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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Esquadrões da morte & Invasão disfarçada da Síria.

Intelectual norteamericano denuncia desde Damasco: " a CIA, o M16 e a MOSSAD operam juntos na Síria ImprimirPDF
imagemCrédito: 1.bp.blogspot
Voltairenet.org
Países ocidentais estão fazendo todo o possível para desestabilizar a paz civil na Síria, denunciou o escritor e jornalista norte-americano Webster Tarpley (Red Voltaire) de Damasco, capital da Síria à TV RT ( Rússia Today). De acordo com ele, os civis sírios tem que lidar diariamente com esquadrões da morte e o terrorismo cego, que é típico das ações secretas de sabotagem e desestabilização usada pela CIA.
"Como o cidadão sírio médio de todas as etnias sabem o que está acontecendo?"
As pessoas queixaram-se que há franco atiradores terroristas que estão atirando contra o povo. É terrorismo cego, simplesmente com o propósito de desestabilizar o país e fazer com que os diversos grupos étnicos se defrontem. Eu não chamaria isso de guerra civil - que é um termo que engana quando estamos nos referindo ao que se passa hoje na Síria.
O que está acontecendo aqui é que as populações civis estão sendo atacadas por esquadrões da morte profissionais, se trata de comando terrorista, método típico utilizado pela CIA, que ninguém sabe como apareceram. «Neste caso é uma ação secreta conjunta e planejada pela CIA, MI6, Mossad, financiada com dinheiro da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar», disse Webster.
O Professor Webster observa que a sociedade Síria é a sociedade mais tolerante do Oriente Médio, o único lugar onde todos os tipos de pessoas e grupos étnicos podem viver juntos em uma notável harmonia, muçulmanos e cristãos de todos os tipos.
"Síria representa um modelo de coexistência pacífica entre diferentes grupos étnicos". A Política dos Estados Unidos busca precisamente atacar esse ponto para romper e gerar o caos no Oriente Médio e para tal, é essencial atacar as linhas étnicas, para que se enfrentem em uma guerra fratricida», acrescentou.
As regras impostas pelo Presidente sírio Assad e seu desempenho como governante são cada vez mais chamadas e consideradas de ilegítimas, pelos ocidentais.
"Após a "Ajuda humanitária" da OTAN à Líbia, que foi verdadeiramente um banho de sangue, com 150.000 mortos e agora com o Egito, onde as pessoas recém se estão dando conta apenas o que era desde o princípio - não houve nenhuma revolução alí - foi um fracasso e agora as pessoas estão começando a entender esse engano".
A Sra. Clinton e a Sra. Rice continuam a incentivar e promover esse modelo de revoltas, as chamadas Revolução coloridas, mas desta vez estão usando o apoio de tropas terroristas, mercenários, fundamentalistas, o povo da Al-Qaeda e a Irmandade Muçulmana. Há um movimento cada vez mais crescente entre certos grupos fundamentalistas que diz: ""Nós queremos a reconciliação, queremos a lei e a ordem, e queremos especialmente a legalidade"», precisa o Professor Webster Tarpley."
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*[Foto: o embaixador dos Estados Unidos para a Síria, Robert S. Ford (à esquerda) é, de acordo com fontes fiáveis, o oficial americano chave do departamento de Estado, que tem sido responsável pelo recrutamento de terroristas árabes para criar os "esquadrões da morte" geralmente com ativistas da Al-Qaeda (organizaçãofinanciada pela a CIA ) para essas mesmas unidades no Afeganistão, no Iraque, Iêmen e Chechênia para que lutem agora contra o exército sírio e a polícia na Síria para gerar uma guerra civil em este país].

terça-feira, 29 de novembro de 2011

CÍRCULO DE FOGO(Filme): O ANTI-COMUNISMO NO PÓS-GUERRA FRIA

 


 

 

Imagem do filme Circulo de fogo


Sérgio Prieb1
“O mundo sem guerras e sem armas é uma idéia utópica,
mas deve-se fazer de tudo para atingir esse ideal.
Será possível engendrar a paz sem armas? Duvido muito”.
(Mikhail Kalachnikov, inventor do fuzil AK-47)
As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma
fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão
contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem”.
(Carlos Drummond de Andrade, Carta a Stalingrado


A invasão da União Soviética pela Alemanha nazista
A invasão da Polônia no dia 1º de setembro de 1939 pelas tropas alemãs e a reação da Inglaterra e França em seu socorro deram início à Segunda Guerra Mundial. Mesmo com a declaração de guerra é importante lembrar que os EUA manteve neutralidade em relação ao conflito e mesmo com a declaração de guerra, Inglaterra e França não se empenharam em barrar o avanço das tropas alemãs no território polonês, o que se convencionou chamar de “guerra estranha”.
Na verdade, os países capitalistas, França, Inglaterra e EUA acreditavam que com a invasão quase sem resistência à Polônia, logo os nazistas chegariam à URSS2. No entanto, as coisas não ocorreram como o ocidente esperava, Hitler ao invés de partir para o confronto direto com o exército soviético, prefere atacar a França, Inglaterra, Dinamarca, Noruega, Bélgica e Holanda para só depois marchar contra a URSS, um inimigo bem mais poderoso3.
Seria somente em 22 de junho de 1941 que a Alemanha invadiria o território soviético descumprindo o “pacto de não agressão” assinado em 1939 entre os dois países4, estava deflagrada a “operação barbarossa” pelo exército nazista e os soviéticos entram definitivamente no que irão chamar de “Grande Guerra Pátria”. A vitória do Exército Vermelho em Moscou, quando os nazistas chegaram às portas da cidade mas foram barrados pelos soviéticos, deu mostras da intenção do povo da URSS em resistir até a morte à invasão nazista.
O avanço das tropas alemãs sobre a Europa ocidental e a posterior invasão da URSS, criou condições para que em 1942 fosse definitivamente construída a “coalizão anti-fascista” envolvendo a URSS, a Inglaterra e os EUA, que finalmente saia da neutralidade5.
De todas as ações de guerra, a considerada mais sangrenta foi a “Batalha de Stalingrado”, ocorrida entre julho de 1942 e fevereiro de 1943. A vitória soviética em Stalingrado, depois da cidade ter virado um amontoado de ruínas, representou a verdadeira virada dos aliados frente ao exército nazista. Foi somente a partir da vitória em Stalingrado que a Alemanha começou a perder a guerra e o mundo a livrar-se do domínio do nazi-fascismo.
A participação da União Soviética na Segunda Guerra Mundial vista no cinema
Mesmo com a decisiva participação da URSS na derrota do Eixo, não são muitos os filmes ocidentais que abordam a participação soviética na Segunda Guerra Mundial. Alguém desavisado, que acompanhasse a história apenas através dos filmes hollywoodianos certamente acreditaria que o maior conflito bélico do século XX teve como protagonistas tão somente os países do Eixo (Alemanha, Japão e Itália) contra os EUA e em menor medida, a Inglaterra. No entanto, a URSS foi o país que mais sofreu perdas tanto em termos materiais, com destruição total de cidades, aldeias e fábricas, bem como a mais atingida na quantidade de mutilados e de mortos. A última estimativa mostra que pelos menos 29 milhões de soviéticos morreram na Segunda Guerra Mundial.
Tem-se de recorrer aos próprios filmes soviéticos para encontrar referências cinematrográficas à participação da URSS no conflito, e nisto os cineastas soviéticos foram mestres como Grigori Chukrai (A balada do soldado, 1959, premiado com a Palma de Ouro em Cannes), Mikhail Kalatozov (Quando voam as cegonhas, 1957, premiado com a Palma de Ouro em Cannes), Sergei Bondarchuk (O destino de um homem, 1959), Andrei Tarkovski (A infância de Ivan, 1961, premiado com o Leão de Ouro em Veneza), Elem Klimov (Vá e veja, 1985, premiado com a Medalha de Ouro no Festival Internacional de Moscou), entre tantos outros.
Um aspecto que chama a atenção no cinema de guerra soviético é que, ao contrário da maioria dos filmes norte-americanos que tratam a guerra com ufanismo e heroísmo, em que seus soldados são verdadeiros exemplos de caráter e retidão e os horrores da guerra como fome, aldeias inteiras dizimadas, estupros etc. passam ao largo6, os filmes de guerra soviéticos buscam expor o lado mais sombrio da guerra. O motivo certamente se deve ao fato, além de ideológicos, que boa parte dos diretores soviéticos dos anos 50, 60, 70 e 80 vivenciaram a Segunda Guerra Mundial na própria pele, em seu próprio território, seja lutando ou sofrendo a experiência de inúmeras perdas materiais e afetivas que a guerra traz, coisa que nenhum diretor norte-americano viveu, pois desde a Guerra Civil Norte-Americana os EUA não presenciam uma guerra em seu próprio território.
Os filmes soviéticos em geral eram de difícil acesso a poucos anos atrás, somente com o fim da URSS é que são reeditados e mesmo assim, as locadoras de filmes não tem mostrado muito interesse em tê-los em seu acervo, exceção feita a um que outro filme de Eisenstein ou de Tarkovski, sendo que este somente depois de mudar-se para o ocidente teve uma melhor acolhida pela crítica mundial.
O anti-comunismo escancarado em “Círculo de fogo”
O filme “Círculo de fogo” (“Enemy at the gates”) de Jean-Jacques Annaud de 2001, uma produção conjunta entre Alemanha/EUA/Inglaterra, é dos poucos filmes ocidentais que tratam da participação da URSS na Segunda Guerra Mundal, mais especificamente da “Batalha de Stalingrado”. Logicamente, a história do filme busca personalizar o conflito entre a URSS e a Alemanha, centrando a atuação entre o duelo entre dois franco-atiradores, um soviético, Vassily Zaitsev (Jude Law) e um oficial nazista Erin König7 (Ed Harris). O resto do filme é um festival de pregação ideológica anti-comunista, anti-soviética e um romance folhetinesco8.
A maneira como os soldados do Exército Vermelho são retratados no filme é de grande inverdade histórica. Inicialmente os soldados soviéticos aparecem viajando de trem com destino à defesa de Stalingrado, certamente por sua enorme covardia tem de ser trancados nos vagões para não desertarem. Na verdade, é notório que tanto os oficias quanto os demais soldados dividiam os mesmos vagões e ninguém era trancafiado em trens.
Os soldados que na travessia do rio Volga jogam-se no rio para fugir da artilharia aérea alemã são executados pelos oficiais. No desembarque das tropas em Stalingrado, os oficiais gritam frases como: “em nome da União Soviética não dem um passo atrás ou atiraremos”, “os desertores serão mortos” ou “não há perdão para covardes”9.
Vendo o filme, é impossível concluir quem são mais cruéis e assassinos, os nazistas ou os próprios soviéticos. Os soldados do Exército Vermelho batem na população e ameaçam com a morte aqueles que tentarem sair de Stalingrado, quando na realidade o governo soviético praticamente esvaziou a cidade já em agosto de 1942. Se o tratamento dispensado pelos soldados soviéticos aos habitantes de Stalingrado tivessem sido verdadeiras, seria espantoso os civis não terem optado por se aliarem aos nazistas, o que como é sabido, não ocorreu.
Os soldados soviéticos aparecem como verdadeiros suicidas. Ao desembarcarem percebem que existe um rifle para cada dois soldados, os outros dois carregam apenas munição. Quando aquele que carrega o rifle morre, um deles recolhe a arma do morto e apenas aí passa a se defender e atacar, o que passa a idéia do total amadorismo e despreparo do exército soviético para enfrentar o bem armado exército nazista. A dúvida que fica é: como foi possível que os soviéticos derrotaram os nazistas não só em Stalingrado como vencerem a Segunda Guerra Mundial tendo meia arma para cada soldado10?
Quando Kruschev pergunta a um oficial (que em instantes terá de suicidar-se para evitar a burocracia de ser executado, como afirma Kruschev) sobre a derrota até aquele instante da resistência em barrar o avanço nazista o oficial argumenta: “os alemães tem artilharia, aviões, tanques, e o que eu tinha?”11.
Os oficiais soviéticos são personagens típicos de comédia: apalermados, com físico ou muito acima do peso, ou muito baixos em estatura, outros exageradamente magros. No entanto, todos tem uma coisa em comum: a covardia. Será que algum filme de guerra já retratou oficiais norte-americanos de maneira tão caricata como os oficiais soviéticos são apresentados?
O saco de maldades dos soviéticos não tem fim, Kruschev diante de seus oficiais enfileirados (um verdadeiro exército de Brancaleone) pergunta a um narigudo com cara de personagem de desenho animado se tinha alguma sugestão de como aumentar o moral da tropa que estava sendo aniquilada pelo exército alemão. Imediatamente o oficial do Exército Vermelho responde tremendo de medo: “atire em todos os outros generais que recuarem”, outro diz: “deportem as famílias dos traidores”. A reunião com os oficiais vira um verdadeiro festival de maldades, vencido por Kruschev que diz com a maior frieza e naturalidade: “não, isso tudo já foi feito”. O Comissário Danilov, um soldado que espantosamente não sabe atirar, é que tem a solução mágica: “dar esperança aos soldados”, “precisamos é de heróis”. Kruschev ficou em êxtase, finalmente encontrou a solução para vencer os nazistas.
Assim, a divulgação das façanhas de Zaitsev, alçado a condição de herói e exemplo por conta do serviço de “relações públicas” do Comissário Danilov foi a alternativa encontrada para que a resistência soviética começasse a combater efetivamente o inimigo. Parece que o exército soviético encontrou o seu “Rambo”, que sozinho é capaz de ganhar uma guerra. Simplificação grotesca e risível.
No momento em que Zaitsev é apresentado a Kruschev (ao som do Hino da URSS que ainda nem havia sido criado na época), todos pateticamente passam a olhar para um quadro de Stálin com uma expressão quase demoníaca. “Olhe para ele com orgulho, pois ele está olhando para você”, diz Kruschev para Zaitsev. É impossível não chorar de tanto rir.
Em outra cena, em que Zaitsev está respondendo às cartas de trabalhadores que as dezenas lhe escrevem, tem uma idéia de gênio: “não devemos dizer que não sou o único a lutar?”. O Comissário Danilov, alçado a condição de membro maior do exército, responsável pela propaganda dos feitos de Zaitsev, que tem a tarefa de pensar, já que como visto anteriormente nem atirar sabia, gostou da idéia, parece que até então ele não havia percebido que a guerra não girava apenas ao redor de seu herói.
Uma das cenas mais ideológicas ocorrem quando o soldado Koulikov, que usa dentadura metálica, conta sua história a Zaitsev. Teria sido mandado passar 16 meses na Alemanha para fazer um curso na escola de tiro dirigida por König/Thorvald, quando ainda estava em vigência o “pacto de não agressão”, ou como ele mesmo diz: “quando o nosso Josef e o Adolf deles andavam de mãos dadas”. Com a deflagração da guerra contra a Alemanha, já de volta à URSS é interrogado pela NKVD (a polícia política soviética) e torturado, queriam saber o que fazia na Alemanha. Parece inverossímel que para os agentes da NKVD o “pacto de não agressão” fosse novidade. A pregação anti-comunista chega ao auge quando Koulikov diz que, tendo sido acusado de suspeita de espionagem,teve todos os dentes quebrados por um martelo: “não foi uma foice, mas foi um martelo”. O saco de maldades dos comunistas soviéticos realmente parece não ter fim.
Os oficiais soviéticos parecem não ter nenhuma firmeza ideológica, muito pelo contrário, pouco antes de se deixar levar um tiro na cabeça pelo atirador alemão, Danilov despede-se da vida deixando a mensagem de que não adianta querer mudar a sociedade, ela sempre será desigual: “Eu fui tão idiota, Vassily. O homem sempre será homem. Não há um homem novo. Tentamos criar uma sociedade que fosse igual na qual não houvesse o que invejar do vizinho. Mas há sempre algo para dar inveja. Um sorriso, uma amizade, algo que você não tem e quer ter. Neste mundo, mesmo no soviético sempre haverá ricos e pobres, o rico em dons e o pobre em dons. O rico no amor, o pobre no amor”. Sua vida de comunista não teve sentido, resta a morte.
No término do filme, o diretor parece mostrar que nada funciona em uma sociedade socialista, a burocracia emperra as coisas mais elementares. Zaitsev chega no hospital e procura por Tânia, as senhoras, que representam a burocracia soviética, de muito má vontade dizem que não tem ninguém com aquele nome internada naquele hospital. É preciso que o próprio Zaitsev encontre a poucos metros de distância Tânia deitada na cama do hospital.
Não é por menos que vários veteranos de guerra criticaram o filme, a reação dos espectadores dos países da ex-URSS foi péssima, sendo que a própria família do verdadeiro Vassily Zaitsev conseguiu proibir por certo tempo a exibição do filme em cinemas da Rússia.
Esperamos que um dia a história da luta da Frente Oriental da Segunda Guerra Mundial, dos “Heróis de Stalingrado” e de todos os demais, soldados e civis que derramaram o seu generoso sangue para defender o mundo do nazi-fascismo ainda seja contada com a seriedade que merece.
Bibliografia consultada
ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006. 238 p.
GUBER, A. A. (org.). Historia universal – vol. II. Moscú: Editorial Progreso, 1976. 449 p.
KALACHNIKOV, Mikhail. Rajadas da história – o fuzil AK-47 da Rússia de Stálin até hoje. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. 167 p.
MARTENS, Ludo. Stalin – um novo olhar. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2003. 350 p.
MUÑOZ, Ricardo e TERRANOVA, Juan. Stalingrado – la tumba blanca del Reich. Bogotá: Planeta, 2007.156 p.
REVUNENKOV, V. G. História dos tempos atuais – 1917-1957. Rio de Janeiro: Vitória, 1961. 293 p.
ZHILIN, P. (org.). La gran guerra pátria de la Unión Soviética – 1941-1945. Moscú: Editorial Progreso, 1985. 469 p.
Sítios da internet consultados
acessado em 19/05/2009.

1 Professor Associado do Departamento de Ciências Econômicas da UFSM, Doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp.
2 Guber (1976, p. 226) afirma que se contra as ações da Alemanha nazista os países capitalistas eram no mínimo lenientes, em relação à URSS e aos comunistas de seus países, eram duros. A França colocou o Partido Comunista Francês na ilegalidade, com seus jornais fechados e seus militantes e inclusive parlamentares presos. Igualmente na Inglaterra, EUA e outros tantos países capitalistas foi desencadeada uma feroz perseguição aos comunistas.
3 Martens (2003, p.265) acredita que o futuro tanto da Inglaterra, bombardeada pela Luftwaffe, como a França invadida pelas tropas alemãs, poderia ter sido diferente: “Em março de 1939, a União Soviética entabulava negociações para formar uma aliança antifascista. A Inglaterra e a França deixaram as coisas se arrastarem, manobrando. Para esta atitude, as duas gandes ‘democracias’ faziam compreender a Hitler que ele poderia marchar contra Stalin sem ser inquietado pelo Oeste”.
4 Em 20 de agosto de 1941 Hitler propõe à URSS um ”pacto de não agressão”, estrategicamente aceito. Segundo Martens (2003, p. 270), o pacto possibilitou que a URSS conseguisse 21 meses de paz para se preparar para a futura agressão alemã em seu território.
5 Os aliados mesmo que unidos contra as tropas do Eixo, não eram homogêneos quanto aos seus interesses: “A União Soviética considerava como seus objetivos fundamentais a destruição do fascismo, a libertação dos povos subjugados, o restabelecimento das liberdades democráticas e a criação de condições propícias para o estabelecimento de uma paz duradoura e sólida. Os imperialistas dos Estados Unidos e da Inglaterra consideravam como finalidade mais importante da guerra a destruição de seus principais competidores – a Alemanha e o Japão – na luta pelo domínio mundial e pela consolidação de seu predomínio no mundo” (Revunenkov, 1961, p. 132).
6 O cinema de guerra norte-ameicano começa a inserir novos ingredientes além do heroísmo e ufanismo a partir de filmes sobre a guerra do Vietnã como “Apocalipse Now” de Francis Ford Coppola e “Platoon” de Oliver Stone.
7 Em sua biografia, Zaitsev afirma que o tal oficial alemão na verdade se chamava Heinz Thorvald. Este era um coronell da SS que dirigia uma escola de tiro em Berlim (Muñoz e Terranova, 2007, p. 80).
8 Zaitsev eliminou em Stalingrado 242 nazistas (números aproximados) e realmente matou o oficial alemão que tinha sido enviado para Stalingrado para mata o próprio Zaitsev. Embora o filme não faça nenhuma referência ao futuro de Zaitsev, ele passou a ser instrutor de tiro dos atiradores de elite, alcançando a patente de capitão, sendo inclusive autor de manuais de instrução para atiradores de elite. Recebeu a condecoração da Guerra Patriótica, duas Ordens Bandeira Vermelha, Ordem de Lenin, Medalha da Estrela Dourada e título de “Herói da União Soviética”. Terminou seus dias como diretor de uma fábrica de carros em Kiev, onde morreu em 1991. A cidade de Volvogrado (antiga Stalingrado) possui um monumento em sua homenagem e seu rifle moisin-nagant 91/30 está no Museu de Volvogrado. Dados extraídos do texto “One shot, one kill” disponível no sítio http://forum.outerspace.com.br/archive/index.php/t-40978.html
9 Com o título de “O grande fiasco do Círculo de Fogo”, o sítio http:/pt.shvoong.com/movies/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo/ afirma o seguinte: “De fato, a penalização de desertores existia no Exército Vermelho, como em todos os exércitos do mundo, porém desertores reais e não soldados que recuavam. Segundo V. Suvorov, um desertor soviético famoso no ocidente, haviam ‘Batalhões Penais’ onde desertores faziam atividades mais perigosas como limpar minas terrestres, dentre outras, nunca eram executados diretamente em combate”. A execução de traidores e desertores era rara no Exército Vermelho, dos 100.000 soldados enviados a Stalingrado, apenas 265 foram executados. Ver em: http://soviet-empire.com/ussr/viewtopic.php?t=43057&sid=2e31fafb6a028a6e7…
10 “Ora, um fuzil era a primeira coisa que mesmo um voluntário civil recebia ao se alistar, muitos civis eram mesmo treinados para ações militares em parques públicos e operários muitas vezes faziam fuzis improvisados nas fábricas, como bem atestado pela jornalista A. L. Strong, que viveu 15 anos na URSS. Mesmo nos porões do Exército, haviam velhos Moisins-Nagants, talvez mais fuzis do que em qualquer exército do mundo”. Ver o sítio http:/pt.shvoong.com/movies/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo/.
11 “Kruschov jamais comandou operações militares em Stalingrado, apenas se limitara a comandar a evacuação de civis antes da batalha começar, seus reais comandantes foram Yeremenko (depois promovido a marechal) e Vassily Chuykov, especialista em combates urbanos veterano de Madri, ex-acessor de Chiang Kai Shek na Manchúria (onde derrotou os japoneses usando coquetéis Molotov e velhos fuzis), que comandou tropas até Berlim. No filme, entretanto, o comandante é um general choramingo que se queixa de ‘não ter aviões e tanques…’ como os alemães, embora nesta época voasse sobre Stalingrado Ivan Kozhedub (o maior ase dentre os aliados) e a ‘Rosa Branca de Stalingrado (Lilya Litvyak)’, aviadora conhecida por façanhas lendárias, bem como os tanques T-35, mais tarde retratados ligeiramente no filme”. Ver o sítio http:/pt.shvoong.com/movies/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo/. Dados mais precisos aparecem em Zhilin (1985, p. 185) que afirma ter o Exército Vermelho no começo da contra ofensiva de Stalingrado em comparação ao exército nazista, uma proporção de aproximadamente 1:1 em número de soldados; 1,5:1 em peças de artilharia; 2,2:1 em número de tanques e canhões automotores; 1,1:1 em quantidade de aviões.


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Sindicato: SEPE/Campos , manifestação em 30 de Novembro-2011

mensagem


O Sepe Campos convida a todos os profissionais da rede estadual para um grande ato público contra o fechamento das escolas noturnas estaduais. O ato será no dia 30 de novembro (próxima quarta-feira) às 15 horas em frente a Coordenadoria Regional do Norte Fluminense na Rua Primeiro de Maio - Centro - Campos dos Goytacazes.
Todos na luta contra o fechamento das escolas!!! Fechar escolas é CRIME!!!

Att, Cristini Marcelino - Diretora Sepe Campos

Para maiores informações acesse o Blog SOS Educação em Campos através do link: http://soseducacaoemcampos.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Estados Unidos e Europa em defesa do mercenarismo.

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Escrito por Camila Carduz
viernes, 25 de noviembre de 2011
Imagen activa25 de noviembre de 2011, 07:41Nações Unidas (Prensa Latina) Apesar da forte oposição dos Estados Unidos e as principais potências européias, a Assembléia Geral volta a buscar neste ano uma nova resolução contra a utilização de mercenários e as atividades das empresas privadas militares de segurança.

O tema aparece no programa anual do máximo órgão da ONU dentro do ponto dedicado ao Direito dos povos à livre determinação e já foi discutido na Terceira Comissão, a qual se ocupa dos assuntos sociais, humanitários e culturais.

Esse corpo acaba de lembrar um projeto titulado "Utilização de mercenários como meio de violar os direitos humanos e obstaculizar o exercício do direito dos povos à livre determinação".

A iniciativa foi apresentada por Bolívia, Cuba, El Salvador, Nicarágua e Belorrúsia, e foi adotada por 118 votos a favor, 52 na contra e cinco abstenções.

Dessa forma, conseguiu-se vencer a dura oposição de uma frente encabeçada por Estados Unidos, França e Reino Unido, membros permanentes do Conselho de Segurança, mais Alemanha, Bósnia e Herzegovina e Portugal, que ocupam um assento temporário nesse órgão de 15 assentos.

Como discreto complemento dessa lista aparece a abstenção de Colômbia, país latino-americano que faz parte dessa instância da ONU até finais do próximo ano.

Os demais integrantes do Conselho de Segurança votaram a favor do documento: Rússia e China (membros permanentes), mais Brasil, Gabão, Líbano, Nigéria, Índia e África do Sul.

A carga opositora ao projeto incluiu um compacto grupo europeu, com 36 dos 52 votos contra provenientes de países dessa região, alguns membros e outros não membros da União Européia (UE).

A América Latina registrou 20 votos a favor, nenhum contra e três abstenções (Chile, Colômbia e México).

O documento que agora deve ser aprovado pela Assembleia Geral abarca o mais amplo panorama relacionado com o perigo que representam os mercenários e as empresas privadas militares de segurança para os países subdesenvolvidos e o princípio de autodeterminação dos povos.

O tema não é novo e tem sido objeto de resoluções do Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, a Organização da Unidade Africana e sua sucessora a União Africana.

Os votos de Washington e UE tratam de evitar uma condenação aos Estados que permitam o recrutamento, financiamento, treinamento, concentração, trânsito ou utilização de mercenários com o objetivo de derrocar governos, em particular de países em desenvolvimento.

Segundo os documentos da ONU, essas atividades atentam contra a Carta no que se refere aos princípios de igualdade soberana, independência política, integridade territorial, livre determinação, não utilização de ou a ameaça do uso da força e não ingerência nos assuntos internos dos Estados.

Além disso, constituem um perigo para a paz e a segurança dos países em desenvolvimento e causam a perda de vidas, graves danos à propriedade e efeitos negativos na política e economia das nações afetadas.

Nesse sentido, o projeto da Terceira Comissão explica que de qualquer maneira que forem utilizados ou a forma que adotem para aparentar legitimidade, os mercenários são uma ameaça para a paz, a segurança e a livre determinação e um obstáculo para o desfrute de todos os direitos humanos pelos povos.

Em tempos mais recentes, a ONU desatou novos alarmes sobre a participação de mercenários e de empregados de empresas militares e de segurança privadas em violações graves dos direitos humanos.

Entre essas faltas, a organização mundial inclui execuções sumárias, desaparecimentos forçados, violações, torturas e outros tratos cruéis, desumanos ou degradantes, detenções e detenções arbitrárias, incêndios intencionais e saques.

O enfoque atual sobre o assunto adverte que a sucessão de conflitos armados, o terrorismo, o tráfico de armas e as operações encobertas fomentam a demanda de mercenários no mercado mundial. Ao mesmo tempo, chama a atenção sobre o recrutamento, treinamento, contratação ou financiamento de mercenários por empresas privadas que ofertam serviços internacionais de assessoramento e de segurança militares.

Mais ainda, exige a proibição expressa de que essas firmas participem em conflitos armados ou ações para desestabilizar regimes constitucionais e a estabelecer mecanismos nacionais para regular o registro e a concessão de licenças a essas empresas.

Tudo com o fim de garantir que os serviços dessas empresas privadas não violem os direitos humanos nem obstaculizem seu exercício no país receptor e que seus membros e responsáveis não recebam nenhuma forma de impunidade.

As demandas apresentados na ONU defendem a elaboração de princípios concretos relativos à regulação das empresas privadas de serviços de assistência e assessoramento sobre segurança militar.

Nos últimos tempos, o grupo especial da ONU dedicado ao problema dos mercenários defende a discussão e adoção de uma convenção sobre a regulação, o acompanhamento e a supervisão dessas entidades.

Trata-se de demandas consistentes, denúncias e advertências em torno do amplo espectro do problema dos mercenários e as firmas privadas de segurança.

Mas tudo indica que essas inquietudes atentam contra os interesses das potências e governos que se opõem à mais mínima regulação conceitual, formal e legislativa do mercenarismo.

Chefe da Sucursal da Prensa Latina nas Nações Unidas.

arb/vc/cc
Modificado el ( viernes, 25 de noviembre de 2011 )

domingo, 27 de novembro de 2011

Síria atacada por mercenários e fantoches árabes de Israel.

O PLANO DE DESESTABILIZAÇÃO DA SÍRIA ImprimirPDF
imagemCrédito: 4.bp.blogspot
Por Thierry Meyssan
As operações contra a Líbia e a Síria têm atores e estratégias comuns. Porém os resultados são muito diferentes, já que não há comparação possível entre ambos os Estados.
Nota de redação: Alain Juppé, que aparece acima na foto com Hillary Clinton, foi condenado pela justiça francesa em janeiro de 2004 por corrupção estatal e condenado a 18 meses de prisão. Nesta época todo o mundo considerava que sua carreira política estava acabada, porém o poder francês do governo Sarkozy o fez ressuscitar. Os meios de comunicação esqueceram seu passado.
Ainda que o intento de derrubar o governo sírio tenha muitos pontos de semelhança com a manobra contra a Líbia, os resultados são muito diferentes devido a particularidades sociais e políticas dos dois países. O projeto que pretendia acabar simultaneamente com esses dois Estados já havia sido enunciado desde 6 de maio de 2002 por John Bolton, então subsecretário de Estado da administração Bush. Posto em prática, nove anos mais tarde, pela administração Obama, está enfrentando numerosos problemas.
Exatamente como na Líbia, o plano inicial contra a Síria consistia em um golpe de Estado militar, no qual rapidamente se mostrou impossível conseguir encontrar oficiais necessários que pudessem cumprir esse papel. Segundo informações que temos recebido, também estava prevista a aplicação de um plano idêntico no Líbano. Na Líbia, a existência do complô se soube antes do tempo, e o coronel Kadhafi acertou em prender o coronel Abdallah Gehani. Não restou outro remédio que submeter o plano original a uma revisão em meio do inesperado contexto da ”primavera árabe”.
A ação militar
A idéia principal, em Síria, era provocar desordens em uma zona bem delimitada e proclamar ali um Emirado Islâmico que pudesse servir de base para desmantelar o país. Foi escolhido o distrito de Daraa porque se encontrava na fronteira com a Jordânia e com Golan, território sírio ocupado por Israel, que, por sua vez, facilitou o envio de todo tipo de ajuda material aos separatistas.
Orquestrou-se ali um incidente artificial mediante o uso de estudantes secundaristas que realizaram uma série de provocações, tática que funcionou mais que satisfatoriamente devido à brutalidade e estupidez do governador e do chefe de polícia local. Quando começaram as manifestações, franco atiradores localizados nos telhados dispararam a esmo contra a multidão e contra as forças da ordem. Cenário idêntico àquele que se aplicou em Benghazi para suscitar revolta.
Os planos incluíam mais enfrentamentos, sempre em distritos sírios fronteiriços, como meio de garantir a retaguarda, primeiramente na fronteira norte do Líbano e posteriormente na fronteira com a Turquia.
A missão dos combates estava nas mãos de unidades pequenas, em torno de uns 40 homens, onde se mesclavam indivíduos recrutados localmente com uma direção conformada por mercenários estrangeiros proveniente das redes do príncipe saudita Bandar bem Sultan. O próprio Bandar esteve na Jordânia para supervisionar o começo das operações, em contato com oficiais da CIA e da MOSSAD.
Porém, a Síria não é o mesmo que a Líbia: o resultado tem sido contrário ao esperado. Líbia é um Estado criado pelas potências coloniais que uniram pela força as regiões de Tripolitania, Cirenaica e Fezzan. Porém, a Síria é uma nação histórica, que as mesmas potências coloniais reduziram a sua mais simples expressão. Na Síria, existem forças unificadoras que esperam reconstruir a Grande Síria, que incluiria a atual Jordânia, a Palestina ocupada, o Líbano, Chipre e uma parte do Iraque. A população do país que atualmente conhecemos como Síria se opõe, portanto, de forma espontânea, aos projetos que querem dividir a nação.
Por outro lado, também é possível comparar a autoridade do coronel Kadhafi e de Hafez El Assad – pai de Bachar El-Assad. Os dois chegaram ao poder na mesma época e combinaram inteligência e brutalidade para imporem-se. Ao contrário do atual presidente sírio que não tomou o poder. Nem sequer esperava herdá-lo. Aceitou a presidência porque seu pai havia falecido e por saber que unicamente sua legitimidade familiar poderia evitar uma guerra de sucessão entre os generais de seu pai. O exército sírio foi buscá-lo em Londres, onde Bachar exercia sua profissão de oftalmologista. Mas foi o povo quem o consolidou no poder.
Bachar AL-Assad é, sem dúvida, o líder político mais popular do Médio Oriente. Há dois meses, era também o único que não utilizava escoltas e não tinha o menor problema em misturar-se com multidões.
A operação militar que tenta desestabilizar a Síria e a campanha de propaganda desatada simultaneamente contra esse país foram organizadas por uma coalizão de Estados, no qual os EUA exercem o papel de coordenador, exatamente da mesma forma em que a OTAN atua como coordenador dos Estados – membros e não membros da aliança do atlântico – que participam na campanha militar contra a Líbia.
Como já havíamos dito anteriormente, os mercenários foram por conta do príncipe saudita Bandar, que teve, inclusive, que fazer um giro internacional até o Paquistão e Malásia para reforçar seu exército pessoal, mobilizado desde Manama até Trípoli. Podemos citar, também, como exemplo, a instalação, nos escritórios do ministro libanês de Comunicação, de um centro de telecomunicação criado especialmente para este assunto.
Longe de lograr indispor a população síria contra o “regime”, o banho de sangue deu lugar ao surgimento de um movimento de unidade nacional ao redor do presidente Bachar El-Assad. Conscientes de que existe a intenção de arrastá-los a uma guerra civil, os sírios conformaram um bloco. As manifestações antigovernamentais conseguiram reunir um total de 150.000 a 200.000 pessoas, num país que conta com 22 milhões de habitantes. Entretanto, as manifestações a favor do governo estão reunindo multidões nunca vistas anteriormente na Síria.
Ante os acontecimentos provocados, as autoridades demonstraram sangue frio. O presidente deu início às reformas pretendidas e negociadas com setores importantes da sociedade, reformas que a própria população havia freiado sua implementação até esse momento, por temor de uma ocidentalização da sociedade árabe.
O Partido Bhaas aceitou o multipartidarismo para evitar cair no arcaísmo. Contrariamente ao que afirmam os meios de comunicação do ocidente e Arábia Saudita, o exército sírio não reprimiu os manifestantes, mas combateu os grupos armados. Por desgraça, seus oficiais superiores não conseguiram mostrar tato com os civis presos entre o tiroteio.
A guerra econômica
Produziu-se uma inflexão na estratégia comum do Ocidente e Arábia Saudita. Ao dar-se conta de que a ação militar não lograria afundar a Síria no caos no curto prazo, Washington decidiu atuar sobre a sociedade a médio prazo. A idéia é trabalhar a recente classe média, formada pela política econômica, e utilizá-la contra o governo. Para isso, é preciso provocar uma derrocada econômica a nível nacional.
O principal recurso da Síria é o petróleo, ainda que sua produção esteja bem abaixo do volume apresentado por seus vizinhos. Ainda assim, para comercializar esse petróleo, Síria necessita ter nos bancos ocidentais os chamado “assets” (bens ou valores mobiliários), que sirvam como garantia durante as transações. Basta congelar esses “assets” para sufocar o país. Para tanto, resulta importante e conveniente manchar o máximo possível a imagem da Síria para que a opinião pública ocidental aceite a adoção de “sanções contra o regime”.
Para o congelamento dos bens e valores de um país é necessário, em princípio, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, que, neste caso, é algo altamente improvável. China, que no caso da Líbia renunciou “voluntariamente” seu direito de veto, sob pena de perder todo acesso ao petróleo da Arábia Saudita, provavelmente terá que se dobrar novamente. Porém, a Rússia poderá recorrer ao veto, já que, se não o fizer, perderia sua base naval no Mediterrâneo e sua Frota do Mar Negro se esconderia por trás dos Dardanelos.
Para intimidar, o Pentágono enviou ao Mar Negro o cruzeiro USS Monterrey, como estabelecendo que em qualquer caso, as ambições navais da Rússia são irrealistas. Em todo caso, a administração Obama pode ressuscitar a Syrian Accountablity Act de 2003 para congelar os fundos sírios sem esperar pela adoção de uma resolução na ONU, nem uma votação no Congresso estadunidense. Como já demonstrou a história recente, especialmente nos casos de Cuba e do Irã, Washington pode convencer facilmente seus aliados europeus para que apóiem as sanções que os EUA adotam de forma unilateral.
É por isso que a verdadeira batalha se deslocou, atualmente, para os meios de difusão. A opinião pública ocidental engole facilmente qualquer estória, principalmente devido a sua total ignorância sobre a Síria, além, obviamente, de sua fé cega na magia das novas tecnologias.
A guerra midiática
Em primeiro lugar, a campanha de propaganda foca a atenção do público nos crimes atribuídos ao “regime” para evitar qualquer interrogante sobre a nova oposição. Estes grupos armados não tem absolutamente nada que ver com os intelectuais contestatórios que escreveram a Declaração de Damasco.
Esses grupos são formados nos meios extremistas religiosos sunitas e são fanáticos que rechaçam o pluralismo religioso do levante e sonham em instaurar um Estado concebido a sua própria imagem e semelhança. Se lutam contra El-Assad, não é porque estimam que se trate da luta contra o autoritarismo, senão porque o presidente é um alauita, que para eles equivale a ser herege.
Desde essa ótica, a propaganda contra Bachar está baseada em uma inversão da realidade. Um exemplo é o caso do blog “Gay Girl in Damascus”, criado em fevereiro de 2011. Para muitos meios de comunicação, esse sítio, editado em inglês pela jovem Amina, se converteu em uma fonte de informações sobre a Síria. A autoria descrevia a dificuldade que era para uma jovem lésbica, a vida sob a ditadura de Bachar El-Assad e a terrível repressão desatada contra a revolução que estava acontecendo na Síria.
Como mulher e gay, Amina gozava da protetora simpatia dos internautas ocidentais, que chegaram, inclusive, a mobilizar-se quando se anunciou que os serviços secretos do “regime” lhe haviam prendido. Conclusão, Amira nunca existira. Sua direção IP permitiu comprovar que o verdadeiro autor do blog de Amina era um “estudante” estadunidense de 40 anos chamado Tom McMaster. Este propagandista, que supostamente está fazendo um doutorado na Escócia, estava participando do congresso da oposição síria pro - ocidental que reclamou na Turquia uma intervenção da OTAN contra o governo de Bachar El-Assad. Por conseguinte, não estava ali como estudante.
O mais surpreendente desta história não é a ingenuidade dos internautas que engoliram facilmente as mentiras da suposta Amina, mas as mobilizações dos defensores das liberdades em defesa de gente que na realidade luta contra as liberdades. Na Síria laica, a vida privada é considerada um santuário. É possível que seja difícil defender a vida privada no seio da família, mas isso não acontece a nível da sociedade.
Apesar disso, aqueles a quem os meios de comunicação ocidentais apresentam como revolucionários, e a quem consideramos contra-revolucionários, são na realidade violentamente homofóbicos e, inclusive, são adeptos dos antigos castigos corporais e, em alguns casos, até a pena de morte para castigar esse “vício”.
Esse princípio de inversão da realidade está sendo aplicado em grande escala. Vamos recordar os informes da ONU sobre a crise humanitária desatada na Líbia: dezenas de milhares de trabalhadores imigrantes fogem desse país para escapar da violência! Os meios de comunicação utilizaram esse fato para concluir que o regime de Kadhafi deveria ser derrubado e que haveria de se apoiar os sublevados de Benghazi. No entanto, o responsável deste drama não era o governo de Trípoli e sim os supostos “rebeldes” da região de Cirenaica, que desataram uma verdadeira carnificina contra os negros.
Movidos por uma ideologia racista, os “rebeldes da OTAN” afirmam que os negros estavam a serviço de Kadhafi e os lincham.
No caso da Síria, as cadeias de TV deste país transmitem imagens de grupos de homens armados localizados nos telhados das casas, de onde disparam ao azar sobre as multidões e as forças do governo. No entanto, as cadeias de TV ocidentais e sauditas retransmitem as imagens atribuindo os crimes ao governo de Damasco.
Definitivamente, o plano de desestabilização em marcha contra a Síria não está dando os resultados esperados. Se por um lado têm convencido a opinião pública ocidental de que este país vive sob uma terrível ditadura, por outro, na Síria provoca a unidade da imensa maioria da população em torno do governo. Algo que pode resultar perigoso para os elaboradores do Plano, sobretudo para Tel Aviv. Em janeiro e fevereiro de 2011 fomos testemunhos do surgimento de uma onda revolucionária no mundo árabe, seguida em abril e maio de uma onda contra revolucionária. A balança, todavia, está em movimento.
Tradução: PCB (Partido Comunista Brasileiro)

Angola: Aproveitadores no governo traem as origens do MPLA?!

Opinião do Nelo de Carvalho: Julgamento de Quim Ribeiro é uma farsaVersão para impressãoEnviar por E-mail
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Angola - Institucional
Domingo, 27 Novembro 2011 13:02
271111_julgamentoBlog do Nelo de Carvalho - [Nelo de Carvalho] Li em algum lugar de que as famílias das vítimas ( ou da vítima) de Quim Ribeiro e da Máfia da corrupção angolana estão agora em disposição para chantagear aquelas. Isso era de se esperar desta turma de comandantes e generais.

Mas vamos aqui separar Quim Ribeiro do ordenamento institucional que hoje comanda a corrupção em Angola. Aquele só está sendo julgado porque seu esquema de corrupção é paralelo ao grande esquema que há 32 ( trinta e dois) anos engoliu o Estado angolano encabeçado pelos homens que, tradicionalmente, fazem parte daquela corporação de oficiais.
A corrupção institucionalizada em Angola tem um espírito. Este invoca uma espécie de redenção, jamais visto em lugar nenhum, que consiste no reconhecimento desmedido da corporação de generais, chefes, políticos e os comandantes reivindicadores de conquistas, que a boçalidade tipicamente angolana proclama diante de toda a nação. Porque todos eles andaram protagonizando às batalhas que levaram o país à independência, e a salvaguardarem a nação do fascismo tribal kwacha. É o tipo de corrupção em que o próprio Estado é autor e está envolvido com toda a sua máquina. A corrupção em que o Estado e o Governo fazem uso da legitimidade conquistada, por um discurso populista, que torna vesgo o cidadão, diante das maiores dificuldades já enfrentadas pelo país: a invasão sul-africana e a traição kwacha e de Jonas Savimbi. Quem é que não sabe que a corrupção é um mal menor diante de tudo isso!? “Era....!!!!!!!!!!”
Respondendo a pergunta: Pode ser, mas ela não justifica a safadeza e a cara de pau dos nossos Generais no poder. Não há crime que por menor que seja possa resistir o ordenamento dos fatos que a vida exige em tempos de paz e amor. Principalmente quando o objetivo é a harmonização de tudo aquilo que se pretende construir seguindo as regras da democracia. A não ser que este último regime seja uma falácia. O que seria uma soma, e o resultado muito mais catastrófico diante de tudo que vemos: principalmente da impunidade, da mentira e da desfaçatez.
O paralelismo dos atos protagonizados pela quadrilha de Quim Ribeiro com a máfia institucionalizada que hoje ocupa o poder, e faz questão de reivindicar o heroísmo e a gloria conquistada por todos nesse país, é a causa fundamental de que aqueles, infelizes, sejam julgados e esnobados diante da imprensa e de todos. Para assim se provar a opinião pública que o combate a corrupção existe. É o snobismo resultante da atitude do próprio chefe de Estado para com a nação inteira. Um cinismo e desprezo a ser imitado pelas instituições do Estado e pelo próprio governo, que veem nos atos do sujeito o exemplo a ser reproduzido. É o próprio estilo de um Estado e governo corrupto, sem chance de ser respeitado pelos “súditos”, porque estes deixaram de confiar e acreditar no estado, têm nos atos destes um mero exercício de jogo e diversão. É como o torcedor, que torce por um terceiro clube e não está interessado em qual dos dois clubes pode ganhar ou perder.
Se você quiser saber, amigo leitor, Quim Ribeiro e a sua quadrilha é um dos clubes que está em campo. A outra parte é a dos generais todo poderoso. E o nosso time ( em inglês team, clube), a dos torcedores, na verdade, é um time virtual. E consiste na simples expectativa de que todos eles, os corruptos, que um dia sejam julgados como tal pela justiça democrática deste país, quando um dia chegarmos lá.
Quim Ribeiro está sendo usado como cobaia. Primeiro de uma expectativa. Uma expectativa para provar a crença e a descrença do cidadão angolano. Está sendo usado como cobaia para desviar a atenção e fazer crer, como já dissemos várias vezes, que os corruptos só são os outros, ou, sempre, são os outros. É a covardia típica dos delinquentes transvestidos de chefes e até líderes. Uma falsa que o cidadão angolano engoliu para salvar o país das piores desgraças: a vitória do racismo sul-africanos e dos seus objetos traidores batizados ao redor de uma fogueira em Mwangai e parabenizados na Jamba. O savimbismo e a delinquência dos “outros” sempre foi usado como pretexto para se proteger a outra turma de delinquentes, não menos descaracterizados e perigosos, a diferença é que estes estão no poder. Com Quim Ribeiro querem desmistificar e dizer-nos que quem está lá em cima, e família, são probos e livres de qualquer suspeita.
Nós vimos aqui dizer que tudo isso é mentira. E que aquela família e o chefe dela ( e que dirige toda a nação) têm muito mais culpa que Quim Ribeiro.
Para que nossas acusações sejam fundamentadas vamos as seguintes perguntas: por que até agora o governo angolano não deu respostas eficazes dos 300 ( trezentos) milhões de dólares que desapareceram do BNA? Quem fez sumir está quantidade astronômica de dinheiro? Sobre esse dinheiro nunca se investigou, a imprensa pública -que é a que tem mais recursos e poderes para tal e que nestes longos 35 ( trinta e cinco) anos, enganosamente, ensinou o cidadão a pensar de que ela deve ter mais crédito- nunca anunciou nada.
Com o Quim Ribeiro querem jogar o lixo de baixo do tapete. Estão enganando o Povo, mentindo a todos! Tudo isso porque os eventos protagonizados pelo nosso policial, fora daquele grupo de ex-combatentes “glorificados”, não se cruzam com os eventos da máfia Estatal angolana toda poderosa, cínica e malfeitora.
nelo6@msn.com

sábado, 26 de novembro de 2011

Egito: Comunicado e mapa do caminho revolucionário.

Egito: Comunicado e mapa do caminho ImprimirPDF
imagemCrédito: SM
“6ª-feira da revolução do povo”
قوى الثورة المصرية
Forces révolutionnaires d’Égypte
Egypt's Revolutionary Forces
Forças Revolucionárias do Egito
Trad. árabe-francês, de Tafsut Aït Baamrane
Trad. francês-português, do Coletivo de Tradutores Vila Vudu, Brasil
Nós, a maioria das massas populares revolucionárias egípcias, soberanas em nosso território sobre nosso destino, e fonte de todo o poder no Egito, o poder que recuperamos para nós com a revolução popular e pacífica de 25 de janeiro de 2011, afirmamos nossa vontade sincera de transmitir esse poder a representantes civis eleitos – Parlamento e Presidente – até, no máximo, dia 15 de maio de 2012.
Declaramos que os manifestantes – homens e mulheres que ocupam a Praça Tahrir – são representantes da maioria do povo egípcio. Todo e qualquer acordo ou negociação entre o Conselho Superior das Forças Armadas e partidos políticos que exclua a participação direta desses homens e mulheres e das forças revolucionárias que ocupam a Praça Tahrir é nulo e não será respeitado.
As forças revolucionárias subscrevem, de pleno acordo, o comunicado abaixo, a ser usado como mapa do caminho para superar a crise e fazer a transição do poder:
  • O comunicado do marechal Tantawi não satisfaz a vontade e as expectativas do povo egípcio. Está repleto de falácias. Oculta os muitos crimes cometidos contra o povo durante o período da transição e, em particular, os que se cometeram ao longo dos quatro últimos dias, com seu cortejo de assassinatos, violência, profanação de cadáveres e atentados à dignidade dos cidadãos e, portanto, à dignidade do Egito.
  • O comunicado do marechal Tantawi não diz que se tomaram medidas concretas para restaurar a ordem, como a prisão dos assassinos e dos que deram ordens para atirar, com munição real e granadas de gás, nem determina a suspensão e o julgamento de todos os responsáveis militares e policiais por aqueles crimes. Tampouco anuncia o fim imediato de qualquer tipo de ação violenta contra os homens e mulheres que ocupam a Praça Tahir e em todo o país.
  • O comunicado do marechal Tantawi não responde às exigências do povo, que são: constituição de governo de salvação nacional, com autoridade para a gestão integral do período de transição e para afastar do poder imediatamente o Conselho Superior das Forças Armadas, o qual se deverá limitar à defesa nacional e a tarefas de segurança nacional.
  • O comunicado do marechal Tantawi tampouco atende à exigência do povo, de que se organizem e realizem-se eleições presidenciais dia 28 de abril de 2012, para que a transição do poder esteja completada, no máximo, até meados de maio de 2012. Além de não atender essa exigência do povo, o comunicado do marechal Tantawi fala, implicitamente, de um referendo a ser convocado para decidir sobre a permanência do Conselho Superior das Forças Armadas como gestor do período da transição – ideia categoricamente rejeitada pelo povo, que vê aí uma tentativa de subverter a vontade do povo.
Assim, dado que o comunicado do marechal Tantawi foi rejeitado pela maioria do povo egípcio; em nome do bem, da paz e da estabilidade do Egito, e para impedir novos massacres, para pôr fim imediatamente à violência e aos abusos contra o povo, aqui apresentamos esse mapa do caminho para encaminhar solução que tire o Egito desse momento de crise:
1 – Imediata prisão dos assassinos e dos que deram ordens para atirar com munição real e granadas de gás lacrimogêneo contra o povo. Que sejam presos, acusados e julgados, todos os comandantes militares e policiais implicados nesses acontecimentos. Fim imediato de toda e qualquer violência contra manifestantes na Praça Tahrir e em todo o Egito. Retirada das ruas de todas as forças policiais, até que esteja feita completa reforma do Ministério do Interior. Demissão dos funcionários corruptos que desafiam o desejo do povo e tentam prorrogar o antigo regime e enterrar a revolução.
2 – Constituição de um governo de salvação nacional, que terá plena autoridade para conduzir o período de transição, e fim imediato do Conselho Superior das Forças Armadas, que deverá ficar encarregado exclusivamente da defesa e da segurança nacional. Nomeação, pelos revolucionários, do encarregado de formar esse governo de salvação nacional. Organização da transição, na direção de poder civil eleito, segundo as seguintes modalidades:
– organização de eleições para a Assembleia Popular, que obedecerá a calendário conhecido; essa Assembleia Popular, depois de eleita, terá plenos poderes;
– organização de eleições para uma Assembleia de Concertação (Majlis Echchoura), que obedecerá a calendário conhecido e deverá estar eleita, no máximo, até 14 de março de 2012;
– apresentação de candidatos à eleição presidencial, entre 14 e 28 de março de 2012;
– eleição presidencial no dia 28 de abril de 2012 (1º turno) e 5 de maio de 2012 (2º turno); e
– a partir do dia 15 de maio de 2012, todos os poderes executivos serão formalmente entregues ao presidente eleito.
3 – O governo de salvação nacional declarará a data das eleições presidenciais e todas as novas relações entre os poderes.
4 – São as seguintes as tarefas desse governo de salvação nacional:
– organizar as eleições parlamentares, a eleição presidencial e a transição dos poderes executivo e legislativo, segundo o calendário acima indicado;
– sanear o Estado e suas instituições, mediante a eliminação dos corruptos e de todos que deram sustentação ao regime deposto pelo povo;
– restaurar a segurança, com fim imediato das baltaguiyas [agitadores e assaltantes mercenários a serviço do Ministério do Interior], e reformar o Ministério do Interior;
– melhorar o nível de vida e garantir a oferta de bens e serviços a preços justos.
Nossa revolução continua. É obrigação do Conselho Superior das Forças Armadas cumprir essas diretivas e atender as reivindicações anunciadas nesse comunicado até que se complete a transição, para representantes civis eleitos, nos prazos definidos nesse comunicado, de todos os poderes do governo do Egito. Parlamento e presidente eleitos no Egito não serão submetidos a nenhum tipo de tutela militar.
Convocamos todo o povo egípcio para que ocupe as ruas, aos milhões, na próxima 6ª-feira, 25 de novembro, aqui proclamada a “6ª-feira da revolução do povo”.
Que Deus abençoe o Egito, em segurança, liberdade e dignidade.
[assinam] As Forças Revolucionárias
Frente dos Universitários Independentes
Frente dos Revolucionários Autênticos
Frente dos Jovens Salafistas
Frente dos Jovens da Revolução na Universidade
Frente dos Jovens da Revolução 25 de Janeiro
Frente da Voz da Revolução
União das Forças Patrióticas
União dos Jovens da Revolução
Frente Islâmica Livre
Frente Geral da Revolução
Consenso Popular
Revolucionários Livres
Frente Revolucionária
Frente Revolucionária para a Defesa da Revolução Egípcia
Frente Popular Revolucionária
Apelo Salafista à Transição
Comitê de Coordenação
União dos Jovens do Partido do Trabalho
União das Forças da Revolução
Aliança das Forças Revolucionárias
Fórum dos Jovens de Suez
Frente de Salvação Nacional
Frente da Vontade Popular
Movimento Sindicalista
Movimento Popular “Corrente da Independência Nacional”
Partido Liberdade e Desenvolvimento
Partido Paz e Desenvolvimento
Partido da Promessa
Partido Egito em Construção
O Governo Sombra
Apelo Doutrina e Comunidade
Liga dos Ativistas da Revolução
Jovens Pesquisadores
Jovens da Comunidade Islâmica
Instituição Consenso Republicano
Anciãos da Revolução
Fórum do Delta
(vários revolucionários independentes)


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Egito detém o descarrilamento da revolução árabe

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Egito - Batalha de ideias
Sexta, 25 Novembro 2011 02:00

251111_egito6Diário Liberdade - [Seumas Milne, Guardian] 23 de novembro de 2011. Até há poucos dias, o pessimismo se tornara norma, na avaliação da revolução árabe. Passada a euforia por Tunísia e Egito, a “Primavera Árabe” virou outono ermo. Repressão selvagem, intervenção estrangeira, guerra civil, contrarrevolução e a volta da velha guarda tornaram-se ordem do dia. Para alguns, sequer acontecera alguma revolução – e só à Tunísia, estrategicamente marginal, seria concedida alguma genuína transformação democrática.

Mas a revolução novamente eclodiu no Egito, com centenas de milhares de pessoas que desafiaram a violência mais letal para reclamar para elas mesmas a autoridade usurpada por um regime militar sem qualquer disposição para abrir mão dela. Depois de lançar Hosni Mubarak aos tubarões e conceder um processo constitucional e eleitoral muito duramente controlado, os generais, que comandam interesses comerciais vastíssimos, outra vez lançaram as garras contra o movimento popular, prenderam, torturaram, mataram e arrebentaram milhares de egípcios, atacaram manifestantes e provocaram conflito sectário.
Mas foi a tentativa dos generais, de tentar preservar só para eles o poder constituinte permanente que reacendeu o levante popular e pôs os generais em conflito direto com a poderosa Fraternidade Muçulmana. Agora, a junta militar está mais uma vez sendo forçada a fazer importantes concessões e corre o risco de ser derrubada, se não conseguir manter separados a massa que se manifesta nas ruas e o restante da população do Egito.
Onde, em tudo isso, estão os EUA e aliados – ainda determinados a conservar o Egito como estado subalterno dócil – pode ser inferido de suas reações ao assassinato de pelo menos 38 manifestantes civis desarmados e a mais de 1.500 feridos[1]. “A autoridade tem de ser restaurada” – explicou o ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, o conservador Alistair Burt; e a Casa Branca repetidas vezes clamou por “moderação dos dois lados”[2], exatamente o mesmo que já dissera em janeiro e fevereiro, quando as forças de Mubarak assassinaram 850 manifestantes em três semanas.
Desde o dia em que o ditador egípcio caiu, vê-se a firme determinação, das potências ocidentais, de seus aliados do Golfo e dos antigos regimes, para subornar, esmagar ou sequestrar os levantes árabes. Na Tunísia e no Egito, o dinheiro de EUA e Arábia jorrou, tentando garantir cobertura aos seus aliados[3]. O governo Obama alocou $120 milhões para “promover a democracia” nos dois países; a Jordânia – estado árabe policial, embora vacilante, preferido do ocidente – é hoje o segundo principal recebedor, em números calculados per capita, de ajuda norte-americana; só perde para Israel[4].
A segunda abordagem foi esmagar os protestos à força. Em março, os EUA deram luz verde à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes para que invadissem o Bahrain, lar da V Frota dos EUA, e ajudar a reprimir o movimento democrático local – ao que se sabe hoje, em troca do apoio da Liga Árabe para a intervenção ocidental e o ataque à Líbia. O relatório autopatrocinado pelo próprio regime, sobre detalhes do ataque, dá pormenores dos assassinatos, torturas e prisões em massa depois de invadido o Bahrain.
A terceira tática do ocidente e das autocracias árabes suas aliadas foi porem-se eles mesmos à testa dos levantes – o que se viu acontecer na Líbia, onde a intervenção militar da OTAN foi viabilizada pelo Qatar e outros estados autoritários do Golfo. O resultado foi a derrubada do regime de Gaddafi, cerca de 30 mil mortos e nova ordem baseada na limpeza étnica, tortura e prisões sem acusação nem julgamento[5]. Mas, do ponto de vista da OTAN, o novo governo recém formado em Trípoli parece ser, pelo menos, firmemente pró-ocidente.
Foi esse retorno das ex-potências coloniais ao mundo árabe, à caça de concessões para explorar o petróleo da Líbia, depois da ocupação do Iraque, que levou Mohamed Heikal, ex-confidente de Gamal Abdel Nasser, a falar recentemente sobre a ameaça real de um novo “acordo Sykes-Picot”[6] – decidido entre Grã-Bretanha e França, depois da I Guerra Mundial – para uma redivisão do espólio na região.
E, com o passar dos meses, outra arma – o sectarismo religioso – também foi usado para decapitar, ou fazer descarrilar o despertar árabe. Associado à hostilidade contra a influência do Irã xiita, foi crucial para mobilizar o Golfo para a repressão à maioria xiita no Bahrain. O sectarismo religioso, incendiado pelo combustível dos conflitos pós-invasão no Iraque, foi a principal arma de propaganda do governo saudita para isolar os protestos em sua província do leste, predominantemente xiita e onde está o petróleo dos sauditas.
Mas o sectarismo religioso também é questão central no cada vez mais perigoso conflito na Síria. E ajuda a explicar as reações muito diferentes, na sangrenta repressão pelo regime de Assad, que já fez cerca de 3.500 mortos desde março, e no Iêmen, apoiado por EUA e sauditas, onde se estimava, há dois meses, que já houvessem 1.500 manifestantes mortos[7]. Enquanto o presidente do Iêmen estava hoje em Riad, assinando acordo patrocinado pelo Golfo para deixar o poder, com garantias de imunidade, a Síria enfrenta sanções, foi expulsa da Liga Árabe e enfrenta a ameaça de intervenção militar estrangeira.
A diferença não se explica pelo nível de violência nem pela persistente resistência de Assad que ainda não implementou as reformas nem fez as eleições que ele mesmo propôs. A questão é que o regime de Assad, alawita, é aliado do Irã e do movimento xiita libanês, o Hezbollah – todos contra EUA, Israel e respectivos estados árabes clientes.
Hoje, o que nasceu como movimento pacífico de protesto na Síria já se está metamorfoseando em plena insurreição armada e vicioso conflito sectário, à beira de uma guerra civil.[8] Não havendo sinais de que um dos lados possa conter o outro, os líderes da oposição patrocinados pelo ocidente cada dia mais eloquentemente clamam por intervenção militar na Síria, à moda da zona aérea de exclusão criada para a Líbia. E, apesar de os estados-membros da OTAN terem rejeitado essa possibilidade, se não houver mandado da ONU, tudo isso pode mudar, no caso de o conflito converter-se em guerra em larga escala, com crises de refugiados[9]. Um dos modos de evitar esse desastre regional seria um acordo político negociado na Síria, intermediado por Turquia e Irã – embora se deva considerar que as denúncias turcas contra Assad talvez já tenham ultrapassado todos os limites, e tal acordo já não seja viável.
O que resta bem claro é que os levantes em todo o mundo árabe estão intimamente conectados, e que sectarismo e intervenção estrangeira são inimigos mortais dessas revoluções ‘de amadores’. Fator crucial na persistência dos regimes autoritários sempre foi o apoio que receberam de potências ocidentais determinadas a manter controle estratégico na região. Qualquer Oriente Médio genuinamente democrático será inevitavelmente mais independente em relação ao ocidente.
Aí está a razão pela qual a reignição da revolução no Egito, país pivô de todo o mundo árabe, tem potencial não só para acelerar a democratização do próprio país, mas, também, para alterar a dinâmica em toda a região – e acertar golpe decisivo contra as forças que, como hidra de várias cabeças, tentam impedir que a revolução egípcia renasça.