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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, enviou uma carta a Barack Obama para esclarecer a participação de um funcionário do governo dos EUA com fundos abutre e campanha de difamação contra a nação sul-americana.

    A carta do presidente da Argentina foi lançado oficialmente pela Casa de Governo.  (Foto Arquivo)

    A carta do presidente da Argentina foi lançado oficialmente pela Casa de Governo. (Foto Arquivo)


    A presidente da Argentina, Cristina Fernandez, enviou uma carta sexta-feira para o presidente dos EUA, Barack Obama pedindo-lhe para esclarecer onde se Nancy Soderberg, presidente do Interesse Declassication Conselho Pública (PIDB), "agência sob a responsabilidade directa do Governo dos Estados Unidos" é o mesmo grupo lobista que integra fundos abutre, American Task Force Argentina.
    A carta divulgada oficialmente a Casa de Governo, Fernandez disse Soderberg por sua vez é "co-presidente da Força Tarefa Argentina americano (ATFA), entidade criada especificamente para atacar e difamar a República Argentina e seu presidente" benefício de "um punhado de fundos abutre que procuram obter lucros exorbitantes que interrompem o direito soberano de reestruturar a dívida" Argentina.
    "Eu gostaria de informar que a senhora Nancy Soderberg, co-presidente ATFA realizou uma campanha difamatório e ofensivo de proporções sem precedentes contra o povo, autoridades do meu país e eu em particular, para o propósito de prejudicar a Argentina em benefício de um punhado de fundos abutre que procuram obter lucros exorbitantes que interrompem o direito soberano de reestruturar a dívida do meu país ", disse o presidente.
    Da mesma forma, o chefe de Estado questionou a atitude do funcionário do governo dos EUA.
    "Essas ações incluem o embargo infame Fragata Libertad, carro-chefe da nossa Marinha, o que levou à decisão unânime do Tribunal de Direito do Mar das Nações Unidas ordenou o cancelamento do embargo para estar em violação do direito internacional."
    "Eles também tentaram apreender um satélite que faz parte de um programa conjunto com a NASA. Seria muito irônico que Ms. Soderberg Casa Branca é o mesmo que a partir de ATFA celebrada e promovido ações que afetam também aos interesses dos EUA ", acrescentou.

    Pedro Laurentino lança livro: “As trincheiras do silêncio”



    Pedro Laurentino lança livro: “As trincheiras do silêncio”

    pedrolaurentinofoto“As trincheiras do silêncio”, quarto livro de Pedro Laurentino, sindicalista piauiense, nos apresenta uma poesia combatente, militante, viva. Tão atual quanto o desejo de mudar o mundo presente nas manifestações de junho de 2013 ou ao redor do mundo, como estamos vendo. Os dois primeiros livros de Pedro foram escritos em prosa, logo após ele envereda pela poesia, com o livro “Do que sei do Mundo”, onde já demonstra suas qualidades de “poeta preocupado com o mundo”. Porém, em suas Trincheiras, Pedro não nos apresenta uma continuação de seu 3º livro, e sim nos brinda com uma poética ainda mais completa.
    Tomada de consciência pautada na luta de classes cotidiana, detalhada e observada nos mínimos detalhes da vida, que só o poeta que milita consegue extrair, perceber, transmitir. Assim é a poética de Pedro, que mesmo quando fala sobre o amor, o lazer com os amigos num sábado de futebol ou o time da Várzea, nos apresenta com um lirismo daqueles que vivem de perto as delícias, agruras e privações dessa nossa sociedade decadente e tão carente de poesia.
    Em todo seu livro notamos a preocupação do autor em escrever algo real, natural, concreto. Podemos dizer que os poemas de Pedro têm público e endereço certo: quando exalta algum acontecimento lembra-se de Canudos e sua inspiração é o Abaixo-assinado,o operário na pedreira, o vigia que não dorme para proteger o sono alheio, os vulgos, o vendedor de queijo, o entregador de papéis, a mulher lutadora, brasileira, e a vida da gente.
    É preciso salientar as origens desse poeta do Piauí, que militou no movimento estudantil desde cedo, contribuiu para a reconstrução do movimento estudantil em Pernambuco depois no fim da ditadura, período confuso, defendeu o povo no parlamento, militando até hoje e tudo isso sem deixar de viver e fazer poesia.
    Ao perguntar sobre essa sua militância poética e política, mesmo durante a ditadura militar, Pedro, poeta, modesto, nos respondeu: “O verdadeiro poema era a luta contra a ditadura. Levantar a bandeira da liberdade, acender os corações para a luta, despertar o ódio contra o fascismo e o amor pela justiça. A poesia está nos olhos de quem vê a matéria prima da vida com toda a magia que ela nos oferece. Além do que, como já disse o poeta, a vida é amiga da arte e a poesia é companheira da luta. Vivemos, lutamos, amamos e sorrimos melhor se temos a poesia ao nosso lado, nos fazendo companhia. A poesia é a minha nova trincheira de luta para me fazer mais merecedor da vida e de tudo o que ela nos oferece”.
    O livro “As Trincheiras do Silêncio” foi lançado em 2014, ano que se completaram os 50 anos do golpe militar de 64, e represente uma enorme contribuição no resgate da poesia de resistência feita no Brasil, após os 21 anos de ditadura que dizimou nossa cultura e deixou o país mergulhado em tristezas e sem poesias. “As Trincheiras do Silêncio” é um bom livro e uma boa leitura.
    Cloves Silva, estudante de Letras da UFRPE, militante da UJR-PE.

    Fonte: A Verdade

    Colômbia / As coisas não serão como sonha a oligarquia

    As coisas não serão como sonha a oligarquia


    por Timoleón Jiménez [*]
    Timoleón Jiménez.Configura-se no país, cada dia com maior força, um amplo movimento social e político que trabalha por uma paz muito diferente da que pensa o regime.

    A tropa dos grupos narco paramilitares pertencia ao povo raso. E sua missão era destripar seres humanos, capturar compatriotas inconformados para lançá-los aos fossos de crocodilos ou despedaçá-los com motoserras, assassinar suas vítimas com armas de fogo para a seguir cortar-lhes a cabeça e fixá-la em varas expostas à passagem de outros povoadores, saquear seus bens e incendiar suas propriedades, desterrá-los a força de cometer as mais espantosas atrocidades.

    Actuavam acreditando serem os bons. Forças armadas, organismos de inteligência, personagens de grande relevância social, destacados colunistas da grande imprensa, figuras reconhecidas, jornalista estrela da rádio e da televisão, todos se uniam para exprimir a necessidade de reconhecer a justiça das razões do paramilitarismo e a urgência de conceder-lhe reconhecimento político. Assim a massa sanguinária que aterrorizava boa parte do país sentia-se redentora.

    O esforço conjunto do estabelecimento produziu seus efeitos e as posições afins ao extermínio adquiriram carta de apresentação social, tornaram-se bem vistas. Não foram só os membros de base dos grupos paramilitares, os que sobrevivendo em condições difíceis acabaram envolvidos na engrenagem do terror. Também uma considerável massa de colombianos rasos, sobretudo das grandes cidades, acabou seduzida pelo discurso da segurança e da guerra.

    Da astuciosa atitude militarista de Andrés Pastraña passou-se ao totalitarismo desinibido de Álvaro Uribe, nos ombros do agrupamento da ultra-direita triunfante nas eleições. As forças militares e de polícia, conduzidas já sem disfarce algum a partir de Washington pelos estrategas do Pentágono, da CIA e da DEA, passaram a tomar o controle do país por meio da violência brutal das suas operações e acabaram por ser elevadas à categoria de heróis da pátria.

    Reforçaram-se a níveis impensáveis seus orçamentos e contingente de força, ao mesmo tempo que a tecnologia e o apoio dos EUA, Grã-Bretanha e Israel apresentavam-nas como invencíveis, inclusive no âmbito regional. Tudo isso, somado à apoteose do paramilitarismo e à investida mediática generalizada em favor do ódio, imprimiu em boa parte dos colombianos uma mentalidade agressiva e intolerante. As recentes declarações do hacker Sepúlveda são exemplo disso.

    Devemos reconhecer, efectivamente, que a política do terror acabou por obter um lugar no ânimo de boa parte do nosso povo. Muitos denominaram-na direitização do país. A fachada democrática da institucionalidade colombiana não consegue dissimular a realidade dominante da violência e do medo. A oligarquia sabe que é impossível dominar toda a população pela força, há que ganhar parte dela e dedica muitos recursos a isso.

    Fala-se do partido político das forças armadas. Seu meio milhão de integrantes, privilegiados em muitos aspectos, em comparação com o resto da população trabalhadora, não só é doutrinado nas suas escolas de formação e prática quotidiana como gira em torno de um grande ambiente ideológico que envolve suas famílias, amizades mais próximas e milhares de aposentados e seus próximos. Fazem política diariamente com suas emissoras e operações cívico militares.

    Se os nazis assinalaram como responsáveis da tragédia económica e social da Alemanha aos judeus bolcheviques, a direita colombiana fez o mesmo com os que chamaram terroristas das FARC e seus cúmplices. O ambiente psicológico criado a partir da Presidência e reforçado pelos media, forças armadas, empresários, classe política, grupos narco paramilitares e seus financiadores, entre outros, induziram o país à cegueira e à indiferença.

    Os assassinatos, os massacres, os horrores da violência militar e narco paramilitar foram perdendo sua dimensão de espanto. Se mencionados, passaram a ser tristes episódios isolados. Em contrapartida todos tinham que estremecer pela barbárie da actuação guerrilheira e pelo grau de desumanidade dos seus comandantes. Nessa direcção apontou a estratégia políticas das classes no poder: apagar ou minimizar o horror oficial e narco paramilitar com o supostos horror guerrilheiro.

    O narco paramilitarismo podia ser convertido em movimento político com garantia de impunidade. As reforçadas forças armadas poderiam preencher o vazio deixado por aquele. Assim decorreu o processo com os primeiros, a chamada lei de justiça e paz e a farsa da sua desmobilização, ao passo que para as segundas implementaram-se o Plano Patriota e seus complementos, ao mesmo tempo que se institucionalizavam os falsos positivos e promoveram-se suas frequentes matanças.

    A frenética obsessão de Adolfo Hitler acabou por conduzir o mundo à Segunda Guerra Mundial e a Alemanha à sua destruição total. As classes no poder aprendem as lições, de modo que depois de agradecer a sua gestão ao Presidente Uribe, acordaram na necessidade de substituí-lo antes que acabasse por incendiar o continente com o seu ódio visceral às FARC, à Venezuela e a Cuba. Nos ombros da ultra-direita, chegou um Santos mais moderado para culminar a obra.

    Os diálogos de paz, como está mais que demonstrado, não foram uma concessão sua. Uribe já os havia proposto, ainda que se indigne ao recordá-lo. Para o projecto da ultra-direita sempre esteve claro que após a redução militar das FARC e sua ruína política por conta da gigantesca campanha mediática de descrédito, havia que abrir uma mesa de conversações com o objectivo de conseguir a assinatura da sua rendição. É a sua maneira de entender a paz.

    Por isso não nos surpreende o modo como pretendem superar o tema das vítimas, em discussão na Mesa de Havana. Pretendem que os crimes sistemáticos das forças armadas e do narco paramilitarismo não tenham cabimento ali. No seu entender, isso já foi solucionado, o governo expediu uma lei para essas vítimas, o que há que tratar e castigar são nossos supostos crimes. Além de cínica, a oligarquia colombiana equivoca-se mais uma vez connosco.

    Como insurgência revolucionária recusamos frontalmente qualquer imputação criminal. Nós os levantados em armas, definitivamente, não somos delinquentes. Ao dar cara às vítimas reconhecemos que se verificaram no exercício da nossa acção erros, imponderáveis que lamentamos profundamente. O que estamos dispostos a reconhecer e a explicar. Mas nós não escolhemos o levantamento armado, fomos obrigados a ele pela fúria assassina da oligarquia liberal conservadora.

    É ela a convocada a responder por esta guerra, suas consequências e seus milhões de atrocidades. Mesmo que ainda conte com parte do povo: o partido das forças armadas e do narcotráfico, a hostes do gamonalismo e os beneficiários da esmola social, as clientelas partidárias e os que vendem o voto. Mas a maior parte da opinião pública que antes acreditou na sua propaganda encontra-se desencantada pela realidade em que vive. Os anos de guerra total agravaram seus problemas.

    No país configura-se a cada dia com maior força, por cima do silêncio mediático, um amplo movimento social e político que trabalha por uma paz muito diferente da que pensa o regime. Essa lógica imperialista da força bruta, tão do gosto da classe dominante colombiana, que concede um suposto direito a fazer o que seja em defesa dos seus interesses, desperta um profundo repúdio a todos os povos do mundo. É ela a convocada ao caixote de lixo da história.

    Montanhas da Colômbia, 16 de Outubro de 2014
    Ver também:
  • www.pazfarc-ep.org/ 
  • anncol.eu/

    [*] Comandante do Estado Maior Central das FARC-EP

    O original encontra-se em http://farc-ep.co/?p=3976 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 30 de outubro de 2014

    Latuff: Carta aos brasileiros (da esquerda)

    Latuff: Carta aos brasileiros (da esquerda)

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    Carlos Latuff, Cartunista
    Afinal, Dilma Rousseff garantiu mais um mandato, derrotando o tucanoAécio Neves. Foi por um triz, como na eleição de 2010, ao enfrentar o também tucano José Serra. Naquele ano, como agora, votei em Dilma, não por apoiar a agenda de seu governo e sim por acreditar que as coisas podem não melhorar, mas certamente podem piorar, e no meu entendimento, Aécio Neves simboliza o retrocesso, o agravamento de um problema.
    Meu voto não é um cheque em branco a Dilma e seu partido, nem tão pouco é um voto de confiança no sistema eleitoral. Com sua política de alianças com o que há de mais patife na política brasileira, o governo de Dilma Rousseff não me representa, como também não representa os indígenas e quilombolas, estes sequer citados nos debates e propagandas dos candidatos. Quero crer também que não representa os moradores de favelas cuja ocupação por tropas do exército foi autorizada pela presidenta. E acredito ainda que não representa a parcela do movimento social que não foi cooptada pela máquina do governo.
    Claro que me agrada aos olhos ver os “coxinhas” se consumindo no próprio ódio ao saber que a “ditadura comunista do PT” terá um fôlego adicional de 4 anos, mas não tenho qualquer esperança de que o Partido dos Trabalhadores, com todos os compromissos firmados com o agronegócio, banqueiros, empresários, e mesmo a “guerra contra as drogas” de Washington, possa retomar às velhas bandeiras de luta do movimento social. O movimento social no Brasil precisa livrar-se dessa polarização entre PT e PSDB, livrar-se da cooptação, e trabalhar por uma alternativa à esquerda, uma alternativa que não busque como meta o governo e sim o poder. Acabar de vez com essa oligarquia, com o coronelismo, com o poder de famílias que possuem terras, emissoras de TV e rádio, e mesmo estados inteiros. São estes os verdadeiros detentores do poder no Brasil.
    Quanto a mim, retorno agora à oposição de esquerda e continuo colocando minha arte a serviço do movimento social. A quem acredita que pelo meu voto crítico eu aderi ou capitulei ao governismo, peço que refreie sua leviandade e guarde essa carta como referência futura.
    Carlos Latuff
    Porto Alegre, 27 de outubro de 2014.

    Carta Aberta da CPT à presidenta Dilma Rousseff

     
    O presidente da CPT, Dom Enemésio Lazzaris, assina Carta enviada pela Pastoral da Terra à presidenta Dilma Rousseff, em que destaca  que "os conflitos e a violência, inclusive com assassinatos de camponeses e camponesas, 130 no seu governo, conforme os dados registrados pela CPT, acobertados pela impunidade, só tenderão a crescer se se mantiverem a inoperância e a corrupção em muitos órgãos governamentais, ao par do que fazem ou deixam de fazer o Legislativo e o Judiciário". Confira o documento na íntegra:

    Para a
    Sra. Presidenta da República Dilma Rousseff

    Excelentíssima Senhora,

    A Comissão Pastoral da Terra, CPT, reunida em Conselho Nacional, em Luziânia-GO, entre 27 e 29 de outubro de 2014, dirige-se respeitosamente a V. Excia. para, em primeiro lugar, parabenizá-la pela reeleição e desejar-lhe um novo mandato profícuo e benéfico para toda a nação brasileira, de modo especial para os menos favorecidos, já que foram estes a maioria dos que a reelegeram. Por isso merecem uma atenção toda especial de sua parte.

    Atendendo à sua abertura e solicitação para o diálogo, expresso em seu primeiro pronunciamento após a vitória nas eleições, queremos apresentar-lhe situações e questões nacionais que passaram ao largo de toda a campanha eleitoral e que, agora, forçosamente, se tornam em alertas e reivindicações. São situações, questões e reivindicações dos povos dos campos, das águas e das florestas com quem a CPT atua e apoia.

    A Senhora ao assumir a presidência jurou, e novamente vai jurar, defender e aplicar a Constituição Federal. Esta, em seu artigo 184, diz que “compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social”. Constatamos que, sobretudo em seu mandato atual, no que exige este artigo, a Constituição foi tratada como letra morta, pois foi efetuado o menor número de desapropriações dos últimos 20 anos. Também não foi feita a retomada das áreas devolutas e da União que estão nas mãos de grileiros. Atribuímos isso à total falta de interesse político de seu governo em relação a este tema. São claramente privilegiados os interesses de grupos ruralistas que estão entre os principais que sempre comandaram e desmandaram sobre este país.

    Estes grupos alinhados ao modelo desenvolvimentista predador estão entre os responsáveis pela devastação ambiental dos nossos biomas, com o desmatamento e a utilização intensiva de agrotóxicos que suprimem a proteção vegetal e contaminam solos, águas, ar e trabalhadores e trabalhadoras. Provocam ainda o secamento e morte de nascentes e rios, e o rebaixamento de lençóis freáticos e aquíferos. A destruição dos Cerrados compromete a segurança hídrica atual e futura, o que já se evidencia na crise de abastecimento de várias regiões do país, que não se pode atribuir simplesmente à falta de chuvas. Ao se expandir para a Amazônia, este modelo chega à última fronteira, agrava a crise ecológica e nos põe a temer ainda mais pelo futuro...

    Seu governo e os do Presidente Lula, tidos como “populares”, nos quais – acreditava-se – fariam a diferença, em relação aos anteriores, para os povos do campo, acabaram se submetendo às exigências econômicas e políticas do agronegócio e deixaram milhares e milhares de famílias em situações mais que precárias, desumanas,

    em acampamentos à beira de estradas. Senhora Presidenta, a retomada da Reforma Agrária, ressignificada, efetiva e melhorada, é uma medida mais que urgente que seu novo governo deve tomar, pois ela irá melhorar os índices da produção familiar, que já é responsável por 70% dos alimentos consumidos no País. Uma política de maior apoio aos camponeses e camponesas das várias categorias existentes no País, potencializará uma produção alimentar qualitativamente diferente, saudável e harmônica com os bens da terra. Os programas de seu governo – Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) – provam a eficácia da agricultura familiar, responsável principal pela saída do Brasil do mapa mundial da fome, segundo a ONU em recente relatório.

    Outro dispositivo constitucional, que deve ser aplicado com firmeza e determinação e com a maior urgência, é o Art. 67 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que diz que “a União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição”. Passaram-se 26 anos e a maior parte das terras indígenas ainda não foi demarcada. E o mais lamentável é que seu governo tenha determinado a suspensão da identificação das Terras Indígenas, propondo “mesas de conciliação”, que são uma forma de reduzir ou mesmo eliminar o direito à terra dos povos e comunidades, pois, como bem se sabe, “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”... Dezessete decretos de homologação de Terras Indígenas estão sobre sua mesa só aguardando sua assinatura, Presidenta!  Outros tantos estão sobre a mesa do Ministro da Justiça para encaminhamento. Isso demonstra a falta de sensibilidade em relação a esta causa, que é de todos nós. A isso se soma a tentativa de retirar da FUNAI a competência para a identificação e demarcação dos territórios indígenas, repassando-a a órgãos que pouco ou nada sabem da realidade e história indígenas. Com isso crescem os conflitos, carregados de violência, com aumento do número de assassinatos e que colocam os primeiros habitantes deste País numa situação de inferioridade, a perpetuar o massacre da época colonial.

    O mesmo acontece em relação aos quilombolas. O artigo 68 das ADCT dispõe que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”. No seu primeiro mandato, esta determinação também não foi praticamente efetivada, fazendo crescer o número de conflitos envolvendo estas comunidades.

    Os interesses do agronegócio – com suas monoculturas de soja, cana de açúcar, gado, eucalipto e outros –, o das mineradoras e a aposta em grandes projetos como o de construção de barragens e outras obras de energia, se sobrepõem aos direitos dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, das comunidades de fundo e fecho de pasto, dos pescadores artesanais, dos faxinalenses, dos extrativistas e de outras comunidades tradicionais, e até de assentados e assentadas da reforma agrária, que são expulsos da terra com o consequente desenraizamento das famílias.

    Senhora Presidenta, os conflitos e a violência, inclusive com assassinatos de camponeses e camponesas, 130 no seu governo, conforme os dados registrados pela CPT, acobertados pela impunidade, só tenderão a crescer se se mantiverem a inoperância e a corrupção em muitos órgãos governamentais, ao par do que fazem ou deixam de fazer o Legislativo e o Judiciário. O INCRA, a Fundação Cultural Palmares, além da FUNAI, devem ser fortalecidos, aprimorando os seus quadros e sua atuação.

    Outra situação que merece especial atenção da sua parte é a dos trabalhadores e trabalhadoras submetidos à condição análoga à de escravos. Neste sentido lembramos que a Senhora assinou a Carta-Compromisso, proposta pela Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), de garantir a continuidade e a intensificação do combate ao trabalho escravo, especificamente de que não haja nenhum retrocesso na legislação vigente.

    A CPT também se preocupa com a educação no e do campo. Milhares de escolas rurais têm sido fechadas, nos últimos anos, obrigando estudantes a longas viagens para longe de seu meio. Com isso a eles e elas se oferece uma educação descontextualizada que favorece o êxodo rural e o esvaziamento do campo. Muitas outras escolas que se mantêm abertas estão em condições mais que precárias. Senhora Presidenta, é urgente uma política educacional voltada para a permanência das famílias no campo, com o fortalecimento das Escolas Família Agrícola (EFAs), das Casas Familiares Rurais, das escolas indígenas, das escolas quilombolas e outras do gênero.

    Senhora Presidenta, podemos esperar de sua parte uma atuação ativa para garantir aos povos dos campos, das águas e das florestas seus direitos constitucionais, sobretudo de acesso às terras e aos territórios que historicamente lhes pertencem e dos quais foram esbulhados? Ou vamos continuar assistindo a uma atuação de cunho colonialista, que vê nestes povos e comunidades simplesmente “entraves ao desenvolvimento”, ao “crescimento”?

    Esperamos de V. Excia. um governo renovado, mais comprometido com as causas populares, que estavam na origem de seu partido. De nossa parte conte com este nosso apoio: continuar ao lado dos camponeses e camponesas do Brasil, em suas lutas e esperanças.

    Luziânia, 29 de outubro de 2014.     

    Dom Enemésio Lazzaris

    Presidente
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    Congresso corrupto vota contra a participação popular

    Congresso corrupto vota contra a participação popular

    Deputados da direita comemoram revogação do decreto 8234
    Deputados da direita comemoram revogação do decreto 8234
    A câmara dos deputados aprovou ontem a revogação do Decreto presidencial 8243 que criava o Plano Nacional de Participação Social. A proposta de revogação do decreto partiu do deputado pernambucano do DEM, Mendonça Filho, mas sua aprovação foi toda articulada por partidos da base do governo, que supostamente deviam apoiar as medidas da presidente, como o PMDB e o presidente da Câmara, Henrique Alves, candidato derrotado nas eleições ao governo do Rio Grande do Norte.
    Ao revogar o Plano de Participação, a maioria do congresso demonstra que pretende legislar de costas para o povo brasileiro e que está disposto a fazer tudo para impedir a livre expressão popular em espaços democráticos. É importante lembrar que o legislativo é o poder que mais tem acusações e condenações em casos de corrupção.
    Uma grande campanha midiática foi feita pela Globo e pelos principais jornais e revistas dos monopólios contra o decreto. Colunistas de extrema direita estabeleceram paralelo entre o Plano de Participação e revolução bolivariana na Venezuela. Toda essa campanha prova duas coisas. Primeiro que o povo venezuelano tem, de fato, vivido momentos de maior democracia para os trabalhadores e de perda de privilégios das classes dominantes. Essa é a única explicação para os capitalistas brasileiros, entre eles a família Civita e Marinho, donas da Veja e da Globo, terem tanto medo do “modelo venezuelano”.
    Outra questão que fica provada com essa campanha é que os meios de comunicação monopolistas do Brasil fazem um discurso completamente hipócrita com relação à corrupção. É evidente que a corrupção, filha dileta da relação promíscua entre o público e o privado, diminui sempre em que há maior participação, fiscalização e transparência. Este é exatamente o objetivo do decreto. Quem tem medo da fiscalização e participação popular em programas e ações de governo está querendo esconder o que?
    O segundo governo de Dilma ainda nem começou e o PMDB já mostra seu papel de quinta coluna da direita reacionária no interior do governo. A votação do Plano de Participação apenas prova que os governos que ficam reféns dos acordos de gabinete no interior do parlamento, dispensando a mobilização e desconsiderando a vontade popular, estão fadados à derrota e e a serem alvo do ódio do próprio povo.
    Jorge Batista, São Paulo
    Fonte: A Verdade
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