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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Comunicado das FARC-EP na entrega de Romeo Langlo

 

quinta-feira, 31 de maio de 2012


 

Em uma campanha de devastação que pretendeu eliminarmos em só um ano e que já leva décadas sem poder nos tirar do mapa, significa que nossa historia é a historia dos múltiplos esforços do povo colombiano por lograr uma paz definitiva e verdadeira.

Desde aquelas cartas dos camponeses de Marquetalia nas que pediam não serem agredidos militarmente ate nossa atual política de paz, passando pela União Patriótica e pelos diversos cenários dos diálogos, temos sempre sido partidários da solução política, da paz com dignidade e justiça social.

Os verdadeiramente surdos e teimosos ante nossas propostas têm sido os donos do poder político e econômico do país porque temem o poder popular e o cambio social.

Os tempos que correm são propícios para as mudanças profundas não só em nossa América, mas também no mundo inteiro.

Os povos levantam-se decididos a lutar pelas alternativas ao capitalismo cada vez mais decadente, mais injusto e explorador. Na Colômbia o povo está cansado dos governos oligárquicos, repressivos corruptos que não o representam para nada, pois não atendem suas reivindicações. Suas iniciativas unitárias de luta percorrem todos os cantos da pátria tecendo resistências que saudamos festivos sabendo que o caminho a percorrer todos é o mesmo, o caminho da unidade popular

Os últimos acontecimentos demonstram que existe um fervor massivo pela necessidade de alcançar a paz com dignidade e justiça social.

Organizações cívicas, camponesas, sindicais, dos estudantes, e de todo e qualquer tipo estão na tarefa de demonstrar que alcançar a paz democrática é a premissa de qualquer transformação social verdadeira e profunda em nosso país.

Sabemos que o futuro da Colômbia está no que decida seu povo, soberanamente e na convicção no que deve ser o destino da pátria. Colocaremos todos nossos esforços nisso. Saberemos nos posicionar ante essas circunstancias, como combatentes e compatriotas.

Com o exemplo e o legado de Manuel, Jacobo, Jorge, Alfonso, Raúl, Iván e todos nossos mártires seguiremos ate a vitoria final com a paz como bandeira e o melhor estar de nosso povo como horizonte.

Vivam as FARC, viva o povo colombiano.
Contra o imperialismo com a pátria.
Contra a oligarquia, com o povo.

Secretariado do Estado Maior Central

Forças Armadas Revolucionarias de Colômbia – Exército do Povo

Montanhas da Colômbia

O Partido Comunista da Grécia entre duras batalhas eleitorais




Secção Internacional do Partido Comunista da Grécia

A Grécia continua a atrair a atenção dos trabalhadores de muitos países no mundo, devido às novas eleições gerais de importância crucial, que se realizam dia 17 de Junho, já que nenhum dos três partidos mais votados conseguiu formar um governo de coligação. De particular interesse, a julgar pelos artigos surgidos nos jornais, revistas e páginas sítios web comunistas e progressistas são os resultados das últimas eleições, bem como a linha política definida pelo Partido Comunista da Grécia (PCG), que nos últimos dias tem estado debaixo do fogo de alguns analistas. Comecemos pelo princípio.

Sobre o resultado das eleições de 6 de Maio

As eleições de 6 de Maio criaram um novo panorama político, já que os três partidos, que em conjunto governaram em apoio da política antipopular do capital e da União Europeia (UE), tiveram uma queda nas últimas eleições. Concretizando:

O PASOK, social-democrata concentrou 833.529 votos, 13,2%, com uma perda sem precedentes de 2.179.013 votos, menos 30,8%.

A ND, conservadora, teve 2.179.013 votos, 18,9% com uma perda de 1.103.665 votos, menos 14,6%.

O LAOS, nacionalista, não conseguiu atingir o limiar de tr% para poder entrar no parlamento, conseguindo 183.466 votos ou 2,9%, com uma perda de 202.793 votos ou menos 1,6%.

No entanto, a alteração do panorama político não pode ser considerada uma derrocada porque as forças que beneficiaram com a ira dos trabalhadores foram, sobretudo, as que apoiam a política de «sentido único da UE». Na verdade, a grande maioria dos votantes dos partidos burgueses dispersaram-se principalmente por formações políticas ideologicamente próximas. Concretizando:

 SYRIZA, uma coligação de forças oportunistas que saíram do partido numa cisão de direita (nas cisões do Partido de 1968 e 1991), na qual se juntaram nos últimos anos forças do social-democrata PASOK, teve 1.061.265 votos, 16,8%, um aumento de 745.600 votos, 12,2%.

 Uma cisão da SYRIZA, a Esquerda Democrática, onde se incorporaram ex-deputados e ex-dirigentes do PASOK, teve 386.116 votos, 6,1%.



 Um grande número de votos foram para partidos reaccionários e nacionalistas como os
«Gregos Independentes», que saíram da ND e concentraram 670.596 votos, 10,6%, e «Aurora Dourada» que teve 440.894 votos, 7%.

 Além disso, aproximadamente 20% dos votantes optaram por dezenas de partidos que concorreram às eleições mas não conseguiram atingir o limiar mínimo de 3%.

 O PCG teve um pequeno aumento nas eleições. Em concreto recebeu 536.072 votos, 8,5%, isto é, teve um aumento de 18.823 votos, 1%. O PCG elegeu 26 deputados (entre os 300 do parlamento), mais cinco que anteriormente. Nos bairros operários a percentagem que o PCG alcançou foi quase o dobro da média. E numa das 56 circunscrições eleitorais (nas ilhas Samos-Ikaria) o PCG foi o partido vencedor com 24,7%.

O Comité Central do PCG chegou a algumas conclusões iniciais sobre os resultados eleitorais. No seu comunicado, entre outras, «saúda os milhares de trabalhadoras e trabalhadores, desempregados, que valorizaram o espírito de luta, a coerência, a verdade e a clareza das suas posições, a abnegação das e dos comunistas, que apoiaram o partido nas eleições, independentemente do grau de acordo com a totalidade da sua proposta política. Grande parte dos trabalhadores, bem como uma parte dos votantes do partido, sob a pressão da agudização dos problemas populares, das consignas enganadoras sobre a renegociação do memorado [1] e o alívio imediato dos trabalhadores, não puderam compreender e assumir a diferença entre o governo e o poder real».

No entanto, como sublinha o CC do PCG: «a proposta política do PCG da luta pelo poder operário e popular, estará no centro das atenções do povo, já que se torna cada dia mais clara a diferença entre o governo e o poder popular verdadeiro, bem como a proposta global sobre os problemas imediatos da sobrevivência dos povos e o poder operário e popular. Sob este ponto de vista, esta acção eleitoral política do PCG de acordo com a sua estratégia, como deve ser, é um legado importante para os próximos anos».

Sobre a SYRIZA

Alguns meios de comunicação burgueses internacionais, que apresentam a SYRIZA como «vencedora» das eleições de 6 de Maio, não alcançaram para além do seu nome «Coligação de esquerda radical», e concluíram que se trata de um partido radical de esquerda ou, inclusive, de um partido comunista. Naturalmente isto não tem nada a ver com a realidade. A força básica da SYRIZA é o partido «Coligação de esquerda (Synaspismos) que tem um programa social-democrata. Em 1992 votou no parlamento grego a favor do Tratado de Maastricht, e é um partidário da União Europeia imperialista, que considera poder ser

melhorada. Na verdade, apresenta um programa de gestão do sistema capitalista. Uniu-se à campanha anticomunista contra a URSS e os restantes países do socialismo que conhecemos no século XX. O Synaspismos é membro do presidium do chamado «Partido da Esquerda Europeia» (PEE), uma ferramenta da UE para erradicar as características comunistas dos partidos comunistas nos países da UE. Na SYRIZA, junto do Synaspismos participam forças que foram do social-democrata PASOK, assim como grupos da ultra-esquerda mais pequenos, trotskistas e antigos grupos maoístas transmutados que representam o papel das «espécies» políticas do receituário básico social-democrata e anticomunista. O objectivo principal desta formação é diminuir a influência eleitoral, sindical e política do PCG. A última década dá-nos muitos exemplos que demonstra o carácter anti-PCG desta formação política. Em dezenas de sindicatos, confederações sectoriais e associações de sindicatos a nível regional, as forças da SYRIZA participam e colaboram com as do PASOK a fim de impedir a eleição de delegados comunistas para os órgãos sindicais superiores. A SYRIZA é um inimigo jurado da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) que constitui um agrupamento de sindicatos com orientação de classe. A SYRIZA colabora abertamente nos órgãos das confederações dos sindicatos, comprometidas com as forças colaboracionistas, com o patronato e o governo, quer no sector privado (GSEE) quer no sector público (ADEDY). Em muitos casos nas eleições locais tiveram uma atitude idêntica. Um caso exemplar foi a sua posição nas eleições municipais de 2010 na ilha de Ikaria. Nesta ilha, que foi um lugar de exílio dos comunistas, o PCG tem uma grande influência eleitoral. Nas eleições de 2010 a SYRIZA aliou-se ao social-democrata PASOK e à liberal ND e ao nacionalista LAOS para que não fosse eleito um comunista presidente do município. O candidato do PCG teve 49,5% dos votos, e a aliança anti-PCG ganhou o município por umas centenas de votos.

Hoje em dia, a SYRIZA procura atacar o PCG com propostas sobre a conveniência política da chamada «unidade de esquerda, na tentativa de fazer o PCG apagar capítulos inteiros do seu programa, abandonar os seus princípios e aceitar a política de gestão do sistema capitalista, como propõe a SYRIZA.

Sobre tudo isto, o mínimo que podemos dizer é que a atitude de alguns partidos comunistas, que em nome do aumento eleitoral da «esquerda», saudaram imediatamente a subida eleitoral daquela formação política oportunista e anticomunista sem conhecer a verdadeira situação na Grécia, foi irresponsável. Saudaram um inimigo jurado do PCG, que o presidente dos industriais gregos propôs para participar num governo de coligação dos partidários da UE.

A ilusão da «unidade de esquerda»

E a mentira do «governo de esquerda»

Muitos trabalhadores politizados de diferentes países da Europa e de todo o mundo colocam a seguinte pergunta: Por que razão o PCG não faz algumas concessões? Por que insiste na

linha política da concentração das forças sociais que querem lutar contra os monopólios, contra o capitalismo, contra as uniões imperialistas, pelo poder operário e popular e não apoia a política de «unidade de esquerda», a luta para corrigir a realidade capitalista e a UE, com uma colaboração política ou governamental com outras forças de «esquerda» ou social-democratas, tal como fazem outros partidos comunistas da Europa?

Em primeiro lugar, há já algum tempo que o PCG deixou claro que o significado dos termos «esquerda» e «direita» não reflectem a realidade política de hoje. Hoje em dia, o termo «esquerda podia utilizar-se para descrever o Secretário-geral da NATO ou o primeiro-ministro de um país que leva a cabo uma guerra imperialista, e toma medidas antilaborais e antipopulares contra os trabalhadores do seu país». O Partido Comunista não é simplesmente um «partido de esquerda», mas o partido que luta pelo derrube do capitalismo e pela construção de uma nova sociedade socialista-comunista. Neste caminho e com esta direcção de luta pode haver lugar a conquistas, ao contrário não. Tal como a história já demonstrou, as reformas, a luta para corrigir o sistema capitalista, para mitigar as medidas antipopulares mais extremas, onde se centram as forças oportunistas-social-democratas, jamais levaram em parte alguma ao derrube do capitalismo. Pelo contrário, em muitas ocasiões levaram ao fortalecimento do capitalismo, criaram a ilusão em milhões de trabalhadores que o capitalismo pode ser humanizado. Que hoje em dia, supostamente, o Banco Central Europeu pode converter-se de um instrumento capitalista numa instituição de caridade e distribuir empréstimos sem juros, ou que a União Europeia pode concertar-se numa união que sirva o sistema da «união dos povos», como defendem o SYN/SYRIZA e o Partido da Esquerda Europeia.

É por isso que o PCG apresenta a sua proposta política de forma integral e nas eleições de 6 de Maio passado especificou-a no lema: «Fora da UE, com o poder popular e o cancelamento unilateral da dívida».

Assim, o PCG está firmemente orientado pelo marxismo-leninismo. Segundo Lenine: «O proletariado luta e continuará a lutar para destruir o antigo regime. Com este objectivo dirigirá toda a sua propaganda e agitação, todos os seus esforços para organizar e mobilizar as massas. Se não conseguir destruir totalmente o antigo regime, o proletariado saberá aproveitar também a sua destruição parcial. Mas nunca propugnará a destruição parcial, descrevê-la-á com optimismo, apelará ao povo para lhe dar apoio. Na luta autêntica só se apoia efectivamente o que aspira ao máximo (e que no caso de fracassar consegue o menos), e não àquele que, antes de começa a luta, cerceia os objectivos da mesma de uma forma oportunista» [2].

O PCG rejeitou a ideia de criar um «governo de esquerda» que mantendo a Grécia dentro da UE e da NATO e com as relações de produção capitalistas intactas, supostamente poderia

implementar a gestão de um sistema a favor do povo. O nosso partido luta pelo desenvolvimento da luta de classes, da consciência política dos trabalhadores, pela sua libertação da influência dos partidos e das construções ideológicas burgueses, e pela formação de uma aliança que não só defenderá os interesses dos trabalhadores, como tratará de tirar o país das intervenções imperialistas, para além de colocar a questão do poder.

O objectivo é diminuir da influência do PCG e a sua assimilação pelo sistema

A recusa do PCG em subjugar-se a formações de «esquerda» ou inclusive num governo de «esquerda» está no «ponto de mira» de inimigos e «amigos» que, directa ou indirectamente, apelam ao PCG para que se «una» com as restantes forças de «esquerda». Esta é linha seguida pelos partidos comunistas que estão no presidium do PEE. Além disso, houve mesmo alguns ataques grosseiros, por exemplo de um grupo de trotskistas – que são mais conhecidos no estrangeiro que na Grécia – que caracterizaram o PCG como um partido sectário e dogmático.

Como é possível com a linha de luta de classes e do conflito que promove o PCG agrupar centenas de milhares de pessoas, sendo um partido sectário? Como é possível, por exemplo, que nas fileiras da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) se agrupem dezenas de sindicatos de base, federações sectoriais, uniões de sindicatos a nível regional, representando centenas de milhares de trabalhadores?

É preciso dizer que a PAME, que é o polo de orientação de classe no movimento operário e sindical, agrupa 8 federações sectoriais de trabalhadores, 13 uniões regionais, centenas de sindicatos sectoriais e de base, com um total de 850.000 membros. Além disso a PAME trabalha nos sindicatos onde as forças com orientação de classe não são maioritárias. Por exemplo, as forças da PAME são a segunda força numa série de federações (como a Federação do sector turístico e restauração e a Federação dos trabalhadores metalúrgicos), bem como nas maiores Uniões de Sindicatos regionais do país, Atenas e Salónica.

Como é possível que a Frente Antimonopolista Grega de autónomos e pequenos comerciantes (PASEVE) agrupe nas suas fileiras milhares de trabalhadores autónomos que compreendem a necessidade de entrar em conflito com os monopólios? Como é possível que milhares de camponeses pobres, através de associações de agricultores e dos seus comités, se inspirem na luta da Frente Militante de Todos os Camponeses (PASY) contra a Política Agrícola Comum da UE? Como é possível que mulheres e milhares de estudantes que pertencem a camadas operárias e populares entrem na luta pelas questões e as iniciativas da Federação de Mulheres da Grécia (OGE) e da Frente Militante de Estudantes (MAS)? Em todas estas organizações sindicais, sociais e de política de massas, os membros e os dirigentes do partido têm um papel principal sem ocultarem a sua identidade?

Acusam o PCG de estar «isolado» ou inclusive ser «dogmático» ou «sectário», devido à sua rejeição de um «governo de esquerda» ou pelo facto de a percentagem eleitoral do PCG não subir tão rapidamente como a formação social-democrata SYRIZA. Estas acusações não podem afectar o PCG. Cabe lembrar que há dois anos e meio, o outro partido social-democrata, o PASOK, tinha concentrado 44% dos votos e que nas últimas eleições atingiu apenas os 13%. Esta queda teve lugar em condições de fluidez política, reforçou a SYRIZA com quem tem a relação ideológica mais estreita. É preciso dizer que um partido revolucionário, como é o PCG, não se julga exclusivamente pela percentagem alcançada nas eleições.

Quanto ao tema da política de cooperações, o nosso partido acumulou enorme experiência histórica. Dirigiu a luta antifascista de uma grande frente armada que teve uma enorme contribuição na luta do povo. No entanto, naquele período o Partido não conseguiu elaborar uma estratégia para a transformação da luta antifascista numa luta pelo derrube do poder burguês. O PCG fez alianças «de esquerda» nas décadas de 1950 e 1980. Da sua experiência sobre a política de alianças o PCG tirou conclusões úteis, e não tem qualquer intenção de repetir os mesmos erros.

Então, como se explica o ataque ao PCG? É claro que estão muito irritados pela acção internacional do PCG com vista à reconstrução do movimento comunista internacional, sobre a base do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário. Ademais, os Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários, tal como outras iniciativas comunistas internacionais, começaram em Atenas. No entanto, o mais importante é que o PCG é um partido com fortes raízes operárias e populares, é um partido que se recusa a abandonar os seus princípios, se recusa a ir a reboque da social-democracia, a submeter-se à UE e à NATO. Sobre isto, citamos um artigo publicado depois das eleições no conhecido jornal francês Le Monde Diplomatique: «O objectivo secreto e o desejo de todos os gregos de esquerda é: dissolver o Partido Comunista sobre uma nova base e dar à esquerda grega a sua posição correcta na sociedade». Isto é, desacreditar o PCG e convertê-lo, torná-lo igual aos outros partidos comunistas da Europa, transmutados numa «representação comunista» da social-democracia para a gestão da barbárie capitalista.

O nosso objectivo é fazer falir estes planos! Preservar e fortalecer o PCG! Apesar da pressão exercida sobre o nosso partido, há indicadores alentadores que mostram que o PCG é um «osso duro de roer». Dez dias depois das eleições de 6 de Maio, realizaram-se na Grécia as eleições estudantis. A lista apoiada pela Juventude Comunista da Grécia alcançou 16% nos Institutos Tecnológicos e 14% nas Universidades, o que representa um aumento em relação ao ano passado. Ao contrário, a lista da Syriza teve uma percentagem baixa, 2,3% nos institutos e 6,9% nas universidades.

Restauração do sistema burguês

Já há algum tempo que o PCG vem a advertir o povo grego que a classe burguesa está a preparar a restauração do panorama político, com o objectivo de preservar o seu poder. A razão é que já não pode administrar o sistema político na base da alternância no poder entre um partido político conservador (ND) e um social-democrata (PASOK), tal como vem acontecendo desde 1974, após a queda da ditadura militar. O sistema burguês está a tratar de se «desfazer» dos partidos e das pessoas que têm estado irremediavelmente expostos aos olhos do povo. Nestas condições, a SYRIZA, que tem um programa social-democrata, foi beneficiada nas eleições, propagandeou mentiras flagrantes, antes e durante o período pré-eleitoral, semeando ilusões de que pode haver um futuro melhor para os trabalhadores sem o conflito com os monopólios e as uniões imperialistas. É por isso que tem enormes responsabilidades perante o povo.

O PCG incita os trabalhadores a darem-se conta que esta restauração que se está a fazer não tem nada a ver com a satisfação das necessidades recentes do povo. Inclusive, o chamado «governo de esquerda» é um «salva-vidas esburacado» que se lança aos trabalhadores, já sufocados pelos becos sem saída do sistema capitalista.

O povo não deve deixar-se enrolar em falsos dilemas

Face às eleições de 17 de Junho os partidos burgueses e o oportunismo já estão a promover novos dilemas enganadores que serão utilizados proximamente para enrolar o povo, reduzir a resistência das massas populares radicais perante a pressão exercida, reduzir a influência eleitoral do PCG. O PCG não oculta o facto de esta batalha vir a ser muito difícil para os comunistas.

Para que fique claro que tipo de falsos dilemas eles estão a criar, permitimo-nos examinar alguns deles:

1. Euro ou dracma?

Um falso dilema é a acusação da ND dirigida contra a SYRIZA que a sua política está a levar o país para fora do euro, o que será uma catástrofe para os trabalhadores. Por outro lado a SYRIZA responde que a saída do euro significaria um imenso custo para os restantes países da zona euro e por isso tal nunca acontecerá.

Na realidade, tendo em conta que a crise capitalista está em desenvolvimento, não podemos excluir, segundo os diversos cenários que estão a ser discutidos, a contração da zona euro,

através da expulsão da Grécia e de outros países ou com uma desvalorização interna do euro no nosso país. Neste sentido, a chantagem da União Europeia e do FMI é real, e a resposta não pode ser a complacência preconizada pela SYRIZA.

No entanto, é preciso dizer que todos os restantes partidos, excepto o PCG, isto é, a ND, a SYRIZA, o PASOK e a DIMAR estão a lutar entre si para saber quem vai ser mais capaz de manter o país no euro, e acusam-se uns aos outros que a sua política conduz a Grécia à dracma. O objectivo de todos eles é impor à consciência do povo o falso dilema «euro ou dracma» para esconder o facto de terem a mesma estratégia, já que são partidos comprometidos com a UE. Pedem ao povo para votar e lutar sob bandeiras alheias aos seus interesses, na linha falsa de «dentro ou fora do euro», quando todos os partidos – excepto o PCG – estão a favor da UE e do euro. Os trabalhadores e o povo, quer com o euro quer com a dracma, viverão na indigência.

O PCG insta os trabalhadores a passar ao lado deste dilema. Não devem aceitar a eleição da moeda em que vão medir a sua pobreza, as reduções dos seus salários e pensões, os impostos, os gastos com saúde e educação. O dilema «euro ou dracma» é a outra face da intimidação com uma falência incontrolada, a qual já é uma realidade para a imensa maioria do povo. Querem que o povo se envolva neste falso dilema para que o possam chantagear quando quiserem aprovar leis antipopulares, dizendo-lhe que devem escolher entre as medidas bárbaras e o regresso à dracma, que identificam com o caos e a miséria. Simultaneamente, na Grécia e no estrangeiro há sectores da plutocracia que querem regressar à dracma. Isto permitir-lhes-ia conseguir maiores ganhos para eles e para a burguesia no seu conjunto, que na actualidade nas condições de assimilação do país dentro da zona euro. O povo na falência não vai ter prosperidade nem com o euro nem com a dracma, enquanto os monopólios dirigirem o país, enquanto o país permanecer na UE e a burguesia estiver no poder. A única resposta ao dilema «euro ou dracma», do ponto de vista do interesse popular, é: a saída da UE com o poder popular e o cancelamento unilateral da dívida. Não é preciso dizer que neste caso o país terá a sua própria moeda.

2. Solução grega ou europeia?

Estão todos a falar de uma solução europeia para a crise da Grécia e referem-se a negociações com os órgãos da UE para uma solução integral para o problema da dívida que também abarcará a Grécia. Todos os partidos gregos, excepto o PCG, saudaram a eleição de Hollande para a presidência francesa que, segundo dizem, põe fim ao antipopular dueto «Merkozy». Além disso, falam ainda de consultas com a UE sobre as medidas de desenvolvimento, através da subvenção das grandes empresas para que se possam realizar os investimentos.

Esta táctica tem como objectivo esconder que o responsável pelo sofrimento do povo não está em Bruxelas mas dentro do país. É a burguesia, os empregadores que têm nas suas mãos os meios de produção, os navios, os escritórios, os serviços do nosso país. A participação da Grécia na UE, na base das decisões dos partidos da plutocracia, serve os interesses desta. É uma provocação apresentar a UE como um lugar onde se pode encontrar uma saída favorável ao povo. Foi a UE, juntamente com os governos locais e o FMI, quem elaborou os memorandos. É a UE que tem como estratégia a «UE 2020» e o Tratado de Maastricht, que é a origem de todas as medidas contra os operários e os povos que se incluem ou não nos memorandos. Inclusive, andam a dizer ao povoo alívio mínimo das medidas tem a ver com as negociações no seio da UE, que apenas trata de assegurar para os monopólios uma saída da crise à custa dos povos.

Pedem à vítima para esperar que o agressor lhe dê uma solução para os seus problemas na União Europeia, quando esta está cada vez mais submersa na crise e mais reacionária, dadas as rivalidades no seu seio, e o antagonismo com os restantes centros imperialistas.

A SYRIZA tem uma grande responsabilidade já que procura uma renegociação da estratégia do memorando, paralisando o movimento e deixando-o à espera, até que, supostamente, tenham êxito as negociações por um «governo de esquerda», isto é, amordaçar as lutas operária populares num período em que as lutas têm de se intensificar e radicalizar, em primeiro lugar contra a plutocracia nacional e os partidos que a servem o apoiam através da intimidação ou ilusões.

O PCG revela ao povo que é preciso contar com um movimento operário e popular na Grécia que lute por uma ruptura e o derrota das decisões do capital e da UE e, ao mesmo tempo, promover a coordenação a nível europeu, não com negociações mas através do fortalecimento do movimento operário popular europeu contra a UE, com vista à ruptura.

3. Austeridade ou desenvolvimento?

Numa Europa capitalista submersa na crise, o que procuram conseguir é o «desenvolvimento», isto é a saída da crise para o capital da UE. Na Grécia, os partidos a favor da UE acusam-se uns aos outros pela proporção das medidas de austeridade e pela sua fórmula política de desenvolvimento. Assim, tratam de ocultar que a via de desenvolvimento capitalista implica austeridade em condições de forte concorrência capitalista e de agudizadas contradições inter-imperialistas. As medidas de «consolidação fiscal» que se implementam em muitos países, com ou sem memorandos mas sempre em nome da criação de um superavit no orçamento estatal, são para subvencionar as necessidades do capital e servem também o desenvolvimento. As «mudanças estruturais» na Grécia e em toda a UE, também em nome do

desenvolvimento, respeitam sobretudo à abolição da segurança social e dos direitos laborais, para que o operário seja mais barato para o capital.

As privatizações e a liberalização dos mercados que oferecem novos campos de rentabilidade à plutocracia também têm como objectivo o desenvolvimento, esmagando os pequenos comerciantes e os trabalhadores autónomos. Portanto, tudo o que se faz para o desenvolvimento, que precisamente pela sua natureza capitalista só deita a mão a medidas antipopulares, sejam elas de austeridade, «mudanças estruturais», ou resgates das grandes empresas. No período anterior, os governos burgueses da zona euro estavam abrandando ou intensificando as medidas, numa ou noutra direcção, tentando regular os antagonismos entre eles e a profunda crise.

O PCG assinala que a saída da crise a favor do povo não está na gestão da crise com ferramentas expansivas ou restrictivas por parte do pessoal político nos órgãos da UE. Está na organização da luta a nível nacional, por uma via diferente de desenvolvimento que, com o poder popular, a saída da UE e a socialização dos meios de produção, vai desenvolver todas as capacidades do país para benefício do povo.

4. «Direita» ou «esquerda»? «Memorando ou «anti-memorando»?

São dilemas que vão tomar outras formas, de acordo com os acontecimentos, com uma nova forma dos dois polos, do centro-direita e do centro-esquerda. Estes dilemas, sobretudo por responsabilidade da SYRIZA, puseram à margem e esconderam as verdadeiras contradições na Grécia e na UE. O dilema artificial «memorando-anti-memorando» é utilizado pelos burgueses e os oportunistas para esconder que o denominador comum é a «via de sentido único da UE», isto é, o alinhamento com a estratégia do capital. Independentemente das diferentes táticas, estas forças de «esquerda» e de «direita», «memorando» ou «anti-memorando» estão a enganar os operários e os sectores populares quando lhes dizem que pode haver uma solução a favor do povo dentro da UE. A ND, o PASOK, os Gregos Independentes, a SYRIZA, a DIMAR e outras forças não têm um programa que entre em conflito, ou pelo menos questione, o poder dos monopólios. Os termos que todos utilizam são «desenvolvimento», «redistribuição da riqueza», «auditoria da dívida», «solução europeia», e escondem os interesses de classe opostos que existem quer na Grécia quer na UE. Isto é, enquanto se mantiver a propriedade capitalista dos meios de produção, os sectores populares não vão prosperar. O memorando é a ponta do iceberg da estratégia da UE, que prevê medidas anti-populares em todos os países membros. Grécia, Irlanda, Portugal, Hungria, Roménia têm contrato de empréstimo, enquanto a Alemanha, França, Itália, Espanha e Dinamarca não têm, nem tampouco a Grã-Bretanha que nem sequer pertence à zona euro. No entanto, o ataque do capital em todos estes países é comum, e inclui diminuições de salários, relações laborais flexíveis, aumento da idade de reforma, privatizações de serviços públicos,

comercialização da saúde, da educação, da cultura, dos desportos, pauperização absoluta e relativa dos trabalhadores. Inclusive, na Grécia, se não nos livrarmos do memorando, se não entrarmos em conflito com o capital e o seu poder, continuarão a implementar, ainda mais intensamente, as medidas anti-populares, porque isto é o que estabeleceram as directrizes estratégicas da UE, assinadas ou apoiadas pelos partidos burgueses e o SYN/SYRIZA.

A verdadeira pergunta a que o povo deve responder e que se tornará mais fortemente evidente nos próximos tempos é: A Grécia e povo trabalhador independentes e desvinculados dos compromissos europeus ou a Grécia assimilada na UE imperialista? O povo será o dono da riqueza que se produz ou vai ser o escravo nas fábricas e nas empresas dos capitalistas? O povo será organizado e protagonista ou o movimento operário e popular ficam fora do combate, esperando que o agressor lhes resolva os problemas através de um representante? A posição do PCG é clara. O facto de todas as suas previsões e avaliações se terem confirmado é uma razão mais para que o povo confie no PCG e lute juntamente com ele.

Na próxima batalha eleitoral o PCG necessita da mais ampla e coerente solidariedade internacional com o partido. Os comunistas na Grécia precisam de sentir a seu lado o apoio, a solidariedade proletária e o espírito de camaradagem dos partidos comunistas e operários e das demais forças anti-imperialistas perante esta dura batalha eleitoral que temos pela frente, dado que o objectivo da burguesia é a diminuição da influência eleitoral do PCG.

O que os preocupa é a política revolucionária do PCG, as suas posições claras em relação às organizações imperialistas, a sólida base do PCG no movimento operário e popular, nas fábricas, nas empresas, nos bairros populares das grandes cidades. É porque não podem submeter o PCG. As comunistas e os comunistas, os amigos do PCG, os membros e os amigos da JCG travam esta batalha de forma organizada e com decisão, declarando ao povo grego e à classe operária internacional que depois das eleições vamos estar nos locais de trabalho, nas cidades e nos campos junto das famílias operárias e populares, na primeira linhada luta, em ligação com os problemas do povo, fiéis ao compromisso histórico do partido revolucionário, e firmes na luta pelo derrube da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo.

Notas:

[1] O acordo de medidas anti-populares assinado pelo governo grego com a UE, FMI e BCE para receber novos empréstimos.

[2] V.I. Lenine «O combate pelo poder e o "combate" por sopas», volume 11, pp 27-31

Este texto foi publicado em http://es.kke.gr/news/news2012/2012-05-23-arthro

quarta-feira, 30 de maio de 2012

"A opção salvadorenha para a Síria"



imagemCrédito: Resistir.info
Esquadrões da morte promovidos pelos EUA-OTAN integram as "forças da oposição"
por Michel Chossudovsky
Modelado nas operações encobertas dos EUA na América Central, a "Opção salvadorenha para o Iraque", iniciada pelo Pentágono em 2004 foi executada sob o comando do embaixador dos EUA no Iraque John Negroponte (2004-2005) em conjunto com Robert Stephen Ford, que em Janeiro de 2011 foi nomeado embaixador dos EUA na Síria, menos de dois meses antes de começar a insurgência armada contra o governo de Bashar Al Assad.
"A opção salvadorenha" é um "modelo terrorista" de assassinatos em massa por esquadrões da morte patrocinados pelos EUA. Ela foi aplicada primeiramente em El Salvador, no auge da resistência contra a ditadura militar, resultando em cerca de 75 mil mortes.
John Negroponte foi embaixador dos EUA em Honduras de 1981 a 1985. Como embaixador em Tegucigalpa ele desempenhou um papel chave no apoio e supervisão dos mercenários "contra" nicaraguenses que estavam baseados em Honduras. Os ataques além fronteiras, na Nicarágua, ceifaram cerca de 50 mil vidas civis.
Em 2004, John Negroponte foi nomeado embaixador dos EUA no Iraque, com um mandato muito específico.
A opção salvadorenha para a Síria: O papel central do embaixador estado-unidense Robert S. Ford
O embaixador estado-unidense na Síria (nomeado em Janeiro de 2011), Robert Stephen Ford, fez parte da equipe de Negroponte na Embaixada dos EUA em Bagdad (2004-2005). A "Opção salvadorenha" para o Iraque estabeleceu as bases para o lançamento da insurgência na Síria, em Março de 2011, a qual começou na fronteira Sul, na cidade de Daraa.
Em relação a acontecimentos recentes, as matanças e atrocidades cometidas que resultaram em mais de 100 mortes incluindo 35 crianças na cidade fronteiriça de Houla, em 27 de Maio, eles foram, com toda a probabilidade, executados sob o que pode ser descrito como uma "Opção salvadorenha para a Síria".
O governo russo apelou a uma investigação
"À medida que a informação goteja de Houla, Síria, próxima à cidade de Homs e da fronteira sírio-libanesa, torna-se claro que o governo sírio não foi responsável por bombardear até à morte cerca de 32 crianças e seus pais, como é periodicamente afirmado e negado pelos media ocidentais e mesmo a própria ONU. Parece, ao invés, que havia esquadrões da morte em quarteirões próximos – acusados por "ativistas" anti-governo como sendo "bandidos pro regime" ou "milícias" e pelo governo sírio como trabalho de terroristas da Al Qaeda ligados a intrusos estrangeiros". (Ver Tony Cartalucci, Syrian Government Blamed for Atrocities Committed by US Sponsored Deaths Squads , Global Research, May 28, 2012)
O embaixador Robert S. Ford foi despachado para Damasco no fim de Janeiro de 2011 no momento do movimento de protesto no Egito. (o autor estava em Damasco em 27/Janeiro/2011 quando o enviado de Washington apresentou as suas credenciais ao governo Al Assad).
No princípio da minha visita à Síria, em Janeiro de 2011, refleti sobre o significado desta nomeação diplomática e o papel que poderia desempenhar num processo encoberto de desestabilização política. Não previ, contudo, que esta agenda de desestabilização seria implementada dentro de menos de dois meses a seguir à posse de Robert S. Ford como embaixador dos EUA na Síria.
O restabelecimento de um embaixador dos EUA em Damasco, mas mais especificamente a escolha de Robert S. Ford como embaixador dos EUA, dá azo a um relacionamento direto com o início da insurgência integrada por esquadrões da morte em meados de Março de 2011, contra o governo de Bashar al Assad.
Robert S. Ford era o homem para este trabalho. Como "Número Dois" na embaixada do EUA em Bagdad (2004-2005) sob o comando do embaixador John D. Negroponte, ele desempenhou um papel chave na implementação da "Opção salvadorenha no Iraque" do Pentágono. Esta consistiu em apoiar esquadrões da morte e forças paramilitares iraquianas modeladas na experiência da América Central.
Desde a sua chegada a Damasco no fim de Janeiro de 2011 até ser chamado de volta a Washington em Outubro de 2011, o embaixador Robert S. Ford desempenhou um papel central em preparar o terreno dentro da Síria bem como em estabelecer contatos com grupos da oposição. A embaixada do EUA foi a seguir encerrada em Fevereiro. Ford também desempenhou um papel no recrutamento de mercenários Mujahideen junto a países árabes vizinhos e na sua integração dentro das "forças de oposição" sírias. Desde a sua partida de Damasco, Ford continua a supervisionar o projecto Síria fora do Departamento de Estado dos EUA.
"Como embaixador dos Estados Unidos junto à Síria – uma posição que o secretário de Estado e o presidente estão a manter-me – trabalharei com colegas em Washington para apoiar uma transição pacífica para o povo sírio. Nós e nossos parceiros internacionais esperamos ver uma transição que estenda a mão e inclua todas as comunidades da Síria e que dê a todos os sírios esperança de um futuro melhor. O meu ano na Síria diz-me que uma tal transição é possível, mas não quando um lado inicia constantemente ataques contra pessoas que se abrigam nos seus lares". ( US Embassy in Syria Facebook page )
"Transição pacífica para o povo sírio"? O embaixador Robert S. Ford não é um diplomata vulgar. Ele foi o representante dos EUA em Janeiro de 2004 na cidade xiita de Najaf, no Iraque. Najaf era a fortaleza do exército Mahdi. Poucos meses depois ele foi nomeado o "Homem Número Dois" (Ministro Conselheiro para Assuntos Políticos) na embaixada dos EUA em Bagdad no princípio do mandato de John Negroponte como embaixador no Iraque (Junho 2004 – Abril 2005). Ford a seguir serviu sob o sucessor de Negroponte, Zalmay Khalilzad, antes da sua nomeação como embaixador na Argélia em 2006.
O mandato de Robert S. Ford como "Número Dois" sob o comando do embaixador Negroponte era coordenar fora da embaixada o apoio encoberto a esquadrões da morte e grupos paramilitares no Iraque tendo em vista fomentar a violência sectária e enfraquecer o movimento de resistência.
John Negroponte e Robert S. Ford, na embaixada dos EUA, trabalhavam em estreita colaboração no projeto do Pentágono. Dois outros responsáveis da embaixada, nomeadamente Henry Ensher (vice de Ford) e um responsável mais jovem na seção política, Jeffrey Beals, desempenharam um papel importante na equipe "conversando com um conjunto de iraquianos, incluindo extremistas". (Ver The New Yorker, March 26, 2007). Outro ator individual chave na equipe de Negroponte era James Franklin Jeffrey, embaixador dos EUA na Albânia (2002-2004).
Vale a pena notar que o recém nomeado por Obama chefe da CIA, general David Petraeus, desempenhou um papel chave na organização do apoio encoberto a forças rebeldes da Síria, na infiltração da inteligência síria e nas forças armadas.
Petraeus desempenhou um papel chave na Opção salvadorenha do Iraque. Ele dirigiu o programa "Contra-insurgência" do Comando Multinacional de Segurança de Transição em Bagdad em 2004 em coordenação com John Negroponte e Robert S. Ford na Embaixada dos EUA.
A CIA está a supervisionar operações encobertas na Síria. Em meados de Março, o general David Petraeus encontrou-se com seu confrades da inteligência em Ancara, para discutir apoio turco ao Free Syrian Army (FSA) ( CIA Chief Discusses Syria, Iraq With Turkish PM , RTT News, March 14, 2012)
David Petraeus, o chefe da CIA, efetuou reuniões com altos oficiais turcos ontem e em 12 de Março, soube o Hürriyet Daily News. Petraeus encontrou-se ontem com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e seu confrade turco, Hakan Fidan, chefe da Organização de Inteligência Nacional (MIT), no dia anterior.
Um responsável da Embaixada dos EUA disse que responsáveis turcos e americanos discutiram "muito frutuosamente as mais prementes questões da cooperação na região para o próximos meses". Responsáveis turcos disseram que Erdogan e Petraeus trocaram pontos de vista sobre a crise síria e o combate anti-terror. ( CIA chief visits Turkey to discuss Syria and counter-terrorism | Atlantic Council , March 14, 2012)
28/Maio/2012

Terrorismo será extirpado da Síria...

Ministro do Interior diz terrorismo será extirpado da Síria PDFImprimirE-Mail
Escrito por Camila Carduz
domingo, 29 de julio de 2012
Imagen activa29 de julio de 2012, 11:05Damasco, 29 jul (Prensa Latina) O general Mohammed Ibrahim Al-Shaar, ministro do Interior da Síria, disse hoje que as forças do Exército Árabe Sírio e de Segurança extirparão o terrorismo do país.

Depois de se recuperar dos ferimentos sofridos em um atentado no dia 18 de julho, o ministro afirmou que "existem algumas brechas que não deveriam ser tomadas por ninguém como uma desculpa para se vender para estrangeiros".

Al-Shaar chamou todos os que se se afastam da causa do povo a abandonar as armas e se darem conta de "que não são mais que combustível aproveitado por outros, cujo plano é desestabilizar o país".

Sobre as campanhas dos meios ocidentais sobre sua morte, acrescentou que isso "já não é algo inusual para eles, pois no marco da guerra psicológica que levam a cabo contra Síria divulgaram tais notícias mentirosas sobre mim e outros".

Antes do covarde atentado trabalhávamos com plena capacidade, mas agora mobilizaremos todas as nossas energias de reserva e multiplicaremos por dez o que fazíamos para perseguir o restante dos grupos terroristas que ameaçam a segurança da nossa Síria, pontou.

O alto funcionário presidiu uma reunião de diretores na sede do Ministério do Interior para examinar o avanço no reestablecimento da segurança e a exatidão na execução das tarefas para se atingir esse objetivo.

Por outra parte, o ministério que preside lançou um apelo à população para combater certos rumores que chamam os cidadãos a abandonarem suas casas alegando preocupação por suas vidas e depois estes grupos se apoderam dessas casas e as utilizam como bases para seus atos terroristas.

Enquanto isso a ofensiva das forças governamentais é mantida em várias províncias do país.

Em Alepo, a 350 quilômetros ao norte de Damasco, as autoridades enfrentam os grupos armados no bairro de Salah al-Din, onde a explosão de uma fábrica de explosivos em uma área residencial causou a morte de vários insurgentes.

Também foram detidas quatro pessoas que transportavam dois terroristas feridos, durante os confrontos no bairro de Al-Sukari.

Ocorreram choques nos bairros de al-Furkan, Suleiman al-Halabi e al-Ansari al-Sharki, nos quais foram vários insurgentes foram mortos e suas armas e veículos de transporte confiscadas.

Nesse domingo, em áreas ao oeste da capital, em Damasco Campo, escutaram-se disparos esporádicos de armas de fogo, um sinal de que prossegue a perseguição aos grupos que atacaram bairros da capital nos últimos dias.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Jornada Nacional de Luta Camponesa

Movimento dos Pequenos Agricultores realiza mobilizações em todo o país durante Jornada Nacional de Luta Camponesa ImprimirPDF
imagemCrédito: MPA
Cerca de 10 mil camponeses e camponesas de 17 estados do país, organizados pelo Movimento dos Pequenos Agricultores, estarão mobilizados entre os dias 28 de maio e 1º de junho, na Jornada Nacional de Luta Camponesa.
Os camponeses e camponesas vão às ruas para reafirmar o compromisso de luta com o campesinato e os trabalhadores urbanos, e cobrar ações do estado brasileiro que garantam e fortaleçam a produção de alimentos saudáveis no campo para a geração de renda das famílias cam­ponesas e o abastecimento das famílias da cidade.
Para que o campesinato continue produzindo 70% da comida que vai a mesa do povo brasileiro, o movimento reivindica políticas públicas voltadas para melhoria da qualidade de vida no campo, que incluam o acesso à terra, investimento na produção, beneficiamento e comercialização de alimentos, moradia e educação camponesa, incentivos para que os camponeses continuem preservando o meio ambiente, e mudança do modelo agrícola brasileiro, com o fortalecimento da agricultura camponesa e da produção agroecológica. Além disso, o MPA reivindica solução definitiva para o problema das dívidas dos pequenos agricultores.
O MPA ainda questiona e denuncia as mudanças do novo Código Florestal, que beneficia diretamente os latifundiários do agronegócio, legitima o desmatamento já realizado e abre fronteiras agrícolas sobre as nossas florestas e áreas de preservação.
A jornada traz também como pauta central o combate ao uso de agrotóxicos e a construção de uma nova dinâmica de produção no campo, caracterizada pelo fim dos latifúndios e dos monocultivos, e que priorize a produção de alimentos para garantia da soberania alimentar do povo a partir da agricultura camponesa com base agroecológica.
Durante a semana , diversas audiências nacionais e estaduais estarão sendo realizadas para garantir a pauta de reivindicação do movimento. Já foram solicitadas reuniões com 17 ministérios, entre eles o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Ministério das Cidades (MC), Ministério da Cultura (Minc), Ministério da Saúde (MS), Ministério do Desenvolvimento Social e combate à fome (MDS), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério de Minas e Energia (MME); além de reuniões com a Anvisa, Caixa Econômica Federal, Receita Federal, Banco do Brasil, Companhia Nacional de abastecimento (Conab) e Embrapa.
Pautas específicas
A jornada pede soluções imediatas e definitivas para o problema do endivi­damento agrícola e a criação de uma linha de crédito subsidiado para a produção de alimentos, desbancarizado e com paga­mento pela produção.
Os camponeses e camponesas cobram do estado a criação de um programa público de paga­mento por serviços sócio-ambientais realizados pelas famílias camponesas, que garanta o incentivo de um salário mínimo por família ou propriedade que cumpra as regras estabeleci­das pelo Código Florestal Brasileiro. Ainda dentro da pauta de meio ambiente, o MPA solicita a criação de um programa de apoio à experiências cooperativadas de produção de Energias Renováveis como: PCHs, aerogeradores, micro destilarias, unidades de óleo vegetal e biodiesel, biodigestores, etc;
Em relação à educação, o MPA reivindica a reabertura das escolas do campo e adaptação dos currículos escolares com a realidade cam­ponesa, além da criação de uma bolsa permanência, para jovens estudantes e recém formados, para que per­maneçam no campo trabalhando em prol do desen­volvimento da comunidade.
O MPA cobra do governo que programas como PAA e Habitação Rural, sejam transformados em políticas públicas para que possam garantir a permanência dos serviços prestados aos campesinato e que seus recursos sejam ampliados. Ele ainda pede o fortalecimento da CONAB, com pessoal, estrutura e orçamento, com estratégia para a soberania alimen­tar brasileira. Em relação ao Programa Luz Para Todos, o pedido é que seja feita a ligação imediata de energia para todas as famílias cadastradas no Luz para Todos e que haja melhoria na qualidade da energia onde já foram ligadas.
Tendo em vista as demandas oriundas do PAA e PNAE, o movimento pede que se leve em conta uma legislação específica e que se crie um programa massivo de pequenas agroin­dústrias.
Diante das catástrofes ambientais vivenciadas atualmente por vários estados brasileiros, como chuvaradas e secas prolongadas, o movimento propõe a criação de mecanismos que permitam ao governo uma reação emergencial para esses problemas.
Para garantir uma transição massiva para agroecologia, o MPA reivindica a criação de um programa que fortaleça essa iniciativa, com crédito apropriado, políticas de comercialização, logística para insumos agroecológicos e diferenciação em todas as políticas públicas para quem der passos no processo de transição para esse modelo.
http://www.mpabrasil.org.br/noticias/movimento-dos-pequenos-agricultores-realiza-mobilizacoes-em-todo-o-pais-durante-jornada

Al-Hula,Terroristas matam e jogam a culpa no exército sírio

SÍRIA: Porta-voz do Governo nega qualquer responsabilidade das forças do governo sírio no massacre de al-Hula

Eba Khattar
29.Mai.12 :: Outros autores

A publicação desta notícia da agência Síria SANA poderia não ser mais do que uma modesta tentativa de contrapor outra informação à enxurrada mediática imperialista, e mesmo assim já se justificaria. Mas é também uma oportunidade de denunciar o facto de no vergonhoso coro internacional da direita e da social-democracia - que reclama a repetição na Síria da criminosa operação de ocupação que se verificou na Líbia - participarem igualmente forças que se dizem progressistas e de esquerda, sem escrúpulos de juntarem as suas vozes aos objectivos da dominação e do terrorismo imperialista.


O porta-voz do Ministério dos Estrangeiros e da Emigração, Dr. Jihad Makdesi, negou qualquer responsabilidade das forças governamentais no massacre ocorrido em Hula, na periferia da cidade de Homs, ao mesmo tempo que condenou nos termos mais veementes esta matança terrorista levada a cabo com clara intenção criminosa contra os filhos da Síria, denunciado de igual modo o tsunami de mentiras desencadeado contra o Estado sírio e a leviandade com que alguns governos e meios de comunicação acusam o governo sírio pelo massacre.
Em conferência de imprensa realizada no domingo na sede do Ministério dos Estrangeiros e da Emigração Makdesi disse: “O Estado Sírio é, conforme a Constituição, responsável pela protecção dos civis, e a Síria reserva-se o direito de defender os seus cidadãos, porque aquilo que está em questão não é qualquer espécie de jogo político mas a responsabilidade pela segurança e a tranquilidade dos cidadãos que incumbe ao Estado”.
Makdisi garantiu que não se verificou qualquer entrada de artilharia ou de tanques em Houla, explicando que as forças de segurança e da ordem se mantiveram nas suas posições iniciais e que apenas intervieram em defesa própria face a este ataque, intervenção que terminou com os confrontos no final da noite de sexta-feira passada.
O porta-voz do Governo sublinhou que esta tão suspeita sincronização dos ataques com a visita do enviado da ONU à Síria, Kofi Annan, constitui um golpe contra o processo político, assinalando que “a metodologia dos assassinatos brutais não faz parte da ética do exército sírio, e que quem anda a matar não é o exército regular sírio mas sim grupos terroristas armados”.
“Aquilo que sucedeu não serve os interesses do Estado sírio … não podemos negociar com o sangue dos nossos filhos, tal como não pode justificar-se o uso das armas contra o prestígio do Estado, sejam quais forem os argumentos políticos invocados,… desde que aprovámos o Plano de Annan o terrorismo e a delinquência aumentaram, porque não desejam que este Plano tenha sucesso”, sublinhou Makdesi.
O porta-voz do Governo assegurou que as violações documentadas do Plano Annan na Síria por parte dos terroristas armados já ultrapassam as três mil e quinhentas.
“A desestabilização é o caldo de cultura para os terroristas, e aí participam a al-Quaeda e os takfirís, mas não permitiremos que tirem vantagens de um tal contexto, por mais que ampliem as suas acções; e a solução para a crise na Síria reside e estender a mão ao Governo sírio e auxiliá-lo”, concluiu Makdisi.
Makdisi explicou que o que sucedeu em Hula foi já verificado: centenas de homens armados reuniram-se ao meio-dia de sexta feira, com carrinhas pick-up repletas de armas pesadas sofisticadas, tais como morteiros, metralhadoras pesadas e mísseis anti-tanque, o que não constitui novidade nos confrontos com as forças governamentais.
“Os homens armados dirigiram-se para a zona de Hula, que é protegida por tropas governamentais em apenas cinco posições, todas elas situadas fora dos lugares em que os massacres foram cometidos…estas posições foram atacadas em simultâneo desde as duas horas da tarde até às onze da noite, tendo resultado na morte de 3 efectivos das forças de segurança e em ferimentos em outros 16, alguns dos quais em estado crítico, e há corpos carbonizados devido à grande potência das armas utilizadas contra as forças governamentais”.
“Constituímos uma comissão militar de inquérito para investigar os factos cujos resultados serão divulgados no prazo de três dias”.
O porta-voz reiterou firmemente que não existiu qualquer entrada de tanques sírios ou de artilharia na região onde foram cometidos os massacres.
Makdisi sublinhou que o massacre de Hula não foi o único, uma vez que se verificou um outro na aldeia de Shomaniye, onde foram queimadas as culturas, as casas e o Hospital Nacional, garantindo que ambos estes injustificáveis massacres justificam uma reunião do Conselho de Segurança para analisar quem financia, arma, acolhe e instiga à intervenção da OTAN.
Makdisi informou que no plano diplomático o Ministro dos Estrangeiros e da Emigração Walid al-Moalem contactou com o enviado da ONU à Síria, Kofi Annan – que chegará ao país na segunda-feira – para o pôr ao corrente dos acontecimentos e das investigações oficiais que estão em curso sobre este assunto.
“Lamentamos que primeiros-ministros de alguns países que se consideram potências se antecipem às conclusões e lancem acusações levianas em importantes fóruns internacionais sem se fundamentar em factos, mas apenas naquilo que alguns opositores sírios ou círculos mediáticos enviesados divulgam, bem como aqueles que têm agendas políticas contra a Síria”, acrescentou.”
“A concentração de homens armados vindos de várias regiões como Roston, Telbisa ou Qsair, bem como o lançamento do ataque a uma hora determinada, o que é um facto que as informações de inteligência que possuímos confirma irrefutavelmente, significa que não se tratou de um ataque improvisado mas sim de uma acção premeditada e planeada”, disse.
Makdisi garantiu que “todos aqueles que sabotam a trégua, sejam eles os países da região que albergam os terroristas ou fazem vista-grossa à sua infiltração na Síria, ou sejam os países que financiam e ameaçam publicamente,são cúmplices deste crime cometido contra o sangue do povo sírio”.
Estamos comprometidos com o Plano Annan e desejamos que tenha sucesso, mas as chaves da solução não residem apenas na Síria: há que aposte na desintegração do Estado e em golpear a sua estabilidade, e em atrair uma intervenção militar estrangeira no nosso país”, denunciou Makdesi.
“Não existe nada que tenha o nome de “tropas armadas da oposição”, como foi mencionado no relatório de Ki-moon: ou existe uma oposição de opinião que é bem-vinda a dialogar com o Estado, que nunca fechou as portas ao diálogo, ou são terroristas e, portanto, o emprego de tal designação requer um exame por parte da equipa do Secretário-Geral das Nações Unidas, porque não pode dizer-se “forças da oposição armadas” e não pode justificar-se a acção armada contra o prestígio do Estado, seja qual for a razão política invocada”, sublinhou.
Makdesi referiu-se ao relatório do Secretário-Geral da ONU, no qual é mencionado que intervêm veículos armados e máquinas pesadas, e em que é também dito que existem cidades que se encontram fora do controlo do Estado. “Parece a pintura da Mona Lisa, que cada um interpreta à sua maneira, … ou existem cidades fora do controlo do Estado e é portanto direito constitucional proteger os seus cidadãos e expulsar os terroristas e homens armados, procurando que passem a intervir no plano político e não no plano militar, ou então nada do que é dito faz sentido, o que é o que nós dizemos”.
“Existem bairros que podem estar fora de controlo devido à presença dos grupos armados, mas não existem cidades nessa situação e, por isso, o relatório não está à altura do Secretário-Geral das Nações Unidas, e esperamos que o próximo relatório seja mais profissional e que assente em políticos experientes como os observadores que se encontram na síria, que entram nossa bairros e testemunham com os seus próprios olhos a presença dos grupos armados”.
Makdisi disse: ”O Ministro dos Negócios Estrangeiros informa Annan e Ban Ki Moon, bem como os nossos aliados e amigos sobre a violações diariamente cometidas pela oposição síria, e as mais recentes estatísticas (com dados até há 4 ou 5 dias) indicam que há registo de mais de 3.500 violações documentadas”.
27 de Maio de 2012
fonte: Agência síria SANA

30 de maio:Manifestação de Servidores Municipais de Campos-RJ

 

 



 

UMA BOA REFLEXÃO PARA OS SERVIDORES MUNICIPAIS DE CAMPOS:PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO, PROFISSIONAIS DE SAÚDE, GUARDA MUNICIPAL, ETC...VAMOS A LUTA MINHA GENTE1 OUSAR LUTAR.OUSAR VENCER!
DIA 30 DE MAIO OS SERVIDORES MUNICIPAIS VÃO PARAR!
A EDUCAÇÃO, A GUARDA MUNICIPAL, OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, ETC
GRANDE ATO PÚBLICO 9:30 DA MANHÃ, EM FRENTE A SEDE DA PREFEITURA DE CAMPOS.
NÃO ADIANTA RECLAMAR, TEMOS QUE LUTAR!
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um ideal neoliberal: o “Homo Economicus”

 

Vaz de Carvalho
28.Mai.12 :: Outros autores

Os filósofos representaram como um Ideal - o “Homem” – indivíduos que não se veem subordinados à divisão do trabalho (…) Deste modo se concebe este processo como um processo de alienação do “Homem” (Marx – A Ideologia Alemã). (1)


1 – Sem consciência do bem e do mal
O mundo perfeito do neoliberalismo – a que a social-democracia se submete, para além da retórica de ocasião - é formado por indivíduos perfeitamente livres, perfeitamente racionais, orientados pelas suas escolhas económicas. Trata-se do designado “homo economicus”. Que visão do mundo é que nos propõem? Seres humanos que se guiam e são guiados apenas por considerações económicas. Neste sistema, o lucro capitalista-financeiro sobrepõe-se a quaisquer outras considerações, os sacrifícios das pessoas não são tidos em conta, o desemprego, não é um acidente: é uma forma de gestão. (2) As “reformas estruturais” – eufemismo para iludir os incautos – postas em prática pelo governo e reclamadas pela “troika” – e apoiantes - são bem a confirmação do que dizemos.
“O direito ao trabalho e a proteção do ambiente tornaram-se excessivos na maior parte dos países desenvolvidos. O comércio livre vai reprimir alguns destes excessos, obrigando cada um a tornar-se competitivo” declara o Prémio Nobel, Gary Becker, pai de uma “economia generalizada”, segundo a qual toda alógica social é redutível a uma pura racionalidade económica” (2) Este “puro” faria sorrir não fosse a tragédia dos que sofrem as dramáticas consequências desta “racionalidade”, que se traduz em desemprego, pobreza e fome que alastram pelos países onde é aplicada.
Mas acerca da concorrência vale a pena recordar Marx e Engels: “A concorrência isola os indivíduos, não apenas os burgueses mas mais ainda os proletários enfrentando-se uns aos outros, apesar do que os une.” (3), O proletariado liberta-se suprimindo a concorrência (4)
Bem se pode dizer que o “homo economicus” é o grau zero do pensamento, um “Homem” imaginado sem História, sem sociologia, sem psicologia que não a das escolhas do mercado, sem ideias nem ideologia, passivamente explorado pela oligarquia triunfante eis, pois, o ideal “democrático” do neoliberalismo. Não admira que nos governos, tecnocratas adeptos destes preconceitos ocupem ministérios fundamentais. Neste sentido a sua mais brilhante argumentação – não parece disporem de mais – é classificarem de “ideologia” as críticas mais pertinentes. No fascismo era-se perseguido por ter ou fazer “política”, no neoliberalismo é-se marginalizado por ter “ideologia”.
Quando não há princípios tudo se pode equivaler, sendo que o equivalente universal é o dinheiro. O “homo economicus” a que querem reduzir a humanidade, parece-se com o protagonista de “O Estrangeiro” de Albert Camus, sem consciência do bem e do mal. Uma humanidade seguindo raciocínios que se traduzem em fórmulas matemáticas, que ora nos dizem ser simples e evidentes, ora nos apresentam inextrincavelmente complexas. Um mundo em que a irresponsabilidade moral dos indivíduos e da sociedade está coberta pela acção do mercado. Mas será só isto a vida? Não haverá nada para além deste modelo artificial com o qual querem construir uma hipotética realidade que seria perfeita quando abandonássemos toda a dimensão do humanismo?
Claro que não são negados valores, pelo contrário, são proclamados e lamenta-se a sua falta. Porém, não vão além de piedosos votos religiosos, de superstições diversas, de ilusória boa consciência dos voluntariados, de caridade, que serve para mascarar as crescentes injustiças e a desagregação social.
Na realidade, independentemente de toda a retórica “personalista” o “homo economicus” é forçosamente conformista. O objetivo do neoliberalismo é produzir seres humanos à medida de interesses assumidamente privados das transnacionais e da finança especuladora, para daí deduzir e aplicar os seus dogmas.
2 – A corrupção moral
A racionalidade neoliberal é evidente na corrupção moral da oligarquia. Gary Smith, um ex-executivo da Goldman Sachs expressa-o claramente: “o objetivo dos banqueiros de todo o mundo é maximizar o seu ganho independentemente das consequências para os outros (5)
Os paraísos fiscais são a expressão funcional desta corrupção. Enquanto os povos são sujeitos a sacrifícios apenas comparáveis aos tempos de guerra e de ditadura, o grande capital circula em livre simbiose com a fraude e o dinheiro sujo repleto de horrores das “máfias”. É hoje praticamente impossível distingui-los.
Nesta UE a racionalidade competitiva tem sentidos opostos conforme o poder de mercado de cada um. O povo trabalhador é sujeito a mais impostos e à perda de direitos laborais e sociais: são os “ajustamentos estruturais” e a austeridade; para os oligarcas da banca e mono ou oligopólios são oferecidos resgates financeiros (os “bailouts”) e paraísos fiscais onde praticamente sem impostos colocam “livremente” o resultado das fraudes e da exploração acrescida a que as camadas trabalhadoras estão sujeitas. As deslocalizações de empresas e ativos financeiros são um exemplo da corrupção de moral social de que o grande capital está possuído. A simples exigência de contribuírem com mais algumas migalhas de impostos em países sufocados por iníquas austeridades torna “os mercados traumatizados”, na expressão de um dos seus epígonos, perante o ar reverente do sr. entrevistador.
Na base de tudo isto estão três dogmas, afinal, atratores do capitalismo (6)
“- A obrigação moral de cada indivíduo para com a sociedade é alcançada maximizando o ganho pessoal
- Dinheiro é riqueza e ganhar dinheiro aumenta a riqueza da sociedade
- Ganhar dinheiro é o objetivo da iniciativa individual e a medida adequada da prosperidade e desempenho económico.” (5)
Como é que chegamos aqui? Negando que existam classes, camadas sociais, originadas pelas contradições não resolvidas, antagónicas, do capitalismo. Na prática, impõe-se um modelo no qual só há indivíduos isolados, separados uns dos outros, cuja ligação é estabelecida pelas leis do mercado. Ou seja, cada indivíduo guia-se pelo seu máximo interesse, isto é, pelo seu egoísmo. Porém, as escolhas da sociedade não podem guiar-se apenas pelos interesses individuais, ou seja, pelo seu egoísmo, numa sociedade que justamente o amplia, justificando assim uma hipotética eficiência na utilização dos recursos existentes, porém apenas no interesse da minoria dominante. A depredação dos recursos naturais e do ambiente representa a mais completa negação desta pseudo eficiência, na realidade corrupção moral.
Foi aqui que chegamos por se sobrepor o egoísmo individual às necessidades colectivas, com justificações apoiadas em abstracções matemáticas. A questão verdadeiramente importante não consiste em saber se as descrições causais podem ser expressas numa fórmula matemática precisa, mas em saber se a fonte do nosso conhecimento são as leis objetivas da Natureza ou proposições da nossa mente. (7)
A questão que se pode colocar é: como é que teses tão absurdas, frouxas sob qualquer perspectiva teórica, que os factos negam de forma evidente, fez escola, governa e submete os povos, com o apoio explícito da social-democracia.
Porém, por incrível, o absurdo faz por vezes história na História. No século XVII, o bispo Bossuet construiu uma tese demonstrando o direito divino dos reis. Era o que o absolutismo monárquico e em primeiro lugar Luis XIV desejava ouvir, a quem a obra foi dedicada. Quando, depois de Erasmo, os mais eminentes pensadores, como Espinosa, Hobbes, e outros - desfaziam os preconceitos e as superstições de um passado obscurantista e feudal, Bossuet, reformulava dogmas medievais. O direito divino dos reis, então outorgado pelo Papa, passava a ser recebido directamente de Deus, para governar os povos. Onde está direito divino leia-se hoje “os mercados”. Em ambos os casos, na prática, foi uma forma de aprofundar a arbitrariedade dos poderosos.
3 – O egoísmo como lei fundamental.
A economia neoliberal trouxe de volta o egoísmo individual e o mercado “livre” como lei fundamental das sociedades e princípio do máximo benefício para todos. O capital querendo libertar-se de todas as determinações que não favoreçam a maximização do lucro inventou um “homo economicus”.
A promoção do egoísmo é feita ao pretender reduzir a sociedade a uma soma de indivíduos, é como se a sociologia fosse uma simples aritmética. O curioso é que se vende este cúmulo de egoísmos, esta irracionalidade, como a suprema racionalidade.
Em cada passo deste contexto concepções voluntaristas substituem a análise dialéctica. Em termos sociológicos procura-se transformar as pessoas de cidadãos em – apenas - consumidores, autómatos programáveis de acordo com a maior vantagem para os mono e oligopólios. Tudo entrou no campo da mercadoria, assim a generalidade das pessoas para serem consumidoras são em primeiro lugar mercadorias como trabalhadores. A liberdade que se promove é, pois, a de consumir – se puder.
Os que detêm maior poder de mercado determinam as escolhas, ou pelo menos os seus contextos. São eles os donos do casino em que se tornou a economia, os outros jogam com as suas fichas e eles ganham sempre. Na realidade, a escolha de base já está feita: o máximo lucro do grande capital acima de tudo.
O livre arbítrio morreu há muito, mas é ressuscitado nos padrões do “homo economicus” para camuflar a alienação e a manipulação. As tese liberais de que cada indivíduo conhece melhor o que lhe convém faz por ignorar quais os critérios e contextos em que esse conhecimento se aplica. As pessoas agem no seu círculo de circunstâncias com graus de liberdade muito diferentes conforme a situação económica e, claro, também psicológica. Que espécie de liberdade existe, isto é, capacidade de autodeterminação, numa sociedade cujo funcionamento repousa em padrões de desemprego, precariedade e dita “flexibilidade” laboral? Note-se que os seus mentores consideram um desemprego de 3 ou 4%, “anormalmente baixo”…O desemprego nesta ideologia, para além das ditas “preocupações” de governantes que fazem tudo o que podem para o facilitar, não é um acidente, é como dissemos: uma forma de gestão.
Com o sofisma do “homo economicus” procura-se destruir as defesas sociais dos indivíduos criando-lhes novas necessidades: necessidades não satisfeitas, a todos os níveis. Desperta-se, em particular nos jovens, a exaltação de desejos, compulsões de origem psicológica desenvolvendo automatismos de procura de autosatisfação. Procura-se cristalizar na sua imaginação que tudo o que lhes é proposto apareça como belo e excitante. Quanto mais deprimido estiver, e a vida real gera a depressão pela insegurança fruto da amoralidade economicista, mais facilmente a pessoa assume essas acções de alienação. E aqui reside a libertação que o sistema lhe proporciona, não mais, e que vale apenas o dinheiro de que dispuser.
4 – Que racionalidade?
O axioma da racionalidade liberal foi definido por Marx quando expôs o que representava para a burguesia o consumidor racional: “Abaixamento do salário e longas horas de trabalho – é este o núcleo do comportamento racional e saudável do operário” (8)
Para suportar as suas teses o neoliberalismo inventa o tal “homo economicus, considerando que todas as motivações são conscientes e racionais. Faz por ignorar que a tomada de consciência é apenas a fase última do processo psíquico, condicionado por estímulos exteriores, que em muitos casos levam os indivíduos menos preparados ao consumo de objectos inúteis e de substâncias prejudiciais à saúde física ou mental e daí à frustração, aos comportamentos irracionais, ao desespero, à insanidade, à dependência e inclusive à marginalidade.
Para as escolhas, serem racionais e eficientes, deveria haver uma lista exaustiva dos estados futuros a que poderia conduzir cada uma das suas escolhas. Só que nesta economia não há futuro, é uma teoria sem tempo, ou melhor, cujo horizonte de tempo é uma derivada do presente, isto é, uma variação infinitesimal do presente numa função supostamente continua. Uma teoria que já mostrou não saber lidar com uma variável fundamental: a incerteza do futuro. Daqui que estes especialistas mostrem a sua competência quando tentam explicar por que erraram nas suas previsões ou se confessem “surpreendidos” com as nefastas consequências das suas políticas.
A racionalidade e a eficiência das escolhas têm sido experimentalmente postas em causa quando intervém a avaliação de probabilidades, em situações incerteza e de ambiguidade. Na economia, a complexidade das variáveis e sua evolução no tempo mostram que escolhas puramente racionais não podem ser tomadas individualmente. Estas escolhas estão desde logo condicionadas pelos interesses que dominam o ambiente social, sejam “os mercados”, seja a condução política. A racionalidade individual perde-se se aqueles interesses agirem em sentido contrário ao social, isto é, ao de cada vez maiores camadas da população.
A ilusão do “homo economicus”, vendida ao público como princípio de equidade moral e eficiência económica, serve apenas de álibi para a fraude, a corrupção e a especulação que lhe está associada. Trata-se da falácia da “Nova Economia”, que não passa da economia do desemprego e do empobrecimento das camadas trabalhadoras. As teses associadas ao “homo economicus” fazem parte do mecanismo de alienação necessário ao totalitarismo neoliberal.
A democracia só pode ser efectiva se consagrada por homens e mulheres livres, entenda-se com direitos sociais garantidos, sem existências precárias e não vivendo ao nível de uma incerta subsistência.
Perante o “homo economicus” amoral e unidimensional do neoliberalismo é necessário afirmar com Bento Jesus Caraça “a cultura integral do indivíduo” libertadora e revolucionária, pois, como afirma: “No seio das sociedades humanas manifestam-se dois princípios contrários, o individual e o colectivo, de cuja luta resultará um estado superior dessas mesmas sociedades em que o primeiro princípio – o individual – chegado a um elevado grau de desenvolvimento se absorverá no segundo.”
E estas palavras que podem até parecer estranhas à luz da dominante atual, exprimem afinal o conteúdo dos mais elevados momentos da Humanidade.
1 - Carl Marx – A Ideologia Alemã – Obras Escolhidas de Marx e Engels - p.76 – Ed. Progresso Moscovo - 1972
2 - A Ilusão Neoliberal – René Passet – Ed. Terramar – 2002 - p.109
3 - Carl Marx – A Ideologia Alemã – Obras Escolhidas de Marx e Engels - p.62– Ed. Progresso Moscovo - 1972
4 – F. Engels - Princípios do Comunismo - Obras Escolhidas de Marx e Engels - p.85 – Ed. Progresso Moscovo – 1972
5 - When Bankers Rule the World - By David Korten – www.informationclearinghouse - April 03, 2012
6- Um “atractor” pode ser definido como o conjunto de comportamentos característicos para o qual evoluiu um sistema dinâmico independentemente do ponto de partida.
7 – “A questão verdadeiramente importante da não consiste em saber qual o grau de precisão que alcançaram as nossas descrições das conexões causais e em saber se estas podem ser expressas numa fórmula matemática precisa - mas em saber se a fonte do nosso conhecimento dessas conexões são as leis objetivas da Natureza ou as propriedades da nossa mente, a faculdade que lhe é inerente de conhecer determinadas verdades apriorísticas, etc.” - V. I. Lenine – Materialismo e Empiriocriticismo – citado em “Sobre Lenine e a Filosofia” - J. Barata Moura – Ed. Avante 2010 – p.139.
8 - O Capital - Livro Segundo - Tomo V – Ed. Avante - p.550.
Dado que algumas pessoas ficam muito confusas ou perturbadas com o termo burguesia, esclareça-se que Marx e Engels distinguiram desde logo entre a burguesia e o pequeno empresariado. Os primeiros constituindo a “classe dos capitalistas modernos”, isto é “a indústria moderna que transformou a pequena oficina do mestre na grande fábrica do capitalista industrial” (Manifesto).

domingo, 27 de maio de 2012

Grécia: Entre duas árduas batalhas

 

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Artigo da Secção de Relações Internacionais do CC
A Grécia continua a atrair a atenção de trabalhadores de muitos países de todo o mundo, considerando as novas e crucialmente importantes eleições parlamentares, as quais serão efectuadas a 17 de Junho, pois nenhum dos três partidos que receberam maior número de votos pôde forma uma coligação de governo. De particular interesse, a julgar pelos artigos relevantes em jornais, revistas e sítios web comunistas e progressistas, estão os resultados das eleições recentes bem como a linha política traçada pelo Partido Comunista da Grécia (KKE), o qual ficou na linha de fogo de vários analistas neste período. Mas vamos começar pelo começo.
Sobre o resultado das eleições de 6 de Maio
As eleições de 6 de Maio criaram um novo cenário político, pois os três partidos, os quais haviam governado juntos apoiando a linha política anti-povo do capital e da União Europeia (UE), tombaram nas eleições. Especificamente:
O PASOK social-democrata congregou apenas 833.529 votos ou 13,2%, uma queda sem precedentes de -2.170.013 votos e -30,8%.
O ND conservador recebeu 1.192.054 votos ou 18,9%, uma queda de -1.103.665 votos ou -14,6%
O LAOS nacionalista não pôde alcançar o limiar dos 3% para entrar no Parlamento, recebendo 183.466 votos ou 2,9%, uma queda de -202.739 votos ou -1,6%.
Ao mesmo tempo, contudo, a mudança do cenário político não significa uma viragem pois as forças que apoiam a linha política da "UE como caminho único" foram as principais beneficiárias da cólera dos trabalhadores. E assim, a grande maioria dos eleitores dos partidos burgueses foi dispersa em formações políticas relacionadas ideologicamente. Especificamente.
O SYRIZA, que é uma aliança de forças oportunistas, o qual abandonou o KKE a partir de posições de "direita" (nas divisões do Partido em 1968 e 1991) e ao qual em anos recentes aderiram forças do PASOK social-democrata, reuniu 1.061.265 votos ou 16,8%, um aumento de +745.600 ou +12,2%.
A Esquerda Democrática, uma dissidência do SYRIZA, que também absorveu antigos deputados e responsáveis do PASOK, reuniu 386.116 votos ou 6,1%.
Um grande número de votos também foi dirigido a partidos reaccionários e nacionalistas como os "Gregos independentes", os quais emergiram da ND e receberam 670.596 votos ou 10,6% e o nazi-fascista "Aurora Dourada", o qual recebeu 440.894 votos ou 7%.
Além disso, cerca de 20% do eleitorado votou por dúzias de partidos que participaram nas eleições mas não puderam romper a barreira dos 3%.
O KKE teve um pequeno aumento nesta última eleição. Especificamente, recebeu 536.072 votos ou 8,5%, ou seja, +18.823 votos ou +1%. O KKE elegeu 26 deputados (dos 300 no Parlamento), 5 mais do que tinha anteriormente. Nos bairros da classe trabalhadora o KKE recebeu quase o dobro da sua percentagem média. Na verdade, em uma das 56 regiões eleitorais (Samos-Ikaria) o KKE alcançou o primeiro lugar com 24,7%.
O CC do KKE chegou a certas conclusões iniciais sobre o resultado eleitoral. Ele menciona na sua declaração, entre outras coisas: "o CC saúda os milhares de trabalhadores e trabalhadores e desempregados que apreciaram a militância, firmeza e a clareza verídica das palavras do KKE, a militância e a generosidade dos comunistas e o apoiaram na urna eleitoral, independentemente do seu nível de acordo com a sua proposta política geral. Uma grande secção dos trabalhadores bem como uma secção dos eleitores do partido, sob a pressão do exacerbamento dos problemas populares, dos slogans enganosos referentes à renegociação do memorando [1] e o alívio imediato para os trabalhadores, não puderam entender e compenetrar-se da diferença entre um governo e o poder real". Mas, como é observado pelo CC do KKE: "a proposta política do KKE em relação à luta pelo poder da classe trabalhadora encontrar-se-á no âmago do povo no próximo período, pois a diferença entre um governo e o poder real do poder tornar-se-á ainda mais clara, bem como a proposta geral referente a questões imediatas da sobrevivência do povo e o poder popular da classe trabalhadora. Deste ponto de vista a actividade político eleitoral do KKE em harmonia com a sua estratégia, como é adequado, constitui um legado importante para os próximos anos".
Sobre o SYRIZA
Certos media internacionais burgueses, que apresentam o SYRIZA como o "vencedor" das eleições de 6 de Maio, não exploraram para além do seu título: "Coligação da Esquerda Radical" e chegaram à conclusão de que é uma esquerda radical ou mesmo um partido comunista. Naturalmente, isto não tem base na realidade. A força central dentro do SYRIZA é o partido "Coligação da Esquerda" (SYN), o qual tem um programa social-democrata. Em 1992 ele votou pelo Tratado de Maastricht no Parlamento grego e é um apoiante da União Europeia imperialista, que acredita poder ser melhorada. Ele aderiu à campanha anti-comunista contra a URSS e os outros países socialistas que conhecemos no século XX. O SYN é membro da presidência do chamado "Partido de Esquerda Europeu" (PEE), o qual é um instrumento da UE para erradicar as características comunistas dos PCs nos países da UE.
Junto ao SYN há forças que entraram no SYRIZA vindas do PASOK social-democrata, bem como vários grupos mais pequenos da ultra-esquerda de matiz trotsquista e antigos grupos "maoistas" mutados, os quais acrescentam "tempero" político a esta "comida" basicamente social-democrata e anti-comunista. Um objectivo básico desta formação particular é a redução da influência eleitoral, sindical e política do KKE. Há numerosos exemplos ao longo da última década do carácter anti-KKE desta formação política. Em dúzias de sindicatos, federações sectoriais e centros de trabalho (conselhos sindicais locais), as forças do SYRIZA cooperaram e formaram alianças eleitorais com forças do PASOK a fim de impedir a eleição de delegados comunistas aos organismos sindicais superiores. O SYRIZA é o inimigo jurado da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), a qual é uma junção de sindicatos com orientação de classe. As forças do SYRIZA colaboraram abertamente com forças do governo e patronais nos corpos dirigentes das confederações sindicais comprometidas no sector privado (GSEE) e no sector público (ADEDY). Em muitos casos eles têm uma posição semelhante em eleições locais. Um exemplo particularmente característico foi a posição nas eleições municipais de 2010 em Ikaria. O KKE tem influência eleitoral significativa nesta ilha, a qual antigamente foi um lugar de exílio para comunistas. Nas eleições de 2010 o SYRIZA colaborou com o PASOK social-democrata, a ND liberal e o LAOS nacionalista a fim de que a ilha não elegesse um presidente comunista para a municipalidade. Assim, o candidato do KKE recebeu 49,5% dos votos e a municipalidade foi ganha pela aliança anti-KKE por umas poucas centenas de votos.
Hoje o SYRIZA tenta atacar o KKE com propostas de conveniência política relativas à chamada "unidade da esquerda", numa tentativa de que o KKE apague secções inteiras do seu programa, que apague os seus princípios e aceite a política de administrar o sistema capitalista, a qual é a proposta do SYRIZA.
Com base nisto, o mínimo que podíamos dizer é que a posição de certos PCs não foi responsável, os quais apressaram-se a saudar a ascensão eleitoral desta formação oportunista e anti-comunista em nome do aumento eleitoral da "esquerda", sem conhecer a situação real na Grécia. Eles saudaram um inimigo jurado do KKE, um inimigo cuja participação na coligação governamental dos apoiantes da UE foi proposta pelo presidente dos industriais gregos.
A ilusão da "unidade de esquerda" e a mentira do "governo de esquerda"
Muitos trabalhadores politizados, de vários países da Europa e do mundo, colocam esta pergunta: Por que o KKE não faz alguns compromissos? Por que insiste ele na sua linha política de congregar forças sociais, que queiram lutar contra os monopólios, contra o capitalismo, contra as uniões imperialistas, pelo poder da classe trabalhadora e não apoia a linha política da "unidade da esquerda", a luta para corrigir a realidade capitalista e a UE, com colaboração política e/ou governamental com outras forças "de esquerda" e sociais-democratas, como têm feito outros PCs na Europa?
Para começar, o KKE desde há algum tempo tem esclarecido que os significados de "esquerda" e "direita" não reflectem a situação política de hoje. O termo "esquerda" hoje podia ser utilizado para descrever o secretário-geral da NATO ou primeiro-ministro de um país que está a conduzir uma guerra imperialista e a executar medidas anti-trabalhadores e anti-povo a expensas dos trabalhadores do seu país. O Partido Comunista não é simplesmente um "partido de esquerda", mas o partido que luta pelo derrube do capitalismo, a construção da nova sociedade socialista-comunista. É este caminho, esta linha de luta que pode provocar ganhos e não o reverso!
Como a história tem demonstrado, reformas, a luta para "corrigir" o sistema capitalista, para embotar as medidas anti-povo mais extremas, o que é aquilo em que se centram as forças oportunistas-sociais-democratas, nunca levou ao derrube do capitalismo em lado nenhum. Ao contrário! Em muitas ocasiões esta abordagem levou à consolidação do capitalismo, por meio da criação de ilusões entre milhões de trabalhadores de que o capitalismo alegadamente pode ser humanizado; que hoje o Banco Central Europeu pode ser transformado de uma ferramenta do capitalismo numa... organização caritativa que concederá empréstimos livres de juros ou que a União Europeia pode ser transformada de uma união que serve o capital numa "união dos povos", como afirmam o SYN/SYRIZA e o ELP.
Esta é a razão porque o KKE promove sua proposta política num estilo abrangente, o qual especializou para as eleições de 6 de Maio no slogan: "Fora da UE, com o poder popular e cancelamento unilateral da dívida".
Neste sentido, o KKE permanece firmemente orientado para o marxismo-leninismo. Como escreveu Lenine: "O proletariado está a combater, e continuará a combater, para destruir o antigo regime. A este fim dirigirá toda a sua propaganda e agitação e todos os seus esforços para organizar e mobilizar as massas. Se falhar em destruir o antigo regime completamente, este aproveitar-se-á mesmo da sua destruição parcial. Mas nunca advogará a destruição parcial, pintando isto em cores róseas, ou apelará ao povo para apoiá-lo. O apoio real numa luta genuína é dado que se esforçam pelo máximo (alcançado algo menos no caso de fracasso) e não àqueles que oportunisticamente restringem os objectivos da luta antes do combate" [2]
O KKE rejeitou a ideia de formar um "governo de esquerda", o qual manterá a Grécia na UE e na NATO deixando intactas as relações capitalistas de produção, e que alegadamente será capaz de implementar uma administração deste sistema em favor do povo. No partido está a lutar pelo desenvolvimento da luta de classe, da consciência política dos trabalhadores, pela sua libertação da influência dos partidos burgueses e suas construções ideológicas e pela formação de uma aliança social, a qual defenderá os interesses dos trabalhadores e procurará também desembaraçar o país de intervenções imperialistas e também colocará a questão do poder.

Objectivo: A redução da influência do KKE e sua assimilação dentro do sistema!
A recusa do KKE em submeter-se a formações "de esquerda" ou mesmo a um governo "de esquerda" está a ser atacada pelos seus inimigos e "amigos", os quais directa ou indirectamente apelam ao KKE para que se "una" a outras forças "de esquerda". Os PCs que estão na presidência do PEE seguem esta linha. Houve também alguns ataques um tanto brutos de vários grupos trotsquistas que são mais bem conhecidos no exterior do que no nosso próprio país, os quais caracterizaram o KKE como sectário e dogmático.
Como é possível para o KKE mobilizar centenas de milhares de pessoas na Grécia, com a linha da luta de classe, se o partido é sectário? Como é possível, por exemplo, para a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) mobilizar dúzias de sindicatos de primeiro nível, federações sindicais e centros de trabalho os quais representam centenas de milhares de trabalhadores?
Deveríamos notar aqui que o PAME, como pólo com orientação de classe no trabalho e movimento sindical, reúne 8 federações sectoriais, 13 centros de trabalho, centenas de primeiro nível e uniões sectoriais, com 850 mil membros. Além disso, o PAME também opera em sindicatos onde as forças com orientação de classe não estão em maioria. Por exemplo, o PAME é a segunda força numa série de federações sectoriais (tais como a federação no sector turístico e de catering e na Federação dos Metalúrgicos) bem como nos dois maiores centros de trabalho do país (Atenas e Salónica).
Como é possível para o Agrupamento pan-helénico anti-monopólio dos auto-empregados (PASEVE) organizar milhares de pessoas auto-empregadas, que entendem a necessidade de entrarem em conflito com os monopólios? Como é possível para milhares de agricultores pobres, através das suas associações e seus comités, serem inspirados pela luta do Agrupamento Militante de Todos os Agricultores (PASY) contra a Política Agrícola Comum da UE? Como é possível para mulheres e milhares de estudantes, que pertencem à classe trabalhadora e estratos populares, entrarem na luta no quadro das reivindicações e iniciativas da Federação das Mulheres Gregas (OGE) e da Frente de Luta dos Estudantes (MAS)? Os membros e quadros do KKE desempenham um papel de liderança em todas estas organizações sócio-políticas sem esconderem a sua identidade.
Eles acusam o KKE de estar "isolado", ou mesmo de ser "dogmático" e "sectário" devido à sua rejeição de um "governo de esquerda" ou devido ao facto de que a sua percentagem nas eleições não aumenta tão rapidamente quanto aquela da formação social-democrata SYRIZA. Estas acusações contra o KKE não se sustentam. Deveríamos recordar que 2,5 anos atrás o PASOK, o outro partido social-democrata, recebeu 44% enquanto desta vez recebeu apenas 13%. Este declínio, o qual verificou em condições de fluidez política promoveu o SYRIZA, a sua mais estreita conexão ideológica. Ainda assim, um partido revolucionário, como o KKE, não é julgado exclusivamente pela sua percentagem em eleições.
Nosso partido acumulou imensa experiência histórica em relação à política de cooperação! Ele conduziu a luta anti-fascista de uma ampla frente armada que deu uma enorme contribuição para a luta popular. No entanto, naquele período o partido não conseguiu constituir uma estratégia para a transformação da luta anti-fascista numa luta para o derrube do poder burguês. Durante as décadas de 1950 e 1980 o KKE constituiu alianças "de esquerda". O KKE extraiu conclusões valiosa da sua experiência em relação à política de alianças e não pretende repetir erros semelhantes.
Mas por que estão eles a atacar o KKE? Naturalmente estão irritados pela significativa actividade internacional do KKE para a reconstrução do movimento comunista internacional na base do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário. Além disso, a Reuniões Internacionais de Partidos Comunistas e Operários bem como as outras iniciativas comunistas internacionais começaram em Atenas. Mas o mais importante é que o KKE é um partido com raízes fortes na classe trabalhadora, com experiência significativa em lutas de trabalhadores e populares, um partido que se recusa a abandonar seus princípios, um partido que se recusa a tornar-se a "cauda" da social-democracia, um partido que não se submete à UE e à NATO. Neste ponto citamos um comentário de um artigo publicado no bem conhecido jornal francês Le Monde Diplomatique: "o objectivo secreto e a vontade de toda a gente de esquerda na Grécia é dissolver o Partido Comunista e remodelá-lo numa nova base e dar à esquerda grega a sua posição adequada na sociedade". Por outras palavras, desacreditar o KKE e transformá-lo, como certos outros partidos comunistas mutados da Europa, num "álibi comunista" da social-democracia para a gestão da barbárie capitalista.
O nosso próprio objectivo é frustrar os seus planos! Preservar e fortalecer o KKE. Apesar da pressão exercida sobre o nosso partido há vários sinais encorajadores a mostrar que o KKE demonstrar-se-á um osso duro de roer. Dez dias após as eleições de 6 de Maio verificaram-se as eleições estudantis na Grécia. As listas apoiadas pela Juventude Comunista da Grécia tiveram 16% [dos votos] em Institutos Educacionais Tecnológicos (IET) e 14% nas universidades, um aumento em comparação com o ano passado. As listas do SYRIZA, ao contrário, alcançaram uma baixa votação com 2,3% em IET e 6,9% em universidades.
Face-lift do sistema burguês
O KKE tem advertido o povo grego de que a classe burguesa está a preparar uma cirurgia plástica da cara (face-lift) do cenário político a fim de preservar o seu poder. A razão é que ela não pode administrar o sistema político na base da rotação de um partido conservador (ND) e um social-democrata (PASOK) no poder como tem feito desde 1974, após a queda da ditadura militar. O sistema burguês procura livrar-se de partidos e pessoas que se desmascararam aos olhos do povo de uma vez por todas. Sob estas condições o SYRIZA, o qual tem um programa social-democrata, colheu benefícios nas eleições ao propalar mentiras flagrantes, tanto antes como durante o período eleitoral, promovendo ilusões as quais na essência afirmam que poder haver um futuro melhor para os trabalhadores sem um conflito com os monopólios e as uniões imperialistas. Eis porque ele arca com enormes responsabilidades em relação ao povo!
O KKE urge o povo trabalhador a perceber que esta cirurgia plástica nada tem a ver com a satisfação das necessidades actuais do povo. Mesmo o assim chamado "governo de esquerda" é um bote salva-vidas furado para o povo trabalhador que tem sido sufocado pelos impasses do sistema capitalista.
O povo não deve ser aprisionado em falsos dilemas
Na batalha eleitoral de 17 de Junho os partidos burgueses e o oportunismo promovem novos dilemas enganosos, os quais serão utilizados no período seguinte a fim de aprisionar o povo, reduzir a resistência das massas radicais às pressões exercidas sobre elas, bem como a influência do KKE nas eleições. O KKE não esconde o facto de que esta batalha será particularmente difícil para os comunistas!

A fim de tornar claro de que espécie de falsos dilemas estamos a falar permita-nos examinar alguns deles:
1. Euro ou dracma?
Um dos falsos dilemas é a acusação do ND contra o SYRIZA argumentando que a sua política leva o país para fora do euro e que isto seria catastrófico para o povo trabalhador. O SYRIZA responde que o custo da saída da Grécia do euro seria imenso para os outros países da Eurozona e por essa razão nunca se verificará.
É claro que na realidade, considerando que a crise capitalista grega está em progresso, não podemos excluir, dados os cenários que já estão a ser discutidos, a contracção da Eurozona através da expulsão da Grécia e de outros países ou através de uma desvalorização interno do euro no nosso país. Consequentemente as chantagens da UE e do FMI são reais e a resposta não pode ser a complacência que o SYRIZA promove.
Contudo, deveríamos notar que todos os partidos excepto o KKE, isto é, ND, SYRIZA, PASOK e Esquerda Democrática estão a disputar sobre quem é o mais competente para manter o país no euro. Cada partido está a acusar o outro de levar a Grécia à dracma com a sua política. Todos eles têm como objectivo impor à consciência do povo o falso dilema "euro ou dracma" a fim de esconder o facto de que têm a mesma estratégia porque são partidos comprometidos com a UE. Ele conclamam o povo a votar e lutar sob falsas bandeiras, contrários aos seus interesses na linha falsa "dentro ou fora do euro" quando todos os partidos – excepto o KKE – estão a dizer dentro da UE e do euro. Tanto com o euro como com a dracma o povo será empobrecido.
O KKE conclama o povo a ultrapassar este dilema. Ele não deveria aceitar a escolha de com qual divisa eles medirão a sua pobreza, bem como as reduções no seu rendimento e pensões, os impostos, as despesas médicas e as mensalidades escolares. O dilema "euro ou dracma" é o outro lado da moeda da intimidação referente a bancarrota descontrolada que já é um facto para a esmagadora maioria do povo. Eles querem que povo seja aprisionado nos dilemas falsos de modo a poderem chantageá-lo quando quiserem aprovar leis anti-povo, dizendo-lhe para optar entre as medidas bárbaras e o retorno ao dracma o qual identificam com caos e miséria. Ao mesmo tempo, há secções da plutocracia, tanto na Grécia como fora dela, que procuram um retorno ao dracma. Isto lhes permitiria fazerem mais lucros para si próprios e a burguesia como um todo do que fazem agora nas condições da assimilação do país dentro do euro. O povo em bancarrota não fará qualquer progresso com o euro ou com o dracma enquanto monopólios dirigirem a produção, enquanto o país permanecer na UE e enquanto a burguesia permanecer no poder. A única resposta para o dilema "euro ou dracma" do ponto de vista dos interesses do povo é: desligamento da UE com poder popular e cancelamento unilateral da dívida. Não é preciso dizer que neste caso o país terá a sua própria divisa.
2. Solução grega ou europeia?
Todos eles estão a falar acerca de uma solução europeia da crise na Grécia e referem-se a negociações com os organismos da UE para uma solução abrangente para o problema da dívida que também afectará a Grécia. Todos os partidos gregos, excepto o KKE, saúdam a eleição de Hollande na presidência francesa, a qual, afirmam eles, porá um fim ao duo anti-povo "Mercozy". Eles também falam acerca de consultas com a UE sobre medidas de desenvolvimento, subsidiando os grandes negócios de modo a que possam fazer investimentos.
As suas tácticas procuram esconder que aqueles que são os principais responsáveis pelo sofrimento do povo não estão em Bruxelas mas dentro do país. É a burguesa, o patronato que possui os meios de produção, isto é, os navios, os escritórios, os serviços no nosso país. A participação da Grécia na Eurozona, baseada em decisões dos partidos da plutocracia, serve os seus interesses. É provocativo apresentar a UE como um terreno onde possa ser encontra uma saída da crise favorável ao povo. Foi a UE quem elaborou o memorando juntamente com os governos nacionais e o FMI. É a UE que tem como estratégia a "UE 2020" e o Tratado de Maastricht, isto é, a fonte de todas as medidas anti-trabalho e anti-povo com ou sem memorando. Eles dizem que mesmo o mais ligeiro alívio das medidas é uma matéria de negociações dentro da UE que se esforça por assegurar para os seus monopólios uma saída da crise a expensas dos povos. Eles urgem a vítima e esperar uma solução do opressor, numa Eurozona que está a afundar-se ainda mais profundamente na crise e a tornar-se ainda mais reaccionária, dadas as rivalidades dentro da UE mas também entre a UE os outros centros imperialistas.
O SYRIZA também arca com uma enorme responsabilidade pois procura uma renegociação da estratégia do memorando colocando o movimento sobre gelo e promovendo uma posição de "esperar e ver" até que as negociações do "governo de esquerda" que ele sonha com os parceiros da UE apresente resultados. Ao mesmo tempo, fala acerca de "coesão social", acerca de "paz social" que será imposta por um "governo de esquerda", isto é, calando as lutas dos trabalhadores e do povo num período em que elas têm de ser escaladas e radicalizadas contra a plutocracia nacional e os partidos que o servem ou apoiam através da intimidação e de ilusões.
O KKE revela ao povo que é necessário ter um movimento popular e dos trabalhadores que lutará pela ruptura e o derrube das opções do capital e da UE e promova a coordenação a nível europeu não através de negociações mas através do fortalecimento do movimento do povo e dos trabalhadores na sua luta contra a UE, na linha da ruptura.
3. Austeridade ou desenvolvimento?
Numa Europa capitalista soçobrando na crise os governos procuram "desenvolvimento", nomeadamente a saída do capital da UE da crise. Na Grécia os partidos pró UE querelam sobre a proporção de austeridade e desenvolvimento incluídos na sua política. Eles procuram esconder que o caminho capitalista de desenvolvimento implica austeridade nas condições da drástica competição capitalista e de agudas contradições inter-imperialistas. As medidas de "consolidação fiscal" tomadas numa série de países, com ou sem memorando, em nome da necessidade de criar um excedente nos orçamento do estado a fim de proporcionar subsídios ao capital também estão servido esse desenvolvimento. Além disso, as "mudanças estruturais" são promovidas na Grécia e por toda a Europa também em nome do desenvolvimento e incluem principalmente a abolição da segurança social e dos direitos do trabalho a fim de tornar a força de trabalho mais barata para o capital. A privatização e a liberalização de mercados que proporcionem novos campos lucrativos para a plutocracia também objectivam o desenvolvimento, esmagando pequenos negócios e os auto-empregados. Consequentemente, tudo é feito para o desenvolvimento o qual devido à sua natureza capitalista está ao serviço unicamente de medidas anti-povo que surgem ou como medidas de austeridade ou como "mudanças estruturais" ou como salvamentos para os grandes negócios. No período anterior os governos burgueses na Eurozona afrouxaram ou intensificaram as medidas numa ou noutra direcção a fim de regular as contradições entre si bem como o aprofundamento da crise.
O KKE nota que a saída em favor do povo não está na administração da crise com ferramentas expansivas ou restritivas pelo pessoal político do capital nos organismos da UE. Ela está na organização da luta a um nível nacional, por um diferente caminho de desenvolvimento o qual desenvolverá todo o potencial de produção do país em favor do povo baseado no poder do povo, o desligamento da UE e a socialização dos meios de produção.
4. "Direita" ou "esquerda", "pró memorando" ou "anti-memorando"
Estes são dilemas que tomarão uma nova forma de dois pólos, centro-direita e centro-esquerda. Os dilemas acima mencionados, primariamente com a responsabilidade do SYRIZA, marginalizam e obscurecem as contradições reais dentro da Grécia e da UE. O dilema artificial "memorando – anti-memorando" é utilizado pela burguesia e os oportunistas a fim de esconder que o seu denominador comum é a "UE como caminho único", nomeadamente o alinhamento com a estratégia do capital. Independentemente das suas diferentes tácticas estas forças "ala direita", "ala esquerda", "pró memorando", "anti-memorando" estão a zombar dos trabalhadores, dos extractos populares, quando lhes dizem que pode haver uma solução em favor do povo dentro da UE. A ND, o PASOK, os Gregos Independente, o SYRIZA, a Esquerda Democrática e as outras forças não têm um programa que entre em conflito ou pelo menos desafie o poder dos monopólios. Os termos que eles utiliza, nomeadamente "desenvolvimento", "redistribuição da riqueza", "auditoria da dívida", "solução europeia" escondem os interesses de classe contraditórios que existem na Grécia e na UE, isto é, o facto de que enquanto houver propriedade capitalista sobre os meios de produção não pode haver qualquer prosperidade para os extractos populares. O memorando é o topo do iceberg da estratégia da UE a qual distribui medidas anti-povo em todos os estados membros. Grécia, Irlanda, Portugal, Hungria, Roménia contrataram acordos de empréstimos ao contrário da Alemanha, França, Itália, Espanha, Dinamarca e a Grã-Bretanha que não participa na Eurozona. Mas o assalto do capital é comum a todos os países e inclui cortes em salários, relações de trabalho flexíveis, aumento das idades de reforma, privatizações de serviços públicos, comercialização da saúde, educação, cultura, desporto e a pauperização relativa e absoluta dos trabalhadores. Mesmo que possamos livrar-nos do memorando na Grécia as medidas anti-povo continuarão, de facto intensificar-se-ão na medida em que o capital e o seu poder não sejam derrubados porque isto foi estabelecido pelas linhas directivas estratégicas da UE as quais foram ou assinadas ou apoiadas pelos partidos burgueses e SYN7SYRIZA.
A questão real que o povo terá de responder e que emergirá mais intensamente no próximo período é a seguinte: a Grécia e o povo trabalhador independente e desligados dos compromissos europeus ou uma Grécia assimilada dentro da UE? Poderá o povo ser o mestre da riqueza que produz ou terá de ser escravo nas fábricas e negócios dos capitalistas? Será que o povo estará organizado e desempenhará um papel condutor nos desenvolvimentos ou estará o movimento pronto para a contagem e à espera de que aqueles que fazem vítimas resolvam os seus problemas como seus representantes? O KKE tem uma posição claríssima. O facto de que todas as suas previsões e avaliações tenham sido confirmadas é mais uma razão para o povo nele confiar e lutar ao seu lado.
Na batalha eleitoral que vem aí há uma necessidade de solidariedade internacional constante com o nosso partido a ser expressa de um modo maciço! Os comunistas gregos precisam sentir o apoio, a solidariedade proletária e o espírito de camaradagem dos partidos comunistas e de trabalhadores, das outras forças anti-imperialistas em vista desta dura batalha uma vez que a classe burguesa pretende a redução dos resultados eleitorais do KKE. E a razão é que está preocupado acerca da sua política revolucionária, acerca das suas posições claras em relação às organizações imperialistas, acerca da base sólida do KKE no movimento dos trabalhadores e do povo, nas fábricas, nas empresas, nos bairros populares das grandes cidades. Porque eles não podem subjugar o KKE. Os comunistas, os amigos do KKE, os membros e amigos da KNE combatem nesta batalha, organizados e determinados, declarando ao povo grego e à classe trabalhadora internacional que após as eleições estaremos nos lugares de trabalho, nas cidades e nas zonas rurais ao lado das famílias do povo e dos trabalhadores, na linha de frente da luta respeitante aos problemas do povo, fieis ao compromisso histórico do partido revolucionário, firmes na luta pelo derrube da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo.
[1] Um acordo de medidas anti-povo assinado pelo governo grego com a UE, FMI e BCE para receber novos empréstimos.
[2] V.I. Lenin "O combate pelo poder e o 'combate' por sopas", volume 11, p 27-31