.
Temos que superar o terrorismo e não apenas o do EI. Estou a falar de terrorismo porque há muitas organizações, principalmente o EI e a Frente al Nusra que o Conselho de Segurança da ONU declarou como terroristas. Isto quanto às questões do processo político.
Quanto à separação dos poderes, já se levou a cabo com parte da oposição que a aceitou. Há uns anos passaram a fazer parte do Governo. Apesar de a divisão de poderes estar regulada pela Constituição e a eleições, sobretudo as parlamentares, e naturalmente na medida em que estas forças representam o povo, por causa da crise tomámos a decisão de partilhar o poder agora para dar um passo em frente, sem nos centrarmos na eficácia de tal decisão.
Sobre o problema dos refugiados, quero dizer que a postura do Ocidente e a campanha mediática levada a cabo, sobretudo na última semana [N.do T.: semana de 7 a 13 de Setembro de 2015], diz que estas pessoas estão a fugir do Governo sírio, que os meios de comunicação ocidentais referem como o “regime”. No entanto, por um lado os países ocidentais choram pelos refugiados e por outro apontam-lhes a mira de uma pistola. O que acontece é que estas pessoas abandonaram, de facto, a Síria, principalmente por culpa dos terroristas e por medo da morte e pelas consequências do terrorismo. Em condições de terror e destruição da infra-estrutura não é possível satisfazer as necessidades mais básicas. Como resultado as pessoas fogem do terrorismo e procuram uma oportunidade de ganhar a vida em qualquer outra parte do mundo. O Ocidente lamenta os refugiados, mas ao mesmo tempo apoia os terroristas desde o começo da crise.
Originalmente, o Ocidente denominou os acontecimentos sírios de “protestos pacíficos”, depois de “actuações da oposição moderada” e agora admite a existência de terrorismo sob o nome de EI ou de Frente al Nusra, mas atribui a culpa ao Governo sírio, o “regime” sírio e o presidente sírio. Enquanto continuarem com esta linha de propaganda, não terão outro remédio senão aceitar mais refugiados. A questão não é se a Europa deve ou não acolher os refugiados, mas a necessidade de abordar as causas fundamentais do problema. Se os europeus se preocupam com o destino dos refugiados, deixem de apoiar os terroristas. É a nossa opinião sobre este assunto. Esta é a raiz do problema dos refugiados.
Meios de comunicação: Senhor presidente, já abordou o tema da oposição interna síria na sua primeira resposta. No entanto, queria voltar a ele porque é muito importante e muito interessante para a Rússia. Diga-nos, por favor, o que é que a oposição interna síria tem que fazer para cooperar de alguma forma com o Governo e apoiá-lo na sua luta? O que dizem e que querem fazer de um modo geral? Com é que o senhor avalia as perspectivas de uma terceira ronda de diálogos em Moscovo e em Genebra? Dada a situação, será benéfico para a Síria?
Presidente Bashar Al-Assad: Como sabem, estamos numa guerra contra o terrorismo, que conta com o apoio de forças externas. Isto significa que que se está a travar uma guerra total. Creio que em qualquer sociedade, qualquer patriota, qualquer partido que nestas condições que representem o povo se devem unir contra o inimigo comum – independentemente de se tratar de terrorismo interno ou externo. Se hoje perguntarmos a qualquer sírio o que que é que agora quer, a primeira resposta será segurança e estabilidade para todos. Portanto, nós, como forças políticas, tanto dentro como fora do Governo, estamos obrigados a consolidar-nos à volta dos problemas do povo sírio. Isto significa que, em primeiro lugar, devemos unir-nos contra o terrorismo. Isto é óbvio e lógico.
Por isso digo que as forças políticas, o Governo ou os grupos armados ilegais que lutavam contra o Governo devem unir-se para lutar contra o terrorismo. E isto já sucedeu: alguns grupos que antes lutavam contra o Governo sírio e agora lutam ao nosso lado contra o terror. Neste sentido já foram tomadas algumas medidas, no entanto, gostaria de aproveitar o nosso encontro de hoje para fazer um apelo a todas as forças para se unirem na luta contra o terrorismo, visto que esta é uma forma de alcançar os objectivos políticos traçados pelos sírios, através do diálogo e do processo político.
Meios de comunicação: E quanto à terceira ronda de diálogo em Moscovo e Genebra, acredita que é uma via prometedora?
Presidente Bashar Al-Assad: A importância da terceira ronda em Moscovo será uma plataforma preparatória para a terceira ronda de Genebra. O co-patrocínio internacional do encontro de Genebra não foi imparcial, enquanto a Rússia age neste assunto de forma imparcial e rege-se pelos princípios da legitimidade internacional e de acordo com a resolução do Conselho de Segurança da ONU.
Além disso, existem discrepâncias de princípio sobre o Governo de transição na declaração de Genebra. É necessário que na terceira ronda em Moscovo se resolvam as referidas controvérsias entre as diferentes forças na síria para chegar à terceira ronda em Genebra já com uma estratégia consolidada. Isto criará condições para o êxito da terceira ronda em Genebra. Acreditamos que Genebra 3 dificilmente terá êxito se não se tiver êxito em Moscovo 3. Por isso apoiamos a realização do encontro em Moscovo depois de finalizar com êxito a preparação para este fórum, o que depende fundamentalmente da parte russa.
Meios de comunicação: Senhor Presidente, queria continuar com o tema do apoio estrangeiro à solução da crise síria. Neste contexto quero perguntar-lhe: é evidente que depois da se ter solucionado o problema nuclear iraniano, Teerão desempenhará um papel cada vez mais activo nos assuntos da região. Neste sentido, como avalia as últimas iniciativas iranianas para a normalização da situação na Síria? E em geral, que importância tem para o senhor o apoio de Teerão? Há, por exemplo, apoio militar? Se existe, como é?
Presidente Bashar Al-Assad: Actualmente não há nenhuma iniciativa concreta por parte do Irão. No entanto, existem ideias preliminares e princípios, fundamentados no princípio da soberania da Síria e desde logo na decisão do povo sírio, bem como na luta contra o terrorismo. Naturalmente as relações entre o Irão e a Síria têm uma longa história e contam mais de 35 anos. Une-nos uma relação de aliados e uma grande confiança mútua. Por isso acreditamos que o Irão desempenha um importante papel.
O Irão defende a Síria e o seu povo. Este país apoia o Estado sírio política, económica e militarmente. Quando falamos de apoio militar não se trata do que alguns meios de comunicação ocidentais tentam fazer crer como o envio para a Síria de grupos militares iranianos: é mentira. Teerão fornece-nos material de guerra. Daí, mantermos um intercâmbio de especialistas militares entre a Síria e Irão, mas este intercâmbio sempre existiu. Naturalmente, este tipo de cooperação bilateral intensifica-se em tempo de guerra. Sim, a ajuda de Teerão é um elemento chave que contribui para a solidez da Síria nesta guerra difícil e bárbara.
Meios de comunicação: Dentro da nossa conversa sobre os factores regionais e actores regionais, o senhor falou há pouco sobre a coordenação com o Cairo na área da segurança e da luta contra o terrorismo e disse que os dois países estão do mesmo lado da barricada na luta contra o terrorismo. Que relações tem hoje com o Cairo, onde existem varias estruturas opositoras? São contactos directos ou com intermediação russa, sobretudo considerando o carácter estratégico das relações russo-egípcias? O presidente Al Sisi é um convidado hoje esperado em Moscovo.
Presidente Bashar Al Assad: As relações entre a Síria e o Egipto nunca se interromperam, inclusive anteriormente com o presidente Mohammed Morsi, que pertence à organização terrorista dos Irmãos Muçulmanos. Apesar disso, vários organismos egípcios insistiam em manter as relações num nível mínimo. Isso explica-se, em primeiro lugar, por os egípcios se darem conta do que se está a passar na Síria. A segunda razão é que a luta que hoje temos é uma luta contra um inimigo comum. Isso é hoje uma evidência para todos, porque o terrorismo se difundiu na Líbia, Egipto, Iémen, Síria, Iraque e nalguns outros países muçulmanos, entre os quais países islâmicos como o Afeganistão, o Paquistão e outros. É por isso que agora posso dizer que temos uma visão comum com o Egipto.
Mas neste momento só temos relações a nível dos órgãos de segurança. Não existem relações a nível político, por exemplo não existe qualquer contacto entre os ministérios de Assuntos exteriores dos dois países. Só existe cooperação entre os organismos de segurança.
Há também que ter em conta que tanto sobre o Cairo como sobre o Egipto é possível fazer pressão para evitar que estejamos solidamente unidos. Como é evidente estes contactos não se realizam através de Moscovo, tal e como pressupôs nas suas perguntas. As relações nunca se romperam, no entanto, hoje, agrada-nos ver que as relações entre a Rússia e o Egipto estão a melhorar. Ao mesmo tempo, Damasco e Moscovo estão unidos por boas relações históricas e sólidas. É natural que a Rússia esteja contente com qualquer avanço no desenvolvimento das relações sírio-egípcias.
Meios de Comunicação: Senhor presidente, permita-me que regresse ao tema da luta contra o terrorismo. Como considera a ideia de criar uma zona livre de terroristas do Estado Islâmico no norte do país, nas fronteiras com a Turquia? Neste contexto, como comentaria o senhor a cooperação indirecta do Ocidente com organizações como a Frente al Nusra e ouros grupos radicais? E com quem estaria o senhor disposto a lutar contra os terroristas do Estado Islâmico?
Presidente Bashar Al-Assad: Se dizemos que nas fronteiras com a Turquia não haverá terroristas, isso significa que tem de os haver noutras regiões. Para nós, essa retórica é inadmissível. O terrorismo deve ser eliminado em todos os lugares. Há mais de trinta anos que exortamos a criar uma aliança internacional para combater o terrorismo. Quanto à cooperação do Ocidente com a Frente al Nusra, isso é um facto concreto. Todos sabemos que tanto a Frente al Nusra como o Estado Islâmico são abastecidos com armas, dinheiro e voluntários pela Turquia, que mantém estreitas relações com o Ocidente. Tanto o presidente Recep Erdogan como o primeiro-ministro Ahmeed Davutoglu não dão um único passo sem o coordenarem, em primeiro lugar com os EUA e com outros países ocidentais. Tanto a Frente al Nusra como o Estado Islâmico devem o seu crescimento de poder na região ao proteccionismo do Ocidente, que considera o terrorismo como um joker que, periodicamente, tira da manga para o utilizarem. Hoje eles querem usar a Frente al Nusra contra o Estado Islâmico, o pode ser por de alguma forma o Estado Islâmico lhes ter saído do controlo. Mas isto não quer dizer que queiram liquidar o Estado Islâmico. Se quisessem já o teriam feito. Para nós o Estado Islâmico, a Frente al Nusra e outros grupos armados idênticos que assassinam população civil são extremistas.
Com quem é que se pode dialogar? Esta é uma pergunta de extrema importância. Desde o princípio que temos dito que estamos dispostos a qualquer diálogo, se este puder diminuir a ameaça terrorista e, por consequência, levar a uma maior estabilidade. Naturalmente que me refiro às forças políticas. Apesar disso temos dialogado com alguns grupos armados e temos chegado a acordos, graças aos quais se estabeleceu a paz em certas zonas problemáticas. Noutras ocasiões os paramilitares juntavam-se ao exército sírio. Agora combatem tal como os outros e sacrificam a sua vida em nome da pátria. Isto é, dialogamos com todos, excepto os que mencionei (o Estado Islâmico e a Frente al Nusra e grupos idênticos) por uma simples razão: estas organizações baseiam-se na ideologia do terror. Não são simplesmente organizações que se rebelaram contra o Estado como algumas outras. Não! Alimentam-se de ideias terroristas. Por isso o diálogo com eles não conduziria a nenhum resultado sério. É preciso combate-los e acabar com eles. Não pode haver nenhum diálogo com eles.
Meios de comunicação: Falando sobre os parceiros regionais, com quem está o senhor disposto a colaborar na luta contra os terroristas?
Presidente Bashar Al-Assad: Naturalmente que colaboramos com países amigos, antes de todos com a Rússia, o Irão e também com o Iraque, que luta contra o terrorismo tal como nós. Quanto aos outros Estados estamos abertos a todos os que tenham a firme decisão de lutar contra o terrorismo. No caso da chamada coligação contra o terrorismo e contra o Estado Islâmico liderada pelos Estados Unidos não lhe conhecemos essa determinação. A realidade é que apesar de esta coligação ter começado as suas operações, o Estado Islâmico continua a sua expansão. Não conseguem fazer nada. Esta coligação não influencia de maneira nenhuma a situação “no terreno”. Ao mesmo tempo, países como a Turquia, Quatar, Arábia Saudita, e também a França, os Estados Unidos e outros países ocidentais que apoiam os terroristas não podem combater o terrorismo. Não se pode simultaneamente estar contra os terroristas e do seu lado. No entanto, se estes países decidirem mudar a sua política (atenção que o terrorismo é como um escorpião, quem o mete no bolso seguramente vai ser picado) não recusaremos colaborar com eles sempre que seja uma verdadeira coligação antiterrorista e não uma farsa.
Meios de comunicação: Qual é o estado do exército sírio. As forças armadas do país já estão há mais de quatro anos a combater. Estão exangues ou os combates só as consolidam? Ainda há reservas para reforçar a sua actividade? E uma outra pergunta muito importante: disse que os seus ex-inimigos e os ex-inimigos do exército sírio se tinham passado para o seu lado e agora estão a lutar no exército do governamental. São muitos e em que medida ajudam no combate aos radicais?
Presidente Bashar Al-Assad: Qualquer guerra é um mal. Qualquer guerra é destrutiva, debilita a sociedade e o exército, por mais rico e forte que seja o país. No entanto não é um factor determinante porque tudo tem o seu lado positivo. A guerra deve consolidar a sociedade perante o inimigo e quando o país sofre uma agressão, o exército converte-se no símbolo mais importante de cada povo. O povo cuida do exército, presta-lhe todo o apoio necessário, incluindo os recursos humanos como voluntários e recrutas para que defendam a pátria. Ao mesmo tempo, a guerra dá às forças armadas uma grande experiência em operações militares. Por outras palavras, há sempre aspectos positivos e negativos. Não se pode colocar como pergunta: o exército debilitou-se ou tornou-se mais forte? Graças ao apoio popular há voluntários que entram no exército. Quanto à sua pergunta, se ainda há recursos posso dizer: Claro. Se o exército não tivesse recursos tinha sido impossível aguentar quatro anos e meio de uma guerra extremamente difícil, sobretudo contra o nosso actual inimigo, que tem recursos humanos ilimitados. Na Síria combatem terroristas de mais de 80 ou 90 países do mundo. Ou seja, o inimigo conta com o apoio de milhões de pessoas de diferentes países que os enviam para lutar no lado terrorista. Quanto ao exército, os nossos recursos são antes de mais sírios. Sim, temos recursos que nos permitem continuar a defender o país, Assim, temos recursos porque estes não se limitam aos recursos humanos. Também há a vontade.
E actualmente, a nossa vontade de lutar de defender o nosso país dos terroristas é mais forte que nunca. Foi precisamente esta situação que fez com que alguns paramilitares que no princípio, por uma razão ou por outra, estavam contra o Estado sírio, entenderam que estavam enganados e decidiram unir-se às forças estatais. Agora estão a lutar juntamente com o exército. Uns juntaram-se às forças armadas, outros colaboram com as forças armadas em diferentes regiões da Síria.
Meios de comunicação: Senhor presidente, a Rússia está há 20 anos a lutar contra o terrorismo. Este pode ter diferentes formas mas parece que agora os senhores o estão a enfrentar cara a cara. O mundo vê um novo modelo de terrorismo. No território ocupado, o Estado Islâmico estabelece tribunais, administrações. Há indicações de que se dispõem a emitir a sua própria moeda. Isto é, aparecem alguns aspectos formais de um Estado e isto talvez seja um dos factores que atraem cada vez mais simpatizantes de diferentes países. Podiam explicar-nos, enfim, contra quem estão os senhores a lutar? Trata-se de um enorme grupo terrorista ou talvez de um novo Estado que procura alterar radicalmente as fronteiras da região e do mundo em geral? O que é agora o Estado islâmico?
Presidente Bashar Al-Assad: Como o senhor disse, o grupo terrorista – Estado Islâmico – tenta tomar a forma de Estado para atrair para as suas fileiras a maior quantidade de voluntários que vivem das ilusões do passado, sonham com a criação de um Estado Islâmico que exista apenas graças à religião. Esta é uma abordagem idílica que não tem nada a ver com a realidade, é um equívoco. Um Estado não pode sair do nada e depois exigir que a sociedade o aceite. O Estado é o resultado do desenvolvimento natural da sociedade, a sua imagem ou cópia, ainda que nem sempre seja exacta. Não se pode criar um Estado alheio e obrigar a sociedade a aceitá-lo Aqui nasce a pergunta: o Estado Islâmico ou o assim denominado EI tem alguma coisa em comum com o povo sírio? Naturalmente que não! Temos grupos terroristas, mas eles não definem o carácter da nossa sociedade. Na Rússia também há grupos terroristas e também não são o reflexo da sociedade russa, não tem nada a ver com a sua diversidade e o seu carácter sincero. O facto de tentarem imprimir o seu dinheiro, selos, expedir passaportes e adquirir outro tipo de atributos do Estado, isso não significa que sejam um Estado. Em primeiro lugar não têm nada em comum com o povo, em segundo lugar, as pessoas que vivem em territórios ocupados por eles agora fogem para um verdadeiro estado, a sua pátria, ou lutam contra eles de armas na mão. E apenas uma minoria acredita nas suas mentiras. Eles não são um Estado, mas sim um grupo terrorista. Vejamos quem eles são realmente. Eles são a terceira vaga de organizações políticas criadas pelo Ocidente para difundir a sua venenosa ideologia. Perseguem fins políticos. A primeira vaga, no início do século passado trouxe os Irmãos Muçulmanos. A segunda vaga a Al Qaeda, que tutou contra a URSS no Afeganistão. E a terceira onda são o Estado Islâmico, a Frente Al Nusra e outras organizações semelhantes. O que são o Estado Islâmico e outros grupos desta índole? São um projecto extremista do Ocidente.
Meios de comunicação: Senhor presidente, desde o começo da crise síria surgiram mais polémicas sobre o povo curdo. Inclusive, antes, os senhores que representam o Damasco oficial receberam fortes críticas pela sua atitude em ralação à minoria curda. No entanto agora as unidades curdas converteram-se praticamente em seus aliados militares nalgumas operações contra o Estado Islâmico. Já têm uma posição clara sobre isso? Quem são os curdos para os senhores e quem são os senhores para os curdos?
Presidente Bashar Al-Assad: Em primeiro lugar não é correcto dizer que o Estado tinha uma determinada política relativa aos curdos, porque um Estado não pode discriminar alguns dos seus cidadãos: isto pressuporia a divisão do país. Se tivéssemos realmente feito uma política discriminatória na sociedade, a maior parte não estaria ao lado do Governo e o país ter-se-ia dividido desde o início. Consideramos os curdos parte da sociedade síria, não são estranhos, vivem nesta terra, tal como os árabes, os circassianos, os arménios e muitas outras nações e confissões religiosas que convivem na Síria desde tempos remotos. Não sabemos quando algumas destas nações apareceram na região. Mas sem estes componentes não haveria na Síria uma sociedade monolítica.
Ora bem, pergunta-me se os curdos são nossos aliados. Não, eles são patriotas.
E aqui não pode haver generalizações: como qualquer outro integrante da sociedade síria, os curdos dividem-se em varias tendências, pertencem a distintas tribos e partidos políticos de esquerda e de direita, e diferem ainda noutras coisas. Isto é, se falamos dos curdos como um todo não estamos a ser objectivos. Alguns partidos curdos colocam algumas questões, no entanto não representam todos os curdos. Há curdos que se adaptaram totalmente à sociedade e gostaria de sublinhar que nesta etapa não apenas são nossos aliados como alguns os têm tentado definir. É que no nosso exército, entre os nossos heróis caídos há muitos curdos. Isso quer dizer que os curdos vivem em harmonia na nossa sociedade. Por outro lado, temos partidos curdos que colocam diferentes exigências, e satisfizemos algumas no início da crise. Mas também há outras questões que nada têm a ver com o Estado e que o Estado não pode satisfazer. Estas questões são da competência do povo e da Constituição. Para as resolver é necessário que o povo aceite estas exigências antes que nós, como estado, tomemos a correspondente decisão.
Em todo o caso, qualquer assunto deve ser considerado no âmbito nacional. Por isso eu digo: agora, nós temo-nos unido com os curdos e com os outros membros da sociedade para lutar contra os terroristas. Há pouco falei deste tema: é nossa obrigação unirmo-nos com o fim de opormos resistência ao Estado Islâmico. Uma vez que acabemos com o Estado Islâmico, a Frente al Nusra e outros grupos terroristas podemos falar das reivindicações dos curdos e de alguns partidos curdos no âmbito nacional.
Portanto, aqui não há nenhum tema proibido para sempre, e quando se coloque no quadro do Estado sírio unido, do povo e das fronteiras, desenvolve-se de acordo com o espírito de luta contra o terrorismo e a liberdade da diversidade étnica, religiosa e confessional do nosso país.
Meios de comunicação: Senhor presidente, respondeu parcialmente a esta pergunta mas no entanto queria concretizar. Certas forças curdas na Síria exigem, por exemplo, mudar a Constituição, introduzir um comando local até à criação de um Estado curdo autónomo nos territórios do norte. Hoje ouve-se este tipo de declarações, quando os curdos lutam com êxito contra o Estado Islâmico. O senhor está de acordo com estas declarações? Poderão os curdos considerar e esperar um tal tipo de gratidão? Pode-se falar disto?
Presidente Bashar Al-Assad: Quando defendemos o nosso país não esperamos que nos agradeçam porque é um dever natural. Se alguém merece agradecimentos é cada cidadão sírio que defende a sua pátria. Mas considero que defender a pátria é um dever. Quando se cumpre com o dever não se espera agradecimentos. Mas o tema que o senhor referiu no princípio está estreitamente ligado à Constituição síria. Se o senhor, por exemplo, deseja mudar o sistema constitucional do seu país, a Rússia, e fazer uma nova divisão territorial-administrativa ou conceder a certas regiões da Federação Russa poderes diferentes aos concedidos a outras regiões, isso não compete ao Governo mas à Constituição. O presidente não é o dono da Constituição, tal como o Governo. A Constituição pertence ao povo. Consequentemente, qualquer alteração da Constituição exige um diálogo nacional. Como já disse, o Estado sírio não se opõe a nenhum tipo de exigências sempre e quando estas não ameaçarem a integridade da Síria, a liberdade dos seus cidadãos e a diversidade nacional. Se alguma parte, grupo ou camada da sociedade tem alguma exigência, estas têm sempre de estar dentro dos marcos nacionais, e em diálogo com as outras forças sírias. Quando o povo sírio acorda em dar os passos relacionados com a federalização, descentralização, introdução de controlo autónomo ou uma reforma completa do regime político. Então isso requer um consenso comum na posterior introdução de alterações na Constituição e a realização de um referendo. Por isso esses grupos devem convencer o povo sírio com a argumentação das suas sugestões, já que a suas iniciativas não devem ser um diálogo com o Estado mas com o povo. Pela nossa parte, quando o povo sírio decidir avançar numa determinada direcção, nós, naturalmente, aceitamo-lo.
Meios de comunicação: Já há mais de um ano que a coligação dos Estados Unidos promove ataques no território sírio. Além disso actuam nos mesmos territórios em que a Força Aérea Árabe Síria realiza os seus ataques às posições do Estado Islâmico. Apesar disso não houve nenhum problema entre a coligação liderada pelos Estados Unidos e a Força Aérea Árabe Síria. Existe algum tipo de coordenação directa ou indirecta entre o Governo sírio e a coligação dos EUA contra o Estado Islâmico?
Presidente Bashar Al-Assad: Surpreender-se-á, mas a resposta é não. Compreende que não lhe parece convincente; nós lutamos, se é que se pode dizer assim, contra um inimigo comum. Atacamos os mesmos objectivos e os mesmos lugares sem qualquer tipo de coordenação, e não tropeçamos uns nos outros. Pode parecer estranho, mas é a verdade. Entre o Governo , o Exército sírio e os Estados Unidos não há qualquer tipo de coordenação ou contacto. E é por esse motivo que não podem aceitar o facto de sermos nós a única força que luta contra o Estado Islâmico em terra. Do ponto de vista deles, talvez a cooperação com o Exército sírio fosse admitir o nosso verdadeiro confronto com o Estado Islâmico. Infelizmente, esta atitude reflecte a miopia e a teimosia da administração estado-unidense.
Meios de comunicação: Não há sequer uma colaboração indirecta? Através dos curdos, por exemplo? Digo isto porque, como é sabido, os Estados Unidos cooperam com os curdos; e os curdos, por seu lado, têm contacto com o Estado sírio. Quer dizer que não existe nenhuma coordenação indirecta?
Presidente Bashar Al-Assad: Não há um terceiro lado. No passado avisavam-nos através dos iraquianos antes de qualquer ataque. Desde então não temos contacto com eles, não trocamos mensagens através de outras partes.
Meios de Comunicação: Afastando-nos um pouco deste tema: o senhor viveu no Ocidente e durante algum tempo relacionou-se com outros líderes ocidentais que desde o início da crise apoiam persistentemente os grupos armados que o tentam derrubar. Como se sentirá se tiver que voltar a trabalhar como esses mesmos líderes e tiver que lhes estender a mão? Voltará a confiar neles?
Presidente Bashar Al-Assad: Em primeiro lugar não se trata de uma relação pessoal, mas de uma relação interestadual Quando falamos de relações entre países falamos de determinados mecanismos, não de confiança. A confiança é pessoal, qualquer coisa com que não se pode contar nas relações políticas entre pessoas. Eu sou responsável por 23 milhões de cidadãos da Síria e outra pessoa será responsável, digamo-lo assim, é responsável por dezenas de milhões de outras pessoas num outro país. Não se pode fazer com que o destino de dezenas ou centenas de milhões de pessoas dependa da confiança entre duas pessoas. Deve haver um mecanismo. Quando este existe, então pode falar-se de confiança. De uma outra confiança, não a nível pessoal. Em segundo lugar, a principal tarefa de qualquer político, Estado, primeiro-ministro ou presidente é trabalhar para o bem dos seus cidadãos e do seu país. Se um encontro ou um aperto de mãos com alguém pode beneficiar o povo sírio, eu sou obrigado a fazê-lo, agrade-me ou não. Não estamos a falar de mim, não falamos de se posso ou quero fazê-lo. Falamos dos benefícios que possam resultar daquilo que eu vá decidir. Sim, estamos dispostos a fazer tudo o que possa beneficiar o povo sírio.
Meios de comunicação: Continuamos a falar da luta contra o terrorismo e o Estado Islâmico. O presidente da Federação da Rússia Vladimir Putin apelou á criação de uma coligação regional para lutar contra o Estado Islâmico e é possível que as últimas visitas de alguns representantes árabes a Moscovo tenham a ver com isso. No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al Mualem, disse que para que isso aconteça é necessário um milagre. Refere-se, segundo Damasco, à coordenação na área da segurança com os Governos da Jordânia, Turquia e Arábia Saudita. Como vê este tipo de coligação? Acredita que possa dar resultados? Como já disse anteriormente, qualquer relação depende dos interesses. Está o senhor disposto a coordenaras suas acções com outros países? É verdade que houve reuniões entre funcionários sírios e sauditas, como foi informado por alguns meios de comunicação?
Presidente Bashar Al-Assad: A luta contra o terrorismo é um tema global e ambicioso que conta com aspectos culturais, económicos e militares, directamente relacionado com a segurança. Claro que em termos preventivos todos os outros aspectos são mais importantes que o militar e as questões de segurança. Hoje, no entanto, tendo em conta a realidade da luta contra o terrorismo, sobretudo quando enfrentamos não apenas grupos armados concretos, mas todo um exército terrorista que conta tanto com armamento ligeiro como pesado, e com milhares de milhões de dólares para o recrutamento de mais membros. Deve dar-se atenção em primeiro lugar ao aspecto militar e às questões de segurança.
Por isso, para nós é evidente que a coligação deve agir em diferentes direcções mas, sobretudo, deve lutar contra os terroristas “no campo de batalha”. É lógico que a dita coligação deve ser criada pelos países que acreditam na luta contra o terrorismo. Na situação actual é possível que uma mesma pessoa apoie o terrorismo e lute contra ele. É isso que agora fazem países como a Turquia, a Jordânia e a Arábia Saudita. Pretende ser uma parte da coligação antiterrorista que opera no norte da Síria, apesar de apoiarem o terrorismo no sul, no norte e no noroeste. Basicamente nas mesmas zonas em que lutam contra o terrorismo. Sublinho mais uma vez: se estes países decidirem voltar à atitude correcta, mudarem de opinião e decidirem lutar contra o terrorismo, pelo bem comum, então nós, naturalmente, aceitamo-los e cooperaremos com eles e outros Estados. Não temos uma posição, não pensamos em termos de passado. As relações políticas mudam com frequência; podem ser más e tornarem-se boas, ou um inimigo pode tornar-se aliado. É uma coisa normal. Com quem quer que seja cooperaremos na luta contra o terrorismo.
Meios de comunicação: Senhor presidente, actualmente está a verificar-se uma enorme deslocação de refugiados. Em grande medida esses refugiados são procedentes da Síria e dirigem-se para a Europa. Existe a ideia de que essas pessoas estão perdidas para a Síria, já que foram prejudicadas pelo Governo sírio, que não conseguiu protegê-las, e viveram-se obrigadas a abandonar as suas casas. Diga-me, por favor, como vê estas pessoas que se viram obrigadas a abandonar a Síria? Vê-os como parte de um potencial eleitorado sírio futuro? Tem impressão que estas pessoas vão regressar? E uma pergunta mais: que parte da culpa corresponde à Europa nesta fuga de refugiados que agora está a acontecer? Na sua opinião a Europa é culpada desta fuga?
Presidente Bashar Al-Assad: Quem quer que esteja a abandonar a Síria é, sem dúvida, uma perda para a pátria, independentemente da sua ideologia ou possibilidades. Naturalmente, com exclusão dos terroristas. Ou seja, estou a falar de todos os cidadãos menos dos terroristas. Por isso, para nós, esta emigração é uma enorme perda. Perguntou-me sobre as eleições. No ano passado houve eleições presidenciais na Síria. Nos países limítrofes, e no Líbano em primeiro lugar, havia muitos refugiados. Se acreditarmos na propaganda dos meios de comunicação ocidentais, todos eles fugiram do Governo sírio que os perseguia e matava. Apresentaram-nos como se fossem inimigos do Governo. E qual foi o assombro dos ocidentais quando viram como eles se dirigiram aos colégios eleitorais para depositar o seu voto para presidente, a favor de quem, supostamente, os estava a matar. Este foi um golpe muito sério para os propagandistas. Com o fim de organizar a votação no estrangeiro deviam verificar-se determinadas condições. Era necessário haver uma embaixada. O Governo sírio tinha de controlar o processo de votação. Tudo isso depende das relações com os países estrangeiros. Muitos Estados tinham cortado relações diplomáticas com a Síria e tinham encerrado as nossas embaixadas no seu território. Nestes Estados não foi possível fazer as eleições e os cidadãos tiveram que ir a outros países onde pode realizar-se a votação. Isto aconteceu o ano passado. Quanto à Europa, evidentemente que é culpada.
Agora a Europa procura mostrar o assunto como se a sua culpa fosse apenas não ter disponibilizado os meios necessários ou não ter podido garantir uma imigração organizada, razão pela qual os refugiados morriam afogados ao tentar atravessar o Mediterrâneo. Sentimos todas as vítimas inocentes, mas será que a vida dos que se afogam no mar é mais valiosa que a dos que morrem na Síria? Por que razão há-de a sua vida ser mais valiosa do que a dos que morrem degolados às mãos dos terroristas? Como é possível compadecerem-se do menino que morreu no mar e não reparar nos milhares de meninos, idosos, mulheres e homens que, na Síria, foram vítimas dos terroristas? Tornou-se evidente para todas as pessoas que esta vergonhosa moral de dois pesos e duas medidas dos europeus já não é aceitável. Não há qualquer lógica em sentir compaixão por algumas vítimas e ignorar todas as outras. Não existe entre elas nenhuma diferença substantiva. A Europa tem, desde início, grandes responsabilidades na medida em que apoiou e continua a apoiar e financiar o terrorismo. Ela qualifica terroristas como “oposição moderada” e faz distinção entre eles. Mas todos eles são extremistas.
Meios de comunicação: Se me permite, gostaria de voltar à pergunta sobre o futuro político da Síria. Senhor presidente, os seus opositores (e por tal entendo tanto os que se opõem ao poder de armas na mão como os seus adversários políticos) continuam a insistir que uma das mais importantes condições para chegar à paz é a sua retirada da arena política e a sua renúncia ao cargo de presidente. O que nos diz disto, não só como chefe do Governo, mas também como cidadão da Síria. Está o senhor – teoricamente – disposto a sair se tiver a sensação que é necessário?
Presidente Bashar Al-Assad: Acrescentarei uma coisa ao que disse: desde o princípio que a campanha do Ocidente estava dirigida a fazer crer que todo o problema estava na pessoa do presidente. E isso porquê? Porque queriam que houvesse a impressão de que o problema sírio se resumia a uma pessoa. Como consequência, a reacção natural das pessoas a esta propaganda era supor que se a questão é uma pessoa, de forma alguma esta pode colocar-se acima dos interesses nacionais, e deve sair, e neste caso tudo se solucionaria. É assim que o Ocidente simplifica a questão. No entanto, o que na realidade sucede na Síria é semelhante ao que vem acontecendo em toda a região.
Repare no que diziam os meios de comunicação ocidentais no princípio das revoltas da Ucrânia: para eles , o presidente Putin passou de amigo a inimigo do Ocidente, um czar, um ditador que reprime a oposição russa, que subiu ao poder de forma antidemocrática, pouco importando que tivesse sido eleito em eleições democráticas aceites pelo Ocidente. Hoje, para eles, isto já não é uma democracia. É assim a campanha informativa ocidental.
Diz-se que quando o presidente sair as coisas irão melhor, mas isso, de facto, o que é que significa? Para o Ocidente significa que enquanto eu continuar presidente eles continuarão apoiando o terrorismo, porque se converteu numa prioridade a alteração de dirigentes dos chamados “regimes” da Síria, da Rússia e de outros países. Isto porque o Ocidente não aceita parceiros nem Estados soberanos. A que se reduzem as suas aspirações sobre a Rússia, a Síria e o Irão? Trata-se de Estados soberanos. Gostariam de tirar uma pessoa e pôr outra no seu lugar que aja no interesse do Ocidente e não no da sua própria pátria. No que respeita ao presidente da Síria, chegou ao poder com o acordo do seu povo, através de um processo eleitoral e se sair, fá-lo a pedido do seu povo e não por decisão dos EUA, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, da Conferência de Genebra ou do memorando de Genebra. Se o povo deseja que fique, o presidente ficará e, no caso contrário, terá que sair sem perda de tempo. Esta é a minha postura quanto ao que a sua pergunta refere.
Meios de comunicação: Senhor Presidente Assad, o conflito bélico prolongou-se ao longo de mais de quatro anos. Com certeza que muitas vezes analisa tudo o que aconteceu e olha para o passado. Do seu ponto de vista, houve algum momento decisivo em que compreendeu que a guerra era inevitável? Quem pôs em marcha os mecanismos da guerra? A influência de Washington, os seus vizinhos do Médio Oriente ou os seus próprios erros? Há alguma coisa que lamenta e que alteraria se pudesse voltar atrás?
Presidente Bashar Al-Assad: Qualquer governo comete erros. Provavelmente acontecem todos os dias. Mas estes erros não são fatídicos, mas antes uma questão diária. Que erros puderam levar ao que aconteceu na Síria? Não é lógico. Talvez se surpreenda se lhe disser que dos acontecimentos prévios à crise síria, o mais decisivo foi a guerra de 2003 no Iraque, quando o país foi invadido pelos EUA. Nós estivemos totalmente contra essa guerra de agressão, pois entendíamos que a consequência dessa guerra era o desmembramento do Iraque em facções confessionais. A Oeste temos o Líbano, um país dividido por diferentes confissões. Nós compreendemos perfeitamente que tudo isso nos ia influenciar. Por isso é que a origem desta crise se encontra naquela guerra que desmembrou o Iraque na base de identidades religiosas; uma coisa que em parte também se verificou na Síria e que tornou mais simples a tarefa de, com discursos violentos, instigar as diferentes confissões da Síria.
Não tão decisivo como o anterior, outro acontecimento importante foi o apoio oficial que o Ocidente deu aos terroristas no Afeganistão, no princípio dos anos 80, a quem chamaram “combatentes da liberdade”. Mais tarde, em 2006, no Iraque tutelado pelos EUA apareceu o Estado Islâmico, que Washington não combateu de modo nenhum. Todos estes factores, em conjunto, criaram as condições para o começo das desordens apoiadas e financiadas pelo Ocidente e pelos Estado do Golfo Pérsico, especialmente o Catar e a Arábia Saudita, o apoio logístico da Turquia, pois temos que ter em conta que Erdogan pertence ideologicamente à organização dos Irmãos Muçulmanos, e por isso acredita que uma alteração na Síria, Egipto e Iraque significará a fundação de um novo sultanato, não otomano, mas pertencente aos Irmãos Muçulmanos, que se estenderá do Atlântico ao Mediterrâneo sob o mandato de Erdogan. Todos estes factores levaram à situação em que nos encontramos.
Uma vez mais sublinho que pode ter havido erros e fracassos, mas estes não explicam nada. Por que razão não se verificam revoluções nos países do Golfo Pérsico, especialmente na Arábia Saudita, que não faz a mínima ideia do que seja democracia? Creio que isto é lógico.
Meios de comunicação: Senhor presidente, agradecemos-lhe o tempo que nos dedicou e que tenha respondido a todas as nossas perguntas. Em Setembro o senhor celebra o seu 50º aniversário. Nas circunstâncias presentes o mais que podemos desejar-lhe é o regresso da paz e da tranquilidade o mas depressa possível às terras sírias. Muito obrigado.
Publicado originalmente em:
http://actualidad.rt.com/programas/entrevista/186031-entrevista-bashar-assad-presidente-siria
Tradução de José Paulo Gascão