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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Trabalhadores comemoram 60 anos da Liga Camponesa da Galileia


Galileia 1“Muita miséria, fome, analfabetismo, injustiça, pressão do patrão. Quando alguém chupava uma cana, ele [o patrão] obrigava a comer o bagaço. Os trabalhadores tinham que ficar três dias de graça pro patrão. Eram obrigados a comprar no barracão fiado; quando iam receber dinheiro, já tinham gastado tudo (…). Os camponeses precisavam sair dessa situação”. É assim que Zé Zito da Galileia (filho de Zezé da Galileia – José Joaquim da Silva, um dos fundadores da Liga Camponesa) descreve a situação dos arrendatários do Engenho Galileia, em Vitória de Santo Antão, a 50 km do Recife, onde, na década de 1950, viviam e trabalhavam cerca de 140 famílias.
“Tinha foreiro que só andava na roupa de casimira. Outros (coitados), a maioria, era tudo pé no chão. Não tinha nada. Um sofrimento doido. Eu mesmo trabalhava sete dias da semana”, relata Cícero Anastácio, de 82 anos, fundador da Liga Camponesa. E continua: “Tinha morrido um trabalhador aqui. Passou quatro dias dentro de casa… aqui atrás… um velhinho. Quatro dias e o dono do engenho não fez o enterro. Tava fedendo que tava juntando urubu”. João Virgílio foi quem fez o enterro. “Ele pediu na prefeitura e a prefeitura deu o caixão (…) Levou, botou lá, despejou dentro da cova, tirou, trouxe o caixão e entregou na prefeitura. Era assim. O prefeito dava, mas, o caixão tinha que voltar pra prefeitura”, lembra Cícero Anastácio. Isso foi a gota d’água. O ano era 1954.
O fato foi comunicado ao administrador do Engenho Bela Vista (situado ao lado do Engenho Galileia), José dos Prazeres, que deu a ideia de reunir os camponeses numa associação. Prazeres era militante do Partido Comunista e, nos anos de 1940, participou ativamente da criação de uma organização chamada Liga Camponesa, no bairro da Iputinga, no Recife. A Polícia desmantelou a organização, mas o Partido Comunista seguiu na ilegalidade.
Debaixo das árvores frutíferas, os camponeses escutavam atentamente as palavras de Prazeres: “Vamos formar uma sociedade, pagar 10 mil réis por mês pra comprar enxada, aparelho, material de trabalho, formar uma cooperativa de crédito e pagar o foro atrasado”, dizia Prazeres aos trabalhadores, segundo Zé Zito. Assim nasceria a Liga Camponesa no Engenho Galileia.
O exemplo possui uma força imbatível e não demorou para surgirem ligas camponesas por várias regiões e até em outros estados do Brasil. A seca de 1958, que motivou o “Primeiro Congresso de Foreiros e Proprietários”, deu força ao movimento, que logo se estendeu para Minas Gerais e para o interior do Rio de Janeiro.
Em todo o país, a luta entre os interesses contrários das diferentes classes (proprietários e trabalhadores) se aprofundava: greves operárias, a organização do Comando Geral dos Trabalhadores, motim de marinheiros, reformas de base… As mesmas forças contra as quais se chocavam os trabalhadores do campo compuseram o arco da aliança reacionária, que solapou o poder político com o golpe militar de 1964, rasgando a democracia, fechando o Congresso, matando, torturando, estuprando e ocultando cadáveres de trabalhadores do campo e da cidade, estudantes, patriotas, democratas e comunistas por longos 21 anos.
Passados sessenta anos da criação da Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco, ou Liga Camponesa da Galileia, como entrou para a história, os anseios de reforma agrária com investimento social para que o pequeno produtor possa produzir, desejo de soberania e segurança alimentar com uma produção voltada aos interesses sociais e econômicos do país, mantêm-se vivos nas terras da Galileia, e um grande ato foi realizado no dia 11 de janeiro para lembrar a luta de ontem e de hoje.
O coral de crianças da Escola Zezé da Galileia, regido pelo maestro Geraldo Menucci (autor da música do Hino das Ligas Camponesas, cuja letra é de Francisco Julião), compôs a trilha sonora do evento ao lado do conjunto da Faculdade Osman Lins. Mostrando que a história de luta do seu povo não pode ser esquecida, foram diplomados os moradores que fizeram o curso sobre a história da localidade, ministrado por professores e pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Na mesma ocasião, celebrou-se a abertura das comemorações do ano do centenário do nascimento de Francisco Julião. A verdade é que todo o ato mostrou o quanto o desejo de vivermos em um país sem a exploração capitalista “por essa revolução que sempre sonhei”, como disse Julião, move os pequenos produtores daquelas terras e ainda muito mais gente como sindicalistas, advogados, estudantes…
Na inauguração da biblioteca José Ayres dos Prazeres, Josinalda Maria Alves dos Prazeres, filha do homenageado, disse: “Tenho orgulho do pai que eu tive, de tanta luta, e que outras pessoas continuam na mesma luta; é difícil a reforma agrária, a gente sabe que é (…). Talvez tenha melhorado pouca coisa, mas… muita luta ainda há pela frente. Agradeço a Deus pelo pai que tive (…), pela pessoa maravilhosa que ele foi e por tudo que ele fez pelo povo”.
Da Redação
(A Verdade)
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Venezuela: Declaração do PCV sobre as tentativas de golpe

pcvVenezuela - Diário Liberdade - O PCV (Partido Comunista da Venezuela) publicou umadeclaração a respeito das recentes provocações e tentativas de desestabilização do governo e do povo venezuelano por parte da oligarquia ultrarreacionária apoiada direta e indiretamente pelo imperialismo "estadunidense-europeu".

Os comunistas, que fazem parte da base aliada do governo do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) de Nicolás Maduro e do ex-presidente Hugo Chávez, denunciam as conspirações da extrema-direita em todas as suas formas e chamam a "fortalecer a unidade patriótica, operário-popular, revolucionária e cívico-militar" na luta contra o imperialismo, a burguesia e os "corruptos, estocadores, especuladores e mafiosos".
Abaixo, reproduzimos a Declaração Pública do Partido Comunista da Venezuela.
Nem derrota nem hesitação, derrotemos a conspiração!
Diante das diversas formas de intervenção e intrometimento que o imperialismo estadunidense-europeu aplica contra os povos e governos que defendem um desenvolvimento independente e soberano, o Birô Político do Partido Comunista da Venezuela (PCV) expressou que isto faz parte da disputa intercapitalista por uma nova "partilha do mundo" e a execução de uma estratégia dirigida a conservar e ampliar a dominação mundial, acentuando a política de recolonização.
O Birô Político do PCV apontou que o cínico reconhecimento que fez o presidente dos EUA, Barack Obama, de que em muitas oportunidades "torceram o braço" a governos que não acatam seus ditames - evidenciando seu caráter de instrumento imperialista das transnacionais do complexo financeiro-militar-industrial norte-americano -, é uma clara ameaça internacional, particularmente contra o povo e o governo da Venezuela.
Esta é uma verdade histórica, prova irrefutável, antecedida por 200 anos de uma conduta agressiva e belicosa do governo estadunidense diante da soberania nacional e do direito de autodeterminação dos povos. Por isso o PCV denuncia e rechaça essa política imperialista, exortando a todas as forças verdadeiramente democráticas, patrióticas, progressistas, populares e revolucionárias a se pronunciar publicamente.
Para o PCV está claro que a tentativa de "torcer o braço" da Venezuela está expressada em um plano multifacetado de ofensiva reacionária - pelos interesses de dominação imperialista e em apoio à apátrida oligarquia e ultradireita neofascista venezuelana -, com o objetivo de derrubar o governo bolivariano presidido por Nicolás Maduro e liquidar, política e fisicamente, as forças populares e revolucionárias comprometidas com a transformação profunda da sociedade venezuelana na procura de abrir perspectivas ao futuro socialista.
O PCV, reiteradamente, tem denunciado que há uma ofensiva política, econômica e midiática da ultradireita mundial, utilizando todas as instâncias instrumentais do imperialismo: sabotagem integral da economia, provocações, esforços para desacreditar os quadros, assassinato de ativistas e dirigentes do processo, e o recém desvelado golpe de Estado e tentativa de assassinato contra o presidente Nicolás Maduro.
O PCV tem expressado firme solidariedade e sólido apoio ao presidente Maduro e ao governo bolivariano, insistindo em que, diante da atual intensificação das contradições de classe e do aprofundamento do confronto nação-imperialismo é imprescindível fortalecer a unidade patriótica, operário-popular, revolucionária e cívico-militar, cujos objetivos devem se centrar na próxima realização do Congresso Nacional do Conselho Patriótico de Partidos Políticos do Grande Polo Patriótico "Simón Bolívar".
Por tudo isso, o PCV reitera as palavras de luta que tem levantado:
Nem um dólar mais à burguesia!
Contra a estocagem... Juntas Populares de Abastecimento!
Prisão para corruptos, estocadores, especuladores e mafiosos... estejam onde estiverem!
Secretaria de Imprensa do Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela
Caracas, 18 de fevereiro de 2015.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Greve da GM: quem luta, conquista!


Greve da GM: quem luta, conquista!

greve_1Em assembleia realizada no turno da manhã de hoje (26/02), os trabalhadores da General Motors de São José dos Campos decidiram por encerrar a greve, após o anúncio da empresa de que não mais demitiria os trabalhadores que estão em lay-off. Essa foi mais uma grande vitória dos trabalhadores, mostrando a eficácia da luta coletiva.
A greve, que começou na última sexta-feira, foi a mais longa da GM de São José dos Campos nos últimos 12 anos. Ela se soma às mobilizações dos trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo, que, em greve no mês de janeiro, também conseguiram barrar as demissões.
Pelo acordo aprovado, entrarão em lay-off 650 trabalhadores, que terão seus salários garantidos e participação nos lucros, além da estabilidade de três meses no emprego.
Todas essas mobilizações comprovam a necessidade da luta conjunta da classe trabalhadora para impedir os ataques que vêm tanto dos patrões quanto dos governos.
Redação São Paulo
(A Verdade)
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Eleições em Cuba:Assembleias Municipais do Poder Popular

Eleições em Cuba: As primeiras nomeações dos candidatos foram realizados com resultados satisfatórios

Neste artigo: Cuba , By-eleições
26 de fevereiro de 2015 +
Foto: Ladyrene Pérez / CubaDebate.
Alina Balseiro, presidente da Comissão Nacional de Eleições. Foto: Ladyrene Pérez / CubaDebate.
Como foi concebido começou o processo de escolha de candidatos para delegados às Assembleias Municipais do Poder Popular. O presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Alina Balseiro chamada início bem sucedido desta etapa, dada a participação popular e do rigor com que conduziu essas assembléias de bairro estão etapa pré-eleitoral parcial, a ser realizada em abril.
Numa conferência de imprensa, Balseiro lembrado trabalhando com um cronograma de tarefas que incluíam a formação de pessoal com um general e uma preparação específica para nomeações do 05 de janeiro, quando foram chamados estas eleições.
O Presidente da CNE reafirmou que a nomeação é um ato de importância central, pois é lá que o cidadão democraticamente exercer o seu direito de nomear o seu representante, que acredita no governo. No interesse e seriedade com que os eleitores vêem este processo deve ser acompanhado pelo desempenho das comissões eleitorais com base em fazer nomeações corretamente e criar condições para a realização dessas reuniões.
Neste processo foram definidos 46 000 344 áreas de nomeação, 4000 619 menos do que o anterior, em 2012. Há 24 mil 701 assembleias de voto. Agendar reuniões começaram em 24 de fevereiro e vai durar até 25 de Março.
Cada grupo conta com 2-8 áreas e cada área terá a sua reunião de nomear entre 2 e 8 candidatos. As propostas devem ser orientadas para os cidadãos que têm, além de uma variedade de habilidades de liderança vida estrada para enfrentar tal tarefa. É este o momento mais importante de escolha, ainda maior do que o ato de votar, porque se ele não se propõe que o melhor que você jogar, não ser eleito.
Até hoje fez com que o número calculado de montagens 167, 263 candidatos, dos quais 74 são mulheres 44%, 16 são jovens, para 9,8%, correntes municipais, 107 delegados, para 64%, os delegados Atual provincial, 19, 11,37%, e os deputados 4 para 2,39%.
Os passos que se seguem nomeações será expor a lista de eleitores que estarão entre 16 de Março e 8 de Abril, cujos dados Como é bem conhecido, deve ser verificada para cada cidadão.
Entre 30 e 31 de março as fotos e biografias dos candidatos para que possam ser examinados pelos eleitores serão apresentados.
O ato chamou supervisores, estudantes universitários de cursos universitários a partir do segundo ano, selecionados para auxiliar na execução de que atender cada um dos passos dá a Lei Eleitoral da base para a nação, foi descrito por Balseiro como uma grande ajuda, pois eles são capazes de ver qualquer coisa que possa escapar.
Em relação a estes colaboradores havia dito em uma entrevista ao jornal Granma, Rubén Pérez Rodríguez, vice-presidente (CEN): "Não só vai participar da carreira de estudantes de Direito nas áreas de ciências humanas foram incorporadas, mas também de engenharia, pedagógico, de acordo com as possibilidades e características de cada um dos territórios.
"Esses jovens foram selecionados pelos MES em seus centros de estudante com a ajuda da FEU e em coordenação com as comissões eleitorais em diferentes níveis, com a missão de colaborar para observar o desenvolvimento de dois actos eleitorais decisivos: as assembleias de nomeação candidatos e do dia da eleição.
"Ele organizou um programa de trabalho para o treinamento de todos os documentos de regulamentação, o horário de trabalho das eleições, planejar atividades e a realização prática de cada um desses momentos eleitorais. Também foram creditados em conformidade.
"A nomeação dos observadores feito a uma taxa de pelo menos três conselhos popular."
Foto: Ladyrene Pérez / CubaDebate.
Os chefes da CEN forneceu pormenores sobre o processo eleitoral em uma conferência de imprensa. Foto: Ladyrene Pérez / CubaDebate.

Mussa Ibrahim: magnífico resumo da realidade líbia


26.Fev.15 :: Outros autores
Mussa IbrahimMussa Ibrahim foi último porta-voz da Jamahiriyah líbia. Em conferência de imprensa, falando em nome de 622 políticos líbios, fez um resumo sintético e claro do que sucedeu na Líbia e das posições políticas do Movimento Nacional Popular líbio.


Em Junho de 2011 fui observadora estrangeira em Trípoli, Líbia. Fui testemunha da maioria das coisas que explica e de muitas outras que não explica, fui testemunha de que se encontravam jornalistas de todos os media internacionais do mundo inteiro e de que NÃO informavam o que sucedia. Eram testemunhas directas, fotografaram, filmaram e viram a realidade mas nunca a publicaram.
Fui testemunha de como cada dia os aviões da NATO entravam na Líbia, lançavam as bombas sobre as cidades e se iam embora. Não recebiam resposta líbia e não sei se podeis imaginar o que implica lançar bombas sobre uma cidade populosa como Trípoli, os mortos, a onda expansiva, a destruição,…cada dia os aviões entravam em Trípoli de madrugada e repetiam depois à primeira hora da manhã. Era impossível que qualquer líbio pudesse descansar mais de quatro horas seguidas.
Muitas associações e grupos internacionais, como a associação de advogados do Mediterrâneo, acorreram à Líbia para serem testemunhas directas do que estava a suceder. Depois de ter vivido uma agressão como aquela de que fui testemunha na Líbia, nunca mais poderei confiar nos meios de comunicação nem nos políticos e governos que apoiaram e encobriram algo tão desumano, cruel, aberrante… a RT e TeleSur estavam ali e fui testemunha de que informavam efectivamente e, tanto quanto sei, disseram sempre a verdade.
Conferência de Imprensa 2014
Palavras de Mussa Ibrahim, último porta-voz da Jamahiriyah líbia, pertencente ao Movimento Nacional Popular Líbio que trabalha juntamente com o Conselho de todas as tribos e cidades líbias tentando resolver a situação líbia depois do ataque da NATO e das suas consequências. Fala em nome de 622 políticos líbios que se encontram no interior da Líbia e no exilio, que representam a resistência verde. Defendem a reconciliação de todos os líbios, o desenvolvimento, os direitos humanos.
Pertencemos a toda a Líbia e apoiamos todos os líbios que não apoiem a NATO nem os criminosos, fundamentalistas, assassinos, os que estão torturando, marginalizando, mudando as leis para exilar os líbios…
Procuramos vosso apoio para divulgar a nossa realidade. Em 2011 fui o responsável de comunicação com os meios de comunicação internacionais, tentei fazê-lo o melhor possível, Mas os verdadeiros heróis são os que perderam a vida debaixo das bombas da NATO, ou nos cárceres da Al-Qaeda. O sofrimento da Líbia começou com o ataque estrangeiro, depois da resolução da ONU que se fundamentou em cinco pontos:
1. Segundo os documentos oficiais da ONU 10.000 manifestantes foram nos primeiros dias assassinados em Benghazi. Entretanto, o Conselho Nacional de Transição encabeçado por Abdul Jalil admitiu publicamente - e as suas palavras podem inclusivamente ser ouvidas na internet - que mentiram. Eles sabiam que havia ordem do governo líbio da Jamahiriyah para não intervir nas manifestações.
2. Segundo os documentos oficiais da NATO Kadhafi tinha arrasado com bombardeamentos várias zonas de Trípoli como Suk al Juma, Fashlum, e outras. Mais de 1000 jornalistas e observadores internacionais visitaram e viram com os seus próprios olhos, puderam filmar e falar com as pessoas e portanto comprovar que não era verdade, que aquelas áreas estavam totalmente normais.
3. Segundo os documentos oficiais da ONU, mais de 8000 mulheres líbias tinham sido violadas pelo exército líbio nas três primeiras semanas do conflito. Quando tentaram demonstrá-lo não conseguiram encontrar nem uma mulher.
4. Segundo os documentos oficiais da ONU a Jamahiriyah líbia contava com 35.000 mercenários de África. Não era verdade e nunca o puderam demonstrar. Contudo, isso foi usado pela NATO para matar milhares e milhares de líbios negros e, obviamente, uma vez mortos nada podiam declarar. O massacre mais terrível que levaram a cabo foi na cidade líbia de Tawerga cujos cidadãos que não foram assassinados não puderam ainda regressar aos seus lares.
5. Segundo os documentos oficiais da ONU o exército líbio da Jamahiriyah deslocava-se para Benghazi para reprimir com as armas e arrasar a cidade. Segundo o documento oficial da ONU, a NATO devia intervir para deter o exército e salvar a vida dos líbios. A realidade, entretanto, é que o governo da Jamahiriyah líbia teve conversações directas com representantes da França e dos EUA para mostrar e prometer que o exército líbio não ia entrar em Benghazi. O governo da Jamahiriyah tinha dado ordem ao exército para não intervir em nenhuma circunstância nas manifestações, sucedesse o que sucedesse. A Líbia cometeu o erro de confiar na palavra da França, EUA e Inglaterra, de que não interviriam. A NATO mentiu, entrou na Líbia e a primeira coisa que fez foi atacar e matar o exército que estava acampado nos arredores de Benghazi.
A NATO interveio com base nestas cinco mentiras
A Jamahiriyah Líbia tentou constituir uma “Fact Finding Mission” (Comissão de estudo dos factos), e para isso convocou todos os grandes meios de comunicação do mundo inteiro, como a BBC, o New York times, RT, TeleSur,…meios de comunicação do mundo inteiro. Para além disso convidou observadores internacionais de todo o mundo a virem verificar a realidade.
Os Meios de Comunicação Internacionais responderam que não podiam realizar um estudo de campo (’fact finding mission’) porque:
1. Não tinham orçamento para isso.
2. Não tinham o material adequado para o poderem realizar.
A União Africana pretendeu criar uma Comissão de ‘Fact Finding Mission’ mas não lho permitiram.
Todos estes factos foram ignorados pelos meios de comunicação Internacionais e pelos políticos.
Sabemos agora porque é que fomos agredidos: Pela posição que a Líbia assumia em África apoiando a União Africana, trabalhando para concretizar o Mercado Comum Africano, trabalhando para a União Árabe, apoiando os povos oprimidos,…
Tudo isto fez com que o ocidente atacasse a Líbia porque não querem uma África independente.
Neste momento os maiores problemas dos líbios são:
1. Os exiliados: segundo o governo tunisino há 1,5 milhões de líbios refugiados em Túnis, segundo o governo egípcio existem ali 1,25 milhões de líbios refugiados, para além de todos os refugiados líbios na Argélia, Níger, e muitos outros países.
Contudo, segundo os nossos cálculos, há aproximadamente dois milhões de líbios refugiados no estrangeiro. Recordemos que a Líbia tinha uma população de seis milhões de habitantes, o que significa que 30% dos líbios se viram obrigados a fugir do seu próprio país e estão sofrendo.
2. Controlo da Líbia pelos extremistas como Al-Qaeda porque têm o dinheiro, têm as armas e o apoio estrangeiro e milhares e milhares de mercenários. Neste momento os piores terroristas do mundo, ou seja os superstars do terrorismo do mundo estão na Líbia.
O mais importante e internacional terrorista é Abdul Hakim Bilhaj que esteve na Somália, Iraque, Afeganistão, que esteve em prisões como Guantánamo, e na Líbia. Em Setembro de 2011, quando a NATO entrou em Trípoli, colocaram BilHaj como responsável da segurança de Trípoli. Pelo seu trabalho foi pago pelo ocidente com empresas e tornou-se milionário. Passou a vestir fato e agora é recebido pelos governos ocidentais. Além de Abdul Hakim Bilhaj, está na Líbia a elite do terrorismo.
3. Há neste momento 35.000 prisioneiros políticos, em prisões ilegais desconhecidas. Foram torturados, maltratados, violando todos os direitos humanos. Há inclusivamente famílias inteiras detidas. A cada semana saem corpos sem vida destas prisões, alguns são enterrados directamente e outros são devolvidos às famílias.
4. Balcanização da Líbia: Estão tentando dividir a Líbia em três partes. Os fundamentalistas não querem um país forte, querem países pequenos e débeis para poderem operar melhor.
Nós, os líbios, choramos pela Líbia, mas procuramos também soluções para não sermos “colonizados”, baseando-nos no diálogo no qual incluímos todos os líbios à excepção dos fundamentalistas e mercenários da NATO.
O diálogo prossegue, trabalhamos duramente para isso. Seria muito más fácil se não existisse a intervenção ocidental.
A maior parte dos líbios sonha com o regresso destes últimos 42 anos da Jamahiriyah Líbia. Isto não quer dizer que tudo fosse perfeito, havia muitos problemas, mas nós os líbios podíamos resolvê-los e estávamos trabalhando para os resolver.
Ver conferência de imprensa em inglês: https://www.youtube.com/watch?v=KdwJcqA-AhI
La Haine
Texto completo em: http://www.lahaine.org/mussa-ibrahim-magnifico-resumen-de